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domingo, 14 de agosto de 2011

Como se fosse a primeira vez


                                          E os atores ainda filmaram no Dique do Tororó! 

Gente, esta semana os baianos tiveram um grande consolo. Não é só a dupla BA-VI que tem que se preocupar com o rebaixamento o próprio poderoso EUA foi rebaixado pela agência Standard & Poor. É que o futebol da economia é sério, não tem FIFA, CBF, tabela arranjada nem juiz ladrão pra não deixar os clubes, digo países, grandes caírem.
Vá lá que gente fina é outra coisa. Ao invés de Primeira e Segunda Divisão também chamam lá “Séries A e B”. E, diga-se de passagem, o rebaixamento não foi nem da A pra B. É que lá tem séries pra cachorro, e aí inventaram o rebaixamento da série AAA para a série AA+. Pô mas porque + e não -? Garanto-lhes que se fosse o Brasil pegava logo um BBB! E olhem que nem a cota da TV deles vai baixar!  
                       Nesse tempo o futebol baiano era mais seco que o Deserto de Atacama!

Enquanto essas coisas acontecem o “democrático” governo britânico agora está censurando a internet e o celular. Quem diria que isso fosse acontecer na terra da Rainha Elizabeth? Agente pensava que isso só acontecia lá pras bandas da Líbia, da Síria, do Irã, do Afeganistão e outros países que costumam receber censuras da OTAN, do Conselho de Insegurança da ONU e de outros bichos por esses mal feitos. Quer dizer, não tem trocadilho certo. Além da repressão do governo Bashar (Assad) os manifestantes ainda tem que aguentar o governo inglês “baixar” o pau.
Mas mudando de um polo pra outro o que está me indignando mesmo é a nova pesquisa da loja Blockbuster que aponta quais os filmes preferidos para locação. Vocês sabem como funcionam agora as pesquisas de cinema. Nem perdem mais tempo telefonando pro pessoal, ficam nas lojas mesmo. E olhem que nem perdem tempo com a Blockbuster do Brasil ou da Bahia ficando lá mesmo pela loja nos EUA.
                                               O gringo Petkovic agora é estrela de cinema!

Mas, picuinhas à parte, o que não concordei mesmo foi com a classificação. Imaginem que o famoso Casablanca, que povoou a minha adolescência e fez suspirar os corações apaixonados, acabou ficando em segundo lugar, perdendo pra Como se fosse a primeira vez.  Aliás, foi o único de antigamente que teve vez, pois o terceiro lugar ficou com Harry e Sally – feitos um para o outro, o quarto para Penetras bom de bico (é demais!) e o quinto pra A princesa prometida.
Durma-se com um barulho desses e diga-se que dormiu! O campeão de locações é o dramalhão mais besta que se tem noticia. Fala sobre uma mulher que tem uma doença que a faz esquecer-se das coisas que se apaixona por um sedutor veterinário e vive uma história de amor que tem que se renovar a cada dia pra existir. Você conhece Drew Barrymore e Adam Sandler? Pois são os protagonistas do filme. Nada de Humphrey Bogart, Ingrid Bergman ou Marlon Brando.
                                   Os baianos apelaram pra tudo pra ganhar dos cariocas!

E o pior é que o roteiro é inteiramente copiado da Bahia. É claro que aqui não teve essa xaropada de doença rara onde só se esquece do que aconteceu no dia anterior, mas que a presença de alguns clubes visitantes mas pareceu com a primeira vez isso foi! O primeiro clube carioca a jogar na Bahia foi o Botafogo, que veio aqui em fevereiro de 1919, quando nem se pulava direito o carnaval e sapecou sete a um na seleção baiana no campinho do Rio Vermelho.
Os baianos ficaram com tanta raiva que só o trouxeram de novo 16 anos depois na conjuntura conturbada de 1935. Foi como se fosse a primeira vez. O time de General Severiano deu de sete no Vitória e de quatro no Bahia, só escapando o Botafogo (que empatou a quatro gols) e o Galícia, então demolidor de campeões, que o venceu por três a um. O negócio foi tão complicado que alguns dias depois estourou a revolução da Ação Nacional Libertadora que começou aqui perto, em Natal e em Recife.
                                           Não adiantava baiano e carioca não se bicavam!

Sete anos depois os baianos insistiram em trazer o alvinegro carioca. Foi como se fosse a primeira vez. O desgraçado chegou em janeiro de 1942 se aproveitando da preocupação dos baianos com a guerra e foi “sentando o pau” no pessoal. Mas parecia o governo inglês escondendo que o bairro de Totenham Court (onde começaram os distúrbios) tem a maioria dos jovens desempregados.
Começou dando de cinco no Botafogo, e quatro dias depois deu uma “colher de chá” empatando em quatro gols com o Vitória. Logo depois enfiou cinco no Galícia, e três no Bahia, conseguindo à custo o auri negro um empate em um gol. Aí então viajou pra Feira de Santana onde ganhou a seleção local por quatro a dois e finalmente cansou, perdendo pro tricolor por dois a um.
                                                 Os cariocas eram piores que o Tea Party!

Mas isso não aconteceu apenas com o primeiro clube carioca que chegou na Bahia, ocorrendo também com o segundo, o América FC, mostrando que era uma desfeita de caso pensado. Esse apareceu por aqui em setembro de 1921 estreando o novo estádio da Graça construído no ano anterior.  Foi uma “desgraceira no caminho da feira”. Começou abatendo o Combinado Baiano de Tênis-Botafogo (4 X 2), e depois foi derrotando a Associação Atlética (4 X 3), o Ypiranga (3 X 0) e o Vitória (2 X 1), só parando, à muito custo, na seleção baiana, que conseguiu a façanha de empatar com os americanos em um gol.
Depois vieram outros Américas mas nenhum igual ao original do Rio de Janeiro. Quanto ao original viria antes do carnaval de 1939, ano em que começou a guerra na Europa, mas não se sairia tão bem. Começou perdendo do Botafogo (1 x 2), e ganhou com dificuldade do Galícia (2 X 1), pra logo a seguir empatar com o Ypiranga (2 X 2) e tomar um “chocolate” do Bahia (4 X 1). O ameriquinha só voltaria à Bahia nove anos depois, pra vencer o Galícia (6 X 5), arrasar o Ypiranga (6 X 2) e perder na saída pro tricolor (1 X 2). Quase que era como a primeira vez, mas o time havia esquecido o que aconteceu como a mulher do filme.
                                Apela pra Ricardo Teixeira que ele dá um jeito nessa agência!

Mas não pensem que é brincadeira. Só não aconteceu com o terceiro carioca que nos visitou, o Vila Isabel (será diabo é isso?), porque este nunca mais voltou. Mas a mesma coisa sucedeu com o quarto e o quinto visitante daquele estado, o Fluminense e o São Cristóvão. Imaginem que o pó de arroz chegou em abril de 1923 e enfrentou a Associação no dia da mentira ganhando por três a um.
Pensaram até que era piada mas o poderoso Baiano de Tênis caiu também (0 X 2), obtendo à custo o Vitória um empate (1 X 1). Mas foi aí que surgiu o zagueiro Mica do Botafogo que, nas partidas sensacionais que o alvi rubro e a seleção baiana derrotaram os cariocas, respectivamente por dois a um e cinco a quatro, fez partidas impecáveis e acabou convocado para a seleção brasileira que iria disputar o Campeonato Sul-Americano. Mas na revanche Mica e Cia caíram por dois a zero.
                                               Os atores ficavam zanzando pela BR!

Quatro anos depois chegou o São Cristóvão. Estreou vencendo o mais querido por dois a um. Logo a seguir caíram Vitória (4 X 1) e Botafogo (3 X 1), salvou-se o Baiano de Tênis, que conseguiu um heroico empate a três gols, e tiveram que organizar às pressas um combinado baiano...só pra apanhar de três a zero pro time do padroeiro dos motoristas.
Os próximos anos foram muito humilhantes para os baianos que só ficavam lendo pelos jornais o time do santo apanhar de deus e o mundo no campeonato carioca. Aí decidiram chama-lo outra vez pra ver se não foi coincidência. Mas foi como se fosse a primeira vez. Até que quando os cariocas chegaram em agosto, cansados da viagem de navio, deu pro leão derrota-lo por dois a um.
                                                    Nem o homem de ferro daria jeito!

Aí os baianos pensaram que tinham pegado “o seu” carioca. Mas logo depois o time venceu o Dois de julho (3 X 2) e arrasou seguidamente a Galícia (8 X 1) e Botafogo (5 X 0). O Ypiranga foi destacado pra segurá-lo e nada, tomou de três a dois. Finalmente, foram buscar o Bahia que lutou bravamente e conseguiu um empate em um gol. Ufa, já vai tarde!
Mas ninguém queria se conformar com a situação. Perder pro Botafogo, Fluminense e América ainda valia mas do São Cristóvão era demais. Nem dois anos se passaram e lá veio de noivo o santo convidado. Foi em maio de 1935 e colocaram logo os times que estavam mais organizados para enfrenta-lo, Ypiranga e Galícia. Foi um massacre carioca, caindo o mais querido por seis a um e o antigo demolidor de campeões por cinco a um. Foi uma confusão só e ninguém mais queria jogar com o padroeiro.
                                                    Os baianos tentaram de tudo!

Mas aí entrou a Arquidiocese de Salvador. Já tinham inclusive derrubado a Igreja da Sé (merecendo passeata dos fiéis e tudo) e não se podia fazer outra desfeita à religião. Aí Bahia, Botafogo e Vitória tiveram que cumprir a sua via crucis. O tricolor caiu por dois a zero, o alvi rubro por quatro a três, e, o rubro negro, que desplante, por sete a dois. Tudo com dantes no reino de Abrantes, foi como se fosse a primeira vez.
Quando os baianos entraram na guerra já estava quase terminando. Foi aí que o padroeiro dos motoristas se aproveitou do fato de que muitos conterrâneos estavam na Europa pegando em armas pra defender a democracia que depois não haveria aqui. O São Cristóvão chegou logo após o carnaval e começou tapeando a galera. Nas suas primeiras partidas, o time da colônia espanhola (então tricampeão baiano) e o rubro negro conseguiram brilhantes empates em um gol.  Mas, logo depois, os cariocas arrasaram o poderoso Bahia por quatro a dois.
                                             Só enforcando mesmo o São Cristóvão!

Foi assim, porque repetiu a dose quatro vezes como se fosse a primeira vez, é que o desgraçado do São Cristóvão virou pernona non grata na Bahia. Pra não chatear muito vocês nem vou contar o que aconteceu com o Bangu, o Flamengo e o Vasco da Gama nas sacanagens que fizeram com os baianos nas primeiras vezes que surgiram na Bahia.

·         Agradeço ao Almanaque do Futebol Brasileiro.  

domingo, 17 de julho de 2011

O caçador de vampiros


               
Pra quem quer ver gente híbrida, que não se sabe se é ser humano ou vampiro Blade é um prato feito. Vem tendo todos os ingredientes dos dramalhões, efeitos especiais e muita tecnologia desde que foi lançado em 1998. Desde então apareceram o Blade II (2002), o Blade: Trinity (2004), o Blade: A última geração (2006) e agora enche o saco na TV Blade: a série (2008).
Diferentemente dos heróis derrubados como o capitão América (que só tem um escudo) e Harry Potter (que só tem o diretor do filme para salvá-lo das encrencas em que se mete), Blade tem superpoderes, é imortal e ainda conta com seu mentor Abraham Wistler. A desculpa pra ter tudo isso é ter sido infectado na barriga da mãe que foi mordida por um vampiro.
                                                 Tinha era vampiro como Joseph Blatter!

Assim, Blade fez como Heloísa Helena e mudou-se de malas e bagagens para a oposição vampiresca. Mas diferente daquela é um rebelde sem causa só que só busca na vida vingar-se da morte de sua mãe. Como sempre na história existe um vilão, o tal do Deacon Frost que pretende organizar uma espécie de sindicato de vampiros pra acabar com a humanidade.   
Mas, quem pensa que Blade é original não está com nada. Aqui na Bahia existem vampiros há centenas de anos. Vocês não sabiam que os reis portugueses sugaram o sangue dos baianos e brasileiros por quase trezentos anos? Que, enquanto os baianos lutavam contra as tropas do general Madeira o português D. Pedro dava simplesmente um grito, dado ainda por cima num riacho de propriedade do Ypiranga pra enrolar os baianos? E que dizer de um monte de governadores da capitania, província e estado que enriqueceram ás custas do suor e sangue dos baianos?
                                                               Rolava era sangue!

Esse personagem criado pela Marvel Comics para uma história em quadrinhos foi clonado da Bahia. Seu pai foi o Bangu que fecundou duas mães, a Associação Athlética e o Baiano de Tênis, gerando o EC Bahia em 1930. Tudo começou quando o clube carioca excursionou por aqui nas férias de 1930.  Chegou aqui e foi logo esmagando a Associação (5 X 2) e o Fluminense (10 X 2), e foi á custo que foi parado pelo Botafogo por quatro a dois.
Mas o time da fábrica do Rio se vingaria na seleção baiana devolvendo o escore. O jeito foi pegar o forte Ypiranga pra tentar barrar a sua sede de sangue baiano e deu certo pois os baianos venceram de três a um. Mas aí alguém inventou uma revanche, só pra aumentar o passeio do vampiro, seis a quatro.
                                                     O pessoal só andava cheio de cruz!

Dizem que quando esteve aqui o vampiro transou com todas as baianas que encontrou pelo caminho. A decepção dos clubes de elite Associação e Baiano fez o resto terminando com seus departamentos de futebol e fazendo com que nascesse Blade após nove meses de gestação.  Há quem diga que o problema foi mesmo a revolução de trinta que assustou a elite que sequer disputou o campeonato daquele ano. Mas não sabem de nada pois nem viram a mordidinha na alcova que tomou a mãe de Blade.
Nosso Blade in Bahia venceu logo o primeiro campeonato que disputou levando na conversa todos os vampiros. Dois meses depois de fundado estreava vencendo o São Cristóvão por três a um. Depois foi mordendo um por um dos clubes tradicionais do estado. A coisa foi tão feia que o Vitória não quis participar do certame. Veio o Ypiranga e caiu vergonhosamente de seis a dois. O Botafogo ainda arranjou um empate em dois gols mas o Fluminense estrebuchou por dois a zero.
                                                     Isso era vampiro de antigamente!

No segundo turno continuou o passeio vampiresco, vencendo o Botafogo (2 X 1), o Fluminense (5 X 0), o São Cristóvão (5 X 1), salvando-se apenas o Ypiranga que conseguiu um heroico empate (2 X 2) mas só quando o campeonato já estava ganho. Foi assim que Blade, digo o EC Bahia, venceu o campeonato invicto e com cinco pontos na frente do segundo lugar.
A façanha de Blade que seria repetida por muitas vezes, cerca de 43 até hoje, foi cantada em prosa e verso e atraiu a atenção do vilão Deacon Frost. O miserável não ficou satisfeito com infectar sua mãe e ainda ameaçava o filho. A primeira vez que atacou foi em agosto do ano seguinte, disfarçado de um time que ninguém conhecia, o Guarda Velha (mas com um nome desses como é que ninguém desconfiou?).
                                            Pra que vampiro maior do que Jader Barbalho?

Blade caiu por seis a três, queimando todas as apostas no campo da Graça que davam de dez pra cima pro misto de vampiro com baiano. E olha que precisou apelar pro mentor que foi a todos os terreiros e igrejas de Salvador, e enfeitou o estádio de cruzes e estacas. Só assim é que pode vencer a revanche por quatro a dois!
Mas três meses depois o desgraçado vilão atacou de novo. Desta vez trouxe um monte de vampiros. O céu de Salvador ficou negro pra ver o rubro negro carioca visitar a Bahia em novembro. Foi um massacre onde caíram um a um os vampiros baianos. O leão apanhou de sete a dois, os diabos rubros de quatro a um e o mais querido de um a zero. 
                                    A Praça Castro Alves parecia carnaval de tanto vampiro!

O próprio Blade em pessoa (sic!) tentou barrar o sanguinário sem êxito caindo por três a dois. Veio a seleção baiana e apanhou de três a um. A salvação da lavoura foi unir todos os vampiros do Nordeste e chamar Deacon Frost para uma revanche contra o Ypiranga. Só assim que se conseguiu vencer por três a dois. Ufa! Como o povo sofria com os vampiros naqueles tempos.
Aí Deacon Frost sumiu e ficou cuidando de outras histórias em quadrinhos. De vez em quando tinha notícias da Bahia. Ficou sabendo, por exemplo, que Blade tinha vencido o Andaraí por três a zero quando este veio ao estado em janeiro de 1933, sendo humilhado pelos baianos quando todo mundo tirou uma lasquinha dos cariocas. Isso pegou muito mal em Bucareste, terra dos vampiros.
                        O negocio ficou tão ruim que Deus e o Diabo sentaram pra confabular!

Mas isso se resolveu sem que Deacon se deslocasse bastando enviar, seis meses depois, o vampiro disfarçado de São Cristóvão, para vingar o sindicato e atropelar os baianos. No entanto a dupla BA-VI deu uma de ousado, o decano venceu (2 X 1) e Blade conseguiu o empate em um gol. Ficou no entanto o dito pelo não dito.
Deacon terceirizou seus enfrentamentos com Blade também no último ano da guerra, em 1944. Percebendo que ia perder a batalha na Europa deu pra atazanar os baianos que viam o vampiro humano Blade sem alguns dentes e perdendo o certame três anos seguidos para a equipe da colônia espanhola.
Neste ano toda hora chegava um vampiro de fora e Blade não conseguiu ganhar sequer um amistoso, até dos vampiros baianos perdeu, 2 X 4 e 0 X 3 do Ypiranga e 3 X 5 do Vitória. Mas acabou se recuperando levando mais um campeonato.
                                      Era um saco aguentar esses vampiros na nossa porta!

O vilão voltaria na próxima guerra, a da Coréia, em 1953. Mas, se esta foi terceirizada pelos norte-americanos o chefe dos vampiros viria pessoalmente em março, e através de dois clubes. A nova Fonte Nova ficou coberto de sangue baiano, o que aliás já estava no vermelho das camisas de Flamengo e Internacional.
No dia 15 de março não teve Blade baiano que adiantasse. O Inter enfiaria sete no tricolor e o urubu oito no leão. E de quebra oi Vasco da Gama despacharia o Ypiranga com mais oito gols. Foi o pior dia do futebol baiano na história. A vingança do vampiro havia sido demais. E nem Blade conseguiria impedir que os dois clubes visitantes disputasse o torneio que acabou se decidindo em favor dos vampiros gaúchos pelo saldo de gols.
                                               Ói eles aí na Avenida Joana Angélica!

O jeito foi fazer uma reunião com todas as religiões da Bahia, quando veio gente “pra dar de pau”. Se fosse hoje seria impossível reunir tantas, mas naquele tempo bastavam os católicos, terreiros e evangélicos. Aí ficou acertado que ia se espalhar orixás, cruzes e estacas em todas as fronteiras da Bahia, na verdade só pra não deixar entrar os vampiros de fora e continuarem a existir os vampiros baianos.
E não é que deu certo? Blade continuou a ganhar campeonatos, ano sim, ano não, e chegou a final da I Taça Brasil contra o peixe trazendo o título para o estado por coincidência em abril de 1960 quando todos os vampiros, e o próprio Blade, se mudaram pra recém criada Brasília.

·        Agradeço aos sites RSSSF Brasil e Wikipédia, ao Almanaque do Futebol Brasileiro, e aos blogs 100grana.wordpress.com e melhorpapeldeparede.com.  

segunda-feira, 27 de junho de 2011

O Rio de Janeiro


O Rio de Janeiro continua lindo. E agora com o sucesso do filme Rio está com a “corda toda”. Olha que já haviam feito muitos filmes onde aparecia a cidade, de 007 a Walt Disney´, e tudo quanto é série norte-americana. A diferença é que agora Carlos Saldanha, o mesmo que ganhou dinheiro com a Era do gelo (lembram-se?), transformou a cidade maravilhosa em protagonista.
Em apenas três semanas o filme bateu todos os concorrentes arrecadando 448 milhões. A receita é simples: pega-se uma cidade inserida no roteiro mundial, faz-se com que a ação se desenrole em torno de seus pontos turísticos, e usam-se todos os clichês possíveis. No caso do Brasil, geralmente confundido com a selva amazônica, não faltam as araras, tucanos e todo tipo de pássaros. Mas, pelo menos é melhor do que a baixaria de O turista e tem gente que acha que isso divulga a cidade.
Mas o que não se fala no filme é em Salvador. Mas como é que se pode falar do Brasil sem falar da Bahia? Quando é que vai ter fim essa disputa entre as duas cidades? Se isto é alguma honraria os portugueses invadiram o Brasil pela Bahia e não pelo Rio de Janeiro. Durante três séculos tivemos o maior porto e só quando a corte portuguesa se mudou pra lá é que os cariocas levaram vantagem. Mas Dom João veio primeiro pra Bahia e foi aqui que abriu os portos as nações amigas, leia-se a Inglaterra.
                              Gisele já veio também na Bahia!


Foi uma época boa pros baianos que, inclusive, tinham mais deputados que qualquer estado. Mas, como todo mundo sabe que esses parlamentares só defendem os próprios interesses, isso não adiantou nada, pois a Bahia e o Nordeste foram ficando pra traz e o Brasil mudou para o Sudeste. Quando a tal da república chegou já era coisa da paulistéia, de carioca e mineiro, só conseguindo neste clube do bolinha os gaúchos, mesmo assim através de revoluções.
Foi só assim que o Rio destronou a Bahia. Mas disputa com o estado até hoje os turistas. Todo hora saem matérias pagas nos grandes veículos de comunicação exculhambando as coisas da Bahia. Do nosso futebol eles só falam pra botar defeito. Quando o Vitória deu de cinco a zero no Flamengo por uma dessas copas brasís da vida, a manchete foi
-Flamengo goleado na Bahia

                 Petkovic e Dom João vieram, primeiro pra Bahia!

Quem lê a matéria não sabe nem pra quem o clube da Gávea perdeu. Põe-se a culpa no juiz, na má vontade dos jogadores, nos erros do técnico, o “escambau”, o que nunca se diz é que os times baianos mereceram ganham pois foram superiores aos times cariocas. Mas isso acontece porque foram mal acostumados.
Houve um tempo em que os clubes cariocas só vinham passear na Bahia. Logo na primeira partida em que enfrentaram os baianos, antes do carnaval de 1919, o primeiro depois da Primeira Grande Guerra, o Botafogo massacrou um escrete baiano por sete a um no campo do Rio Vermelho.
                                                           Aqui também já teve pirata!


Depois foi a vez de o América aportar por aqui em setembro de 1921. Ganhou de um combinado Baiano de Tênis-Botafogo (4 X 2), da Associação Atlética (4 X 3), do Ypiranga (3 X 0), e do Vitória (2 X 1). Só a seleção baiana conseguiu, á muito custo, empatar em um gol. Dois meses depois, chegou o Vila Isabel, que era o time da escola de samba carioca. Mas não é que venceu o Botafogo (3 X 1) e o Baiano (2 X 1)? Tiveram que organizar um combinado com o nome do herói Henrique Dias pra vencer os diabos rubros cariocas por quatro a um, embora o ameriquinha, cinco dias depois, derrotasse a seleção baiana pelo escore mínimo.
O Fluminense inauguraria o estádio da Graça num primeiro de abril de 1923, mas não foi dia da mentira. É tanto que venceu a poderosa Associação Athlética por três a um. Acho que os baianos ficaram mais orgulhosos por ter, enfim, um estádio apresentável, e, apesar de Baiano e Botafogo serem derrotados por dois a zero, o Vitória conseguiu um belo empate (1 X 1) e Botafogo (2 X 1 e Combinado Baiano (5 X 4) também venceram o pó de arroz). Foi assim que o zagueiro alvi rubro Mica foi convocado para a seleção brasileira.
                                           Na Bahia teve Canudos que o Rio não tem!


Quatro anos depois, oi os cariocas de novo! Desta vez foi o São Cristóvão que passou os baianos “a limpo”. Começou vencendo o Ypiranga (2 X 1), e depois traçou o Vitória (4 X 1), Botafogo (3 X 1) e um combinado de Salvador (3 X 0). Só quem lhe fez frente foi o Baiano de Tênis ao empatar em três gols.
Os anos trinta foram abertos na Bahia pelo Bangu que “passou o rolo” nos clubes baianos. Estreou contra a Associação Athlética ganhando por cinco a dois. Logo a seguir aplicou o esdrúxulo placar de dez a um no Fluminense FC. A coisa estava tão fácil que perdeu de convencido para o Botafogo (2 X 4) e o Ypiranga (1 X 3), embora vencesse a revanche contra esse último por seis a quatro
                                                     Quem é que quer Ronaldinho!


A primeira vez que o Vasco da Gama jogou na Bahia foi em junho de 1931, perdendo de seis a cinco da Seleção baiana. Com o Flamengo ocorreu em novembro do ano seguinte, ganhando sucessivamente do Vitória (7 X 2), Botafogo (4 X 1), Ypiranga (1 X 0), Bahia (3 X 2) e Seleção baiana (3 X 1), embora tropeçasse na revanche contra o mais querido por três a dois.
Ao longo da década voltaria o São Cristóvão (agosto de 1933 e maio de 1935) e viria o Andaraí (novembro de 1933). O Botafogo só reapareceria em outubro de 1935 e o Vasco em abril de 1936. Em meados de 1937 chegaria o Madureira que ficaria mais de um mês na Bahia.   O Flamengo voltaria em março de 1938 e o América depois do carnaval de 1939.
                                   Na Assembléia Legislativa daqui também tem fantasmas!


O Bonsucesso foi o primeiro a chegar nos anos quarenta antes do carnaval de 1941. Empatou na estreia contra o Galícia (2 X 2) e ganhou do Ypiranga (4 X 2), mas perdeu para o Bahia (2 X 1). O Vasco voltou no mês seguinte, e o Botafogo, em janeiro de 1942. Durante a guerra ainda voltou o São Cristóvão, após o carnaval de 1944, e o Fluminense, no mesmo período do ano seguinte. O pó de arroz voltaria em 1946, 1947 e 1949, sempre acompanhado do Flamengo. O Vasco da Gama viria em 1946, América, Vasco e Bangu em 1948, e o Olaria em 1949.
Em 1950 chegariam na Bahia o Madureira e o Flamengo e, o Fluminense seria o primeiro clube carioca a jogar no novo estádio da Fonte Nova atuando no dia consagrado á independência do Brasil na Bahia, o dois de julho, ganhando o tricolor baiano por dois a zero. Os cariocas só voltariam ao estádio dois anos depois, em março de 1953, quando o Flamengo venceu a dupla BA-VI, respectivamente, por dois a um e oito a dois.  Mas, a partir de então, os confrontos passariam a ser mais equilibrados. O Botafogo compareceria á terrinha em dezembro, mas pra ser goleado pela Seleção baiana por quatro a um.
                                   Os cariocas não sabem o que é sofrer com Kleber Pereira!


Em 1954 viriam Vasco, Botafogo, São Cristóvão e Olaria, e em 1955, Flamengo e Olaria. 1956 foi a vez de Fluminense, Bangu e Botafogo atuarem em Salvador, ficando para o ano posterior o Flamengo, Bangu e Vasco da Gama. E os dois últimos anos da década viram Fluminense (três vezes), Botafogo, Bangu e Flamengo (duas vezes).
A década de 60 inaugurou os grandes certames nacionais, começando pela Taça Brasil e pelo torneio “Robertão”, uma ampliação do antigo Rio-São Paulo. A Bahia viu o Flamengo e Vasco (seis vezes), Bangu (quatro vezes), Fluminense (duas vezes), Botafogo, Olaria, América, São Cristóvão, Bonsucesso, Portuguesa e Canto do Rio.
Qual é, o Rio não tem nem acarajé!


Os anos setenta puseram fim, quase que definitivamente, os amistosos entre baianos e cariocas. Doravante se enfrentariam pelos novos certames criados, o Campeonato Brasileiro, a Copa do Brasil, por torneios locais ou de consolação para os eliminados do primeiro certame. Se retirarmos o ano da inauguração da Fonte Nova são poucas as exceções:

30.1.1972 – Vitória 1 X 0 Fluminense             3.9.1972 – Bahia 0 X 0 Olaria
21.2.1973 – Bahia 1 X 1 Flamengo                  6.6.1973 – Vitória 0 X 0 Flamengo
14.7.1973 – Vitória 0 X 3 Vasco da Gama      17.6.1974 –Bahia 2 X 0 Flamengo
19.2.1975 – Vitória 0 X 2 Fluminense            18.6.1975 – Bahia 2 X 1 Flamengo
29.6.1975 –Vitória 2 X 2 Fluminense             17.6.1976 – Bahia 1 X 1 Flamengo
28.11.1976 – Ypiranga 1 X 1 Volta Redonda 5.12.1976 – Vitória 3 X 1 Volta Redonda
29.1.1977 – Vitória 1 X 1 América                   27.2. 1977 – Bahia 1 X 3 Olaria
                               O Elevador Lacerda é muito mais antigo que o Cristo redentor!
   

4.5.1977 – Vitória 1 X 1 Flamengo                   5.7.1977 – Bahia 0 X 0 Flamengo
26.9.1978 – Bahia 2 X 1 Flamengo                   31.1.1979 –Bahia 1 X 1 Flamengo
9.5.1979 –Vitória 1 X 1 Flamengo                     16.12-1979 – Leônico 0 X 1 Fluminense
1.10.1981 – Bahia 3 X 2 Botafogo                     28.3.1982 – Fluminense de Feira 0 X 1 Botafogo
30.3.1982 – Vitória 1 X 1 Botafogo                30.1.1986 – Bahia 1 X 0 Fluminense
8.6.1986 – Bahia 1 X 0 Flamengo                       10.6.1986 – Bahia 2 X 1 Vasco
15.8.1987 – Vitória 2 X 1 Fluminense                28.6.1997 – Vitória 0 X 5 Flamengo (Barradão)
31.5 1998 – Bahia 0 X 2 Flamengo                      

·    Agradeço o Almanaque do Futebol Brasileiro, a Sandro Miranda, ao site gostodeler, e aos blogs poder-jovem.blogspot.com, rpsomlivr.com.br e viagemaquiabril.com.br.

domingo, 29 de maio de 2011

Os serial killers


Os assassinos em série são um típico produto da sociedade capitalista moderna quando se estabelece uma sociedade hiper individualista, onde tudo que antes era humano se transforma em mercadoria e a vida cede o lugar ao lucro. Trata-se de um psicopata, que comete crimes com certa frequência, e tem um modo de agir que lhe assegura identidade. Apesar de muitos deles parecerem plenamente integrados na sociedade desfrutando por vezes de respeitabilidade tem temperamento anti social.
Os serial killers não perdem tempo com classificações de sadomasoquismo, perversão, antropofagia, e outros preconceitos, em tempos de mídia integrada onde tudo vale por uma boa notícia, continuam deixando vítimas na nossa sociedade “civilizada” onde cabe perseguir e até eliminar adversários, porém tudo conforme a lei e as convenções. Só há uma diferença, enquanto a maioria dos assassinos em série são pegos em Hollywood os assassinos do dinheiro público continuam por aí até hoje.
Desde o mais famoso, Jack o estripador, espalharam-se as ocorrências em todo o mundo, merecendo destaque a Meca dos serial killers, os Estados Unidos. O Brasil, onde as classes dominantes imitam em tudo o American way off life, já vem fazendo muitos progressos nesta área onde promete virar também país de primeiro mundo. Basta lembrarmos-nos de casos como do bandido da luz vermelha, do maníaco da lanterna e de Wellington, o criminoso de Realengo.
                                                                  Um dos assassinos!

Desculpem-me, mas não posso deixar de destacar a nossa Bahia. Afinal, não foi aqui que Dom João de Portugal mandou esquartejar e espalhar pela cidade os pedaços de participantes da Conjuração baiana? E o que dizer dos crimes do famoso Delegado Quadros nos anos setenta e do aniquilamento da família Souto Maia no bairro da Graça? Há aqui até uma associação de serial killers que vai me processar se eu esquecer que Matheus, que metralhou os espectadores de um cinema de São Paulo, também era baiano.
Mas uma das maiores injustiças que se pode fazer é esquecer a contribuição da Bahia nesta matéria desde a introdução do futebol. Foi aqui que foram perpetrados os maiores assassinatos esportivos que se tem notícia. E os casos não tiveram solução até hoje, o que quer dizer que ficaram por isso mesmo.
Vamos dar apenas alguns exemplos. No início do ano de 1927, muito antes de Marcelino Souto Maia, começaram a ocorrer estranhos assassinatos no bairro da Graça com um intervalo de três a quatro dias entre um e outro. O primeiro ocorreu no dia 30 de janeiro sendo a vítima a equipe do Ypiranga degolada por dois a um. Três dias depois, não tiveram nem pena do decano dos esportes, o Vitória, que foi trucidado por quatro a um. Seguiram-se depois o retalhamento do Botafogo (1 X 3) e, por fim, o corte em fatias de um selecionado de Salvador (0 X 3).
                                                          Nossa, esse é o de Psicose!

Na época uma investigação apontou várias pistas. O criminoso se vestia de branco, era carioca, levava suas vítimas para o gramado do estádio da Graça, e ainda gostava de ser chamado de “São” Cristóvão. Mas como já existia um time com esse nome na Bahia que não ganhava de ninguém ficou o dito por não dito nada sendo apurado
Mas dois anos depois voltaram a ocorrer crimes em Salvador, e no mesmo bairro. Foi em maio de 1929 e tiveram o abandono de suas vitimas no campo de futebol. Desta vez as vítimas foram ilustres, os próprios clubes da elite baiana Baiano de Tênis e Associação Atlética, e o assassino preferiu a arma branca esfaqueando o primeiro quatro vezes e oito ao segundo. Depois vieram o Ypiranga e o combinado Fluminense-Guarany, que tomaram cinco facadas.
Assassinos!

Foi um horror, afinal bastava uma facada pra matar. Na Graça as pessoas ficaram até com medo de sair de casa. Houve até quem debitasse os crimes á Liga Bahiana de Desportos Terrestres por ter permitido que clubes populares como o Botafogo e Ypiranga participassem do campeonato. Quanto á Polícia só conseguiu saber que o assassino tinha sotaque do interior paulista e atendia pelo apelido de “peixe”.
                                             Sacanagem, esquartejaram até a estátua de Pelé!

Os serial killers pararam de matar. Quatro anos depois a matança voltou, agora na Vitória. Era o mês de agosto das tragédias e os assassinatos comeram solto. Desta vez cortou pescoços, da comunidade espanhola (atingindo o Galícia por oito a um), dos diabos rubros (5 X 0) e do mais querido (3 X 2). Não poupou sequer a data magna dos baianos, guilhotinando o Dois de Julho (2 X 3).
Só depois de muita investigação que se lembraram de que a Vitória fica perto da Graça onde tinham ocorrido os crimes anteriores. Mas desta vez chegaram bem perto do assassino descobrindo seu modus operandi pois duas quase vítimas conseguiram escapar pra contar a história. O Vitória (que ganhou de dois a um) e o Bahia (que empatou em um gol) disseram que o assassino era o mesmo de 1927, pois falava o idioma carioca, e agia em grupo, de preferencia com onze asseclas, e que tinha ainda massagista e dirigente.  Chegaram perto mas não deu pra pegar.
E acreditem que, dois anos depois, em maio de 1937, o maníaco carioca atacou mais uma vez aterrorizando desta vez a Barra Avenida. No dia 16 matou o Ypiranga na Oito de dezembro por seis a um, três dias depois foi a vez de o Galícia ser estripado em plena Euclides da Cunha por cinco a um. E, em seguida, assassinou covardemente a machadadas Bahia (2 X 0), Botafogo (4 X 3) e Vitória (7 X 2) na própria Rua da Graça.
                                                    Tava russo o negócio por aqui!

Era demais. “Estava na cara” que era o mesmo criminoso de 1927 e 1933 mas a Polícia não podia com ele. Chegou até a mandar investigadores para Nova York pra ver se aprendiam com os americanos.  Enquanto isso um verdadeiro terror tomou conta da elite que naquele tempo habitava naquele bairro.
Mas em abril de 1939 os assassinos atacaram de novo. Em poucos dias esfaquearam Bahia e Ypiranga três vezes. Os crimes aconteciam desta vez no Porto da Barra e deixavam as pessoas de cabelo em pé. Mas desta vez haviam escapado  Galícia(1 X 2 e 3 X 3) e Botafogo(3 X 3) e a Polícia confirmou o sotaque do interior paulista e as facadas e até descobriu o sobrenome do criminoso “Santos”.
Como a Polícia suspeitou que a coisa tivesse a ver com a localização da Barra, que ficava nas proximidades do estádio, chegaram a pensar em transferir este de lugar. Foi aí que alguém teve a ideia de construir um novo estádio. Já que não podiam com os serial killers que pelo menos eles fossem matar o povo de outros lugares tipo Nazaré, Brotas, Federação e Barris, onde mora gente de classes sociais mais baixas e seria localizada na próxima década a Fonte Nova.
                                         Esse negócio de tiro é pra serial killer americano!

Antes do fim da guerra, logo depois do carnaval de 1944 o assassino carioca voltou a cometer crimes, desta vez no Canela, outro bairro próximo do estádio da Graça. Mas desta vez só matou o Bahia por quatro a dois. Tentou, infrutiferamente degolar a Vitória e Galícia mas estes já estavam preparados usando um colete de ferro deste modo empataram em um gol com o tal criminoso que se fazia de santo. Sumiu tão misteriosamente como apareceu não dando nem tempo a Polícia para as habituais tapeações da população.
Os grandes criminosos levaram anos sumidos da Bahia quando voltaram as eleições. Ficamos entregues aos pequenos criminosos do dia a dia. Uma carteira batida aqui, uma bebedeira ali, uma corrupção acolá e assim ia se levando. Até que chegou o governo de Regis Pacheco quando aconteceria um dia de assassinatos em massa. Os baianos nunca vão esquecer esse dia quinze de março de 1953.
Foi uma verdadeira tragédia, o Ypiranga foi enterrado vivo pelo Vasco da Gama(oito a um), o Bahia tomaria sete tiros do Internacional(RS) e o Vitória seria afogado oito vezes pelo Flamengo na própria Baía de Todos os Santos. A coisa foi tão surpreendente fugindo do modus operandis dos santos criminosos de antigamente que a Polícia nada descobriu.
                     Basta ver Amor e revolução pra saber como os serial killers fizeram mescola!

O serial killer carioca ficou tão estimulado com o arrastão criminoso que resolveu voltar. E o diabo é que havia escolhido a Bahia pra matar. Chegou em outubro de 1954 e foi logo matando um espanhol, o Galícia por dois a um. Aí quis imitar o ano anterior e se machucou. Até então ninguém havia notado a sua presença o que só se deu quando ele começou a recrutar os pequenos assaltantes da praça pro maior evento criminoso da história. Escolheu o dia de finados pra isso onde haveria crimes de Brotas e Itapoá e da Fazenda Grande à Itapagipe.
Mas os ladrõezinhos baianos não estavam com nada. Não estavam acostumados a manejar uma guilhotina e sequer sabiam tirar um coração ou um fígado como um cirurgião. Foi um fracasso total não morrendo ninguém e o nosso assassino carioca ainda perdeu pro Bahia por dois a um. E, finalmente foi apanhado, 27 anos depois, no dia seis de novembro ao ser massacrado pelos tricolores e pelas famílias dos que ele matou por cinco a zero em pleno estádio da Fonte Nova.
A população baiana estava vingada fazendo justiça com as próprias mãos. O assassino carioca foi preso e identificado, chamava-se São Cristóvão da Silva e foi levado imediatamente pra Delegacia que ficava na Feira do Curtume na Cidade Baixa. Mas pegou só 14 anos. Estávamos numa época de justiça e o criminoso conhecido como “peixe” cairia dois anos depois. Foi no dia 25 de março de 1956, quando este chegou de São Paulo pra cometer um crime em Brotas e o Bahia que o pegou(3 X 1) e levou pra Polícia.
                                                        Jason junto deles era fichinha!

Parecia acabada a boa vida dos serial killers na Bahia mas haviam se esquecido da nossa impoluta “Justiça”. É que os dois pegaram trinta anos mas, como tinham “atenuantes”, podiam sair pra estudar e trabalhar. De modo que o peixeiro saiu por 48 horas no mês de agosto do ano seguinte e vingou-se esfaqueando por duas vezes o Bahia que quase morre. O absurdo mostrou que “peixe” estava longe de ter se recuperado e foi engaiolado mais uma vez passando a ter bom comportamento. E foi esse serial killer já trabalhado pelas assistentes sociais e psicólogos de plantão que perderia as finais da I Taça Brasil para o tricolor.
Em 1968 ao acabar a pena Cristóvão da Silva voltou para as ruas. Foi trabalhar como feirante em São Joaquim. Não se atreveu nem a passar na porta da Fonte Nova quando jogavam os grandes clubes da Bahia. Mas, um dia seu homônimo baiano foi guilhotinado por quatro a zero, e despertou suspeitas das autoridades. Ele foi detido para averiguações mas negou peremptoriamente que tivesse alguma coisa a ver com a derrota do simpático time alvi negro. Por vias das dúvidas foi preso novamente.
                                    E quem mandou retalhar Tiradentes não era serial killer?

O “seu” Santos, criminoso inveterado, sairia da prisão por bom comportamento nos anos setenta onde atazanaria a dupla BA-VI. A situação chegou ao ponto de assassinar vários clubes brasileiros que vieram á Bahia jogar o Torneio Cidade de Salvador em 1975 ficando com o título. Distribuiu tantas facadas que foi trancafiado novamente. Mas como tinha bons advogados saiu novamente. Quanto ao serial killer carioca que era feirante está preso até hoje.

·          Agradeço ao Almanaque do Futebol Brasileiro, ao site Wikipédia e aos blogs alltopmovies.com,spun.com e indiatalkies.com.

quarta-feira, 25 de maio de 2011

Os piratas da Bahia


Todo dia tenho que falar neste blog contra a danada da discriminação contra a Bahia. A última foi a dos piratas do Caribe. Eu pergunto: porque apenas no Caribe? Quem disse que esta região tem privilégio na pirataria? Será que não sabe que o Brasil e a Bahia foram infestados de piratas?
E a pirataria de hoje onde se falsifica de tudo e vende sem autorização de seus proprietários que campeia no mercado exterior? Pra que maior pirata que a China que falsifica oficialmente qualquer produto? E os EUA que arranja guerras pra ficar com o petróleo dos países? Chegaram até a fazer a conta de que a pirataria reconhecida faz evadir bilhões de dólares por ano de impostos e impede a criação de milhares de empregos
Pirata é uma das "profissões" mais antigas do mundo. Muito antes da Grécia antiga já existiam. Tanto os por conta própria como aqueles governamentais. Na época os gregos roubavam dos mercadores fenícios e assírios. Os romanos pilhavam os turcos. O costume entrou pela chamada “Idade Média” quando os normandos pilhavam os bretões e todo mundo tirava um pedaço do Império Romano.

                                                      Quer mais pirata do que este?

Até os muçulmanos, com Allah e tudo, pilhavam as costas da África até a chegada dos portugueses que foram os que mais pilharam, inclusive sequestrando as populações locais pra trazer para as Antilhas, a Ilha da Madeira e o Brasil. Ou seja, o Caribe entrou nesta história na mesma época que o Brasil, embora isso não seja reconhecido por esses filmes chinfrins!
Só hoje é que se precisa fazer cursos pra pirata e que esse precisa de ter a profissão regularizada pelo Congresso Nacional. Antigamente não tinha essas coisas, qualquer um podia ser. A maioria eram ex-marinheiros e homens do mar que queriam obter riquezas. Outros eram fugitivos da justiça ou ex-escravos. Seus navios eram pequenos e rápidos e muitos alçavam a bandeira negra da pirataria.
Tinham uma ética própria, não matando só por matar como se faz hoje, deixando pra atacar um navio ou uma cidade que “valesse a pena”, entenda-se, de onde saísse dinheiro ou ouro.  O capitão e o sub capitão levavam uma parte maior do botim, mas todo homem tinha direito á sua parte do roubo... digo das riquezas apreendidas pelo fisco pirata.
                                              Dizem que enterraram tesouros em Brotas!

Se alguém largava a “profissão” era abandonado numa ilha deserta com garrafas de água e de pólvora, arma e munições. No entanto, se roubasse, lhe davam apenas uma bala. Quem desrespeitasse o código deveria ser punido com quarenta chibatadas nas costas. É claro que havia o que adotavam castigos mais cruéis como cortar as orelhas e o nariz. Imaginem se fizesse isso com os piratas brasileiros!
No auge da piratagem os piratas controlavam cidades, traficavam mercadorias, consertavam navios e recrutavam novos piratas. Tive um até que virou nobre na Inglaterra, Francis Drake. Os compêndios de história da pirataria dizem que, á medida em que não foram mais de interesse dos poderosos, os piratas passaram a ser caçados e se reduziram a atuar em regiões como na China, no Caribe e Sudeste Asiático. Foi a necessidade dos piratas de fugir ás pressas e enterrar suas riquezas que originou o mito do caça a tesouros.
Os portugueses entraram neste negócio desde o Século XIV quando a pirataria era coisa de Estado chegando a ponto de pagar um quinto de seus lucros ao rei. Na época valia tudo pra enfraquecer o domínio muçulmano de Granada. E o que fez Vasco da Gama (o navegador não o time) nas África a não ser pirataria?
                                               Veja como parecem piratas esses juízes!

Mais tarde a França e a Inglaterra estimularam a pirataria contra os domínios espanhóis e portugueses na América e os holandeses vieram piratear Bahia e Pernambuco. Se você vê a lista de piratas notáveis vai encontrar conhecidos. Thomas Cavendish por exemplo foi o capitão dos piratas que assaltaram São Vicente, atual São Paulo. Verifiquem que tem até um bucaneiro chamado de Roc Brasileiro!
Mas os estudiosos nada sabem na pirataria brasileira pois quando surgiu o futebol a pirataria "comeu solto" no Brasil e na Bahia. Ao ser introduzido o profissionalismo no “esporte bretão” por aqui uma das primeiras coisas que os piratas inventaram foi a venda do passe dos jogadores. Aí foi tal de trafico que ninguém aguenta.
Foi nos anos trinta que a pirataria voltou á Bahia. Estava meio em baixa pois a União havia resolvido controlar os falsários baianos pra acionar a guitarra do Ministério da Fazenda. Só para ter uma ideia quando D. João aqui se imprimia 40% da moeda falsa. Nessa época os piratas haviam se aposentado como agiotas e intrujões e viviam sem grandes luxos. Mas aí resolveram explorar novos negócios com o profissionalismo no futebol, passando a apostar nos resultados dos jogos. Desde esta época passaram a acontecer coisas muito estranhas em nosso futebol.
                                                Os piratas fazendo negócio em Itapoan!

Tudo começou antes do carnaval de 1932. Nesta época iria acontecer um jogo entre o recém criado EC Bahia e um combinado baiano. Ora, parecia canja a vitória do selecionado mas os piratas baianos resolveram pagar a três por um por cada gol que a seleção tomasse. Foi uma das maiores barbadas da paróquia com os torcedores pensando que iriam ganhar uma grana nas costas dos piratas. E entraram pelo cano pois o tricolor ganhou estranhamente por nove a um passando da conta dos piratas.
A atividade, porém, não era permitida por lei, embora muitos a fizessem como é costume na Bahia, “por baixo do pano”. Só no ano seguinte atacariam outra vez, quando o São Cristóvão visitou a Bahia. Deixaram pra fazer isso no jogo contra o Galícia, conhecido como demolidor de campeões. O time carioca vinha de dois jogos discretos onde perdera pro Vitória na estreia (1 x 2) e ganhara a duras penas pro Dois de julho (3 X 2). Aí deram sete gols de vantagem pra quem apostasse e choveu gente na Graça. Os espanhóis foram os que mais investiram. No final, mais dinheiro pro bolso dos piratas, oito a um para o São Cristóvão que engrenaria de vez a excursão.
Depois disso houve uma reunião no palácio do governo. O próprio Juracy Magalhães interveio. Afinal tinham feito uma revolução pra acabar com o coronelismo e a corrupção, como é que podia acontecer uma coisa destas, piratas roubando... digo ganhando mais do que os governantes? Aí os piratas se esconderam por alguns anos. Passaram a falsificar as novas caminhonetes e bondes e entrar no ramo das comunicações.

                                             Perto dos piratas baianos esse era fichinha!

Mas assim que passou o regime de Getúlio voltaram novamente na época de Dutra. Foi em 1947 quando o Paissandu visitou a Bahia e já estavam construindo a Fonte Nova. Os paraenses estrearam enfrentando o forte Guarany, que havia sido campeão do ano anterior, e venceram por três a dois. Aí os piratas baianos espalharam pra todo mundo que eram tricolores desde criancinhas e estavam dando de novo sete gols de diferença no jogo da semana seguinte.
Mais uma vez vieram a Graça se encheu de apostadores. Dizem que ninguém viu o jogo ficando apenas no escritório dos piratas. Imaginem que a própria imprensa transmitiu as apostas que chegaram a pagar cinco por um. Mas quem é que sabe o que fazem os piratas? O resultado foi que mandaram o verdadeiro Paissandu para o Pará e arranjaram um falso que perdeu pro Bahia de sete a zero.
O episódio só não saiu no Jornal nacional porque este não existia. Octávio Mangabeira não admitiria mais a presença de piratas na Graça passando a ser inspecionados os torcedores. Quem chegava com lenço na cabeça e tapa olho não entrava de jeito nenhum. Aí os piratas tiveram que “dar um tempo” e só voltariam quando foi criada a Fonte Nova.
                                                Que é isso, é uma convenção de piratas?

Deixaram passar o governo de Mangabeira e, em março de 1953, durante o de Regis Pacheco, atacaram de novo, e justo no torneio que iria homenagear o governador. Esse dia nunca será esquecido na Bahia, onde jogaram Vasco X Ypiranga, Flamengo X Vitória e Bahia X Internacional (RS). Aí os piratas espalharam que dariam seis gols de “lambuja” nos três jogos pra quem quisesse apostar.
Ora, desta vez todo mundo achou que iria ganhar dinheiro. Pagou dez por um. Até Dona Mariquinha pegou suas economias e foi ao estádio. É que, vá lá, uma tragédia poderia acontecer em algum jogo, mas nos três nunca! A fila de apostas chegou a subir a Ladeira da Fonte das Pedras. Aí os piratas agiram. Colocaram uma baiana de acarajé nos vestiários dos clubes baianos que tiveram de se apresentar com os aspirantes. Resultado, oito a um para o Vasco, sete a um para o Inter e oito a dois para o Flamengo. Os piratas ganharam “os tubos” mas o dia 15 de março de 1953 foi de desgraceira geral do futebol baiano.
Regis Pacheco nunca se esqueceu desta ofensa que exculhambou seu governo. Vetou de todas as formas o ingresso de piratas na Fonte Nova. Desse dia em diante a pirataria passaria a ser oficial. Extorquiu a recém criada PETROBRAS para que se encarregasse de fazer as estradas do Recôncavo. Começou a fazer da Pituba um inferno de condomínios e passou a bola pra Antônio Balbino continuar o trabalho. Este chegou até a copiar o Plano de Metas de JK pra esvaziar as atividades dos piratas.


Os pobres piratas “se viraram” pra sobreviver. Inventaram o jogo do bicho, aderiram a frota de ônibus que foi criada, pegaram dinheiro na SUDENE pra fazer indústrias no CIA largando as fábricas logo que acabaram as isenções, e, mais tarde, entraram no ramo da especulação imobiliária. Foi nesta última que se esqueceram do futebol pois deram seu lance mais genial, a de se apossarem dos terrenos da Avenida Paralela antes que fosse tão valorizada.
Não havia pirata que aguentasse tanta facilidade. Mas, mesmo estando meio sumidos, apareciam de vez em quando na Fonte Nova. Conta-se que falsificaram a defesa do Vitória em 1966 quando este decidiu o título com o Leônico, que apostaram que a Copa do Mundo viria para a Bahia (foi uma mini copa em 1972 mas valeu!) e que trocaram a bola do jogo final de 1979 quando o goleiro Gelson tomou um frango antológico contra o Bahia.
                                      Naquele tempo ainda apareciam no Dique do Tororó!

Mas a concorrência estava muito grande.  Desde a finada CBD se falsificava idade para traficar jogadores com o exterior e se vendia gato por lebre nas excursões ao exterior. A confederação que viria a lhe substituir, a CBF, se revelou um reduto de piratas, João Havelange, Heleno Nunes e Ricardo teixeira. Este último está lá até hoje. Esteve por trás da maracutaia das negociações sem separado da Globo com os clubes do campéonato brasileiro e acaba de ser denunciado na Inglaterra por receber propina pra aceitar que o país fosse sede da Copa do Mundo.

·         Agradeço ao Almanaque do Futebol Brasileiro,ao site Wikipédia e aos blogs prof-tathy.blogspot.com,guiadicas.net,universodoslivros.com.br e cafehistoria.ning.com. .