Blog contendo artigos, crônicas e comentários sobre o Estádio da Fonte Nova em Salvador-Bahia Brasil que foi implodido este ano após sessenta anos de sonhos e emoções.
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quinta-feira, 15 de março de 2012
Um novo vigarista?
A semana passada tratamos aqui da "licença" de Ricardo teixeira sentindo que tinha algum angú por baixo desse caroço. Poisé, não deu outra, não é que o todo poderoso da CBF, o quadrilheiro-mor, o chefe dos esquemas que infelicitam o futebol brasileiro por décadas renunciou?
Tenho visto muita comemoração fora de hora nos jornais e TVs. Até quem calou a boca, e compactuou com tudo quanto foi marmelada do futebol de disse satisfeito com a saída de Teixeira. Estão querendo passar uma borracha no passado como fizeram com a famigerada "anistia recíproca" dos tempos da ditadura.
Você precisa ver isso aí Eliana!
Mas isso é uma bruta sacanagem com os apreciadores de futebol e os democratas de todo o país. Não é possível que Teixeira saia ileso de toda a maracutaia que praticou. A entrega do monopólio das transmissões á Rede Globo, os arranjos corruptos com o Clube dos Treze, o favorecimento escandaloso a certos estados e clubes, aaaaas transferências suspeitas de jogadores, as "convocações" para a seleção que não tinham outro objetivo do que valorizar certos jogadores para vendê-los a um preço muito superior ao futebol europeu.
Com fica o malfadado esquema com a Nike que culminou com o episódio muito pouco esclarecido da Copa de 1990? E o campeonato brasileiro onde foi estranhamente revelada a venda do apito e a confissão do juiz só ajudou a beneficiar um time, o Corinthians, a ganhar o certame, sem que fossem tomadas providencias na Segundona?
Antes andavam aos beijinhos!
O quadro de árbitros da CBF vai permanecer o mesmo sem que se faça uma séria investigação? Vamos continiar assistindo juízes marmeleiros de todos os tipos nos jogos do Brasileirão? E os contratos para transmissão dos diversos campeonatos e copas pela TV aberta e fechada não vão ser revelados? Vai continuar sendo "caixa preta" ou "caixa branca" (para não ser políticamente incorreto) os contratos da seleção brasileira e os realizados para a Copa do Mundo?
23 anos de Ricardo Teixeira prejudicaram seriamente o futebol das regiões Norte, Nordeste e Centro Oeste que, juntas, só tem apenas quatro clubes participando da primeira Divisão, sendo uma espécie de
convidados dos principes do futebol brasileiro. E com o "novo" titular do cargo é o paulista José Maria Marin vai continuar no mesmo?
Marin está defendendo com unhas e dentes seu novo cargo!
Afinal de contas porque esse cara vai ter que ficar até 2015? Que estatutos são esses que renuncia o presidente e assume UM dos vice-presidentes por três anos? Aliás é por isso que algumas federações estaduais estão marcando reunião para esta semana para examinar o privilégio ainda mais dos clubes paulistas que a ascensão de Marin ao poder poderá representar.
Se o Ministério Público, a Procuradoria Geral da República, a OAB, e outras instituições não entrarem neste mato, não vão sair os coelhos que estão escondidos! Saindo teixeira e entrando Marin pode ficar tudo como dantas no Quartel de Abrantes.
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sábado, 10 de março de 2012
O vilão
Ricardinho das Arábias quase escapou!
Quando foi decidido que a Copa do Mundo de 2014 viria para o Brasil Ricardo Teixeira e seus socios vibraram. Dessa vez iam ganhar "os tubos", mais do ue faturaram em todas as maracutaias da CBF em trinta anos da malfadada admnistração de um dos maiores vilões do país. mas não é que está se machucando?
É que o Ricardinho das Arábias se esqueceu da particularidade das relações de dominação que as elites mantem com o povo desse país. Aqui não se interessam se voce rouba e mata pois isso é coisa normal das altas cúpulas, a não ser que um pobre e lascado queira fazer isso e não entenda o "seu lugar". Como dizia Antônio Carlos Magalhães, vulgo ACM, as coisas funcionam mais ou menos assim "para os amigos tudo e para os inimigos a lei".
Pasta de diretor da CBF!
Em resumo, pode-se cometer crimes á vontade, contando que não seja pêgo e encontre maneiras na legislação e nos tribunais de driblar os inconvenientes. Não é à tôa que apenas 2% dos assassinatos são descobertos e punidos(o que é bem diferente!) no Brasil. Quando as coisas vazam para a imprensa, geralmente levadas pelos prejudicados, aí movem-se céus e terras falando em providências, em "sérias apurações" e deixa-se passar o tempo para que tudo fique como dantes no Reino de Abrantes.
No caso da Copa de 2014, quando Ricardo Teixeira e seus sócios quiseram mamar sozínhos, organizou-se um Exército maior do que aqueles que eram enviados para as cruzadas contra eles. Desta vez são muitos interesses empresariais, de empreiteiros, empresas de engenharia, indústria do turismo, da própria FIFA que pretende tirara mais do que um pedaço, secretarias especiais de governo, políticos atraídos paleas duas eleições que terão até a realização da copa, etç.
Marín ganhou a confiança de Teixeira na base do conhecido puxasaquismo!
Mais do que isto. A realização da copa no Brasil despertou a energia de órgãos tradicionais fiscalizadores do desempenho público, como o Ministério Público, a OAB, e entidades e organizações da sociedade civil que pretendem que a decisão sobre uma ampla variedade de aspectos não fique nas mãos de poucos.
A primeira coisa que despertou a atenção de todos foi a escolha das cidades que irão receber os jogos da copa onde até hoje não ficaram bem explicados os critérios para deixar de fora algumas regiões tradicionais do futebol brasileiro e os que afastam a seleção brasileira e as quartas e semi finais de algumas cidades em benefício de outras.
Não adianta se assustar é a CBF!
Logo a seguir veio a construção dos estádios que mereceram licitações e contratos ainda mais estranhos. Casos de estádios menores do que outros e que custam o dobro do preço como os da Fonte Nova (1,350 bi para 54.000 pessoas) e do Corinthians(650 mi para 65.000 pessoas)chamaram logo a atenção, assim como a entrega do Maracanã, Fonte Nova e outras praças tradicionais para as construtoras admnistrarem por trinta anos.
Agora a bola da vez é a Lei Geral da Copa que a FIFA e a CBF pretendem impor ao país. Se passar o texto original negociado com Dilma e Cia será melhor opaís abdicar de sua soberania e irmos morar no Paraguai durante a copa. O desprezo pelo povo brasileiro é tão grande que o secretário geral da entidade mater do futebol mundial propôs dar um "chute no traseiro" do país pára apressar a votação.
Marín é do tempo de Médici!
Entre outros absurdos desta lei há a liberação da bebida nos estádios, a "pensão" de módicos cem mil reais mensais (natiuralmente enquanto durar sua existência) para todos os jogadores campeões das copas de 1958,1962 e 1970 que estiverem "sem recursos" ou com "recursos limitados". A coisa é tão ofensiva que o Brasil se obriga a "bancar" possíveis prejuízos da FIFA com a promoção e até em casos de "ação ou omissão"!Durma-se com um barulho desses!
O texto é um verdadeiro golpe no direito á meia entrada dois estudantes abrindo sério precedente pois só terão acesso aos jogos através da caregoria 4 de ingressos, a chamada "cota social". E olhem que o preço é US$ 25, e se o dólar não tiver subido de cotação de hoje até 2014, atingirá 45,00, o que significa que será bem maior do que qualquer meio ingresso pago atualmente no país.
Abre o olho senão essa copa de 2014 vai ser braba!
Mas o que realmente causou furor nos últimos dias foi o licenciamento do vilão Ricardo Teixeira da CBF... para "tratamento de saúde". O que é interessante que esta é a segunda licença que o prócer da CBF tira em 23 anos sendo a primeira durante a CPI da CBF no Congresso Nacional. Mais interessante ainda é que o pedido de licença(ao contrário de todos os pedidos de licença do mundo) não estabelece por quanto tempo será o afastamento. Pelo artigo 19 dos estatudos da entidade a licença pode ocorrer por até 180 dias consecutivos.
Pra completar a maracutaia o substituto do vilão é, no mínimo, outro vilão, o paulista José Maria Marín, que teria entrado sob o critério de ser o mais velho dos vices. O presidente da FBF, o baiano Ednaldo Rodrigues, que já havia noticiado o afastamento do prócer da CBF desde a semana anterior(!), refletiu o clima de preocupação das federações estaduais de futebol afirmando que "espera que ele não atenda apenas os pleitos de São Paulo". É porisso que alguns presidentes defendem o rodízio dos vices ao invés da entrega do posto para o paulista Marín.
Enquanto isso esses só ficam torcendo!
Ricardinho das Arábias teria diverticulite e "outras possíveis complicações" e desde o mês de fevereiro a sua saúde foi discutida na assembléia da CBF que havia sido marcada no mesmo dia da reunião das federações estaduais que tentavam lançar um candidato alternativo para a sucessão de Teixeira. Doença mesmo, "saída honrosa" ou retirada estratégica garantindo um testa de ferro á frente da confederação?
E quem é esse tal José Maria Marín? Ele é filiado ao PTB e iniciou sua carreira...política com o vereador de São Paulo em 1960 filiado ao PRP onde chegou a presidente da Câmara Municipal em 1969. Depois foi deputado estadual pela ARENA quando chegou a vice-governador e até a exercer o cargo de governador durante dez meses no início dos anos 80 quando da desincompatibilização de Paulo Maluf para concorrer a uma vaga de deputado federal.Como se vê sempre andou em boas companhias!
É como o Brasil, "sai" um mafioso e entra outro!
A partir daí o prestígio que foi perdendo na política ganhou no futebol. Na primeira, foi candidato ao senado em 1986 mas terminou em quarto lugar e teve mesmo a cara de pau de se candidatar a prefeito da capital paulista em 2000 obtendo....0,18% dos votos. Insistiu dois anos depois em disputar uma vaga no senado obtendo 0,2% dos votos. Mas, desde então, só acumulou sucessos na sua carreira desprtista quando foi presidente da FPF(1982 qa 1988), chefe da delegação brasileira á Copoa do Mundo de 1986 no México, tornando-se desde aquela época um dos vice-presidentes da FPF, representando a região Sudeste.
O seu profícuo currículo será certamente revelado pelos concorrentes nos próximos dias, mas desde já destaco uma de suas "nobres ações", o furto de uma das medalhas dos jogadores premiados na final da Copa São Paulo de Futebol Junior de 2012, vencida pelo Corinthians, a que seria entregue ao jogador Mateus, e flagrado e exibido ao vivo pela Rede Bandeirantes de Televisão. Gente boa, enfim, a copa de 2014 está bem entregue pois quem se arrisca tanto pra roubar umna medalha imnagine o que fará com o nosso dinheiro público?
Quando foi decidido que a Copa do Mundo de 2014 viria para o Brasil Ricardo Teixeira e seus socios vibraram. Dessa vez iam ganhar "os tubos", mais do ue faturaram em todas as maracutaias da CBF em trinta anos da malfadada admnistração de um dos maiores vilões do país. mas não é que está se machucando?
É que o Ricardinho das Arábias se esqueceu da particularidade das relações de dominação que as elites mantem com o povo desse país. Aqui não se interessam se voce rouba e mata pois isso é coisa normal das altas cúpulas, a não ser que um pobre e lascado queira fazer isso e não entenda o "seu lugar". Como dizia Antônio Carlos Magalhães, vulgo ACM, as coisas funcionam mais ou menos assim "para os amigos tudo e para os inimigos a lei".
Pasta de diretor da CBF!
Em resumo, pode-se cometer crimes á vontade, contando que não seja pêgo e encontre maneiras na legislação e nos tribunais de driblar os inconvenientes. Não é à tôa que apenas 2% dos assassinatos são descobertos e punidos(o que é bem diferente!) no Brasil. Quando as coisas vazam para a imprensa, geralmente levadas pelos prejudicados, aí movem-se céus e terras falando em providências, em "sérias apurações" e deixa-se passar o tempo para que tudo fique como dantes no Reino de Abrantes.
No caso da Copa de 2014, quando Ricardo Teixeira e seus sócios quiseram mamar sozínhos, organizou-se um Exército maior do que aqueles que eram enviados para as cruzadas contra eles. Desta vez são muitos interesses empresariais, de empreiteiros, empresas de engenharia, indústria do turismo, da própria FIFA que pretende tirara mais do que um pedaço, secretarias especiais de governo, políticos atraídos paleas duas eleições que terão até a realização da copa, etç.
Marín ganhou a confiança de Teixeira na base do conhecido puxasaquismo!
Mais do que isto. A realização da copa no Brasil despertou a energia de órgãos tradicionais fiscalizadores do desempenho público, como o Ministério Público, a OAB, e entidades e organizações da sociedade civil que pretendem que a decisão sobre uma ampla variedade de aspectos não fique nas mãos de poucos.
A primeira coisa que despertou a atenção de todos foi a escolha das cidades que irão receber os jogos da copa onde até hoje não ficaram bem explicados os critérios para deixar de fora algumas regiões tradicionais do futebol brasileiro e os que afastam a seleção brasileira e as quartas e semi finais de algumas cidades em benefício de outras.
Não adianta se assustar é a CBF!
Logo a seguir veio a construção dos estádios que mereceram licitações e contratos ainda mais estranhos. Casos de estádios menores do que outros e que custam o dobro do preço como os da Fonte Nova (1,350 bi para 54.000 pessoas) e do Corinthians(650 mi para 65.000 pessoas)chamaram logo a atenção, assim como a entrega do Maracanã, Fonte Nova e outras praças tradicionais para as construtoras admnistrarem por trinta anos.
Agora a bola da vez é a Lei Geral da Copa que a FIFA e a CBF pretendem impor ao país. Se passar o texto original negociado com Dilma e Cia será melhor opaís abdicar de sua soberania e irmos morar no Paraguai durante a copa. O desprezo pelo povo brasileiro é tão grande que o secretário geral da entidade mater do futebol mundial propôs dar um "chute no traseiro" do país pára apressar a votação.
Marín é do tempo de Médici!
Entre outros absurdos desta lei há a liberação da bebida nos estádios, a "pensão" de módicos cem mil reais mensais (natiuralmente enquanto durar sua existência) para todos os jogadores campeões das copas de 1958,1962 e 1970 que estiverem "sem recursos" ou com "recursos limitados". A coisa é tão ofensiva que o Brasil se obriga a "bancar" possíveis prejuízos da FIFA com a promoção e até em casos de "ação ou omissão"!Durma-se com um barulho desses!
O texto é um verdadeiro golpe no direito á meia entrada dois estudantes abrindo sério precedente pois só terão acesso aos jogos através da caregoria 4 de ingressos, a chamada "cota social". E olhem que o preço é US$ 25, e se o dólar não tiver subido de cotação de hoje até 2014, atingirá 45,00, o que significa que será bem maior do que qualquer meio ingresso pago atualmente no país.
Abre o olho senão essa copa de 2014 vai ser braba!
Mas o que realmente causou furor nos últimos dias foi o licenciamento do vilão Ricardo Teixeira da CBF... para "tratamento de saúde". O que é interessante que esta é a segunda licença que o prócer da CBF tira em 23 anos sendo a primeira durante a CPI da CBF no Congresso Nacional. Mais interessante ainda é que o pedido de licença(ao contrário de todos os pedidos de licença do mundo) não estabelece por quanto tempo será o afastamento. Pelo artigo 19 dos estatudos da entidade a licença pode ocorrer por até 180 dias consecutivos.
Pra completar a maracutaia o substituto do vilão é, no mínimo, outro vilão, o paulista José Maria Marín, que teria entrado sob o critério de ser o mais velho dos vices. O presidente da FBF, o baiano Ednaldo Rodrigues, que já havia noticiado o afastamento do prócer da CBF desde a semana anterior(!), refletiu o clima de preocupação das federações estaduais de futebol afirmando que "espera que ele não atenda apenas os pleitos de São Paulo". É porisso que alguns presidentes defendem o rodízio dos vices ao invés da entrega do posto para o paulista Marín.
Enquanto isso esses só ficam torcendo!
Ricardinho das Arábias teria diverticulite e "outras possíveis complicações" e desde o mês de fevereiro a sua saúde foi discutida na assembléia da CBF que havia sido marcada no mesmo dia da reunião das federações estaduais que tentavam lançar um candidato alternativo para a sucessão de Teixeira. Doença mesmo, "saída honrosa" ou retirada estratégica garantindo um testa de ferro á frente da confederação?
E quem é esse tal José Maria Marín? Ele é filiado ao PTB e iniciou sua carreira...política com o vereador de São Paulo em 1960 filiado ao PRP onde chegou a presidente da Câmara Municipal em 1969. Depois foi deputado estadual pela ARENA quando chegou a vice-governador e até a exercer o cargo de governador durante dez meses no início dos anos 80 quando da desincompatibilização de Paulo Maluf para concorrer a uma vaga de deputado federal.Como se vê sempre andou em boas companhias!
É como o Brasil, "sai" um mafioso e entra outro!
A partir daí o prestígio que foi perdendo na política ganhou no futebol. Na primeira, foi candidato ao senado em 1986 mas terminou em quarto lugar e teve mesmo a cara de pau de se candidatar a prefeito da capital paulista em 2000 obtendo....0,18% dos votos. Insistiu dois anos depois em disputar uma vaga no senado obtendo 0,2% dos votos. Mas, desde então, só acumulou sucessos na sua carreira desprtista quando foi presidente da FPF(1982 qa 1988), chefe da delegação brasileira á Copoa do Mundo de 1986 no México, tornando-se desde aquela época um dos vice-presidentes da FPF, representando a região Sudeste.
O seu profícuo currículo será certamente revelado pelos concorrentes nos próximos dias, mas desde já destaco uma de suas "nobres ações", o furto de uma das medalhas dos jogadores premiados na final da Copa São Paulo de Futebol Junior de 2012, vencida pelo Corinthians, a que seria entregue ao jogador Mateus, e flagrado e exibido ao vivo pela Rede Bandeirantes de Televisão. Gente boa, enfim, a copa de 2014 está bem entregue pois quem se arrisca tanto pra roubar umna medalha imnagine o que fará com o nosso dinheiro público?
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segunda-feira, 27 de fevereiro de 2012
Ladrão de casaca
O filme Ladrão de casaca surgiu muito antes de eu nascer. Acho que a novela policial do escritor francês Maurice Leblanc que levou o título de “Arséne Lupin ladrão-cavalheiro” é de 1907. Acabou se tornando uma série que foi adaptada para o cinema várias vezes. Tomei contato com ela quando passou para a TV nos anos 60. Poxa não deixávamos de assistir um capítulo.
Era imperdível a audácia, a elegância e a impertinência de Lupin, sempre desafiando o inspetor Ganimard, deixando atrás de si muitas paixões, zombando e ridicularizando os burgueses e as autoridades. Era o Robin Hood da minha adolescência quando eu sequer tinha uma consciência social. Quem sabe se ajudou a que eu me tornasse um militante político?
Mas o tempo passou e Arséne Lupin também. Nunca mais foi encenado. Talvez porque seja uma criação francesa. Engraçado, somos obrigados a assistir Rim tin tin, Bonanza, e tudo quanto é série norte-americana dos anos 50 e 60 e de Arséne Lupin nem sinal. Pra piorar não se fazem mais ladrões como antes. Os habilidosos batedores de carteira baianos que atuavam nos bondes, nos ônibus e na Rua Chile, e que nem atuavam armados, agora são os vulgares assaltantes que nenhum talento possuem não ser o revolver.
Até os bons ladrões, que desafiavam as autoridades do meu tempo, desapareceram do mapa. Só sobraram os picaretas que agem em nome próprio, inclusive no mundo do futebol. Um deles é o comandante maior da CBF e do Comitê Organizador da Copa Ricardo Teixeira. Como quer ficar sozinho com os lucros da copa todo dia saem matérias sobre suas andanças.
Arséne era "o fino"...
A última veio á luz a semana passada. É a ação de improbidade movida na 5ª Vara da Fazenda Pública do Distrito Federal que acusa de fraude uma empresa ligada a ele, a empresa Ailanto Marketing Ltda., no contrato de nove milhões para promover o jogo Brasil X Portugal (2008) em Brasília.
O documento, segundo o Ministério Público, está “eivado de vícios”, foi assinado sem licitação e contém “indícios de que houve um pacto para desviar dinheiro público”. Segundo a ação “feriu-se o interesse público, submetendo-o ao deleite pessoal e político de se ter uma partida de futebol de alto nível, que já estava há muito acertada, mas que não obedeceu aos padrões legais”.
...e Teixeira é o grosso(o da esquerda)!
A Ailanto tem como sócio-gerente o empresário espanhol e presidente do Barcelona Sandro Roseli, amigo de Ricardo Teixeira. A cara de pau, porém não para aí. Imaginem que a empresa funcionou vários meses em uma fazenda do próprio Teixeira, e a polícia encontrou cheques da sócia brasileira da empresa (Vanessa Almeida Precht) depositados na conta do chefão.
A empresa sequer teria cumprido com as clausulas contratuais que a obrigavam a arcar com os custos de execução da segurança, hospedagem e translado, num total de 1,3 milhão de reais, que foram saldados com a venda de ingressos pela Federação Brasiliense de Futebol. O processo ainda envolve o ex-governador de Brasília José Roberto Arruda e o ex-secretário de esportes Agnaldo Silva de Oliveira. O primeiro mandou firmar o contrato com a Ailanto passando por cima de normas legais e de parecer contrário da Corregedoria do governo.
Alguém lembra do livro?
O fato ganha ainda maior destaque em função da proximidade das eleições na CBF. É que está se verificando um tímido movimento por parte de algumas federações estaduais para lançar um candidato alternativo a Teixeira. Este, porém, que está mais pro juiz Lalau do que pra Arséne Lupin, agiu rapidamente convocando uma assembleia geral da entidade para o mesmo horário da reunião de seus possíveis “opositores”. Outras forças, no entanto apostam na renúncia de Teixeira em troca de passar a mão pela cabeça de seus crimes.
Marlon Brando é que era vivo entrou logo num sindicato de ladrões!
Infelizmente isso é comum no Brasil, um conchavo para a substituição de uma autoridade incômoda e fica tudo por isso mesmo. Só não sei é como vão evitar as conclusões dos processos que tendem a se avolumar a cada dia contra Teixeira.
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sábado, 24 de dezembro de 2011
Os especialistas
Os especialistas é o novo filme de Gary McKendry com lançamento mundial há duas semanas. Quem conhece Robert de Niro sabe que ele não faz outra coisa do que filmes de ação. Nesta ele está nas mãos do inimigo Spike(Clive Owen) e cabe a sua salvação a Danny (Jason Statham), um ex-agente britânico que pensa desfrutar a sua aposentadoria.
No filme acontece de tudo e acho que muita coisa dele foi inspirada na Bahia. Todo mundo sabe que existe corrupção, suborno e malas de todo tipo no futebol, envolvendo jogadores, dirigentes e juízes. Mas quando acontece com os últimos é o que chama mais atenção. Juiz não é brincadeira nem na Bahia nem em lugar nenhum.
Tem juiz que não é brincadeira!
Só que tem uns macetes pra lidar com eles que só os macacos velhos e Gary McKendry sabem. Mas evitam a todo custo dar nome aos bois, pois poderão voltar a precisar deles. Nesta crônica vamos contar alguns casos envolvendo casos de árbitros que trabalharam na Bahia e que o filme não aproveitou.
Zago era um juiz pernambucano que pertencia ao quadro de árbitros da federação Bahiana de Futebol. Num jogo decisivo entre Vitória X Bahia circularam dois boatos, um de que havia se vendido ao rubro negro, e outro dizendo o contrário. Estabeleceu-se uma confusão só quando a coisa chegou à imprensa. Tanto foi assim que o TJD interveio, examinou o caso e eliminou o Zago.
Já acabou o jogo?
O outro caso foi o que envolveu o juiz Anivaldo Magalhães quando um torcedor do Galícia foi à sua residência oferecer-lhe quatro a cinco milhões para que ele desse o triunfo ao azulino. O árbitro, além de recusar, fez o maior escândalo, tentou agarrar o sujeito que teve que correr pra não apanhar. Mas só se soube por que ele fez a denúncia na FBF.
No livro Futebol, paixão & catimba, que traz as memórias do ex-presidente do EC Bahia Osório Vilas Boas, encontramos vários casos envolvendo os árbitros de futebol. Este, quando o clube disputou a Taça Brasil ameaçou vários deles de veto para todas as partidas em que atuasse no sentido de “coagi-los a serem honestos”.
Candidato estudando pra teste no quadro de árbitros da FBF!
Mas o próprio dirigente confessa que não era nenhum “santo” e fazia das suas. Conta que na excursão que o clube fez na Europa em 1957, ao chegar a Minsk na ÚRSS, procurou o juiz da partida através de uma intérprete, e lhe disse que “analisaria com muita calma e interesse a sua atuação, pois havia sido autorizado para contratar juízes estrangeiros para apitar prélios na América do Sul”. Nem precisa dizer que o juiz excedeu-se de simpatia com o time tricolor durante a partida...
No fim dos anos quarenta a Seleção baiana foi jogar em Recife pelo antigo Campeonato Brasileiro de Seleções. Durante muito tempo neste certame os pernambucanos haviam sido fregueses dos baianos. Mas, a partir de certo tempo, começaram a engrossar. Osório só assistia a partida. Ainda nem dirigia o clube nem tinha contato com os dirigentes esportivos baianos.
Sócrates sofreu na mão dos árbitros!
Mas mesmo assim conseguiu ficar no gramado junto à Polícia. O jogo foi muito conturbado. Houve um momento em que o atacante Siri, do EC Vitória, partir para agredir o juiz João Etzel, que no seu entender roubava escandalosamente para os pernambucanos. Aí a polícia do estado invadiu o campo e Osório foi no bolo, aproveitando a oportunidade pra xingar Etzel de cabo a rabo. Este porém, não se fez de rogado e afirmou:
- O segundo jogo não será lá em Salvador? Então, me aguente baiano!
Aí o juiz mudou de lado e, segundo Osório, passou a roubar escandalosamente a favor dos baianos que foram campeões do Norte e Nordeste eliminando Pernambuco com o jogador Pequeno do Ypiranga fazendo o gol da vitória.
Tem que ficar com o olho aberto Bial!
Osório conta ainda casos dos anos 60 e 70 quando o tricolor jogava fora de casa em certames nacionais. O primeiro foi em São Paulo contra o Corinthians e um juiz baiano, o Walter Gonçalves, dirigiu a partida. Mas pra Osório ele marcou um pênalti contra o clube tão absurdo que os próprios dirigentes esportivos daquele estado Mendonça Falcão, Wadih Helu e Paulo Machado de Carvalho ficaram horrorizados. Osório até hoje se pergunta por que ele agiu assim. Dinheiro? Acredita que ele se deixou pressionar pela torcida presente, que promovia uma gritaria infernal, e cedeu.
O segundo aconteceu em Porto Alegre com outro juiz baiano, o Nei Andrade. Esse viu que foi marcado contra o tricolor um gol feito com a mão mas não teve coragem de invalidar. Tanto assim que, quando acabou o jogo ele saiu correndo pra não ser linchado pelos jogadores baianos. E à noite ainda escapuliu do hotel, com os cabides de roupa na mão, protegido pelo presidente da FBF Carlos Alberto de Andrade que lhe deu fuga.
Virou até livro!
O terceiro foi no Ceará quando o Bahia disputava pra ver quem passava na Taça Brasil. Um locutor de rádio e também diretor do Fortaleza pressionou de cara dura o juiz baiano Alderico Conceição:
- Quantos filhos o senhor tem?
E, depois de ouvir a resposta, ameaçou:
- Marque direitinho, senão o senhor não vai mais vê-los...
Segundo Osório isso arrasou psicologicamente o juiz que prejudicou bastante o Bahia.
Blatter e João Havelange juntos é demais!
Encerramos esta conversa com as máximas de Osório. Pra ele o Brasil está cheio de rivalidades regionais que se refletem nas arbitragens. Um juiz carioca, quando o jogo é entre baianos e paulistas, dificilmente deixará de ser simpático aos baianos. E, quando jogam baianos e cariocas com juiz pernambucano, a coisa fica feia para a chamada boa terra em face da rivalidade desta para com os pernambucanos.
No frigir dos ovos diz que, é o time que ganha o jogo, mas campeonato quem, ganha mesmo é a diretoria se souber “aplicar contra golpes” e olhem que não apenas em relação aos juízes. Só não conto o final do filme pra vocês verem.
· Agradeço ao livro Futebol, paixão & catimba e ao blog Cine Pop.
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Vitória
quarta-feira, 21 de dezembro de 2011
Corra que a polícia vem aí!
A comédia Corra que a polícia vem aí, é uma da série estrelada pelo incompetente detetive Frank Drabin(Leslie Nielsen). Esta trata da sua tentativa de interceptar um plano de assassinar a Rainha Elisabeth II (Jeanette Charles) da Inglaterra, em visita aos EUA. O mentor do plano é Vincent Ludwig(Ricardo Montalban), um magnata, que quer usar um jogador de basquete submetido a uma lavagem cerebral.
Esse Neymar não está com nada!
Logo se vê que não foi inspirado na Bahia pois aqui não há detetives incompetentes. O pessoal sabe muito bem onde as cobras se escondem, se não conseguem resolver algumas coisas é por outros motivos...A fama dos investigadores baianos ultrapassou a Polícia para se estender ao esporte. Houve até um que foi presidente do EC Bahia. Vamos falar um pouco dos métodos que levaram para o futebol.
Logo se vê que não foi inspirado na Bahia pois aqui não há detetives incompetentes. O pessoal sabe muito bem onde as cobras se escondem, se não conseguem resolver algumas coisas é por outros motivos...A fama dos investigadores baianos ultrapassou a Polícia para se estender ao esporte. Houve até um que foi presidente do EC Bahia. Vamos falar um pouco dos métodos que levaram para o futebol.
No ano de 1954 os clubes baianos se reforçaram. Completava-se três anos após a entrada em funcionamento da Fonte Nova. O Bahia trouxe os atacantes Juvenal e Naninho, o goleiro Osvaldo Baliza, entre outros, contando com a ajuda de diretores como Nelson Pinheiro Chaves e Amado Bahia Monteiro elevando a sua folha de 35 para 85 contos de reis, uma fortuna para a época. O tricolor baiano começou o ano excursionando ao interior, mesmo recebendo dez a quinze contos por partida. Nas apresentações havia de tudo, inclusive recepções em prefeituras, discursos, e, também, algum futebol.
Já o Vitória, que havia no ano anterior quebrado o maior jejum de títulos da história do futebol brasileiro, contratava Gago, Vermelho, Hélio e Pinguela. Mas o Botafogo também estava quente, com sua linha de frente onde estavam Zague, Roliço e Lamarona. Nesse ano também se destacam Ypiranga, Galícia e Fluminense de Feira, sendo que seria a primeira vez que uma equipe do interior iria disputar o campeonato “baiano”.
O negócio era na base da porrada!
Mas quem pensa que o sucesso tricolor nesse ano se deve só a dinheiro engana-se. É que os métodos do investigador policial, futuro vereador, e presidente do clube Osório Vilas Boas, digamos...eram pouco ortodoxos. Com Osório não existia esse negócio de “carta branca” pra treinador. Sempre que achava necessário invadia o campo, a concentração ou até os vestiários pra dar um jeito nas coisas.
O caso do meia Mário, que no jogo contra o Galícia, abusava de fintar os adversários, foi resolvido mesmo nos vestiários durante o intervalo. É que Osório o abotoou pela camisa e o ameaçou de dar uns sopapos “se ele não jogasse como gente e insistisse em ser palhaço”. No segundo tempo o jogador jogou o que sabia e o tricolor ganhou o azulino com tranquilidade. Com o jogador Nilsinho Osório teve mesmo que chegar às vias de fato dando-lhe uns empurrões para que ele parasse de provocar os adversários.
Pô, Leslie Nielsen é um medroso!
Bahia, Vitória e Botafogo ganharam cada um um turno obrigando a que houvesse um sensacional super turno para a decisão de quem levaria o caneco. Mas mesmo nessa fase o extra campo funcionou. É que, em um dos jogos contra o Botafogo, os alvirrubros haviam conseguido intimidar o jogador Nelson Curitiba, contratado no Rio de Janeiro. Pois não é que Osório desceu ao vestiário no intervalo pra resolver esse problema? No primeiro momento só fez ouvir, inclusive o disparate de que o espírito de sua mãe o aconselhara a não jogar mais. Aí mandou que todos se retirasse, e segurou o jogador pela garganta:
- Olhe aqui Nelson, você está com medo. Se você não apanhar lá no campo, vai apanhar aqui, e agora! Decida!
Foi assim que ele ficou quando viu os investigadores baianos atuarem!
O jogador hesitou e Osório o segurou com o braço nas costas como fazia com os ladrões na Polícia, e o empurrou pelo túnel que levava ao gramado, gritando :
- Seja homem, seja homem!
E não é que o jogador entrou correndo e acabou sendo um dos melhores jogadores em campo numa nova partida que o tricolor venceu?
Futebol naquele tempo era assim!
Mas a intervenção do presidente do clube não se limitava ao campeonato, agindo nos próprios amistosos, torneios ou excursões. Numa dessas, quando o clube jogava sua última partida do ano em Belém, notou que o zagueiro Hélio Clemente era condescendente com o ponteiro Santiago do Tuna Luso. O tricolor ganhava por dois a zero mas o cara era arisco e perigoso e dava muito trabalho também graças a essas “gentilezas” do jogador do Bahia. Aí Osório desceu no vestiário no intervalo e procurou o Hélio dizendo:
- Dê um pau naquele camarada, o Santiago, aperte ele!
Mas o presidente do clube, que achava que “futebol era pra homem”, não contava com a reação do jogador:
- Eu sou um craque, não faço esse tipo de jogo!
Ah, o 007 sim. Deve ter sido inspirado na Bahia!
Osório então não caçou conversa emendando no ato:
- Tire essa camisa!
Como o jogador titubeasse, arrancou-lhe a camiseta tricolor no ato mandando, por cima do técnico, o jogador Tiago substitui-lo. Não deu outra coisa, Tiago foi lá, deu umas cotoveladas e joelhadas no tal do Santiago e este se apagou completamente em campo, em mais uma vitória tranquila do Bahia.
E assim o investigador da polícia baiana foi levando enquanto foi presidente do clube de 1954 a 1969, uma das épocas mais memoráveis do clube. Se estivesse à frente do Santos de hoje por certo este não amarelaria como fez na semana passada contra o Barça.
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sábado, 10 de dezembro de 2011
O vigarista do ano
O filme O vigarista do ano do diretor Lasse Halstrom, é sobre o escritor Clifford Irving(Richard Gere) que procurando há muito tempo uma grande história pra contar resolve inventar uma. Ele escreve uma falsa autobiografia do milionário excêntrico Howard Hughes contando com que o isolamento e a falta de informações sobre o mesmo bastaria pra enganar os outros.
Assim uma grande editora aceita sua proposta e publica o livro que vira um best-seller. No resto do filme o escritor só faz se enrolar tendo que inventar uma verdadeira rede de mentiras pra sustentar a sua história. Só não conto o final pra vocês assistirem. Mas se Richard Gere estrela o cúmulo da vigarice o futebol baiano lidou com muitos vigaristas. Um deles surgiu na vida do tricolor aí perto do fim dos anos cinquenta.
Pô, o negócio era botar a mão na cota!
Os clubes baianos começaram nessa época a fazer excursões ao exterior, já bastante atrasados em relação aos clubes do Sul que já o faziam desde os anos vinte. Foi em 1957 que a dupla BA-VI estrou no exterior, e logo na Europa. Mas pra isso tiveram que comer o pão que o diabo amassou. Vejam o que o EC Bahia passou pra jogar no dito Velho Mundo.
A imprensa sequer acreditou não havendo poucos que tirassem gozação com o clube. O locutor Zé Athayde chegou a dizer que o roteiro tricolor se estenderia do bairro de Periperi (passando por Plataforma e Paripe) até a cidade de Juazeiro. Por outro lado, o radialista Cléo Meirelles, queria indicar o jornalista que acompanharia a viagem. Não foi fácil selecionar os jogadores que iriam. Carlito que foi como roupeiro acabaria como titular e artilheiro da equipe.
Ora, não é nada disso!
Lourival Lorenzi foi o organizador da excursão e, na última hora faltaram as passagens, tendo o Bahia sido procurado pelo empresário Roberto Faulisier por telefone:
- Seu Osório, está tudo pronto para a excursão, mas o sócio que iria financiar as passagens falhou, caiu fora. Porém, se o Bahia financiar as passagens eu pagarei mais 55 contos por jogo, ressarcindo as despesas.
Osório chegou a desconfiar que o “pé frio” era o governador Antônio Balbino, que tinha dado o nome à excursão, pois o jornal A Tarde, que lhe fazia oposição, espalhava essa história. Naquele tempo 27 passagens custavam uns 700 contos de reis e aí a diretoria tricolor decidiu ir ao governador. Foram ao palácio do governo e explicaram a situação.
O time foi jogar em cada lugar desgraçado...
Se o Banco do Fomento (depois BANEB) emprestasse o dinheiro, com o aval do diretor Waldemar Costa, o clube pagaria em noventa dias. Balbino resolveu o impasse com um telefonema e 24 horas depois, saiu o dinheiro que Osório levou para Plinio Risório, superintendente da Panair do Brasil. Aí a imprensa confirmou a noticia:
- o Bahia vai mesmo à Europa!
Querem mais vigaristas que Havelange e Blatter?
Osório ainda tomara quinhentos contos emprestados a Nelson Pinheiro Chaves empenhando seus subsídios na Câmara dos vereadores. A delegação fez escalas em Recife, Dakar, Madrid e chegou a Londres, onde encontraram com o empresário e ficaram hospedados em um bom hotel. Mas o presidente tricolor não gostou do jeitão do empresário achando que não tinha dinheiro nenhum e era um picareta.
A estreia foi três dias depois com o tricolor caindo por três a um. Mas se não fosse o goleiro Jair a conta seria ainda maior. O empresário não pagou a cota do clube depois da partida dando apenas “vales” pros jogadores sob a desculpa de que o restante seria empregado para financiar a viagem de navio para o porto de Le Havre onde o time venceu a seleção local.
Reunião da CBF!
Depois seguiram para Paris a cidade luz, mas aconteceram coisas do arco da velha. O lateral Florisvaldo se perdeu na estação, roubaram dinheiro de Bacamarte, e o ponta Izaltino “encheu a cara”. Tudo isso e nada de dinheiro. Aí Osório teve uma conversa mais firme com o empresário Faulisier:
- O Conselho Deliberativo do Bahia só autorizou a viagem porque o contrato determina pagamento após cada jogo, caso contrário retorno imediato da delegação.
O empresário, porém, jogava agua fria na fervura pedindo calma, dizendo que estava “se virando” e levando a coisa no papo. Osório se controlou à custo, inclusive porque não queria encerrar a excursão de supetão. A próxima parada seria em Hamburgo quando o Bahia levou de quatro a um do clube local. Logo depois Osório voltou a procurar o empresário, que lhe respondeu:
- Você não me disse que o Conselho determinou que o time retornasse, na hipótese de eu não pagar? Podem voltar! Eu não tenho dinheiro. Você me traz um time vagabundo, perdendo pra todo mundo e ainda quer fazer exigências? Pode voltar!
O velho Osório!
Osório engoliu aquela em seco nem conseguindo dormir direito à noite. Pra retornar tinha a vergonha, o consulado tinha que intervir para repatriar a delegação e havia ainda a divida com o Banco do Fomento. Aí engoliu o sapo. No outro dia quando o empresário picareta lhe telefonou perguntando se iriam prosseguir respondeu que sim e procurou saber para onde iriam. Bronswick foi a próxima parada onde ficaram hospedados num hotel em uma montanha com um frio de doer. No campo não deu outra com o tricolor apanhando de seis a três.
Depois, a escala rezava passar em Praga pra jogar contra a forte seleção da Tchecoslováquia. Aí Osório mandou o técnico colocar Carlito na ponta esquerda o qu4e levou a uma virada no time que ganhou da seleção e, logo depois, o fortíssimo Estrela Vermelha em Bratislava. Perderam na Hungria e ganharam em Pilsner e Coshita. Aí o empresário começou a pagar algumas cotas em moedas diferentes. Mas ao invés de converter em dólares o presidente tricolor mandou o dinheiro pra Bahia. Conta-se que quando chegou aqui ninguém sabia o que era...
Os baianos viajaram muito!
Enquanto isso o empresário mostrava-se um verdadeiro vigarista, fazia contrabando, sumia e entregava o time para um agente seu na cidade, etc. Acabou conseguindo jogos na Russia o que causava estremecimento da delegação com a FIFA num período de guerra fria. O tricolor viajou de Copenhagen a Riga em dois aviões e tiveram que passar pela alfandega russa. Mas apesar do pessoal estranhar foram bem tratados, receberam flores, tiveram dois interpretes e comeram á base de vodca e caviar.
Aí surgiu a oportunidade de vingança de Osório. É que um dos interpretes conhecia a picaretagem do empresário e disse que não gostavam de tratar com gente desonesta. Aí Osório pediu uma reunião com o responsável pelo comitê esportivo russo e disse que havia acompanhado os movimentos do empresário em Hamburgo e podia dizer que achava que era espião americano...
O mar não estava pra peixe!
É claro que esta acusação impressionou os soviético e Osório conseguiu que os dez mil dólares que receberiam pelos jogos fossem enviados diretamente para Salvador. Pediu ainda outros jogos no país mas os russos responderam que não. Mas desafiou, se ganhassem ou empatassem com o Torpedo Moscou (campeão do país) receberiam mais três jogos e ainda as passagens Moscou-Salvador com dez quilos de excesso de bagagem por pessoa.
O resultado é que o Bahia ganhou do time do grande goleiro Iashin no estádio Lenin e jogou ainda em Minsk e Leningrado. Só não jogou na Noruega por causa das trapalhadas do empresário. Os russos não pagaram a ele as cotas e sim ao chefe da delegação. E o cara ainda tentou convencer Osório lembrando o “contrato”. Osório não perdeu a ocasião:
- Quando você deixou de pagar as cotas na Inglaterra o contrato já estava roto. Aliás procure o tesoureiro do Bahia para ver quanto você ainda nos deve...
Olhem Richard Gere no Porto da Barra!
E, como o vigarista insistisse em arranjar novos jogos através de esquemas ele levou-lhe para um reservado do hotel e lhe deu uns sopapos tomando-lhe o passaporte. Mas os russos pediram para que devolvesse, o que fez, porém, após garantir que o cônsul do Brasil em Hamburgo pedisse a polícia local para lacrar a porta do apartamento onde estavam as bugigangas que a delegação tinha comprado na Europa.
Os russos cumpriram o compromisso, mandaram o dinheiro e as passagens. Mas chegando a Frankfurt, houve problemas com excesso de bagagem, e em Recife, a denúncia de que a delegação trazia contrabando. Foi preciso muito papo pra contornar essas coisas. Mas, chegando ao Brasil a imprensa pernambucana enalteceu os êxitos tricolores e o presidente da FPF, Rubem Moreira, ofereceu um almoço à delegação.
O cara continua por aí enganando quem quer ser enganado!
Em Salvador novas homenagens, povo no aeroporto, e até uma medalha de ouro da Liga Bahiana de Desportos Terrestres. Duraram de cinco da tarde até uma hora da manhã pois teve desfile e tudo, saudação no Palácio da Aclamação do governador Antônio Balbino, e até um carnaval na Praça da Sé.
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terça-feira, 6 de dezembro de 2011
Sindicato de ladrões
Quem é que não assistiu Sindicato de ladrões do diretor Elia Kazan? Foi filmado quando eu era menino mas, assim que eu me tornei adolescente o ví ganhar vários Oscars vibrando com o desempenho de Terry Maloy (Marlon Brando)que era grande como boxeador mas pequeno demnais para entrar na gang de Johnny Friendly(Lee J. Cobb), e a mocinha Eddie Doyle(Eva Marie Saint).
Foi assim que na minha juventude passei a assistir todo tipo de ladrão de casaca e roubos elegantes como os de Arsene Lupin. Mas a ladroeira não fazia sucesso só no cinema mas também no futebol. E foi assim que conheci João Havelange da CBD. Ele agora já está com 95 anos e era presidente de honra do COI – Comitê Olímpico Internacional até ontem quando renunciou ao posto.
O mundo era dele!
Há seis meses estava sendo investigado pela Comissão de Ética da entidade em função da acusação de ter recebido propina da ISL, antiga parceira da FIFA. O processo, que vem sendo abafado pela entidade mater do futebol mundial desde 2009 na justiça suíça, envolve também os presidentes da Confederação Africana de Futebol e da Federação Internacional de Atletismo.
O contexto do seu isolamento não podia deixar de ser político. É que o presidente da FIFA Joseph Blatter entrou em conflito com seu afilhado Ricardo Teixeira, presidente da CBF, e pressionou o antigo aliado mas padrinho daquele. Havelange renunciou para evitar o constrangimento de uma possível expulsão e até o reconhecimento público de que se corrompeu.
Seu afilhado Ricardo Teixeira só vive tentando se esconder!
Agora, pelo regulamento esdrúxulo e corporativista do COI ele não pode mais ser citado no processo e o resultado da investigação não poderá mais ser divulgado. Ou seja, em outras palavras, o dirigente escapou mais uma vez da “justiça dos homens”.
Mas com tudo isso ainda teve a cara de pau de comparecer ao FOOTECON para ser chamado por um dos dirigentes da mesa, o treinador Carlos Alberto Parreira, de “o maior dirigente esportivo que o mundo conheceu”. É realmente o cúmulo do puxa-saquismo. Imagino quanto foi investido por aquelas entidades para a realização deste evento.
Olhem ai os antigos mafiosos Joseph Blatter e João Havelange!
A verdade é que Havelange é um dos dirigentes mais longevos do futebol mundial tendo roubado a bessa, mas sobrevivido a uma série de crises, continuado no posto e ainda fazendo seus sucessores. Durante décadas foi o dirigente máximo da CBD e mandava e desmandava. Conta-se que as “reuniões” da confederação eram só pra constar pois era Havelange quem decidia tudo. Na verdade as reuniões eram só pra distribuir as tarefas que Havelange antes havia decidido. Tipo,”o senhor vai fazer isso, o senhor aquilo...” No entanto a imprensa noticiava que
- Depois de uma acalorada discussão, a diretoria da CBD resolveu adotar as seguintes medidas...
Em 1966 porém, após a derrota humilhante da seleção brasileira, que não conseguiu passar das oitavas de final da Copa do Mundo as coisas pareciam que iam mudar. O Brasil só tinha ganhado da Bulgária por dois a zero e logo depois perdia da Hungria (1 X 3) e de Portugal com Euzébio e tudo (1 X 3) tendo direito ainda a um frangaço do goleiro Manga do Botafogo.
Ih, agora vai ficar só Ricardo Teixeira como o rei dos ladrões!
Aqueles que nas reuniões ficavam mudos e obedientes passaram a criticar a seleção imaginando que podia acabar caindo alguma coisa em suas mãos com a iminente queda de Havelange. Pouca gente esperava a delegação no aeroporto e Feola o técnico desembarcou em Curitiba. Quando o dirigente máximo da CBF chegou ao Galeão a situação ainda foi pior com apenas seis amigos no saguão embora houvesse um montão de jornalistas.
No outro dia compareceu a um programa de TV e na abertura o repórter perguntou:
- O Brasil todo, neste instante, espera que o senhor aponte os responsáveis pelo fracasso da seleção.
Ao que Havelange respondeu com arrogância:
- Só existe um responsável, eu, João Havelange.
Oi Terry e Eddie namorando no Tororó!
E prosseguiu justificando que foi ele quem escolhera os auxiliares, determinara as diretrizes e completou afirmando que:
- Esta é a satisfação que tenho de dar ao povo brasileiro. Mas prestar contas, com todos os detalhes indispensáveis, só posso fazê-lo à Assembleia da CBD, que é composta dos presidentes das federações estaduais. Vou reuni-la e colocar o cargo que exerço à sua disposição.
E não é que convocou mesmo a tal assembleia? Na ocasião, fez um relatório franco e...foi reeleito por unanimidade, após o que dispensou os serviços de todos os que haviam criticado a seleção, e por extensão a ele.
· Agradeço as informações do livro Futebol, paixão & catimba de Osório Vilas Boas.
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