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sábado, 7 de janeiro de 2012

Nunca aos domingos


                                 Ah que saudades de Melina Mercouri! 

·         Uma homenagem a Sócrates

Na minha adolescência vibrei com a comédia romântica Nunca aos domingos. Não por ter sido indicada ao Oscar em várias categorias, arrebatando o troféu da melhor canção. Nem mesmo por contar com Melina Mercouri ou ter Jules Dassin como diretor e ator mas pela filosofia de vida que destilava. Vivíamos um tempo em que o cinema divertia sem menosprezar o espectador e ainda se fazia filmes exaltando as classes baixas, a coletividade, pondo ênfase numa atitude libertária e numa vida voltada para o melhor dos sonhos epicuristas do comer, beber e amar. Era assim que podíamos ver uma alegre prostituta que não cobrava de quem tivesse simpatia e um filosofo sonhador que buscava restaurar valores da antiga civilização grega.
Os anos 60 não mais voltariam e, vinte anos depois, os tempos que receberam a genialidade de Sócrates eram bem outros. O Brasil ressurgia num mundo onde apareciam os blocos econômicos e a realidade virtual tomava corpo. O país entrava na reta decisiva para superar a ditadura militar, embora os caminhos seguidos não fossem o que eu e ele almejássemos. Entrávamos na era da informática e do computador pessoal, do disco compacto a laser (CD).

                                          Voce foi mas ficou meu amigo!

Uma nova estética começava a aparecer no rock onde, através de sua aproximação com a MPB num cenário da dance music, despertavam novos talentos musicais. Mas nem eram flores, a liberdade sexual entrava na defensiva com o uso politico da descoberta da AIDS e a indústria cultural engoliria talentos como Elis Regina, Raul Seixas e Cazuza.

Lembrei-me de tudo isso no domingo que Sócrates morreu e mesmo atrasado registro a homenagem. Os grandes jogadores não deviam morrer nos domingos, pois são consagrados a grande festa do futebol. Não me lembro de se Garrincha, Domingos da Guia, Frienderich ou Heleno de Freitas morreram num domingo, nem sei se isto vai acontecer com Pelé e Zico. Mas o que aconteceu com Sócrates foi uma sacanagem do homem lá de cima. E olhem que não morreu num domingo qualquer mas o do encerramento do Brasileirão onde o time que o notabilizou para o futebol iria disputar o título.
                                                Pô não é esse não!

Sócrates foi doutor de futebol e de profissão. Foi um daqueles raros jogadores cujo toque genial se sintonizava com a arte do futebol. Foi responsável pela incorporação do calcanhar ao esporte, consagrando esta parte do corpo num gol antológico contra o Santos na própria Vila Belmiro. Formou aquela inesquecível seleção brasileira com Falcão e Zico que só foi derrotada pela Itália. Nunca me importei com aquele pênalti que ele desperdiçou em 1986 contra a França. A pessoas como Sócrates, que tinha brasileiro no nome, o Brasil deve muito mais, a alegria do futebol, a campanha Diretas Já e o movimento conhecido como Democracia Corintiana.
Tudo isto veio a minha cabeça ontem quando fiquei entregue as minhas recordações dos anos sessenta e oitenta. E o pior é que nem tem futebol pra se assistir e agente passa o tempo vendo pela telinha o pessoal do Sub-17 da Copa São Paulo ou com as resenhas esportivas que só fazem especular quem vai mudar de clube pra no outro dia desmentir.
                          Pelo menos os Sócrates famosos morreram na cama!

O jeito foi consolar minhas mágoas com Jules Dassin e Melina Mercouri. Esta gostava dos domingos, mas não era por causa do futebol mas pelo papo casamenteiro. Ainda estou meio “retrô” querendo ficar no passado com os filósofos Sócrates e Jules Dassin. Custava nada levar o homem pro céu na segunda feira? Dizem que Ele escreve certo por linhas tortas mas com o grande jogador dos meus anos 80 agiu muito torto mesmo!

terça-feira, 2 de agosto de 2011

Qualquer gato vira-lata!


                                
Esse fim de semana o mundo e o Brasil seriam motivos de riso se não fosse o trágico. Imaginem que depois de ocupar tanto tempo da mídia republicanos e democratas deixaram “tudo como era antes no Quartel de Abrantes”. Vai haver cortes no orçamento...mas vai levar dez anos. Em compensação, para a alegria das multinacionais, da CIA e dos generais, Obama vai poder gastar ainda mais dinheiro com o aumento do teto da dívida. Durma-se com um barulho desses! Só serviu para uma coisa essa crise, mostrar que a lei que impera por lá também é “faça o que eu digo mas não faça o que eu faço” pois quase dão o maior calote da paróquia!
A Copa de 2014 começou no Brasil. E já começou mal com o país gastando 30 milhões só na cerimônia do sorteio dos grupos. Ô dona Dilma assim não dá! Não vai rolar umas demissõeszinhas no grupo que está “organizando”?
                                               O Vitória foi uma "boa" merda nesse jogo!

Pro país virar de vez uma exculhambação o nosso sério Congresso Nacional acabou de aprovar uma lei que cria o crime “leve”. Ou seja, liberou geral. Agora você vai poder realizar seu sonho de roubar pelo menos uma vez, pois quem não tiver antecedentes vai ser liberado mediante fiança arbitrada segundo as posses do autor. Pra quem está desempregado, então, é uma jóia o risco. Vai virar piada nacional.
Quem roubar um celular na rua nem precisa mais sair correndo pois é considerado chinfrim. Roubo de carro na rua também é crime “leve”(pois quem ganha mesmo é quem leva o carro para o Paraguai!) e o mesmo pra quem rouba os consumidores. Dizem que isso foi feito pra democratizar o crime. Afinal de contas se político e empresário pode roubar todo mundo pode! Assim meu blog nem vai precisar inventar piadas basta falar da vida do brasileiro.
                                              Que diabo de time é esse? Será o Salgueiro?

A Bahia não poderia estar de fora da conjuntura, pois o “atacante” Rildo do Vitória, de tão ruim, conseguiu a façanha de agredir a sí mesmo ao tentar dar um pontapé no juiz do jogo Vitória X Boa Esporte! E olhem como tem gente escrachando o pobre esquecida que o juiz também perdeu o contrôle xingando o rapaz! Pudera, no país onde fica por isso mesmo a corrupção, crimes hediondos e outros bichos, o hit é punir quem tenta bater em um juiz de futebol e nem consegue. Me dê uma garapa! 
Mas vou deixar de enrolar o leitor contando as piadas do fim de semana e falar no nosso assunto de hoje, pois o desconhecido Boa Esporte me inspirou a falar sobre gatos e cachorros vira-latas. Aliás tem um filme com esse nomeque não tem nada a ver! É uma comédia romântica nacional, inspirada numa peça de Juca de Oliveira, com aquele roteiro manjado. Fulana gosta de sicrano que nem está aí pra ela. Aí ela bota outro na fita pra lhe fazer ciúme e o cara volta e são felizes para sempre.                 

                                                      Dá-lhe Rildo, juiz é pra apanhar!

É porisso que eu prefiro o enredo da Bahia onde os gatos e cachorros vira-latas são bem mais emocionantes. Aliás foi quando a Fonte Nova foi construída é que mais apareceram esses bichos soltos tentando enlamear o nosso futebol. Até que o Ibis FC de Pernambuco, conhecido como o pior time do mundo, nunca veio jogar aqui, mas teve clube que ficava pouco a dever!
No ano da inauguração do estádio de 1951, após os baianos perderem o primeiro torneio feito no estádio com times de fora(quando a Portuguesa de Desportos levou a taça), fizeram um torneio tão chifrim que deu horror. Pra isso chegaram ao ponto de desmoralizar a data consagrada á proclamação da tal da república, quando o Bahia jogou com o Vila Nova(de Minas)e o Ypiranga com o Vitória...do Espírito Santo!
                                               Geladeira da casa de Rildo cheia de juízes!

Ninguém merecia um torneio desses com tanto perna de pau mas, acreditem, quem levou foi o tal do Vila Nova! Foi uma decepção pra FBDT que só viu um clube baiano vencer um torneio interestadual vinte meses depois da inauguração do estádio.
Mas, em 1952, o Bahia resolveu comemorar o seu 21º aniversário de fundação jogando com nada menos do que o...São João de Plataforma. O jogo foi no primeiro dia do ano e imagino quantos torcedores viram o tricolor passear em cima do time suburbano, oito a zero! Nos anos seguintes a pobre Fonte Nova viu muitos monstros, até o Bahia de Feira apareceu por aqui atraindo os distraídos que pensaram ser o tricolor baiano.
                                         Até o time dele esteve aqui falando ao contrário!

Em 1954 veio o Treze de Campinas que mesmo com tantos jogadores não conseguiu ganhar do Bahia. Logo depois chegaram os cariocas do Olaria e Madureira, e o América...de Pernambuco. Os anos cinquenta ainda presenciariam o Canto do Rio, o Rio Branco(ES),o Taubaté, o Bonsucesso, e até o Democrata de Sete Lagoas, o qual dizem as más línguas que veio para demonstrar o compromisso dos mineiros com o regime já que Magalhães Pinto já arquitetava o golpe.
Os gramados da Fonte Nova não aguentavam mais com tanta coisa ruim. A década havia sido, com raras exceções, um desfile de gatos e cachorros. Mas só seria superada pelos anos 60 quando os times do interior viriam jogar no estádio. Nem quero falar do Ideal, do Humaitá, s dos clones de Ilhéus do Colo Colo, Flamengo e Vitória. O estádio virou local de passeio para os pequenos clubes cariocas. Não havia anos em que não aparecesse Madureira, Portuguesa, Olaria, Bonsucesso e Canto do Rio.
                                             Ô Obama, vai gastar o seu dinheiro!

Mas em 1962 foi um verdadeiro abuso quando o time universitário da FUBE fez jogos contra o Bahia. Aí virou casa de mãe Joana. No ano seguinte veio o Grêmio de Alagoínhas, e, na véspera do golpe, chegou a jogar no nosso histórico estádio nada menos do que o Periperi! Dizem que os dirigentes esportivos apoiaram a ditadura mas se o fizeram deram uma boa exculhambada nela ao trazer o Piripiri(esse é do Piauí)pra realizar amistosos na Bahia. Imaginem quantos torcedores não devem ter ido ao estádio para ver o “grande jogo” Guarany X Piripiri no dia 28 de agosto de 1964? E o pior é que nem teve gol!
Em 1966, além do Periperi e da FUBE voltarem ainda teve jogo dos bancários e da seleção da ADESG. Era demais! Exigiu a intervenção do próprio governador Lomanto Junior que baixou um decreto proibindo que time chinfrim se apresentasse na Fonte Nova. Já não era sem tempo e os torcedores agradeceram penhorados! Mas o que Lomanto queria era acabar com a concorrência dos monstros de fora pois foi durante o governo dele que o campeonato foi “interiorizado”! Agora nada mais de ruins de fora só os ruins de dentro!
                                          Até Ronaldinho chiava com esses times!

Durante um certo tempo o torcedor respirou das costumerias excursões de vampiros, lobisomens e fogos fátuos. Na véspera da inauguração do novo estádio chegou na Graça o Itabaiana(SE) mas a desculpa foi que não era na Fonte Nova. O estádio ficou novo com um anel superior mas os dirigentes esportivos e os políticos continuaram os mesmos. O Treze voltou no mesmo ano, e o Olaria no ano seguinte.
Mas só no ano de 1973 que o decreto de Lomanto virou “letra morta” ao aparecerem, quase que ao mesmo tempo, o Bonsucesso, o América(PE) e o Itabaiana! É isso que dá acreditar em políticos! Aliás, com a CBD ocorria o mesmo pois, á medida em que era questionada a ditadura e realizadas eleições, entraram mais clubes no Campeonato Brasileiro que chegou a ficar em 1979 com 94 clubes!Foi assim que o fim da década presenciou quase todos os times da Paraíba jogarem por aqui, isso sem falar do retorno do clone do Vitória no Espírito Santo.
                                              E já falavam mal da gestão do Alex Portela!

Quando ACM assumiu pela segunda vez aí descarou mesmo geral! Pouco antes de sua posse até houve o “interessante” jogo entre Leônico X ABB. Em 1981 iria jogar para as moscas nada mesmos do que a Seleção de Pojuca! Quando passou a bola para o feirense João Durval esse fez com que fossem realizados amistosos do Serrano, Catuense e outros menos votados na Fonte Nova.
Só a “democracia” é que acabou com esta exculhambação na Fonte Nova. Digo os jogos com os monstros pois os políticos continuam os mesmos até hoje. O estádio virou lugar de “gente séria” só sendo permitido gatos e cachorros em jogos oficiais entre times baianos e nos certames nacionais pois ninguém é de ferro!
                             Essa é rara, Amy satisfazendo as suas necessidades no Pelourinho!

Mas, sabem como é a Bahia né? As coisas por aqui nunca duram, e não é que no novo milênio voltaram os cachorros? O primeiro foi um assombro, um cão pequinês, o Universal(RJ)(vocês já ouviram falar?)que veio jogar com o tricolor para meia dúzia de aficcionados. Será que era da Igreja? Foi uma década ruim mesmo onde o próprio Barradão concorria com os amistosos extravagantes, chegando a se apresentar por lá o Boca Juniors...de Sergipe!
No próprio ano da primeira morte da Fonte Nova ela não escapou dos jogos ruins. Imaginem que os últimos a jogar amistosos no estádio com o Bahia foram o Sergipe e o Fluminense de Feira!

·          Agradeço ao Almanaque do Futebol Brasileiro e aos sites ligado no Vitória e Omelete.

segunda-feira, 11 de julho de 2011

Esperando passar a guerra

           
                                             
O ano em que se iniciou a Primeira Grande Guerra só foi ruim para os outros. Na Bahia, porém, tudo foi bem em matéria de futebol. Pois a guerra aqui havia sido dois anos antes quando os clubes grã-finos se afastaram da liga por não concordar com jogadores “de cor”, por haver no Campo da Pólvora uma torcida mais popular atraída pelo crescimento do esporte, pela existência de uma nova liga dos clubes pequenos, e pelo fato do Campo da Pólvora ser “muito aberto” e o Campo do Rio Vermelho ter acesso péssimo.
No terceiro campeonato baiano, realizado em 1907, os jogos foram transferidos para o segundo para que pudesse ser cobrado ingresso e “selecionar” o público. Criaram as cadeiras, as gerais, os cavaleiros e as carruagens. Embora não fosse brincadeira levar o pessoal para o bairro tendo em vista a precariedade dos transporte.
Dessa forma até que fosse construído o estádio da Graça em 1920 ficou essa pendencia sendo os jogos do Campo da Pólvora muito mais populares. Os clubes que saíram na leva de 1912, entre eles o SC Vitória, só voltaram na animação para a construção do estádio que permitiu unificar o fut6ebol baiano.
                                                    Andar era mesmo de bonde!

Mas em 1914 houve um renascimento de ânimos e foi fundada uma nova liga.  O Ypiranga se filiou à liga dos pequenos e o tradicional Internacional se refiliou, voltando ao convívio da mesma. Imaginem que de todos os lados surgiam clubes, da elite, dos trabalhadores, dos bairros populares e das escolas, sendo fundados os Yankees FC, a Associação Athlética da Bahia, o Caixeral SC, o tradicional Botafogo SC, o São Bento, o Primeiro de Novembro, o Tejo, o Guarany, o Néo-Grego (sic!), etç., etç.
Não dá pra entender pelo Almanaque Esportivo a razão de toda esta animação. Está claro que isto se deve ao crescimento do futebol, mas o que se diz ali foi que isto se deu em razão de uma temporada do navio escola Benjamin Constant (?), mas o que eu acho mesmo é que se deve á solução do conflito político entre o governador e o presidente da Assembleia Legislativa que acabou com a existência de dois governadores, a capital do estado sendo mudada pra Jequié e o bombardeio do Palácio do Governo na Rua Chile.
Vocês não sabem que baiano também briga? Quanto ao Benjamin Constant caiu de quatro para o mais querido, e não conseguiu ganhar nem na revanche que acabou empatada por um gol. Com tanta novidade o campeonato só começou perto do São João com o Fluminense ganhando do Brasileiro por dois a um.
                                        Era um tempo em que homem tinha que ter bigode!

Já o auri negro arrastou uma multidão ao Campo da Pólvora para ver a sua estreia que terminou sem gols contra o mesmo Fluminense. A primeira equipe do clube que tantas glórias deu á Bahia foi á campo com Astrolábio, Turíbio e Albertino; Lelé, Coelho e Spínola; Aloysio Bahia, Carvalho, Macaggi, Pinheiro e Arthur Silva. Mas nesse ano não arranjou nada a não ser no certame de Segundos Times.
O Internacional sagrou-se campeão invicto e levando apenas um gol, do Brasileiro, no jogo em que venceu por dois a um. Mas, nem se pode falar de absurda superioridade pois todas as suas partidas foram vencidas pelo escore mínimo. Seu time tinha como base Nova, Luiz França e Oscar Nova; Elpídio, Trigueiro e Constâncio Diogo; Dermeval Macedo Neves, Álvaro Tosta, José Soares, Pinheiro e Raul Bonfim.
Quanto a Liga Sportiva da Bahia sobreviveu dois anos, organizou campeonatos embora não tenham reconhecimento oficial até hoje! Quanto á animação terminou cedo. É que naquele tempo qualquer juiz ladrão, faltas em campo, ou vaias da torcida terminava em discussão na liga.
                                           Os grânfinos não queriam saber de porrada!

Foi por causa disso que o Guarany abandonou o certame no meio do ano seguinte e o próprio Ypiranga quando terminou o campeonato que o Fluminense conquistou. Seguramente isso se deve as partidas decisivas do mês de setembro quando o auri negro perdeu por dois a zero de seu principal concorrente, e, como os “índios” haviam saído, estes acabaram levando a taça de lambuja.
O campeonato de 1916 foi mais pobre, contando com apenas cinco clubes e sem a presença de Ypiranga e Guarany. Pra complicar a Intendência Municipal proibiu a realização de jogos no lugar de maior afluência de público, o Campo da Pólvora, sob a desculpa de que iria ajardiná-lo. Assim, o jeito foi a liga parar o certame e fazer um contrato com o proprietário do terreno do Rio Vermelho.
O público diminuiu em 90%, em função da dificuldade do transporte e da cobrança de ingressos. No retorno o Botafogo ganhou do Sul América por seis a um com o campo ás moscas. Foi o único título baiano que o República conquistou em sua história, e invicto, com quatro vitórias e quatro empates, graças a ser reforçado com atletas do co-irmão Ypiranga que se omitiu em participar.
                                          Pô, sacanagem bombardear o Palácio Rio Branco!

O Ypiranga, como time popular, só voltaria á liga no ano da revolução russa. O auri negro passou no fio todos os adversários, saindo também invicto e tomando um único gol, do alvi rubro na vitória por três a um, levando a taça oferecida pela Casa Condor. Este ano apresentou como novidade a formação do selecionado baiano. Foi durante as festas de aniversário da cidade de Aracajú, capital do vizinho estado de Sergipe que já fez parte da Capitania da Bahia.
Primeiro foi o República que foi jogar no vizinho estado perdendo pelo escore mínimo daquele selecionado. E, no dia da morte de Tiradentes, os sergipanos vem bater por aqui pra fazerem uma guerra interna contra os baianos. Tiveram uma recepção de primeira. Um trem foi espera-los em Periperi, teve filarmônica tocando, corbeille de flores, sessão solene na embaixada e tudo. Mas na hora do jogo o República não teve dó nem piedade vencendo por sete a zero.
Aí os sergipanos resolveram pedir revanche. A derrota havia sido muito humilhante, mesmo que significasse uma vitória para cada lado. E quem foi enfrenta-los no outro dia foi a própria seleção baiana. Como já tinha apanhado de sete a assistência não foi das melhores. Uma pena não assistir a primeira exibição de nosso selecionado, que venceu por seis a um.

                                               Naquele tempo nem havia Lady Gaga!

Nossa seleção jogou com João Nova, Carapicu e Péricles; Anysio, Artur Coelho e Elpidio; Carlito, Tosta, Oscar Nova, Pernambuco e Franco. Enquanto os sergipanos formaram com Victor, Cravo e Lauro; Jonas, Leite e Dudu; Carneiro, Clóvis, Godofredo, Umberto e Waldemar. O futebol dos vizinhos havia sido desmoralizado, tanto que nem quiseram mais saber de jogos com os baianos por algum tempo.
O último ano da guerra mundial viu continuar as guerrinhas baianas. O campeão República se afastou antes do início do campeonato, ajudando a exculhambar o certame, e o Fluminense quase se retira também alegando “maus costumes” dos torcedores. Mais tarde um jogo entre Ypiranga e Botafogo, ganho pelo primeiro por um a zero, e onde o alvirrubro fez um gol em impedimento, foi absurdamente anulado pela liga que passou por cima de tudo pra ajudar os diabos rubros.
A indisciplina campeava no Rio Vermelho cujas “arquibancadas” estavam de fazer dó. Do arame que cercava o campo do Rio Vermelho nem sinal. Da grama quase nada mais restava, e até a garagem onde os jogadores mudavam a roupa estava pra cair. Os atletas ameaçavam vestir a roupa em campo na vista dos assistentes, inclusive senhoras, que horror!
                           Foi nesta época que se começou a construir o metrô de Salvador!

Culpava-se os juízes por tudo, os jogadores jogavam faltando peças do uniforme, e a porrada rolava solta fazendo inclusive com que os times terminassem os jogos com menos jogadores. A fase sem estádio do futebol baiano vivia seus últimos dias e perdia jogadores até pra Sergipe.
Neste ano bem que se tentou trazer o famoso Palestra Itália pra jogar no estádio. Conversou-se muito, anunciou-se e...nada. Os paulistas nem deram bola pros baianos. Foi se formando um consenso que as coisas não podiam ficar assim. A liga se movimentou realizando um festival pra arrecadação de fundos pra melhorar as condições da prática do futebol.
Este, entretanto, se foi um fracasso financeiro, pelo menos serviu pra alertar a sociedade de que aquele que estava se tornando seu principal esporte poderia ir “pras cucuias”. Neste ano o Ypiranga se sagrou campeão aos “trancos e barrancos” e se começou a pensar em construir um estádio para o futebol da Bahia. Mas isso só viria em 1920, após terminar a guerra na Europa.

·        Agradeço ao Almanaque Esportivo da Bahia (1944) e aos blogs outroladodanoticias.com e cetesquerda.blogspot.com.  

quinta-feira, 7 de abril de 2011

A era do gelo no futebol

      
A “república” no Brasil afirmou que acabou com a monarquia. Mas isso não aconteceu no futebol que, desde que foi criado, os clubes do eixo Rio - São Paulo reivindicaram o “direito de nascença” na região. Assim, os clubes das demais regiões viveram por muito tempo uma verdadeira Era do gelo até que fossem aceitos no circulo fechado da elite do futebol brasileiro. A Bahia sofreu com isto mesmo que o futebol fosse aqui introduzido na mesma época em que surgiu no Rio-São Paulo.
Muitas coisa mostram isso com clareza. Durante certo tempo a seleção “brasileira” só jogou em São Paulo. Só com muita reclamação dos cariocas é que dividiram o bolo, indo jogar também no Rio de Janeiro.  Passariam décadas até que fosse convocado um jogador fora deste eixo, Mica do Botafogo baiano em 1923. Nosso estado contaria com a honra de ser o primeiro que a seleção visitou, em 1934, vinte anos depois de começar a existir.
Isto também pode ser observado no intercâmbio desigual entre os clubes das regiões. A primeira visita de equipes do Sul á Bahia só ocorreu após a Primeira Grande Guerra, quando o Botafogo carioca arrasou a seleção baiana no antigo campo do bairro do Rio Vermelho por sete a um!
                                                      Veja a desproporção com os baianos!
Nos anos vinte esses clubes só vieram “passear” em Salvador. O Comercial(SP) derrotaria a nossa seleção(2 X 1) e junho de 1920. Um ano depois seria a vez do América carioca e do Vila Isabel(!), que juntos jogaram nove partidas ganhando sete, empatando uma(Seleção baiana 1 X 1 América) e perdendo uma (Combinado Henrique Dias 4 X 1 Vila Isabel).
Em abril de 1923 o Fluminense seria o primeiro clube carioca a jogar no recém construído estádio da Graça. Mica foi convocado porque sua equipe, o Botafogo, conseguiria vencer o pó de arroz(assim como um combinado baiano em que ele jogou)por dois a um. Quanto ao resto foi tombando um a um, os famosos Associação Atlética(3 X 1) e Baiano de Tênis(2 X 0), e o próprio Botafogo(2 X 0), conseguindo o Vitória um  empate em um gol.
Quatro anos depois o São Cristóvão nos visitaria. Continuavamos na geladeira, vendo nossos melhores times serem batidos, Ypiranga(2 X 1), Vitória(4 X 1), Combinado de Salvador|(3 X 0), conseguindo á muito custo o Baiano de Tênis obter um empate em três gols.Antes de terminar a década, em maio de 1929 viria o Santos, para ganhar de “Deus e o mundo”. Daria goleadas humilhantes na Associação(8 X 1)  e Ypiranga(5 X 2) e venceria o Baiano(4 X 2).
Se daria ao luxo de escalar o time misto pra derrotar o combinado Fluminense-Guarany(5 X 3) e empatar com a seleção baiana em dois gols. Até esta época os baianos tinham jogado vinte e sete partidas contra as equipes do Sul, perdendo vinte, ganhando apenas três e obtido quatro empates.
                                                     A agua não estava pra peixe!

A Era do gelo durou por toda a década de trinta. Vieram aqui o Bangu(1930), o Vasco da Gama(1931), o Flamengo(1932), o Andaraí(!), São Cristóvão e o Bandeirantes(!)(1933), a seleção paulista e a seleção brasileira (1934),o Brasil(1935), de novo o São Cristóvão e Botafogo, e o Espanha(1935), voltaram por aqui o Santos e o Vasco(1936), o Corinthians(1936), Madureira, São Paulo Athlétic, Palestra Itália, e mais uma vez o São Cristóvão(1937), mais uma vez Corinthians e Flamengo(1938), e, por último outra vez América e Santos(1939).
A estatística da década é enganadora. Se olharmos os números frios perceberemos uma ampla vantagens dos sulistas, com os baianos sofrendo 59 derrotas, 35 vitórias e quatorze empates.  No entanto a coisa é bem pior se tirarmos os inexpressivos Andaraí, São Paulo Athlétic, Madureira, Bandeirantes e Hespanha, da conta, o que reduz as vitórias para apenas 18.
A Era do gelo invadiu os anos quarenta dando a impressão que duraria milhões de anos como sua congênere famosa fez com o planeta. A “sorte” dos baianos é que houve uma guerra que reduziria bastante o intercâmbio. Desta forma só apareceram por aqui Vasco e Bonsucesso(1941)(, Botafogo(1942), o sempre presente São Cristóvão(1944), e, logo que acabou a guerra Corinthians, Fluminense e Internacional(1945), Bangu(1948) e Olaria(1949).
                                                      Não dava nem pra se equilibrar!

Os clubes da Bahia só ganharam quatro partidas, perdendo dezenove e empatando dez. O último ano em que só o campo da Graça existia teve ainda por aqui o Atlético Paranaense, o Grêmio, e os cariocas Madureira e Flamengo possibilitando resultados melhores.
A primeira década do novo estádio da Fonte Nova coincidiria com a última da Era do gelo. Novamente o primeiro visitante seria o Fluminense, seguido pelos cariocas América, Bangu, Flamengo, Botafogo, Vasco, Olaria e Madureira, alguns mais de uma vez. Os paulistas do Palmeiras, Santos, Portuguesa, Corinthians, São Paulo e Taubaté. E ainda alguns mais na véspera da inauguração da Fonte Nova. São 37 derrotas, vinte vitórias e vinte empates.
                                                        O torcedor ficava gelado!

O seu finzinho foi o início de uma nova condição, possibilitada com o “degelo” que representaram as excursões da dupla BA-VI á Europa e a aderência definitiva ao profissionalismo. O frio do Sul nunca mais assustaria os baianos. Acabara definitivamente a época dos passeios na Fonte Nova, que havia levado quarenta anos, muito menos do que a verdadeira era do gelo.

·          Agradeço as informações do Almanaque do Futebol Brasileiro e do Setor de Periódicos Raros da BCE. Sou grato ainda as imagens dos blogs fica-dica.com,tipojosewilker.blogspot.com,downloads.openygroup.com e donodaverdade.com.br.

terça-feira, 15 de fevereiro de 2011

O primeiro jogo internacional da Fonte Nova

               Não se assanhem que Larissa Riquelme não veio!

- À Juvenal Amarijo
     
Apesar de toda a importância que a Fonte Nova teve para o futebol brasileiro foram realizadas ali relativamente poucas partidas internacionais. Tivemos um torneio sul-americano, a Mini Copa e a Taça Libertadora como jogos oficiais. O restante são amistosos da seleção brasileira, do EC Bahia, do EC Vitória, do Galícia EC e combinados de clubes contra times e seleções estrangeiras.
O primeiro jogo aconteceu quatro anos depois de a Fonte Nova ser inaugurada. Era decorrido o ano de 1955 e estávamos em onze de setembro. Não se sabe bem se foi coincidência ou se pra marcar a data da chamada independência do país que trouxeram o Cerro Portenho do Paraguai. O certo é que ele aportou no Brasil na data magna para ganhar do Vasco da Gama no Rio de janeiro por três a dois.
                                                                  O zagueiro Juvenal

A promoção criou um frisson nos atores locais. O governo, a imprensa, a federação, e até a ABCD, se envolveram na partida que teve um clima de congraçamento internacional. O juiz designado foi um dos melhores que possuíamos José Peixoto Nova, e o estádio pegou um grande público. A consideração, porém, não se estendeu aos torcedores, pois o ingresso seria majorado fazendo com que as bilheterias da Fonte Nova tivessem a maior arrecadação do ano, 466.000 cruzeiros, superior inclusive a recém jogada decisão do certame do ano anterior entre Bahia e Botafogo.
Quando Bahia e Cerro Portenho entraram em campo a torcida ficou surpresa. É que as cores dos dois clubes tem a coincidência do azul e vermelho. Após as homenagens de praxe as equipes deram a saída do jogo histórico. O primeiro com Joselias, Juvenal e Bacamarte; Rui, Wilson e Florisvaldo; Marito, Nelson, Ariosto, Ruivo e Isaltino. O segundo com Casco (Morales), Torae, Gonzáles, Ricardo, Santos, Jimenez, Gonzalez, Enrique, Dario, Rolim e Cabrera.
                                               Olhem quem estava no governo, Balbino!

O tricolor desde o início fez prevalecer o conhecimento do gramado que deixou os paraguaios em desvantagem. Assim, Ariosto e Isaltino não tiveram maiores dificuldades de assinalar os gols que acabariam por garantir a vitória do esquadrão de aço. Mas um gesto raro iria surpreender a todos no segundo tempo quando o juiz Nova marcou um pênalti duvidoso a favor dos baianos.
Após as reclamações paraguaias o goleiro Casco posicionou-se na meta. O zagueiro Juvenal foi o encarregado de proceder à cobrança. Partir para a bola, e chutou... para fora. A inabilidade da execução foi tamanha que todos perceberam a intenção do atleta. A plateia, majoritariamente de tricolores, se dividiu. Houve quem ensaiasse palmas, mas muito ficaram aborrecidos pelo fato do escore não ter sido ampliado em favor dos baianos.
                                                          O escudo do Cerro Potenho

No outro dia, até o insuspeito jornal Diário de Notícias, que costumava ser tão aplicado na defesa dos times locais, ressaltaria a atitude considerando a falta “passável”. O dia havia sido de gala para os baianos que ganharam no campo de jogo e na esportividade. Juvenal entrou para a história por tomar uma atitude inédita nos sessenta anos da Fonte Nova e raras vezes ocorrida em outros estádios do Brasil. No outro dia o jornal Diário de Notícias não deixou por menos:
Grande vitória para o futebol brasileiro (DN, 13/9/1955)  
Os episódios renderam alguns dias na imprensa baiana. A Associação Baiana dos Cronistas Desportivos-ABCD, homenageou o Bahia conferindo-lhe um troféu de bronze relativo ao jogo histórico, dado, por azar, no domingo posterior, quando o tricolor foi derrotado por seu arquirrival Vitória por dois a zero.

                                           Apesar de não ser tricolor tem duas cores iguais!

No final do mês a visitante seria a grande cantora Ângela Maria que viria a Salvador a convite da PRA-4, Radio Sociedade da Bahia, que transmitiria diretamente a apresentação que a mesma faria no Instituto Normal, o atual ICEIA. Quanto ao Cerro Portenho dois dias depois enfrentaria o Palmeiras em amistoso no Pacaembu. O alvi verde, porém, não lhe teria um mínimo de consideração, esmagando-o por sete a um.
Juvenal Amarijo era remanescente da seleção brasileira que disputou a final de 1950. Apesar de gaúcho aposentou-se na Bahia, após jogar no Palmeiras, Flamengo, Bahia e Ypiranga. Depois viveu em Camaçari, foi esquecido, teve artrose e chegou a sobreviver com a ajuda de amigos e parentes. Morreu há dois anos. Nossas defesas agora são orientadas pela máxima "zagueiro que se preza não ganha Troféu Belfort Duarte". Mas ninguém vai lembrar da grande maioria dos zagueiros que estão aí. Mas a história do futebol não vai esquecer do que Juvenal fez neste dia. 

·      Agradeço as informações do Setor de Periódicos Raros da Biblioteca Central do Estado(Coleção Diário de Notícias) e wikipédia. Sou grato também pelas imagens do site semprebahia e dos blogs: faclubg.webnode.com,missionariomelqui.blogspot.com,brasiltvd.blogspot.com, voudekombi.blogspot.com e motivandoonline.blogspot.com.

sábado, 12 de fevereiro de 2011

Um fim de semana do Corinthians na Bahia

                       
No ano de 1955 começa a se desenhar uma nova época. Cria-se o Pacto de Varsóvia que estenderá a guerra fria ás divisões militares da Europa. Rosa Parks irá se recusar a ceder seu lugar para um branco dando início ao movimento pelos direitos civis dos negros norte-americanos. Morria o grande cientista Einstein e, na música, se inicia a carreira de Elvis Presley, embora não preencha o espaço da morte de James Dean. Na Argentina é derrubado através de um golpe militar o líder populista Juan Perón antevendo o futuro no Brasil onde surge o ISEB, que teria contribuição importante na elaboração de projetos político-ideológicos que frequentariam a cena brasileira até 1964. E a era da televisão ganha a TV Itacolomi em Minas Gerais.
Foi neste ano, no mês de junho, que o Corinthians resolveu passar um fim de semana na Bahia. Falemos um pouco do contexto esportivo de sua chegada. O campeonato baiano do ano anterior havia acabado muito tarde, ao fim de maio, com a vitória do EC Bahia contra o Botafogo por dois a zero. E, como era comum nestas ocasiões, os times promoviam amistosos e saiam em excursões aproveitando o intervalo até o início do novo certame.
Os dirigentes do Botafogo ainda estavam aborrecidos pelos acontecimentos da recente decisão. Chegaram até a protestar contra o tricolor por estar supostamente jogando sem alvará de funcionamento. No entanto, a iniciativa de trazer o Corinthians no fim da semana seguinte serviu para aparar arestas.
                                              
Seriam apenas dois jogos, no sábado dia quatro de junho, a estreia contra o Botafogo e no domingo, dia cinco, a partida contra o Bahia. As partidas caíram no gosto da imprensa que ressaltou o mérito da promoção. E aí chegamos à primeira partida. O alvi negro paulista apresentou-se com um ótimo elenco tendo a renda do sábado chegado perto de cem mil cruzeiros. Na ocasião o alvi rubro tinha um timaço onde pontificavam o médio Nelinho e o centro avante Zague. Foi neste jogo que o atacante atraiu a atenção dos visitantes.
Na preliminar jogaram os amadores de Leônico e Ypiranga com a vitória do primeiro por dois a um. No jogo principal os “diabos rubros” surpreenderam. Só dava Zague no ataque, e, em uma de suas escapadas só restou ao zagueiro Olavo cometer pênalti. A cobrança de Alberto, porém, seria em cima do goleiro Gilmar do alvi negro paulista e só na rebatida é que seria aberto o placar para os baianos. Não decorreu muito tempo pra Zague assinalar o segundo gol em nova penetração da defesa corintiana. Os visitantes tiveram que fazer muita força no segundo tempo pra empatarem a partida, inclusive com a injeção de sangue novo através de substituições, com gols de Luizinho e Mato.
As equipes jogaram com: (Botafogo) Leça, Tatuí e Alberto; Flávio, Nelinho e Júlio; Dedeu Teco, Zague, Roliço e Nivaldinho (Lamarona); (Corinthians) Gilmar, Homero e Olavo; Idário, Julião e Roberto; Nonô, Luizinho, Paulo, Rafael e Nelsinho. Entrando ainda no time paulista Mato e Goiano. A atuação dos “diabos rubros” alertou os corintianos que entraram prevenidos no jogo contra o tricolor no outro dia.
                                                         O cientista Albert Einstein
O Bahia jogava uma semana após ter voltado a ganhar o campeonato sendo a partida uma verdadeira “festa das faixas”. Será que o resultado de véspera o levou a baixar a guarda? Procedem as alegações do Diário de Notícias da falta que fez o goleiro Osvaldo Baliza? O resultado a seguir seria um dos maiores desastres da sua vida na Fonte Nova. Teve torcedor que saiu antes do fim por não aguentar mais a bola entrar, uma, duas, três, quatro, cinco, seis vezes na meta do Bahia. 
Foram quatro gols de Paulo e dois de Nelsinho. Naquele tempo o jornal da cadeia dos Diários Associados não saía na segunda feira, de modo que, quem não acompanhou o jogo, teve que esperar até a terça feira pra saber do resultado. Mas, quem leu o jornal naquele dia teve uma decepção. Ao contrário do destaque que havia sido dado ao empate do Botafogo desta vez pouco se falou do desastre do Bahia. A reportagem sobre o jogo é curta e grossa. Nem sequer nos fornece a renda, o público, ou o andamento da partida. Não nos dá outras pistas para explicar o que houve durante a partida para que tomasse tal direção.
O certo é que foi um verdadeiro massacre que deixou as orelhas dos torcedores e dirigentes tricolores quentes e que levou a maior gozação nas esquinas de Salvador. O jeito foi pedir revanche ao Corinthians que refutou, refutou, mas acabou aceitando quando se tocou na parte mais sensível dos clubes, o bolso. Quatro dias depois (sic!) os times entraram novamente em campo na Fonte Nova. 
                                              Pelo menos Idário,Rafael e Zague estão aí!
Desta vez o tricolor estava completíssimo, sem esculpas, entrando em campo com Osvaldo Baliza, Chagas e Bacamarte; Rui, Job e Raimundo; Marito, Naninho, Foca, Ruivo e Lierte. Já o Corinthians estava com Gilmar, Homero e Olavo; Idário, Julião e Rodolfo; Nonô, Luizinho, Paulo, Rafael e Nelsinho. Na ocasião, a Miss Bahia Maria Eunice foi ao estádio e deu a saída da partida. Talvez isto tenha dado sorte ao tricolor cujos jogadores ficaram muito entusiasmados com a sua beleza.
O gol de Naninho, logo de saída, contribuiu para o lado emocional do tricolor. Depois, um raro acontecimento naquela época, o próprio goleiro Osvaldo bateria o pênalti que ocasionou o dois a zero pro esquadrão que voltava a ser de aço. Após o intervalo o ponteiro Nelsinho perderia uma falta máxima chutando na trave de Osvaldo. Para, somente ao “apagar das luzes”, fazer o gol de honra do time alvi negro. Nesse mesmo dia o Vitória iria a Feira de Santana atuar contra o Madureira colhendo um empate em um gol.

O Bahia se desforrou dos impiedosos visitantes, mas por um placar que em não esteve á altura da sua vingança: dois a um. Três dias depois seria realizado o torneio início do Campeonato baiano de 1955 ganho pelo EC Vitória ao derrotar o EC Bahia na final por um a zero, gol de Aduce.  Quanto ao fenômeno Zague embarcaria para São Paulo no próximo ano onde daria muitas alegrias ao time do Parque São Jorge. Mais tarde teria também grande sucesso no México.

·         Agradeço ao Setor de Periódicos raros da Biblioteca Central do Estado (Coleção Diário de Notícias).  Sou grato também as fotos e imagens do Museu dos Esportes, do site travessa.com.br, e dos blogs linklouco.com,submarino.com.br,alcindoalmeida.blogspot.com e anatholia.blogspot.com. 

sábado, 29 de janeiro de 2011

No tempo em que a Fonte Nova ia ao salão

Espelho, espelho meu, diga se existe um estádio mais bonito do que eu!

                                                                                           A vida sem vaidade é quase insuportável.
                                                                                                                                              Leon Tolstoi
Quero dar meus parabens aos quarenta visitantes do meu blog no Egito que, certamente, devem estar na linha de frente das manifestações pra derrubar a ditadura de Hosni Mubarak. Aproveitem pra mandar dizer alguma coisa! Infelizmente ainda não tenho acessantes da Tunísia pra dizer o mesmo. Bem, mas vamos ao assunto de hoje, os jogos internacionais na Fonte Nova. 

Creio que nos artigos postados neste blog conseguimos humanizar este monumento que foi a Fonte Nova. Vimos que ela, ao longo de seis décadas, chorou, sofreu, senti raiva, vibrou, da mesma forma que os torcedores do estado. Quisemos assim mostrar a identificação que ela, como mulher, tinha com o povo da capital da Bahia.
Hoje vamos contar um segredo do estádio, os dias e as noites onde ela incorreu naquele que é considerado o mais grave dos pecados capitais, a vaidade. Gente, eu me permito discordar do pessoal que fala mal da vaidade. Fui ler uma penca de escritores famosos e percebi que eles “metem o pau” com vontade neste nobre sentimento confundindo-o com o orgulho e até com a corrupção, como faz Machado de Assis.
Tenho mais concordância com Gustave Flaubert e Leon Tolstoi com a maneira de encarar a questão. Aliás, vamos ser sinceros, no começo a Fonte Nova não tinha esse sentimento, que a pessoal acha digamos, pouco nobre. Mas ficou assim de tanto ver certos dirigentes, juízes e jogadores se comportarem. Aí ela foi reclamar com a federação e o órgão responsável pelo estádio. Não entendia porque não havia espelhos no estádio. Seria porque tinham vergonha do que viam? E, se espelhos como ela poderia se admirar? Assim ficava a mercê dos elogios que lhe eram feitos, geralmente, por quem vencia.

Durante muito tempo a Fonte Nova viveu de campeonatos baianos. Era o feijão com arroz do estádio tendo em sua vida abrigado cinquenta e sete. Torneios nem é bom falar, foram tantos que nem mais se lembrava. Já tinha assistido dezenas de vezes todos os clubes da Bahia jogar. E, quando começaram os certames nacionais, se acostumou com os grandes clubes brasileiros. Até com seleção brasileira, que jogou aqui diversas vezes, ela se ambientou.
Só com uma coisa ela nunca se acostumou e ficava toda excitada quando ocorria: os jogos internacionais. Os dirigentes esportivos nunca entenderam o prazer que a Fonte Nova sentia quando chegava um clube estrangeiro pra jogar. Esses jogos eram pra ela um verdadeiro ritual. Logo de manhazinha se banhava repetidas vezes nas aguas do Dique do Tororó deixando correr devagar a agua por suas arquibancadas. A seguir ia ao salão pra fazer as unhas, tirar as cutículas, e fazer o cabelo onde, não raro, colocava apliques. Nestas ocasiões lavava, secava e escovava e, ás vezes tingia seu vasto gramado.
As partidas eram uma atração á parte. Quem prestava atenção ao seu comportamento via quando ela se deliciava com o sotaque dos “gringos”, com a forma de passar a bola, com o jeito gentil de conversar, e até vibrava (naturalmente escondido) com os gols que faziam.
Sempre teve esta paixão escondida no mais recôndito do seu ser. Ao fim da primeira década de funcionamento, ainda menina, assistia com empolgação os relatos dos jogadores e dirigentes das primeiras excursões a Europa dos clubes baianos. Nossa, jogaram em Londres, Paris, Moscou! Nunca a deixaram viajar, pois estava sempre ocupada sediando jogos, e só conhecia o Big Bem, a Torre Eiffel e o Kremlin de fotografias!

Só no fim da sua primeira década de funcionamento é que chegariam os primeiros clubes estrangeiros. Na época tinha ainda nove anos e viu o Benfica e o San Lorenzo de Almagro. A Fontinha vibrou ao receber o primeiro, honra e glória do futebol mundial que iria conquistar dois títulos de campeão europeu. O clube esteve na Bahia no auge de seu prestígio, inclusive como campeão português, embora não fosse tão feliz em sua temporada no Brasil.
Teve certa decepção com o clube português. Primeiro, por seus jogadores terem pouco sotaque de maneira que entendeu praticamente tudo o que eles disseram. E, segundo, por sofrerem a maior goleada no Brasil, justamente pro expressinho tricolor, por quatro a um. Mas, mesmo assim, vibrou com a atuação de grandes craques como Costa Pereira, Coluna, Águas e Cavém. Aceitou logo a revanche pedida pelo clube, que desta vez, venceria o time titular do EC Bahia que havia chegado naqueles dias da Europa, por dois a um.
Naquele ano a Fontinha se engalanou outra vez, pois, ainda menina, iria participar de uma Taça Libertadores da América. Na ocasião receberia o San Lorenzo de Almagro do veterano craque Sanfilippo. O Bahia havia perdido a primeira partida em Buenos Aires por três a zero e perseguia um resultado praticamente impossível em casa, golear os argentinos por quatro a zero. Na ocasião o pior aconteceu, enquanto a Fontinha olhava inebriado os passes dos argentinos a bola ia entrando na meta tricolor tornando ainda mais difícil a tarefa. Sua desatenção seria culpada da pouca serventia da vitória tricolor por três a dois.

Levaria muitos anos pra vir novo clube estrangeiro na Fonte Nova. Ela cansou de reclamar com os dirigentes. Debutou nos seus quinze anos, completou maioridade simples e nada. Aí resolveu ameaçar uma greve que seria deflagrada quando completasse a maioridade definitiva aos 21 anos.  Aí os dirigentes resolveram comemorar esta importante data realizando, inclusive, um grande torneio com Fluminense, Grêmio Porto Alegrense, Vitória, e a inesquecível equipe do River Plate.
Foi um “choque internacional” pra Fonte Nova que viu três jogos do clube argentino, mas que, não ficaria com o título que iria para o Rio Grande do Sul. A Fonte Nova, agora definitivamente de maior, engalanou-se pra receber os hermanos que estreariam contra o EC Vitória. Os rubro negros, que seriam campeões naquele ano, até que surpreenderam, mas acabaram por se render a qualidade de atacantes como Alonso, Martinez, Moretti e Ghizo que venceriam por dois a um. Os argentinos ainda empatariam com o Fluminense e perderiam pelo escore mínimo para a grande equipe dirigida por Oto Glória do Grêmio onde jogavam o goleiro Jair, os laterais Espinosa e Everaldo, o volante Jader e o ponta Loivo, autor do gol do título.
A comemoração da maioridade da Fonte Nova foi à única da história que seria pra valer. Também a Fonte Nova estava linda e viçosa na ocasião. Tinham até lhe feito proposta de casamento dando-lhe um anel superior. Foi por isto que os dirigentes trouxeram a Mini Copa pra Salvador. Enganou-se quem pensou que foi pra comemorar o sesquicentenário da chamada independência ou pra capitalizar pra ditadura a conquista da Copa do Mundo de dois anos antes no México. Na verdade, foi pra cortejar uma Fonte Nova no auge de sua forma e, que agora, de maior, podia dirigir carro, votar, tomar financiamento, e otras cositas, mas.
                                                                Benfica em 1960
A Mini Copa teve seis partidas na Bahia, mas os jogos foram uma enganação. Deu pra notar os desfalques nas seleções que aqui compareceram e, o pior, estava mesmo reservado para um estranho jogo França 5 X 0 na CONCACAF, que era um amontoado de jogadores convocados ás pressas nos países da América Central! Pra vocês terem uma ideia, os torcedores baianos ficaram tão insatisfeitos que deixaram o estádio ás moscas durante a copinha ganha pela seleção brasileira que, por sinal, não “deu as caras” por aqui.
Depois daí levou cinco anos para um novo jogo internacional na Fonte Nova. E só ocorreu quando esta estava ameaçando de novo uma greve. Não adiantou as desculpas de terem sido realizadas seis partidas na copinha, pois não valia. Aí acertaram o San Lorenzo pra voltar a Bahia. Era o dia 28 de junho de 1977 e a Fonte Nova se preparou como se fosse a um casamento.
Até que não deu tanta gente, pois, afinal de contas, foi um jogo amistoso. Mas, quem assistiu à partida naquele dia notou que a Fonte Nova, agora uma mulher feita com seus 26 anos, estava linda. Suas arquibancadas reluziam. O gramado estava fofinho, e a Tribuna de Honra estava cheia de corbeilles que seus amigos-estádios haviam enviado. O San Lorenzo não era mais aquele mais tinha ainda uma boa equipe que empataria sem gols com o Bahia.
Vendo que a Fonte Nova já era uma mulher feita os dirigentes resolveram não mais deixar passar tanto tempo sem jogos internacionais. Dois anos depois trouxeram a própria Seleção da Tchecoslováquia em excursão ao país. O jogo foi em quatro de fevereiro de 1979 e nosso estádio não continha sua emoção. A esta altura havia visto de tudo, mas não uma seleção europeia jogar.
                                                             River Plate em 1972
Aqui pra nós já a esta altura era uma mulher madura e não queria que dissessem a sua idade, era a crise dos quarenta anos. Nesse dia recebeu várias equipes do salão que escovaram os cabelos do gramado, as unhas das pilastras e os cílios das torres de iluminação. De tarde a Fonte Nova estendeu um tapete vermelho pra entrada dos torcedores que nunca tinham visto aquilo. Nesse dia não faltou agua no vestiário nem lugar no estacionamento. Não entendia nada o que os tchecos falavam, mas era tudo o que sonhava. Ah aqueles passes, aquela delicadeza em rolar a bola... isto não era coisa de baiano! Aliás, os próprios jogadores tricolores não entenderam o que eles gritaram no passe que resultou no único gol da Tchecoslováquia levando-a a vencer os baianos.
No ano seguinte a Fonte Nova ficaria chateada. É que o papa viria a Salvador e sequer a visitaria. Na ocasião ficou decepcionada pois soube até que uma missa seria realizada no estádio. Logo ela que se disse tão católica! Passou o tempo e nada de jogo internacional. O Brasil estava preocupado com outra coisa, lutava pra ver se as Diretas Já saíam, queriam terminar com a ditadura militar. Mas aqui teve que ser feita uma inflexão pra dar atenção á Fonte Nova. Desta vez começaria a cumprir sua ameaça de greve. Não permitia mais que lavassem as arquibancadas, nem que pintassem seus muros, nem muito menos o corte do gramado. A situação chegou ao ponto dos torcedores não verem mais a bola que sumia no campo.
Aí resolveram promover um amistoso com o Kamel da Alemanha. Os visitantes do meu blog deste grande país vão me desculpar, mas, decididamente, este não é um clube dos mais famosos do país. Mas a Fonte Nova teve que engolir. Afinal, já não podia pedir tanta coisa do alto de seus 43 anos quando o pessoal que antes a cortejava buscava estádios mais novos. Foi no dia 27 de maio de 1984, quando não havia mais esperança de eleger o presidente da apregoada república, que o EC Vitória enfrentaria os alemães.

O argentino José Sanfilippo que atuou no San Lorenzo(1953-1963) e mais tarde jogaria no Bangu e no Bahia. Voltaria para o San Lorenzo mas se aposentadoria no ano anterior daquele em que o clube joparia de novo na Fonte Nova.

A Fonte Nova até que se divertiu muito com a partida. É certo que foi ao salão, marcou com blush as pistas de atletismo, tirou o lixo da piscina e do ginásio, e decidiu que não ia faltar cerveja gelada nos bares. Até os ambulantes ganharam um uniforme. Chegou a vibrar com o “gol de honra” alemão em sua derrota para o rubro negro por três a um.
No outro ano outra enrolação, digo, anunciaram a comemoração dos 44 anos da Fonte Nova e, dizendo atender ao seu desejo, trouxeram um clube internacional. Assim, convidaram o... Aarau para a festa. Peço desculpa aos suíços que visitam meu blog, mas essa foi de lascar. É que ninguém que foi ao estádio no dia 22 de janeiro de 1985 já tinha ouvido falar dele! Poxa, a Fonte Nova merecia uma homenagem melhor, foi sacanagem!
A promoção gerou muita gritaria da torcida tricolor cuja preocupação era com o assumimento da presidência do país pela “raposa” Tancredo Neves. Mas o estádio era muito generoso e não guardava rancor. Só não gostou da divulgação de sua idade! Terminou se aprontando pra festa na qual, se não compareceu muita gente, pelo menos teve bolo, presentes e sopraram velinhas que a Fonte Nova só aceitou que colocassem uma vela.

O final da década presenciaria os últimos jogos internacionais da Fonte Nova. Em 1989 seria a vez de o estádio voltar aos velhos tempos e participar pela segunda vez de uma Taça Libertadores da América, agora ás vésperas de completar cinquenta anos. Sua glória foi entre março e abril quando receberia três visitas internacionais pra jogar contra o EC Bahia, o Marítimo, o Tachira da Venezuela, e o Universitário de Lima. Dessa vez não houve nem como reclamar contra os dois primeiros que ninguém tinha visto “mais gordo”, afinal de contas era a Libertadores, né!
A Fonte Nova não se continha de satisfação em receber o maior torneio das Américas. Ela mesma foi pegar no balde e no pincel pra dar uma “recauchutada” geral na sua aparência de 49 anos. Não tinha quem segurasse a sua vaidade neste dia em que foi por duas vezes ao salão onde, aqui pra nós, teve que utilizar um “pistolão” pra furar a fila do! O próprio Paulo Maracajá apelou pra sensibilidade dos esteticistas!
No dia 17 de março chegaria o Marítimo aqui, caindo por três a dois. Logo na outra semana seria a vez do Tachira, goleado por quatro a um. E, por último, em treze de abril, viria o forte Universitário, que baquearia por dois a um. Quanto ao tricolor até que passaria de fase, mas, como a Fonte Nova não se interessou por jogos com clubes nacionais, esbarraria no Internacional (RS).
  
                    O papa que não rezaria missa na Fonte Nova. Será que já estava prevendo o fim?
A despedida dos seus adorados clubes estrangeiros seria neste ano, em 19 de agosto de 1990. Na oportunidade o EC Vitória foi prestar uma homenagem a cidade em que a seleção brasileira ficou hospedada na Copa do Mundo de vinte anos antes, trazendo o Guadalajara pra jogar aqui. Os outros estádios telefonaram pra Fonte Nova pedindo atenção especial pro time mexicano. Afinal eles tinham sido muito bem recebidos pelo colega-estádio de lá onde os brasileiros ganharam todas.
A Fonte Nova, estando pra completar cinquenta, nem queria saber de falar de idade. Abriu a tribuna de honra para os visitantes, Veio até os novos amigos-estádios Pituaçu e “Barradão”. Estava linda de morrer (ih, não devia ter usado esta palavra!). Até parecia que previa que este seria seu último jogo internacional. Como estava muito ocupada neste dia não pode ir ao salão. Assim foi uma romaria de todo tipo de profissional de estética na Fonte Nova. Vieram pedicuras, manicures, cabelereiros, massagistas e até dermatologistas! O vaidoso estádio deu um trato geral na pele das arquibancadas e assinalou todas as linhas do campo com rímel escolhendo tonalidades bem vistosas.
A partida foi de uma amizade sem par. Vitória e Guadalajara trocaram abraços e flores e parecia até um jogo de comadre, até que a equipe mexicana fez um gol e as coisas mudaram um pouco. A própria Fonte Nova teve que entrar em campo pra advertir os jogadores que a partida era comemorativa. Só aí que deixaram de “baixar o pau”, mas à custa da derrota do Vitória, que se “sacrificou” em nome da amizade dos povos. Foi assim que terminaram os jogos que tanto gostava!
Soube depois que ficou com ciúme de seus amigos-estádios Pituaçu e “Barradão”. É que seriam eles que trariam os próximos visitantes estrangeiros, a Seleção do Chile, o Olímpia do Paraguai, entre outros. Ela não entendia porque não vinham jogar nela. Sofreu até o final com a falta de seus adorados estrangeiros.

·       Agradeço as informações dos sites Futebol 80 e Futipédia. globo.com e a assistência estética de Cida e Cybele. Sou grato também as imagens dos blogs: xaferica.wegblog.com.pt,cissacosta.com.br,amngopol.wordpress.com,diaadia.pr.gov.br,osmeussonhosdourados.blogspot.com,donooctavio.com.br,novidadesdebeleza.com.br erivermillionarios.com.br