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domingo, 8 de maio de 2011

Jason na Bahia


Os torcedores do São Paulo FC deram agora pra chamar seu time de Jason. Isto é mais um episódio de republicanização de nosso futebol. É que o nome do time foi dado não só em homenagem ao estado, mas também ao apóstolo que, inclusive, é o próprio mascote do time. Parece que a trajetória do clube que tem mais conquistas no Brasil (se desconsiderarmos o ”ranking” da CBF) deu lugar ao novo apelido. Senão vejamos. O São Paulo “mata” os adversários que encontra no caminho, e, mesmo atingido por todo tipo de intempéries, acaba renascendo das cinzas e conquistando títulos.
Mas, o novo apelido acabou homenageando personagens que foram um hit do horror norte-americano nos anos oitenta.  Ontem mesmo me lembrei do São Paulo. É que assisti Freddy VS Jason e percebi muita relação entre os dois. Pô, mas como Jason sofreu. É bem verdade que matou e assustou muita gente, mas no final, foi atropelado por um carro de cimento, tomou facada, Freddy o atravessou com suas unhas, e, pra completar a heroína do filme ainda cortou a sua cabeça e incendiou e fez explodir os dois (tal como a Fonte Nova) jogando-os no mar. Ora, não é que o São Paulo, digo Jason saiu da agua inteirinho, antes dos créditos do filme, como se nada tivesse acontecido?
                     Vejam quem é mais feio esse ou Jason?

Bem, a primeira vez que Jason, digo o São Paulo, veio a Bahia, foi em novembro de 1937. E olha que depois de um monte de equipes de São Paulo virem jogar aqui desde a década passada. Mas foi um Jason falso, tal de São Paulo Atléthic. Aliás, dizem as más línguas que foi Freddy e não Jason. Os baianos que não conheciam nenhum dos dois acabaram levando “alhos por bugalhos”.
O campo da Graça viu aquela coisa horripilante com as unhas afiadas, mas, enquanto Freddy corria ia tomando gols de tudo quanto é forma. Perdeu pro Bahia (4 X 5), foi humilhado pelo Ypiranga (0 X 7) e Galícia (1 X 4), e, de saída ainda apanhou de Botafogo (1 X 2) e, de novo, do time da colônia espanhola (3 X 4). Foi uma verdadeira desmoralização para Freddy que nunca se esqueceu disto.
Tanto que voltou dez anos depois, quando já tinha acabado a guerra. Vocês sabem, Freddy é muito valentão, mas na hora da guerra ficou enfurnado em São Paulo e não teve quem conseguisse uma excursão sua! Mas em outubro de 1947 deu o ar de sua graça no campo do mesmo nome.
                                                        Freddy era torcedor do Vitória!

A sua estreia, porém, foi desastrosa. É que o pessoal já estava mesmo pensando que Freddy era Jason. Este ficou tão irritado com a confusão que acabou perdendo para o tricolor por sete a dois. Mas, quatro dias depois, botou as unhas de fora numa revanche que ganhou de dois a um. Aí não aceitou mais nenhum jogo indo correndo embora saboreando o triunfo.
Mas o Jason de verdade, digo o São Paulo, “se achava”. Só veio na Bahia quando construíram um estádio á sua altura. Aportou aqui em abril de 1954 encontrando uma surpresa. Todo mundo pensava que ele era Freddy. Teve que ir á imprensa, o diabo, pra mostrar que não era falsificado. Mas foi na hora do jogo que os baianos viram o que era horror, quando Jason ganhou de dois a um do tricolor que seria campeão baiano naquele ano.
Jason passou uma semana em Salvador. Aproveitou o medo dos baianos pra não pagar nada enquanto aqui esteve. Foi até num baile á fantasia na Associação Atlética (que já não tinha mais “agá”). Deu-se mal, no entanto, com o acarajé e a moqueca baiana, que não tem Jason que aguente. O resultado é que não conseguiu ganhar nem do Ypiranga (1 X 1) nem do Vitória (0 X 0).
                                                      Apareceu logo um Jason baiano!

Só voltaria a Salvador em janeiro de 1958, pra jogar com o tricolor baiano. Mas não informaram a Jason que o jogo seria antes do carnaval e aí nem se importaram com seu aspecto horripilante. É que naquele tempo as mascaras campeavam na festa, e ainda havia lança perfume, de modo que “botaram ele no bolso” e ganharam de três a dois. Depois não teve mais agenda, pois vieram o mosqueteiro paulista e o pó de arroz carioca.
Jason, digo o São Paulo, viria a Salvador no ano seguinte, mas desta vez depois do carnaval, em agosto, mês das tragédias. Desta vez o reconheceram e ficaram com medo colocando um regimento da PM pra fazer a segurança da Fonte Nova. Aí, quando Jason apareceu na saída do túnel “caíram de pau” no coitado. Foram assim os dois jogos aqui contra a dupla BA-VI e o de Aracajú contra o rubro negro. Quando o time atacava oi pessoal dava tiro, os cachorros lhe arrancavam os pedaços, mas mesmo assim Jason empataria as três partidas.
Jason ficou magoado com o tratamento. Mas, como gostava de apanhar, voltou á Fonte Nova durante a disputa do finado “Robertão”. Aliás, ele sempre gostou de campeonatos que iriam “morrer”. No primeiro ano pediu pra que colocassem a Bahia, mas a CBD não deu ouvidos. Mas no segundo ano foi atendido, caindo na chave do tricolor baiano. Mas pra chateá-lo só colocaram o jogo na última rodada, quando ambos não aspiravam mais nada.

                                              Vejam como é bonitinho o antigo simbolo!

Assim, foi o próprio Jason que mandou Freddy, em trinta de novembro de 1968, fazer aquele jogo onde perdeu de dois a um. Mas o “unha grande” deu tanto azar na reaparição que, apenas doze dias depois, saiu o AI-5. Nossa! O próximo jogo por este certame foi no dia das crianças do ano seguinte. Aí Jason veio pessoalmente. Fez a maior média com os baixinhos que se afeiçoaram ao monstro, e acabou vencendo o tricolor por três a dois.
O Brasil mergulhou numa época de horror que fez a cara de Jason “fichinha”. Ninguém tinha mais medo de monstro, mas com coisas muito piores que ocorriam nos anos de chumbo. Assim, nem precisou recursos extra campo pro tricolor baiano ganhar, em três de outubro de 1970, do desrespeitado Jason pelo escore mínimo. Aí ele tanto fez que acabou “matando” este torneio que havia substituído o Rio-São Paulo.
O último jogo não oficial do velho Jason seria em seis de junho de 1973, e de novo contra o Bahia. Apesar de ser amistoso voltou toda a sacanagem com o coitado que apanhou de dar dó. Teve que se trancar na defesa pra garantir que não houvesse gols na partida. Eram novos tempos. Começavam os filmes de horror e catástrofes em Hollywood que o fariam famoso.

                                                     Esse é o verdadeiro ou o falso?

Enquanto isso no Brasil acabavam os torneios de “meia tigela” e se organizava um verdadeiro campeonato brasileiro. É bem verdade que com muitos “monstros”, alguns mais aterrorizantes que o próprio Jason, como Rio Negro (AM) e Moto Clube (MA). Nessa época os camelôes de Salvador começaram a vender máscaras de Jason. Mas, mas isso é assunto para outra postagem.

·    Agradeço ao site Futipédia, ao Almanaque do Futebol Brasileiro, e aos blogs sonic.wikin.com,dvdlurcyreviews.com,assineviatv.com.br e starstore.com.

terça-feira, 12 de abril de 2011

Chumbo grosso!

    
O ano de 1975 foi um ano atípico no futebol baiano. O Bahia começaria o ano com um amistoso caseiro com o mais querido obtendo empate em um gol. Os clubes aproveitaram pra jogar antes do carnaval. E aí o Botafogo sofreu fracasso financeiro ao trazer o XIII de Campinas (PB), empatando em três gols na Fonte Nova, e o Vitória resolver trazer nada menos que o Fluminense carioca pra “ganhar algum”.
Em matéria de dinheiro sairia “elas por elas” mas no futebol quem venceria seria o pós de arroz aplicando dois a zero no rubro negro. Os leões da Barra, porém, insistiriam, programando mais um amistoso, desta vez com o Ypiranga perdendo de “gude preso”. Chumbo grosso!
Três dias depois estrearia no campeonato baiano sendo mais feliz, ao ganhar do Itabuna por três a zero na Fonte Nova. Lembro-me que as derrotas tinham a “justificativas” que eram amistosos só pra entrosar o time. Fui nesta conversa e vibrei com a nossa estreia. Mas, no meio da semana a desgraça, perdemos de um a zero pro Botafogo. Depois veio um empate com o Leônico. Enquanto isto o tricolor já tinha cinco pontos, com duas vitórias e um empate.
                                                          O cara é brincadeira!
Até o fim de março, porém, o time se recuperaria, ganhando fora de casa do Jequié (1 X 0) e do Ypiranga (2 X 0), mas o tricolor ia também do mesmo jeito. Os dois só se “pegaram” uma semana antes do meu aniversário de 27 anos, 17 de abril, empatando sem gols. Depois daí o rubro negro conseguiria ganhar do Galícia (1 X 0) e do Fluminense de Feira de Santana (3 X 1), terminando o turno em segundo lugar, com dois pontos atrás do Bahia.
No quadrangular final, no entanto, foi um desastre, sem ganhar de ninguém. Fiquei “doente” pelo ponto que perdeu logo na primeira rodada, ao empatar com o Atlético de Alagoinhas (1 X 1), enquanto o Bahia saía na frente ganhando do Botafogo (1 X 0). Mas no meio da semana seria ainda pior, quando perdemos para os diabos rubros (1 X 2), embora o tricolor também empatasse com a equipe da terra da laranja.
Já chegamos sem chances no domingo, quando, pelo menos empatamos, de novo sem gols, contra o Bahia, mas, como o Atlético só empatava em um gol, desta feita com o Botafogo, a taça foi pra Boca do Rio (onde o esquadrão de aço tinha a sua sede).Chumbo grosso!
                                                              Até o Rambo!
O segundo turno começou com uma rodada dupla que fui assistir, num domingo, 21 de maio. Deixei Cybele sozinha pra assistir, debaixo do sol, aquela preliminar chinfrim, onde o Vitória jogava com o Jequié. Mas nem, o Todo poderoso faria o time ganhar naquele dia. Ah os gols que perdeu debaixo da trave! Acabaria empatando sem gols. E o pior é que teríamos de assistir o jogo principal ponde o Bahia começava o turno ganhando do Itabuna (2 X 1).
Fiquei com tanta raiva que não fui ao jogo seguinte, contra o Leônico. Foi um dos atos mais errados de minha vida. É que neste dia o time estava “com a macaca” e enfiou oito a um no mesmo moleque grená que havia empatado no primeiro turno. Só o ponteiro Osny fez quatro gols, completando André (3) e o lateral Cláudio Deodato. Renê fez o “gol de desonra” do Leônico e nem comemorou. Não era pra menos! O resultado deu a maior animada no clube, ainda mais que o Bahia havia novamente empatado em um gol com o Atlético.
Agora o rubro negro iria jogar em Feira de Santana, de onde trouxe mais uma vitória, dois a um contra o Fluminense. Mas o tricolor ganhou também, o “clássico do pote” contra o Botafogo (2 X 1). Continuamos pelo mês de junho ganhando de novo o Ypiranga por convincentes quatro a dois. Logo depois o aurinegro traria o Vasco da Gama na Fonte Nova, tentando reeditar seus tempos de glória, mas perderia pelo escore mínimo.
                                      Serão os imperialistas atrás do petróleo da Líbia?

A maré do Vitória acabaria em Itabuna no dia 15 de junho nos pés do atacante Da Silva, responsável pela nossa derrota por um a zero. Três dias depois eu acompanharia pelo rádio o tricolor ganhar do Flamengo por dois a um mostrando continuar em boa fase! Será que levaria o “tri”. Só em pensar nisto dava um arrepio na espinha! No entanto, o BA-VI, jogado quatro dias depois deu novo empate (1 X 1), marcando Osny para o rubro negro e Douglas para os tricolores, todos dois, por coincidência, vindo do Santos FC.
O Vitória aproveitaria uma data pra trazer novamente o Fluminense carioca. O jogo foi muito disputado e mostrou que o rubro negro já estava à altura dos grandes times, terminando em um empate de dois gols. Três dias depois, cederia jogadores para a celebração do Dois de julho com uma grande partida entre a Seleção baiana e a Seleção mineira.
A equipe baiana na ocasião foi quase um combinado BA-VI acabando por obter um empate em um gol contra os fortes mineiros. Acho que tudo isto inspirou o rubro negro para que, uma semana depois, fize4sse uma exibição contra a boa equipe do Botafogo vencendo por quatro a zero, dois gols de Jorge Costa e dois de Osny (sempre ele!).

As esperanças voltaram...até a próxima rodada quando não saímos do zero contra o Galícia. Mas, pelo menos, conseguimos depois furar a “retranca” do Atlético, vencendo-o na Fonte Nova por dois a um encerrando a fase classificatória do segundo turno. O Vitória ficava mais uma vez em segundo, a um ponto do Bahia, e os mesmos clubes se classificaram.
Fomos então para a fase final que começa com nova rodada dupla. Vitória e Botafogo e Bahia e Atlético. Como jogávamos na preliminar os jogadores tiveram de pegar muito sol. Bastava repetirmos o resultado anterior pra começar bem, mas qual, não teve jeito de marcar contra os alvi rubros que acabaram conseguindo um empate sem gols. Quanto ao Bahia havia cometido o erro de jogar na véspera contra o Botafogo do Rio de Janeiro, num amistoso que venceu por uma zero. O esforço repercutiu na partida que terminou empatada por um a um. Naquele dia faltou pouco para o time da laranja despachar o tricolor.
No meio da semana tive que chegar da Escola de Música mais cedo pra pegar a preliminar, onde conseguiríamos a façanha de ultrapassar a “retranca” do Atlético. O gol de Osny saiu “a muque”. Mas, na partida principal o Botafogo degringolou tomando de quatro do tricolor. Ficavam elas por elas, mas o pior é que o saldo do Bahia era inalcançável.  No domingo o Botafogo perdia de novo (1 X 2) pro Atlético. Só tinha vindo neste turno pra atrapalhar a vida do rubro negro. Quanto ao BA-VI terminou no quatro empate este ano. Douglas, mais uma vez, marcou pro tricolor, enquanto André assinalaria pro rubro negro.

                                                            Vejam que covardia!
Como o Bahia tinha ganhado dois pontos por cada turno que ganhou e o Vitória um ponto, teve uma partida extra entre os dois no dia sete de agosto. Naquele tempo os jogos entre eles eram muito equilibrados. Todo mundo apostava num empate. O Vitória até que tomou mais a iniciativa conseguindo ter certo domínio da partida mas depois o Bahia equilibrou as ações.
No fim do jogo fizemos as substituições de praxe pra tornar o time mais agressivo, mas uns quinze minutos antes do final eu e meu irmão “Toínho” corremos pra entrada das arquibancadas da torcida do Vitória.  Chumbo grosso!  Nas finais de quase toda a década de setenta era lá que ficávamos, saindo nos momentos finais do jogo e subindo rapidamente a Ladeira da Fonte pra não ver a comemoração tricolor de mais um título.
O campeonato brasileiro só começou duas semanas depois do final do certame baiano. Eram 42 clubes (vige Nossa Senhora!) divididos em quatro chaves, onde as A e B tinham dez e as C e D(exatamente as que os baianos participavam) tinha onze. Mas se classificavam cinco de cada chave. Não era possível que ficássemos de fora.
                                                                      É mole?
O Vitória pegou logo duas partidas fora de casa em apenas três dias. Mas começou bem, empatando com a Desportiva (ES) sem gols. No entanto, no sábado, foi arrasado pelo Internacional por cinco a zero. Foi o maior baixo astral lá em casa! Aí começamos a desconfiar que poderíamos não nos classificar.
O Bahia começou também empatando sem gols, só que contra o Flamengo na Fonte Nova no domingo. Mas no meio da semana cairia para a Portuguesa de Desportos por dois a um. Mas, na próxima rodada se recuperaria ganhando do Santos na Vila Belmiro (2 X 0) enquanto o Vitória empatava com o Vasco da Gama na fonte do futebol em dois gols.
Na sexta rodada vinha o clássico baiano, o qual, adivinhem o resultado...novo empate, deste vez por um a um. Era o sexto aquele ano! O Vitória continuava sem ganhar apanhando, na sétima rodada, para o São Paulo no Morumbi por três a zero. Tínhamos chegado à metade do certame e o rubro negro não tinha ganhado uma. Que fazer? Desse jeito estávamos arriscados de ficar com a lanterna. Mas o Bahia também deu pra empatar.

Iriamos fazer agora duas partidas fora de casa, o nosso desespero. Nelas fizemos a façanha de perder para o CEUB (o que é isto?) de um a zero, e, depois, para o Goiás, pelo mesmo escore. Faltavam só quatro rodadas e, nas duas seguintes, jogaríamos com clubes do Nordeste na Fonte Nova. Só então o clube resolveu dar o ar de sua graça. Venceu o Náutico, de forma convincente, por dois a zero, e, logo depois o CSA de Alagoas, por dois a um.
Depois sairia pra jogar duas partidas fora de casa, terminando a fase do certame. Na primeira conseguiu ganhar do Americano de Campos por um a zero, animando a torcida pois passou a disputar a classificação.
A coisa ficou assim no Grupo C. O Flamengo e o Grêmio já estavam classificados. Mais ainda tinham três vagas a ser disputadas por América (RN), Figueirense, Santa Cruz, Portuguesa de Desportos, e...Vitória. Bastava ganhar o Sport pra estarmos dentro. A Portuguesa empatou e o América perdeu, embora o Santa Cruz houvesse ganhado do CSA (1 X 0). Aí tivemos de torcer pro Bahia, que não aspirava mais nada, ganhar na Fonte Nova do Figueirense.
                                                                 Poxa, de serra não!

Imaginem o que aconteceu? A classificação foi pro brejo pois perdfemos pros pernambucanos (0 X 2) e os próprios torcedores tricolores pediram pra equipe entregar o jogo, sendo esta derrotada por um a zero. Mais um sonho de uma noite de verão que se ia. O ano tinha mesmo sido chumbo grosso pro rubro negro baiano! Vitória e Bahia ficaram em oitavo em seus grupos. Chumbo grosso!
Mas era ainda cinco de outubro e ainda tinha mais de dois meses pra encerrar o ano. O que faria a dupla até lá? Era prejuízo na certa, e ainda tinha que pagar o 13º aos jogadores e funcionários! Aí entrou a mão salvadora do Estado. O governador Roberto Santos inventou tal de Torneio Cidade de Salvador, investindo maciços recursos da Bahia para “salvar a cara” dos clubes. Já tinha passado o aniversário da cidade(que era em 29 de março) mas insistiram em comprar uma taça e colocar seu nome.
Foi o maior torneio da história da Fonte Nova. Até então a praxe era fazer um quadrangular convidando um, dois, ou até três clubes de fora.  Mas deste vez foram convidados Santos, Vasco da Gama, Atlético Mineiro, Remo, Figueirense e Curitiba. Foi um mini campeonato nacional. Era a oportunidade pra um dos dois, Bahia ou Vitória, terminarem o ano bem.

O torneio começou em 25 de novembro com uma rodada dupla reunindo o clássico Vasco e Santos e Bahia e Remo, com os jogos não passando de empates em um gol. Logo depois nova rodada, entre Vitória e Figueirense e Atlético Mineiro e Curitiba. Na preliminar os mineiros ganhariam de dois a zero dos paranaenses, mas, no jogo de fundo, tivermos que amargar nova a derrota do Vitória pelo escore mínimo. Assim ficava difícil!
No dia 30, porém, ganharíamos o primeiro clássico este ano, no sétimo BA-VI, por um a zero, no sufoco. O jogo seguinte seria contra o Atlético e, se ganhássemos, disputaríamos a liderança com o Santos. A torcida rubro negra acorreu. Viu na preliminar o Vasco derrotar o Remo por três a dois, mas, na principal, o Vitória esteve irreconhecível, caindo de quatro a um.
Na semana seguinte o tricolor conseguiria um bom empate com o peixe em um gol. E, na próxima o Vitória desandava, perdendo pros cruzmaltinos por três a um. No outro dia o tricolor empatava de novo, agora com o Curitiba sem gols. Mas, graças ao regulamento esdrúxulo o Vitória se classificou. Irias pegar o Vasco, se passasse, o Santos na final.
                                É ver se ganhamos uma!

Foi com muita felicidade que vimos, há duas semanas de terminar o ano o nosso rubro negro ganhar da equipe de São Januário por um a zero. Fez um gol e jogou a bola “pro mato” pra garantir o resultado. O Vasco já tinha ido, agora era pegar o peixe no outro dia.
Foi um dos maiores públicos do torneio. Mas a alegria dos torcedores rubro negros não demorou muito. Logo o time do Santos começou a tomar conta das ações e mostrar que era superior. A bola foi entrando uma, duas, três vezes, na meta do Vitória, quando o Santos parou. Não precisava mais, havia ganhado o título com o nome da cidade. Chumbo grosso!

·          Agradeço as informações dos sites RSSSF Brasil e Bola na Área, e do Almanaque do Futebol Brasileiro. Sou grato ainda as imagens dos blogs sobrenada.org,baziingaa.blogspot.com,remilton.zip.net,wagnermarques.blogspot.com e porraman.com.

sábado, 2 de abril de 2011

Os times de santos na Bahia

                                                         Estão vendo os fiéis? 

Logo que foi recriado o futebol em fins do Século XIX bem cedo apareceu à influência cristã na denominação dos clubes. O primeiro clube a homenagear nos santos na Bahia foi o São Paulo, mas era tão ruim que não mereceria apoio cristão nos primeiros anos onde só perdia pra “Deus e o mundo”. Foi sucedido pelo São Salvador, embora sua denominação se referisse mais á capital. A participação desse clube esteve longe de fazer feio á religião obtendo um vice em 1905 e um bicampeonato em 1906/1907.
A equipe, no entanto, “cairia pelas tabelas” no próximo ano ficando na lanterna após perder todas as partidas, inclusive do Santos Dumont, que nada tinha a ver com os santos, uma vez que era uma homenagem antecipada ao descobridor da aviação. Repetiria o “feito” em 1909. Aí os torcedores religiosos se dividiram com uns adotando o São Paulo e outros o São Salvador. E até que o primeiro não se deu mal em 1910, pois ficou com o vice-campeonato. Enquanto isto o São Salvador emplacava a tri-lanterna (se é que isto existe).
Em 1912 os torcedores agradeceram aos céus por não existir ainda o Livro dos Recordes, pois senão o São Salvador ficaria famoso ao obter a tetra-lanterna do campeonato. Era demais! Aí os religiosos se uniram e tiraram o clube do campeonato. Passariam muitos anos para se arriscarem de novo passarem pela situação de haver um clube representando sua religião.
                                                       Essa é a verdadeira Santa Cruz!

Mas isto não poderia perdurar definitivamente, de maneira que resolveram inscrever no certame a própria Santa Cruz. O time até que não se saiu mal no primeiro campeonato que disputou em 1920, ficando em quarto lugar, mas na última partida perdeu de cinco a zero do Ypiranga constrangendo a sua torcida.
O próprio arcebispo interviu na ocasião inscrevendo também o São Bento no próximo ano. Pelo menos agora haveria dois clubes pra ver se conseguiam um lugar merecido para a fé. Mas este se revelou um verdadeiro desastre. Em suas primeiras partidas (contra o Baiano de Tênis e Associação Athlética) tomou de cinco a zero e oito a um! Ficariam juntos no final, o São Bento em sexto e o Santa Cruz em sétimo. O resultado faria a arquidiocese retirar os dois clubes do certame deixando-os só jogando amistoso onde continuariam sua sina. Passar-se-iam mais anos sem submeter o esporte ás exigências da fé.
Os religiosos acorreriam em massa ao antigo estádio da Graça em 1927 pra ver o simpático São Cristóvão carioca em excursão na Bahia. Aquilo é que era representante da fé. Imaginem que foi detonando os times baianos um a um. O Ypiranga caiu logo (2 X 1), vindo depois o Vitória (4 X 1), o Botafogo (3 X 1) e um Combinado de Salvador (3 X 0). Só o Baiano de Tênis conseguiria alguma coisa ao empatar em três gols.
                                                   Porque não tem o São João Batista FC?

A paixão dos religiosos iria ao auge dois anos depois quando assistiram o Santos de São Paulo arrasar literalmente na cidade. Na oportunidade ganharia do Baiano de Tênis (4 X 2), da Associação Athlética (8 X 1), do Ypiranga (5 X 2), deixando um time misto pra jogar contra o Combinado Fluminense-Guarany (5 X 3), e se despedir empatando em dois gols com a seleção baiana.
A passagem destes clubes pela Bahia animou de novo o cardeal da Silva e foi responsável pela criação do São Cristóvão que disputaria seu primeiro campeonato local em 1931. Na época se dava uma aliança entre Estado e Igreja capitaneada pelo Cardeal da Silva que, se faria a Igreja Católica reconquistar na Constituição de 1934 as prerrogativas perdidas quando da instalação da tal da república em 1889, levaria, porém, à demolição da antiga Catedral da Sé para uma empresa canadense para a instalação de um “importante“ terminal de ônibus.
A participação do novo clube no certame baiano não seria nada reconfortadora, ficando na lanterna, registrando inclusive uma derrota para o recém-fundado time de ateus EC Bahia, por cinco a um.  Neste ano os religiosos tiveram ainda a ocasião de presenciar a seleção do Espírito Santo jogando com os baianos, embora tenha sido derrotada por três a dois. Os tementes de Deus saíram chateados do estádio, pois não entendiam como podia uma “seleção” do santo espírito sair derrotada!
                                                          Kleber Pereira rezando...

Enquanto isto o São Cristóvão ficava em sexto em 1932 e em vice-lanterna no ano seguinte. A condição lhe levaria a vergonha insólita dos torcedores de fé ter que acompanhar o seu clube na Segunda Divisão.  A insatisfação só pode ser contornada com a nova visita do São Cristóvão carioca nesse ano. Perderia a primeira partida contra o Vitória (1 X 2), mas depois seria iluminado ganhando seguidamente do Dois de Julho (3 X 2), do Galícia (8 X 1), Botafogo (5 X 0) e Ypiranga (3 X 2). Despedindo-se com um empate em um gol contra o Bahia. A “seleção” do Espírito Santo voltaria á Graça em maio de 1934, mas sua derrota (3 X 4) foi desculpada em virtude de a seleção baiana estar tão inspirada que venceu o seu único Campeonato Brasileiro de Seleções.
Enquanto o São Cristóvão local penava na Segunda Divisão o verdadeiro voltaria a Graça em maio de 1935 “lavando a alma” dos tementes a Deus. Desta vez deu no Ypiranga (6 X 1), no Galícia (5 X 1), no Bahia (2 X 0), no Botafogo (4 X 3) e no Vitória (7 X 2). Mandaram rezar missa em todos os dias que o clube ficou aqui. No ano seguinte novas vitórias do Santos, contra Vitória (5 X 1), Ypiranga (6 X 1), Bahia (2 X 1) e Botafogo (1 X 1 e 6 X 3), só perdendo para o Galícia (2 X 3). Mas, três anos, depois veio tal de São Paulo falsificado que causou a maior vergonha aos torcedores de fé, perdendo pro Bahia (4 X 5), Ypiranga (0 X7), Galícia (1 X4) e Botafogo (1 X 2). Nem vamos falar da “seleção universitária” do Espírito Santo (que negocio é este!) que perderia, em novembro, de três a dois para os universitários baianos.
Até o Santos não era mais o mesmo, pois quando voltou á religiosa Salvador em abril de 1939, venceu Ypiranga (3 X 0) e Bahia (3 X 1), mas perdeu e empatou com o Galícia (1 X 2 e 3 X 3), e só empatou com Botafogo (3 X 3). A própria Santa Cruz (PE) nos visitaria dois meses depois pra apanhar do Ypiranga (2 X 3), Bahia (2 X 3) e Botafogo (3 X 4).
                                                        Esse aí é bom mas não é santo!

Graças a Deus, pra suportar a ditadura do Estado Novo, apareceria por aqui o São Cristóvão carioca no início de 1944, embora não estivesse lá grande coisa, mas saiu invicto após empatar com Galícia e Vitória por um gol e ganhar do Bahia por quatro a dois.
O São Cristóvão só conseguiria voltar em 1946 quando havia acabado o Estado Novo e a Bahia possuía um governador eleito, Octávio Mangabeira. Mas... cairia esse ano outra vez pra Segundona, passando a viver, digo sofrer, de amistosos. Que desgraça! A situação pioraria quando o falso São Paulo passou aqui de novo e apanhou de sete a zero do EC Bahia. Foi uma “desgraceira no caminho da feira”, não melhorada com a sua vitória na revanche por dois a um.
As ultimas partidas dos clubes de santos na Graça foram jogadas pela própria Santa Cruz antevendo a desmobilização daquele campo. E, diga-se de passagem, foi “o fim da picada”. Na oportunidade os fiéis sofreram com o Bahia (2 X 5) e o Ypiranga (1 X 5), só se salvando na despedida, que a arquidiocese mandou acelerar, ganhando de dois a zero pro Galícia.


As equipes de santo que primeiro se apresentariam na Fonte Nova, ambas em 1953, seriam o irreconhecível São Cristóvão carioca (perdendo de três a um pro Vitória) e a Santa Cruz (PE) que se vingou por não ter sido convidada a batizou o estádio ganhando do Bahia por dois a um. O São Cristóvão só voltaria ao campeonato muito depois.
O jeito foi se contentar com os santos visitantes. A Santa Cruz (PE), porém, me desculpem, é que sempre que aparecia aqui fazia vergonha. Em 1954 pra perder em maio do Bahia (1 X 5) e em junho pra empatar (1 X 1) com o Bahia e ser derrotada pelo Vitória (1 X 4). Os fiéis nem mais podiam contar com o São Cristóvão, que apareceu em novembro só conseguindo ganhar do Galícia (2 X 1) perdendo logo depois duas vezes pro Bahia (1 X 2 e 0 X 5)!
Em 1956, no Torneio Bahia-Pernambuco a Santa cruz (PE) voltou de novo, ganhando do Galícia (1 X 0), mas, logo depois, o Santos perdia do Bahia por três a um. Esse clube pelo menos voltaria melhor no ano seguinte quando se desforrou do tricolor (2 X 1) e empatou com uma seleção da capital por dois gols. O ano só não acabou bem por voltar a Santa Cruz (PE) empatando com o Bahia (1 X 1), mas perdendo pro rubro negro baiano (2 X 3).
                                                           Nossa! É muito santo!

O verdadeiro São Paulo viria no ano seguinte, mas perderia do Bahia por três a dois, num ano em que a arquidiocese não conseguiu se entender se o Cruzeiro era realmente um clube da fé. È que alguns achavam que homenageava o cruzeiro sagrado e outros que não era mais do que um clube materialista preso a vil moeda. Foi por isto que os fiéis não foram à temporada que o clube fez na Bahia em maio que o fez voltar no ano seguinte. Mas neste ano o Santos voltou ganhando do tricolor baiano por dois a um alegrando os católicos.
No início dos anos sessenta os fiéis foram honrados com três decisões da recém criada Taça Brasil, decidida entre Bahia e Santos. Foi duro pro torcedor, afinal era o time do Santos contra o da terra de todos os santos. Acabou dando a primeira para cá e as outras duas pra lá, ficando o seis por meia dúzia. No ano em que o tricolor foi campeão a Santa Cruz viria aqui abençoar o título em julho, ficava chato haver um vencedor, então providenciaram um empate em um gol. No ano seguinte, porém o Bahia “não caçou conversa” derrotando-a por três a um, salvando-se na saída pelo empate contra o Ypiranga em dois gols.
O São Cristóvão, no entanto, voltaria a atazanar os cristãos, no triste ano de 1964, quando conseguiria a façanha de somente obter um empate,(sem gols contra o campeão Vitória) perdendo o restante das partidas. Salvou-se por não existir naqueles anos o rebaixamento. No ano seguinte repetiu a dose sendo riscado seu nome de quase todas as missas da capital. Nesses anos de início da ditadura nem os times de santos apareceram por aqui.
                                                        Lá vem este alegre paulista!

O São Cristóvão só se reergueu em 1966, quando havia protestos na rua, obtendo um honroso sexto lugar com resultados expressivos contra muita gente boa. O Santos foi o primeiro a aparecer após o golpe ganhando do Bahia (3 X 2) em setembro de 1967.
1968 foi o ano em que o São Cristóvão voltaria para o seu lugar, a lanterna, sem ganhar de ninguém. Nesse ano faria um jogo histórico na Fonte Nova contra o seu homônimo carioca, num dia em que os fiéis não souberam pra quem torcer. Mas, como o daqui não ganhava nada mesmo, acabou apanhando de quatro a zero.
Não teve mais jeito. Não ia mais ninguém em suas partidas. Os próprios cristãos haviam cansado de sofrer neste vale de lágrimas. Mas os torcedores promoveram logo a sua substituição criando o Redenção de Brotas. No entanto, em sua primeira participação em 1970 o clube seria rebaixado, apenas subindo de novo seis anos depois.
                                                           Com carneiro não dá pra jogar!

Saiu a emenda pelo soneto. A história do Redenção é a de baixos e ainda mais baixos. A santa cruz deu-lhe todas as oportunidades, deixando que ficasse por dez anos na Primeira Divisão. Depois não conseguiu segurar os fiéis, pois não há santo que aguente tanta derrota, entre as quais as maiores que a Fonte Nova já viu!
Mas a Igreja já tinha preparado uma solução consagradora. Aliou-se com a CBD e colocou no nascente campeonato brasileiro o Santos, o São Paulo e outros times de santos. Assim acabou de vez com os constrangimentos de seus fiéis. Até hoje a poucos anos em que os times “da Igreja” não disputam alguma final. Mas, quanto ao campeonato baiano, é diferente. Conformou-se em nunca mais colocar um clube, sob o argumento que “todos são filhos de Deus”.

·    Agradeço as informações dos sites RSSSF Brasil e Futipédia e do Almanaque do Futebol Brasileiro.Sou grato as imagens dos blogs luzdavida.org.br,grupojocmdoitamaratiu.blogspot.com,blogpaulinas.blogspot.com,katrix.com.br,portaldasnoticiass.com,doutrinalinear.nom.br e padreisaias.blogspot.com.

domingo, 20 de março de 2011

O recorde do urubu

                 
O CR Flamengo é honra e glória do futebol brasileiro. Possui quase todos os títulos, sendo campeão carioca, do Rio-São Paulo, brasileiro, americano e mundial. São tantos que nem os sites ligados ao clube sabem. Um deles eu vou informar agora. O Flamengo é o clube que mais jogou na Bahia. Custariam meses de pesquisa pra descobrir todas as partidas que o urubu jogou por aqui onde, além de Salvador, atuou em outras doze cidades do interior baiano, Ilhéus, Itabuna, Feira de Santana, Jequié, Vitória da Conquista, Juazeiro, Alagoinhas, Itapetinga, Jacobina, Ipiaú, Conceição de Almeida e Pedro Mangabeira.
Entre meus amigos da Academia há gente que acha que pesquisa sobre futebol não é assunto sério.  Pois tenho a dizer a eles que dá o mesmo trabalho de qualquer outra mais “nobre”. O site Flamengo estatísticas.com e o Almanaque do Futebol Brasileiro entram em várias contradições. Verifiquei apenas até 1960 observando que o primeiro ignora a excursão que o clube fez em março de 1946 na Bahia e o segundo omite algumas partidas da excursão de 1938.
Apresentam resultados diferentes na partida realizada contra o EC Bahia em Ilhéus. Afinal quem foi que ganhou por três a zero, o tricolor ou o rubro negro? E, por último, mas não por fim, o site rubro negro omite uma vitória do clube contra o tricolor baiano por quatro a zero (na excursão de abril de 1957) e uma derrota para o Bahia por três a um (na de maio de 1958), e o Almanaque esquece a temporada do urubu em dezembro de 1960 em Salvador e Itabuna. Chegam, assim, a números diferentes em relação às partidas do Flamengo. Podemos dizer, entretanto, sem sombra de dúvidas, que o clube é o de fora do estado que mais jogou nas praças esportivas da Fonte Nova, de Salvador e da Bahia.

No próximo ano faz oitenta anos que o urubu chegou aqui pela primeira vez, em novembro de 1932, no ano em que o país foi agitado pela chamada Revolução Constitucionalista. Na oportunidade deu em todo mundo, ganhando de Vitória (7 X 2), Botafogo (4 X1), Ypiranga (1 X 0), Bahia (3 X 2) e Seleção Baiana (3 X 1), só perdendo a última partida em função de dar revanche ao mais querido (2 X 3). Voltaria ao estado em pleno Estado Novo, quando a Bahia era governada por interventores, com resultados ainda mais arrasadores, pelejando contra Botafogo (7 X 1 e 2 X 1), Bahia (5 X 2 e 7 X 2), Galícia ((4 2), Vitória (4 X 1), porém perdendo mais uma vez para o Ypiranga (1 X 3).
Depois disto só quando terminou a ditadura Vargas e já se construía o Estádio Octávio Mangabeira (apelidado de Fonte Nova). Ganharia as três partidas que faria em junho de 1947, contra Vitória (5 X 2), Guarany (2 X 1) e Bahia (2 X 1); venceria o clássico contra o Fluminense carioca em janeiro de 1949 por cinco a zero; e excursionaria pela região do cacau e em Salvador em junho de 1950, onde se despediria do velho campo da Graça.
A Fonte Nova seria um grande mercado para os urubus. Suas primeiras partidas se dariam no Torneio Régis Pacheco, de triste memória para os baianos. Na oportunidade ganharia de oito a dois do Vitória, de dois a um do Bahia e ficaria em segundo lugar ao empatar com o Internacional (RS) em dois gols.
                                                  As vezes se confunde com a nação!

A partir de 1955, por sete anos seguidos, visitaria o estado, onde, entre outras partidas, jogaria a última vez com o Ypiranga em abril de 1955(2 X 1), ganharia da Seleção de Itabuna (7 X 1) e do Fluminense de Feira de Santana (5 X 0), e perderia para a Seleção baiana (0 X 2). Nos anos 60 jogaria por quinze vezes na Bahia, a maioria delas no interior do estado. Nesta época o intercâmbio esportivo faz com que haja um equilíbrio nas disputas mantidas, especialmente, com os clubes de Salvador, registrando cinco derrotas para o tricolor baiano, perdendo para o São Paulo pelo escore mínimo (agosto de 1965), mas vencendo o clássico carioca contra o Vasco da Gama em novembro de 1966 em Vitória da Conquista (2 X 1).  
Os certames nacionais se iniciam ao final dos anos cinquenta com a Taça Brasil, mas o Flamengo só vai enfrentar clubes baianos ao fim da próxima década no “Robertão”. A estadia do clube no estado só ganharia regularidade com a criação do Campeonato Brasileiro no início dos anos setenta. Em todos os anos da década viria à Bahia, onde bateria o recorde jogando 33 partidas. Nos primeiros jogos por torneios nacionais, perderia (0 X 1), ganharia (3 X 1) e empataria (1 X 1) com o Bahia; enfrentaria o Vitória por duas vezes em 1973, registrando-se empates sem gols; golearia Itabuna (5 X 0) e Fluminense de Feira de Santana (6 X 0), e, mesmo ocorrendo vários empates, o urubu perderia apenas quatro partidas, três para o tricolor e uma para o rubro negro baiano.
A Era dos certames nacionais teria apenas alguns anos de ausência do Flamengo na Bahia, ditada geralmente pela queda de algum (uns) de seus clubes da Primeira Divisão. O fato apenas ocorreu em 1982, 1983, 2005,2006, e 2007, registrando-se na época o recorde de vinte e um anos seguidos da presença do Flamengo na Bahia.  Os baianos se recordam em especial das vitórias da Catuense (2 X 1) e do Itabuna (1 X 0) sobre o urubu em 1988; das visitas deste a cidade do frio ganhando do Serrano por duas vezes (4 X 1 e 3 X 1) no mês de julho de 1989 e 1990; dos jogos sensacionais com o Vitória, cinco a zero para os visitantes na Fonte Nova e cinco a zero para os leões da Barra no Barradão (com diferença de apenas nove meses entre 1997/1998) e de nova goleada carioca (5 X 1) em maio de 2004.

A última partida do urubu na Fonte Nova foi em seis de abril de 2003, e, pra quem gosta de superstições, sete anos antes da sua implosão. Naquele dia compareceram, 50.426 torcedores para ver Bahia e Flamengo, que formaram assim. O time de Nelsinho Batista atuou com Júlio Cesar, Fabio Baiano, André Bahia, Fernando e Athirson; André Gomes, Fabinho e Felipe; Andrezinho, Jean (Felipe Melo) e Zé Carlos (Fernando Baiano).
O tricolor de Bobô formou com Márcio, Guto, Marcelo Souza, Valdomiro e Lino; Jair, Otacílio (Nilson Sergipano), Paulo Sérgio (Marcelo Nicácio) e Preto Casa Grande; Cláudio. Jogaram ainda Luiz Alberto e Adriano. Na ocasião todos os gols foram marcados por flamenguistas, Fernando Baiano e Felipe a favor e Fabinho contra, terminando em dois a um para os cariocas.  Não podia dar outro resultado, afinal tinham muitos baianos na equipe e, no mês anterior, o urubu completara cinquenta anos da sua primeira partida na Fonte Nova.
                                                              Ih, com esse aí sujou!

·   Agradeço as informações dos sites Flamengoestatísticas.com, do oficial do clube, do Futipédia e do Almanaque do Futebol Brasileiro. Sou grato as iomagens dos blogs eusouflamengo.com,magiarubronegra.worpress.com,taiapuramagia.blogspot.com,oglobo.globo.com,ligerinhonoesporte,blogspot.com,zoacaofc.com e alcilenecavalcanti.com.br.

sábado, 19 de março de 2011

Tempo de horror

               Isto aí é fichinha pra época!

Com a publicação de tantos livros sobre o golpe de 64 muita gente tomou conhecimento sobre os acontecimentos políticos de antes, durante e depois desse infausto acontecimento da nossa história. No entanto, pouca gente sabe dos fatos esportivos desses dias.
Jango assumiu no lugar de Jânio em setembro de 1961, após os dez dias que abalaram o Brasil, e com a “solução” parlamentarista. A sua política de sustentação e as contradições entre o presidente e o congresso abriram espaço para as forças populares que conquistaram várias posições, principalmente até o plebiscito que devolveu o presidencialismo.
Após ter, aparentemente, contornado a crise, o presidente enveredou por caminhos econômicos que o isolaram das forças populares abandonando o Plano Trienal. Começa a contagem regressiva de um golpe anunciado por Carlos Lacerda em setembro nos EUA.
                Quem é mais feio Lacerda ou Hulk?
Em janeiro de 1964 professores universitários, liderados por Sobral Pinto, lançam manifesto acusando o governo de complacência em relação à “comunização” do Brasil. Ademar de Barros pede aos cristãos e democratas união contra o perigo comunista num contexto onde o ministro da justiça Abelardo Jurema intensifica as articulações para a reforma constitucional onde prega a reeleição de Jango.
O governador Ildo Menegheti (RS) engrossa o coro da direita denunciando um movimento subversivo programado para ocorrer em janeiro, implicando Brizola, o prefeito de Porto Alegre e deputados da base de Jango. Enquanto isto o governo dá uma no cravo e outra na ferradura.
No dia 11 de janeiro o deputado João Calmon pondera se não é mais prudente que o presidente cumpra o seu mandato pra que não volte como mártir. Alguns dias depois anuncia que “os democratas devem combater os comunistas em qualquer terreno e com qualquer arma”. No outro dia Goulart assina a lei de remessa de lucros. Carlos Lacerda acusa o governo de apertar o cerco contra a Guanabara e o Cardeal Jayme Câmara acusa uma conspiração revolucionária do governo.

No fim de janeiro o presidente da UDN Bilac Pinto “denuncia” que estaria sendo distribuídas armas aos sindicatos de trabalhadores rurais no mês que é criado o Movimento do Rosário da Família pelo padre Peyton.
Fevereiro começa com o Corinthians ganhando do Botafogo num amistoso (vejam lá se havia clima pra amistosos!) por três a dois no dia sete. A quatorze Castelo Branco, na aula inaugural da Escola de Aperfeiçoamento de Oficiais, condena o comunismo e adverte os oficiais para seus deveres com o Exército e a pátria. No entanto, mais tarde o presidente é homenageado no 19º aniversário da tomada de Monte Castelo por tropas brasileiras na Itália.
Os gaúchos fazem uma série de promoções esportivas na ocasião. A Portuguesa de Desportos e o Corinthians visitam Porto Alegre. O Inter vence a equipe inspirada nos lusitanos pelo escore mínimo, enquanto o Grêmio empata sem gols.
            Esta tortura não dá nem pra melar!

Quatro dias depois, em 25 de fevereiro, Brizola é impedido de falar em Belo Horizonte no Congresso dos Trabalhadores da América Latina. Antes do mês se encerrar ainda dá tempo pro São Paulo ir á Campinas e derrotar a Ponte Preta, para o Atlético Paranaense visitar Porto Alegre (perdendo de três a zero), e ao Atlético Mineiro viajar pra Governador Valadares onde derrota o Democrata local por dois a um. Pra quem ainda não sabia do golpe este resultado mostrou que a democracia não estava com nada na ocasião!  
Março se inicia com a alta do dólar, quando o presidente autoriza O Banco do Brasil a intervir no Câmbio. O Cruzeiro empata sem gols um amistoso com o América (RJ). No dia sete Jango recebe presente de aniversário de oficiais em Brasília. Para, um dia depois, o Guarany de Campinas vencer os diabos rubros cariocas por dois a um.
Quatro dias depois ocorre o comício direitista no bairro de Bonsucesso, Guanabara, embora só reúna duas mil pessoas. Ao tempo em que em Belém, se trava o clássico local, onde o Paissandu ganha do Remo pela esquisita contagem de cinco a três.

No dia doze o Diário de Notícias-RJ publica uma declaração de diretor da Associação Comercial do estado quer afirma “armai-vos uns aos outros porque nós já estamos armados”. No outro dia o comício da Praça da República com duzentas mil pessoas é televisionado e o presidente se compromete com uma série de reformas populares que envia ao Congresso Nacional reagindo à direita com o pedido de seu impeachment.
Mas outras coisas importantes aconteceram neste dia. O Olaria, por exemplo, achou justamente esta ocasião pra começar uma temporada no Norte e Nordeste, estreando com um empate em dois gols com o Náutico. Dois dias depois jogaria em Campina Grande ganhando do Treze de campinas por dois a zero.
Dia 17 Costa e Silva adere ao golpe e passa a ser sua mais alta liderança militar, e é quando Carlos Lacerda envia carta circular aos governadores conclamando-os a formarem um bloco contra a “guerra revolucionária”. Dois dias depois a direita se assanha ainda mais promovendo uma marcha pela família, com Deus pela Liberdade em São Paulo, onde a farta utilização da máquina pública garante a presença estimada em quinhentas mil pessoas.
Ainda quer pegar o celular?

Dois dias depois é o nosso EC Bahia começa uma excursão a Recife com um empate sem gols contra o Sport. Lacerda passa a fazer abertamente articulações com governadores onde afirma que uma Assembleia Constituinte seria o prenúncio de uma ditadura.
No dia 22 o ministro Silvio Mota manda prender diretores da Associação dos Marinheiros e Fuzileiros navais que haviam comparecido a uma reunião sindical. Enquanto isto o Bahia vence o Náutico (2 X 1), o Olaria chega a Belém (onde empata em um gol contra o “papão do Curuzú”) e o Grêmio vai a Curitiba golear a equipe do mesmo nome por quatro a um. Mais um dia, é realizada em Santos uma marcha semelhante à de São Paulo com a presença de oitenta mil pessoas.
Os marinheiros e fuzileiros se concentram no Sindicato dos Metalúrgicos (RJ) sendo vãs as tentativas de desentocá-los. A crise só acaba no dia 27 com um acordo que passa pela liberdade dos dirigentes, que só saiu após novo clássico paraense onde Remo e Paissandu não tiram o zero do placar.
                      Como agente apanhava!

No dia 29 o Olaria se despede das canchas paraenses empatando em um gol contra o Remo. Em sua saída, porém, é substituído pelo Palmeiras que resolve sair em excursão. Os pernambucanos tem muito a se queixar desta época. Pois além do golpe tiveram que suportar a presença do alvi verde paulista. Imagine que o porco, dois dias antes do golpe, ganhou do Sport por quatro a um e, não contente com isto, enquanto as tropas do general estavam, na estrada, fulminou no Náutico por quatro a zero.
O calendário político ainda verificaria a homenagem de Jango no Automóvel Clube pela Associação dos Sargentos da PMERJ, no dia 30 de março, enquanto oficiais se reúnem no Clube Militar onde fazem dura crítica á CGT.
Na madrugada do outro dia as tropas do general Olympio Mourão Filho marcham de Minas Gerais para o Rio de Janeiro. Durante seu trajeto (não interrompido pelo governo) vão estimulando apoios militares em vários estados.

A CGT e a UNE convocam greve geral no dia primeiro de abril. Mas a greve não chegou ao interior do Paraná, senão o Londrina não perderia pro Jacarezinho de Mogi Guaçu por dois a um. Bem feito pra ele por furar a greve!
A partir daí são feitas prisões de lideranças políticas e sindicais em todos os cantos do país, enquanto Jango tenta conseguir apoio “por cima” pra permanecer no cargo e perambula do Rio para Brasília e para Porto Alegre.
Enquanto viaja, na calada da noite se trama a sua destituição com a declaração do cargo de presidente vago e o empossamento do deputado Ranieri Mazzili numa sessão realizada na madrugada. Ao tempo em que uma nova marcha pela família ocorre na Guanabara com a participação de cerca de um milhão de pessoas.
Voçê quer que tenha imagens da tortura?

Com exceção do Mato grosso, não achei ninguém que tenha se arriscado a jogar nesses dias. No dia quatro de abril (uma sexta feira) encerram-se as greves de resistência, sendo uma das últimas a dos petroleiros da Refinaria de Mataripe na Bahia. Nesse dia uma assembleia do Clube Militar (RJ) exige a cassação de todos os parlamentares que consideram comunistas.
No fim de semana os paraenses fominhas do Remo e Paissandu fizeram outro jogo, agora com o papão perdendo por dois a um. E o EC Bahia iria a Candeias jogar com a seleção do município, vencendo por quatro a zero.
O fim de semana foi um verdadeiro sufoco dadas as medidas que fecharam os bancos. Mais mesmo assim se arranja uma farsa, uma manifestação na porta da casa do general Castelo Branco propondo que assuma a presidência.

                                    Vão levar pra onde?
Consumado o golpe, seus dias posteriores foram uma espécie de “salve-se quem puder” para os militantes que sonhavam por reformas no Brasil. Na segunda feira é editado o Ato Institucional No 2 legalizando prisões e impondo punições a milhares de civis e militares.
E, na terça, sai à lista de cassações que engloba 39 parlamentares e 58 personalidades, ao tempo em que o Bahia arranja um amistoso com o Galícia na Fonte Nova onde os atacantes fizeram greve de gols. Na quarta ocorrem as “eleições” para presidente no Congresso para onde são conduzidos Castelo Branco e José Maria Alkimim.
As universidades são vasculhadas pelo novo AI, regulamentado em 27 de abril. Só no IPM da UNE são indiciadas setecentas pessoas, num tempo em que a ditadura, por não caber mais presos nas instalações militares, apelou para o recurso de trancafiar opositores em navios fundeados perto da costa.

O próximo mês começa com o tricolor jogando com Leônico (1 X 1) e Galícia (2 X 0) na Fonte Nova. Três dias depois, em 13 de maio, o Brasil rompe com Cuba. No dia primeiro de junho baixa a lei anti greve. E, em 22 de julho, o mandato de castelo Branco é prorrogado até 1967, quando se entendeu que o regime tinha vindo pra ficar.
No fim de julho seria organizado o primeiro torneio destes tempos sombrios com a participação de Bahia, Vitória, Galícia e Leônico. Enquanto isto as oposições já encetavam a resistência que iria durar pelo menos duas décadas.

·        Agradeço as contribuições do Almanaque do Futebol Brasileiro, e dos blogs rodolfostenki.blogspot.com,hiperbazar.net,noticias.r7.com,bocadoinferno.com,quadrinhos.wordpress.com e baixakijogos.com.br.