quarta-feira, 29 de junho de 2011

Uma breve história do mundo?

                                      
                          
Há dois anos o professor Geoffrey Blainey publicou um livro chamado Uma breve história do mundo que tem batido o recorde de vendas de livros de história. A tentativa vale a pena embora não seja nem inédita na intenção nem no nome, tomado emprestado do livro que H.G Wells lançou em 1924 com o mesmo nome.
Realmente esses autores tem um, admirável poder de síntese ao tentar escrever sobre tanta coisa em pouco mais de trezentas páginas. Eu mesmo gastei quinhentas, só pra falar de minhas memórias políticas no Brasil de 1960-1990. Ou será que se trata de mais um livro de “de bolso” num tempo onde as pessoas não tem tempo pra conhecer nada profundamente e só querem ter assuntos para roda de conversas?
Não posso nem me comparar com autores tão qualificados. Afinal, um foi um grande ficcionista e o outro é professor da Universidade de Harvard, enquanto eu nunca passei da sucursal da Estácio de Sá na Bahia. Mas não posso deixar de dar o meu “pitaco” pois é o assunto de hoje em meu blog. Wells começa contando a história do planeta enquanto Blainey entra logo na história com os macacos descendo das árvores para se transformarem em seres humanos.
                                                          Só mostram a Europa!

Outro problema dessas resenhas é que em poucos anos as novas descobertas científicas desmentem tudo o que foi ali afirmado. Aliás é o que acontece com o pobre do Wells, onde muitas afirmações ficaram tão ultrapassadas que acabaram fazendo com que fosse encarado como um livro de contos histórico-geográfico. Como historiador Blainey está alerta para esses problemas. Tanto é assim que não procurou pesquisar muito sobre a infinidade de assuntos que aborda. Toda hora se encontram em seu livro, os talvez, e os pode ser.
Mas onde não posso perdoar é com a reprodução de preconceitos com o nosso continente americano, com o Brasil e, principalmente, com a Bahia. Imagine que Wells trata o nosso país em apenas um parágrafo, resumindo toda a nossa rica história em apenas três datas, 1808,1822 e 1889, aliás Laurentino Gomes fará melhor daqui a alguns anos quando lançar o último livro de sua trilogia histórica.
                                                      Nem uma palavra sobre Bobô!

Quanto a Blainey segue os mesmos preconceitos da história tradicional. Passa do início da história da humanidade na África, e a sua ocupação da Ásia, diretamente para o Egito, pouco dedicando atenção ao continente americano onde existiram múmias e produtos têxteis muito antes da civilização dos faraós e arqueólogos encontraram vida no Piauí há pelo menos cinquenta mil anos. Mas é claro que um famoso historiador não vai perder tempo com um estado que não dá ibope.
Com tão poucas páginas passa por eventos históricos em marcha batida. Parece até que o leitor está na janela de um trem vendo passar a invenção do fogo, da roda, das línguas e religiões, as chamadas Antiguidade e Idade Média, a revolução industrial, o imperialismo e as guerras mundiais, até chegar no presente. Nesse filme sobra pouco para a América Latina, sem qualquer importância que ser “descoberta” e colônia dos povos “civilizados”.
Nem em Wells nem em Blainey se encontram menções á Bahia. É brincadeira escrever uma “história mundial” sem se falar dos baianos. Como falar da ”descoberta” da América sem Porto Seguro e a Baía de todos os santos? E o açúcar hein, que virou o primeiro produto mundial? Cadê o segundo porto mais importante das Américas nesta história? Afinal de contas onde aportou primeiro a Corte Portuguesa após fugir da Europa? E o que falar da originalidade das repúblicas “de araque” que foram proclamadas no continente que os baianos a fizeram duas vezes?
                                 Nem falaram de quando os discos voadores chegaram na Bahia!


Por isso aqui fica o meu mais veemente protesto a estas tentativas de se escrever a história do planeta sem dar a menor bola para um mundo chamado Bahia. Vocês podem achar até que estou fugindo da natureza deste blog, mas eles não dão nem meia linha para o nosso futebol. Uma alfaiataria de Salvador usou durante muito tempo o slogan Adão não se vestia porque Spinelli não existia. Parece que estavam adivinhando que Blainey sequer existia quando foi introduzido o futebol na Bahia.
Será pra não dar o braço a torcer para os ingleses, arquirrivais dos norte-americanos, e que influenciaram a pratica do futebol no Brasil? Como não fala nada da Bahia nem sabe que os baianos estiveram entre os primeiros a jogar futebol no país, sendo aqui jogados os primeiros amistosos internacionais.
É bem verdade que ainda não existiam estádios, é tanto que se jogava nos apertados campinhos do largo de São bento, do Campo da Pólvora e do Rio vermelho. Mas isso foi remediado em 1922, quando se inaugurou o Estádio da Graça. Aliás não se sabe de HG Wells nem Blainey terem comparecido a um jogo sequer por lá.
                                                        E os deuses, só são brancos?


Folheei o livro todo e passei a questionar o seu caráter científico. Imaginem que não há nem um paragrafozinho sobre o glorioso EC Vitória, e seu importante papel na história do mundo, o de se constituir no primeiro clube fundado no Brasil com sócios nacionais! Não há uma linha sobre o primeiro campeonato baiano em 1905, nem da convocação do zagueiro Mica do Botafogo para a seleção brasileira de 1923 ou do inédito título da seleção baiana no Campeonato Brasileiro de Seleções em 1934.
Soube que os próprios torcedores tricolores tem reclamado por no livro não constar o importante fato histórico planetário da criação do clube em 1931 através da fusão das equipes da Associação Athlética e Baiano de Tênis. Blainey, num rasgo de insanidade, chegar a desprezar o próprio surgimento do maior clássico do mundo, o nosso BA-VI! É muita discriminação com a Bahia.
Mas a situação fica pior á medida em que se avança na leitura do livro, que não traz nada sobre nossa querida Fonte Nova. Descobri que o autor é profundamente anti-baiano. Senão, porque não falaria das planetárias conquistas tricolores de títulos nacionais e dos vices obtidos pelo Vitória nestes certames?  

                                            Pô, sacanagem não falar do Elevador Lacerda!


Mas o que é mais censurável neste tal de Blainey é a sua inveja da Fonte Nova. Não fala nem de suas virtudes nem de suas tragédias, incluindo a verdadeira tsunami, muito maior do que a do Oceano Índico há alguns anos, que foi a inauguração do anel superior em 1971 em número de vitimas.
É por isso que seu livro Uma breve história do mundo é tão breve, particularmente por não registrar a morte da Fonte Nova, massacrada para se construir uma arena para a Copa de 2014. Naquele dia a implosão foi transmitida pela TV para todo o mundo, só Blainey que não viu.

·          Agradeço aos sites Lendo e Amalgama, e aos blogs quebarato.com e submarino.com.br.

segunda-feira, 27 de junho de 2011

O Rio de Janeiro


O Rio de Janeiro continua lindo. E agora com o sucesso do filme Rio está com a “corda toda”. Olha que já haviam feito muitos filmes onde aparecia a cidade, de 007 a Walt Disney´, e tudo quanto é série norte-americana. A diferença é que agora Carlos Saldanha, o mesmo que ganhou dinheiro com a Era do gelo (lembram-se?), transformou a cidade maravilhosa em protagonista.
Em apenas três semanas o filme bateu todos os concorrentes arrecadando 448 milhões. A receita é simples: pega-se uma cidade inserida no roteiro mundial, faz-se com que a ação se desenrole em torno de seus pontos turísticos, e usam-se todos os clichês possíveis. No caso do Brasil, geralmente confundido com a selva amazônica, não faltam as araras, tucanos e todo tipo de pássaros. Mas, pelo menos é melhor do que a baixaria de O turista e tem gente que acha que isso divulga a cidade.
Mas o que não se fala no filme é em Salvador. Mas como é que se pode falar do Brasil sem falar da Bahia? Quando é que vai ter fim essa disputa entre as duas cidades? Se isto é alguma honraria os portugueses invadiram o Brasil pela Bahia e não pelo Rio de Janeiro. Durante três séculos tivemos o maior porto e só quando a corte portuguesa se mudou pra lá é que os cariocas levaram vantagem. Mas Dom João veio primeiro pra Bahia e foi aqui que abriu os portos as nações amigas, leia-se a Inglaterra.
                              Gisele já veio também na Bahia!


Foi uma época boa pros baianos que, inclusive, tinham mais deputados que qualquer estado. Mas, como todo mundo sabe que esses parlamentares só defendem os próprios interesses, isso não adiantou nada, pois a Bahia e o Nordeste foram ficando pra traz e o Brasil mudou para o Sudeste. Quando a tal da república chegou já era coisa da paulistéia, de carioca e mineiro, só conseguindo neste clube do bolinha os gaúchos, mesmo assim através de revoluções.
Foi só assim que o Rio destronou a Bahia. Mas disputa com o estado até hoje os turistas. Todo hora saem matérias pagas nos grandes veículos de comunicação exculhambando as coisas da Bahia. Do nosso futebol eles só falam pra botar defeito. Quando o Vitória deu de cinco a zero no Flamengo por uma dessas copas brasís da vida, a manchete foi
-Flamengo goleado na Bahia

                 Petkovic e Dom João vieram, primeiro pra Bahia!

Quem lê a matéria não sabe nem pra quem o clube da Gávea perdeu. Põe-se a culpa no juiz, na má vontade dos jogadores, nos erros do técnico, o “escambau”, o que nunca se diz é que os times baianos mereceram ganham pois foram superiores aos times cariocas. Mas isso acontece porque foram mal acostumados.
Houve um tempo em que os clubes cariocas só vinham passear na Bahia. Logo na primeira partida em que enfrentaram os baianos, antes do carnaval de 1919, o primeiro depois da Primeira Grande Guerra, o Botafogo massacrou um escrete baiano por sete a um no campo do Rio Vermelho.
                                                           Aqui também já teve pirata!


Depois foi a vez de o América aportar por aqui em setembro de 1921. Ganhou de um combinado Baiano de Tênis-Botafogo (4 X 2), da Associação Atlética (4 X 3), do Ypiranga (3 X 0), e do Vitória (2 X 1). Só a seleção baiana conseguiu, á muito custo, empatar em um gol. Dois meses depois, chegou o Vila Isabel, que era o time da escola de samba carioca. Mas não é que venceu o Botafogo (3 X 1) e o Baiano (2 X 1)? Tiveram que organizar um combinado com o nome do herói Henrique Dias pra vencer os diabos rubros cariocas por quatro a um, embora o ameriquinha, cinco dias depois, derrotasse a seleção baiana pelo escore mínimo.
O Fluminense inauguraria o estádio da Graça num primeiro de abril de 1923, mas não foi dia da mentira. É tanto que venceu a poderosa Associação Athlética por três a um. Acho que os baianos ficaram mais orgulhosos por ter, enfim, um estádio apresentável, e, apesar de Baiano e Botafogo serem derrotados por dois a zero, o Vitória conseguiu um belo empate (1 X 1) e Botafogo (2 X 1 e Combinado Baiano (5 X 4) também venceram o pó de arroz). Foi assim que o zagueiro alvi rubro Mica foi convocado para a seleção brasileira.
                                           Na Bahia teve Canudos que o Rio não tem!


Quatro anos depois, oi os cariocas de novo! Desta vez foi o São Cristóvão que passou os baianos “a limpo”. Começou vencendo o Ypiranga (2 X 1), e depois traçou o Vitória (4 X 1), Botafogo (3 X 1) e um combinado de Salvador (3 X 0). Só quem lhe fez frente foi o Baiano de Tênis ao empatar em três gols.
Os anos trinta foram abertos na Bahia pelo Bangu que “passou o rolo” nos clubes baianos. Estreou contra a Associação Athlética ganhando por cinco a dois. Logo a seguir aplicou o esdrúxulo placar de dez a um no Fluminense FC. A coisa estava tão fácil que perdeu de convencido para o Botafogo (2 X 4) e o Ypiranga (1 X 3), embora vencesse a revanche contra esse último por seis a quatro
                                                     Quem é que quer Ronaldinho!


A primeira vez que o Vasco da Gama jogou na Bahia foi em junho de 1931, perdendo de seis a cinco da Seleção baiana. Com o Flamengo ocorreu em novembro do ano seguinte, ganhando sucessivamente do Vitória (7 X 2), Botafogo (4 X 1), Ypiranga (1 X 0), Bahia (3 X 2) e Seleção baiana (3 X 1), embora tropeçasse na revanche contra o mais querido por três a dois.
Ao longo da década voltaria o São Cristóvão (agosto de 1933 e maio de 1935) e viria o Andaraí (novembro de 1933). O Botafogo só reapareceria em outubro de 1935 e o Vasco em abril de 1936. Em meados de 1937 chegaria o Madureira que ficaria mais de um mês na Bahia.   O Flamengo voltaria em março de 1938 e o América depois do carnaval de 1939.
                                   Na Assembléia Legislativa daqui também tem fantasmas!


O Bonsucesso foi o primeiro a chegar nos anos quarenta antes do carnaval de 1941. Empatou na estreia contra o Galícia (2 X 2) e ganhou do Ypiranga (4 X 2), mas perdeu para o Bahia (2 X 1). O Vasco voltou no mês seguinte, e o Botafogo, em janeiro de 1942. Durante a guerra ainda voltou o São Cristóvão, após o carnaval de 1944, e o Fluminense, no mesmo período do ano seguinte. O pó de arroz voltaria em 1946, 1947 e 1949, sempre acompanhado do Flamengo. O Vasco da Gama viria em 1946, América, Vasco e Bangu em 1948, e o Olaria em 1949.
Em 1950 chegariam na Bahia o Madureira e o Flamengo e, o Fluminense seria o primeiro clube carioca a jogar no novo estádio da Fonte Nova atuando no dia consagrado á independência do Brasil na Bahia, o dois de julho, ganhando o tricolor baiano por dois a zero. Os cariocas só voltariam ao estádio dois anos depois, em março de 1953, quando o Flamengo venceu a dupla BA-VI, respectivamente, por dois a um e oito a dois.  Mas, a partir de então, os confrontos passariam a ser mais equilibrados. O Botafogo compareceria á terrinha em dezembro, mas pra ser goleado pela Seleção baiana por quatro a um.
                                   Os cariocas não sabem o que é sofrer com Kleber Pereira!


Em 1954 viriam Vasco, Botafogo, São Cristóvão e Olaria, e em 1955, Flamengo e Olaria. 1956 foi a vez de Fluminense, Bangu e Botafogo atuarem em Salvador, ficando para o ano posterior o Flamengo, Bangu e Vasco da Gama. E os dois últimos anos da década viram Fluminense (três vezes), Botafogo, Bangu e Flamengo (duas vezes).
A década de 60 inaugurou os grandes certames nacionais, começando pela Taça Brasil e pelo torneio “Robertão”, uma ampliação do antigo Rio-São Paulo. A Bahia viu o Flamengo e Vasco (seis vezes), Bangu (quatro vezes), Fluminense (duas vezes), Botafogo, Olaria, América, São Cristóvão, Bonsucesso, Portuguesa e Canto do Rio.
Qual é, o Rio não tem nem acarajé!


Os anos setenta puseram fim, quase que definitivamente, os amistosos entre baianos e cariocas. Doravante se enfrentariam pelos novos certames criados, o Campeonato Brasileiro, a Copa do Brasil, por torneios locais ou de consolação para os eliminados do primeiro certame. Se retirarmos o ano da inauguração da Fonte Nova são poucas as exceções:

30.1.1972 – Vitória 1 X 0 Fluminense             3.9.1972 – Bahia 0 X 0 Olaria
21.2.1973 – Bahia 1 X 1 Flamengo                  6.6.1973 – Vitória 0 X 0 Flamengo
14.7.1973 – Vitória 0 X 3 Vasco da Gama      17.6.1974 –Bahia 2 X 0 Flamengo
19.2.1975 – Vitória 0 X 2 Fluminense            18.6.1975 – Bahia 2 X 1 Flamengo
29.6.1975 –Vitória 2 X 2 Fluminense             17.6.1976 – Bahia 1 X 1 Flamengo
28.11.1976 – Ypiranga 1 X 1 Volta Redonda 5.12.1976 – Vitória 3 X 1 Volta Redonda
29.1.1977 – Vitória 1 X 1 América                   27.2. 1977 – Bahia 1 X 3 Olaria
                               O Elevador Lacerda é muito mais antigo que o Cristo redentor!
   

4.5.1977 – Vitória 1 X 1 Flamengo                   5.7.1977 – Bahia 0 X 0 Flamengo
26.9.1978 – Bahia 2 X 1 Flamengo                   31.1.1979 –Bahia 1 X 1 Flamengo
9.5.1979 –Vitória 1 X 1 Flamengo                     16.12-1979 – Leônico 0 X 1 Fluminense
1.10.1981 – Bahia 3 X 2 Botafogo                     28.3.1982 – Fluminense de Feira 0 X 1 Botafogo
30.3.1982 – Vitória 1 X 1 Botafogo                30.1.1986 – Bahia 1 X 0 Fluminense
8.6.1986 – Bahia 1 X 0 Flamengo                       10.6.1986 – Bahia 2 X 1 Vasco
15.8.1987 – Vitória 2 X 1 Fluminense                28.6.1997 – Vitória 0 X 5 Flamengo (Barradão)
31.5 1998 – Bahia 0 X 2 Flamengo                      

·    Agradeço o Almanaque do Futebol Brasileiro, a Sandro Miranda, ao site gostodeler, e aos blogs poder-jovem.blogspot.com, rpsomlivr.com.br e viagemaquiabril.com.br.

sábado, 25 de junho de 2011

Transformers


Pensam que é só lá nos States? Na Bahia também se vê transformers brigando na Praça da Sé!      


Gosto muito de Steven Spielberg, embora ele dê uma no cravo e outra na ferradura. Um dia faz o formidável A lista de Shindler e no outro o horroroso Tubarão. Mas, pelo menos optou por uma carreira onde faz concessões á indústria cinematográfica mas também filmes que irão ficar para a posteridade.
Em 2007 deu uma dessas produzindo Transformers, baseado numa série de desenho animado que acabou na continuação (2009) e num terceiro filme. O que está em jogo é a destruição de Cybertron, o planeta dos transformers, pelo pérfido vilão Decepticon Megatron. Esses só vivem se transformando e brigando com os Autobots. No filme todo mundo procura o tal do All Spark uns pra reconstruir o planeta e outros para dominá-lo. E entra até o Setor 7, agência governamental secreta norte-americana com seus objetivos inconfessáveis.
                                                   Esses também são transformers!

Na história uma turma de Deceptions desembarcam no planeta disfarçados pra atacar uma base norte-americana em busca do capturado Megatron e do All Spark mas, como sempre, fracassam. Vocês sabem como é, nos filmes norte-americanos (ao contrário da vida real) sempre ganham o “bem”, leia-se os interesses norte-americanos.  Mas (mesmo porque tem que continuar a série) sempre sobra algum vilão pra contar a história.
Os Transformers podem não ter derrotado os Deceptions mas pelo menos faturaram mais de um bilhão de dólares de bilheteria desses filmes. Só no Brasil dois milhões de espectadores assistiram essa briga que nunca termina.
                                                          Isso é lá cara de gente!

Mas pouca gente sabe que os transformers atuaram também na Bahia. Eles vieram com os clubes do Rio da Prata e acabaram gostando da Bahia. A primeira vez que apareceram foi em 1931. Tiveram para isso que viajar em uma máquina do tempo e chegaram bem na ocasião quando o Brasil havia mudado de governo e, pra tapear, chamaram de “revolução de 30”.
Na ocasião se disfarçaram de um clube uruguaio, o Sud América. Pareciam direitinho com ele, tanto que enganaram os baianos. Como chegaram em abril fazia muita chuva, aí foram procurar o Megatron no Nina Rodrigues para olhar os cadáveres nas geladeiras. Mas nada conseguiram.
                                           Na Bahia haviam carros difíceis de transformar!

Mesmo assim passaram aqui uma semana. E no embalo derrotaram o Ypiranga (4 X 2), o Bahia (5 X 1), mas empataram com o Botafogo (1 X 1) que jogou reforçado pelo o Setor 7. O próprio Jon Voight, secretário da defesa norte-americano, atuou nesse dia.
Só voltaram sete anos depois, mas o número não deu azar. Agora eram Hermanos, dizendo-se representar o clube Atlanta, que deve estar hoje na milésima divisão da Argentina. Mas deram azar ao chegar em janeiro, quando todo mundo sabe que é verão na Bahia. Ora, isso é tipicamente coisa de norte-americano que pensa que a capital do Brasil é a Bolívia. Imaginem como procurar o congelado Megatron desse jeito, não dá!
                        E o camaleão Woody Allen?Porque meia noite em Paris e não na Bahia?

Foi por isso que os orgulhosos transformers Deceptions não encontraram aqui nem os Autobots e ainda perderam na estreia para o Ypiranga por dois a um. Aí foi um inferno pois ameaçaram tocar fogo na Bahia obrigando a que o governador Juracy Magalhães intervisse pessoalmente na situação arranjando o Galícia para jogar com eles, dois dias depois, e perder de quatro a dois para esses camaleões alienígenas. Mas, foi o único que aceitou por não ser baiano mas da colônia espanhola.
Depois disso os transformers voltaram por várias vezes á Bahia em sua máquina do tempo. Sempre tinham uma desculpa pra vir por aqui. O Setor 7 ficava louco. Tentou negociar, um dia viriam os Autobots e o outro os Deceptions, mas o clima baiano fazia com que eles só brigassem no filme. Os disfarces já eram conhecidos, eram os países que ficavam na margem direita e esquerda do Rio da Prata, Argentina e Uruguai.
                                          Ninguém diz que os carros eram feitos na Bahia!

Nos anos quarenta (janeiro de 1941), vieram com um nome estranho Gimnásio Y Esgrima, que era da cidade de La Plata, pertinho de Buenos Aires. Na ocasião, ganharam da dupla BA-VI por quatro a um e três a dois, e só perderam pro pessoal que fala espanhol na Bahia, o Galícia. Cinco anos depois apareceram de novo por aqui.
Era verão e não tinham nada a fazer a não ser ficar para o carnaval. A esta altura a CIA, ou como Spielberg prefere chamar, Setor 7, já sabia que estes transformers eram turistas e que nunca iriam achar nem o Megatron nem o All Spark. A capa foi o Rosário Central do interior da Argentina, que desta vez nem deu bola pro Galícia (2 X 1) e ainda ganhou de lambuja do Bahia (5 X 4).
                                                         E só andavam em turma!

Foi a última vez que os transformers jogariam no bairro da Graça pois já o achavam acanhado para os seus malévolos propósitos. Contam as más línguas que foi por isso que construíram a Fonte Nova. Mas, como demoraram pra acabar as obras, os vilões só chegaram aqui dez anos depois, em setembro de 1956. Na ocasião, o departamento de estado norte-americano estava mais preocupado com a guerra da Coréia e não estava nem aí para os transformers.
Assim, mandaram a secretária do assistente do diretor do Setor 7 pra acompanhar o Independiente, a nova cara dos vilões na Bahia. Os baianos, que nunca sabem de nada, os receberam com todas as honras pensando que era o grande clube argentino. Botaram sua seleção, que treinava para o importante campeonato brasileiro de seleções, pra jogar com ele, e não é que ganhou (sic!), dois a um.
                                                  Infernizavam a Baía de todos os santos!

Aí os transformers se chatearam, e piorou quando repetiram o disfarce de Rosário central no ano seguinte, empatando (0 X 0) e perdendo pro Bahia (0 X 3).Foi assim que eles pararam de vir a Bahia. Pô, também os baianos não se emendam, querem ganhar até de formidáveis vilões do cinema sem o menor respeito!
Spielberg bem que tentou disfarçar mas sentiu o golpe. Mas, como está mais preocupado com o mercado do cinema acabou lançando mais filmes da série e pedindo que os transformers viessem na Bahia para lança-los. Mas desta vez mudou a moral da história. Ao invés dos vilões ganharem, diferente do que ocorria na tela, foi o bem (no caso os baianos) que começaram a ganhar. Era o The End holywood-baiano.   

* Agradeço ao Almanaque do Futebol Brasileiro, ao site Wikipédia, e aos blogsliderbit.com.br, guiadelazer.com, tiltcast.com e leorama.org. 

quinta-feira, 23 de junho de 2011

O maior desastre do universo



               
Nosso universo já viu muitos desastres. Catástrofes naturais ou provocadas direta ou indiretamente pelo ser humano. O que bateu de planeta nessas galáxias não está no gibi. E o que dizer dos sóis que se apagaram? Mas duvido que tenha um planeta com tanto desastre como a Terra.
Se houvesse um Top Dez dos desastres certamente a China ficaria em primeiro lugar. Lá ocorreram duas enchentes do Rio Amarelo pra ninguém botar defeito. A de 1887 matou mais de novecentas mil pessoas, e a de 1931 consta do Livro dos Recordes com mais de um milhão de mortos.
O país tem outras catástrofes menos votadas, como as do terremoto de Shaanxi em 1556(com 830 mil mortos), a enchente de Kaijeng em 1642(com 300 mil mortos), o terremoto de Tangshan em 1976(com 242 mil mortos) e a falha da barragem de Banqiao em 1975 (com 231 mil mortos). Se acontecesse isso aqui diriam logo que era uma política do governo para controle da natalidade.
                                                                 Ah o River Plate!

Mas há países que não ficam muito atrás. Em Bangladesh mesmo teve o ciclone de Bhola que em 1970 matou mais de quinhentas mil pessoas.  Como a região fazia parte do Paquistão e todo mundo sabe das disputas que existem lá com os indianos, estes chegaram antes em matéria de ciclone, em 1839, quando morreram trezentas mil pessoas. Depois vem a Tsunami do Oceano Índico, que em 2004 matou 230 mil pessoas.
Só então é que entra o terremoto do Haiti, que teve tanta propaganda no ano passado, mas que ocupa um modesto décimo lugar no Top Dez das catástrofes, com 222.570 mortos (não sei como chegaram a tanta precisão!). Talvez seja por isso que a ONU, os EUA e Cia abandonaram o país á sua própria sorte. Mas resta o consolo aos haitianos de torcer pra que não apareça uma tragédia mais pra poder ficar ainda na lista e ganhar alguma ajuda internacional. Pois vocês sabem que isso só acontece quando dá ibope.
                              Essa nem está no Top Dez, foi quando caiu um disco voador na Bahia!

Quanto às tragédias do Irâ, em 856 e 893, que mataram, respectivamente, duzentas mil e cento e cinquenta mil pessoas, do Japão, em 1923, que levou de roldão 142 mil, e do Turcomenistão, em 1948, onde “bateram a caçoleta” 110 mil, ninguém mais fala delas. Também quem manda morrer tão pouca gente e sair do Top Dez?

                                                                 Essa foi fichinha!

Mas as enciclopédias de catástrofes não estão com nada. Elas só cuidam de terremotos, enchentes, tsunamis e ciclones, discriminando o futebol. É por isso que não sabem que neste momento está ocorrendo o maior desastre da história o rebaixamento do glorioso River Plate para a segunda divisão argentina.
É que o Livro de Recordes é dirigido por grandes comerciantes brasileiros e uruguaios, que há muitos anos falam mal dos portenhos. Mas o desastre do rebaixamento é incalculável. O Club Atlético River Plate foi fundado em 1901 e é um dos maiores clubes do mundo, trinta e quatro títulos nacionais, duas vezes campeão sul-americano e uma vez mundial.
                                                  Olhem como ficava a Orla!

Sua sala de troféus tem que a cada dia ser ampliada pra comportar tanto título. O clube é tão formidável que ficou conhecido nos anos quarenta como A máquina quando seu ataque tinha Munhoz, Moreno, Pedernera, Labruna e Loustau.

Acho até graça quando se fala em clubes que tem muitos sócios, como o Real Madrid, o Milan e o Internacional. Fiquem sabendo que em 1954 o River Plate já tinha 65.000 sócios.  Aliás, a maior tragédia do futebol argentino ocorreu justamente em 1968 quando morreram 71 pessoas em um clássico River X Boca.
Na sua primeira participação na Taça Libertadores da América sagrou-se logo vice-campeão em 1966. Dez anos depois voltaria a disputar esse título perdendo na final contra o Cruzeiro. E, se passariam de novo dez anos, para ver, enfim, o River ficar com esse título ao ganhar o América de Cali na partida final e, logo depois, ao vencer o Steaua Bucarest, levar o título mundial. Em 1996 venceria de novo a Libertadores derrotando na final o mesmo adversário, embora perdesse a final da copa mundial para o Juventus da Itália.
Pois bem, o clube onde jogaram Francescoli, Artime, Ferreyra, Labruna, Di Stefano, Perfumo, Carrizo, Oscar Más, Merlo, Passarella, Fillol, Diaz, Gallego, Astrada, Alonso, Marcelo Salas, Saviola, Sorin, Crespo, D Alessandro, Mascherano, Cavenaghi, Higuaín, e que foi treinado por Didi, está ameaçado pela morte da Segunda Divisão. Começaria a cair em 2008 quando ficou com a lanterna do Torneio Apertura na Argentina. Veio obtendo péssimos resultados nos torneios nacionais até culminar com o certame atual onde ficou em 17º lugar. Na Argentina o rebaixamento de um clube é realizado através do cálculo de uma média dos piores nos últimos anos. Assim sobrou para o River Plate.
                                                       E essa desgraça não conta?

O fantástico clube argentino está disputando o Promoción (uma espécie de repescagem) pra ver quem vai estar na Primeira Divisão em 2012 contra um clube que tem o mesmo nome de seu bairro, o Belgrano, e que já ganhou a primeira partida por dois a zero em Córdoba. Quer dizer, se o River não ganhar pelo mesmo escore no próximo domingo, babau. Vai cair para a Segundona argentina pela primeira vez em sua gloriosa história. E aí vocês vão ver a hecatombe universal em seus milhões de torcedores argentinos e em todo o mundo.
Não adianta nem o Livro dos recordes ou o Top Dez das catástrofes calcular, pois não vai nem conseguir saber quantos Hermanos irão se matar e o estrago que este verdadeiro terremoto esportivo causará no futebol da Argentina.
Eu tenho um orgulho na vida, o de ter visto o River Plate jogar na Fonte Nova. Isto ocorreu em 1972.  O Brasil celebrava o sesquicentenário da chamada independência (que nem necessita letra maiúscula) e foram organizados grandes eventos, uma “Mini Copa” no país, e aqui, a Taça Cidade de Salvador. Para esta convidaram as fortes equipes do Grêmio Porto Alegrense e do Fluminense carioca e o todo poderoso River Plate da Argentina.
                                             E gente morar num lugar desse, pode?

Fui com meu irmão “Toínho” ver todos os jogos deste torneio chegando mais cedo pra assistir as preliminares. Lembro-me que a torcida rubro negra estava deslumbrada neste ano, pois, além de estar neste torneio com grandes clubes, iríamos disputar o Campeonato Brasileiro. Outra coisa foi a TV em cores que, até que enfim, havia chegado ao país.

Os jogos foram muito concorridos. Tudo aconteceu em apenas uma semana onde pudemos hospedar as delegações de fora. Como não poderia deixar de ser quem causou o maior frisson foram os argentinos. Há doze anos uma equipe desse país não se apresentava na Bahia, desde as disputadas da Libertadores da América de 1960 entre Bahia e San Lorenzo de Almagro.

Havia ainda a mística do poderoso River Plate que nunca havia jogado no Nordeste. Imaginem que o seu técnico era nada menos que o brasileiro bicampeão do mundo Didi, e havia jogadores como Alonso, Martinez, Ghizo, Moretti e o goleiro Barisio. A rodada inicial marcava o jogo Fluminense X Grêmio, que terminou sem gols.

                            E a desgraça desta falta de cortesia?

Na partida de fundo a formidável “fria” do EC Vitória, ao enfrentar, logo de saída no torneio, tamanho escrete.  No entanto os rubro negros surpreenderam a torcida. Após um começo nervoso equilibraram as ações em campo e praticaram o futebol envolvente que lhes permitiria ganhar o campeonato baiano daquele ano após sete anos na fila.

O ataque baiano composto por Osny, Gibira, André “Catimba” e Mario Sérgio, conseguiu fazer Rodriguez e Cia passar por maus momentos, mas acabou por se render a formidável linha atacante argentina com Alonso, Martinez, Moretti e Ghizo que venceria por dois a um. 

                           Desgraça desta é todo dia na Bahia!


É por isso que não consigo deixar de derramar uma lágrima furtiva quando vejo os Hermanos do River nesta situação, que é seguramente, a maior catástrofe do universo do futebol.


·          Agradeço aos sites RSSF Brasil e Wikipédia e aos blogs marinhas-8b-g2.blogspot.com, ne-miguelito.com e monitormercantil.com.br.

terça-feira, 21 de junho de 2011

O Lanterna verde

         
                                                                                                                 No dia mais claro
                                                                                                                na noite mais densa
                                                                                                                o mal sucumbirá
                                                                                                                 ante a minha presença (...).
                                                                                                                 Quem quer o mal
                                                                                                                 tudo perde
                                                                                                                 ante o poder
                                                                                                                 do Lanterna verde.
                                                                                                                                                 (Juramento) 

Soube que o filme Lanterna verde  faturou abaixo do esperado nos três primeiros dias de seu lançamento nos EUA e Canadá, somente US$ 52 milhões. Dizem que está perdendo pra filmes que ninguém ouviu falar. Também quem manda fazer filmes milionários quando o mercado dos super heróis está congestionado com o homem aranha, a mulher lobo, o quarteto fantástico e as novas versões de Super homem, Hulk, O fantasma, Batman, etc.?  E isso sem contar os alienígenas, androides, vampiros e outros menos votados!
Mas, se a coisa degringolar eu sugiro que venham pra Bahia, pois aqui o Lanterna verde sempre foi bem recebido. O exemplo é o Palmeiras. O porco verde sempre se deu bem com os baianos. Antigamente tinha nome diferente, Societá Sportiva Palestra Itália. Mas, na primeira vez que nos visitou, em setembro de 1937, 23 anos depois de fundado, passou ”a pão de ló”, mesmo sendo uma época difícil para o Brasil, onde Getúlio Vargas dava um golpe de Estado instalando uma ditadura civil-militar com o apelido de “Estado Novo”.
O clube então nem se parecia com o lanterna verde, era italiano e usava as cores verde, vermelho e branco. Estrearia contra o Bahia no velho campo da Graça ganhando de quatro a zero. Logo a seguir enfrentaria o Botafogo, que conseguiria um empate heroico em três gols, e na “saideira” derrotaria o Galícia por quatro a três.
                                                 E ele chegava com uma turma danada!

Três anos depois, em 1940, seria criado o personagem lanterna verde, por Martin Nodell e Bill Finger, no número 16 da All-American Comics. Foi por isso que, quando começaram as pressões contra italianos, japoneses e alemães no Brasil em função da guerra, o clube trocou de nome para Sociedade Esportiva palmeiras e retirou o vermelho das suas cores pra imitar o super herói lanterna verde.
Foi pura imitação. Mas deu certo na Bahia. Ah quando ele baixou aqui com seu anel originário de um meteoro, foi difícil de resistir. E seus poderes mentais? Nem é bom falar. Como os baianos são muito espirituais tiveram empatia com o lanterna verde de imediato. Mas que havia disputa havia. Era telepatia pra cá e macumba pra lá, hipnose contra batida na madeira, e kryptonita contra acarajé. Eram duelos bons de se ver.
Em 1948 passou por aqui quando já tinha terminado a guerra. Chegou logo depois do carnaval e deu novas goleadas no tricolor, quatro a um e três a zero. Só o vilão Ypiranga, que na época era muito chegado aos terreiros, é que conseguiria derrota-lo por três a dois.
                                          Ôpa esse verde é da novela Amor e revolução!

A primeira vez que o lanterna verde pisou na Fonte Nova foi em junho de 1959. Dizem as más línguas que veio passar o São João. Naquele tempo se organizava o seu lançamento em revista de quadrinhos com a identidade de Hal Jordan fundador da Liga da Justiça da América. Não trouxe nem o anel. Mas mesmo assim o lanterna verde ganhou de novo o seu velho freguês tricolor por dois a um, embora tenha perdido mais uma vez para seu arqui inimigo Ypiranga(0 X 2).
Esta derrota abalou o justiceiro. E ficou pior quando os baianos não compraram a revista em que aparecia. Assim, ficou muito tempo sem aparecer na Bahia. Já haviam começado os certames nacionais, como a Taça Brasil, mas quando os baianos iam bem o Palmeiras ia mal e o contrário também valeu. De forma que nunca se cruzaram enquanto existiu este torneio.
Em 1967 foi criado outro torneio nacional, o Roberto Gomes Pedrosa(“Robertão”), que o lanterna verde ganhou logo de saída. Mas os baianos só entraram no ano seguinte. E, no dia dois de outubro, nove anos depois da última vez que tinha vindo na Bahia, o lanterna verde apareceu na Fonte Nova. Ah como foi bonito.
                                         Criaram logo os clones baianos do Lanterna Verde!

Foi uma guerra de anéis. O tricolor levou um anel dado por Menininha do Gantois mas não pode fazer frente á arma mais poderosa do universo. Todos os raios do mundo caíram no nosso histórico estádio pra ver o verdão ganhar por dois a zero.
Em 1969 o lanterna verde ganhou de novo o “Robertão”. E no dia 28 de setembro esteve na Bahia. Mas desta vez lhe esperava uma surpresa. É que mãe Menininha tinha descoberto que o anel mágico não tinha poder sobre objetos amarelos. Aí fez o esquadrão de aço se vestir todo de ouro e foi o diabo.
Quando a torcida chegou não entendeu nada, e menos ainda o juiz que procurou na súmula e não havia nada sobre isso. Mas o jeito foi deixar jogar. Nesse dia o verdão não deu no couro. Nosso super herói só ficava enfregando o anel e nada. Deu tricolor pela primeira vez na história do confronto, conseguindo ganhar a primeira partida do lanterna em trinta e dois anos, dois a zero.
                                  O Ypiranga botava acarajé com pimenta na comida do verdão!

No ano seguinte, em vinte e cinco de outubro, o lanterna verde veio novamente na Bahia. Desta vez vinha prevenido cheio de Kriptonita, que neutralizava a presença do amarelo. Não adiantou o tricolor usar todas essas roupas, escudos, o “escambau”, pois perdeu de um a zero. Quem mandou brincar com o super herói!
As vitórias do lanterna verde e de outros super heróis acabaram com o “Robertão”. O lanterna verde estava tão popular que a DJ Comics criou uma série de quadrinhos e aí “matou a pau”. O jeito então foi a CBD criar outro certame, o chamado campeonato brasileiro. O primeiro ocorreu em 1971. E a partir daí o lanterna verde veio quase todo ano na Bahia.
Esse ano completa quarenta anos de confrontos com os baianos quando todas as igrejas se uniam contra o lanterna verde. Chegava a sair faísca dos anéis mágicos quando o verdão e os baianos se pegavam. Como os super heróis já estavam “manjados” tiveram que apelar pra tudo pra continuar ganhando. Tiveram de fazer mais de vinte versões para o juramento. Às vezes nem Ryan Reynolds bastava pra derrotar os terreiros de candomblé da Bahia.

                                Oi eu no lançamento do livro!


·          Agradeço o Almanaque do Futebol Brasileiro, aos sites Bola na Área e Wikipédia, e aos blogs sidneyrezende.com e vitrinevirtual.com.

domingo, 19 de junho de 2011

A minha versão do amor

                                                  Se dando  bem hein Giamati?

Gente estou em débito com vocês. Bati meu Recorde em não postar artigos, quatro dias. É que eu estava no lufa-lufa do lançamento do meu quinto livro, Camarada Júlio: confissões sinceras de uma militância. A obra trata dos bastidores das lutas sociais, culturais e políticas da Bahia e do Brasil nos anos 60,70 e 80. Tudo recheado de ironia e casos engraçados.
Então acho que estou perdoado, pois tive que fazer de tudo nesta semana, desde carregar caixas de vinho a levar horas dando autógrafos. E vocês nem apareceram lá, hein! Mas fui abraçado por muita gente e acabei vendendo 180 livros. Que chique!
Talvez seja por meu entusiasmo que decidi falar hoje de amor. E nada melhor pra isso que o filme de Richard J. Lewis A minha versão do amor. O filme trata de um homem da minha idade, Paul Giamatti, e suas tentativas atrás do amor com sucessivos casamentos, namoradas e “ficantes”. Sobra até uma “ponta” pro experiente ator Dustin Hoffman.

                                               Quem pode gostar de uma "bandeirinha"?

O futebol também comporta o amor. Quem achar ao contrário é só ir a um estádio pra ver o afeto que alguns torcedores tem pelos seus clubes. Alguns “babacas” dizem que isto é fanatismo, mas não sabem de nada. Tem gente que fica rouco, chora, joga o rádio no “bandeirinha”, passa o jogo todo xingando o juiz e falando mal do presidente do clube.
Aqui na Bahia torcer por um clube é um gesto de amor cultivado desde a infância. Quando o menino nasce se os pais torcem pro mesmo clube não há problemas. Mas se um é Vitória e o outro é Bahia (ou mesmo se tem algum tio ou cunhado entrão) a coisa complica. Desde que está na barriga da mãe já ficam tocando os hinos dos clubes pra influenciar a sua futura escolha.
                                              Mas as meninas só queriam saber de casar!

Quando ainda está na mais tenra idade enfeitam o berço com toalhas, travesseiros, mamadeiras, e tudo o mais que for possível, com as cores e os escudos do clube do pai ou da mãe (ou do tio). A disputa por mais um torcedor se agrava quando o garoto começa a andar. Aí é a maior baixaria. Imaginem que os pais tricolores ou rubro negros levam o garoto para a Loja do Leão ou a franchising do esquadrão pra escolher o que quiser, contando que seja com o escudo de seu time. Nesta fase, como quem não quer nada, cobrem o menino de presentes, tudo, naturalmente, com as cores do clube.
Mas o pior mesmo acontece quando chega à idade do garoto ir á escola, pois aí vai encontrar com muitos colegas e a disputa clubística vai atingir o paroxismo. Nesta ocasião, mais do que fazer as lições de classe, ele tem que responder a pergunta fatídica:
- Você é Bahia ou Vitória?
                                   Olhem os homenzarrões com quem eu entrava em campo!

Se ele responder que é Ypiranga, Galícia ou Botafogo é tratado com um ET na turma e não arranja nem namorada por esquisitice. Ainda dá pra ser aceito se disser que torce pro Flamengo, Corinthians ou Palmeiras, mas corre o sério risco de ser acusado de traidor da Bahia.
Nessa fase, a última da consciência do novo torcedor, o “pau come solto” em casa. Nessa época vale tudo pra influenciar o menino na decisão, viagem de férias, mesada, e hora de chegar em casa. Lá em casa todos optamos logo pelo time de meu pai, o EC Vitória, mesmo porque maínha já era simpatizante do clube. Mas conheço casos de arrepiar. De garotos que não recebiam mesada e passavam fome na escola até sair de cima do “muro” e decidirem pra que clube iam torcer.
                                           Os atores ensaiando no antigo Hotel da Bahia!

É por isso que na Bahia escolher o clube é pior do que sair da adolescência pra idade adulta. Pois se nesta o garoto ainda é instável, tem muitas namoradas, escolhe muitas profissões, e anda com várias turmas, no futebol quase não sobra tempo pra experimentação. E o pior é que muitas vezes essa escolha tem a ver com a fase do clube.
Se eu me entendesse por gente em 1930, por exemplo, poderia ser torcedor do Botafogo, que por sinal também é vermelho. Neste ano o time dava alegria aos seus torcedores. Em janeiro, quando o Bangu teve em Salvador, e ganhou da Associação Atlética (5 X 2), do Fluminense (10 X 1), do Ypiranga (6 X 4) e da Seleção baiana (4 X 2), não passou pelos diabos rubros perdendo por quatro a dois.  Outro carioca que caiu pro alvi rubro naquele ano foi o Andaraí, e por duas, vezes, perdendo por dois a um e quatro a três. Mesmo que perdesse, como os demais, do Flamengo por quatro a um.

                                          Amor doce amor, até de Sarney e Ideli Salvati!

E se fosse em 1943 decerto seria torcedor do Galícia e minha cor preferida o azul (sai pra lá!). Naquele época o azulino era o tricampeão baiano e conhecido como “demolidor dos campeões” dando orgulho á colônia espanhola. Se fosse em 1946 seria torcedor do Guarany que escolheu justo esse ano pra “papar” o seu único título de campeão baiano. Nesse ano, o Cruzeiro, o Fluminense (RJ), o Flamengo, suaram nos jogos contra os “índios”. O que eu sei que jamais seria é tricolor, em qualquer fase de sua existência.
Já contei aqui neste blog que meu pai achou uma fórmula infalível de converter eu e meu irmão “Toínho” em torcedores do Vitória. Foi simples, nos levava pra entrar com o time nas partidas da Fonte Nova. E foi em 1953, quando o rubro negro tinha Quarentinha, Ciro e Tombínho, agente entrava no gramado com aqueles homenzarrões pegando em nossa mão e recebíamos palmas da torcida. Acho que demos sorte ao leão que naquele ano voltou a ganhar o campeonato baiano depois de 44 anos de amadorismo.
                                       Giamati agora apelou, foi filmar no Dique do Tororó!

Forço a memória mas não consigo lembrar dos gols nem dos jogos. O que sei é que meu pai,. Que foi remador e jogador dos aspirantes do clube, levava agente pros vestiários e depois subíamos para as arquibancadas ficando juntos com a torcida, naturalmente, sem pagar o ingresso. Naquela década o rubro negro foi campeão em 1953, 1955 e 1957, mas aí eu já era muito grande pra entrar em campo com o clube que amava e amo.
Hoje, quando eu vejo aquela “renca” de meninos entrando em campo fico pensando na infância de tantos garotos, e do que passaram pra conseguir, enfim, escolher seu clube e sua versão do amor.

                                    Ah, o meu amor por Paul!

·         Agradeço ao Almanaque do Futebol Brasileiro e aos blogs cinema10.com.br e wikicine.com.