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sexta-feira, 30 de março de 2012

Pra frente Brasil na Copa?



Após a reunião dos membros do Comitê Organizador Local(COL) da FIFA que vasou, toda a imprensa do Brasil divulgou o slogan da Copa do Mundo de 2014, all in one rhythm (todos em um ritmo). A notícias foi dado por um site de marketing esportivo. A FIFA deve anunciar o slogan, que já está dando o que falar, nos próximos dias.

Como todos sabem o slogan é peça importante e deflagradora das campanhas de marketing para a promoção de um evento.  A informação é de que a entidade mater(ou madrasta?) do futebol escolheu o slogan com base em "pesquisas" feitas para captar o sentimento da população brasileira em relação ao evento.

           Enquanto isso os estádios estão pior do que o Coliseu!


A "novidade" buscada foi reunir em uma só frase dois grandes ícones de mobilização no país, a música e o futebol. Mas o que se sabe, por debaixo do pano, é que a frase já estava pronta há mais de um mês, tendo inclusive sido apresentada e aprovada pelos parceiros comerciais da entidade.

A iniciativa pode ser novidade lá pras bandas da Suiça mas nós aqui no Brasil já vimos esse filme em 1970 na Copa do México quando o bordão era "todos juntos vamos pra frente Brasil". No futebol deu mas na política e na economia o país entrou pelo cano pois os militares ficaram mais quinze anos no poder mesmo que a economia, inchada artificialmente, fosse de mal a pior.

                              Socorro Romário!


Não foi o filósofo Karl Marx quem disse que as coisas só acontecem duas vezes como farsa? Olhem que pode ter razão de novo, pois a seleção atual nem de longe se parece com o time que tinha Pelé, Gerson, Rivenilo, Tostão e Jairzinho. Mesmo que, no campo da música, acabasse projetando figuras como Wilson Simonal, Don e Ravel e outras lugubres personagens.

Desta vez pode ser ao contrário, estamos bem na música e ruins no futebol. Até o técnico mano Menezes acabou dando "azar" ao dar um belíssimo exemplo para os jogadores ao dirigir embriagado e ainda por cima se recusar a fazer o teste de bafômetro. Pra piorar a tal escola de samba "unidas no mesmo ritmo" nem ainda chegou aos estádios da copa, que vão cada um em um ritmo e uma direção. Por sinal, só esta semana, houve nova greve e intoxicação de operários devido á alimentação estragada.

                  Vai liberar também acarajé com caipirinha?


Mas, assim como em 1970, o governo vai bem obrigado. Na última quarta feira a Câmara dos Deputados aprovou o texto principal do projeto da Lei Geral da Copa passando por cima de tudo e todos e das próprias leis do país. Nunca se viu tanta falta de independência, tanto um poder se agachar perante uma entidade internacional. O povo certamente estará se perguntando se tudo é cedido á FIFA(que não tem dinheiro nem canhões)imagine o que se faz por debaixo do pano com o FMI, o Banco Mundial e o Departamento de Estado norte-americano! Entre outras coisas foi aprovada a venda de bebidas nos estádios, terminantemente proibida pelo Estatuto do Torcedor.

terça-feira, 7 de fevereiro de 2012

Viagem 2 – A ilha misteriosa

                                   
O filme A ilha misteriosa, dirigido por Brad Peyton, está em sua segunda parte. Desta vez o jovem Sean Anderson vai procurar a avó que está perdida em uma ilha mítica. Nesta nova viagem é acompanhado pelo namorado da mãe. No elenco há desconhecidos como Josh Hutcherson, Dwayne Johnson e Vanessa Hudgens, sendo a exceção o veterano ator de aventuras Michel Caine. 
Mas o que ninguém sabe é que a série é inspirada na Bahia. Afinal foi aqui que aconteceram quiproquós que desmoralizou os poderes públicos.  O primeiro foi há exatamente duzentos anos atrás quando brigavam os grupos políticos de Ruy Barbosa e JJ Seabra. O primeiro era a referência da oposição para as eleições presidenciais e o segundo era ministro. A oposição entrou em desespero ao se aproximar a data do pleito (fevereiro de 1912) sem candidato que pudesse fazer frente ao velho caudilho.
           Até os piratas apareceram pra roubar em Salvador!

Foi assim que imaginou um tresloucado ardil. Assim, fez renunciar o governador e o vice para assumir o presidente da Assembleia Legislativa. Como o órgão estava em recesso não pode ser convocado para decidir sobre a eleição o que garantiria o adiamento do pleito. Ciente da manobra espúria os adeptos de Seabra foram para a rua (acompanhados de gente que ficou indignada com a situação) e aí o novo “governador” mudou a capital para Jequié (acreditem!) para reunir-se sem pressões populares.
Os partidários de Seabra obtiveram sucesso no juízo federal para manter a eleição mas o “governador” não acatou entrando com outro processo na instância estadual obtendo parecer diametralmente oposto. E aí? Aplica-se a decisão estadual ou federal? Enquanto estava nesta pendenga houve a intervenção federal na Bahia. É que o presidente da república aproveitou a ocasião para afrontar seu adversário político e foi drástico e violento. O comando do Exército não quis saber de conversa comparecendo ao Palácio na Praça Municipal para advertir que só esperava até o fim da manhã para o cumprimento da decisão federal.
                                                   Quase sái porrada em Itabuna!

Sem resposta no início da tarde começaram os bombardeios, desde o Forte do Mar e o Quartel do Barbalho. A Praça Municipal e a Rua Chile foram quase destroçadas com as bombas destruindo vários prédios e danificando seriamente o próprio palácio que perdeu parte de seu acervo histórico pra não mais recuperar. A eleição houve e Seabra venceu disparado. Como sempre na Bahia ninguém foi punido e tiraram o sofá da sala. Mas o estado guarda até hoje sinais desse confronto político que manietou o Poder Legislativo e o próprio Exército Nacional.
Pois não é que as elites não aprenderam a lição? Cem anos depois, estamos assistindo na Bahia uma história semelhante mas como disse o filósofo a história só se repete como farsa. O motivo é fútil uma greve de policiais militares. Mas as razões que colocaram em movimento os atores são muito reais.
                                          Não adianta se benzer e depois intervir na Bahia!

Em meio a uma crise econômica que afeta diversos países da Europa e a outrora impugnável economia norte-americana o discurso das nossas autoridades (reforçado pela mídia á serviço do seu generoso patrocínio) é de que “o Brasil não será atingido pela crise”. Na verdade isso começou com Lula que, ao lado de dizer que a mesma não se tratava mais do que uma “marolinha” gastou os tubos do dinheiro do país dando dinheiro aos empresários para evitar a recessão. Só para os bancos foram 91 bilhões. Foi assim que Lula contornou a crise num processo que até hoje está em aberto pois nenhum veículo sério da imprensa quis se dedicar a isso até hoje.
Na verdade as ações de Lula em 2008/2009 não foram diferentes daquelas adotadas por muitos países que entregaram trilhões de dólares aos banqueiros e outros empresários para...adiar a crise por dois a três anos. Hoje estamos pagando o que Lula fez pra empurrar a crise com a barriga e as benesses que fez pra eleger Dilma.
                                                             Esse é o dono da bola!

Logo que assumiu o poder a presidenta começou a cortar gastos e despesas, voltando-se para enxugar a máquina, e especialmente para arrochar os funcionários públicos. As medidas de Dilma são semelhantes aquelas que estão sendo adotadas nos países que passam por graves crises econômicas. E foi nesse quadro que impôs severos cortes no Orçamento da União para 2012 e atingiu os estados. Só para se ter uma ideia, para a segurança pública estão alocados apenas 0,43% enquanto 47,19% são disponibilizados para o pagamento de juros e serviços e refinanciamento da dívida.
O setor de segurança gravemente afetado pela situação vem reagindo desde o ano passado quando os bombeiros do Rio de janeiro fizeram uma greve memorável e devidamente criminalizada pelo governo. Os policiais militares reagiram com uma PEC que garante a isonomia salarial da categoria em todo o Brasil acabando os absurdos que reinam, por exemplo, entre os rendimentos dos policiais de Brasília e os de Rondônia.
                                             Oh Eliana cadê o tal Poder Judiciário?

Houve diversos movimentos desde então mas a bola da vez estava reservada para a Bahia. É que aqui há um contencioso desde a greve da PM de 2001 e que foi praticamente ignorado pelo governador Jacques Wagner logo após ser eleito. Não foi á toa que a associação criada por algumas das lideranças daquela greve acabou se constituindo na maior referência da greve da categoria.
Os policiais começaram seu movimento desde novembro do ano passado sem qualquer atenção do governo estadual que preferiu ignorá-los. Diversos sinais mostravam a insatisfação nos quartéis mas o governo achou que poderia resolver a situação com o ridículo reajuste dado aos servidores públicos que sempre ignora as perdas das categorias. Pagou pra ver e viu, depois de onze anos, outra greve da PM que já dura uma semana.
                                         
                              Até os shows musicais foram cancelados!

Uma greve da PM não é simples, pois se trata de uma corporação que assegura hoje quase 90% da segurança do estado que tem uma capital em 22º lugar no mundo em matéria de mortes violentas. Mas o que chama a atenção nesta greve é o procedimento do PT e seu governador usando de força completamente desproporcional a “ameaça” sofrida e politizando a greve de forma incompetente.
Foi aqui realmente que os produtores da ilha misteriosa vieram buscar os argumentos. Em que outro lugar se veria tanto descalabro que fizeram o governador Octávio Mangabeira dizer alguma coisa como “Diga-me um absurdo e eu lhe apontarei na Bahia”. O governo agiu de forma a suspender as garantias constitucionais. Suas pressões levaram ao Ministério Público local a lacrar a sede da Associação dos Policiais, uma sociedade civil!!! A juízes efetivarem mandatos de prisão sem processos constituídos e sem direito de defesa e de constituição de advogado como manda a lei para os acusados.
                                     Será que vão jogar bombas na Assembléia Legislativa?

Amordaçou assim o Judiciário e o Legislativo que fizeram de conta que as ilegalidades não existem. A mídia local permanece autocensurada tentando agradar ao governador. Desinforma a população sobre a greve, divulga que os policiais estão por traz de todos os atos criminosos cometidos na cidade, e transmite tudo o que os governantes declaram sem entrevistar praticamente os grevistas.
Mas faltava um ato tresloucado para mostrar que a Bahia é uma terra sem lei mostrando que ficou a cultura política legada pelo famoso “cabeça branca” que governou o estado durante 40 anos com mão de ferro: a nova intervenção federal na Bahia. Quem diria que esta fosse patrocinada pelo PT, o partido que um dia ajudei a fundar e militei por tanto tempo?
                                             Nossa, me lembrou o tempo da ditadura!

Foi Wagner que pediu a presidenta Dilma a intervenção federal. E esta se faz mostrando que a Bahia pouco vale na dita federação brasileira pois sequer o assunto foi parar no Congresso Nacional, como exige a lei que trata das intervenções determinando sua discussão naquele órgão 24 horas após a decretação. O governo do estado alienou o território do CAB (onde fica a Assembleia Legislativa) em favor da União por tempo indeterminado, e a presidenta nomeou um interventor, o próprio comandante do Exército para interditar a sede da administração do estado baiano.
O Poder Legislativo da Bahia é tratado como coisa chinfrim. Cortaram - lhe a luz, cercaram-lhe, retiraram aos seus frequentadores o direito de ir e vir, fazem-lhe voos rasantes de helicópteros, e impedem até os deputados de entrar no prédio. Tudo isso, nas mais caras tradições das repúblicas de banana. Pra gozar com a cara da população baiana enquanto esta sofre todo tipo de violências e tem que se refugiar em suas casas pra escapar dos assaltos e mortes, mil soldados da tal Força Nacional ficam tomando sol na porta da Assembleia cercando os grevistas que lá estão acantonados. Em numa semana de greve da PM contabilizamos cem mortes e quase trezentos carros roubados em Salvador e região.
                                               A morte caminha solta por Salvador!

No último domingo a crise política e militar atingiu o futebol. O Comando da PM teve que levar até recrutas para garantir a rodada do campeonato baiano mas mesmo assim o policiamento foi bastante reduzido. Mas o pior mesmo ocorreu em Itabuna que recebeu o EC Bahia para jogar contra o clube local. É que os policiais da região estavam em greve e não aceitaram fazer o policiamento do jogo trancando-se no quartel. No entanto, como a Rede Bahia (que faz parte da Rede Globo) comprou os direitos de transmissão do campeonato é ela quem manda na FBF, nos estádios, nos clubes, e quem mais vir pela frente.
O que aconteceu então foi surreal. O próprio presidente da FBF telefonou para o árbitro do jogo para que desse o limite de espera previsto no regulamento, uma hora. A população de Itabuna quebrou os dois portões do estádio e entrou de graça. A tal da Força Nacional só “chegou” ás 17:15, quando já tinha começado a 6ª rodada do certame em todos os outros estádios. Mas a Rede Bahia só informou aos espectadores que estavam tendo problemas ás 17:00, quando isso não podia mais ser escondido.
                                        Os baianos estão se escondendo com outra pele!

O jogo foi realizado, mas com o ridículo de....quatro soldados do Exército. Não fossem a compreensão da população da cidade as equipes do Bahia e Itabuna, além do público e pessoal que foi trabalhar no jogo, correria sério risco. Esta semana tem mais duas rodadas pelo campeonato, e domingo tem nosso maior clássico, o BA-VI. Corre por aí que o Comando da PM está “recrutando” tudo que é estudante da polícia pra botar uma farda e leva-los ao estádio. Se a greve durar até domingo isso será o cúmulo da irresponsabilidade!  De onde provém esse mistérios da Bahia?

sábado, 24 de setembro de 2011

De Londres, Marx e do bicho doido


                   Dizem que o capitalismo está por um fio!

Não sabia que aquela noite no fim de junho que fomos à Companhia da Pizza em Salvador iria me proporcionar tantas emoções. Quando o locutor, entre uma musica e outra de um conjunto cover dos Beatles (que já não me lembro do nome) anunciou que o Beatles Social Club – BSC faria uma excursão temática em Londres e Liverpool em setembro não tive dúvidas. Procurei na hora Valdir, do grupo de rock Travolta, solicitando a programação, o preço e as datas das reuniões dos viajantes.
O resto foi só convencer minha companheira Cybele. Não foi necessário muito esforço. A excursão era barata (12 dias por 3.600,00 com passagens, hospedagem e passeios incluídos), e já havia tempo que ela não via os sobrinhos Rafa e Matheus, que se encontravam, respectivamente, em Dublin e Londres.
                                                   E tinha lá até a Ana Paula Arosio!

Aí me motivei a voltar às aulas de inglês (desta vez com a excelente professora Elvira), compramos libras e euros e fomos às reuniões do grupo, que começou com uns doze e chegou a quinze em Liverpool. Ainda deu pra convidar Roberto Cabus, velho camarada de batalhas de solidariedade internacional a Cuba nos anos 80.
Foi com este que comecei a discutir, ainda antes da viagem, uma excursão paralela, o “roteiro Marx”. É que, entre as pesquisas para a viagem incluí informações sobre a casa onde viveu Marx e o pub onde dava aulas, o túmulo onde se encontra em Highgate, a casa onde viveu Engels, e o antigo teatro onde foi fundada a I Internacional. Cabus topou logo, outra pessoa da excursão também confirmou o programa (entre vários outros), Vitor não topou e o resto do grupo sequer se pronunciou.
                                                                   Eu vi no Soho!

Percebi então que só o roteiro dos Beatles iria ser comum a todos, e cada um teria que fazer a programação que lhe dissesse algo mais. Desta forma, coloquei nove dias a mais após a excursão para que pudéssemos dar conta de nossas necessidades políticas, familiares e turísticas. A riqueza do roteiro do BSC, no entanto previa bastante atividades e tivemos que utilizar os poucos momentos livres e o encerramento da excursão original pra cumprir a nossa programação particular.
Desta forma nosso “roteiro Marx” teve que ser feito em etapas. A primeira foi a visita ao seu túmulo. Pra isso contamos com um problema na excursão. É que o pai de nosso cicerone em Londres baixou ao hospital e os passeios do sábado não puderam ser realizados. Assim, pudemos encontrar com Matheus e Karen nesse dia e combinar para o outro dia a visita a Highgate e outros locais. Mas como tudo que é bom tem que abdicar de alguma coisa, perdemos a visita á feira e ao bairro de Camden Town, deixando de conhecer uma região criativa que deu ao mundo, entre outras, a figura de Amy Winehouse. E o pior é que ainda perdemos Cabus para este programa.
                                           Reunião clandestina da Liga dos Comunistas!

Não podia haver um dia melhor pra visitar Marx que um domingo, uma semana antes do aniversário de dez anos do atentado às torres gêmeas. Como ainda não sabíamos operar com esses irritantes “hotéis” ingleses (estilo faça tudo você mesmo) tivemos que acordar as nove horas da madrugada, tomar nosso breakfast num café da esquina, e voltar pra encontrar Matheus e Karen pouco depois das dez na porta do Hyde Park Hotels em Bayswater.
Desculpem o parêntesis, mas não posso deixar de contar o que passamos em matéria de hospedagem em Londres e Liverpool. No resto até que ficamos em hotéis mesmo, mas nessas cidades a hospedagem tinha um conceito muito moderno para o nosso gosto. Não foi tanto pelo “apertamento” pequeno e pior que um kitchenette baiano, mas pelo fato dos que imaginaram esse sistema ter o desplante de colocar no mesmo quarto a cama, o armário, a cozinha (com fogão, gás e tudo) e a TV. Só deixaram o banheiro separado.
                                               Droga, só perdi a casa da Amy Winehouse!

De forma que quando estirávamos o pé pra fora da cama quase batíamos no extintor, e tínhamos que ter cuidado ao acordar pra não chutar o fogão. Era tanto botão pra apertar que fomos embora e não descobrimos como fazer café no quarto, embora o restante do grupo não combinasse com a nossa ignorância. Mas vamos voltar a Marx, quero dizer ao passeio com nossos sobrinhos.
A nossa opção foi deixar o cemitério por último, por necessitar pegar o metrô. Desta forma fomos, em primeiro lugar, ao Hyde Park a uma quadra de onde estávamos. Ali pudemos gozar de breves instantes de tranquilidade numa Londres que vive apressada (caminhando não se sabe pra onde) junto as margens de seu lago apreciando cisnes, barquinhos e o Cooper dos residentes em uma capital que conta, pelo menos, com 40% de imigrantes.

                                                         Pô, esse é o Groucho Marx!

Ainda a pé fomos a Nothing Hill em uns dez minutos de caminhada. Eu já conhecia o bairro do filme Um lugar em Nothing Hill e confesso que o visitei esperando a qualquer momento ver Julia Roberts e Hugh Grant saindo de alguma de suas belíssimas e coloridas casas. Mas desci logo dos sonhos do cinema com a informação de Matheus sobre os preços das casas e aluguéis no bairro, estando explicado porque a livraria do personagem Will (Hugh Grant) faliu.
Mesmo com uma casa beirando as 700 mil e aluguéis a 1.500 libras mensais o comércio local é pequeno e de fazer inveja. São casas com fachada de madeira onde se pode encontrar de tudo, desde produtos tradicionais a antiguidades, pubs e mercadorias dignas de colecionadores. Mas ali nos limitamos a tomar um sorvete italiano e visitar um legítimo pub irlandês onde encontramos inclusive a foto de um show dos Beatles em 1966. Pensamos em almoçar por ali, mas preferimos fazer isso em Highgate pra ganhar tempo.
                                        Vejam se o Benazzi não parece um revolucionário!

O lugar é longe à beça, fica no Condado de Isligton, e tivemos que pegar alguns trens trocando de plataforma no metrô. Descemos na estação de Artway e aproveitamos pra almoçar num excelente restaurante persa das proximidades. Nessa hora a presença dos sobrinhos foi essencial, pois um cardápio em inglês e nomes de comidas turcas ninguém merece! Foi assim que conseguimos pedir e desfrutar de alguns dos bons pratos da culinária asiática.
Depois do almoço enfrentamos uma longa ladeira até a colina de Highgate. Na ocasião ainda pensava que Marx havia sido trazido para ali desde o Soho, e me intrigava, pois o bairro era ainda mais longe de Nothing Hill. Para encontrar o túmulo do herói da minha juventude tivemos que caminhar até o Waterlow Park (não confundir com Waterloo), cuja entrada é à direita, perto da Igreja de Saint Joseph.
                             Grito de minha mulher quando eu caí das escadas do lago Ness!

Tem que atravessar o parque pra encontrar o cemitério onde Marx está. Mas lhe asseguro que se trata de um passeio muito agradável. O lugar é lindo, aliás, sem querer parecer lúgubre, é onde qualquer um escolheria pra ser enterrado. Como Matheus já sabia o caminho foi só caminhar meio quilômetro para sair no caminho dos cemitérios. Reparem que falo no plural. É que atualmente existem dois cemitérios em Highgate embora na época em que Marx morreu era um só com alas diferentes, sendo nosso revolucionário enterrado na dos banidos pela Igreja Anglicana.
O cemitério onde Marx está fica à esquerda do caminho e nem tem um portal de entrada como o outro, limitando-se a um portão e uma portaria, onde se paga a visita e se pode comprar alguns folhetos. Mas atenção é preciso que se saiba que há dois túmulos de Marx, aquele onde ele foi enterrado e o novo, criado nos anos 50. Sabendo do fato pedi a meu sobrinho para perguntar ao responsável pela portaria mas ele disse não saber onde ficava o primeiro túmulo, seja por ignorância ou por não gostar da hora em que chegamos.
                                                      Não foi eu que botei as flores!

Sendo comunicados que o cemitério fechava às cinco e não às seis como pensávamos, descemos com a expectativa (como bons brasileiros) de ultrapassar o horário permitido. O cemitério é belo e, pelo menos os túmulos que se encontram nas suas ruas estão bem conservados. Ali estão comunistas de alguns países que escolheram compartilhar o local de sua última morada com o revolucionário.
Não foi preciso caminhar muito. Bastou descer o caminho ao lado da portaria e andar mais um pouco até uma esquina. É um misto de monumento e túmulo constituindo-se de uma pequenina base de pedra sobre a qual se ergue um bloco de granito que serve como lápide, e, em cima deste, uma grande cabeça de Marx. É de autoria do escultor Laurence Bradshaw.
                               Concorrida representação comunista no Parlamento Britânico!
Na frente do bloco está uma versão da famosa frase Trabalhadores de todo o mundo uni-vos. Em baixo da lápide encontra-se uma das afirmações das suas Teses sobre Feuerbach: Os filósofos apenas interpretaram o mundo em vários sentidos, a questão é transformá-lo. Estão ali, além de Marx, sua esposa Jenny, sua filha Eleanor, o genro Harry Longuet(casado com sua filha Jenny), e a governanta da família Helena Demuth (com quem Marx teve um caso).
Confesso que, mesmo depois de todo esse tempo de batalha, fui tomado por uma emoção muito grande por estar ali onde inclusive Engels havia pronunciado uma oração fúnebre.  Depois de observá-lo, andar em volta dele e tirar várias fotos, minha sobrinha Karen filmou minha presença ao lado do túmulo. Até que chamei Cybele pra sair na foto ao meu lado mas ela não aceitou. Pode ter sido por não gostar de visitar cemitérios, por querer que eu desfrutasse sozinho aquele momento, ou por não querer aparecer em “fotos comprometedoras”. Na ocasião Karen pediu que eu dissesse como me sentia mas fiz um papelão. Só consegui balbuciar algumas palavras, tipo “é difícil falar”, lembrar de minha saudosa mãe (talvez porque Marx fosse meu pai na política)e chorar.
                                                       Ói o prédio onde morou Marx!

Depois foi a febril procura do túmulo verdadeiro. Tinha algumas indicações para isso. Estaria a uns duzentos metros atrás do atual, e seria uma lápide rasa e quebrada. Meus acompanhantes puseram em dúvida as minhas informações. Matheus disse que nunca tinha ouvido falar do assunto mas me ajudou a procurar.
Descemos a ladeira numa caça inútil verificando os túmulos que tinham essas características que estavam no caminho até uns quinhentos metros. Entrei pela floresta adentro em numerosos caminhos onde existem centenas de túmulos rasos. E foi quando estávamos nesta busca é que chegou uma senhora que trabalha no cemitério avisando que havia se esgotado a hora da visita.
                         Marx sentado ouvindo Engels falar numa sessão da I Internacional!

Não sei se foi a raiva mas achamos a mulher com uma cara mal assombrada. Parecia um fantasma. Mas pelo menos confirmou pro pessoal a existência do túmulo embora sem apontar onde se localizava.  Agora era a vez da subida mas continuei olhando pros lados do caminho, e digo a vocês, se encontrasse o túmulo não haveriam guardas suficientes pra me tirar de Highgate. Mas isso não seria necessário pois chegamos à portaria sem encontra-lo e as 17:02. Ah como são miseráveis esses britânicos em matéria de horário!
Após esta emocionante experiência atravessamos o Waterlow Park de novo e precisei sentar duas vezes. Não estava cansado mas digerindo a emoção deste inesquecível dia 4 de setembro de 2011 quando reencontrei meu herói da juventude. E foi ainda aéreo que visitei a Igreja Saint Joseph, descemos a ladeira pelo outro lado, tiramos fotos na Karl Marx casa de chá e pegamos o metrô em direção ao Soho onde fomos assistir a Orquestra do Clube de Jazz de Rowney Scott.
                            Ex-marxistas confabulando sobre como dificultar a aposentadoria!

Meu “roteiro Marx” não poderia ter começado melhor. Depois dali cumpriríamos mil programas, iríamos a Liverpool, visitaríamos as casas onde viveram os Beatles, mas só sentiria emoção ao entrar no quarto da casa da Tia Mimi onde outro herói da minha juventude, John Lennon, viveu sua adolescência e juventude. Em Edimburgo chegamos bem perto do túmulo de Adam Smith mas não havia tempo na excursão pra procura-lo no cemitério da igreja onde se encontra.
O restante do “roteiro Marx” só seria cumprido oito dias depois, e novamente sem Cabus que já havia partido. Aproveitando as férias da sobrinha Karen, percorrermos as ruas do bairro vibrante de Soho, onde encontramos o apartamento onde viveu Marx, entre fins de 1850 e 1856, o pub onde o revolucionário deu aulas, e o prédio onde foi fundada a I Internacional. Não nos deixaram subir pra ver onde Marx morou. Consolei-me pensando que nada devia estar como antes no clube privado que ali funciona num prédio que tem no térreo o Restaurante Marx (sic!) e agregados.
                                       Não dá Will pra procurar a felicidade no capitalismo!

O antigo pub Red Lion também está no Soho, e ainda é um pub, só que tem hoje outro nome. Entrei e dei uma boa olhada para o ambiente lotado percebendo que os seus fins atuais são, digamos, menos nobres. Já o antigo St Martins Hall agora é o Queens Theather, um dos principais teatros da cidade, e encenava por coincidência o musical Les Miserables estando na fachada uma figura portando colossal bandeira vermelha.
Meu “roteiro Marx” em Londres havia terminado, não dando tempo pra ir na casa onde Engels viveu em Primrose Hill que sequer havia descoberto o número. Fica para outra oportunidade!

*  Agradeço ao blog de Barbieri memórias do rock brasileiro. 

sábado, 20 de agosto de 2011

De PLANSERV, família e futebol de antigamente



Gente, ontem a conversa aqui em casa foi séria. É que depois da criatividade do governo da Bahia em debitar todos os crimes ao uso de crack agora arrasou definitivamente em matéria de criatividade. O motivo da desavença familiar foi a proposta do governo de reduzir o atendimento do plano de saúde do estado, o PLANSERV que, dizem as más línguas, não serve.
E olhem que precisei argumentar muito pra mostrar a minha mulher que precisamos ajudar o governador Jacques Wagner do PT. Eu lhe disse que o coitado do governo tem muita gente pra atender, quase quinhentas mil, e que não ouvisse essas intrigas da oposição que dizem que quem inchou o plano foi o próprio governo contratando Redas e outro9s “prestadores  de serviço” sem concurso passando a arrecadar mais.
      
                             Agora não precisa mais incomodar o PLANSERV! 

Além disso nossos colegas funcionários são muito atirados. Imaginem que estão “exagerando” até nos exames, nas consultas e cirurgias. É preciso deixar de ir ao médico por qualquer motivo minha gente! Temos que pagar e não usar pra ajudar o governo a sair da crise! Um dia desses vi no Barradão um exemplo que o governo da Bahia podia adotar. Um jogador deslocou o ombro e o cara da maca colocou na mesma hora sem precisar de médico! E em outro dia foi um juiz que deu sua cota de colaboração ao governador ao não procurar o médico após tomar um pontapé de Rildo.
Minha mulher não quer entender que sete consultas por ano dão perfeitamente pra atender aos servidores. Afinal de contas ela poderá fazer uma consulta de dois em dois meses. E se  sentir mal fora deste prazo é só esperar dois meses e será perfeitamente atendida pelo governo!                       
                           Fila pra atendimento no PLANSERV!

Se tiver sorte, e conseguirmos um “pistolão”, podemos(quem sabe?) conseguir fazer até um exame! Sim, minha gente, ai está outro absurdo que o governo reparou. Os funcionários e seus dependentes estão usando os exames de maneira “abusiva”! Mas também aí já é culpa dos médicos. Porque eles insistem em mandar fazer exame pra poder dar um diagnóstico? Antigamente não tinha nada disso, o médico examinava mesmo era com as mãos. Pegava aqui, apertava ali e logo descobriam o que agente tinha. Porque não voltarmos a esse delicioso tempo? Aí podíamos ajudar o governo fazendo com que não pagasse exames.
Outra coisa que poderia combinar com os médicos é reduzir drasticamente esse negócio de doenças graves. Com os avanços ´médicos dos últimos anos nem mesmo o câncer pode ser considerado “doença grave”. Aí o governo da Bahia podia dar mais uma contribuição extraordinária à criatividade eliminando definitivamente esta doença do mapa do PLANSERV. O que acabaria de tratamentos, consultas e exames periódicos não está no gibi!
                                    Nem o Lanterna Verde vai conseguir mais ser atendido!

Eu lembrei a ela que, além da economia com a restrição dos procedimentos, o governo criou uma nova tabela de valor dos descontos do PLANSERV e diz que assim vai “melhorar a  assistência”. Não explicou ainda como se pode fazer isso limitando os procedimentos, mas tenho certeza que o secretário Manoel Vitória vai explicar. Quem sabe eu possa agendar pra daqui a alguns anos minha sonhada operação de próstata?
Não tendo mais nada pra argumentar ela veio com um casuísmo. Disse que, como não sabia, esse ano já usou as sete consultas permitidas pelo governo. Aí eu disse a ela que não viesse com esses “detalhes”. É só segurar mais cinco meses até a nova consulta. E, em caso de muita necessidade, ainda podemos muito bem “pagar por fora” com o robusto salário que recebemos do governo.
                                                    Mas que é isso Ricardo Teixeira?

Quem sabe se essa coisa acaba sendo adotada pelos planos de saúde? Pois se o sério governo da Bahia a adota quem dirá o Sul América, BRADESCO, e outros bichos, alegando estarem também em crise!
Mas vamos deixar essas besteiras pra lá e falar do que interessa, o futebol. Há algumas semanas atrás fui levado pelo amigo Alexandro Ribeiro pra visitar o grande estudioso do futebol baiano Mário Gomes. Durante a auspiciosa conversa procurei em seus apontamentos e achei os nomes de meu pai Franklin Oliveira e de meu saudoso tio José Carvalho na escalação dos segundos quadros do Vitória nos anos de 1940 e 1941.
                                                   Marx está se revirando no túmulo!

Ah que alegria tive com esse achado, quando me lembro nem penso no PLANSERV! O jeito foi procurar como foram esses campeonatos que eles participaram.  Em 1940 meu pai tinha 19 anos e meu tio 20 quando vieram de Ilhéus pra estudar em Salvador e morar numa pensão no Gravatá, hoje situado em uma das cracolândias mais concorridas de Salvador. Que diferença daquele tempo quando a Rua da Independência era local de “gente bem” e além de meus avós morarem lá ainda tinham a companhia dos pais de ACM. E não é que foi ali que meu pai conheceu a minha mãe que ficava na janela quando ele passava?
Naquele tempo as coisas do esporte “profissional” do EC Vitória funcionava assim. Meu pai e meu tio acordavam na madruga pra ir remar nas competições do clube na Enseada dos Tainheiros. Remavam toda a manhã e depois de engolir um lanche iam pra Graça jogar na preliminar dos jogos do Vitória que começava com o sol à pino. Muitas vezes, quando alguém se contundia ou faltavam jogadores eles tinham que sentar no banco do time “profissional”.  
                                             Será que Franklin pai e Zeca estão por aí?

Meu tio Zeca não está mais aqui pra contar e meu pai não se lembra dos jogos que ele sentou no banco do time titular. Depois de 1941 a amizade dos dois irmãos foi abalada pois meu tio foi jogar no tricolor (imagine o motivo fútil) é que esse lhe ofereceu 200 mil reis pra se transferir para o Bahia! Meu pai não, preferiu ficar naquele sufoco e sem ganhar nada no Vitória.
O campeonato baiano de 1940 só teve a participação de cinco clubes e o rubro negro pegou uma tabela difícil onde jogou nas quatro primeiras rodadas com Botafogo, Galícia e Bahia. Ganhou do primeiro(1 X 0), perdeu do segundo(1 X 3) e empatou com o último (1 X 1). Mas depois desabou, tomando de cinco do Ypiranga, de sete do Bahia (Ave Maria, será que meu pai sentou no banco?) e de quatro do Galícia. As coisas só melhoraram nas partidas finais quando ganhou o mais querido(3 X 2) e o Botafogo(5 X 1).
                                                     E aí Bobô não vai dizer nada?

Acreditem se quiserem, o tricolor ganhou com uma mão nas costas e o time que meu pai jogava ficou em “quarto lugar”, ou seja em penúltimo. Convenhamos que foi uma má estreia pra meu pai e meu tio em matéria de campeonatos oficiais.
Mas aí fui olhar em 1941 pra ver se tinham arranjado alguma coisa. Afinal, foi nesse ano que meu tio se transferiu pro Bahia e não era possível que o time estivesse tão mal. O Vitória estreou na segunda rodada, no clássico contra o Bahia, que terminou empatado em três gols. Será que meu tio sentou no banco? Entrou pra jogar?
Mas naquela época o rubro negro era o mesmo que conhecemos hoje. Imaginem que perdeu pro Galícia e Botafogo por dois a um e venceu depois o próprio time da colônia espanhola (que seria campeão aquele ano)por quatro a um e o tricolor, campeão do ano anterior, por quatro a dois.
                                               Que injustiça essa campanha dos servidores!

No dia consagrado à independência empatou com o lanterna Botafogo em três gols mas ganharia os diabos rubros logo a seguir por três a um. Foi nesse mês que foi decidido o certame no empate entre Galícia e Ypiranga em um gol com o azulino colocando seis pontos à frente de tricolores e rubro negros que estavam empatados em segundo lugar. O Bahia ganhou do Galícia(1 X 0) e empatou com o Ypiranga(2 X 2). Quanto ao Vitória conseguiu vencer o Botafogo(3 X 1) mas, na última partida foi esmagado pelo Ypiranga tomando de seis a dois! Que desgraça, meu pai e meu tio nem conseguiam ser vice!
Os irmãos brigaram mas acho que meu pai se deu melhor do que meu tio. É que o Bahia não arranjaria nada nos próximos anos, e logo no certame de estreia de Zeca ficaria na vice-lanterna. Enquanto isso mesmo sendo a gloriosa época do tricampeonato do Galícia, o leão chegaria pertinho do azulino e, num desses enfiaria nove a um no time da colônia espanhola com sete gols do artilheiro Siri. Será que meu pai sentou no banco nessa partida histórica?

·          Agradeço ao jornal A Tarde e ao site do RSSSF Brasil.

terça-feira, 3 de maio de 2011

Bomba, bomba! Osama bin Laden era baiano!

     
Agora já posso contar, sem sofrer retaliações de nenhum dos lados, o segredo que guardo comigo há muitos anos: Osama Bin Laden era baiano e nasceu na Ilha de Itaparica. Eu sei que muita gente não vai acreditar pois a ilha foi divulgada em todo o mundo como um oásis de tranquilidade. Mas isso é conversa do João Ubaldo Ribeiro.
Outra coisa. A CIA de Osama (oh me desculpem o ato falho), digo Obama, erra a informar que sua mãe era a décima esposa de um potentado saudita. É que o velho Mohammed, além desta penca de mulheres, transou com uma professora da ilha chamada Maria que estava passando as férias na Arábia Saudita em 1957. Só assim é que se pode explicar o amistoso de comemoração com o nosso maior clássico na Fonte Nova dez dias após o nascimento de Osama, que já nasceu sofrendo pois o rubro negro venceu por dois a um.
Essas informações são muito defeituosas. A CIA não sabe nada, deviam demitir todos os seus espiões. Nunca procuraram saber o que ele fez até os vinte e dois anos. Será que pensam que ele foi pra algum deserto da Arábia e não saiu de lá? Pois bem, vou contar agora o que estava fechado “a sete chaves”.


Ele teve três vezes em Itaparica pra ver sua verdadeira mãe. A primeira foi quando veio passar o seu aniversário de três anos na Bahia. Chegou no próprio dia dez de março e acabou passando mais de um mês. Foi por isso que acompanhou pelo rádio a grande final da I Taça Brasil entre Bahia X Santos torcendo, naturalmente, para dar “zebra”. Foi quando se tornou torcedor do EC Bahia.
A segunda vez foi em janeiro de 1965, quando iria fazer oito anos, e se agravou a crise no futebol baiano. A invasão da sede do Diário de Notícias (que aconteceu nesses dias para “pegar” o seu diretor Paulo Nacife) foi o primeiro ato de agitação de Osama. Ele mandou um bando de itaparicanos torcedores rubro negros pra tentar acabar com o boicote dos Diários Associados ao futebol da Bahia!
E a terceira foi pra passar o seu aniversário de dez anos. Na ocasião, também ficaria mais de um mês, a tempo de financiar o time do Leônico aprontando uma grande sacanagem com o EC Vitória e fazendo com que este ganhasse o único título de sua história tirando o tricampeonato da “boca” do rubro negro. Nessa época arranjou até uma namoradinha mas quando essa soube das bombas preferiu um bombeiro da Praça dos veteranos!

Depois disso Osama só se correspondeu com Maria por cartas. Chegamos a ler algumas pois ele estava se tornando o inimigo número um do Vitória. Era no tempo em que suas cartas ainda não eram, abertas pela CIA e agente podia ler sossegado. Foi por ela que soubemos que ele tinha se mudado pro Afeganistão. Posso dizer a vocês que isso se deu por dois motivos. Participar da resistência contra os russos que haviam acabado de invadir aquele país, mas também muita decepção com a CBD que colocou “gatos e cachorros” na tabela exculhambando o campeonato brasileiro! Aliás, foi por causa das pragas de Obama, digo Osama, que esta entidade foi substituída logo depois pela CBF.
“Osaminha” (como era chamado em Itaparica) ficou lá nas montanhas organizando e financiando grupos, até que conseguiram expulsar os soviéticos. Depois foi gastar seu dinheiro no Sudão. Comprou fazendas, montou negócios, inclusive com o dinheiro que recebeu dos norte-americanos pra ajudar a derrubar o regime de Kabul.
Foi nesta época que levou muita gente da ilha pra conhecer a África. Maria mesmo ficou emocionada ao conhecer o país de alguns de seus antepassados baianos. Dizem que mandou por alguns itaparicanos até dinheiro pro Paraná e Palmeiras que tiraram os títulos nacionais da Segunda e da Primeira Divisão do EC Vitória em 1992 e 1993.
                                  Faltando tanta luz não tinha como Osama não vir á Bahia!

Enquanto Osama estava “por cima” recebeu foi baiano em sua casa. Esses só estranhavam a sopa de camelo mas quiseram logo se aproveitar desse negócio de ter várias mulheres. Mas, é justo que se diga, quando começou gente estranha a rondar a casa dele em função de suspeitas de ações na Argélia e no Egito os baianos nunca mais apareceram!
Em 1995 até sua mãe Maria deixou de ir. É que o culparam por um atentado fracassado contra o presidente do Egito Hosni Mubarak que queriam tirar desder aquela época. Também não é pra menos, é que Osama foi expulso do Sudão, perdeu sua cidadania saudita, seus amigos da CIA passaram a lhe perseguir e até o resto de sua família lhe virou as costas.
Mas a sua família de Itaparica nunca lhe abandonou. Afinal filho é filho! Nessa época Osama passou o tempo entre o Afeganistão e a Bahia.  A CIA nunca o procurou na Bahia, também eles nem conhecem o mapa do Brasil direito achando que a Amazônia não faz parte do país! Vocês não podem esquecer que também Fernandinho Beira Mar ficou por aqui escondido muito tempo num iate na Baía de Todos os Santos e só foi descoberto quando parou de dar dinheiro para algumas pessoas!
                                 É estranho mas ele ia pra praia do Porto da Barra vestido assim!

Não tenho informações destas idas e vindas de Obama, digo Osama, a não ser as que me contaram. O que posso garantir é que havia deixado de ir á Fonte Nova quando soube que o Bahia estava em má fase. Mas o pessoal de Itaparica nos informou que ele estava lá no Afeganistão organizando a Al Qaeda e atuava junto com os Talibãs, também ex-aliados dos EUA.
Em agosto de 1998 começaria a ficar famoso. É que os seus ex-aliados da CIA dizem que este baiano esteve implicado no duplo atentado ocorrido nas embaixadas dos EUA no Quênia e na Tanzânia onde morreu ou foi ferido muita gente. O que não dizem porém é que ele deu dinheiro ao time do Santos que derrotou o Vitória no próprio Barradão dois dias depois por três a um!
Osama virou então o inimigo público número um, do Departamento do Estado norte-americano e da torcida rubro negra.  Mas o que não podemos é inventar mentiras a seu respeito. Vários torcedores o viram na Fonte Nova no dia onze de outubro de 2000 enquanto a CIA diz que ele estava no atentado contra o navio norte-americano US Cole. Em quem acreditar? Aqui pelo menos não morreu ninguém, só a moral do Corinthians saiu meio abalada ao perder pro tricolor baiano por dois a um.
                                     Ói ele levando presente para seus irmãos de Itaparica!

Depois disso deu pra vir mais á Bahia e presenciou vários jogos do Bahia que conseguiu em 2001 o seu último título. E como é que dizem que ele estava no Afeganistão no fatídico dia onze de setembro quando explodiram as Torres Gêmeas? Como é possível que ele tenha podido chegar nas montanhas daquele país se assistiu ao jogo Bahia 4 X 0 Atlético Mineiro no dia nove de noite? Naquele dia ele parecia mais interessado na quebra do tabu do Bahia não ganhar do Atlético do que na quebra do World Trade Center.
Com a invasão norte-americana ele adquiriu uma casa no Paquistão, onde sua mãe foi algumas vezes. Tinha gente que dizia pra ela ter cuidado mas Osama dizia que não se preocupasse pois havia um posto do exército paquistanês do lado da casa protegendo. Passou a organizar um verdadeiro esquema nas viagens pra Bahia. Como era muito grande se fantasiava de zagueiro contratado pelos clubes baianos debitando sua fala enrolada ao fato de estar jogando na Turquia.

                                              Se tirar a barba vocês vão ver que é baiano!

Ele nunca mais apareceu em jogos pessoalmente, embora nunca o tenham incomodado no aeroporto Dois de Julho. O pessoal da “PF” as vezes o parava pra revistar suas malas, mas quando ele dizia que eram bombas e metralhadoras davam risadas e o deixavam passar. Bush dizia que se escondia porque os militares norte-americanos não o deixavam em paz, mas os baianos sabem da verdadeira razão, é que ele entrou em depressão com o fato do Bahia não ganhar mais títulos.
A única alegria que ele teve depois de 2001 foi ver, finalmente, o Bahia subir pra Primeira Divisão no ano passado. Foi quando teve outra ideia que marcaria época e que seria transmitida pela TV, a implosão da Fonte Nova. Tem gente que diz que foi o governo do estado que providenciou tudo e contratou uma empresa pra acabar com o nosso histórico estádio.
Mas não posso acreditar que com a Fonte Nova com plenas condições de preservação de sua parte inferior tomassem a atitude. Por isso é que eu digo, essa foi a única ação de Osama que dá pra provar e que colocou as outras no bolso.  Pra ele se a Fonte Nova não servia pra o Bahia ganhar títulos era melhor acabar, e implodiu mesmo!
                                                            Vejam como são parecidos!

Mas Osama não sobreviveria á maldição da Fonte Nova. Sua paixão pelo tricolor baiano fez com que ele morresse exatamente neste domingo, quando os dez anos do clube nessa situação foram comemorados no Barradão. Nem Obama aguentou o jejum do Bahia. A CIA diz que atiraram nele mas eu acho que ele preferiu meter uma bala na cabeça pois não sabia mais que desculpa arranjar pra justificar a falta de títulos tricolores. 

·         Agradeço ao Almanaque do Futebol Brasileiro, aos sites Futipédia e Wikipédia e aos blogs courin.com.br,ralph.org.br e pt.euronws.net.