domingo, 6 de março de 2011

Os visitantes vapt vupt


A Fonte Nova já teve de tudo. E foi nos anos cinquenta em que mais se experimentou. Tentou-se fazer jogos pela manhã mas só deram certo quando envolviam equipes do Sul. Para baratear os custos também começaram os jogos bem mais cedo. É que as lâmpadas não iluminavam nada e as 17:30 pouco se enxergava.Assim, começaram os jogos ás 14:00, ás 13:00 e até ás 12:00, como nocaso dos Torneios Inicios.

Hoje falaremos das "excursões 24 horas", outra novidade baiana da Fonte Nova. A ideia era reduzir os custos de hospedagem com as delegações que chegavam as vezes a mais de vinte pessoas. Isso começou a ser tentado.em julho de 1956 quando apareceu por aqui o Bangu pra jopgar com Botafogo e Vitória.Chegou no dia 13 e na mesma noite enfrentou os diabos rubros ganhando, mesmo cansado de viagem, por quatro a dois.

Depois foram pro restaurante e só de madrugada chegaram ao hotel pra dormir. No outro dia acordaram quase na hora do almoço e, logo após a sesta, só deu tempo pra um lanche antes de ir de novo pra Fonte Nova. Não podia dar outra coisa depois deste lufa-lufa. Assim foram derrotados pelo rubro negro por dois a um. No outro dia cedo já estavam viajando nas asas da Panair(lembram-se?).

                           E eram todos do Rio de Janeiro!

Dois meses depois era a vez do Botafogo(RJ) pra fazer uma excursão pior ainda. Foi vapt vupt. Chegaram antes do almoço e, sem nem ter tempo pra fazer o reconhecimento do estádio, jogaram de noite na Fonte Nova empatando com o Galícia sem gols. Depois foi o mesmo sufoco que passou o Bangu e chegaram no estádio bem na hora da partida contra o Bahia, aí...outro empate, agora em um gol.

No outro dia pelo menos tiveram tempo pra descansar. Mas iria ser por apenas 24 horas pois logo depois do almoço embarcariam pra Feira de Santana onde jogariam contra o Fluminense local. Imaginem como eram as estradas naquele tempo. Quando chovia levava-se horas pra chegar a Candeias, imagine a Feira!
O certo é que o alvinegro de General Severiano conseguiu chegar e jogar, empatando mais uma vez por um gol. No retôrno após a churrascaria de madrugada mal deu pra dormir pois de manhã embarcariam de avião pro Rio de Janeiro.

No ano seguinte continuariam insistindo nestas visitas 24 horas. E seria a vez de outro carioca, o América. A maratona se iniciaria em 14 de agosto quando a delegação deixaria as malas num hotel de Salvador e pegaria o onibus pra Feira. Também não chegaria a treinar no estádio local mas o ameriquinha também conseguiria um empate em um gol contra o Fluminense local que neste ano obteria o vicecampeonato baiano do ano anterior.

                            Olhem o almoço das delegações!

Chegaria a Salvador após o jantar ás três da madruga. O dia foi de sufoco de sempre. Dormindo mal, almoçando rápido pra continuar a dormir. E chegando ao estádio quase na hora do jogo sem ter tempo pra treinar. Teve jogador do América que quase dormiu em campo.Mas não é que faria a façanha de ganhar nestas condições do Bahia por dois a um?

Como era dura a vida dos visitantes nestas excursões vapt vupt de antigamente!

* Agradeço ao Almanaque do Futebol Brasileiro e aos blogs tudomercado.com.br,tradepar.com.br, submarino.com.br.

sábado, 5 de março de 2011

O cheiro do ralo

                                 O ator Selton Mello

O dirigente é aquele cara que aparece mais que o jogador, fala mais que o locutor e gasta menos que o torcedor.

                                                                                                                                    Lula Carlos


Voces devem ter percebido que tenho postados meus artigos de noite nos últimos dias. É que estamos passando o carnaval na aprazível cidade de Aracaju, capital do estado de Sergipe. Chegamos ontem, após mais de seis horas de viagem, em virtude de uma manifestação na rodovia. Estamos hospedados na orla marítima e "tomando todas" a que temos direito. Uma pena que Laranjeiras e São Cristóvão estão fechadas ao turismo nesses dias. Mas estamos nos "virando" com outros lugares históricos.

Bem, mas vamos ao assunto de hoje, os "cartolas". O jornalista Matinas Suzuki Jr. tem uma frase lapidar em rerlação a eles. Para ele

Deus, sentindo-se culpado por ter dado tanta qualidade ao jogador brasileiro, procurou equilibrar as coisas e deu-nos,como compensação, os dirigentes futebolísticos que temos.  

Tem dirigente de tudo quanto é tipo, bem intencionado, corrupto, emotivo, demagogo, malandro, todos jurando que fazem o melhor possível pelos seus clubes e entidades. Muitos destes se eternizaram nos clubes e federações, entre eles João Havelange e Ricardo Teixeira. Mas não há apenas os grande lobos. Um dos pequenos lobos é Castor de Andrade, que foi patrono do Bangu.

                                       Oi ele aí no filme!

Castor faleceu com 71 anos em 1997, ainda como banqueiro do jogo do bicho, e deixou um contencioso de atitudes polêmicas em relação a seu clube do coração. Compra de árbitros, manipulação de resultados, pressões de todos os tipos quando os interesses do clube de Moça Bonita estavam em jogo são algumas delas. Chegou a ser preso acusado de relações com o Cartel de Cali. Mas não deixou de desfrutar da amizade do todo poderoso João Havelange que, em 1966, quando várias destas acusações "rolaram" (durante a conquista do campeonato carioca pelo alvi rubro), convidou-o para coordenar a seleção brasileira no Chile e, no ano seguinte, no Uruguai.

O Bangu fez diversas partidas na Fonte Nova e, em algumas delas, esteve acompanhado pelo próprio e tristemente famoso dirigente. Mas que não se venha a pensar que o clube só ganhou por aqui porque o pessoal tinha medo do Castor. Nada disto, muito se deve aos grandes times que tinha. Por exemplo em 1930, quando o dirigente tinha apenas quatro anos e nem pensava no Bangu, este apareceu em Salvador e fez furor Ganho a AAB, Fluminense, Botafogo, Ypiranga e Seleção Baiana, tendo o segundo amargado a exdrúxula goleada de dez a um. Só o auri negro faria a façanha de vencê-lo por três a um.

Em 1948 Castor só tinha vinte e dois anos e não viria com o time que aqui apareceu eno ano em que nasci goleando o meu Vitória por quatro a um mas empatando em dois gols com o Bahia. Mas Castor já era bem grandinho e tinha trinta anos quando o Bangu jogou pela primeira vez na Fonte Nova em 1956. Foi em julho, e ficou somente 24 horas, vencendo o Botafogo por quatro a dois e perdendo do Vitória por dois a um. Não adiantaria as maracutaias do dirigente carioca pois o meu time era dirigido pela raposa Zezé Catarino.

                                         Dinheiro no ralo!
Mas dez meses depois o Bangu estava de volta. Castsor não veio mas instruiu seus representantes sobre como proceder. Ai não teve jeito. Primeiro vingou-se do rubro negro enfiando-lhe um a zero. Mas depois quem cairia era a própria seleção baiana por três a um. O resultado é que voltou a ser convidado seis meses depois. No dia 24 de novembro de 1957 venceria o tricolor baiano por dois a zero. E, 48 horas depois, voltaria a estar frente a frente com o time de Zezé Catharino. Mas na ezsperteza e nos macetes seria o dirigente baiano quem ganharia outra vez devolvendo o escore mínimo.

Em 1958 voltaria de novo a Bahia para enfrentar Vitória e Galícia. Mas desta vez o confronto dos dois dirigentes deu empate por um gol, o que acabaria beneficiando o azulino que ficaria no zero a zero. No apagar das luzes dos anos cinquenta, Castor não queria mais jogar o o time de Zezé. E se deu bem! Em março ganharia do tricolor baiano por dois a zero. Em abril jogariqa duas partidas contra o mais querido, ganhando uma(2 X 0) e empatando outra(2 X 2). Por último empataria com o Bahia em maio(1 X 1).

               Bem que podiam ser Castor e Zezé Catharino

Foi assim que o malandro baiano passou a perna no malandro carioca. Pelo menos nos anos 50.

* Agradeço as informações do Almanaque do Futebol Brasileiro e de Ivan Maurício.Sou grato ainda as imagens dos blogs rebobinandomemoria.blogspot.com,flickr.com,cinemanalata.blogspot.com e lasaladecinema.blogspot.com.

sexta-feira, 4 de março de 2011

A sinfonia inacabada da Fonte Nova

                  Dizem que Adão e Eva não foram acabados!
 

Existem muitas coisas que ficaram inacabadas na história. Na política a independência de vários países não passou da libertação política do colonizador. A república uma tapeação sem autonomia regional, independência dos poderes e mudanças sócio-econômicas reais. Não é á toa que os cientistas políticos falam de revolução inacabada.

Em relação a obras nem é bom falar. No Brasil contam-se aos milhares as obras inacabadas, cujo maior IBOPE é a Transamazônica. Na musica todo compositor que se preza deve ter uma obra inacabada. Isto ocorreu com Bach, Bethoven, Mozart, embora só com Schubert fosse dado o nome a uma de suas sinfonias de "Inacabada".

Isto ocorreu também com o esporte. Houve estádios que não terminaram. Jogadores que interromperam subitamente suas carreiras. Quase-campeões com campanhas abaladas.Mas torneio inacabado eu só conheço um e ocorreu na Fonte Nova em 1955.


 Todom mundo sabe a mania de Schubert de sua mania de deixar as coisas inacabadas!


Neste ano o EC Bahia ganhou em maio o certame do ano anterior. Aí, enquanto esperavam o novo campeonato, os clubes entraram com sede nos amistosos. O Corinthians foi o primeiro, jogando três vezes em apenas cinco dias. Começou empatando com o Botafogo em dois gols e depois deu uma verdadeira "tamancada" no Bahia por seis a zero. O tricolor só descansou depois que conseguiu uma revanche e ganhou por magros dois a um. O próximo seria o Madureira, numa promoção do Vitória, que colheria um empate em um gol.

Ora neste ano já tinha havido um torneio antes das finais do campeonato entre Vitória, Bahia e Botafogo. E ele foi ganho pelo rubro negro. Desta vez não convidariam o Vitória. Assim o Bahia e Ypiranga planejaram homenagear a data magna da independência na Bahia e convidaram o Olaria e o Atlético Mineiro para um novo torneio.

O certame teve inicio no dia de São Pedro quando as bombas ainda pipocavam nas imediações da Fonte Nova. Na preliminar o Olaria derrotava logo o mais querido por um a zero deixando-o numa situação delicada pra aspirar a alguma coisa. Pra piorar, no jogo de fundo, foi a vez do galo mineiro vencer o tricolor pelo mesmo placar.

                                Será que há aí algo inacabado?

A próxima rodada coincidiria com o Dois de julho.Mas, na véspera, o Ypiranga e o Bahia abandonariam o torneio, sendo substituídos ás pressas pelo Guarany e o Vitória. E não é que os "índios" começaram bem, ganhando do time bariri por dois a zero? No entanto o rubro negro não conseguiria barrar o forte time mineiro sendo derrotado por dois a um.enquanto estavam nesta conversa de repente foi o Olaria que decidiu ir embora e aí meu amigo como continuar o torneio?

Bem, o que houve? Falta de interesse em continuar? Desentendimento de qual deveria ser a rodada? Prejuizo financeiro dos torcedores que não estavam mais entendendo nada?O certo é que não marcaram mais rodada nenhuma e "esqueçeram" de dar a taça pro Atlético. Isto é coisa que se faça com os nossos heróis da independência?


* Agradeço as informações do Almanaque do Futebol Brasileiro e do Setor de Publicações Raras da BCE.
    Sou grato aos blogs:minmessias21.blogspot.com,pretinsongs.com,hortadozarate.blogspot.com  e arte-das-massas.blogspot.com.

quinta-feira, 3 de março de 2011

A seleção de ouro


Já falei nesse blog anteriormente sobre o Campeonato Brasileiro de Seleções. Desde que foi criado em 1922 foram poucos anos em que não foi realizado coincidindo com as bruscas alterações do calendário político. Não houve em 1930 e em 1932 devido ao contexto revolucionário. E, em 1937, quando houve o golpe do Estado Novo. Apesar de ser jogada em todos os anos da Segunda Grande Guerra deu uma parada no ano em que esta acabou.
A partir de 1946 passou a ser bienal com o agravante de terem pulado 1948. Esta periodização durou até 1956 quando virou trienal. A nova periodização só resistiria até 1962 sendo substituído pelos torneios entre clubes. Quando eu era menino o certame ainda tinha o seu encanto. Aconteciam geralmente no início do ano, entre janeiro e março. Em 1952 a seleção baiana teve até uma boa participação. Caiu no grupo Sul (sic!) e ali eliminou o Paraná e Santa Catarina, só esbarrando no Rio Grande do Sul.
No fim de 1953 a seleção baiana começou a treinar pra estrear no certame do ano seguinte. Na ocasião se marcavam vários amistosos e este ano não foi diferente. Os primeiros foram jogos treinos com os times daqui, mas depois vieram os mais pesados, mostrando que a seleção queria desta vez ir bem mais longe. Quem sabe repetir 1934?

                                        Essa seleção era tão surrealista como Salvador Dali

Assim, em dezembro foram acertados jogos contra o Botafogo (RJ) e o Internacional (RS). Era um empreendimento de risco. A seleção não estava ainda bem treinada e, caso fosse mal poderia afetar o próprio rendimento no certame. No dia oito chegaram os cariocas. O jogo foi uma das maiores derrotas que os alvinegros tiveram em toda a sua história no estado: quatro a um. Os próprios torcedores tiveram dificuldade de acreditar no desempenho da nossa seleção.
A imprensa celebrou o episódio com certa descrição. Afinal poderia ser “fogo de palha”. Vamos ver como se portaria com o poderoso Internacional que havia ganhado poucos meses antes o Torneio em homenagem ao governador Regis Pacheco massacrando o Bahia (7 x 1) e o Vitória (4 X 1).
Cinco dias depois os gaúchos estavam novamente na fonte do futebol pra enfrentar o nosso selecionado. Desta vez a partida foi muito mais disputada e os baianos não contariam com as facilidades da véspera, mas, mesmo assim, conseguiram outra vitória: dois a um sobre o esquadrão encarnado.
                                                        Getúlio iria cair neste ano!
Aí não deu mais pra segurar a imprensa. Todo dia saía artigos elogiosos. Houve quem comparasse com a equipe que ganhou o campeonato brasileiro exatamente vinte anos antes. Poucas vozes fizeram ponderações, lembrando que se tratavam de jogos amistosos, mas, como é comum nestas horas de entusiasmo ninguém ouviu. Pra não ficar muito tempo sem treinar antes da estreia foi marcado mais um jogo, contra o EC Bahia, no dia do Natal. Neste dia mais alguns se somaram aos ponderados, é que o nosso selecionado acabou apanhando de três a zero do tricolor.
Nas próximas edições dos jornais já haviam algumas criticas ao desempenho de certos jogadores e as orientações técnicas. No entanto, ainda houve quem debitasse o episódio a habitual generosidade natalina pouca propícia a disputas do futebol.
No dia três de janeiro finalmente estreou a nossa seleção no certame nacional. O jogo foi em Curitiba e os paranaenses não tiveram a mínima consideração dando de quatro a um na nossa seleção que “iria ser campeã”. O episódio fez desabar definitivamente a empáfia. Até o jogo de volta não se passou um dia sem que jornalistas “sentassem a ripa” nos nossos jogadores, admitindo até a falta de qualidade de alguns.
                                                              Lembram dele?
 O jogo de volta ocorreu uma semana depois. E, se tivéssemos memória lembraríamos que no último certame, realizado em 1952, houve uma situação curiosamente semelhante. Na ocasião perdemos do Paraná por cinco a um e vencemos lá em Curitiba por três a dois no tempo normal, e na prorrogação por dois a zero.
No dia dez de janeiro os dois selecionados entraram no gramado da Fonte Nova. Desde o início se percebeu que as coisas iriam ser diferentes. Os baianos atacavam e os paranaenses praticamente só se defendiam. No entanto, a perda de alguns gols foram decisivas no final que apresentou o resultado de quatro a um para o nosso selecionado. O escore obrigava a que mais uma vez houvesse uma prorrogação com dois tempos de quinze minutos pra decidir com quem ficaria a classificação.
Mas aí, por mais incrível que possa parecer, os paranaenses mudaram totalmente. Jogaram fechadinhos na defesa e arriscaram-se mais nos contra-ataques. A Bahia atacava bastando-lhe fazer um gol para garantir a passagem para outra fase. O estádio estava quase ás escuras tendo que ser providenciada a tradicional bola branca. E foi aí que, numa escapada dos visitantes, a bola foi para o fundo das redes baianas. Ainda tinha tempo para a reação, mas não teve santo que desse jeito.
                                                                   A turma do contra!
Os paranaenses se vingariam do certame anterior classificando-se em plena Fonte Nova. Os torcedores demoraram pra levantar das arquibancadas. Os narradores não acreditavam. O que é que iriam dizer em casa! É por isto que pouca gente foi no novo amistoso da seleção baiana na semana seguinte, mesmo sendo o poderoso Vasco da Gama o adversário. Ninguém entendia pra que uma seleção eliminada continuava jogando se arriscando ao ridículo. E o pior é que ele ocorreu com nova derrota baiana, agora por dois a zero.
Quanto ao Paraná passaria com imensa dificuldade pelo Espírito Santo quando empatou duas vezes tendo que eliminar os capixabas mediante outra prorrogação. Esbarraria nos mesmos gaúchos que eliminaram os baianos dois anos antes. Desta vez não haveria outra prorrogação na qual se especializaram, e perderiam as duas partidas. Os gaúchos continuariam passando pelo Ceará... mas seriam eliminados pelos paulistas que ganhariam mais uma vez o campeonato numa decisão com o Rio de Janeiro.

·         Agradeço as informações do Almanaque do Futebol Brasileiro e do site RSSSF Brasil. Sou grato as imagens do site Filmes de cinema e dos blogs juniordocamba.com,themusicmp3.blogspot.com e man-meucantinhoasonhar.blogspot.com.

Todo mundo em pânico

                

O ano de 1988 foi daqueles que os torcedores rubro negros devem esquecer. Seja pelo que não fizemos seja pelo que fez o nosso arquirrival. Começou muito mal para nossa família, sobre a qual se abateu a tragédia da perda do meu jovem cunhado, o contador Elias Bacellar. O sofrimento de Cybele e da família tornar-se-iam uma prioridade para mim nos próximos meses, fazendo inclusive com que eu, durante algum tempo, não aparecesse nem no carnaval nem no futebol. Limitava-me a ler jornais e acompanhar pelo rádio e televisão as coisas. 

Na esfera federal os preços continuam em “liberdade vigiada” e O Conselho Interministerial dos Salários das Estatais vê pouco espaço de manobra nas negociações salariais. O novo ministro, Maílson da Nóbrega, afirmava que o país ainda estaria em moratória e que “recorrer ao FMI não significaria recessão”.

Desde o ano anterior Sarney manobrava indicando conservadores para uma série de órgãos. A iniciativa repercute na UFBA onde, aproveitando-se da famigerada lista sêxtupla, nomeia o obscuro Rogério Vargens para o cargo desprezando o voto da comunidade universitária nas eleições para reitor. A atitude encontrará resistência durante todo o mandato deste, não obstante a ação dos adesistas de sempre.

                       Ana Paula Arosio pelo menos esqueceu em Londres!

Na Bahia os funcionários estaduais iniciam o ano de “turnão”, medida de contenção encontrada pelo governador Waldir para reduzir as despesas com pessoal, colocando servidores para trabalhar em um só turno. As negociações, entretanto, não resolvem os problemas salariais dos servidores e vários órgãos ameaçam greve. 

O partido em que eu militava, o PT, iria disputar as primeiras eleições municipais da “Nova república”, e, com a possibilidade de um bom resultado, abriu-se para alianças. Na época lutávamos para votar para presidente naquele ano.

O campeonato baiano deste ano começou logo após o carnaval. O Bahia estava no grupo A e o Vitória no B. O tricolor tentando o “tri” e o rubro negro buscando voltar a ganhar o título o que não fazia desde 1985. Esse ano foi um daqueles que o regulamento foi a maior confusão. Havia dois turnos e quatro fases, e o campeão de cada uma delas juntava-se com um ou dois times de melhor campanha pra jogar um quadrangular decisivo. Durma-se com um barulho desses!

                                              Vejam se dá pra lembrar!

Na primeira rodada o Bahia ganharia do Botafogo por três a zero na Fonte Nova e o Vitória derrotaria o Fluminense por dois a zero em Feira de Santana. O BA-VI seria logo na terceira rodada e os times ainda empatariam em um gol em uma rodada dupla onde o Vitória jogou contra o Serrano e o Bahia contra a Catuense. Mas o clássico ficaria empatado em um gol. O Vitória ganharia as duas últimas partidas (contra Atlético e Atlanta) e o Bahia venceria o Itabuna mas perderia do Leônico (1 X 2). Mas os dois seriam os primeiros em seus grupos.

Enquanto se desenrolava a primeira fase do primeiro turno meu grupo político adquiriu uma pequena gráfica tendo em vista o enorme número de candidatos a vereador que apoiávamos nos municípios da Bahia. Em Salvador lançamos a professora Geracina Aguiar e o partido a candidatura de Zezéu Ribeiro. Lembram-se da musiquinha?

Zezéu vou votar em você
Quero ver a cidade
De felicidade
Votar no PT

                                                 O prefeito da época

As finais da primeira fase foram no fim de março e a dupla BA-VI só ganharia na primeira rodada, o Bahia vencendo a Catuense (2 X 0) e o Vitória o Serrano (1 X 0).Depois empataram com os adversários trocados e ficariam no zero no clássico. Acabaria havendo uma partida extra que “me virei” pra assistir onde, pra minha decepção perdemos pelo escore mínimo.

Em abril o governo Sarney baixa novo pacote buscando obedecer às diretrizes do FMI. Toma inúmeras medidas de austeridade, entre as quais o corte de três trilhões no déficit público e o congelamento da URP de abril e maio para pagar o resíduo em “doze prestações”. No período se dá um agudo conflito na Constituinte entre o “centrão” e a “esquerda”.

O pacote agudizaria a sua relação com os sindicatos, e, por conseguinte, dos governos estaduais ou municipais que seguiam as decisões econômicas federais. O governo Waldir Pires é um destes, pois, ao lado de defender publicamente a tese de rompimento do PMDB com Sarney, declara não poder pagar a URP. É no contexto em que elabora o Plano de Cargos e Salários- PCS dos servidores que se cria o Movimento de Valorização do Servidor Público.

                      É claro que os tricolores vão dizer que esqueceram de mim!

A segunda fase do primeiro turno começava alvissareira. É que o Vitória ganharia do Botafogo por três a um e o Bahia perderia em Jequié do Atlanta por dois a um. Nesse turno o tricolor teria altos e baixos. Despacharia uma goleada no Atlético de Alagoinhas e, logo depois perdia para o Fluminense. Mas mesmo assim se classificaria em segundo no grupo pelo saldo de gols. O Vitória terminaria novamente invicto seu grupo.

O quadrangular final começou no dia do meu aniversário de 40 anos, 24 de abril, mas não tive este presente saindo da Fonte Nova com o gosto amargo de um clássico sem gols. Mas aconteceria o mesmo com Fluminense e Catuense. Na segunda rodada, porém, veio à glória, o rubro negro ganharia da laranja mecânica (2 X 1) e o Bahia perderia para os touros do sertão em Feira (0 X 1).

No mês de maio voltamos a celebrar o Dia dos Trabalhadores no Campo Grande. Vivi neste dia uma grande indecisão. É que o ato coincidiu com a grande final entre Vitória e Fluminense. A solução foi levar um rádio para acompanhar mais uma vitória do meu clube, desta vez por um a zero. Estava agora tudo empatado no certame.

                                  Tem gente que tem dificuldade de esquecer

Dois dias depois houve a greve das estatais e funcionalismo federal que aqui produziu uma concorrida manifestação no Campo Grande pelo “fora Sarney” enquanto se discutia na “constituinte” o tempo de mandato do presidente e ainda não estavam definidas as eleições diretas. Na ocasião voltei á direção dos atos públicos tendo inclusive citado, sob palmas, um a um os órgãos que se encontravam em greve. Na ocasião a maioria das estatais e órgãos do governo federal não funcionou.

Enquanto isto começava o segundo turno invertendo as coisas. Os dois jogaram fora de casa, mas era o Bahia quem ganhava (dois a zero contra o Atlético) e o Vitória quem perdia (um a zero contra o Itabuna). O time parecia que tinha desaprendido. Empatou com o Botafogo em dois gols e depois perdeu de três a um para nosso arquirrival. Sequer se classificaria para o quadrangular pois empataria com a Catuense (1 X 1) ganhando apenas do Leônico (3 X 2).Enquanto isto o tricolor ganhava quase todas. E continuaria assim nas finais desequilibrando de novo o certame a seu favor.

Em meados do ano o bloco independente do PMDB “racha” com o partido criando o PSDB. Um destaque são os incidentes da greve do Banco do Brasil (pelo pagamento da URP subtraída), que levou em Salvador a colocar em ação o “cassetete democrático” da PM que pretendeu acabar com os tradicionais piquetes. Nessa época ocorreria o congresso estadual da CUT onde me afastei da executiva e passaram a assumir outros companheiros.  Foi uma das raras ocasiões que se conseguiu costurar uma chapa única no Colégio do ICEIA.

                                                Que anos 80 estes hein!

A última fase do certame começava e era a chance de igualarmos de novo a situação. Só pude assistir pelo rádio as partidas devido à militância. O Vitória ganhou quase todas mas o Bahia esteve pior perdendo uma para a Catuense. Fomos novamente para as finais com o rubro negro em primeiro e o tricolor em segundo nos grupos.

O cortejo do Dois de Julho foi um sucesso. Creio que foi um dos maiores da história. Todos os partidos compareceram com seus candidatos, havendo polarização com a comitiva do prefeito Mário Kertész e vereadores aliados. O episodio suscitaria incidente na Praça Municipal, inédito até então, com os seguranças da prefeitura, quando vaias impediram o discurso do presidente da Câmara, vereador Ednaldo Santos. Na época Waldir concede reajuste aos servidores, adotando porém a prática diferenciada que iria se impor pelos próximos anos.

No entanto, minha alegria se transformou numa profunda tristeza logo no outro dia quando fomos vergonhosamente goleados pelo nosso arquirrival por impensáveis quatro a zero! Uma verdadeira desgraça tomou conta da equipe rubro negra que ainda conseguiu perder do Serrano (0 X 1) antes de ganhar a última para o Botafogo (5 X 3).

                                            O conciliador da Constituição

As finais do certame foram na semana anterior do III Congresso Nacional da CUT em Belo Horizonte. Eu assistiria as duas primeiras rodadas onde o meu rubro negro ganhou do Fluminense (1 X 0) e empatou com a Catuense (1 X 1) tendo que tirar a diferença de dois turnos no jogo contra o Bahia. Mas aí eu já estava viajando. E, no domingo, enquanto Jair Meneghelli era conduzido pela terceira vez á presidência da central, eu rodava pelo salão em busca de notícias do BA-VI. Só de noite é que eu saberia que o meu rubro negro “pulou esta fogueira” vencendo pelo escore mínimo. Estava tudo empatado de novo, mas, desta vez, só faltavam três jogos. Ganhariam seus rivais mas o tricolor passaria com muita facilidade.

Naquele dia sete de agosto de 1988 eu fiquei louco para que alguma tarefa me afastasse do estádio. Mas não apareceu nenhuma. O Bahia praticamente passeou em campo. Aguentei até dois a zero e depois fui assistir lá da boca da arquibancada.  Quando veio o terceiro desci as escadas e subi correndo a ladeira da Fonte das Pedras. Agora só o campeonato brasileiro e as eleições me animavam. Mas eu não sabia o que ainda iria passar em matéria de futebol este ano.

A CBF havia inventado tal disputa de pênaltis quando o jogo terminava empatado. O leão da Barra terminaria o certame em oitavo e o esquadrão de aço em terceiro. Mas só classificavam dois pras finais. Perto das eleições o governo Sarney propõe um “compromisso social” contra a inflação que tem a colaboração de entidades empresariais e da CGT. Mas a CUT não foi nessa. Os movimentos de trabalhadores continuavam e acabavam por ajudar nossa campanha política que era colada neles. A poucos dias da eleição o Exército invade a CSN matando 3 operários e ferindo diversos outros durante a greve dos metalúrgicos de Volta Redonda-RJ. 

Durante as eleições George Bush seria conduzido á presidência dos EUA. O PT "mataria a pau" garantindo a eleição de centenas de vereadores e 38 prefeitos. Na Bahia, porém, só duas prefeituras, Amélia Rodrigues e Jaguaquara. Além disto tivemos Geracina Aguiar e Edível Passos eleitos em Salvador e mais duas dezenas no interior. O sucessor do prefeito Mario Kertész seria Fernando José com 33,7% dos votos. O candidato do PT Zezeu Ribeiro ficaria com 4,6% .

A segunda fase do certame brasileiro começaria depois das eleições com o Vitória "levando o maior pau" do Goiáis, seis a um no estádio de Serra Dourada. Passei dias com a cabeça inchada! E fui vendo o time "cair pelas tabelas” só voltando a ganhar do Flamengo, e em pleno Maracanã, pelo escore mínimo. Mas foi “fogo de palha” pois voltaria a sua via crucis e terminaria agora em penúltimo lugar. Já o Bahia continuaria surpreendendo e terminaria em quarto lugar. Aí, como o Vasco se classificou nas duas fases, o tricolor ficaria com uma vaga e participaria da terceira fase pelo somatório geral dos pontos. 

Outra tragédia pra torcida rubro negra se aproximava, a de ver o EC Bahia ganhar o Campeonato Brasileiro alguns meses depois. O ano terminava com a promulgação da nova Constituição Federal em meio atos e discursos altissonantes. Houve vibração da militância quando os deputados do PT se recusaram a assiná-la. E, no apagar das luzes, completando as tragédias do ano veríamos o brutal assassinato de Chico Mendes, presidente do STR de Xapuri - Acre.


·         Agradeço as informações dos sites do RSSSF Brasil, Bola na área e Futipédia. Sou grato também as imagens dos sites Filmes de cinema.com e Band.com.br, além dos blogs cinedica.com.br e vanessavictoretti.blogspot.com.   


quarta-feira, 2 de março de 2011

O Oscar dos visitantes da Fonte Nova

                                      A vencedora Natalie Portman sendo cumprimentada

A televisão veio pra Bahia no final de 1960. Alguns anos depois começou a transmitir a cerimônia do Oscar do cinema.  Desde essa época fiquei fã. Não perdia uma! Até depois de me casar, nos anos setenta, confesso que íamos dormir lá pras três da manhã pra ver nossos artistas preferidos aparecerem na telinha. Mas naquela época era muito diferente de hoje. Lembro que Bibi Ferreira ia pra Los Angeles transmitir o prêmio pra TV Tupi. É que, apesar da indústria do cinema ter sido sempre comercial, eram indicados realmente os melhores filmes, os grandes artistas, as espetaculares trilhas sonoras, e que marcaram época.
Há alguns dias demos aqui em casa uma sessão nostalgia nos agendando pra assistir o Oscar 2011. Foi uma decepção. Primeiro nos esquecemos do horário ligando a TV quando já havia começado. Segundo, é que virou um programa de televisão. Um espetáculo onde vale tudo pra prender os espectadores na cadeira. Dos concorrentes selecionados pela Academia, então, nem se fala. Com raras exceções, são filmes de segunda, e até de terceira, categoria, os indicados, geralmente por interesses comerciais e pra ajudar a sua divulgação. Como diz um dos críticos: qual é a graça de se abrir um envelope quando agente já sabe quem será premiado?
Aliás, vários dos vencedores ou indicados estão entre os filmes com maior arrecadação nas bilheterias. Toy story 3 já arrecadou um bilhão de dólares. A origem 824 milhões. Rede social 221 milhões. Bravura indômita 175 milhões, e Cisne negro 172 “mi”.
                                                            Que diferença de antigamente!
Esse ano a audiência do prêmio caiu em dez por cento. Até a crítica norte-americana “caiu de pau”. Falou mal dos apresentadores e disse que a “safra” de filmes não foi boa. No tradicional jornal O “Estadão” saiu coluna denominando-o “o chato do Oscar”. E usou a mesma expressão o artigo que saiu não Globo.com. Com exceção dos cinéfilos e desinformados salta aos olhos que a indústria do cinema norte-americano é parte ativa da crise do império há muitos anos.
É claro que há exceções que confirmam a regra. Um documentário denúncia á crise financeira premiado (Trabalho interno) e a escolha razoável de Natalie Portman (se bem com fraco filme Cisne negro) levando o título de melhor atriz. Em compensação um regular ator inglês Colin Firth abiscoitou o prêmio de melhor ator, e um filme ainda pior, O discurso do rei, ficaria como o melhor filme e, de lambuja, o melhor diretor (Tom Hooper). A melhor atriz coadjuvante (na verdade protagonista do filme O vencedor) teve que espalhar out doors em Hollywood fazendo sua auto propaganda pra ganhar a estatueta cada vez menos valorizada.
Mas deixemos pra lá essas coisas. O que nos interessa mesmo é o “Oscar” da Fonte Nova. Em outros artigos colocados neste blog já informei os sete primeiros clubes a jogar na Fonte Nova. Todos baianos e no mesmo dia da inauguração. Os primeiros foram Botafogo e Guarani. Depois vieram Ypiranga e São Cristóvão. Depois Vitória e Galícia, e, em sétimo, o Bahia. Destes, só estão em atividade profissional, o Ypiranga (que passa a ser o primeiro), Vitória e Galícia, e Bahia (que passou a ser o quarto).
                                                       Se lembram da Marilyn?
O artigo de hoje, entretanto, é voltado para os visitantes. O primeiro clube de fora de Salvador que jogou na Fonte Nova foi o Fluminense (RJ), exatamente na data magna baiana que celebra a chamada independência. Aliás, este foi um dos argumentos para a liberação do estádio na época. É que desde o dia da inauguração o estádio, que havia sido aprontado de qualquer jeito, foi interditado para obras. Nesta ocasião o Fluminense fazia excursão á Bahia e “mexeu os pauzinhos” pra jogar pelo menos uma partida na Fonte Nova. Aliás, foi a única que ganhou (dois a zero no Bahia), perdendo pro Galícia (dois a zero) e empatando com Ypiranga (1 X 1) e Vitória (0 X 0) no campo da Graça.
O segundo clube, e primeiro paulista, seria a Portuguesa de Desportos. Seria vitoriosa em um torneio disputado no estádio este mês com a participação de Ypiranga, Vitória e Bahia. Na estreia o primeiro cairia perante os visitantes por seis a um. Depois daí foi muito mais duro programar jogos no estádio pela resistência de encarregados da obra como Nilton Simas. Mas em novembro fariam outro torneio onde seriam convidados o Vila Nova (MG) e o Vitória (ES), respectivamente, primeiro clube mineiro e primeiro capixaba a jogar no nosso histórico estádio. A rodada dupla que marcou suas estreias ocorreu em 11 de novembro e foi entre eles mesmos terminando com o empate em um gol, enquanto o Bahia derrotava o Ypiranga pelo escore mínimo, num torneio ganho pelos mineiros.
O quinto clube, e o primeiro gaúcho, seria o Internacional que enfrentaria em abril de 1952 por duas vezes a seleção baiana, que se preparava para o campeonato brasileiro de seleções, derrotando-a por um a zero e dois a um. Até então o estádio ainda não estava liberado para os jogos, tanto é assim que a própria decisão do certame baiano do ano anterior, entre Vitória e Ypiranga, se realizaria no velho estádio da Graça.  
                                 A indústria segurando os premios pra não haver surpresas!
O sexto clube, e o primeiro de Pernambuco, chegam já em outra situação, quando o estádio já está liberado para os jogos do campeonato estadual como exigiram os clubes. É o América que perde um amistoso para o Bahia por dois a um. Neste ano organizam outro torneio com a participação de Vitória, Bahia e Ypiranga, e convidam o sétimo clube, o Curitiba, que estreia ganhando do Vitória pelo escore mínimo, pra depois perder pro Ypiranga e Bahia pelo mesmo escore de dois a um.
A lista dos “dez mais” só seria completa em 1953. No fatídico torneio Regis Pacheco realizado em março, onde os baianos foram arrasados na primeira rodada, apresentam-se Internacional (RS) e Flamengo contra a dupla BA-VI. Assim o Flamengo torna-se o oitavo visitante e o segundo clube carioca, derrotando o Vitória por 8 X 2, o Bahia por dois a um e empatando com o Internacional em dois gols.
                                       E olhem que Obama torce pra um dos dez visitantes!
Em abril seria a vez do simpático São Cristóvão (RJ), o nono visitante e o terceiro carioca, que viria fazer um amistoso contra o Vitória onde perderia por três a um. E, por último, em junho, chega o Atlético Mineiro, o décimo visitante e o segundo mineiro, pra atuar contra o Bahia, perdendo por dois a um.

·         Agradeço as informações e imagens dos sites coluna.epocanegocios.globo.com, globo.com,de Artur Xexéo, do Almanaque do Futebol Brasileiro e do blog pipocacombo.com.

terça-feira, 1 de março de 2011

Um ano que merecia entrar pro Livro dos Recordes

     
           
O Guiness Book surgiu em 1955. Desde então passou a computar todo tipo de recorde, desde o mais sério até o mais curioso. Alí voçe pode achar tanto o clube que tem mais campeonatos como a pessoa que mais comeu cachorros quentes em dez minutos. Desde o político que exerceu mais mandatos como o cara que jogou um ovo mais longe ou o record mundial de passar roupa. Eu estou pensando seriamente em propor a seus organizadores que contabilizem 1971 como o ano em que mais se jogou futebol em um estádio inaugurado.
Já antes desse ano o questionamento crescente da ditadura militar no Brasil fez com que ela começasse a entrar no ramo dos espetáculos de massa. Já observamos em artigos anteriores o seu investimento no setor de comunicações e entretenimento musical. A proximidade da Copa do Mundo de 1970 no México fez a ditadura militar brasileira apostar no futebol. Sua primeira experiência, quatro anos antes, havia sido ridícula com a seleção “metendo os pés pelas mãos” eliminada, logo de saída, nas oitavas de final.
Desta vez se prepararia com antecedência, inclusive com intromissão direta na malfadada CBD. Foi neste contexto que foram construídos, ampliados e acabados uma série de estádios brasileiros.  Lembramos a inauguração total do Morumbi, ocorrida a 25 de janeiro de 1970, a do novo estádio do Arruda em Recife, em quatro de julho de 1972, assim como a construção do anel superior da Fonte Nova, cuja inauguração se deu a quatro de março de 1971. Todas com a presença em pessoa do general-presidente Garrastazu Médici.
                                           Recorde de prender pregador de roupa no rosto
Estes estádios, com capacidade superior a cem mil pessoas, se juntavam ao Maracanã, e possibilitaram uma nova era de massas no futebol brasileiro. Apoiado pela conquista incontestável do “tri” em terras mexicanas, e por um contexto de “milagre econômico”, o regime realizaria dois anos depois o que se chamou de “mini copa” para a comemoração do sesquicentenário daquilo que convencionamos chamar de independência e, como ninguém é de ferro, a realização das eleições municipais que apresentaria retumbante vitória da ARENA.
A ampliação da Fonte Nova, entretanto, não trouxe apenas efeitos políticos, mas também uma enorme euforia dos dirigentes esportivos da Bahia. O estádio do “Carneirão” em Alagoinhas foi criado nesta época, dando origem a um novo clube, o Atlético, que começaria a disputar o campeonato neste ano através de acordo com a FBF. Ao contrário do que aconteceu em sua primeira inauguração em 1951, a Fonte Nova não mais pararia de funcionar após a inauguração do anel superior. Quem quiser lembrar-se da inauguração sugiro consultar os três artigos anteriores onde tratamos dela.
Já no primeiro ano os torcedores baianos apreciariam o Campeonato Estadual, o Campeonato Brasileiro, amistosos e Torneios Interestaduais. Repare-se que naquele tempo tínhamos vários clubes de Salvador em atividade, a saber, Botafogo, Ypiranga, Palestra, Leônico, Galícia, Vitória, Bahia e Redenção. Além do Monte Líbano que havia disputado o certame do ano anterior. Vários deles jogaram na Fonte Nova, particularmente em rodadas duplas que, de preferência, incluíssem a dupla BA-VI ou um dos dois.
                                                           A edição do livro em 1971
O EC Bahia foi o único clube baiano que disputaria o primeiro campeonato brasileiro. Como naquele tempo não existia o critério de equanimidade na relação dos jogos realizados em casa e fora, pode fazer aqui 14 partidas, e apenas cinco fora de casa (duas derrotas e três empates). Mas sua campanha seria sofrível, acumulando cinco vitórias, cinco empates e quatro derrotas. Em casa o resultado mais largo seria a vitória contra o Sport por três a zero, sendo a derrota mais contundente para o América (RJ) por três a um.
É, porém, nos amistosos e nos torneios que se percebe o entusiasmo dos dirigentes esportivos. Como se sabe a inauguração foi feita através de um torneio. No dia fatídico de quatro de março o tricolor ganha do Flamengo pelo escore mínimo enquanto o rubro negro “perde” do Grêmio num jogo inacabado pelo mesmo escore. Três dias depois o meu rubro negro perderia de novo pelo mesmo escore, desta vez contra o tricolor. Porúltimo, Grêmio e Bahia empatariam por um gol, tendo o técnico Oto Glória gentilmente ofertado a taça para o Bahia. Na oportunidade o Flamengo desistiria de disputar o 3º lugar.
No mesmo mês da inauguração já haveria jogos amistosos no estádio. Quatro dias depois o tricolor (festa das faixas?) jogaria com o Fluminense de Feira de Santana vencendo-o pelo escore mínimo. Duas semanas depois seria a vez de o Vitória patrocinar um amistoso com o Atlético Paranaense, perdendo por um a zero e, do Bahia voltar a campo para perder do Botafogo (RJ) por quatro a dois.
                                                   Isso também aconteceu em 1971!
Um mês após a inauguração haveria outro torneio na Fonte Nova. Desta vez os participantes eram Bahia, Galícia, Santos e Cruzeiro.  A primeira rodada foi exatamente no dia quatro de abril, quando na preliminar o Cruzeiro derrotou o time da colônia espanhola por três a um. Na partida principal, entretanto, o Bahia derrotaria a equipe de Vila Belmiro por três a dois. As finais seriam também no dia sete de março. O Santos não se recusaria a disputar o 3º lugar, derrotando o azulino por dois a zero. Mas as atenções estavam todas voltadas para o jogo de fundo onde a raposa mineira sairia com a taça após bater o Bahia pelo escore mínimo.
Durante mais de um mês deixaram a Fonte Nova somente pro campeonato estadual. Mas, nem tinha acabado maio e o Bahia traz o Atlético Mineiro. É outro mineiro para o qual perde pelo escore mínimo. O mês de junho é de trégua para acabar o campeonato vencido pelo tricolor que assim se sagra bicampeão. Mas o título é o primeiro na nova Fonte Nova, pois o do ano anterior havia sido jogado no campinho da Graça.
A trégua só é quebrada quando o governo resolve celebrar a data magna da Bahia o dois de julho promovendo um amistoso entre Bahia e Flamengo que termina com a vitória dos visitantes por três a um. O Campeonato Brasileiro começa em agosto e limita os espaços para amistosos. Mesmo assim os clubes insistem em jogar no estádio. Três dias após o Bahia estrear contra o Santos (0 X 0) ocorre o interessante jogo Ypiranga e Leônico, vencido pelo primeiro pelo escore mínimo.
                                    A despedida de Pelé no Morumbi foi também em 1971!
A data da chamada independência do Brasil é celebrada no mesmo nível, e com um empate chinfrim entre Vitória e Ypiranga em um gol. O Vitória, em função de só entrar no campeonato brasileiro no ano seguinte, não pode ficar parado, e realiza outros amistosos. No dia nove de setembro traz o Fortaleza pra Bahia, vencendo-lhe pelo escore mínimo. Logo a seguir é o promotor da temporada do Bangu que faria três partidas no estádio.
O rubro negro, porém, não consegue bons resultados contra o alvi rubro carioca, empatando sem gols num primeiro jogo e perdendo de três a um na revanche, no mesmo dia em que Bahia e Grêmio empatam sem gols em Porto Alegre. O resultado que acaba sobrando para o Bahia “salvar a honra do estado”, o que ocorre em 22 de setembro vencendo por três a zero.
Mas não era somente o Vitória que era o “dono do pedaço”, pois o Bahia, mesmo disputando o certame nacional, usaria datas pra fazer amistosos e experimentar jogadores. Exemplo disto foi o que fez em 6 de outubro, jogando com um time misto contra o XIII de Campinas (PB) quando empataria em um gol.
                                                   Uma das primeiras pornochanchadas
Pouco antes de terminar o campeonato brasileiro em novembro o Vitória promoveria dois bons amistosos. No primeiro se “daria bem” contra o Atlético Mineiro, saindo vencedor pelo escore mínimo. Mas no segundo voltaria a tropeçar no América carioca com o qual empataria sem gols.
O campeonato brasileiro terminaria três dias depois, e, acreditem se quiserem, mesmo sendo perto do fim da temporada os clubes continuariam afoitos pra jogar e, naturalmente, tirar uma lasquinha da Fonte Nova. No último mês do ano conseguiriam a façanha de trazer pra aqui mais um torneio. Foi entre a dupla BA-VI e a dupla FLA-FLU. Fui assistir a primeira rodada no dia primeiro de dezembro mas não haveria gols entre Vitória e Fluminense e Bahia e Flamengo. Na segunda rodada foi um pouco melhor. Pelo menos houve gols e o Bahia perdeu pro Fluminense por um a zero enquanto o Vitória empatava com o Flamengo em um gol. Eu nem me lembro se o time das Laranjeiras levou taça neste dia!
Estão prensando que “aquetaram o facho”? Que nada! Quatro dias depois eu estava na Fonte Nova pra ver o meu rubro negro empatar em um gol com o CRB de Alagoas. O Bahia não fez por menos trazendo o Cruzeiro na semana seguinte, mas perdendo de novo por dois a um. Mais quatro dias e era a vez do Vitória trazer o Náutico, o qual (até que enfim!) ganharíamos por três a zero.
                                     Será que é por isto que tem tanta gente fora do Brasil?
Esta disputa absurda por datas da Fonte Nova que os clubes fizeram o ano todo só se “resolveria” nos últimos dias do ano. Vocês acreditam que ainda marcaram três BA-Vis “amistosos”? Foi o fim da picada! O primeiro, realizado em 21 de dezembro, ainda deu público. Eu mesmo iria, com esta cara de pau que Deus me deu, assistir o Vitória apanhar de dois a um. Mas no segundo jogo não houve quem me fizesse ir na Fonte Nova. Também, meu amigo, jogo no dia de Natal? Deve ter sido o único jogo do mundo neste dia e o BA-VI mais chocho de toda a história do clássico, só podia acabar mesmo empatando (1 X 1). E, três dias antes do réveillon, ainda assisti pelo rádio meu time perder mais uma, pelo escore mínimo.
Desde a inauguração a Fonte Nova teve umas setenta partidas em 302 dois, o que dá uma média de um jogo a cada 4,3 dias. Se o ano não tivesse somente 365 dias até hoje ainda estariam jogando!

·         Agradeço as informaçõe do Almanaque do Futebol Brasileiro e dos sites Wikipédia e Futipédia. Sou grato também as imagens dos blogs abrangente.blogspot.com,acemprol.com,zisno.com,estranhoencontro.blogspot.com e joserenato.midiasemmedia.com.br.