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terça-feira, 12 de abril de 2011

Chumbo grosso!

    
O ano de 1975 foi um ano atípico no futebol baiano. O Bahia começaria o ano com um amistoso caseiro com o mais querido obtendo empate em um gol. Os clubes aproveitaram pra jogar antes do carnaval. E aí o Botafogo sofreu fracasso financeiro ao trazer o XIII de Campinas (PB), empatando em três gols na Fonte Nova, e o Vitória resolver trazer nada menos que o Fluminense carioca pra “ganhar algum”.
Em matéria de dinheiro sairia “elas por elas” mas no futebol quem venceria seria o pós de arroz aplicando dois a zero no rubro negro. Os leões da Barra, porém, insistiriam, programando mais um amistoso, desta vez com o Ypiranga perdendo de “gude preso”. Chumbo grosso!
Três dias depois estrearia no campeonato baiano sendo mais feliz, ao ganhar do Itabuna por três a zero na Fonte Nova. Lembro-me que as derrotas tinham a “justificativas” que eram amistosos só pra entrosar o time. Fui nesta conversa e vibrei com a nossa estreia. Mas, no meio da semana a desgraça, perdemos de um a zero pro Botafogo. Depois veio um empate com o Leônico. Enquanto isto o tricolor já tinha cinco pontos, com duas vitórias e um empate.
                                                          O cara é brincadeira!
Até o fim de março, porém, o time se recuperaria, ganhando fora de casa do Jequié (1 X 0) e do Ypiranga (2 X 0), mas o tricolor ia também do mesmo jeito. Os dois só se “pegaram” uma semana antes do meu aniversário de 27 anos, 17 de abril, empatando sem gols. Depois daí o rubro negro conseguiria ganhar do Galícia (1 X 0) e do Fluminense de Feira de Santana (3 X 1), terminando o turno em segundo lugar, com dois pontos atrás do Bahia.
No quadrangular final, no entanto, foi um desastre, sem ganhar de ninguém. Fiquei “doente” pelo ponto que perdeu logo na primeira rodada, ao empatar com o Atlético de Alagoinhas (1 X 1), enquanto o Bahia saía na frente ganhando do Botafogo (1 X 0). Mas no meio da semana seria ainda pior, quando perdemos para os diabos rubros (1 X 2), embora o tricolor também empatasse com a equipe da terra da laranja.
Já chegamos sem chances no domingo, quando, pelo menos empatamos, de novo sem gols, contra o Bahia, mas, como o Atlético só empatava em um gol, desta feita com o Botafogo, a taça foi pra Boca do Rio (onde o esquadrão de aço tinha a sua sede).Chumbo grosso!
                                                              Até o Rambo!
O segundo turno começou com uma rodada dupla que fui assistir, num domingo, 21 de maio. Deixei Cybele sozinha pra assistir, debaixo do sol, aquela preliminar chinfrim, onde o Vitória jogava com o Jequié. Mas nem, o Todo poderoso faria o time ganhar naquele dia. Ah os gols que perdeu debaixo da trave! Acabaria empatando sem gols. E o pior é que teríamos de assistir o jogo principal ponde o Bahia começava o turno ganhando do Itabuna (2 X 1).
Fiquei com tanta raiva que não fui ao jogo seguinte, contra o Leônico. Foi um dos atos mais errados de minha vida. É que neste dia o time estava “com a macaca” e enfiou oito a um no mesmo moleque grená que havia empatado no primeiro turno. Só o ponteiro Osny fez quatro gols, completando André (3) e o lateral Cláudio Deodato. Renê fez o “gol de desonra” do Leônico e nem comemorou. Não era pra menos! O resultado deu a maior animada no clube, ainda mais que o Bahia havia novamente empatado em um gol com o Atlético.
Agora o rubro negro iria jogar em Feira de Santana, de onde trouxe mais uma vitória, dois a um contra o Fluminense. Mas o tricolor ganhou também, o “clássico do pote” contra o Botafogo (2 X 1). Continuamos pelo mês de junho ganhando de novo o Ypiranga por convincentes quatro a dois. Logo depois o aurinegro traria o Vasco da Gama na Fonte Nova, tentando reeditar seus tempos de glória, mas perderia pelo escore mínimo.
                                      Serão os imperialistas atrás do petróleo da Líbia?

A maré do Vitória acabaria em Itabuna no dia 15 de junho nos pés do atacante Da Silva, responsável pela nossa derrota por um a zero. Três dias depois eu acompanharia pelo rádio o tricolor ganhar do Flamengo por dois a um mostrando continuar em boa fase! Será que levaria o “tri”. Só em pensar nisto dava um arrepio na espinha! No entanto, o BA-VI, jogado quatro dias depois deu novo empate (1 X 1), marcando Osny para o rubro negro e Douglas para os tricolores, todos dois, por coincidência, vindo do Santos FC.
O Vitória aproveitaria uma data pra trazer novamente o Fluminense carioca. O jogo foi muito disputado e mostrou que o rubro negro já estava à altura dos grandes times, terminando em um empate de dois gols. Três dias depois, cederia jogadores para a celebração do Dois de julho com uma grande partida entre a Seleção baiana e a Seleção mineira.
A equipe baiana na ocasião foi quase um combinado BA-VI acabando por obter um empate em um gol contra os fortes mineiros. Acho que tudo isto inspirou o rubro negro para que, uma semana depois, fize4sse uma exibição contra a boa equipe do Botafogo vencendo por quatro a zero, dois gols de Jorge Costa e dois de Osny (sempre ele!).

As esperanças voltaram...até a próxima rodada quando não saímos do zero contra o Galícia. Mas, pelo menos, conseguimos depois furar a “retranca” do Atlético, vencendo-o na Fonte Nova por dois a um encerrando a fase classificatória do segundo turno. O Vitória ficava mais uma vez em segundo, a um ponto do Bahia, e os mesmos clubes se classificaram.
Fomos então para a fase final que começa com nova rodada dupla. Vitória e Botafogo e Bahia e Atlético. Como jogávamos na preliminar os jogadores tiveram de pegar muito sol. Bastava repetirmos o resultado anterior pra começar bem, mas qual, não teve jeito de marcar contra os alvi rubros que acabaram conseguindo um empate sem gols. Quanto ao Bahia havia cometido o erro de jogar na véspera contra o Botafogo do Rio de Janeiro, num amistoso que venceu por uma zero. O esforço repercutiu na partida que terminou empatada por um a um. Naquele dia faltou pouco para o time da laranja despachar o tricolor.
No meio da semana tive que chegar da Escola de Música mais cedo pra pegar a preliminar, onde conseguiríamos a façanha de ultrapassar a “retranca” do Atlético. O gol de Osny saiu “a muque”. Mas, na partida principal o Botafogo degringolou tomando de quatro do tricolor. Ficavam elas por elas, mas o pior é que o saldo do Bahia era inalcançável.  No domingo o Botafogo perdia de novo (1 X 2) pro Atlético. Só tinha vindo neste turno pra atrapalhar a vida do rubro negro. Quanto ao BA-VI terminou no quatro empate este ano. Douglas, mais uma vez, marcou pro tricolor, enquanto André assinalaria pro rubro negro.

                                                            Vejam que covardia!
Como o Bahia tinha ganhado dois pontos por cada turno que ganhou e o Vitória um ponto, teve uma partida extra entre os dois no dia sete de agosto. Naquele tempo os jogos entre eles eram muito equilibrados. Todo mundo apostava num empate. O Vitória até que tomou mais a iniciativa conseguindo ter certo domínio da partida mas depois o Bahia equilibrou as ações.
No fim do jogo fizemos as substituições de praxe pra tornar o time mais agressivo, mas uns quinze minutos antes do final eu e meu irmão “Toínho” corremos pra entrada das arquibancadas da torcida do Vitória.  Chumbo grosso!  Nas finais de quase toda a década de setenta era lá que ficávamos, saindo nos momentos finais do jogo e subindo rapidamente a Ladeira da Fonte pra não ver a comemoração tricolor de mais um título.
O campeonato brasileiro só começou duas semanas depois do final do certame baiano. Eram 42 clubes (vige Nossa Senhora!) divididos em quatro chaves, onde as A e B tinham dez e as C e D(exatamente as que os baianos participavam) tinha onze. Mas se classificavam cinco de cada chave. Não era possível que ficássemos de fora.
                                                                      É mole?
O Vitória pegou logo duas partidas fora de casa em apenas três dias. Mas começou bem, empatando com a Desportiva (ES) sem gols. No entanto, no sábado, foi arrasado pelo Internacional por cinco a zero. Foi o maior baixo astral lá em casa! Aí começamos a desconfiar que poderíamos não nos classificar.
O Bahia começou também empatando sem gols, só que contra o Flamengo na Fonte Nova no domingo. Mas no meio da semana cairia para a Portuguesa de Desportos por dois a um. Mas, na próxima rodada se recuperaria ganhando do Santos na Vila Belmiro (2 X 0) enquanto o Vitória empatava com o Vasco da Gama na fonte do futebol em dois gols.
Na sexta rodada vinha o clássico baiano, o qual, adivinhem o resultado...novo empate, deste vez por um a um. Era o sexto aquele ano! O Vitória continuava sem ganhar apanhando, na sétima rodada, para o São Paulo no Morumbi por três a zero. Tínhamos chegado à metade do certame e o rubro negro não tinha ganhado uma. Que fazer? Desse jeito estávamos arriscados de ficar com a lanterna. Mas o Bahia também deu pra empatar.

Iriamos fazer agora duas partidas fora de casa, o nosso desespero. Nelas fizemos a façanha de perder para o CEUB (o que é isto?) de um a zero, e, depois, para o Goiás, pelo mesmo escore. Faltavam só quatro rodadas e, nas duas seguintes, jogaríamos com clubes do Nordeste na Fonte Nova. Só então o clube resolveu dar o ar de sua graça. Venceu o Náutico, de forma convincente, por dois a zero, e, logo depois o CSA de Alagoas, por dois a um.
Depois sairia pra jogar duas partidas fora de casa, terminando a fase do certame. Na primeira conseguiu ganhar do Americano de Campos por um a zero, animando a torcida pois passou a disputar a classificação.
A coisa ficou assim no Grupo C. O Flamengo e o Grêmio já estavam classificados. Mais ainda tinham três vagas a ser disputadas por América (RN), Figueirense, Santa Cruz, Portuguesa de Desportos, e...Vitória. Bastava ganhar o Sport pra estarmos dentro. A Portuguesa empatou e o América perdeu, embora o Santa Cruz houvesse ganhado do CSA (1 X 0). Aí tivemos de torcer pro Bahia, que não aspirava mais nada, ganhar na Fonte Nova do Figueirense.
                                                                 Poxa, de serra não!

Imaginem o que aconteceu? A classificação foi pro brejo pois perdfemos pros pernambucanos (0 X 2) e os próprios torcedores tricolores pediram pra equipe entregar o jogo, sendo esta derrotada por um a zero. Mais um sonho de uma noite de verão que se ia. O ano tinha mesmo sido chumbo grosso pro rubro negro baiano! Vitória e Bahia ficaram em oitavo em seus grupos. Chumbo grosso!
Mas era ainda cinco de outubro e ainda tinha mais de dois meses pra encerrar o ano. O que faria a dupla até lá? Era prejuízo na certa, e ainda tinha que pagar o 13º aos jogadores e funcionários! Aí entrou a mão salvadora do Estado. O governador Roberto Santos inventou tal de Torneio Cidade de Salvador, investindo maciços recursos da Bahia para “salvar a cara” dos clubes. Já tinha passado o aniversário da cidade(que era em 29 de março) mas insistiram em comprar uma taça e colocar seu nome.
Foi o maior torneio da história da Fonte Nova. Até então a praxe era fazer um quadrangular convidando um, dois, ou até três clubes de fora.  Mas deste vez foram convidados Santos, Vasco da Gama, Atlético Mineiro, Remo, Figueirense e Curitiba. Foi um mini campeonato nacional. Era a oportunidade pra um dos dois, Bahia ou Vitória, terminarem o ano bem.

O torneio começou em 25 de novembro com uma rodada dupla reunindo o clássico Vasco e Santos e Bahia e Remo, com os jogos não passando de empates em um gol. Logo depois nova rodada, entre Vitória e Figueirense e Atlético Mineiro e Curitiba. Na preliminar os mineiros ganhariam de dois a zero dos paranaenses, mas, no jogo de fundo, tivermos que amargar nova a derrota do Vitória pelo escore mínimo. Assim ficava difícil!
No dia 30, porém, ganharíamos o primeiro clássico este ano, no sétimo BA-VI, por um a zero, no sufoco. O jogo seguinte seria contra o Atlético e, se ganhássemos, disputaríamos a liderança com o Santos. A torcida rubro negra acorreu. Viu na preliminar o Vasco derrotar o Remo por três a dois, mas, na principal, o Vitória esteve irreconhecível, caindo de quatro a um.
Na semana seguinte o tricolor conseguiria um bom empate com o peixe em um gol. E, na próxima o Vitória desandava, perdendo pros cruzmaltinos por três a um. No outro dia o tricolor empatava de novo, agora com o Curitiba sem gols. Mas, graças ao regulamento esdrúxulo o Vitória se classificou. Irias pegar o Vasco, se passasse, o Santos na final.
                                É ver se ganhamos uma!

Foi com muita felicidade que vimos, há duas semanas de terminar o ano o nosso rubro negro ganhar da equipe de São Januário por um a zero. Fez um gol e jogou a bola “pro mato” pra garantir o resultado. O Vasco já tinha ido, agora era pegar o peixe no outro dia.
Foi um dos maiores públicos do torneio. Mas a alegria dos torcedores rubro negros não demorou muito. Logo o time do Santos começou a tomar conta das ações e mostrar que era superior. A bola foi entrando uma, duas, três vezes, na meta do Vitória, quando o Santos parou. Não precisava mais, havia ganhado o título com o nome da cidade. Chumbo grosso!

·          Agradeço as informações dos sites RSSSF Brasil e Bola na Área, e do Almanaque do Futebol Brasileiro. Sou grato ainda as imagens dos blogs sobrenada.org,baziingaa.blogspot.com,remilton.zip.net,wagnermarques.blogspot.com e porraman.com.

domingo, 20 de março de 2011

O recorde do urubu

                 
O CR Flamengo é honra e glória do futebol brasileiro. Possui quase todos os títulos, sendo campeão carioca, do Rio-São Paulo, brasileiro, americano e mundial. São tantos que nem os sites ligados ao clube sabem. Um deles eu vou informar agora. O Flamengo é o clube que mais jogou na Bahia. Custariam meses de pesquisa pra descobrir todas as partidas que o urubu jogou por aqui onde, além de Salvador, atuou em outras doze cidades do interior baiano, Ilhéus, Itabuna, Feira de Santana, Jequié, Vitória da Conquista, Juazeiro, Alagoinhas, Itapetinga, Jacobina, Ipiaú, Conceição de Almeida e Pedro Mangabeira.
Entre meus amigos da Academia há gente que acha que pesquisa sobre futebol não é assunto sério.  Pois tenho a dizer a eles que dá o mesmo trabalho de qualquer outra mais “nobre”. O site Flamengo estatísticas.com e o Almanaque do Futebol Brasileiro entram em várias contradições. Verifiquei apenas até 1960 observando que o primeiro ignora a excursão que o clube fez em março de 1946 na Bahia e o segundo omite algumas partidas da excursão de 1938.
Apresentam resultados diferentes na partida realizada contra o EC Bahia em Ilhéus. Afinal quem foi que ganhou por três a zero, o tricolor ou o rubro negro? E, por último, mas não por fim, o site rubro negro omite uma vitória do clube contra o tricolor baiano por quatro a zero (na excursão de abril de 1957) e uma derrota para o Bahia por três a um (na de maio de 1958), e o Almanaque esquece a temporada do urubu em dezembro de 1960 em Salvador e Itabuna. Chegam, assim, a números diferentes em relação às partidas do Flamengo. Podemos dizer, entretanto, sem sombra de dúvidas, que o clube é o de fora do estado que mais jogou nas praças esportivas da Fonte Nova, de Salvador e da Bahia.

No próximo ano faz oitenta anos que o urubu chegou aqui pela primeira vez, em novembro de 1932, no ano em que o país foi agitado pela chamada Revolução Constitucionalista. Na oportunidade deu em todo mundo, ganhando de Vitória (7 X 2), Botafogo (4 X1), Ypiranga (1 X 0), Bahia (3 X 2) e Seleção Baiana (3 X 1), só perdendo a última partida em função de dar revanche ao mais querido (2 X 3). Voltaria ao estado em pleno Estado Novo, quando a Bahia era governada por interventores, com resultados ainda mais arrasadores, pelejando contra Botafogo (7 X 1 e 2 X 1), Bahia (5 X 2 e 7 X 2), Galícia ((4 2), Vitória (4 X 1), porém perdendo mais uma vez para o Ypiranga (1 X 3).
Depois disto só quando terminou a ditadura Vargas e já se construía o Estádio Octávio Mangabeira (apelidado de Fonte Nova). Ganharia as três partidas que faria em junho de 1947, contra Vitória (5 X 2), Guarany (2 X 1) e Bahia (2 X 1); venceria o clássico contra o Fluminense carioca em janeiro de 1949 por cinco a zero; e excursionaria pela região do cacau e em Salvador em junho de 1950, onde se despediria do velho campo da Graça.
A Fonte Nova seria um grande mercado para os urubus. Suas primeiras partidas se dariam no Torneio Régis Pacheco, de triste memória para os baianos. Na oportunidade ganharia de oito a dois do Vitória, de dois a um do Bahia e ficaria em segundo lugar ao empatar com o Internacional (RS) em dois gols.
                                                  As vezes se confunde com a nação!

A partir de 1955, por sete anos seguidos, visitaria o estado, onde, entre outras partidas, jogaria a última vez com o Ypiranga em abril de 1955(2 X 1), ganharia da Seleção de Itabuna (7 X 1) e do Fluminense de Feira de Santana (5 X 0), e perderia para a Seleção baiana (0 X 2). Nos anos 60 jogaria por quinze vezes na Bahia, a maioria delas no interior do estado. Nesta época o intercâmbio esportivo faz com que haja um equilíbrio nas disputas mantidas, especialmente, com os clubes de Salvador, registrando cinco derrotas para o tricolor baiano, perdendo para o São Paulo pelo escore mínimo (agosto de 1965), mas vencendo o clássico carioca contra o Vasco da Gama em novembro de 1966 em Vitória da Conquista (2 X 1).  
Os certames nacionais se iniciam ao final dos anos cinquenta com a Taça Brasil, mas o Flamengo só vai enfrentar clubes baianos ao fim da próxima década no “Robertão”. A estadia do clube no estado só ganharia regularidade com a criação do Campeonato Brasileiro no início dos anos setenta. Em todos os anos da década viria à Bahia, onde bateria o recorde jogando 33 partidas. Nos primeiros jogos por torneios nacionais, perderia (0 X 1), ganharia (3 X 1) e empataria (1 X 1) com o Bahia; enfrentaria o Vitória por duas vezes em 1973, registrando-se empates sem gols; golearia Itabuna (5 X 0) e Fluminense de Feira de Santana (6 X 0), e, mesmo ocorrendo vários empates, o urubu perderia apenas quatro partidas, três para o tricolor e uma para o rubro negro baiano.
A Era dos certames nacionais teria apenas alguns anos de ausência do Flamengo na Bahia, ditada geralmente pela queda de algum (uns) de seus clubes da Primeira Divisão. O fato apenas ocorreu em 1982, 1983, 2005,2006, e 2007, registrando-se na época o recorde de vinte e um anos seguidos da presença do Flamengo na Bahia.  Os baianos se recordam em especial das vitórias da Catuense (2 X 1) e do Itabuna (1 X 0) sobre o urubu em 1988; das visitas deste a cidade do frio ganhando do Serrano por duas vezes (4 X 1 e 3 X 1) no mês de julho de 1989 e 1990; dos jogos sensacionais com o Vitória, cinco a zero para os visitantes na Fonte Nova e cinco a zero para os leões da Barra no Barradão (com diferença de apenas nove meses entre 1997/1998) e de nova goleada carioca (5 X 1) em maio de 2004.

A última partida do urubu na Fonte Nova foi em seis de abril de 2003, e, pra quem gosta de superstições, sete anos antes da sua implosão. Naquele dia compareceram, 50.426 torcedores para ver Bahia e Flamengo, que formaram assim. O time de Nelsinho Batista atuou com Júlio Cesar, Fabio Baiano, André Bahia, Fernando e Athirson; André Gomes, Fabinho e Felipe; Andrezinho, Jean (Felipe Melo) e Zé Carlos (Fernando Baiano).
O tricolor de Bobô formou com Márcio, Guto, Marcelo Souza, Valdomiro e Lino; Jair, Otacílio (Nilson Sergipano), Paulo Sérgio (Marcelo Nicácio) e Preto Casa Grande; Cláudio. Jogaram ainda Luiz Alberto e Adriano. Na ocasião todos os gols foram marcados por flamenguistas, Fernando Baiano e Felipe a favor e Fabinho contra, terminando em dois a um para os cariocas.  Não podia dar outro resultado, afinal tinham muitos baianos na equipe e, no mês anterior, o urubu completara cinquenta anos da sua primeira partida na Fonte Nova.
                                                              Ih, com esse aí sujou!

·   Agradeço as informações dos sites Flamengoestatísticas.com, do oficial do clube, do Futipédia e do Almanaque do Futebol Brasileiro. Sou grato as iomagens dos blogs eusouflamengo.com,magiarubronegra.worpress.com,taiapuramagia.blogspot.com,oglobo.globo.com,ligerinhonoesporte,blogspot.com,zoacaofc.com e alcilenecavalcanti.com.br.

sábado, 12 de março de 2011

Os funerais na Fonte Nova

                  
                                     
Descobri outro dia que Santo Antão e São Dimas são os santos representantes das gloriosas categorias dos coveiros e agentes funerários cujas celebrações se dão nos dias 17 de janeiro e 25 de março. O primeiro é uma referência nas práticas dos monges cristãos. Já o segundo é o “bom ladrão”, o que foi crucificado ao lado de Jesus Cristo e acreditou no que dizia.
No entanto, até onde entendo, este negócio de ladrão arrependido não funciona no futebol, a não ser talvez pra alguns dirigentes de clubes. Firmei ainda mais esta posição depois que fui verificar estas datas no futebol da Bahia.
A primeira vez que programaram uma partida na Fonte Nova em homenagem a Santo Antão foi em 1954. Aliás o jogo era importante e fazia parte dos preparativos para a seleção baiana participar do campeonato Brasileiro que haviam começado em dezembro. No início nossa seleção até que foi muito bem derrotando os visitantes mas após o Natal degringolou perdendo para o EC Bahia por três a zero. Nesse dia os baianos abririam a própria cova perdendo para o Vasco da Gama por dois a zero. Logo depois os paranaenses enterrariam de vez o nosso selecionado que ficaria como o santo, solitário e sem passar da primeira fase.
                                                               Festa em funeral?

A experiência foi tão ruim que levaram treze anos pra fazer outra homenagem ao ramo, mesmo assim aos agentes funerários. Foi no dia 25 de março de 1967. Era a última partida do segundo turno ainda pelo campeonato do ano anterior. O Bahia pretendia se reabilitar contra o Leônico que apontava na liderança do turno. Mas qual! Deu mesmo o moleque travesso que, ao ganhar do tricolor por três a dois, teve uma recaída roubando o ex-esquadrão de aço deste mundo, digo do campeonato.
O resultado custou mais um período de discriminação desta valorosa categoria na sede da FBF. Agora, inclusive contando com o veto do Bahia. No entanto, no fim da década, quando o tricolor perseguia o heptacampeonato, julgou-se em condição de afastar a superstição. Afinal (diziam os dirigentes) não é possível praticar futebol prendendo-se a estas crendices.
Diga-se de passagem, a categoria costuma contribuir financeiramente nas eleições e não podem ser desprezados os seus votos. Olhem que não estou fazendo uma relação entre a prática de São Dimas antes de se arrepender e s destes dirigentes de clube. Inclusive pelo fato de Paulo Maracajá ser hoje o respeitável presidente do Tribunal de Contas dos Municípios da Bahia.
                                                        
Desta maneira o Bahia aceitou que marcassem o clássico contra o seu arquirrival rubro negro pra 25 de março de 1979. O resultado fez correr um suor frio na espinha nos seus dirigentes e torcedores. O Vitória ganharia de um a zero e, neste ano, conseguiria ficar vários jogos sem perder para o Bahia só não ganhando o título graças a um “frango” antológico do goleiro Gelson.
Mais uma série de anos se passou sem que se homenageassem de novo os coveiros ou agentes funerários. E olha que durante esse tempo deu Vitória na cabeça (1980), depois mais um “tetra” do Bahia (1981-1984), voltando o rubro negro a ganhar em 1985. Em compensação nada de votos pra Paulo Maracajá presidente do clube. A má vontade só terminou em 1987, quando o esquadrão de aço disputava o “bi” e julgou-se em condição de enfrentar a “crendice” . Além do mais, o deputado estadual-presidente iria concorrer a sua reeleição no ano posterior e precisava amealhar apoio.
Assim programaram uma rodada dupla amena pelo campeonato no dia 25 de março de 1987.  Na preliminar jogavam Ypiranga X Bahia de Feira de Santana. E na principal Botafogo X Galícia. No primeiro jogo deu empate entre os aurinegros e o homônimo da cidade que é a Princesa do Sertão. No jogo principal os granadeiros tinham deixado de ser favoritos. É que não eram mais aqueles estando há anos fora da primeira linha do nosso futebol.
                                       É issso aí o ganha pão de quem São Dimas protege!

Nesse ano só perderia pra Deus e o mundo sendo rebaixado para a Segunda Divisão estadual. Mas o que parecia “sopa no mel” pro Botafogo (que fazia boa campanha este ano) quase acaba mal com a equipe da colônia espanhola por pouco não tirando valiosos pontos dos diabos rubros que, á custo, ganhariam por três a dois. A renda foi tão pouca que houve quem desconfiasse que São Dimas houvesse se arrependido de se arrepender.
Três anos depois o rubro negro decidiria arriscar. Havia sido campeão do ano anterior e já tinha construído o “Barradão” estando se despedindo da condição de mandante de jogos na Fonte Nova. Além do mais seu presidente Paulo Carneiro estava de olho na política onde, pouco depois seria eleito vereador de Salvador.
O jogo foi à estreia do Vitória no segundo turno e apresentaria um péssimo resultado naquele 25 de março de 1990, três a um pro Fluminense de Feira de Santana. Uma das poucas derrotas da campanha do “bi” e quase que a equipe perderia sua classificação para as finais no seu grupo.
                                            E Michael nem imaginava que estava na fila...

Não acredito em bruxas mas que las hay las hay. As últimas tentativas de homenagear a categoria são aterrorizantes. Parece coisa de Alfred Hitchcock. Aconteceram as duas 17 anos depois, em 17 de janeiro e 25 de março de 2007. O Bahia ganhou as duas, pro Camaçari(2 X 0) e pro Atlético de Alagoinhas(1 X 0). Mas imaginem que os times do Pólo e da terra da laranja ofereceram a maior resistência ao tricolor que teve que suar pra vencer.
Mas depois disto ocorreria uma série de coisas extraterrenas! O Bahia continuaria na Terceira Divisão, enquanto o Vitória subiria pra Segunda. E, exatamente oito meses depois, uma tragédia aconteceria durante o jogo Bahia e Vila Nova (GO) quando cederia uma fresta do estádio caindo por ela várias pessoas ocasionando sete mortos. Na época havia sido anunciada a realização da Copa do Mundo de 2014 no Brasil e o governador Jacques Wagner aproveitaria a ocasião pra proibir a realização de jogos no estádio.
                                            Será que ainda dá?Longa vida pro nosso blog!
Foi o dia da primeira morte da Fonte Nova. Mas o que eu fico impressionado é como é que São Dimas e Santo Antão dão tanto azar a quem os homenageiam!

·         Agradeço as informações do Almanaque do Futebol Brasileiro, e dos sites RSSSF Brasil, Granadeiros Azulinos, Wikipédia, ICP, Futipédia e Esporte. uol. Sou grato também às imagens dos blogs freetela.com,estreladeorion.blogspot.com,irrestrito.com,download-ditudo-gratis-blogspot.com e pegaki.com.