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quarta-feira, 13 de julho de 2011

Capitão América, o primeiro vingador


                                                      E ele tem as cores da Bahia!

Pelos almanaques de história em quadrinhos o herói Capitão América nasceu em 1941 nos Estados Unidos, para coroar os esforços de guerra daquele país na Europa. Teria sido a Marvel Comics que o criou junto com uma onda de super heróis que surgiram naquele tempo.
Mas os almanaques não estão com nada. O capitão América foi criado no Rio de Janeiro e bem antes desta época, em 1904. Esse filme que estão lançando agora, Capitão América, o primeiro vingador diz bem do seu aparecimento nos campos baianos. Foi o primeiro clube do Rio de Janeiro a jogar em um estádio baiano, o campo da Graça, pois o Botafogo jogou no campinho do Rio Vermelho dois anos antes.
A desinformação dos norte-americanos é tanta que eles não sabem só qual é a capital do Brasil ou a quem pertence a Amazônia, desconhecem esta importante informação, de que o capitão América veio na Bahia em setembro de 1921 fazer a primeira excursão de um time visitante no estado.
                         Que diferença pros super heróis de hoje, ele só tinha um escudo!

Apareceu por aqui duas semanas depois do dia consagrado á independência do Brasil. O pessoal lotou o campo pra ver aquele cara musculoso, com um escudo estranho, formado pelas ligas dos metais Adamantium e Vibranium, e indestrutível. Na ocasião, enfrentou os seus futuros arqui-inimigos Caveira Vermelha e Força Nacional, que se disfarçaram de um combinado Baiano de Tênis-Botafogo, mas apanharam de quatro a dois.
Depois veio a H.I.D.R.A, que os baianos chamavam de Associação Athlética, mas perdeu também por quatro a três. O próximo foi o Doutor Faustus, fantasiado de Ypiranga, e tome-lhe bordoada, três a zero. Por último veio o próprio Império Secreto, que usou as camisas do EC Vitória, pra perder de dois a um.
Não restou aos inimigos dos EUA, disfarçados de baianos, trazer todos os vilões do mundo, convocados pela liga e em nome da seleção baiana, e á muito custo conseguiram empatar em um gol com o famoso capitão. A Bahia nunca tinha visto um negócio daqueles.
                                                           E só vinha em turma!

Depois mandariam uns falsos capitães América pra Bahia. Mas os baianos logo notaram que era tapeação. Veio um verde América dizendo ser de Minas, e até um de Pernambuco, mas isso foi no tempo onde a própria Marvel Comics admitiu que tivessem quatro capitães América (sic!). Mas os baianos nunca esqueceram o capitão América carioca.
Precisou dezoito anos para o verdadeiro Capitão América voltar de novo na Bahia. Ah como era bonito seu uniforme. Nesse dia tirou até a roupa e apareceu como o Steve Rogers mostrando quanto era franzino. Aí fez um discurso chamando os torcedores pra se alistar na guerra que já começava contra o Eixo. Mas ninguém entendeu nada, mesmo porque o presidente Getúlio Vargas “preferia puxar o saco” da Alemanha.
Não sei se foi por isso, por jogar sem uniforme, acabou perdendo para outro alvo rubro, o Botafogo, por dois a um. Ninguém se alistou e aí o famoso capitão vestiu seu uniforme de novo pra jogar contra o time da colônia espanhola, devolvendo o escore aos baianos. Mas aí já tinham chegado os seus poderosos inimigos que tinha pegado de surpresa ao aparecer na Bahia sem avisar.
                                                Nem essa turma aguentava com ele!

O primeiro foi Modok, que jogou com a camisa do Ypiranga, e ofereceu a maior resistência, fazendo com que o capitão só conseguisse um empate em dois gols. E, três dias depois, houve uma verdadeira concentração de vilões no bairro da Graça. Os baianos nunca viram tanta maldade. Tinha o Barão Zemo, os Ossos Cruzados, o I.M.A e o Esquadrão Serpente. Chegaram até a esconder o escudo do capitão. Aí não podia dar outra coisa, quatro a um para o Bahia, no dia histórico de 12 de março de 1939.
A guerra passou e esqueceram-se do Capitão América. Fizeram até um seriado estrelado por Dirk Purcell mas a TV só chegaria à Bahia em 1960. Mas os norte-americanos resolveram dar um premio de consolação aos baianos e trouxeram o famoso capitão nove anos depois ao estado.
Ele chegou a Salvador em pleno mês das noivas de 1948. No começo acharam estranha a oportunidade, mas quando ele entrou no campo da Graça viram que era o original. Trazia seus aliados, o Agente 13, o homem aranha e Wolverine. Mas eles ficaram no banco de reservas. A primeira partida foi bem disputada contra Mecanus, que havia se disfarçado dos granadeiros, e ofereceu resistência. No final, um verdadeiro escore de “baba”, seis a cinco pro Capitão América.
                                             Getúlio chegou a reclamar com Roosevelt!

O próximo foi o Ypiranga. Mas, nesse dias os baianos não torceram pelo mais querido, pois viram que por traz do uniforme auri negro havia nada menos do que o temível Doutor Faustus. Na época a burguesia brasileira estava atrás de uma graninha dos norte-americanos tentando aproveitar o dinheiro da “reconstrução” da Europa. Eu sei que o capitão ganhou de seis a dois, quanto ao dinheiro americano ninguém viu.
Mas, três dias depois, desembarcou uma renca de super vilões no cais do porto e prepararam uma armadilha pro capitão. Roubaram o seu famoso escudo e deixaram, no vestiário um parecido, pintado com as cores originais, mas feito de lata de cerveja. Era sacanagem e o tricolor acabou ganhando de novo por dois a um.
Eu acho que foi por isso que, quando o capitão apareceu de novo, dois anos depois, nem veio a Salvador, preferindo ficar lá pela região do cacau onde goleou a Seleção de Ilhéus (5 X 2) e a Seleção de Itabuna (5 X 1)!
                                    Teve gente que se mudou da Bahia por causa dos vilões!

Foi tal de convidar o capitão pra voltar que ninguém aguentava. E que os baianos tinham construído um estádio decente, a Fonte Nova, e queriam mostra-lo para inglês e americano verem. Veio pra Bahia gatos e cachorros, times do Brasil todo e até estrangeiros. Na época os governadores chegaram até a apelar pro Eisenhower. Não era possível tanta discriminação com a Bahia!
Mas o capitão norte-americano só voltaria á Bahia depois da morte de Getúlio Vargas, pois achavam que havia ameaça a seus interesses, ainda mais quando foi criada a PETROBRAS! Apareceria por aqui em agosto de 1956. Mas só pra fazer uma partida, a outra seria em Feira de Santana. Na ocasião, até os vilões deram uma trégua. Os baianos estavam zangados, e foi assim que o Fluminense empatou com o capitão em Feira (1 X 1), mas não adiantou nada pro tricolor que caiu por dois a um com novo estádio e tudo.
Nos anos 50 tudo quanto é seriado americano apareceu nas TVs brasileiras que estavam sendo criadas. Na época ventilou-se que o Capitão América iria ser revivido. Mas, antes que isso acontecesse em 1964, e nosso herói surgisse como líder dos Vingadores, ele veio testar a sua popularidade na Bahia.
                                       Foi aí que passou a ter super heróis "a dar de páu"!

Veio novamente em maio e em 1958 quando haveria eleições. Sabem como é a diplomacia americana né? Aí acabaram arranjando um empate com o Bahia (1 X 1) que seria bom pros dois lados. Logo depois, mesmo que o capitão não votasse por aqui, o pessoal saiu por aí o levando para visitar a cidade, enquanto o tricolor pedia revanche.
Rapaz, o que o Capitão América e seus amigos passaram nem queiram saber! Doutor Fausto em pessoa fez o programa das visitas. Ele podia ser herói lá pras bandas do inferno mas na Bahia não resistiu ao efó, ao caruru, ao vatapá, e ao acarajé, tudo com a maior pimenta possível. Imaginem que de tanta cachaça voltou ás quedas para o Hotel da Bahia. O resultado não se fez esperar cinco a dois pros baianos. Já não se fazia mais heróis como antigamente!
O capitão se sentiu traído pelos baianos. E o Departamento de Estado americano retaliou pesado a Bahia. Foi por isso que a série que seria criada não passou na TV Itapuã. Assim, os ianques que visitavam a Bahia não tiveram nada pra conversar durante dez anos. Só em 1968, quando manifestações por direitos civis estouravam por todo o mundo, é que mandaram o capitão de novo distrair os baianos.
                                     Começaram a procurar onde estava o Capitão América!

Ele chegou logo depois do São João, e os baianos estavam tão satisfeitos com sua presença que até organizaram um torneio. O capitão veio com novo discurso, o que interessava agora não eram a guerra nem os protestos dos “subversivos” mas a amizade entre as pessoas, como a que tinha com Peggy Carter, Bucky e Ricky Jones.  Naquele ano porém, pouca gente foi á Fonte Nova ver o capitão levar a taça.
A primeira rodada ocorreu a trinta de junho, quando o capitão derrotou o rubro negro (2 X 1) enquanto o tricolor ganhava do Flamengo (1 X 0). Mas o primeiro vingador passaria das medidas, vencendo o Bahia (2 X 0) e o torneio na data magna dos baianos, o Dois de julho!
Os filhos e amigos do capitão ainda voltariam na Bahia nos anos setenta, em 1971 e 1977, pra jogar e empatar com o Vitória. Mas vivíamos uma época nova, a do Campeonato Brasileiro. Nos primeiros anos ainda deu pro nosso capitão, pois enfrentava o Império Secreto e iniciava parceria com outros super heróis, como o Falcão Negro.
                                 "Rolou" até fitinha de Senhor do Bonfim pro capitão voltar!

Mas, os anos 80 coincidiram com as dificuldades do América em se manter no Brasileirão. Havia passado a época de gatos e cachorros disputarem a Primeira Divisão e nosso herói deixava a guerra mundial e os nazistas pra aparecer na guerra civil e em todo lugar de interesse dos norte-americanos. Passou a viver uma concorrência desgraçada, tanto no certame brasileiro como no cinema.
Foram tirar do baú tudo quanto é tipo de super herói, com todo tipo de poderes, do que só um escudo. Até tal de lanterna verde apareceu! O Capitão América caiu pra Segundona e pra Terceirona. Disseram até que em 2007 foi morto na guerra civil. Mas, dizem que estão querendo ressuscitá-lo de novo!

·          Agradeço ao site Wikipédia, ao Almanaque do Futebol Brasileiro e aos blogs Jeniss, fotocomida.com, ptwikipedia.org, praticus.limao.com.br, tvcinemaemusica.worpress.com e teatrodebonecos.blogspot.com.  

quinta-feira, 21 de abril de 2011

Inevitável

              
             
                                           Se é questão de confessar/ não sei preparar café
                                            e não entendo de futebol(...).  
                                            Sempre soube que é melhor/quando há que falar de dois
                                            começar com um mesmo.
                                           Já saberás a situação /  aqui tudo está pior
                                            mas pelo menos respiro(...).
                                           O céu está cansado/de ver a chuva cair,
                                           e cada dia que passa/é mais parecido com ontem.                         
                                           Shakira ( Inevitable )


Outro dia ouvi uma canção da cantora Shakira que tem a ver com o que aconteceu em 1961 na política e no futebol quando alguns fatos se tornaram Inevitable. Ela é namorada do zagueiro Piquê do Barcelona FC e chegou a ter suas músicas proibidas no estádio do Real Madrid. 
Em 1961 o presidente Trujillo da República Dominicana colocou seus órgãos de informação para descobrir a conspiração contra seu governo. O resultado iria surpreendê-lo, pois, além, das figuras que esperava estavam o embaixador dos EUA e o arcebispo primaz da Igreja Católica de São Domingos.  Assim, só pegou “arraia miúda” não se atrevendo a tomar providências contra os “graúdos”. Cairia, em pouco tempo, crivado de balas numa emboscada. As mudanças do país, se puderam ser adiadas, não seriam evitadas mais tarde.
Em abril neste ano ocorreria a famosa invasão da Baía dos Porcos no sul da ilha de Cuba. Foi o Kennedy do Partido Democrata (!) e com cara de bonzinho que autorizou a invasão, embora já fosse preparada desde a época de Eisenhower. Os 16 aviões B – 26 norte-americanos chegaram voando baixo, com o escudo da Força Aérea Cubana, e metralharam o povo que os saudava. Atrás dos bombardeios veio o desembarque nos pântanos da baía.
                                                            Ói ela sozinha!

A apregoada invasão, entretanto, só durou três dias. Os cubanos que moravam em Miami e outros mercenários são derrotados rapidamente em terra e os sete navios da Marinha norte – americana são afundados ou se põem em fuga. Soube-se depois que a CIA treinara militarmente cerca de 1300 exilados, embora não contasse com o espírito de luta do povo que defendia o seu país e sua revolução. A irresponsabilidade levaria a cerca de trezentos mortos de lado a lado.
Naquele ano, enquanto “pegava fogo” a situação no Caribe e na América Central, o campeonato anterior terminaria mais tarde, particularmente devido á excursão da dupla BA – VI á Europa. Além disto, havia os amistosos. Em janeiro mesmo chegaram por aqui os cariocas do Bangu e a Portuguesa.  Na ocasião, o tricolor baiano desfrutava da hegemonia absoluta no futebol baiano, e não teria nem dó nem piedade ganhando de cinco a três da equipe de Moça Bonita e seis a dois da do subúrbio.
O esquadrão de aço faturaria o tricampeonato e o Ceará Sporting viria a Salvador em março jogando na Fonte Nova com a dupla.  Sabedor dos últimos resultados por aqui os cearenses jogaram “fechadinhos”. Esta condição faria com que conseguissem um empate sem gols com o bicho papão tricolor. Mas um descuido não deixaria que repetissem o feito contra o rubro negro, para o qual perdem pelo escore mínimo.
                                                     Esse não é Piquê é Maradona!

Seguem-se uma série de amistosos com o Fluminense de Feira de Santana. Na ocasião, este já começava a montar a equipe que ficaria famosa em 1963 ao ganhar o título, pela primeira vez, para o interior baiano. Os tricolor do sertão começaria empatando com o tricolor da capital em três gols, e, somente após muito bombardeio, perderia a revanche por dois a um.
No início de abril, enquanto começavam os preparativos para a invasão da famosa baía, o Flu vem de novo a Salvador pra jogar contra o rubro negro. Este fez de tudo pra marcar gols, mas não teve jeito, pois os feirenses tiveram uma defesa eficiente e acabaram saindo da fonte do futebol com a vitória por um a zero.
Nove dias antes do ataque criminoso dos aviões norte-americanos em Cuba o Galícia trazia a Salvador o Bonsucesso do Rio de Janeiro. Mas tudo indica que na época essas operações não estavam obtendo sucesso. O certo é que nem o time da colônia espanhola conseguiria vencer nem mais tarde os cubanos-americanos.
                                                           Tem gente que é cega!

O Bahia consolidaria sua hegemonia no futebol baiano, obtendo o “tetra” este ano. E os amistosos continuariam. Viria ainda o XIII de Campinas, o Flamengo, os pernambucanos do Náutico, Sport e Santa Cruz, o Fluminense, encerrando o ano com o Canto do Rio. O tricolor não perderia nenhum amistoso este ano na Fonte Nova, e olhem que fez treze. O rubro negro, porém, perderia também do outro Fluminense, o carioca.
Quanto aos norte-americanos foram obrigados a ver a revolução cubana se consolidar. No ano seguinte, tiveram a “cara de pau” de inventar a chapada crise dos mísseis quando procuraram uma desculpa para patrocinar nova invasão a Cuba. Mas qual, desta vez a briga era com a própria URSS e acabou dando em nada. Cansado de derrotas e fracassos em 1963 foi a vez do próprio John Kennedy partir desta para a pior, infelizmente de forma trágica. Mas, pelo menos o povo cubano pode ter uma trégua.

·          Agradeço as informações do Almanaque do Futebol Brasileiro e dos sites Wikiédia, Letras.com e Tocabendo. Sou grato também as imagens dos blogs contigo.abril.com.br, ceeres.com.br e debiliovips.wordpress.com.

domingo, 20 de março de 2011

O recorde do urubu

                 
O CR Flamengo é honra e glória do futebol brasileiro. Possui quase todos os títulos, sendo campeão carioca, do Rio-São Paulo, brasileiro, americano e mundial. São tantos que nem os sites ligados ao clube sabem. Um deles eu vou informar agora. O Flamengo é o clube que mais jogou na Bahia. Custariam meses de pesquisa pra descobrir todas as partidas que o urubu jogou por aqui onde, além de Salvador, atuou em outras doze cidades do interior baiano, Ilhéus, Itabuna, Feira de Santana, Jequié, Vitória da Conquista, Juazeiro, Alagoinhas, Itapetinga, Jacobina, Ipiaú, Conceição de Almeida e Pedro Mangabeira.
Entre meus amigos da Academia há gente que acha que pesquisa sobre futebol não é assunto sério.  Pois tenho a dizer a eles que dá o mesmo trabalho de qualquer outra mais “nobre”. O site Flamengo estatísticas.com e o Almanaque do Futebol Brasileiro entram em várias contradições. Verifiquei apenas até 1960 observando que o primeiro ignora a excursão que o clube fez em março de 1946 na Bahia e o segundo omite algumas partidas da excursão de 1938.
Apresentam resultados diferentes na partida realizada contra o EC Bahia em Ilhéus. Afinal quem foi que ganhou por três a zero, o tricolor ou o rubro negro? E, por último, mas não por fim, o site rubro negro omite uma vitória do clube contra o tricolor baiano por quatro a zero (na excursão de abril de 1957) e uma derrota para o Bahia por três a um (na de maio de 1958), e o Almanaque esquece a temporada do urubu em dezembro de 1960 em Salvador e Itabuna. Chegam, assim, a números diferentes em relação às partidas do Flamengo. Podemos dizer, entretanto, sem sombra de dúvidas, que o clube é o de fora do estado que mais jogou nas praças esportivas da Fonte Nova, de Salvador e da Bahia.

No próximo ano faz oitenta anos que o urubu chegou aqui pela primeira vez, em novembro de 1932, no ano em que o país foi agitado pela chamada Revolução Constitucionalista. Na oportunidade deu em todo mundo, ganhando de Vitória (7 X 2), Botafogo (4 X1), Ypiranga (1 X 0), Bahia (3 X 2) e Seleção Baiana (3 X 1), só perdendo a última partida em função de dar revanche ao mais querido (2 X 3). Voltaria ao estado em pleno Estado Novo, quando a Bahia era governada por interventores, com resultados ainda mais arrasadores, pelejando contra Botafogo (7 X 1 e 2 X 1), Bahia (5 X 2 e 7 X 2), Galícia ((4 2), Vitória (4 X 1), porém perdendo mais uma vez para o Ypiranga (1 X 3).
Depois disto só quando terminou a ditadura Vargas e já se construía o Estádio Octávio Mangabeira (apelidado de Fonte Nova). Ganharia as três partidas que faria em junho de 1947, contra Vitória (5 X 2), Guarany (2 X 1) e Bahia (2 X 1); venceria o clássico contra o Fluminense carioca em janeiro de 1949 por cinco a zero; e excursionaria pela região do cacau e em Salvador em junho de 1950, onde se despediria do velho campo da Graça.
A Fonte Nova seria um grande mercado para os urubus. Suas primeiras partidas se dariam no Torneio Régis Pacheco, de triste memória para os baianos. Na oportunidade ganharia de oito a dois do Vitória, de dois a um do Bahia e ficaria em segundo lugar ao empatar com o Internacional (RS) em dois gols.
                                                  As vezes se confunde com a nação!

A partir de 1955, por sete anos seguidos, visitaria o estado, onde, entre outras partidas, jogaria a última vez com o Ypiranga em abril de 1955(2 X 1), ganharia da Seleção de Itabuna (7 X 1) e do Fluminense de Feira de Santana (5 X 0), e perderia para a Seleção baiana (0 X 2). Nos anos 60 jogaria por quinze vezes na Bahia, a maioria delas no interior do estado. Nesta época o intercâmbio esportivo faz com que haja um equilíbrio nas disputas mantidas, especialmente, com os clubes de Salvador, registrando cinco derrotas para o tricolor baiano, perdendo para o São Paulo pelo escore mínimo (agosto de 1965), mas vencendo o clássico carioca contra o Vasco da Gama em novembro de 1966 em Vitória da Conquista (2 X 1).  
Os certames nacionais se iniciam ao final dos anos cinquenta com a Taça Brasil, mas o Flamengo só vai enfrentar clubes baianos ao fim da próxima década no “Robertão”. A estadia do clube no estado só ganharia regularidade com a criação do Campeonato Brasileiro no início dos anos setenta. Em todos os anos da década viria à Bahia, onde bateria o recorde jogando 33 partidas. Nos primeiros jogos por torneios nacionais, perderia (0 X 1), ganharia (3 X 1) e empataria (1 X 1) com o Bahia; enfrentaria o Vitória por duas vezes em 1973, registrando-se empates sem gols; golearia Itabuna (5 X 0) e Fluminense de Feira de Santana (6 X 0), e, mesmo ocorrendo vários empates, o urubu perderia apenas quatro partidas, três para o tricolor e uma para o rubro negro baiano.
A Era dos certames nacionais teria apenas alguns anos de ausência do Flamengo na Bahia, ditada geralmente pela queda de algum (uns) de seus clubes da Primeira Divisão. O fato apenas ocorreu em 1982, 1983, 2005,2006, e 2007, registrando-se na época o recorde de vinte e um anos seguidos da presença do Flamengo na Bahia.  Os baianos se recordam em especial das vitórias da Catuense (2 X 1) e do Itabuna (1 X 0) sobre o urubu em 1988; das visitas deste a cidade do frio ganhando do Serrano por duas vezes (4 X 1 e 3 X 1) no mês de julho de 1989 e 1990; dos jogos sensacionais com o Vitória, cinco a zero para os visitantes na Fonte Nova e cinco a zero para os leões da Barra no Barradão (com diferença de apenas nove meses entre 1997/1998) e de nova goleada carioca (5 X 1) em maio de 2004.

A última partida do urubu na Fonte Nova foi em seis de abril de 2003, e, pra quem gosta de superstições, sete anos antes da sua implosão. Naquele dia compareceram, 50.426 torcedores para ver Bahia e Flamengo, que formaram assim. O time de Nelsinho Batista atuou com Júlio Cesar, Fabio Baiano, André Bahia, Fernando e Athirson; André Gomes, Fabinho e Felipe; Andrezinho, Jean (Felipe Melo) e Zé Carlos (Fernando Baiano).
O tricolor de Bobô formou com Márcio, Guto, Marcelo Souza, Valdomiro e Lino; Jair, Otacílio (Nilson Sergipano), Paulo Sérgio (Marcelo Nicácio) e Preto Casa Grande; Cláudio. Jogaram ainda Luiz Alberto e Adriano. Na ocasião todos os gols foram marcados por flamenguistas, Fernando Baiano e Felipe a favor e Fabinho contra, terminando em dois a um para os cariocas.  Não podia dar outro resultado, afinal tinham muitos baianos na equipe e, no mês anterior, o urubu completara cinquenta anos da sua primeira partida na Fonte Nova.
                                                              Ih, com esse aí sujou!

·   Agradeço as informações dos sites Flamengoestatísticas.com, do oficial do clube, do Futipédia e do Almanaque do Futebol Brasileiro. Sou grato as iomagens dos blogs eusouflamengo.com,magiarubronegra.worpress.com,taiapuramagia.blogspot.com,oglobo.globo.com,ligerinhonoesporte,blogspot.com,zoacaofc.com e alcilenecavalcanti.com.br.

quinta-feira, 17 de março de 2011

Coração de mãe não se engana

                                                              Cartão vermelho?

Só faltam dois meses pro Dia das Mães. E eu, mesmo sem ter mais a minha querida Helena estou anotando os filmes que tratam de mães. Mas me cansei de relacionar. Há Tudo sobre minha mãe do Almodovar,Uma mãe em apuros, A mãe, de Pudovkin(do célebre livro de Gorki), Minha mãe quer que eu me case, Minhas mães e meu pai, e muitos outros. Dizem que coração de mãe não se engana. Afinal, mãe é mãe. Essa conversa começou muito tempo antes de Cristo na Grécia e Roma antigas, onde eram celebradas Rhéa e Cybele (que não é a minha esposa) mãe dos deuses. A homenagem dos “pagãos” foi depois encampada pela Igreja Católica e se espalhou pela Europa á medida em que o mesmo acontecia com esta.
Nos Estados Unidos registram o ano de 1872 como a primeira vez que foi lembrado no país. Mas a data é debitada a Anna Jarvis que perdeu a mãe em 1904 e propôs á igreja da cidade um dia dedicado ás mães, que só começou a ser comemorado três anos depois. Na ocasião a cidade fez uma campanha no país que fez com que o presidente Woodrow Wilson (pensando em sua mãe, mas também nos comerciantes) oficializasse o segundo domingo de maio como o Dia das Mães.
No Brasil pouco se sabe quando surgiu esta data. Tal como muitas outras, deve ter sido instituída menos pelas mães e mais pelo comércio, embora os pesquisadores não costumem verificar o esporte. O futebol baiano descobriu muito antes dos outros a necessidade de comemorar o Dia das Mães. E esta necessidade de louvar as mães cobre desde o amadorismo até o profissionalismo. Na primeira fase se destaca a generosidade das mães, assim como os jogadores que sequer recebiam dinheiro dos clubes e jogavam até doentes e contundidos. Na segunda fase, porém, o comércio tomou conta do futebol e até afetou as mães. Vamos ver como foi isto!
                                          Ói a mãe assistindo um desses jopgos horríveis!

No ano em que se iniciou o campeonato baiano, em 1905, souberam da proposta de Anna Jarvis, mas pularam a data.  No ano seguinte decidiram dar a contribuição baiana ao mundo antes que a própria igreja da cidade dela decidisse isto. Assim celebraram discretamente as mães no segundo domingo de maio com o jogo Internacional 4 Baiano de Tênis 0. Mas a homenagem saiu pela culatra, pois o Internacional (que não é o de Porto Alegre) se deu mal tendo que abandonar o campeonato perdendo esses únicos pontos que havia conquistado. Afinal, ainda não era lei.
Isto deixou os clubes desconfiados passando alguns anos antes de se arriscarem com outra homenagem as mães. Em 1911 quase fizeram, mas acabaram trocando o dia pelo sábado programando o jogo SC Bahia 3 X 1 Rio Vermelho. As mães de Salvador ficaram uma “arara” e jogaram uma praga nos clubes que participaram. Resultado, os clubes desapareceram do mapa e só voltaria a ter na terrinha um time chamado Bahia 20 anos depois. É que praga de mãe é fogo!
Como disse antes o presidente dos EUA oficializou o dia em 1914. Vocês sabem que no Brasil as elites tem o costume de seguir o que acontece naquela país. Aliás, não é á toa que o antigo governador baiano Juracy Magalhães disse que “O que é bom para os EUA é bom para o Brasil”. Assim os dirigentes esportivos baianos se sentiram seguros para a comemoração.
                                         Mamães protestando contra dirigentes esportivos!

Aí logo no outro ano, em 9 de maio de 1915, em plena Primeira Grande Guerra, escalaram um bom jogo para a comemoração, Fluminense 1 Sul América 0. As mães ficaram tão satisfeitas que desejaram que algum daqueles clubes conquistasse o título naquele ano, e não deu outra. O Fluminense conquistou seu único título na história do futebol baiano.
Desde então a homenagem ganhou certa regularidade. Nesta década ainda seriam feitas duas. A de 1917, porém suscitaria mágoa das mães. É que o Sul América não compareceu no dia da homenagem das mães tendo que as tristes mulheres que lá compareceram tendo que se contentar com a saída do Ypiranga para dar de WO.
A desconsideração abalou muitas mães, especialmente a do presidente da federação que foi muito lembrada pelos torcedores. O resultado é que pra comemorar o fim da guerra o próprio presidente da federação marcou uma homenagem especial pras mães abrindo o campeonato no seu dia em 1918. Só não escolheu bem o jogo, pois, apesar do Ypiranga ser bicampeão este ano o Internacional (ói ele de novo) acabou ficando na lanterna conseguindo perder todas as partidas! Mas as mães não disseram nada.

Aí o Dia das Mães já tinha se espalhado por muitos países da América e em 1921 os dirigentes resolveram homenageá-las outra vez. Na oportunidade, porém, tapearam as mães programando uma rodada dupla no novo Campo da Graça, que não ficou pronto a tempo na data. Assim esta teve que ser realizada no velhíssimo campo do Rio Vermelho que sequer tinha onde as mães sentarem. Dizem que muitas mães deixaram de comparecer, não vendo o futuro campeão aurinegro ganhar o clássico contra os diabos rubros por dois a um, depois de uma preliminar “enche linguiça” onde o Santa Cruz (quem é?) deu de três a zero no velho Fluminense FC.
No outro ano, porém, corrigiram o erro programando no novo estádio da Graça o grande clássico da elite da Barra e Vitória na época, Baiano de Tênis e Associação Atlética que foi vencido pelo primeiro por dois a zero, num ano em que o Botafogo sagrou-se campeão. O campo da Graça era uma novidade e as mães viram muitas homenagens ali.
Em 1923 houve um campeonato sensacional, onde empataram quatro clubes com 25 pontos, tendo que haver um supercampeonato entre Botafogo, Associação, Baiano de Tênis e Ypiranga. Mas só os dois últimos participariam da rodada dupla em homenagem as mães, que teve o Fluminense ganhando de quatro a um do Vitória na preliminar e o empate no clássico em um gol na partida de fundo.
                   
                                                                     Mães gaúchas 

Três anos depois nova homenagem onde o Baiano de Tênis ganharia do Fluminense FC por dois a um no ano em que seria vice-campeão. Como as mães reclamavam da descontinuidade da celebração de seu dia resolveram fazê-lo por quatro anos seguidos. Em 1927, aproveitando a primeira participação do Guarany no campeonato, embora tomasse de quatro a um da Associação; em 1928, com a derrota do baiano de Tênis para o Fluminense FC (4 X 5) que lhe custou à perda do título para o Ypiranga forçando um jogo final onde perdeu por sete a dois; e em 1929, com a vitória da Associação contra o Fluminense por três a dois.
No entanto a crise da Bolsa de Nova Iorque e a chamada Revolução de trinta no Brasil fez suspenderem as homenagens, que só voltariam em 1931. Na ocasião seria a primeira participação de um novo clube, criado através da fusão dos dois principais clubes da década anterior Baiano de Tênis e Associação Atlética, que haviam acabado com seu departamento de futebol, o EC Bahia. E foi ele o destacado para a homenagem ganhando o Ypiranga de seis a dois e também o título deste ano.
As homenagens foram de novo suspensas por ocasião da chamada Revolução Constitucionalista de 1932, mas no ano seguinte as mães estavam de novo ás postos. Para celebrar a sua data foi agendado um dos primeiros BA-VI que se tem notícia, ganho pelo tricolor por três a dois.

                                                        Mãe moderna no salão!
Passada a crise somente em 1937 a federação voltaria a insistir na homenagem. As mães estavam em alta e só colocavam clássicos em seu dia, desta vez cabendo a Bahia e Ypiranga as honrarem com a vitória tricolor por três a um. Mas a crise voltou quando menos se esperava. Crise política (com o estabelecimento do Estado Novo) e crise no esporte, com a ocorrência de dois campeonatos no mesmo ano.
Mas as mães só foram homenageadas no primeiro, e desconsideradas pelo segundo, que acabou antes do seu dia. No campeonato ganhou pelo Botafogo foi o próprio alvi rubro que fez as honras da casa, embora enfrentasse o desconhecido Yankees vencendo por quatro a um. O estado passou a ser governado por interventores embora tivessem mães. Assim não ficou ruim pra elas que tiveram homenagens em 1941, 1943 e 1944, mesmo estando o mundo em nova guerra. Na primeira tiveram a satisfação de ver o campeonato novamente se iniciar em seu dia, com o clássico Bahia 2 Ypiranga 1, fazendo com que o auri negro parecesse que não tinha mãe, pois perdia todos os jogos contra o tricolor neste dia.
Na segunda novo clássico, no segundo jogo do campeonato, onde o Vitória bateria o Galícia por quatro a três forçando a que este ano houvesse um supercampeonato entre os alvirrubros (campeões), os azulinos (vice) e o próprio rubro negro (terceiro lugar). Na última foi escalado o clássico do pote entre Bahia e Botafogo com o tricolor ganhando de três a um, embora os diabos rubros fossem vice lanternas.
                      
Quando acabou a Segunda Grande Guerra foram buscar as mães pra comemorar a sua data. Era o segundo domingo de 1947 e foi o clássico BA-VI o responsável pela honraria. Na oportunidade o tricolor ganhou pelo escore mínimo com gol de Viana, disputando e ganhando também nesse ano a sua primeira final de campeonato contra o arquirrival rubro negro.
No novo estádio da Fonte Nova a primeira homenagem às mães só saiu em 1954. As mães baianas ficaram muito aborrecidas por isto. Pra enrolá-las a antiga FBDT programou a celebração da data em pleno supercampeonato deste ano, onde disputavam Bahia (campeão), Botafogo (vice) e Vitória (terceiro). Vocês já repararam que o rubro negro não tem sorte nesses “super.”? Nem teria na partida onde perderia, na frente das mães, por dois a zero. A outra ocasião na década seria dois anos depois, onde a federação homenagearia as mães da capital e do interior, já que o Fluminense de Feira de Santana seria vice-campeão estadual em sua terceira participação, no jogo em que empatou com o time da colônia espanhola sem gols.
Dez longos se passaram desprezando as homenagens. Às vezes fico pensando que dirigente esportivo não tem mãe. A federação agora só pensava no interior, e este ano marcou jogos no Dia das Mães pra Ilhéus e pra feira de Santana, esquecendo-se da Fonte Nova, que sempre foi uma mãe do futebol de Salvador. O resultado é que as mães jogaram uma praga tão forte que todos os times que tomaram parte na rodada não arranjaram nada no campeonato, que acabou sendo ganho pelo Galícia.
                                                       Até os rinocerontes tem mãe!
 O rompimento das mães soteropolitanas com a nova FBF durou quase vinte anos que estava mais sintonizada com a ditadura militar. Só quando veio a chamada “abertura política” é que a federação veio se abrir para as mães. Aí programaram sucessivas homenagens em seu dia. A primeira foi em 1975 quando Vitória e Atlético (1 X 1) e Bahia e Botafogo (1 X 0) abriram a fase; a segunda em 1976, com Vitória e Leônico (1 X 0) e Bahia e Atlético de Alagoinhas (3 X 0) na segunda fase do primeiro turno; e a terceira em 1977, quando o Bahia se classificou em seu grupo para um dos quadrangular decisivos, ganhando do Galícia pelo escore mínimo.
Depois do general-ditador Geisel viria Figueiredo que diria “prendo, mato e arrebento” quem for contra a abertura. No futebol continuavam promovendo homenagens ás mães. A primeira foi no ano em que o general-presidente (que gostava mais de cavalo do que de gente) tomou posse, em 1979. Na ocasião se deu a primeira rodada do quadrangular decisivo do primeiro turno, quando o Bahia ganhou do Leônico por dois a zero. Mas a segunda só saiu depois que a oposição ganhou as eleições pra governador em vários estados.
No fim deste ano começaria a campanha das Diretas Já e os dirigentes esportivos ficaram preocupados pensando que uma nova situação poderia ameaça-los. Aí fizeram no Dia das Mães a rodada de abertura do campeonato, embora com jogos chinfrins, onde o redenção perdeu da Catuense (1 X 2) e o Botafogo ganhou do Itabuna (1 X 0).
                                                     Coração de mãe é grande mesmo!
Quando terminou o regime militar, logo após se enturmar de novo com os governantes, os dirigentes resolveram fazer novas homenagens às mães. Em 1986 jogaram pesado colocando a própria dupla, que decidia o campeonato, na programação, que apresentou a vitória tricolor por dois a zero. Mas, em 1987, de novo não se lembrariam das mães de Salvador, programando em seu dia somente jogos no interior na decisão da segunda fase do segundo turno. Isto voltou a chatear as mães que acabaram torcendo pra Catuense, que acabou ganhando a fase e criando muitas dificuldades pro tricolor vencer o campeonato.
Os dirigentes aprenderiam a lição marcando novas homenagens seguidas. No ano seguinte o Dia das Mães iniciaria a primeira fase do segundo turno, embora com o sem graça Botafogo e Serrano (2 X 1). E, em 1989, uma rodada dupla no segundo turno, entre Galícia e Itabuna (3 X 1) e Leônico e Serrano (0 X 1).
Com o resultado das eleições presidenciais de 1989 os dirigentes botaram as “mangas de fora”. O país passaria á hegemonia neoliberal que se prolongaria por toda a década, mesmo com uma breve interrupção em 1992 com o impeachment de Collor. A reestruturação produtiva fez a cabeça desses dirigentes, embora eles não quisessem mudar coisa nenhuma.
                                                           Essa também é mãe!
Desta forma só haveria homenagem em 1997, quando FHC já estava em seu segundo mandato, e no Barradão, que já merecia a atenção das mães. Na oportunidade o rubro negro ganhou do seu arquirrival tricolor pelo escore mínimo. As mães levariam nove anos pra voltar a ser homenageadas na Fonte Nova, e sua mágoa se expressaria no seu dia fazendo com que torcessem pro Camaçari, que ganharia do Bahia por três a um no estádio.
O novo milênio, com o crescimento do PT, mudou os dirigentes esportivos baianos da agua pro vinho.  Agora já não eram liberais, mas trabalhistas.  Mas se machucaram com as mães em 2000 ao começar o campeonato no segundo sábado de maio, quando o tricolor suou pra ganhar do Vitória da Conquista na Fonte Nova. Corrigiram o erro no ano seguinte convidando as mães pra assistir o grande clássico Bahia e Vitória, que seria vencido pelo rubro negro pelo escore mínimo.
Os anos de 2003/2006 seriam trágicos para o futebol baiano presenciando a queda sucessiva da dupla BA-VI para a Segunda, e daí para a Terceira Divisão.  E foi bem feito, pois não tiveram a menor consideração com as mães, terminando o campeonato antes de seu dia. Lembrariam-se delas apenas em 2006, programando o jogo entre Vitória e Fluminense no Barradão, nas quartas de final do certame baiano. Como as vacas estavam magras colocaram no seu dia, no ano seguinte na última rodada, o grande clássico BA-VI no Barradão, que terminou empatado em dois gols.
                                                          Vejam que angelical!
Foi por isto que as mães torceram para que os clubes baianos voltassem para o seu lugar de direito. O primeiro foi o Vitória que subiria pra Segunda em 2006, e logo no ano seguinte para a Primeira Divisão. O Bahia subiria em 2007 pra Segunda, mas cumpriria estágio de três anos pra voltar pra Primeira.

·        Agradeço as informações dos sites RSSF Brasil e Wikipédia, do Almanaque do Futebol Brasileiro, e do Blog da Larissa. Sou grato ainda às imagens dos blogs cinedica.com.br,assistir-filmes.com,blig.ig.com.br,filhosdamisericordia.blogspot.com,inblogs.com.br e infoesporte.com.br.

terça-feira, 15 de março de 2011

O futebol no SPC

                                                   

Todo mundo sabe que os clubes de futebol brasileiros só devem a Deus e o mundo. Só com INSS, IPTU, FGTS e Justiça do Trabalho somam milhões. O site Futebol Finance divulgou o seguinte ranking de dívidas contraídas até 2009.
1.       Vasco da Gama – R$ 377.854.000

2.       Flamengo – R$ 333.328.000

3.       Fluminense – R$ 320.721.000

4.       Atlético Mineiro – R$ 283.334.000

5.       Botafogo – R$ 265.424.000

6.       Corinthians – R$ 255.164.000

7.       Palmeiras - R$ 197.229.000

8.       Internacional – R$ 176.906.000

9.       Santos – R$ 175.565.000

10.   Portuguesa – R$ 155.568.000

Vejam os dirigentes de clubes pedindo a santa Edwiges!

Mas o que muita gente não sabe é que há uma data, 16 de outubro, e uma padroeira dos endividado, Santa Edwiges e que ela foi “homenageada” no futebol baiano.  
Já nos anos vinte, antes do profissionalismo, os clubes faziam dívidas pra colocar sua equipe em campo. Não havia ainda gastos de concentração, transporte e alimentação, mas precisava-se pagar o juiz e auxiliares de linha, as bolas, o aluguel do campo, os uniformes dos jogadores, e, nesta época, já começava o “amadorismo marrom” quando se distribuía alguma grana entre os jogadores, o que mais tarde se tornaria o famoso “bicho”.
Assim, foi pouco antes da grande crise de 1929 que fizeram a primeira homenagem a santa dos endividados. A partida se realizou em 16 de outubro de 1927 e foi jogada por Vitória e Guarany. Na ocasião se disse á boca pequena que Santa Edwiges não gostou da homenagem. É que, além dos clubes estarem muito mal das pernas naquele ano (o rubro negro foi o sétimo e os “índios” o sexto) os leões da Barra foram derrotados por três a zero.  
                                                      O negócio está feio mesmo!

Acho que a santa tinha uma “quedinha” pelas cores rubras negras. Aliás foi por isto que o clube demorou tanto pra aderir ao profissionalismo, pra não se endividar! Aí convidaram de novo o Vitória pra nova homenagem que fizeram em 1938. Seria a única da década e os apostadores, digo torcedores, que ocuparam as velhas arquibancadas de madeira do campinho da Graça, pra ver o Vitória jogar contra o Galícia. Desta vez não havia desculpa pois os times vinham bem no campeonato onde o clube da colônia espanhola ficaria com o vice e os leões da Barra com o quarto lugar. Mas a nova derrota do Vitória, e pelo mesmo escore de onze anos antes, deixou a padroeira com “cara de tacho”.
Como as homenagens eram por década, durante a construção da Fonte Nova agendaram outra, a última realizada na Graça. Foi em 16 de outubro de 1949 e, com exceção do Vitória, os clubes já haviam há muito tempo aderido ao profissionalismo. Na ocasião já havia taxas e impostos pra pagar e o “bicho” campeava. Os endividados, portanto, escolheram os dois melhores times do campeonato pra homenagear a santa pra que ela pudesse “livrar a sua barra”.
O Bahia buscava o “tri” e o Ypiranga pensava em recuperar o título, o que só aconteceria dois anos depois. Mas neste dia aprontaria uma surpresa para o tricolor derrotando-o por três a um.  Conta-se que mais uma vez santa Edwiges não ficou satisfeita com o resultado da homenagem. É que ela, apesar de não ser candidata a nada, era uma santa do povo e, se protegeu durante muito tempo o Vitória pra que não se endividasse, não poderia deixar também de se identificar com o tricolor.
E vai ter que entregar até o celular!

Nas décadas seguintes a santa se aborreceu seriamente. É que a dívida dos clubes ultrapassou as raias de sua imaginação. Desta maneira rejeitou todas os convites para novas homenagens. Afinal de contas de que adiantava apelar pra ela se no dia a dia acumulavam uma série de dividas, no entender da santa, impagáveis? É que Edwiges foi criada num tempo em que ó compromisso era sagrado e cabia ao devedor reparar o dano financeiro ao credor.
Enfim, a santa tinha “vergonha na cara” o que foi se perdendo nos clubes baianos. É certo que havia honrosas exceções. O Guarany, o São Cristóvão, e o recém-fundado Redenção do bairro de Brotas, não tinham embarcado nesta orgia de dívidas. Mas, era impensável que Edwiges aceitasse uma “homenagem” onde jogassem essas importantes equipes.
Esta verdadeira greve de Santa Edwiges se estendeu até quando anunciaram o fim da CBD. Aí a santa voltou a ter esperança que acabassem as maracutaias no futebol brasileiro e a nova CBF pudesse ir aos poucos ajudar a sanar a situação financeira dos clubes. Ela também estava cansada de resolver “pepinos” e poderia, com esta ajuda, finalmente se aposentar.
                                                               O peso é grande!

Aí aceitou várias homenagens nesta década. A primeira foi em 1980 e “pra lá de Marrakesh”, uma rodada dupla com Ypiranga e Fluminense e Botafogo e Humaitá na principal. Auri negro e alvi rubros já estavam reduzidos a uma pálida imagem do passado e, apesar da torcida da santa, o primeiro amargou uma derrota pelo escore mínimo para os touros do sertão. E, o segundo, conseguiu a façanha de empatar em dois gols com o “saco de pancada” de Vitória da Conquista. 
Programaram nova homenagem dois anos depois. A santa era de massas viu de novo o Bahia, jogando com o Serrano, uma equipe da cidade do frio. Nesse dia santa Edwiges vibrou ao lado da numerosa inchada tricolor, torceu, torceu e...nada. A bola não quis mesmo entrar, terminando a partida sem gols. E o pior é que ainda houve torcedor que entendeu que a padroeira dava azar chegando a ser vaiado o anúncio que a santa estava no estádio!
Santa Edwiges ficou muito magoada e foi com dificuldade que aceitou a nova homenagem da FBF. É que a esta altura já começava a perceber que a CBF não era mesmo de nada e as dívidas dos clubes estavam aumentando. Mas aí os dirigentes esportivos baianos armaram uma homenagem “tiro e queda”. Programaram um jogo entre Vitória e Redenção. Não podia dar errado pra santa ficar satisfeita.
                                                  E nem vai adiantar cartão de crédito!

O Vitória não era mais aquele estando recheado de dívidas. E, sem coragem de continuar apelando pra santa Edwiges, procurava agora outros santos, São Itaú, São City Bank o estrangeiro, São Bradesco, e outros menos votados. Neste ano de 1985 voltaria a conquistar o título baiano que passou por, no dia da homenagem, vencer o fraquíssimo Redenção por três a zero.
Apesar de santa Edwiges sair satisfeita foi sua despedida dos estádios baianos. É que quando ia saindo ouviu as reclamações dos torcedores rubro negros que pensava estarem satisfeitos. Sem falar dos habituais palavrões, teve gente que vaiou até o minuto de silêncio. Outros saíram xingando os atacantes rubro negros que perderam muitos gols. Alguns estavam aborrecidos pois tinham apostado na vitória rubro negra por uns oito a zero.  
Como ela tinha ficado á esquerda das cabines de rádio do anel superior da Fonte Nova verificou pessoalmente a quantidade de apostadores que se concentravam na torcida do Vitória. Ali se apostava de tudo. O primeiro gol, os erros do juiz, o frango do goleiro, as substituições, o placar, e o que quisessem.
                                                            Não adianta roer as unhas!
Sua decepção com a mercantilização do futebol levou-a a se afastar dos estádios de futebol baianos. E o pior é que começou a saber dos processos que os clubes tinham na justiça. Que não pagavam IPTU. Que não recolhiam o FGTS dos seus funcionários. Que um clube baiano, o EC Vitória, constava em 14º lugar entre os clubes mais endividados do Brasil, com R$ 91.313.000. Lembrou-se das inúmeras pessoas que ela tinha tirado da cadeia quando viviu neste vale de lágrimas entre os séculos XII/XIII.
Mas isto não funcionaria hoje pois não se prende mais por dívidas e ela, com seus recursos, não teria condição de honrar dívidas astronômicas. Além disto não era somente as dívidas, começavam a haver as “malas” branca e preta no futebol.  Santa Edwige soube ainda das “viradas de mesa” do campeonato brasileiro e até das maracutaias do certame de 2004 quando a corrupção dos juízes deu margem a anularem somente os jogos do Corinthians que acabou ficando com o título.
Mudou-se pro céu pra ficar bem longe dos estádios baianos. E foi ela que recebeu ali a Fonte Nova quando foi implodida em 2010.

·         Agradeço as informações do Almanaque do Futebol Brasileiro, de Gustavo Pereira, e dos sites Blogols e Wikipédia. Sou grato também as imagens dos blogs pco.org.br,g1.blogo.com,veja.abril.com.br,saiunojornal.com.br,cilenebonfim.com,tonimartins.zip.net e blogdeumsem-mdia.blogspot.com.