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segunda-feira, 9 de maio de 2011

Nos tempos da brilhantina

                                    
                
                                             Mas como ficava bonitinho... o cabelo!

Nos anos cinquenta houve muita gente que usou brilhantina pra fixar os cabelos. Era uma pomada que, além de outros ingredientes, levava parafina. Funcionava como um gel, mas oleoso, deixando os cabelos brilhantes e compostos sem precisar ficar penteando. Eu nunca usei, mas muita gente não saía sem ela nesta década, que foi o auge da moda de sua utilização.
Lembro-me de que cantores do rock como Elvis Presley faziam topetes nos cabelos que eram muito imitados. O produto marcou tanto o visual daqueles anos que se passou a adotar o seu nome para lembrar-se da década, como os ”tempos da brilhantina”.
A relação entre clube baianos e pernambucanos se desenvolveu exatamente nesses tempos. É claro que já tinham existido jogos anteriores. Aliás, desses os anos vinte isso começou a acontecer. Alguns times pernambucanos posteriormente passaram pelo campo da Graça, mas, a primeira excursão mais significativa ocorreu no final dos anos trinta.  
                                                          Olhem o cabelo do Juvenal!

Estávamos no Estado Novo quando a Bahia foi governada por interventores e a guerra começava na Europa. Foi nessa época que o Sport desembarcou em Salvador pela primeira vez. Mas se deu muito mal. No dia três de setembro de 1939 apanhou feio do Vitória por seis a dois. E, cinco dias depois, caía perante o Ypiranga por cinco a um. Só conseguiu um empate com o Galícia (1 X 1) pelo fato dos granadeiros estarem vivendo uma má fase tão grande que faria com que perdesse para o mais querido, no mês anterior, por nove a um!
Depois dele vieram o Náutico, o Santa Cruz e o América pernambucanos, mas o Sport só voltaria de novo nos tempos da brilhantina. Ele abriu a década numa Salvador que se despedia do velho campo da Graça. Veio em março de 1950 e teve altos e baixos. Começou com os baixos, exatamente contra seu último adversário de onze anos antes, o clube da colônia espanhola, quando caiu no dia 19 por quatro a zero.
Os poucos dirigentes da época imaginaram então que a equipe iria repetir a vergonha do passado, mas eram novos tempos, e o Sport mostrou isso ao vencer o Vitória (23 de março) por três a um, e ao empatar com o então tetracampeão EC Bahia (2 de abril) em dois gols. A delegação rubro negra pernambucana saiu da Bahia com o maior topete.
                                                             Se lembram do twist?

Foi nos tempos da brilhantina que se realizaram os torneios Bahia - Pernambuco. Em 1952 realizou-se a segunda Copa dos Campeões do Norte e Nordeste em Recife. A primeira havia ocorrido em 1948 e o Bahia havia se sagrado campeão derrotando o Santa Cruz no estado vizinho pelo escore mínimo. Mas nessa segunda, o Ypiranga foi eliminado nas quartas de final pelo Tuna Luso (PA) que não resistiu ao Náutico na final apanhando por cinco a um.
Em 1956, porém, teria um torneio restrito a Bahia e Pernambuco que foi ganho pelo Santa Cruz, que se desforrou do Bahia deixando-o desta vez com o vice. Na ocasião foram realizados inúmeros jogos entre os clubes dos dois estados que, se aprofundaram a rivalidade regional, por outro, desenvolveram importante intercâmbio entre os dois estados, o maior visto até então, e que ocorreu nos tempos da brilhantina.
O processo iria se aprofundar a partir de 1959 quando uma Taça Brasil dividida por chaves regionais deu margem a existência de campeões do grupo Nordeste da Zona Norte do certame. E, quando esta terminou em 1968, criaram o Torneio Norte-Nordeste que também tinha campeões do grupo Nordeste. Tudo isso era motivo para jogarem baianos e pernambucanos na época de maior intercâmbio de sua história esportiva. Mas em 1970 esta clivagem acabou substituída pelo nascente campeonato brasileiro.
                                                                Até Juscelino passava!

Os primeiros clubes pernambucanos a pisarem na Fonte Nova foram o Sport e o América num torneio que aqui se jogou em julho de 1953. Não sei até onde pesou no seu convite o desastre de quatro meses antes quando a dupla BA-VI foi arrasada pela dupla Flamengo e Internacional. Assim, a coisa ficou mesmo pela região.
O certame foi comemorativo á data magna da independência na Bahia e teve Bahia X América e Vitória X Sport. Ambos os jogos seriam muito disputados, acabando o do tricolor em um empate por três gols, enquanto o rubro negro baiano ganhava do pernambucano por dois a zero.
Três dias depois voltaram a campo de novo, ficando desta vez o Vitória empatado com o América (1 X 1) enquanto o tricolor impunha ao Sport mais uma derrota, agora pelo largo escore de quatro a um. Foram para a última rodada com todos tendo chances de levar a taça. Mas, na preliminar o América perdeu a chance, ao obter o seu terceiro empate, desta vez com o Sport, por dois gols.
                                 Saramago deixou anotações de um livro sobre a brilhantina! 

O torneio, que antecipou o Bahia-Pernambuco, seria então decidido pela dupla BA-VI. E honraram a responsabilidade. Foi um grande jogo, com ambos colocando o que de melhor tinham em campo. Ao final, o Bahia sairia com mais uma taça, a segunda obtida num torneio interestadual, ao derrotar o seu arquirrival por três a dois.
Em 1956 ocorreria a maior concentração de jogos entre clubes dos dois estados. O certame desenrolou-se entre janeiro e março e foi uma articulação de dirigente da federação pernambucana. Diferentemente do que ocorreu em 1948 e 1952 as partidas ocorreriam simultaneamente nas duas capitais. A abertura ocorreu no dia seis de janeiro com uma vitória sensacional do Botafogo baiano contra o América (PE) por cinco a zero dando a nítida impressão de superioridade baiana. Mas o engano iria ser reparado dois dias depois com o empate do mesmo clube com o Bahia em dois gols.
No dia quinze de janeiro houve uma rodada dupla na Fonte Nova. Na preliminar Bahia e Botafogo jogaram o famoso “clássico do pote” vencido pelo primeiro por dois a um, enquanto os leões da barra eram abatidos pelo leão da Ilha por três a dois. Aí ficou claro que os baianos tinham cortado o “baralho errado”.
                                                           Ave Maria, que topete!

Novas rodadas duplas se seguiriam. A do dia 22 colocaram frente a frente Bahia X Galícia e o Botafogo contra o Náutico, apresentando nova vitória do tricolor (3 X 1) e um resultado convincente do alvi rubro baiano por quatro a dois. No domingo seguinte foi a vez de do Botafogo colher outro resultado auspicioso contra o Vitória (4 X 2) enquanto o Galícia perdia para o Santa Cruz pelo escore mínimo.
Segue-se no dia 19 de fevereiro a vitória dos granadeiros contra o Sport (3 X 1) na preliminar do maior clássico baiano ganho pelo Vitória por um a zero. E, na véspera do carnaval, o azulino continuaria se recuperando ganhando do Botafogo (3 X 1) enquanto empatariam Vitória e Náutico (1 X 1).
O certame continuaria após a maior festa da Bahia com nova rodada dupla, onde o tricolor empataria com o Náutico (2 X 2) e o Galícia derrotaria o América (3 X 2). Depois disto começaria o returno com o Bahia se desforrando do seu arquirrival vencendo-o, em jogo isolado, por três a dois. Os jogos finais se desenvolveriam em Recife e onde o Santa Cruz asseguraria o título da competição, ficando o tricolor baiano em segundo.
                                           Que é isso? Quer passar também brilhantina?

No ano seguinte o Sport voltaria por duas vezes à Bahia jogando com a dupla BA-VI. A primeira foi em 16 de agosto, quando derrotou o tricolor por dois a um. Já a segunda se deu em 26 de novembro, resultando em empate em um gol entre rubro negros baiano e pernambucano. Já eram comum os enfrentamentos entre os dois estados.
Na mesma época, no dia dos finados de 1958 o Sport aportou aqui para jogar contra o tricolor baiano. Nesse dia teve de tudo, correntes, alma penadas, assombrações, e as equipes não conseguiriam tirar o zero do placar. Pegou tão mal que resolveram marcar uma revanche pra dez dias depois, quando o tricolor, que voltaria a conquistar o título baiano, venceria por dois a zero.
Mas dois meses e o leão da Ilha do retiro estaria de novo na Fonte Nova. Era um ano de ouro para o futebol pernambucano aonde chegaria a final do campeonato brasileiro de seleções quando ficaria com o vice após perder para uma endemoninhada seleção paulista que aplicaria sete a um nos baianos no estádio do Pacaembu.
                                                                  Ah que saudade!

O futebol baiano vivia uma nova crise política com um coronel á frente da federação. Na ocasião, o Sport passaria uma semana em Salvador. Estreou em 16 de janeiro batendo o vice-campeão local, o EC Vitória, por dois a zero, e depois jogou duas partidas contra o Bahia, empatando duas vezes, por dois e por um gol.
Mas o último grande jogo entre os dois estados nos tempos da brilhantina aconteceria neste ano pela recém-criada Taça Brasil quando o Bahia encontraria o Sport em seu caminho e, embora perdendo de inesquecíveis seis a zero na Ilha, passaria com duas vitórias e chegaria ao título.
Os anos da brilhantina começavam a se esfumar. O pessoal ainda continuaria usando a pomada no cabelo, pelo menos até os anos setenta, mas assim como o hábito foi aos poucos caindo de moda, foi se reduzindo o intercâmbio entre baianos e pernambucanos. Em 1960 viriam aqui o Náutico e o Sport, em 1961 os três grandes, mas, no ano seguinte, só o Sport, chegando a uma situação de não haver jogos entre os dois estados na Fonte Nova nos anos de 1963 e 1964.
                                                                 Dava um trabalho...

O Vitória só encontraria o Náutico em 1965 tropeçando perante a máquina mortífera que tinha um ataque formado por Nado, Bita, Nino e Lala. O clube timbu jogaria também contra o tricolor baiano. No ano seguinte, em nova crise do futebol baiano, Sport e Náutico aqui comparecem e triunfam contra o esquadrão de aço. E, o segundo chegaria a conquistar um torneio em Salvador em maio de 1967.
Depois disto rareariam. O próprio Náutico viria no ano seguinte, e só voltaria em 1971, 1972, 1974 e 1985, quando nem se falava mais em brilhantina. Quanto ao clube coral apareceria em 1969 e, depois, em 1972. O Sport jogaria na Graça em 1970 para só retornar em 1976 e em 1985.

                                    Elvis e Ann Margret procurando brincadeira na Praça da Sé!

Como dissemos, estávamos vivendo uma época de jogos oficiais. Tinham ficado definitivamente para trás os grandes torneios e jogos amistosos envolvendo baianos e pernambucanos, que coincidiu com os tempos da brilhantina.

·        Agradeço ao Almanaque do Futebol Brasileiro, o site RSSSF Brasil, estacao1.blogspot.com,3jpcult.blogspot.com,minhapaixaoporfilmess.blogspot.com e cinema10.com.br.

terça-feira, 5 de abril de 2011

O retorno do vampiro!

                                                                      É mole?
Há alguns dias atrás postamos um artigo tratando do vampirismo no futebol. Na oportunidade, além de observarmos que, apesar de surgir como uma lenda, os vampiros estão hoje espalha dos por todos os setores do universo. Explicamos que o futebol está cheio de vampiros, desde certos dirigentes, empresários e jogadores “chupa sangues” até times de futebol que deixam os torcedores anêmicos. Hoje vamos falar do ano de 1967, quando ainda não havia acabado a “maré de azar” do EC Bahia que levou cinco anos sem arranjar nada.
O segundo turno do certame baiano do ano anterior começou nas vésperas do Natal entrando pelo ano adentro. O tricolor, que tinha começado bem ao ganhar do Estrela de Março (que durante sua vida concorreu com o íbis pra ver quem era o pior time do mundo) iniciou o ano ganhando do Botafogo pelo escore mínimo. Logo depois venceu o “maravilhoso” São Cristóvão. Mas que tabela é esta? Mas em todo caso os torcedores se iludiram e pensaram que o time agora ia! E não é que foi? O time se animou e ganhou cinco seguidas, batendo no Galícia (3 X 2) e no SMTC (aí não vale!) por cinco a zero.
Depois disto a equipe começou a se encrencar. É que, como teria mais de vinte dias sem jogar resolveram arranjar um amistoso contra o Bangu. Pra que! Os cariocas fizeram com que o esquadrão de aço amargasse a primeira derrota do ano, por um a zero. O resultado é que quando voltou ao campeonato o time ficou irreconhecível, empatando com o Guarany em um gol. O resultado foi tão ruim que nem compensou ganhar do Ypiranga (1 X 0), pois logo perdeu pro Fluminense de Feira de Santana. Será que tinha “aberto a cancela”?  
                       
                                            Esse é vampiro ou falta dente?

Mas o Bahia ainda tinha chance de ganhar o título, bastava ganhar as duas partidas que faltavam, contra os seus adversários diretos Vitória e Leônico. E eis que acontece uma desgraça ao perder o clássico contra o rubro negro por três a dois. A diretoria promoveu imediatamente outro amistoso pra entrosar o time. Como já estava escarmentada trouxe desta vez o humilde Comercial de Ribeirão Preto, mais como sparing.  
Assim, o Bahia entrou no gramado da Fonte Nova para um “jogo-treino” que lhe custou os “olhos da cara” ao perder por dois a um. Agora não tinha jeito, o tiro saíra pela culatra, e foi com baixo astral que a equipe enfrentaria o Leônico, perdendo pela terceira vez seguida, agora de três a dois, sendo que a defesa estava tão atrapalhada que Thiago vasou as próprias redes! O resultado é que o Bahia ficou em quarto lugar no turno e ainda teve que assistir “de cadeira” a decisão daquele ano. Aí até que teve mais sorte, pois conseguiu “azarar” o Vitória fazendo dom que perdesse o “tri” para o Leônico.
Alguns dias depois da decisão do campeonato baiano resolveram realizar um torneio. Mas pra garantir que um time baiano ganhasse convidaram o Clube do Remo (PA) pro quadrangular. Mas este acabou ganhando na preliminar do campeão Leônico enquanto o BA-VI terminava empatado sem gols tendo que resolver a favor do tricolor nos pênaltis. Pelo menos ganhava alguma coisa.  
                                                      Será que Vanderlei é vampiro?
Mas, na segunda rodada, enquanto o moleque travesso reeditaria a final do certame ganhando novamente do Vitória pelo mesmo placar (2 X 1), o tricolor faria outro “papelão” ao perder pros visitantes pelo mesmo escore. O jeito foi fazer outro torneio em maio. Desta vez procuraram saber qual o time do Nordeste que ia de mal a pior, tendo a resposta sido unânime, o Náutico. Adivinhe quem foi o escolhido?
O Bahia começou bem, ganhando do campeão Leônico por dois a um. Agora ia! Mas o Vitória conseguiu a façanha de perder pros pernambucanos pelo mesmo escore. O tricolor foi pra mais uma decisão dois dias depois. Na preliminar o rubro negro mais uma vez perdeu pro Leônico (já estava virando freguesia) e pelos mesmos dois a um. Os torcedores do Bahia então se prepararam pra ganhar sua primeira taça em cinco anos, afinal de contas não era possível que perdessem pro clube timbu. Mas o Náutico tinha se animado com a vitória anterior e jogou o que sabia e o que não sabia, acabando por derrotar o ex-esquadrão de aço por três a dois.
                                                         Olhe o vampiro brasileiro!
Era demais," assim também era demais também”. Antes de começar o novo certame a diretoria resolveu trazer pra animar um time do interior, o Colo Colo (Ilhéus) prum jogo-treino, mas não é que o tricolor conseguiu empatar sem gols! A fase era braba e se viu no primeiro turno quando o Galícia foi levando a todos na conversa. O Bahia continuava fazendo amistosos. Embora não ganhasse nem jogo de damas ia se preparando pro futuro.
Em setembro trouxe o Santos veja que ousadia! O peixe nem quis saber de conversa, impondo-lhe nova derrota, agoira por três a dois. E em setembro a federação decidiu fazer mais um torneio, e este sério, pois convidaram o Flamengo! Na primeira rodada os cariocas despacharam o Galícia (2 X 1), enquanto o Bahia perdia de novo o clássico pra seu arquirrival (1 X 2). E, pra piorar a história em dia de felicidade veio a tristeza, pois, quando conseguiu a façanha de bater nos cariocas por um a zero, acabou dando o título ao Vitória que venceu o azulino por dois a um! Imagine que a torcida sequer vibrou com o gol!
                                                   Nem adianta chorar, cadê o pescoço!
Em outubro a diretoria resolveu fazer o último amistoso do ano. Como o Fluminense de Feira não vinha bem foi o escolhido. Mas qual, um novo empate sem gols. Decididamente esse não era o ano do Bahia que, mesmo quando ganhava se estragava. Mas nem tudo estava perdido. Com tantas derrotas o time entrou no ano seguinte melhor e conseguiria ficar empatado com o Galícia no final do segundo turno. Aí entrou a malícia de Osório Vilas Boas que acabou convencendo a o presidente Aurélio Viana a fazer uma série de jogos pra ganhar dinheiro. O final da história todo mundo sabe, o tricolor ganhou o segundo turno e depois o título!

·          Agradeço as informações do site do RSSF Brasil e do Almanaque do Futebol Brasileiro. Sou grato ainda as imagens dos blogs lembd.blogspot.com e lagartixas.worpress.com.

quinta-feira, 31 de março de 2011

Um vampiro na Fonte Nova

                         

A lenda dos vampiros é muito antiga, vindo desde a Mesopotâmia.  Com o tempo atingiu praticamente a todas as culturas a ideia de um ser que se alimenta do sangue humano, se transforma em morcego e só é morto quando se crava uma estaca no peito. Por influência da Igreja Católica se divulgou uma série de instrumentos para o seu combate, que incluem a cruz, a hóstia, o rosário, a agua benta e metais consagrados.
Hoje o vampirismo é quase que uma religião, se estendendo á literatura, ao cinema e ao vídeo game. Tolstoi, Rousseau, Alexandre Dumas e Karl Marx falaram de vampiros. Este último comparando-os aos capitalistas que sugam o sangue dos operários.  Os vampiros ajudam também a economia, aumentando o fluxo de turistas na região da Transilvânia na Romênia onde se diz que morou o mais famoso deles, o conde Drácula. 
Mas onde se esqueceram de mostrar os vampiros foi no futebol. No esporte está cheio de vampiros. Desde dirigentes de clubes que ficam ricos explorando a boa fé dos torcedores a empresários que sugam como podem as energias de jovens desde a mais tenra idade. Há Ricardo Teixeira que vai encher “as burras” de dinheiro com os contratos que fez para a Copa de 2014, assim como certos clubes que passam ano dando desgosto aos torcedores, que dão muito sangue para pagar os caros ingressos do nosso futebol.

O artigo de hoje é sobre um ano destes, o de 1966, e o vampiro é o EC Bahia que atravessava uma fase de meter medo. O tricolor havia sido pentacampeão em 1962, mas depois dali ficaria cinco anos sem arranjar nada! Pra piorar a história, no final de 1964 o futebol baiano iria viver grave crise, que durou quase dois anos, quando a imprensa aderiu ao boicote do esporte.
A equipe já tinha ficado de fora do supercampeonato do primeiro turno do ano anterior, que se reduziu a Ypiranga, Botafogo e Fluminense. O ano de 1966, portanto, começou muito mal para o antigo esquadrão de aço. Começou o segundo turno muito mal em 19 de janeiro, perdendo pro Fluminense pelo escore mínimo, gol de Neves. Mas até aí morreu Neves!
O time entendeu que tinha de ganhar conjunto, e aí marcou um amistoso na Fonte Nova contra o Sport. Não sei se estava mal com os rubros negros, o fato é que ocorreu nova derrota (0 X 1), saindo sangue por todos os lados embora nosso vampiro não tenha aproveitado.
                                               Oh, o Batman também é vampiro?
O time pareceu ganhar um sopro de vida ao ganhar do Guarany (3 X 0) e do Galícia (1 X 0) e mostrar o poder de sedução típico dos vampiros. Como a tabela previa que ficasse mais de vinte dias sem jogar, acabou por acertar amistosos pra não ficar parado. O primeiro foi dois dias depois contra o mesmo time da colônia espanhola. A partida acabaria por ajudar o vampiro a desaparecer numa névoa, após perder por dois a um do azulino.
Mais dois dias seria a vez de trazer os vampiros pernambucanos do Náutico, pra quem perderia pelo escore mínimo. A situação já estava feia, obrigando o vampiro tricolor a verdadeiras caçadas pela noite da Bahia pra conseguir um pouco de sangue. O jeito foi inventar. Aí a diretoria foi buscar o “grande time” amador do Periperi do Subúrbio Ferroviário, e promoveu um interessante amistoso na Fonte Nova pras moscas que infestaram o sangue dos suburbanos na vitória por sete a três (sic!).
Aí se animou o vampiro e trouxe o Fortaleza pra guardar um banco de sangue de reserva para disputar o resto do campeonato. Mas a partida resultaria em nova derrota dos chupa-sangues por três a um.  O Nosferatu baiano logo seria acometido por novos ataques com a cruz na mão que lhe tirariam “do sério” ao empatar com Ypiranga e Botafogo por um gol.
                                             Esse bigode é de um vampiro do Congresso!

Três dias antes do clássico, pra treinar mais a equipe, providenciaria novo amistoso, agora com o outro cearense, o Ceará Sporting. Na ocasião, nova derrota tricolor, agora por dois a um. O resultado prenunciava maus augúrios para a partida contra o rubro negro, e não deu outra, perdendo por uma hóstia a zero.
Conseguiria a façanha de ficar em quinto lugar no segundo turno entre os sete clubes que disputavam o certame, apreciando “de cadeira” as finais do turno entre o rubro negro e o azulino, e as do campeonato, entre Vitória e Botafogo, onde seu inimigo se sagraria bicampeão, e o veria disputar a Taça Brasil.
O vampiro tricolor ficaria parado por mais de três meses, quando se recusaria (junto com outros clubes) a disputar o novo campeonato cujos jogos seriam realizados no campo da Graça. Nesse tempo atacou os poucos bancos de sangue que haviam em Salvador. Não tendo mais onde buscar sangue deu pra atacar mulheres menstruadas. Nosso vampiro nunca havia chegado tão baixo.
                                                          Coitado, faltou sangue!

Por ocasião das festas de São João resolveu trazer alguns incautos na Fonte Nova. Não era possível que nem este o ajudasse, mas o primeiro “amistoso” (pois o vampiro passou o jogo todo tentando morder a garganta do Leônico) terminou sem gols. Graças a Deus (ou ao Diabo?), no segundo amistoso, o vampiro conseguiria algum sangue ao derrotar os azulinos por dois a um. Mas, logo depois, seria derrotado pelo Fluminense de Ferira de Santana pelo escore mínimo.  
Mas a crise do futebol ameaçou seriamente a sobrevivência do vampiro, quando o governo do estado resolveu interditar a Fonte Nova. Aí foi um “Deus nos acuda” que levou mais de três meses. Enquanto isto seu arquirrival ganhava o primeiro turno no campo da Graça. Ao final os clubes acabaram entrando em acordo pra terminar a crise. Pra arranjar sangue o vampiro tricolor arranjou duas incríveis partidas, contra uma “seleção de bancários” e a ADESG. Assim não vale, mas pro vampiro valeu!
Estava muito fraco e com uma cor de Leite Ninho, mas conseguiu ganhar esses dois grandes adversários por um a zero e dois a um. Três dias depois, entretanto, iria a Cruz das Almas jogar contra a seleção local, onde perdeu por um a zero. Também com alma penada era fogo! Antes de começar o campeonato arranjaria mais três amistosos, contra Botafogo, Galícia, e. a Federação Universitária(sic!).
                                                            O torcedor do vampiro!

Podem falar mal à vontade, mas sangue é sangue venha de onde vier. Assim ganhou do Botafogo (1 X 0), levando algumas bolsas para casa, empatou com o Galícia em dois gols, e pegou o pouquíssimo sangue dos universitários ao derrota-los por três a dois.
O campeonato se iniciaria na véspera do Natal, mas o Bahia só jogaria na véspera do réveillon. Penalizados com o vampiro a FBF programou uma partida dele com o Estrela de Março, outro chupa sangue de seus poucos torcedores, e que só tinha perdido para Deus e o mundo, registrando-se até um dez a zero do Vitória e um nove a zero do Fluminense.
                                                                Esse é o próprio!
Aí o vampiro “lavou a égua”. Foi sangue pra todo lado na vitória por cinco à zero. Levaria ainda tempo pra voltar a ganhar alguma coisa na Bahia, mas, pelo menos, guardou uma boas bolsas de sangue em sua casa.

·         Agradeço as informações aos sites do RSSSF Brasil e Wikipédia, e ao Almanaque do Futebol Brasileiro. Sou grato ainda as imagens dos blogs desciclo.pede.ws,malvada-online.com,maniadeler-mbk.blogspot.com,redevampyrica.com,escelofonarios.com,barracodasmoreira.zip.net e eosmedeiros.wordpress.com.

domingo, 27 de março de 2011

Os visitantes noturnos

                 
                                          Nesses noventa minutos
                                          de amor e alegria
                                          esqueço a casa e o trabalho
                                          a vida fica lá fora

                          Milton Nascimento e Fernando Brandt


Há um filme chamado O visitante noturno que conta a história de um interno de um hospicio que tem a ideia fixa de escapar  para se vingar das pessoas que considera responsáveis por sua situação. O filme, dirigido por Laslo Benedict, tem um elenco de primeira grandeza com Max Von Sydow, Liv Ullmann e Trevor Howard, e cai bem no que passei em 1967.

Neste ano dividi minha atenção entre a musica e o futebol. Ouvia ás noites o álbum dos Beatles, Sargent Peppers Lonely Hearts Club Band, que, para mim, parecia ser o máximo em matéria musical. O campeonato baiano do ano anterior havia se iniciado na véspera do Natal e se prolongado até o mês de março. O Leônico conquistaria o título no mês seguinte em três partidas contra os leões da Barra.

Mesmo com o calendário apertado não deixou de haver jogos amistosos, tanto de times locais como com visitantes. Eles tinham uma curiosidade, eram realizados nas noites da Fonte Nova. Na época o tricolor baiano estava com uma equipe tão ruim na época que conseguiu perder todas as partidas. Seja as que fez contra times do Sul, Bangu e Comercial (SP) (0 X 1 e 1 X 2), seja as jogadas contra times locais, Leônico e Ypiranga (2 X 3 e 3 X 5).

                             Esse era fogo!

Logo após as decisões recomeçaram os amistosos, trazendo o XIII de Campinas. Os paraibanos jogaram contra Vitória e Galícia, perdendo as duas, por quatro a zero e dois a um. Antes de começar o novo campeonato seriam organizados dois torneios na Fonte Nova. O primeiro seria no fim de abril, com a participação da dupla BA-VI, do campeão Leônico, e do Clube do Remo do Pará, o primeiro visitante noturno. Um dia destes daremos mais detalhes da vitória paraense.

O segundo veio a seguir, em maio. Os baianos foram os mesmos, mas o convidado foi o Náutico de Recife, outro visitante noturno. Alguns dias antes do certame rubro negros e tricolores acham de fazer um jogo amistoso, que terminou empatado em dois gols. E, no dia sete de maio de 1967 jogam na preliminar Náutico e Leônico e, no jogo de fundo, mais um BA-VI. A rodada, entretanto, deixou tudo no mesmo. O clube timbu ainda empatou em um gol, mas o clássico terminou sem gols.

 Três dias depois foi realizada uma nova rodada. O Bahia fez a preliminar vencendo o campeão, os moleques travessos, por dois a um. Mas, na principal, o Vitória caiu perante os pernambucanos pelo mesmo placar. A decisão ficaria para a última rodada, quando, inclusive, podia dar uma zebra total, um empate de todos os clubes com três pontos.

                 Tsunami em Salvador não vale!

Foi em função desta perspectiva que fui á Fonte Nova. Mas, na preliminar, o Leônico, mais uma vez, acabou com nossas ilusões, vencendo o rubro negro por dois a um, o mesmo escore da trágica decisão de 26 dias antes.

 Quase não fico pro jogo de fundo entre Bahia e Náutico. Tudo parecia conspirar para que o tricolor ganhasse seu primeiro torneio neste ano. Mas o jogo surpreendeu os torcedores do Vitória. Os timbus jogaram ainda mais do que tinham feito antes, enfrentando o Bahia “pau a pau” fazendo com que o jogo tivesse alternâncias no placar. No final, não deu outra, comemoramos os três a dois para os pernambucanos.

Pouco depois começava o campeonato daquele ano. Um dos maiores de toda a história com a participação de quatorze clubes. Foi a primeira vez que o interior suplantou a capital, participando oito equipes.

Esse visitante morreu num estranho desastre neste ano

Foi durante o seu desenrolar que eu assisti as noites pela televisão ao Festival Internacional da Canção – FIC. Na ocasião a música Travessia, de Milton Nascimento e Fernando Brandt, ficaria apenas em segundo lugar, perdendo para Gutemberg Guarabira. Chico Buarque obteria um modesto terceiro lugar com Carolina, consagrando a postura de ficar na janela vendo o tempo passar.

Mas a sensação em matéria de musica seriam os festivais da Record que desbancariam o da TV Excelsior passando a ser o principal palco de disputa dos artistas. Eles preencheram as minhas noites de 1967. Foi á noite que chorei durante a interpretação de Roda viva pelo autor Chico Buarque e o MPB-4, música que deveria ter ganhado o festival, e também de noite que vi a vaia que “armaram” pra apresentação de Roberto Carlos.

Chegavamos em casa, jantávamos e ligavamos a TV pra ver Gilberto Gil fazer sua melhor apresentação nos festivais apresentando com o conjunto Os Mutantes sua música Domingo no parque. Mas a noite da sensação foi a do gesto de Sérgio Ricardo que atirou o violão no público durante as vaias da apresentação de sua musica Beto bom de bola. Gostei ainda da noite de Cantador, de Dori Caimmy e Nelson Motta, interpretada por Elis Regina, apesar de não lograr classificação.


 Foi neste tempo que as coisas começaram a se polarizar na chamada musica popular brasileira que lutava com dificuldade para ter seu espaço contra a chamada “música jovem”. E é durante esta disputa que surge o tropicalismo.

Confesso que tive simpatia pelo movimento pela presença de baianos. No entanto, logo pude notar o talento dos arranjadores, compositores e interpretes do grupo. Este apareceu para mim como uma síntese entre os dois gêneros com os quais me debatia ao fim dos anos 60: o rock das guitarras e as harmonias elaboradas da Bossa Nova. Repercussão especial me causaram músicas como Lunik 9, Onde Andarás Lindonéia e Baby, não por coincidência, todas relacionando letra e harmonia elaboradas em ricas e românticas melodias. 

Na busca do novo público que então ascendia ao consumo cultural, os tropicalistas traziam uma versão mais elaborada de música jovem, incorporando a realidade ao seu discurso musical, seja a que se expressava na vanguarda do rock internacional, seja a da participação política da juventude brasileira, exprimida, em boa parte dos casos, pelo tratamento inovador dado por arranjadores e compositores como Rogério Duprat, Júlio Medaglia e Damiano Cozzela.

                      Também teve isto em 67

E foi numa noite que Caetano aproveitou as vaias pra mostrar a intolerância reinante, aproveitando a ocasião para propagandear um discurso estético e político que serviu de referência do movimento que participava. Seu gesto de virar as costas para o público e o deste, ao proceder da mesma forma, se tornou antológico. Também na música não havia mais espaço para o intermediário. Era “calça de veludo ou bunda de fora”. Assim, a revolução cultural proposta por Caetano de derrubar as prateleiras, as estantes, as estátuas, as vidraças, louças e livros não encontraram eco.

O Galícia levaria o primeiro turno. Mas durante este daria tempo pra novo torneio,onde havia, além da dupla BA-VI, Galícia e Flamengo. Eram mais visitantes noturnos, mas só que, desta vez, o Vitória faturaria a taça. Ufa!



·          Agradeço as informações do Almanaque do Futebol Brasileiro e do site do RSSSF Brasil. Sou grato ainda as imagens do site cineplayers.com e dos blogs virtual.epm.br, hypercontraste.blogspot.com,epensenti.blogspot.com,forum.paodemuseu.com.br e metalclube.com.

sábado, 26 de março de 2011

Deu raposa na Fonte Nova

O timaço da raposa com Valderlei, Fontoura, Pedro Paulo, Wilson Piazza, Mário Tito e Raul(em pé), e o massagista "Nocaute Jack", Natal, Zé Carlos, Tostão, Dirceu Lopes e Rodrigues(agachados).      


No início dos anos 70, quando estavam em vigor os anos sombrios do ainda maior endurecimento da ditadura militar, prosperou a “pornochanchada”, quando assistíamos à ex-miss Vera Fischer, a Jardel Filho, Nuno Leal Maia, Milton Morais e muitos outros que tiravam a roupa para a glória da indústria cinematográfica nacional. Na época, morre a inesquecível cantora Dalva de Oliveira, e o poeta tropicalista Torquato Neto põe fim à sua inquietação criadora.

O carnaval de Salvador era patrocinado pelas cervejarias CIBEB e Carlsberg que financiavam os trios elétricos, e já se podia brincar o carnaval na sede do EC Vitória, que era situada em Amaralina. Nas ruas, se via o bloco carnavalesco Os internacionais e ainda dava para levar a família para a Avenida Sete.

Íamos pela manhã levando nossas cadeiras e as amarrávamos nas que lá havia. Quando chegávamos à noitinha para o desfile ainda estavam lá. Acreditem se quiserem, ninguém roubava! Começavam a chegar a público as atrocidades cometidas pela quadrilha do policial Manoel Quadros, versão baiana do esquadrão da morte e, a toda hora, apareciam mais corpos.

     Esse simpático pessoal ia pra rua por qualquer coisa!


Nessa época, a firma EMBACIL, de meu pai Franklin e meu tio “Zeca” estavam trabalhando na iluminação da construção do anel superior da Fonte Nova, e o campeonato de 1970 seria disputado no campo da Graça, dando uma final capital (Bahia) X interior (Itabuna) que o tricolor ganhou de balaiada.

Lembro-me que nesse ano, ao fim do governo de Luiz Viana Filho, lidei com a minha primeira greve, só que do lado patronal. Era fim de semana (quando os operários costumavam receber), e o Banco de Crédito Real, que funcionava no Relógio da Piedade, estava muito cheio. Assim, meu tio acabou passando do horário do pagamento do pessoal.

Foi um sufoco para meu pai. Eu e meu irmão tivemos de ir á Fonte Nova ajudar. Entramos no gramado e nos dirigimos ao escritório da firma que funcionava lá mesmo, improvisado nos vestiários. Os operários foram para o escritório e fizeram um escarcéu exigindo o pagamento. Ajudei a colocar um balcão para separar a administração do pessoal em fúria.



Tentamos contemporizar e pedimos para aguardar. Naquele tempo não tinha celular, então não podíamos saber quanto tempo ia demorar meu tio no banco. Quando o dinheiro chegou, foi um alívio. Nunca mais a EMBACIL foi buscar o dinheiro na hora. Meu tio passou a ser um dos primeiros a chegar ao banco.

As obras ficaram prontas no início de 1971. Depois foi só o acabamento pra reinauguração de quatro de março de 1971. Não foi contar de novo aqui o que ocorreu neste dia, pois consta de três artigos deste blog.

A empresa de meu pai e meu tio levou meses pra receber, pois, como é comum no Brasil, o novo governo, quando assume, demora em pagar a obra autorizada do governo anterior. A empresa teve que fazer um acordo com o governador ACM, sendo obrigada a dar grande desconto. Ele não gosta de falar nisso, mas desconfio que os seus colegas empreiteiros, como Norberto Odebrecht e Nilton Simas, sofreram a mesma chantagem.

                               Liz Taylor ainda tinha 39 anos!

Mas enquanto a EMBACIL passava esta situação, descapitalizando-se para futuras obras, um novo torneio seria jogado na Fonte Nova, o primeiro da nova gestão de ACM. Começou exatamente um mês após do primeiro, o da inauguração do estádio. Desta vez com a presença de Bahia, Galícia, Santos e Cruzeiro de Minas Gerais.

Confesso que não assisti a nenhuma partida, pois fiquei chateado com o fato do Vitória não ter sido convidado. Naquele tempo meu time ainda não havia sido incluído no Campeonato Brasileiro o que só ia ocorrer no próximo ano. Assim, somente me restou o recurso de acompanhar as partidas pelo rádio.

O tricolor baiano entrava fortalecido, pois havia se sagrado vencedor do torneio da inauguração com um empate contra o Grêmio, quando Oto Glória lhe ofereceu a taça. Ás vésperas do torneio a dupla BA-Vi faz amistosos, quando o rubro negro perde pro Atlético Paranaense por um a zero e o tricolor para o Botafogo (RJ) por quatro a dois, este último comemorando o golpe de 64(argh!). Bem feito!



A primeira rodada ocorreu em quatro de abril de 1971, com Galícia X Cruzeiro na preliminar, e Bahia X Santos no jogo de fundo. Na oportunidade o azulino bem que tentou, e até jogou bem, mas não conseguiu sobrepujar a maior categoria do time da raposa mineira que venceu por três a um.

A partida principal era aguardada com grande expectativa. Era a primeira vez que a equipe do Santos jogava na nova Fonte Nova, e não havia faltado quem propusesse o seu convite para os jogos inaugurais, uma vez que o clube havia decidido por três vezes com o EC Bahia a Taça Brasil. Foi um jogo excepcional, cheio de alternâncias no placar, mas ao final o tricolor acabou vencendo o peixe por três a dois.

A segunda rodada ocorreu três dias depois. Na oportunidade iriam se enfrentar na preliminar os derrotados da véspera, e no jogo de fundo os vencedores pra ver quem ia levar a taça. O Galícia, mais uma vez, jogou bem. Ameaçou até chegar a um melhor resultado, mas o Santos se impôs, reabilitando-se, vencendo os granadeiros por dois a zero.


E fomos para a partida principal entre Bahia X Cruzeiro, um dos jogos mais importantes que até hoje disputaram. O jogo foi equilibradíssimo. Começou com o tradicional estudo, mas depois os ataques se alternaram de ambos os lados. O Cruzeiro conseguiu fazer um gol e segurou sua vantagem até o final, mostrando que não tinha apenas um grande ataque, mas, principalmente, uma boa defesa.

Ainda viria muita gente boa a Fonte Nova este ano, apesar de faltar menos de oito meses para o réveillon. Além dos jogos do primeiro campeonato brasileiro, presenciamos ali o Atlético Mineiro e o Flamengo em maio (duas derrotas do Bahia, 0 X 1 e 1 X 3) e amistosos entre clubes locais em agosto e setembro.

O Vitória fez seu segundo amistoso na nova Fonte Nova em setembro, ganhando a duras penas do Fortaleza pelo escore mínimo. Logo depois traria o Bangu, com o qual jogaria duas partidas, empatando sem gols e perdendo por três a um.

                            Naquele tempo sumia gente!

Antes do fim do ano ainda viriam mais convidados. O XIII de Campinas empataria (1 X 1) com o misto do Bahia. O Vitória ganharia do Atlético Mineiro (1 X 0) e empataria com o América (RJ) sem gols. Já o Bahia venceria a Portuguesa de Desportos pelo escore mínimo.

Em dezembro a Fonte Nova veria seu último torneio do ano, com as duplas BA-VI e FLA-FLU, mas deu pó de arroz, num certame onde ocorreu carência absoluta de gols. A vontade de jogar no novo estádio passou todas as medidas, pois ainda viria o CRB, o Cruzeiro, o Náutico, e a dupla BA-VI passaria as festas natalinas jogando entre si.

O primeiro campeonato brasileiro levaria a grande desmoralização da CBD. Os esquemas que de há muito era notados ganharam dimensão nacional. O campeonato foi organizado em duas chaves utilizando um duplo critério de classificação para a fase final: o nível técnico e a renda. O processo, porém, estimulou muitas maracutaias com os clubes comprando renda pra subir na classificação. Mas “o fim da picada” mesmo foi o jogo entre Vasco da Gama e Palmeiras no Maracanã, cujos presentes estiveram muito longe de corresponder à renda divulgada.

   Se podiam nada faziam a não ser ganhar dinheiro com o Brasil! 

O povo baiano respondeu positivamente ao primeiro campeonato levando grande público á Fonte Nova e fazendo com que nosso rival, E.C.Bahia, ficasse entre os cinco melhores colocados no critério imoral. As baixas rendas de clubes do Sul, o novo estádio, o interesse da realização de uma mini copa e o ano eleitoral de 1972 fizeram o resto garantindo a entrada de dois clubes da Bahia. No entanto, a entrada do Vitória veio acompanhada de outros com menos tradição no futebol brasileiro. 



·         Agradeço as informações do Almanaque do Futebol Brasileiro e a foto do Museu dos Esportes. Sou grato também as imagens dos blogs felippeneri.blogspot.com,guiame.com.br,flickr.com,tempodebola.blogspot.com e sertaopauliustano.blogspot.com.