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segunda-feira, 22 de agosto de 2011

À procura da felicidade


O filme À procura da felicidade, do diretor Gabrielle Muccino, foge da safra habitual hollywoodiana mostrando um vendedor que, numa situação de total insolvência financeira, é abandonado pela mulher, perde a casa, vira pai solteiro, e tem que apelar pra sobreviver. Podia acontecer com qualquer trabalhador nesses tempos de crise do capitalismo.
Will Smith passa pelo maior sufoco, trabalhando como estagiário, dormindo em albergues, estações de trem e banheiros. O final, é bem dentro da cultura judaico-cristã mas diferente da vida real, quando ele se recupera e volta a ter tudo o que perdeu, mostrando que é mesmo “o trabalho que dignifica o homem”! Pode ser implicância minha mas acho que os baianos conhecem o enredo do filme que já foi estrelado nos campos da Bahia.
                                       A mulher de Will foi catar xêpa em Agua de Meninos!

Foi  exatamente no ano da chamada revolução de 30, que destituiu o governo de Washington Luiz, é que o Baiano de Tênis e a Associação Athlética, os principais clubes da elite baiana, decidiram acabar com os seus departamentos de futebol. Pra não ficar na rua da amargura os desprezados se reuniram e, após uma série de reuniões e providências, fundaram um novo clube resolvendo adotar ao nome a as cores da bandeira da Bahia. Já tinha existido um time com esse nome, o SC Bahia, que inclusive se sagrou campeão uma vez, mas o pessoal mesmo assim insistiu.
Não é à toa que o clube até hoje usa a sigla “nasceu pra vencer”. Surgiu de forma afortunada quando, o fato de contar com jogadores de dois dos maiores clubes da época, lhe dava um handicap especial. Era uma família feliz tal como no filme. E no primeiro ano que disputou encontrou a felicidade.
                                                     O filho perdeu até o lap top!

Na sua primeira partida oficial já ganhava o São Cristóvão por três a um. Logo depois esmagava o temível Ypiranga por seis a dois! Depois empatou com o Botafogo (2 X 2) e ganhou do Fluminense (2 X 0), sendo que o Royal se retirou do certame.
No segundo turno a felicidade do tricolor continuou, caindo sucessivamente, o Botafogo (2 X 1),o Fluminense (5 X 0) e o São Cristóvão (5 X 1), somente resistindo ao seu rolo compressor o mais querido, que à custo conseguiu um empate em dois gols.  Mais isso não evitou que ficasse com o vice, a cinco pontos do esquadrão recém-fundado, campeão invicto na primeira vez em que disputou o campeonato baiano.
                                            Will queria sair sem pagar do Paes Mendonça!

No ano seguinte o clube já era uma referência, não só pra vendedores como Will Smith, como pra todo o mundinho da Bahia. Mas nesse ano dobraram os clubes participantes, o que quer dizer que dobrou a concorrência dos que disputavam o emprego, digo título de campeão baiano.  Que sacanagem com nosso Will Smith local!
Nessa situação a estreia do nosso herói foi um horror, perdendo de quatro a dois do auri negro, e sem conseguir vender nada.  O jeito foi afogar as mágoas na bebida (falo sério!) ao enfrentar o time da Antarctica, e vencer por cinco a dois.
                                                      Ficou liso, leso e louco!

O time colocou toda a esperança de pagar os jogadores no jogo contra o Democrata. Afinal de contas a democracia naquele tempo não estava com nada mesmo! Mas, teve o grande azar de perder por três a dois!(2 X 3). O antigo invicto time não estava acostumado com esses revezes da vida e as esposas de vários jogadores os abandonaram na véspera do “grande jogo” onde enfrentaria o Guarany, habitual lanterna dos certames. Aí Will pode se recuperar e mandar seus credores às favas vencendo por cinco a um!
E quase que elas voltam quando emendou as vitórias no próximo jogo onde venceu o Botafogo por três a um. Mas foi alarme falso, pois elas voltariam para a casa da mamãe quando o Bahia perdeu de novo, desta vez do Fluminense por três a um.(1 X 3). Perdido por um perdido por mil. E aí nosso Will Smith passou a trabalhar de qualquer coisa no comércio da Bahia pra sustentar o time tricolor. Bem que tentou apelar para o “amadorismo” que se vivia na época, mas os jogadores não estiveram nem aí. Também naquele tempo só Frienderich mesmo é que não jogava por dinheiro, o resto vivia com o CPF (comissão por fora).
                                                      Pensou até em armações!

Mas o esforço hercúleo do nosso herói acabou melhorando as coisas fazendo com que o esquadrão vencesse seguidamente o Vitória (3 X 0), o São Cristóvão (5 X 0) e o Energia Circular (2 X 1). Mas de nada adiantou isso pois o Ypiranga disparou na frente e acabou fazendo com que a liga cancelasse todos os demais jogos do Bahia sob a alegação de que não influíam na decisão do caneco.
Aí se instalou o caos na família tricolor. Ainda nem chegara o fim do ano e ficaram sem ter como se sustentar. Como as empresas não contratavam estagiários naquele tempo o jeito foi todo mundo engrossar os camelôs da Praça castro Alves. Ficavam ali vendendo tudo o que podiam pro pessoal que tomava os bondes. Foi duro pra nosso Will Smith baiano que chegou a morar no próprio abrigo escondido das autoridades. Até no entrado não lhe deixaram entrar pois não tinha dinheiro pra pagar ingresso.
                                            Nosso herói pegava  o que via pra comer!

Foi á custo que arranjou o dinheiro pra inscrever o Bahia no campeonato de 1933. Só conseguiu porque a liga baixou o valor em função de haver diminuído o número dos inscritos, só oito clubes. Mas conseguiu negociar com quem seria sua primeira partida, com os “índios” do Guarany, e o resultado deu a maior animação nos camelôs, digo, nos jogadores tricolores, que venceram de nove a zero!
Até aí podia ser azarão, mas ninguém teve dúvidas mesmo que o Bahia estava a procura da felicidade, quando enfiou seis na dois no Botafogo. Ai até algumas mulheres de jogadores telefonaram pedindo arrego. Mas esses esperaram tempo melhor, e esse veio nas vitórias contra o São Cristóvão (6 X 1) e no clássico contra o Vitória, vencido por três a dois. Will Smith estava voltando a ser uma realidade. Ganhara a vaga de vendedor de novo e circulava pela Bolsa de Nova York, digo do Comércio, vendendo ações. Antes de terminar o primeiro turno empataria com o mais querido (1 X 1) e venceria o Fluminense (5 X 1).
                                               Will apelava pra qualquer coisa!

No segundo turno, a disputa não deu nem pra “melar”. Will começou batendo o Energia Circular, o time da empresa de bondes, por três a dois, e emendou vencendo o Botafogo (1 X 0), o Ypiranga (4 X 1), o São Cristóvão (5 X 0) e Fluminense (4 X 1). Depois daí o “pau que deu em Chico acabou dando em Francisco” sendo canceladas as demais partidas pois Will Smith havia disparado na frente voltando a ganhar o certame invicto e com um “pé nas costas”.
Levaria muito tempo pra o nosso Will baiano entrar numa pior e “matar cachorro a tapa”, isso só foi acontecer quando a Fonte Nova estava pra acabar e aí o time foi parar na Terceirona e foi jogar até em Feira de Santana. Mas isso é motivo para outros filmes!

·          Agradeço aos sites RSSSF Brasil e Adoro Cinema.

quinta-feira, 21 de julho de 2011

A falta que nos move ou um campeonato pra inglês ver!

   
     
                              
Muita gente diz que eu, em matéria de cinema, meu caso é com Hollywood. Mas isso é intriga da oposição, logo eu que trato tanto da Bahia, que, por um desses acidentes da vida, fica no Brasil. Só pra contrariar eu vou falar hoje do cinema “nacional”, que não vive só de pornocomédias.
A prova disso é o drama A falta que nos move de Christiane Jatahy. O filme é sobre atores querendo fazer um filme na véspera do Natal, quando certamente deveriam ter outras coisas pra fazer. Passam o tempo todo esperando uma pessoa que não sabem quem é e se vem. Enquanto isso Daniela Fortes, Cristina Amadeo, Marina Vianna, Pedro Brício e Kiko Mascarenhas ficam lembrando-se de sua vida como aqueles chatos filmes existenciais.
Mas o seu enredo não é nada original e é também bastante antigo. É que houve um tempo em que o que movia o futebol baiano era a falta. Imaginem que faltava tudo, jogadores qualificados e que não apelassem para a pancadaria, clubes que aceitassem o regulamento, juízes honestos, e, como não podia deixar de ser, dirigentes com vergonha na cara.
                                               Pô, não podia nem ter uma porradinha!

Pouco depois que o futebol baiano surgiu, no início do século passado, organizaram logo uma liga, a Liga Bahiana de Sports Terrestres. Mas na verdade o futebol era “pra inglês ver”. Se não fosse por misso porque teriam escolhido o Sr. F.G. May para presidi-la? Na vice ficou mesmo o fundador do EC Vitória Artêmio Valente. Mas, antes de começar o certame eis que surge uma grande briga no Vitória e que acaba com a saída deste fundador que arrasta um grupo de jogadores para criar o São Salvador que se tornaria a primeira grande rivalidade do futebol baiano.
Por sinal, a liga era tão engraçada que pra organizar o seu primeiro campeonato em 1905 teve que brigar com um circo, O Lusitano, que também queria se armar no Campo da Pólvora que, ao contrário de outros largos, ficava no centro da cidade, ali nas proximidades onde os brasileiros se concentraram para fustigar os holandeses que tomaram Salvador em 1624.
                                          Nerm podia levar cachorro no Campo da Pólvora!

A prefeitura, digo a intendência municipal, acabou dando uma solução salomônica. Botou o circo na cabeceira do campo deixando este livre para os jogos. E aí pessoal pode aprovar a tabela pra começar o certame. Mas logo depois outra briga perturbou o início do campeonato que ainda sequer havia nascido. É que clubes da liga resolveram assediar os jogadores do São Paulo Athlétic. Bem feito, quem mandou aceitar no campeonato baiano um time da colônia paulista? Só na Bahia mesmo, pois juro que em São Paulo jamais aconteceria?
Mas, voltando à vaca fria, o São Paulo resolve desistir do certame, e isso quando a tabela já estava aprovada e comunicada á Intendência. Pra não deixar brechas para o circo acabou-se por deixar o dito pelo não dito e manteve-se a reserva das datas para os jogos que não seriam realizados e começou-se o “campeonato” com apenas quatro clubes.

                                                       Beber cerveja estrangeira podia!

O primeiro jogo de um certame na Bahia foi a nove de abril de 1905, e se realizou entre Vitória X Internacional. Mas na realidade foi entre brasileiros e ingleses. Durma-se com um barulho desses. O campeonato era “baiano”, mas estava cheio de ingleses, paulistas, pernambucanos, sergipanos. Acho mesmo que os baianos eram minoria! E não era só isso.
O goleiro chamava-se “gol keeper”, o matador de “center foward”, os zagueiros de “backs”, os médios de “center halfs”, os juízes de “referee”, e assim por diante. Todo mundo enchendo a bola dos ingleses! Mas pelo menos o Vitória, que naquele tempo tinha o prenome de “Sport Club”, colocou alguns baianos, embora a turma da elite.
                                               Os caras iam ao campo de cartola e terno!

Imagine que jogador naquela época tinha nome e sobrenome. Ninguém era conhecido pelo apelido. Ao invés de Pelé, Garrincha, Bolacha, Beijoca, Manga, Sapatão, Piu-Piu e outros que tais, o rubro negro entrou em campo cheio de sobrenome das famílias ricas da Bahia, onde não faltavam vários parentes, formando com Luiz Tarquínio, Pedro Ferreira e Rodrigo Sampaio; Oscar Luz, Alberto Catarino e Arnaldo Moreira; Oscar Alves, Juvenal Tarquínio, Álvaro Tarquínio, Pedro Barbosa e, até um com nome de inglês, o W. Chest.
Do outro lado, nem é bom falar do Clube de Cricket Internacional. Ora se era de críquete que estava fazendo no certame de futebol? Além disto, de “Internacional” não tinha nada, pois eram todos ingleses, e imitavam o decano nos parentes, formando com G. Orr, CC Sharp, C. North, D. Mc Nair, AE Greig, R. Mc Nair, V. Vero, JC Covey, A. Hayne, F. Stewart e J. Mc Nair. A preocupação diplomática fez com que não desse outra coisa que a vitória dos estrangeiros por três a um, gols de Stewart(2) e Hayne contra o gol de honra de Juvenal Tarquínio.
                                                      Também não foi a tanto tempo!

Os outros dois clubes que disputaram o “campeonato” foram o São Salvador e o Baiano de Tênis. Assim, tínhamos um time inglês, dois que nasceram da mesma fonte (Vitória e São Salvador) e um tradicional e aristocrático clube de elite, o Baiano de Tênis. Esse outro também era problemático, pois era de tênis e estava disputando um “campeonato de futebol”?
Mas vamos deixar a coerência pra lá em matéria de futebol baiano. O que sei é que em uma semana os ingleses já estavam disparados, pois, além de vencer o leão, ganharam também do São salvador por dois a zero. Ainda no mês de abril disputou-se o jogo de aristocratas quando o rubro negro acabou levando vantagem sobre o Baiano e por quatro a zero.
                                     José de Alencar quando jogou como goleiro na Bahia!

O primeiro clássico só ocorreu em 21 de maio, quando o Vitória enfrentou o São Salvador precisando vencer pra alcançar o “Internacional” na liderança. Foi o recorde de público no Campo da Pólvora durante certo tempo. A imprensa da época calculou em dez mil os assistentes. O São Salvador abriu o placar, mas logo o rubro negro virou, mas Zuza Ferreira (que trouxe a bola para a Bahia) empataria antes do intervalo.
No segundo tempo o São salvador faria mais dois gols conseguindo vencer o jogo que acabou numa passeata ao centro da cidade com banda de musica, jogadores, juízes, assistentes, que regou o triunfo com champanhe e foi parar no Palácio da Aclamação. O Baiano imporia a única derrota do Internacional antes de terminar o primeiro turno.
O Vitória reagiu no novo turno ganhando do Baiano (3 X 0) e do São Salvador (1 X 0) empatando com o “Internacional” em pontos. A grande final seria mesmo entre baianos e ingleses três dias depois da data consagrada á chamada independência do Brasil. Neste dia novo grande público acorreu ao Campo da Pólvora e dizem que muito baiano torceu pros ingleses, especialmente o pessoal do São Salvador que viria a antecipar o que sentiriam os tricolores depois, trocando o nome da capital pelo o do próprio estado.
                                                       Lula ainda falava com FHC!

O jogo foi renhido alternando-se as chances de abrir o escore, e de predomínio das defesas contra os ataques. Mas no final, o decano experimentou nova derrota para os ingleses que provocaram um sério problema para a história do futebol da terra. Imaginem que o primeiro campeão baiano havia sido um clube inglês!
O feito sacudiu a chamada “República Velha”. Imaginem que foi parar até no Senado (que naquele tempo era no Rio de Janeiro) e nos vetustos jornais do Sul. Como é que os baianos admitiam isso? Mas o problema não era com os estrangeiros porque havia quem quisesse sair da dominação inglesa pra ficar sob a tutela do imperialismo norte-americano, mesmo que esse não quisesse saber de futebol.
                                            Nem se podia comer acarajé na assistência!

Mas a vida, ou os torcedores baianos, iriam resolver o problema por conta própria. O “campeonato” do ano seguinte havia começado com mais um clube, o recém-criado Santos Dumont. Mas o que deveria se constituir em motivo de animação logo se transformaria em nova crise. O Vitória começou mal perdendo o clássico para o São Salvador (0 X 2), enquanto o Internacional dava uma “lavagem” no aristocrático Baiano de Tênis por quatro a zero.
Então veio o jogo dos líderes quando o São Salvador venceu os ingleses pelo escore mínimo. O clássico seguinte era entre Vitória e Internacional e o perdedor estaria praticamente sem chances de chegar ao título. Na oportunidade o rubro negro teve grande atuação, recuperando-se das derrotas anteriores e vencendo os ingleses por dois a um.
                                                       A liga virou a casa da mãe joana!

Naquele dia houve grande vibração no Campo da Pólvora e os torcedores tiveram um papel ainda não visto vaiando e xingando os ingleses e apoiando o decano. Pois não é que o Internacional aproveitou essa desculpa pra abandonar o “campeonato”? Alegou “incivilidade” dos torcedores para isto. Imaginem se conhecesse o que acontece hoje!
O São Salvador seria campeão, mas cederia lugar para o Vitória nos dois próximos anos. A politicagem, porém tomava corpo e iria fazer terminal a Liga Bahiana quando disputavam o título de 1910 Santos Dumont e São Paulo, mas aquele conseguiu anular o jogo em que o rubro negro havia lhe vencido por dois a um. A reversão do resultado fez com que o São Paulo abandonasse o campeonato e deu o título ao Santos Dumont.
                                    E olhem que foi antes do filme Encouraçado Potemkim!

A Liga Bahiana só organizaria mais dois certames, vencidos pelo SC Bahia (que não é o atual) e o Atlético. Neste anos, porém as disputa seria uma confusão só. Todo mundo estava de olho na cobrança dos ingressos para os jogos que haviam se transferido para o campo do Rio Vermelho. Anulavam-se jogos no “tapetão” e a assistência estava a cada dia mais indócil.
                                         O avô de Geninho nem podia gritar com o Vitória!

É assim que vai surgindo a iniciativa dos pequenos clubes e outros de origem popular que vão sendo criados de formar a nova Liga Brasileira. A confusão, o interesse econômico, a inconformidade com o resultado dos jogos e, principalmente, o elitismo, fizeram o resto. A Liga Brasileira recomeça no nosso futebol, mas se retiram todos aqueles que viveram a primeira fase do nosso futebol.  
Só quando construíram o Estádio da Graça em 1919 é que alguns daqueles clubes voltaram. Mas doravante a elite teria que repartir tudo com o povo, os clubes e os lugares na torcida.

·          Agradeço a Alexandro Teixeira, ao Almanaque Esportivo da Bahia (1944) e aos blogs cinema10.com.br e acphone.art.br.

domingo, 17 de julho de 2011

O caçador de vampiros


               
Pra quem quer ver gente híbrida, que não se sabe se é ser humano ou vampiro Blade é um prato feito. Vem tendo todos os ingredientes dos dramalhões, efeitos especiais e muita tecnologia desde que foi lançado em 1998. Desde então apareceram o Blade II (2002), o Blade: Trinity (2004), o Blade: A última geração (2006) e agora enche o saco na TV Blade: a série (2008).
Diferentemente dos heróis derrubados como o capitão América (que só tem um escudo) e Harry Potter (que só tem o diretor do filme para salvá-lo das encrencas em que se mete), Blade tem superpoderes, é imortal e ainda conta com seu mentor Abraham Wistler. A desculpa pra ter tudo isso é ter sido infectado na barriga da mãe que foi mordida por um vampiro.
                                                 Tinha era vampiro como Joseph Blatter!

Assim, Blade fez como Heloísa Helena e mudou-se de malas e bagagens para a oposição vampiresca. Mas diferente daquela é um rebelde sem causa só que só busca na vida vingar-se da morte de sua mãe. Como sempre na história existe um vilão, o tal do Deacon Frost que pretende organizar uma espécie de sindicato de vampiros pra acabar com a humanidade.   
Mas, quem pensa que Blade é original não está com nada. Aqui na Bahia existem vampiros há centenas de anos. Vocês não sabiam que os reis portugueses sugaram o sangue dos baianos e brasileiros por quase trezentos anos? Que, enquanto os baianos lutavam contra as tropas do general Madeira o português D. Pedro dava simplesmente um grito, dado ainda por cima num riacho de propriedade do Ypiranga pra enrolar os baianos? E que dizer de um monte de governadores da capitania, província e estado que enriqueceram ás custas do suor e sangue dos baianos?
                                                               Rolava era sangue!

Esse personagem criado pela Marvel Comics para uma história em quadrinhos foi clonado da Bahia. Seu pai foi o Bangu que fecundou duas mães, a Associação Athlética e o Baiano de Tênis, gerando o EC Bahia em 1930. Tudo começou quando o clube carioca excursionou por aqui nas férias de 1930.  Chegou aqui e foi logo esmagando a Associação (5 X 2) e o Fluminense (10 X 2), e foi á custo que foi parado pelo Botafogo por quatro a dois.
Mas o time da fábrica do Rio se vingaria na seleção baiana devolvendo o escore. O jeito foi pegar o forte Ypiranga pra tentar barrar a sua sede de sangue baiano e deu certo pois os baianos venceram de três a um. Mas aí alguém inventou uma revanche, só pra aumentar o passeio do vampiro, seis a quatro.
                                                     O pessoal só andava cheio de cruz!

Dizem que quando esteve aqui o vampiro transou com todas as baianas que encontrou pelo caminho. A decepção dos clubes de elite Associação e Baiano fez o resto terminando com seus departamentos de futebol e fazendo com que nascesse Blade após nove meses de gestação.  Há quem diga que o problema foi mesmo a revolução de trinta que assustou a elite que sequer disputou o campeonato daquele ano. Mas não sabem de nada pois nem viram a mordidinha na alcova que tomou a mãe de Blade.
Nosso Blade in Bahia venceu logo o primeiro campeonato que disputou levando na conversa todos os vampiros. Dois meses depois de fundado estreava vencendo o São Cristóvão por três a um. Depois foi mordendo um por um dos clubes tradicionais do estado. A coisa foi tão feia que o Vitória não quis participar do certame. Veio o Ypiranga e caiu vergonhosamente de seis a dois. O Botafogo ainda arranjou um empate em dois gols mas o Fluminense estrebuchou por dois a zero.
                                                     Isso era vampiro de antigamente!

No segundo turno continuou o passeio vampiresco, vencendo o Botafogo (2 X 1), o Fluminense (5 X 0), o São Cristóvão (5 X 1), salvando-se apenas o Ypiranga que conseguiu um heroico empate (2 X 2) mas só quando o campeonato já estava ganho. Foi assim que Blade, digo o EC Bahia, venceu o campeonato invicto e com cinco pontos na frente do segundo lugar.
A façanha de Blade que seria repetida por muitas vezes, cerca de 43 até hoje, foi cantada em prosa e verso e atraiu a atenção do vilão Deacon Frost. O miserável não ficou satisfeito com infectar sua mãe e ainda ameaçava o filho. A primeira vez que atacou foi em agosto do ano seguinte, disfarçado de um time que ninguém conhecia, o Guarda Velha (mas com um nome desses como é que ninguém desconfiou?).
                                            Pra que vampiro maior do que Jader Barbalho?

Blade caiu por seis a três, queimando todas as apostas no campo da Graça que davam de dez pra cima pro misto de vampiro com baiano. E olha que precisou apelar pro mentor que foi a todos os terreiros e igrejas de Salvador, e enfeitou o estádio de cruzes e estacas. Só assim é que pode vencer a revanche por quatro a dois!
Mas três meses depois o desgraçado vilão atacou de novo. Desta vez trouxe um monte de vampiros. O céu de Salvador ficou negro pra ver o rubro negro carioca visitar a Bahia em novembro. Foi um massacre onde caíram um a um os vampiros baianos. O leão apanhou de sete a dois, os diabos rubros de quatro a um e o mais querido de um a zero. 
                                    A Praça Castro Alves parecia carnaval de tanto vampiro!

O próprio Blade em pessoa (sic!) tentou barrar o sanguinário sem êxito caindo por três a dois. Veio a seleção baiana e apanhou de três a um. A salvação da lavoura foi unir todos os vampiros do Nordeste e chamar Deacon Frost para uma revanche contra o Ypiranga. Só assim que se conseguiu vencer por três a dois. Ufa! Como o povo sofria com os vampiros naqueles tempos.
Aí Deacon Frost sumiu e ficou cuidando de outras histórias em quadrinhos. De vez em quando tinha notícias da Bahia. Ficou sabendo, por exemplo, que Blade tinha vencido o Andaraí por três a zero quando este veio ao estado em janeiro de 1933, sendo humilhado pelos baianos quando todo mundo tirou uma lasquinha dos cariocas. Isso pegou muito mal em Bucareste, terra dos vampiros.
                        O negocio ficou tão ruim que Deus e o Diabo sentaram pra confabular!

Mas isso se resolveu sem que Deacon se deslocasse bastando enviar, seis meses depois, o vampiro disfarçado de São Cristóvão, para vingar o sindicato e atropelar os baianos. No entanto a dupla BA-VI deu uma de ousado, o decano venceu (2 X 1) e Blade conseguiu o empate em um gol. Ficou no entanto o dito pelo não dito.
Deacon terceirizou seus enfrentamentos com Blade também no último ano da guerra, em 1944. Percebendo que ia perder a batalha na Europa deu pra atazanar os baianos que viam o vampiro humano Blade sem alguns dentes e perdendo o certame três anos seguidos para a equipe da colônia espanhola.
Neste ano toda hora chegava um vampiro de fora e Blade não conseguiu ganhar sequer um amistoso, até dos vampiros baianos perdeu, 2 X 4 e 0 X 3 do Ypiranga e 3 X 5 do Vitória. Mas acabou se recuperando levando mais um campeonato.
                                      Era um saco aguentar esses vampiros na nossa porta!

O vilão voltaria na próxima guerra, a da Coréia, em 1953. Mas, se esta foi terceirizada pelos norte-americanos o chefe dos vampiros viria pessoalmente em março, e através de dois clubes. A nova Fonte Nova ficou coberto de sangue baiano, o que aliás já estava no vermelho das camisas de Flamengo e Internacional.
No dia 15 de março não teve Blade baiano que adiantasse. O Inter enfiaria sete no tricolor e o urubu oito no leão. E de quebra oi Vasco da Gama despacharia o Ypiranga com mais oito gols. Foi o pior dia do futebol baiano na história. A vingança do vampiro havia sido demais. E nem Blade conseguiria impedir que os dois clubes visitantes disputasse o torneio que acabou se decidindo em favor dos vampiros gaúchos pelo saldo de gols.
                                               Ói eles aí na Avenida Joana Angélica!

O jeito foi fazer uma reunião com todas as religiões da Bahia, quando veio gente “pra dar de pau”. Se fosse hoje seria impossível reunir tantas, mas naquele tempo bastavam os católicos, terreiros e evangélicos. Aí ficou acertado que ia se espalhar orixás, cruzes e estacas em todas as fronteiras da Bahia, na verdade só pra não deixar entrar os vampiros de fora e continuarem a existir os vampiros baianos.
E não é que deu certo? Blade continuou a ganhar campeonatos, ano sim, ano não, e chegou a final da I Taça Brasil contra o peixe trazendo o título para o estado por coincidência em abril de 1960 quando todos os vampiros, e o próprio Blade, se mudaram pra recém criada Brasília.

·        Agradeço aos sites RSSSF Brasil e Wikipédia, ao Almanaque do Futebol Brasileiro, e aos blogs 100grana.wordpress.com e melhorpapeldeparede.com.  

quarta-feira, 13 de julho de 2011

Capitão América, o primeiro vingador


                                                      E ele tem as cores da Bahia!

Pelos almanaques de história em quadrinhos o herói Capitão América nasceu em 1941 nos Estados Unidos, para coroar os esforços de guerra daquele país na Europa. Teria sido a Marvel Comics que o criou junto com uma onda de super heróis que surgiram naquele tempo.
Mas os almanaques não estão com nada. O capitão América foi criado no Rio de Janeiro e bem antes desta época, em 1904. Esse filme que estão lançando agora, Capitão América, o primeiro vingador diz bem do seu aparecimento nos campos baianos. Foi o primeiro clube do Rio de Janeiro a jogar em um estádio baiano, o campo da Graça, pois o Botafogo jogou no campinho do Rio Vermelho dois anos antes.
A desinformação dos norte-americanos é tanta que eles não sabem só qual é a capital do Brasil ou a quem pertence a Amazônia, desconhecem esta importante informação, de que o capitão América veio na Bahia em setembro de 1921 fazer a primeira excursão de um time visitante no estado.
                         Que diferença pros super heróis de hoje, ele só tinha um escudo!

Apareceu por aqui duas semanas depois do dia consagrado á independência do Brasil. O pessoal lotou o campo pra ver aquele cara musculoso, com um escudo estranho, formado pelas ligas dos metais Adamantium e Vibranium, e indestrutível. Na ocasião, enfrentou os seus futuros arqui-inimigos Caveira Vermelha e Força Nacional, que se disfarçaram de um combinado Baiano de Tênis-Botafogo, mas apanharam de quatro a dois.
Depois veio a H.I.D.R.A, que os baianos chamavam de Associação Athlética, mas perdeu também por quatro a três. O próximo foi o Doutor Faustus, fantasiado de Ypiranga, e tome-lhe bordoada, três a zero. Por último veio o próprio Império Secreto, que usou as camisas do EC Vitória, pra perder de dois a um.
Não restou aos inimigos dos EUA, disfarçados de baianos, trazer todos os vilões do mundo, convocados pela liga e em nome da seleção baiana, e á muito custo conseguiram empatar em um gol com o famoso capitão. A Bahia nunca tinha visto um negócio daqueles.
                                                           E só vinha em turma!

Depois mandariam uns falsos capitães América pra Bahia. Mas os baianos logo notaram que era tapeação. Veio um verde América dizendo ser de Minas, e até um de Pernambuco, mas isso foi no tempo onde a própria Marvel Comics admitiu que tivessem quatro capitães América (sic!). Mas os baianos nunca esqueceram o capitão América carioca.
Precisou dezoito anos para o verdadeiro Capitão América voltar de novo na Bahia. Ah como era bonito seu uniforme. Nesse dia tirou até a roupa e apareceu como o Steve Rogers mostrando quanto era franzino. Aí fez um discurso chamando os torcedores pra se alistar na guerra que já começava contra o Eixo. Mas ninguém entendeu nada, mesmo porque o presidente Getúlio Vargas “preferia puxar o saco” da Alemanha.
Não sei se foi por isso, por jogar sem uniforme, acabou perdendo para outro alvo rubro, o Botafogo, por dois a um. Ninguém se alistou e aí o famoso capitão vestiu seu uniforme de novo pra jogar contra o time da colônia espanhola, devolvendo o escore aos baianos. Mas aí já tinham chegado os seus poderosos inimigos que tinha pegado de surpresa ao aparecer na Bahia sem avisar.
                                                Nem essa turma aguentava com ele!

O primeiro foi Modok, que jogou com a camisa do Ypiranga, e ofereceu a maior resistência, fazendo com que o capitão só conseguisse um empate em dois gols. E, três dias depois, houve uma verdadeira concentração de vilões no bairro da Graça. Os baianos nunca viram tanta maldade. Tinha o Barão Zemo, os Ossos Cruzados, o I.M.A e o Esquadrão Serpente. Chegaram até a esconder o escudo do capitão. Aí não podia dar outra coisa, quatro a um para o Bahia, no dia histórico de 12 de março de 1939.
A guerra passou e esqueceram-se do Capitão América. Fizeram até um seriado estrelado por Dirk Purcell mas a TV só chegaria à Bahia em 1960. Mas os norte-americanos resolveram dar um premio de consolação aos baianos e trouxeram o famoso capitão nove anos depois ao estado.
Ele chegou a Salvador em pleno mês das noivas de 1948. No começo acharam estranha a oportunidade, mas quando ele entrou no campo da Graça viram que era o original. Trazia seus aliados, o Agente 13, o homem aranha e Wolverine. Mas eles ficaram no banco de reservas. A primeira partida foi bem disputada contra Mecanus, que havia se disfarçado dos granadeiros, e ofereceu resistência. No final, um verdadeiro escore de “baba”, seis a cinco pro Capitão América.
                                             Getúlio chegou a reclamar com Roosevelt!

O próximo foi o Ypiranga. Mas, nesse dias os baianos não torceram pelo mais querido, pois viram que por traz do uniforme auri negro havia nada menos do que o temível Doutor Faustus. Na época a burguesia brasileira estava atrás de uma graninha dos norte-americanos tentando aproveitar o dinheiro da “reconstrução” da Europa. Eu sei que o capitão ganhou de seis a dois, quanto ao dinheiro americano ninguém viu.
Mas, três dias depois, desembarcou uma renca de super vilões no cais do porto e prepararam uma armadilha pro capitão. Roubaram o seu famoso escudo e deixaram, no vestiário um parecido, pintado com as cores originais, mas feito de lata de cerveja. Era sacanagem e o tricolor acabou ganhando de novo por dois a um.
Eu acho que foi por isso que, quando o capitão apareceu de novo, dois anos depois, nem veio a Salvador, preferindo ficar lá pela região do cacau onde goleou a Seleção de Ilhéus (5 X 2) e a Seleção de Itabuna (5 X 1)!
                                    Teve gente que se mudou da Bahia por causa dos vilões!

Foi tal de convidar o capitão pra voltar que ninguém aguentava. E que os baianos tinham construído um estádio decente, a Fonte Nova, e queriam mostra-lo para inglês e americano verem. Veio pra Bahia gatos e cachorros, times do Brasil todo e até estrangeiros. Na época os governadores chegaram até a apelar pro Eisenhower. Não era possível tanta discriminação com a Bahia!
Mas o capitão norte-americano só voltaria á Bahia depois da morte de Getúlio Vargas, pois achavam que havia ameaça a seus interesses, ainda mais quando foi criada a PETROBRAS! Apareceria por aqui em agosto de 1956. Mas só pra fazer uma partida, a outra seria em Feira de Santana. Na ocasião, até os vilões deram uma trégua. Os baianos estavam zangados, e foi assim que o Fluminense empatou com o capitão em Feira (1 X 1), mas não adiantou nada pro tricolor que caiu por dois a um com novo estádio e tudo.
Nos anos 50 tudo quanto é seriado americano apareceu nas TVs brasileiras que estavam sendo criadas. Na época ventilou-se que o Capitão América iria ser revivido. Mas, antes que isso acontecesse em 1964, e nosso herói surgisse como líder dos Vingadores, ele veio testar a sua popularidade na Bahia.
                                       Foi aí que passou a ter super heróis "a dar de páu"!

Veio novamente em maio e em 1958 quando haveria eleições. Sabem como é a diplomacia americana né? Aí acabaram arranjando um empate com o Bahia (1 X 1) que seria bom pros dois lados. Logo depois, mesmo que o capitão não votasse por aqui, o pessoal saiu por aí o levando para visitar a cidade, enquanto o tricolor pedia revanche.
Rapaz, o que o Capitão América e seus amigos passaram nem queiram saber! Doutor Fausto em pessoa fez o programa das visitas. Ele podia ser herói lá pras bandas do inferno mas na Bahia não resistiu ao efó, ao caruru, ao vatapá, e ao acarajé, tudo com a maior pimenta possível. Imaginem que de tanta cachaça voltou ás quedas para o Hotel da Bahia. O resultado não se fez esperar cinco a dois pros baianos. Já não se fazia mais heróis como antigamente!
O capitão se sentiu traído pelos baianos. E o Departamento de Estado americano retaliou pesado a Bahia. Foi por isso que a série que seria criada não passou na TV Itapuã. Assim, os ianques que visitavam a Bahia não tiveram nada pra conversar durante dez anos. Só em 1968, quando manifestações por direitos civis estouravam por todo o mundo, é que mandaram o capitão de novo distrair os baianos.
                                     Começaram a procurar onde estava o Capitão América!

Ele chegou logo depois do São João, e os baianos estavam tão satisfeitos com sua presença que até organizaram um torneio. O capitão veio com novo discurso, o que interessava agora não eram a guerra nem os protestos dos “subversivos” mas a amizade entre as pessoas, como a que tinha com Peggy Carter, Bucky e Ricky Jones.  Naquele ano porém, pouca gente foi á Fonte Nova ver o capitão levar a taça.
A primeira rodada ocorreu a trinta de junho, quando o capitão derrotou o rubro negro (2 X 1) enquanto o tricolor ganhava do Flamengo (1 X 0). Mas o primeiro vingador passaria das medidas, vencendo o Bahia (2 X 0) e o torneio na data magna dos baianos, o Dois de julho!
Os filhos e amigos do capitão ainda voltariam na Bahia nos anos setenta, em 1971 e 1977, pra jogar e empatar com o Vitória. Mas vivíamos uma época nova, a do Campeonato Brasileiro. Nos primeiros anos ainda deu pro nosso capitão, pois enfrentava o Império Secreto e iniciava parceria com outros super heróis, como o Falcão Negro.
                                 "Rolou" até fitinha de Senhor do Bonfim pro capitão voltar!

Mas, os anos 80 coincidiram com as dificuldades do América em se manter no Brasileirão. Havia passado a época de gatos e cachorros disputarem a Primeira Divisão e nosso herói deixava a guerra mundial e os nazistas pra aparecer na guerra civil e em todo lugar de interesse dos norte-americanos. Passou a viver uma concorrência desgraçada, tanto no certame brasileiro como no cinema.
Foram tirar do baú tudo quanto é tipo de super herói, com todo tipo de poderes, do que só um escudo. Até tal de lanterna verde apareceu! O Capitão América caiu pra Segundona e pra Terceirona. Disseram até que em 2007 foi morto na guerra civil. Mas, dizem que estão querendo ressuscitá-lo de novo!

·          Agradeço ao site Wikipédia, ao Almanaque do Futebol Brasileiro e aos blogs Jeniss, fotocomida.com, ptwikipedia.org, praticus.limao.com.br, tvcinemaemusica.worpress.com e teatrodebonecos.blogspot.com.  

sábado, 9 de julho de 2011

A revolução mundial e os baianos

 

O ano de 1905 foi um dos mais representativos do século nascente. O senado francês declara a separação entre a Igreja e o Estado e Dom Joaquim Arcoverde é nomeado como o primeiro cardeal da América Latina.
A Noruega se torna independente da Suécia, a Coreia um protetorado japonês. HG Wells publica A moderna utopia e são fundadas a cidade de Las Vegas e a Pinacoteca de São Paulo. Nascem Henry Fonda, Jean Paul Sartre, Joan Crawford, Greta Garbo, Dercy Gonçalves, Érico Veríssimo, Dolores del Rio e o futuro interventor da Bahia Juracy Magalhães.
Em seu primeiro dia a Rússia se rende ao Japão em Port Arthur. Dois meses depois é suspenso o Estado de Sítio no Brasil. E, uma semana depois, os operários de São Petersburgo foram massacrados numa passeata em direção ao Palácio do Inverno czarista onde entregariam um abaixo assinado pedindo melhores condições de vida e a convocação de uma Assembleia Constituinte.
                                    O pessoal reclamava do transporte para o Rio Vermelho!

Bastam mais alguns meses para ocorrer a famosa revolta do Encouraçado Potemkim imortalizada no cinema apor Eisenstein e presos Leon Trotsky e os membros do Soviete de São Petersburgo. No futebol de uma tacada só são fundados o Clube do Remo, o Sport, o Boca Juniors, o Sevilha e o Chelsea.
O mais importante neste ano porém, é que seria disputado o primeiro campeonato baiano de futebol, apenas quatro anos depois de ser trazida uma bola de futebol para o estado, e ainda antes do certame carioca! O certame, porém, nasceria sob o signo da cisão. É que, quatro meses antes do certame, haveria um “racha” no SC Vitória, e por um motivo fútil.
Quando a equipe treinava a bola caiu numa vala e Artemio Valente e Carlos Costa Pinto se desentenderam sobre quem devia busca-la. O episódio resultou em áspera discussão e levaria a que o segundo se retirasse com vários associados criando o São Salvador, que passaria a ser o principal rival do rubro negro, não só em terra como no mar.
                            E ninguém entendia nada o que falavam os jogadores estrangeiros!

Assim, a recém-criada Liga Bahiana de Sports Terrestres abriu inscrições para o seu primeiro campeonato, Uma comissão foi criada tendo a frente no dirigente Álvaro Tarquínio, definindo-se a tabela e sendo escolhido o campinho da Pólvora para os jogos. Para isso foi necessário contatar com a intendência para que lhe cedesse o campo nos dias dos jogos.
Mas eis que se instala ali também o Circo Lusitano. Foi um alvoroço. Vai pra cá, contata com o intendente, mas como tudo na Bahia, acabou se resolvendo por acordo com o proprietário dividindo o campo, deixando o centro para o campo e uma das cabeceiras para o circo. E a Liga ainda conseguiu emprestada do dono cem cadeiras que eram colocadas em volta do campo nos dias de jogos para as senhoras e autoridades.
Logo depois outro problema se colocou, a transferência de jogadores do São Paulo para outros clubes, fazendo com que o clube da colônia paulista desistisse de disputar o certame. Mass, como a tabela já estava aprovada, a Liga decidiu deixar como estava deixando vagos os domingos em que o clube jogaria.
No dia 9 de abril de 1905 perante bom público, com um campo todo embandeirado e uma banda de musica tocando, se inicia o campeonato baiano. As 16h30min começou o jogo Vitória X Internacional, reunindo o clube mais antigo e o formado por jogadores estrangeiros, e arbitrado por Aníbal Pereira.
O Vitória formou com Luís Tarquínio, Pedro Ferreira e Rodrigo Sampaio; Oscar Luz, Alberto Catarino e Arnaldo Moreira; Oscar Alves, Juvenal Tarquínio, Álvaro Tarquínio, Pedro Barbosa e W. Chest. Já o Internacional formou com G. Orr, CC Sharp, C. North, D. Mc Nair, AE Gieig, R. Mc Nair, V. Vero, JC Covey, A Hayne, F. Stewart e J. Mc Nair. O resultado foi por três a um, marcando Stewart (duas vezes) e Hayne, para os estrangeiros, e Juvenal Tarquínio, o primeiro gol baiano no seu certame.
O Inter enfrentou nova equipe baiana no domingo seguinte, o São Salvador, nascido de uma dissidência do então SC Vitória, vencendo novamente, agora por dois a zero, gols de Stewart e Scharp. O árbitro foi o jogador do Vitória Alberto Catarino.
                                                  A revolução russa tinha era baiano!

Finalmente, no dia 30 de abril, se registra o primeiro jogo entre baianos, ficando frente a frente, Vitória X Baiano de Tênis, com a vitória do primeiro por quatro a zero, sendo os gols de R. Sampaio, Juvenal Ferreira e Pedro Ferreira (duas vezes, uma deles, no entender de cronistas, em impedimento).
Como ficaram vagas as datas do São Paulo o jogo entre os primeiros grandes rivais baianos, entre Vitória X São Salvador, só se verificou no dia 21 de maio. Os jornais da época devem ter provavelmente exagerado a assistência (estimada em dez mil pessoas), mas pareceu a abertura do certame pois teve de tudo.
Os árbitros foram os Srs. A. E. Gieig, Stewart e F. Petersen e o decano só conseguiu resistir um tempo. Stamby abriu o placar para o São Salvador mas logo a seguir Pedro Barbosa empatou para o Vitória. O rubro negro virou o jogo com Álvaro Tarquínio de pênalti mas Zuza Ferreira empataria o jogo ao final do primeiro tempo. Mas no segundo tempo o São Salvador faria os dois gols que lhe deram a vitória, um deles faltando poucos minutos para o encerramento da partida.

                                            Parece ruim né, mas nem tinha isso!

O final do jogo veria um acontecimento inédito, um desfile puxado pela banda militar até o Edifício Sul América onde houve um brinde regado a champanhe e que terminou no Palácio da Aclamação.
Após esse jogo o Internacional e o Vitória venceram o Baiano de Tênis, ambos por três a zero. E, entre agosto e setembro, o primeiro ficariam com o título do primeiro certame, ao ganharem do São Salvador (2 X 1) e do Vitória (1 X 0). O rival do rubro negro, o São Salvador, levantaria o certame no ano seguinte, o último disputado no Campo da Pólvora.
Em 1907 o certame começaria no mesmo lugar, onde se realizou a peleja entre Santos Dumont 4 Baiano de Tênis 0. Mas, logo a seguir, o campeonato foi transferido para o Rio Vermelho onde se podia cobrar ingressos. A iniciativa, porém, revelou-se um fracasso. É que este bairro era mal servido de ônibus e á custo, se organizou a presença da Linha Circular e do Trilhos Centrais. O restante chegava com os carros motores, os reboques, ou mesmo “na paleta”.
                                                      Ah, essa novela era fichinha!

A novidade este ano ficou com a organização do campeonato dos Segundos teams que teria o rubro negro pela primeira vez como campeão. Este só levaria o seu primeiro certame no ano seguinte, quando o Baiano de Tênis se retirou fazendo com que apenas três equipes o disputassem. Aí o Vitória ganhou todas. E, no ano seguinte, repetiu a dose. Se não contarmos os Segundos Teams e os torneios inícios assim se resumem as conquistas do EC Vitória na era do amadorismo.

·         Agradeço a Alexandro Ribeiro, ao Almanaque do Futebol Baiano (1944) e ao site Wikipédia.