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quinta-feira, 21 de abril de 2011

Inevitável

              
             
                                           Se é questão de confessar/ não sei preparar café
                                            e não entendo de futebol(...).  
                                            Sempre soube que é melhor/quando há que falar de dois
                                            começar com um mesmo.
                                           Já saberás a situação /  aqui tudo está pior
                                            mas pelo menos respiro(...).
                                           O céu está cansado/de ver a chuva cair,
                                           e cada dia que passa/é mais parecido com ontem.                         
                                           Shakira ( Inevitable )


Outro dia ouvi uma canção da cantora Shakira que tem a ver com o que aconteceu em 1961 na política e no futebol quando alguns fatos se tornaram Inevitable. Ela é namorada do zagueiro Piquê do Barcelona FC e chegou a ter suas músicas proibidas no estádio do Real Madrid. 
Em 1961 o presidente Trujillo da República Dominicana colocou seus órgãos de informação para descobrir a conspiração contra seu governo. O resultado iria surpreendê-lo, pois, além, das figuras que esperava estavam o embaixador dos EUA e o arcebispo primaz da Igreja Católica de São Domingos.  Assim, só pegou “arraia miúda” não se atrevendo a tomar providências contra os “graúdos”. Cairia, em pouco tempo, crivado de balas numa emboscada. As mudanças do país, se puderam ser adiadas, não seriam evitadas mais tarde.
Em abril neste ano ocorreria a famosa invasão da Baía dos Porcos no sul da ilha de Cuba. Foi o Kennedy do Partido Democrata (!) e com cara de bonzinho que autorizou a invasão, embora já fosse preparada desde a época de Eisenhower. Os 16 aviões B – 26 norte-americanos chegaram voando baixo, com o escudo da Força Aérea Cubana, e metralharam o povo que os saudava. Atrás dos bombardeios veio o desembarque nos pântanos da baía.
                                                            Ói ela sozinha!

A apregoada invasão, entretanto, só durou três dias. Os cubanos que moravam em Miami e outros mercenários são derrotados rapidamente em terra e os sete navios da Marinha norte – americana são afundados ou se põem em fuga. Soube-se depois que a CIA treinara militarmente cerca de 1300 exilados, embora não contasse com o espírito de luta do povo que defendia o seu país e sua revolução. A irresponsabilidade levaria a cerca de trezentos mortos de lado a lado.
Naquele ano, enquanto “pegava fogo” a situação no Caribe e na América Central, o campeonato anterior terminaria mais tarde, particularmente devido á excursão da dupla BA – VI á Europa. Além disto, havia os amistosos. Em janeiro mesmo chegaram por aqui os cariocas do Bangu e a Portuguesa.  Na ocasião, o tricolor baiano desfrutava da hegemonia absoluta no futebol baiano, e não teria nem dó nem piedade ganhando de cinco a três da equipe de Moça Bonita e seis a dois da do subúrbio.
O esquadrão de aço faturaria o tricampeonato e o Ceará Sporting viria a Salvador em março jogando na Fonte Nova com a dupla.  Sabedor dos últimos resultados por aqui os cearenses jogaram “fechadinhos”. Esta condição faria com que conseguissem um empate sem gols com o bicho papão tricolor. Mas um descuido não deixaria que repetissem o feito contra o rubro negro, para o qual perdem pelo escore mínimo.
                                                     Esse não é Piquê é Maradona!

Seguem-se uma série de amistosos com o Fluminense de Feira de Santana. Na ocasião, este já começava a montar a equipe que ficaria famosa em 1963 ao ganhar o título, pela primeira vez, para o interior baiano. Os tricolor do sertão começaria empatando com o tricolor da capital em três gols, e, somente após muito bombardeio, perderia a revanche por dois a um.
No início de abril, enquanto começavam os preparativos para a invasão da famosa baía, o Flu vem de novo a Salvador pra jogar contra o rubro negro. Este fez de tudo pra marcar gols, mas não teve jeito, pois os feirenses tiveram uma defesa eficiente e acabaram saindo da fonte do futebol com a vitória por um a zero.
Nove dias antes do ataque criminoso dos aviões norte-americanos em Cuba o Galícia trazia a Salvador o Bonsucesso do Rio de Janeiro. Mas tudo indica que na época essas operações não estavam obtendo sucesso. O certo é que nem o time da colônia espanhola conseguiria vencer nem mais tarde os cubanos-americanos.
                                                           Tem gente que é cega!

O Bahia consolidaria sua hegemonia no futebol baiano, obtendo o “tetra” este ano. E os amistosos continuariam. Viria ainda o XIII de Campinas, o Flamengo, os pernambucanos do Náutico, Sport e Santa Cruz, o Fluminense, encerrando o ano com o Canto do Rio. O tricolor não perderia nenhum amistoso este ano na Fonte Nova, e olhem que fez treze. O rubro negro, porém, perderia também do outro Fluminense, o carioca.
Quanto aos norte-americanos foram obrigados a ver a revolução cubana se consolidar. No ano seguinte, tiveram a “cara de pau” de inventar a chapada crise dos mísseis quando procuraram uma desculpa para patrocinar nova invasão a Cuba. Mas qual, desta vez a briga era com a própria URSS e acabou dando em nada. Cansado de derrotas e fracassos em 1963 foi a vez do próprio John Kennedy partir desta para a pior, infelizmente de forma trágica. Mas, pelo menos o povo cubano pode ter uma trégua.

·          Agradeço as informações do Almanaque do Futebol Brasileiro e dos sites Wikiédia, Letras.com e Tocabendo. Sou grato também as imagens dos blogs contigo.abril.com.br, ceeres.com.br e debiliovips.wordpress.com.

terça-feira, 8 de março de 2011

Tudo pode dar certo, inclusive casamento de mineiros e baianos


A relação esportiva entre mineiros e baianos é bastante antiga. Mas a disputa dos dois estados sempre foi acirrada. No entanto houve um ano em que isto foi diferente. Mas vamos começar do começo, quando o América Mineiro visitou a Bahia em 21 de fevereiro de 1937 antes que o país e o estado entrassem no obscuro período do Estado Novo.

Começaria sua excursão empatando contra o Bahia por um gol. Seria uma das poucas equipes a enfrentar o Vitória aquele ano (pois o clube não disputaria o campeonato baiano) vencendo o rubro negro por quatro a dois. Logo depois empataria com o Galícia(1 X 1), sofreria sua única derrota contra o Botafogo(2 X 3) e arrasaria o Ypiranga(4 X 0).

Os mineiros somente voltariam a Bahia com o fim do "regime de exceção" em julho de 1946. Desta vez foi o Cruzeiro, que ganharia do Guarany(campeão baiano daquele ano)por três a dois, sofreria sua maior derrota em terras baianas até hoje contra o Vitória(2 X 5) e se despediria empatando com o Bahia em dois gols. Os mineiros jogariam ainda por duas temporadas no campinho da Graça. No fim do ano de 1947 o Atlético Mineiro estrearia no estado com duas vitórias sobre o EC Bahia, por um a zero e três a um. Mas o tricolor se desforraria no América Mineiro goleando-o por cinco a zero.

Três anos depois, quando as obras da Fonte Nova já iam adiantadas, viriam pra cá os estranhos Metaluzina e Siderúrgica.  primeiropara participar de um torneio onde empataria em um gol com o esdquadrão de aço e o auri negro (1 X 1) e perderia do Grêmio Porto Alegrense(2 X 4). E o segundo, empataria(1 X 1) e pérderia(2 X 5) para o tricolor.

         Tudo pode dar certo menos Woody Allen tocar clarinete!


Na Era da Fonte Nova o Vila Nova seria o primeiro clube mineiro a jogar no estádio vencendo um torneio realizado em novembro de 1951 ganhando do Vitória(ES), Bahia e Ypiranga.O próximo seria o Atlético Mineiro, que em 1955 venceria a dupla BA-VI num torneio sem taça.O galo voltaria a jogar aqui dois anos depois empatando com o rubro negro em dois gols e perdendo para o tricolor por dois a zero.

Até então os jogos dos mineiros eram no mês que desse pra virem. No entanto antes de terminar a década passou a coincidir com o mês das noivas.A primeira vez foi antes da Copa do Mundo em maio de 1958. O Cruzeiro chegou por aqui no finzinho do mês colhendo um empate com o Vitória por dois gols. No dia 30 venceria com folga o bom time do Botafogo por quatro a dois. E, no primeiro dia de junho concederia revanche ao rubro negro ganhando-o por dois a um. Caberia ao Bahia "lavar a honra" da Bahia nesta excursão, o que fês dois dias depois derrotando os mineiros por dois a um.

Em 1959 o futebol baiano enfrentava uma crise onde o presidente da FBDT, o coronel Bendocchi Alves, terçava armas contra a oposição de alguns clubes e da imprensa. Foi neste clima que os mineiros chegaram a Salvador no mês dos casamentos. E não é que deu certo? Parace até que foi de proposito. A federação mineira mandou o Cruzeiro e o Atlético. O primeiro não quiz saber da pacificação ganhando logo do Vitória por dois a um. Iria a Feira de Santana onde empataria com o Fluminense local sem gols. Mas perderia por duas vezes seguidas do Bahia, e pelo mesmo escore mínimo.

              Imaginem que filhos sairão daí, baianeiros ou minanos?


Já o galo veio com o mesmo espírito combativo, o que lhe fez estrear da mesma forma que a raposa, ganhando do Bahia por dois a um. No entanto logo percebeu que o clima da crise baiana necessitava de generosidade. Assim, o clima de amistosos que se seguiu foi altamente propício para a resolução da crise, regada a muito "papo", muita bebida e duas vitórias contra os mineiros, do rubro negro por um a zero e do tricolor por três a zero.

Foi assim que a raposa e o galo mineiro vieram e ajudaram o casamento dos clubes baianos.

*  Agradeço o Almanaque do Futebol Brasileiro,o Setor de Periódicos Raros da BCE, o site adorocinema.com e os blogs reidacocadapreta.com.br,jjcabeleleiros.com.br e contigo.abril.com.br.

quarta-feira, 2 de março de 2011

O Oscar dos visitantes da Fonte Nova

                                      A vencedora Natalie Portman sendo cumprimentada

A televisão veio pra Bahia no final de 1960. Alguns anos depois começou a transmitir a cerimônia do Oscar do cinema.  Desde essa época fiquei fã. Não perdia uma! Até depois de me casar, nos anos setenta, confesso que íamos dormir lá pras três da manhã pra ver nossos artistas preferidos aparecerem na telinha. Mas naquela época era muito diferente de hoje. Lembro que Bibi Ferreira ia pra Los Angeles transmitir o prêmio pra TV Tupi. É que, apesar da indústria do cinema ter sido sempre comercial, eram indicados realmente os melhores filmes, os grandes artistas, as espetaculares trilhas sonoras, e que marcaram época.
Há alguns dias demos aqui em casa uma sessão nostalgia nos agendando pra assistir o Oscar 2011. Foi uma decepção. Primeiro nos esquecemos do horário ligando a TV quando já havia começado. Segundo, é que virou um programa de televisão. Um espetáculo onde vale tudo pra prender os espectadores na cadeira. Dos concorrentes selecionados pela Academia, então, nem se fala. Com raras exceções, são filmes de segunda, e até de terceira, categoria, os indicados, geralmente por interesses comerciais e pra ajudar a sua divulgação. Como diz um dos críticos: qual é a graça de se abrir um envelope quando agente já sabe quem será premiado?
Aliás, vários dos vencedores ou indicados estão entre os filmes com maior arrecadação nas bilheterias. Toy story 3 já arrecadou um bilhão de dólares. A origem 824 milhões. Rede social 221 milhões. Bravura indômita 175 milhões, e Cisne negro 172 “mi”.
                                                            Que diferença de antigamente!
Esse ano a audiência do prêmio caiu em dez por cento. Até a crítica norte-americana “caiu de pau”. Falou mal dos apresentadores e disse que a “safra” de filmes não foi boa. No tradicional jornal O “Estadão” saiu coluna denominando-o “o chato do Oscar”. E usou a mesma expressão o artigo que saiu não Globo.com. Com exceção dos cinéfilos e desinformados salta aos olhos que a indústria do cinema norte-americano é parte ativa da crise do império há muitos anos.
É claro que há exceções que confirmam a regra. Um documentário denúncia á crise financeira premiado (Trabalho interno) e a escolha razoável de Natalie Portman (se bem com fraco filme Cisne negro) levando o título de melhor atriz. Em compensação um regular ator inglês Colin Firth abiscoitou o prêmio de melhor ator, e um filme ainda pior, O discurso do rei, ficaria como o melhor filme e, de lambuja, o melhor diretor (Tom Hooper). A melhor atriz coadjuvante (na verdade protagonista do filme O vencedor) teve que espalhar out doors em Hollywood fazendo sua auto propaganda pra ganhar a estatueta cada vez menos valorizada.
Mas deixemos pra lá essas coisas. O que nos interessa mesmo é o “Oscar” da Fonte Nova. Em outros artigos colocados neste blog já informei os sete primeiros clubes a jogar na Fonte Nova. Todos baianos e no mesmo dia da inauguração. Os primeiros foram Botafogo e Guarani. Depois vieram Ypiranga e São Cristóvão. Depois Vitória e Galícia, e, em sétimo, o Bahia. Destes, só estão em atividade profissional, o Ypiranga (que passa a ser o primeiro), Vitória e Galícia, e Bahia (que passou a ser o quarto).
                                                       Se lembram da Marilyn?
O artigo de hoje, entretanto, é voltado para os visitantes. O primeiro clube de fora de Salvador que jogou na Fonte Nova foi o Fluminense (RJ), exatamente na data magna baiana que celebra a chamada independência. Aliás, este foi um dos argumentos para a liberação do estádio na época. É que desde o dia da inauguração o estádio, que havia sido aprontado de qualquer jeito, foi interditado para obras. Nesta ocasião o Fluminense fazia excursão á Bahia e “mexeu os pauzinhos” pra jogar pelo menos uma partida na Fonte Nova. Aliás, foi a única que ganhou (dois a zero no Bahia), perdendo pro Galícia (dois a zero) e empatando com Ypiranga (1 X 1) e Vitória (0 X 0) no campo da Graça.
O segundo clube, e primeiro paulista, seria a Portuguesa de Desportos. Seria vitoriosa em um torneio disputado no estádio este mês com a participação de Ypiranga, Vitória e Bahia. Na estreia o primeiro cairia perante os visitantes por seis a um. Depois daí foi muito mais duro programar jogos no estádio pela resistência de encarregados da obra como Nilton Simas. Mas em novembro fariam outro torneio onde seriam convidados o Vila Nova (MG) e o Vitória (ES), respectivamente, primeiro clube mineiro e primeiro capixaba a jogar no nosso histórico estádio. A rodada dupla que marcou suas estreias ocorreu em 11 de novembro e foi entre eles mesmos terminando com o empate em um gol, enquanto o Bahia derrotava o Ypiranga pelo escore mínimo, num torneio ganho pelos mineiros.
O quinto clube, e o primeiro gaúcho, seria o Internacional que enfrentaria em abril de 1952 por duas vezes a seleção baiana, que se preparava para o campeonato brasileiro de seleções, derrotando-a por um a zero e dois a um. Até então o estádio ainda não estava liberado para os jogos, tanto é assim que a própria decisão do certame baiano do ano anterior, entre Vitória e Ypiranga, se realizaria no velho estádio da Graça.  
                                 A indústria segurando os premios pra não haver surpresas!
O sexto clube, e o primeiro de Pernambuco, chegam já em outra situação, quando o estádio já está liberado para os jogos do campeonato estadual como exigiram os clubes. É o América que perde um amistoso para o Bahia por dois a um. Neste ano organizam outro torneio com a participação de Vitória, Bahia e Ypiranga, e convidam o sétimo clube, o Curitiba, que estreia ganhando do Vitória pelo escore mínimo, pra depois perder pro Ypiranga e Bahia pelo mesmo escore de dois a um.
A lista dos “dez mais” só seria completa em 1953. No fatídico torneio Regis Pacheco realizado em março, onde os baianos foram arrasados na primeira rodada, apresentam-se Internacional (RS) e Flamengo contra a dupla BA-VI. Assim o Flamengo torna-se o oitavo visitante e o segundo clube carioca, derrotando o Vitória por 8 X 2, o Bahia por dois a um e empatando com o Internacional em dois gols.
                                       E olhem que Obama torce pra um dos dez visitantes!
Em abril seria a vez do simpático São Cristóvão (RJ), o nono visitante e o terceiro carioca, que viria fazer um amistoso contra o Vitória onde perderia por três a um. E, por último, em junho, chega o Atlético Mineiro, o décimo visitante e o segundo mineiro, pra atuar contra o Bahia, perdendo por dois a um.

·         Agradeço as informações e imagens dos sites coluna.epocanegocios.globo.com, globo.com,de Artur Xexéo, do Almanaque do Futebol Brasileiro e do blog pipocacombo.com.

terça-feira, 9 de novembro de 2010

Aconteceu em novembro na Fonte Nova

 

Galdino Antônio Ferreira da Silva
Financista, desportista e colaborador dos blogs História do Futebol, Futebol 80 e Memórias da Fonte Nova.                                                                                       

Há meses que ficaram marcados pela história. Maio virou mês das noivas. Agosto um mês azarado para a política. Setembro mês das tragédias. E, em novembro, a bruxa teve solta na Fonte Nova!

Hollywood se interessou recentemente por novembro para o qual fez alguns filmes. Quem não se lembra de Doce novembro (2001), da Warner Bros, e de Novembro (2004), da Califórnia Home Vídeo? O primeiro, uma película romântica, trata do medo do compromisso, e é dirigido por Pat O Connor, sendo estrelado por artistas como Keanu Reeves, Charlize Theron e Jason Isaacs.

Já o segundo, sob a direção de Greg Harrison, faz um interessante paralelo entre a realidade e a fantasia. Trata de uma fotógrafa que vê o seu mundo desmoronar e mergulha num pesadelo, um jogo perigoso.  O que aconteceu nos novembros da Fonte Nova está mais pro segundo. Pro bem e pro mal!

O estádio foi inaugurado e implodido pouco depois ou ás vésperas das eleições, de 1950 e 2010. Apenas cinco anos depois de funcionar de verdade apresentou a primeira decisão entre um clube de Salvador e um do interior do estado, respectivamente EC Bahia e Fluminense de Feira de Santana. E isso aconteceu em onze de novembro de 1951. O Bahia ganhou por dois a zero, num jogo que teve a direção do árbitro Peixoto Nova e a renda de Cr$ 513.201,00. Os gols foram de Hamilton e Meruca, e os times formaram assim:

O Bahia com Jair, Leone e Juvenal; Jota Alves, Vicente
e Florisvaldo; Marito, Hamilton, Carlito, Otoney e Meruca.
Já o Fluminense formou com: Periperi, Eduardo e Valdir; Maneca, Bueiro e
Amorim; Raimundinho, Valter Vieira, Elias, Fontoura e
Gilberto. O técnico campeão foi Ivon Oliveira.


No sétimo ano que o EC Bahia disputou o Campeonato Brasileiro, a tabela previu um jogo entre o tricolor e o Vitória (Espírito Santo) para o Dia de Finados de 1977. Um horror de mau gosto! O público não foi maior, pois muita gente preferiu visitar seus entes queridos nos cemitérios da cidade. No entanto, perderiam a maior goleada aplicada pelo clube em campeonatos nacionais quando o esquadrão de aço daria de sete a zero, enterrando, literalmente, o clube capixaba.  Mesmo assim, compareceram 19.139 almas penadas que viram os gols de Altimar (2), Freitas (2), Sapatão, Baiaco e Jesum.

Na oportunidade, o Bahia formaria com: Luiz Antônio; Toninho (Ricardo Longhi), Zé Augusto, Sapatão e Edmilson; Baiaco, Altimar e Luciano; Jorge Campos (Mazinho), Freitas e Jesum. O técnico era. Carlos Froner. Já o Vitória (ES), formaria com: Nivaldo; Carlos Alberto, Júlio Cesar, Jarbas e Ferreti; Paulo Roberto, Wilson Melo (Ribom) e Moreira; Quico Vanderlei e Zezinho (Chiquinho). Seu técnico era Paulistinha.

Três anos depois, o EC Vitória estava há oito anos na fila vendo o tricolor ganhar tudo. Este, no ano anterior, tinha emendado um heptacampeonato, título inédito na história do nosso futebol. Pois não é que o tricolor sequer se classificaria para as finais que seriam disputadas por Vitória e Galícia? Isso foi em 23 de novembro de 1980. O jogo teve a arbitragem de William Batista (BA) e o rubro negro, perante 48.170 pagantes, ganhou pelo escore mínimo, tento assinalado pelo zagueiro Paulo Maurício no início do segundo tempo.

Os times formaram assim: Vitória: Bagatini, Paulo Maurício, Amadeu (Xaxa), Zé Preta e Valdér (Marquinhos); Édson Silva, Carlinhos Procópio e Alberto Leguelé; Wilton, Tadeu Macrini e Paulinho. O técnico mais uma vez seria o gaúcho Carlos Froner. Já o
Galícia formaria com: Helinho, Toninho (Zé Raimundo), Morais, Rodrigues e Teixeira;
Carlos Roberto, Oliveira e Rangel; Robson, Washington (Vermelho) e Esquerdinha. Seu técnico na ocasião era Aimoré Moreira.


No próximo ano as coisas se inverteriam para o EC Vitória em um 29 de novembro quando seria derrotado na final pelo tricolor por dois a um. A novidade foi um árbitro uruguaio o Roque Cerullo, já o público foi um dos maiores da Fonte Nova, 87.117 pagantes.

Os leões da Barra dobraram o primeiro tempo ganhando, mas, no início do segundo tempo, o avante Dario pegou uma bola na defesa e partiu para o ataque deixando o ponta Gilson Gênio “de cara” com o goleiro Ivan. O Vitória deu a saída, mas perdeu a bola e aí foi à vez de Osni consolidar a “virada”, pra delírio da torcida tricolor. A expulsão Do zagueiro Xaxa logo após, acabou com as pretensões do rubro negro.

No jogo, o Bahia formou com Renato, Alves, Zé Augusto, Geraldo e Washington Luís; Édson Soares, Helinho e Léo Oliveira; (Emo); Osni, Dario (Careca) e Gílson Gênio. O técnico foi Aimoré Moreira. Já o Vitória veio com Ivan, Sidnei, Xaxa, Alexandre Neto e Marquinhos; Édson Silva, Carlinhos Procópio e Marinho; Fumanchu (Zé Augusto), César (Marcão) e Aladim. O seu técnico foi Carlos Froner.

Mais um ano e, em 28 de novembro de 1982, outra façanha do EC Bahia, que coroaria uma campanha sensacional obtendo o título de forma invicta na partida final, ao derrotar o Galícia pelo escore mínimo. O juiz seria Manoel Serapião Filho (BA), o público 50.087 e o gol de Robson. O Bahia formaria com: Ronaldo, Edinho, Zé Augusto, Edson Soares e Washington Luís; Helinho, Emo e Leo Oliveira; Sena, Dario (Ricardo Silva) e Robson (Tadeu). Seu técnico agora era Carlos Froner. Aimoré Moreira tinha deixado o tricolor pelo Galícia, que formava com Ferreira, Djalma, Monteiro, Luís Carlos e Tica; Amauri, Binha e Zé Raimundo (Juarez); Osmar, Mica e Jurandir (Claudio).

Dois anos depois, quando a ditadura já estava se despedindo, já sob a direção do ex-jogador Osni, o EC Bahia ganharia o tetracampeonato em 25 de novembro, ao derrotar seu arquirrival, o EC Vitória, pelo mesmo escore. O público seria de 47.798 e o gol de Marinho Apolônio. Os times formariam assim: o Bahia com Ronaldo, Edinho, Amadeu, Salvador e Paulo César; Emo, Jorge Leandro e Marinho; Osni, Carlinhos e Róbson. Já o Vitória, treinado por Wilson Lago, formaria com Ivã, Valdo, Fernando, Elton e Heraldo; Escurinho, Edílson (Jair Feitosa) e Lula; Nei,  Ricky e Serginho.

Foi um BA-VI antológico e cheio de catimba e lances emocionantes na Fonte Nova. Mais uma vez no mês de novembro o inusitado ocorreu, quando o grande artilheiro nigeriano Ricky “a gazela africana” do Vitória bateu por três vezes um pênalti com o goleiro Ronaldo defendendo em todas as ocasiões.


Na década posterior, o EC Vitória faria a sua melhor campanha em campeonatos brasileiros chegando a final em 1993. No quadrangular que classificaria para a decisão do certame jogou contra um Corinthians que estava invicto no campeonato. Este chegou a Salvador cheio de pompa e treinado pelo ex-ídolo rubro negro Mario Sergio. Isso, porém de nada adiantou para o alvi negro paulista, que perdeu por dois a um, com direito a um gol de Alex Alves estilo Maradona, selando praticamente a ida dos leões da Barra para a final.

O jogo foi em vinte e quatro de novembro, o árbitro foi Marcio Rezende de Freitas, e o público de 35.263 pagantes. Os gols foram de Claudinho e Alex Alves (Vit.) e Tupãzinho (Cor.). Na oportunidade Leandro Silva (Cor.) foi expulso de campo. O Vitória formou com: Dida, Rodrigo, João Marcelo, China (Edson Santos) e Renato Martins; Gil Sergipano, Paulo Isidoro (Giuliano) e Roberto Cavalo; Alex Alves, Pichetti e Claudinho. O técnico era Fito Neves. Já o Corinthians formou com: Ronaldo, Luis Carlos Winck, Baré, Embu e Leandro Silva; Ezequiel, Rivaldo, Zé Elias e Elias (Tupãzinho); Válber e Viola.

Quatro anos depois a mesma Fonte Nova protagonizaria acontecimentos muito tristes. Depois de escapar nos anos anteriores o EC Bahia era rebaixado no dia oito de novembro de 1997 ao empatar com o Juventude em zero. O juiz foi Antônio Hora Filho e o público 12.024 pagantes. O Bahia formou com: William Andem; Bruno Carvalho, Fabão, Grotto e Odemilson (Giuliano); Nei Santos (Nixon), Lima Sergipano e Robson Luis; Edmundo (Juninho), Guga e Zinho. Seu técnico era Jair Pereira. Já o Juventude jogou com Marcio; Adilson, Rodrigo Costa e Flavio; Itaqui, Lauro, Macalé (Alex Gaúcho), Sandro Fonseca (Jean Carlos) e Wallace; Maurilio e Edson (Jorge Antônio). O técnico era Gilson Nunes.
Nossa história termina exatamente dez anos depois, em novembro de 2007, quando no dia 22, sob a imensa alegria de sua torcida, o EC Bahia subiria da série C para a série B, ao ganhar do ABC por três a zero. O juiz seria Evandro Rogério Bonfim, e o público 59.917 pagantes para ver os gols de Elias (2) e Ávine. O Bahia jogaria com Márcio; Alison (Cléber Carioca), Eduardo e Rogério; Luciano Baiano, Emerson Cris, Fausto, Elias (Ávine) e Adilson; Moré e Nonato (Harley). O técnico era Arturzinho. Já o ABC jogou com Raniere; Ben-Hur, Bruno Lourenço (Marciano) e Alan; Nêgo (Miro Bahia), Adelmo, Joassis, Juninho Petrolina e Rogerinho (Éder); Wallyson e Ivan. O seu técnico era Ferdinando Teixeira.


Mal sabia quem assistia a aquele jogo que aquela seria a ultima alegria da saudosa Fonte Nova. Apenas três dias depois do acesso do Bahia, uma tragédia se abateria sobre o nosso histórico estádio matando sete torcedores que assistiam ao jogo em que o tricolor baiano empatou a zero com o Vila Nova (GO). A bruxa estava solta de novo, e desta vez inviabilizando de vez os jogos no nosso querido estádio.

* Agradecemos as imagens dos blogs blogfc.futblog.com.br, verbodedeus.blgspot.com, cinedica.com.br e fabiomonteiro.wordpress.com.