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domingo, 14 de agosto de 2011

Como se fosse a primeira vez


                                          E os atores ainda filmaram no Dique do Tororó! 

Gente, esta semana os baianos tiveram um grande consolo. Não é só a dupla BA-VI que tem que se preocupar com o rebaixamento o próprio poderoso EUA foi rebaixado pela agência Standard & Poor. É que o futebol da economia é sério, não tem FIFA, CBF, tabela arranjada nem juiz ladrão pra não deixar os clubes, digo países, grandes caírem.
Vá lá que gente fina é outra coisa. Ao invés de Primeira e Segunda Divisão também chamam lá “Séries A e B”. E, diga-se de passagem, o rebaixamento não foi nem da A pra B. É que lá tem séries pra cachorro, e aí inventaram o rebaixamento da série AAA para a série AA+. Pô mas porque + e não -? Garanto-lhes que se fosse o Brasil pegava logo um BBB! E olhem que nem a cota da TV deles vai baixar!  
                       Nesse tempo o futebol baiano era mais seco que o Deserto de Atacama!

Enquanto essas coisas acontecem o “democrático” governo britânico agora está censurando a internet e o celular. Quem diria que isso fosse acontecer na terra da Rainha Elizabeth? Agente pensava que isso só acontecia lá pras bandas da Líbia, da Síria, do Irã, do Afeganistão e outros países que costumam receber censuras da OTAN, do Conselho de Insegurança da ONU e de outros bichos por esses mal feitos. Quer dizer, não tem trocadilho certo. Além da repressão do governo Bashar (Assad) os manifestantes ainda tem que aguentar o governo inglês “baixar” o pau.
Mas mudando de um polo pra outro o que está me indignando mesmo é a nova pesquisa da loja Blockbuster que aponta quais os filmes preferidos para locação. Vocês sabem como funcionam agora as pesquisas de cinema. Nem perdem mais tempo telefonando pro pessoal, ficam nas lojas mesmo. E olhem que nem perdem tempo com a Blockbuster do Brasil ou da Bahia ficando lá mesmo pela loja nos EUA.
                                               O gringo Petkovic agora é estrela de cinema!

Mas, picuinhas à parte, o que não concordei mesmo foi com a classificação. Imaginem que o famoso Casablanca, que povoou a minha adolescência e fez suspirar os corações apaixonados, acabou ficando em segundo lugar, perdendo pra Como se fosse a primeira vez.  Aliás, foi o único de antigamente que teve vez, pois o terceiro lugar ficou com Harry e Sally – feitos um para o outro, o quarto para Penetras bom de bico (é demais!) e o quinto pra A princesa prometida.
Durma-se com um barulho desses e diga-se que dormiu! O campeão de locações é o dramalhão mais besta que se tem noticia. Fala sobre uma mulher que tem uma doença que a faz esquecer-se das coisas que se apaixona por um sedutor veterinário e vive uma história de amor que tem que se renovar a cada dia pra existir. Você conhece Drew Barrymore e Adam Sandler? Pois são os protagonistas do filme. Nada de Humphrey Bogart, Ingrid Bergman ou Marlon Brando.
                                   Os baianos apelaram pra tudo pra ganhar dos cariocas!

E o pior é que o roteiro é inteiramente copiado da Bahia. É claro que aqui não teve essa xaropada de doença rara onde só se esquece do que aconteceu no dia anterior, mas que a presença de alguns clubes visitantes mas pareceu com a primeira vez isso foi! O primeiro clube carioca a jogar na Bahia foi o Botafogo, que veio aqui em fevereiro de 1919, quando nem se pulava direito o carnaval e sapecou sete a um na seleção baiana no campinho do Rio Vermelho.
Os baianos ficaram com tanta raiva que só o trouxeram de novo 16 anos depois na conjuntura conturbada de 1935. Foi como se fosse a primeira vez. O time de General Severiano deu de sete no Vitória e de quatro no Bahia, só escapando o Botafogo (que empatou a quatro gols) e o Galícia, então demolidor de campeões, que o venceu por três a um. O negócio foi tão complicado que alguns dias depois estourou a revolução da Ação Nacional Libertadora que começou aqui perto, em Natal e em Recife.
                                           Não adiantava baiano e carioca não se bicavam!

Sete anos depois os baianos insistiram em trazer o alvinegro carioca. Foi como se fosse a primeira vez. O desgraçado chegou em janeiro de 1942 se aproveitando da preocupação dos baianos com a guerra e foi “sentando o pau” no pessoal. Mas parecia o governo inglês escondendo que o bairro de Totenham Court (onde começaram os distúrbios) tem a maioria dos jovens desempregados.
Começou dando de cinco no Botafogo, e quatro dias depois deu uma “colher de chá” empatando em quatro gols com o Vitória. Logo depois enfiou cinco no Galícia, e três no Bahia, conseguindo à custo o auri negro um empate em um gol. Aí então viajou pra Feira de Santana onde ganhou a seleção local por quatro a dois e finalmente cansou, perdendo pro tricolor por dois a um.
                                                 Os cariocas eram piores que o Tea Party!

Mas isso não aconteceu apenas com o primeiro clube carioca que chegou na Bahia, ocorrendo também com o segundo, o América FC, mostrando que era uma desfeita de caso pensado. Esse apareceu por aqui em setembro de 1921 estreando o novo estádio da Graça construído no ano anterior.  Foi uma “desgraceira no caminho da feira”. Começou abatendo o Combinado Baiano de Tênis-Botafogo (4 X 2), e depois foi derrotando a Associação Atlética (4 X 3), o Ypiranga (3 X 0) e o Vitória (2 X 1), só parando, à muito custo, na seleção baiana, que conseguiu a façanha de empatar com os americanos em um gol.
Depois vieram outros Américas mas nenhum igual ao original do Rio de Janeiro. Quanto ao original viria antes do carnaval de 1939, ano em que começou a guerra na Europa, mas não se sairia tão bem. Começou perdendo do Botafogo (1 x 2), e ganhou com dificuldade do Galícia (2 X 1), pra logo a seguir empatar com o Ypiranga (2 X 2) e tomar um “chocolate” do Bahia (4 X 1). O ameriquinha só voltaria à Bahia nove anos depois, pra vencer o Galícia (6 X 5), arrasar o Ypiranga (6 X 2) e perder na saída pro tricolor (1 X 2). Quase que era como a primeira vez, mas o time havia esquecido o que aconteceu como a mulher do filme.
                                Apela pra Ricardo Teixeira que ele dá um jeito nessa agência!

Mas não pensem que é brincadeira. Só não aconteceu com o terceiro carioca que nos visitou, o Vila Isabel (será diabo é isso?), porque este nunca mais voltou. Mas a mesma coisa sucedeu com o quarto e o quinto visitante daquele estado, o Fluminense e o São Cristóvão. Imaginem que o pó de arroz chegou em abril de 1923 e enfrentou a Associação no dia da mentira ganhando por três a um.
Pensaram até que era piada mas o poderoso Baiano de Tênis caiu também (0 X 2), obtendo à custo o Vitória um empate (1 X 1). Mas foi aí que surgiu o zagueiro Mica do Botafogo que, nas partidas sensacionais que o alvi rubro e a seleção baiana derrotaram os cariocas, respectivamente por dois a um e cinco a quatro, fez partidas impecáveis e acabou convocado para a seleção brasileira que iria disputar o Campeonato Sul-Americano. Mas na revanche Mica e Cia caíram por dois a zero.
                                               Os atores ficavam zanzando pela BR!

Quatro anos depois chegou o São Cristóvão. Estreou vencendo o mais querido por dois a um. Logo a seguir caíram Vitória (4 X 1) e Botafogo (3 X 1), salvou-se o Baiano de Tênis, que conseguiu um heroico empate a três gols, e tiveram que organizar às pressas um combinado baiano...só pra apanhar de três a zero pro time do padroeiro dos motoristas.
Os próximos anos foram muito humilhantes para os baianos que só ficavam lendo pelos jornais o time do santo apanhar de deus e o mundo no campeonato carioca. Aí decidiram chama-lo outra vez pra ver se não foi coincidência. Mas foi como se fosse a primeira vez. Até que quando os cariocas chegaram em agosto, cansados da viagem de navio, deu pro leão derrota-lo por dois a um.
                                                    Nem o homem de ferro daria jeito!

Aí os baianos pensaram que tinham pegado “o seu” carioca. Mas logo depois o time venceu o Dois de julho (3 X 2) e arrasou seguidamente a Galícia (8 X 1) e Botafogo (5 X 0). O Ypiranga foi destacado pra segurá-lo e nada, tomou de três a dois. Finalmente, foram buscar o Bahia que lutou bravamente e conseguiu um empate em um gol. Ufa, já vai tarde!
Mas ninguém queria se conformar com a situação. Perder pro Botafogo, Fluminense e América ainda valia mas do São Cristóvão era demais. Nem dois anos se passaram e lá veio de noivo o santo convidado. Foi em maio de 1935 e colocaram logo os times que estavam mais organizados para enfrenta-lo, Ypiranga e Galícia. Foi um massacre carioca, caindo o mais querido por seis a um e o antigo demolidor de campeões por cinco a um. Foi uma confusão só e ninguém mais queria jogar com o padroeiro.
                                                    Os baianos tentaram de tudo!

Mas aí entrou a Arquidiocese de Salvador. Já tinham inclusive derrubado a Igreja da Sé (merecendo passeata dos fiéis e tudo) e não se podia fazer outra desfeita à religião. Aí Bahia, Botafogo e Vitória tiveram que cumprir a sua via crucis. O tricolor caiu por dois a zero, o alvi rubro por quatro a três, e, o rubro negro, que desplante, por sete a dois. Tudo com dantes no reino de Abrantes, foi como se fosse a primeira vez.
Quando os baianos entraram na guerra já estava quase terminando. Foi aí que o padroeiro dos motoristas se aproveitou do fato de que muitos conterrâneos estavam na Europa pegando em armas pra defender a democracia que depois não haveria aqui. O São Cristóvão chegou logo após o carnaval e começou tapeando a galera. Nas suas primeiras partidas, o time da colônia espanhola (então tricampeão baiano) e o rubro negro conseguiram brilhantes empates em um gol.  Mas, logo depois, os cariocas arrasaram o poderoso Bahia por quatro a dois.
                                             Só enforcando mesmo o São Cristóvão!

Foi assim, porque repetiu a dose quatro vezes como se fosse a primeira vez, é que o desgraçado do São Cristóvão virou pernona non grata na Bahia. Pra não chatear muito vocês nem vou contar o que aconteceu com o Bangu, o Flamengo e o Vasco da Gama nas sacanagens que fizeram com os baianos nas primeiras vezes que surgiram na Bahia.

·         Agradeço ao Almanaque do Futebol Brasileiro.  

segunda-feira, 27 de junho de 2011

O Rio de Janeiro


O Rio de Janeiro continua lindo. E agora com o sucesso do filme Rio está com a “corda toda”. Olha que já haviam feito muitos filmes onde aparecia a cidade, de 007 a Walt Disney´, e tudo quanto é série norte-americana. A diferença é que agora Carlos Saldanha, o mesmo que ganhou dinheiro com a Era do gelo (lembram-se?), transformou a cidade maravilhosa em protagonista.
Em apenas três semanas o filme bateu todos os concorrentes arrecadando 448 milhões. A receita é simples: pega-se uma cidade inserida no roteiro mundial, faz-se com que a ação se desenrole em torno de seus pontos turísticos, e usam-se todos os clichês possíveis. No caso do Brasil, geralmente confundido com a selva amazônica, não faltam as araras, tucanos e todo tipo de pássaros. Mas, pelo menos é melhor do que a baixaria de O turista e tem gente que acha que isso divulga a cidade.
Mas o que não se fala no filme é em Salvador. Mas como é que se pode falar do Brasil sem falar da Bahia? Quando é que vai ter fim essa disputa entre as duas cidades? Se isto é alguma honraria os portugueses invadiram o Brasil pela Bahia e não pelo Rio de Janeiro. Durante três séculos tivemos o maior porto e só quando a corte portuguesa se mudou pra lá é que os cariocas levaram vantagem. Mas Dom João veio primeiro pra Bahia e foi aqui que abriu os portos as nações amigas, leia-se a Inglaterra.
                              Gisele já veio também na Bahia!


Foi uma época boa pros baianos que, inclusive, tinham mais deputados que qualquer estado. Mas, como todo mundo sabe que esses parlamentares só defendem os próprios interesses, isso não adiantou nada, pois a Bahia e o Nordeste foram ficando pra traz e o Brasil mudou para o Sudeste. Quando a tal da república chegou já era coisa da paulistéia, de carioca e mineiro, só conseguindo neste clube do bolinha os gaúchos, mesmo assim através de revoluções.
Foi só assim que o Rio destronou a Bahia. Mas disputa com o estado até hoje os turistas. Todo hora saem matérias pagas nos grandes veículos de comunicação exculhambando as coisas da Bahia. Do nosso futebol eles só falam pra botar defeito. Quando o Vitória deu de cinco a zero no Flamengo por uma dessas copas brasís da vida, a manchete foi
-Flamengo goleado na Bahia

                 Petkovic e Dom João vieram, primeiro pra Bahia!

Quem lê a matéria não sabe nem pra quem o clube da Gávea perdeu. Põe-se a culpa no juiz, na má vontade dos jogadores, nos erros do técnico, o “escambau”, o que nunca se diz é que os times baianos mereceram ganham pois foram superiores aos times cariocas. Mas isso acontece porque foram mal acostumados.
Houve um tempo em que os clubes cariocas só vinham passear na Bahia. Logo na primeira partida em que enfrentaram os baianos, antes do carnaval de 1919, o primeiro depois da Primeira Grande Guerra, o Botafogo massacrou um escrete baiano por sete a um no campo do Rio Vermelho.
                                                           Aqui também já teve pirata!


Depois foi a vez de o América aportar por aqui em setembro de 1921. Ganhou de um combinado Baiano de Tênis-Botafogo (4 X 2), da Associação Atlética (4 X 3), do Ypiranga (3 X 0), e do Vitória (2 X 1). Só a seleção baiana conseguiu, á muito custo, empatar em um gol. Dois meses depois, chegou o Vila Isabel, que era o time da escola de samba carioca. Mas não é que venceu o Botafogo (3 X 1) e o Baiano (2 X 1)? Tiveram que organizar um combinado com o nome do herói Henrique Dias pra vencer os diabos rubros cariocas por quatro a um, embora o ameriquinha, cinco dias depois, derrotasse a seleção baiana pelo escore mínimo.
O Fluminense inauguraria o estádio da Graça num primeiro de abril de 1923, mas não foi dia da mentira. É tanto que venceu a poderosa Associação Athlética por três a um. Acho que os baianos ficaram mais orgulhosos por ter, enfim, um estádio apresentável, e, apesar de Baiano e Botafogo serem derrotados por dois a zero, o Vitória conseguiu um belo empate (1 X 1) e Botafogo (2 X 1 e Combinado Baiano (5 X 4) também venceram o pó de arroz). Foi assim que o zagueiro alvi rubro Mica foi convocado para a seleção brasileira.
                                           Na Bahia teve Canudos que o Rio não tem!


Quatro anos depois, oi os cariocas de novo! Desta vez foi o São Cristóvão que passou os baianos “a limpo”. Começou vencendo o Ypiranga (2 X 1), e depois traçou o Vitória (4 X 1), Botafogo (3 X 1) e um combinado de Salvador (3 X 0). Só quem lhe fez frente foi o Baiano de Tênis ao empatar em três gols.
Os anos trinta foram abertos na Bahia pelo Bangu que “passou o rolo” nos clubes baianos. Estreou contra a Associação Athlética ganhando por cinco a dois. Logo a seguir aplicou o esdrúxulo placar de dez a um no Fluminense FC. A coisa estava tão fácil que perdeu de convencido para o Botafogo (2 X 4) e o Ypiranga (1 X 3), embora vencesse a revanche contra esse último por seis a quatro
                                                     Quem é que quer Ronaldinho!


A primeira vez que o Vasco da Gama jogou na Bahia foi em junho de 1931, perdendo de seis a cinco da Seleção baiana. Com o Flamengo ocorreu em novembro do ano seguinte, ganhando sucessivamente do Vitória (7 X 2), Botafogo (4 X 1), Ypiranga (1 X 0), Bahia (3 X 2) e Seleção baiana (3 X 1), embora tropeçasse na revanche contra o mais querido por três a dois.
Ao longo da década voltaria o São Cristóvão (agosto de 1933 e maio de 1935) e viria o Andaraí (novembro de 1933). O Botafogo só reapareceria em outubro de 1935 e o Vasco em abril de 1936. Em meados de 1937 chegaria o Madureira que ficaria mais de um mês na Bahia.   O Flamengo voltaria em março de 1938 e o América depois do carnaval de 1939.
                                   Na Assembléia Legislativa daqui também tem fantasmas!


O Bonsucesso foi o primeiro a chegar nos anos quarenta antes do carnaval de 1941. Empatou na estreia contra o Galícia (2 X 2) e ganhou do Ypiranga (4 X 2), mas perdeu para o Bahia (2 X 1). O Vasco voltou no mês seguinte, e o Botafogo, em janeiro de 1942. Durante a guerra ainda voltou o São Cristóvão, após o carnaval de 1944, e o Fluminense, no mesmo período do ano seguinte. O pó de arroz voltaria em 1946, 1947 e 1949, sempre acompanhado do Flamengo. O Vasco da Gama viria em 1946, América, Vasco e Bangu em 1948, e o Olaria em 1949.
Em 1950 chegariam na Bahia o Madureira e o Flamengo e, o Fluminense seria o primeiro clube carioca a jogar no novo estádio da Fonte Nova atuando no dia consagrado á independência do Brasil na Bahia, o dois de julho, ganhando o tricolor baiano por dois a zero. Os cariocas só voltariam ao estádio dois anos depois, em março de 1953, quando o Flamengo venceu a dupla BA-VI, respectivamente, por dois a um e oito a dois.  Mas, a partir de então, os confrontos passariam a ser mais equilibrados. O Botafogo compareceria á terrinha em dezembro, mas pra ser goleado pela Seleção baiana por quatro a um.
                                   Os cariocas não sabem o que é sofrer com Kleber Pereira!


Em 1954 viriam Vasco, Botafogo, São Cristóvão e Olaria, e em 1955, Flamengo e Olaria. 1956 foi a vez de Fluminense, Bangu e Botafogo atuarem em Salvador, ficando para o ano posterior o Flamengo, Bangu e Vasco da Gama. E os dois últimos anos da década viram Fluminense (três vezes), Botafogo, Bangu e Flamengo (duas vezes).
A década de 60 inaugurou os grandes certames nacionais, começando pela Taça Brasil e pelo torneio “Robertão”, uma ampliação do antigo Rio-São Paulo. A Bahia viu o Flamengo e Vasco (seis vezes), Bangu (quatro vezes), Fluminense (duas vezes), Botafogo, Olaria, América, São Cristóvão, Bonsucesso, Portuguesa e Canto do Rio.
Qual é, o Rio não tem nem acarajé!


Os anos setenta puseram fim, quase que definitivamente, os amistosos entre baianos e cariocas. Doravante se enfrentariam pelos novos certames criados, o Campeonato Brasileiro, a Copa do Brasil, por torneios locais ou de consolação para os eliminados do primeiro certame. Se retirarmos o ano da inauguração da Fonte Nova são poucas as exceções:

30.1.1972 – Vitória 1 X 0 Fluminense             3.9.1972 – Bahia 0 X 0 Olaria
21.2.1973 – Bahia 1 X 1 Flamengo                  6.6.1973 – Vitória 0 X 0 Flamengo
14.7.1973 – Vitória 0 X 3 Vasco da Gama      17.6.1974 –Bahia 2 X 0 Flamengo
19.2.1975 – Vitória 0 X 2 Fluminense            18.6.1975 – Bahia 2 X 1 Flamengo
29.6.1975 –Vitória 2 X 2 Fluminense             17.6.1976 – Bahia 1 X 1 Flamengo
28.11.1976 – Ypiranga 1 X 1 Volta Redonda 5.12.1976 – Vitória 3 X 1 Volta Redonda
29.1.1977 – Vitória 1 X 1 América                   27.2. 1977 – Bahia 1 X 3 Olaria
                               O Elevador Lacerda é muito mais antigo que o Cristo redentor!
   

4.5.1977 – Vitória 1 X 1 Flamengo                   5.7.1977 – Bahia 0 X 0 Flamengo
26.9.1978 – Bahia 2 X 1 Flamengo                   31.1.1979 –Bahia 1 X 1 Flamengo
9.5.1979 –Vitória 1 X 1 Flamengo                     16.12-1979 – Leônico 0 X 1 Fluminense
1.10.1981 – Bahia 3 X 2 Botafogo                     28.3.1982 – Fluminense de Feira 0 X 1 Botafogo
30.3.1982 – Vitória 1 X 1 Botafogo                30.1.1986 – Bahia 1 X 0 Fluminense
8.6.1986 – Bahia 1 X 0 Flamengo                       10.6.1986 – Bahia 2 X 1 Vasco
15.8.1987 – Vitória 2 X 1 Fluminense                28.6.1997 – Vitória 0 X 5 Flamengo (Barradão)
31.5 1998 – Bahia 0 X 2 Flamengo                      

·    Agradeço o Almanaque do Futebol Brasileiro, a Sandro Miranda, ao site gostodeler, e aos blogs poder-jovem.blogspot.com, rpsomlivr.com.br e viagemaquiabril.com.br.

quinta-feira, 19 de maio de 2011

Desventuras em série



                                                              Que cara cínico!


Nunca vou esquecer do Ano de 1959. Foi o único que começou com uma revolução, a cubana, que acompanhávamos diariamente pelas rádios e jornais, com a desconfiança de americanófilos jornalistas. Mais tarde começaria também a guerra do Vietnam onde o anão desafiaria e venceria o gigante de pés de barro. Um ano tão incrível que o presidente JK declararia moratória ao FMI.
O Real Madrid começa a entrar para a história ao vencer o Stade Reims conquistando a Taça dos Campeões da Europa que levaria por cinco vezes seguidas, Jack Brabham venceria a fórmula um do automobilismo e a Argentina o torneio de futebol dos Jogos Pan- Americanos em Chicago.
Foi um ano rico para o cinema onde assistimos Ben-Hur de William Wiler (lembram-se de Charlton Heston?), O diário de Anne Frank, de George Stevens, Hiroshima meu amor, de Alain Resnais, Porgy and Bess, de Otto Preminger, e até a produção franco-brasileira Orfeu negro, de Marcel Camus. Num mundo de atenções com Cuba não faltaria sequer Nosso homem em Havana, de Alec Guiness.

    
Só tivemos essa alegria neste ano!
Mas, devo dizer, infelizmente, que mesmo com essas alegrias meu ano esportivo e musical foi um verdadeiro desastre que teve desventuras em série, inclusive com a perda de importantes referências artísticas.
O Vitória começou o ano num dia treze de azar, garantindo ao Fluminense carioca sua primeira vitória na excursão que fazia na Bahia, caindo por três a zero! Três dias depois o time, que buscava voltar a ganhar o campeonato baiano, faria o mesmo com o Sport (0 X 2), na única partida que os pernambucanos ganharam esse ano na Fonte Nova. Mas além da queda coice, pois, cinco dias depois, saberia da morte do diretor de cinema Cecil B. de Mille quando ouvia pela rádio as últimas notícias dos “barbudos” de Cuba em janeiro. Foi uma grande perda para os filmes épicos.
O carnaval ia próximo, mas ainda passaria agua por debaixo da ponte até lá. É que os clubes cariocas visitariam o estado e, logo no dia primeiro, haveria uma concorrida rodada dupla na Fonte Nova. O rubro negro jogaria com o pós de arroz e o tricolor contra o antigo time de General Severiano. Mas deu chabu, o Vitória perdeu de dois a zero e o Bahia só de um. Lembro-me bem, pois dois dias depois morreria uma legenda do blues Buddy Holly aos 23 anos de idade. Nem tinha acabado o mês e os leões da Barra perderiam novamente, agora para um misto do Vasco da gama por um a zero. Era demais!

                       Foi pior que perder do Bahia de Feira!
O jeito foi esquecer as mágoas no carnaval pulando na Rua Chile. Em março assistiríamos á passagem do Taubaté de São Paulo (já ouviram falar?) que vinha fazendo uma inédita excursão pelo Norte e Nordeste. Na ocasião aproveitaram pra trazer o único dos grandes clubes cariocas que faltava, o Flamengo e organizaram um torneio.
Os torcedores rubro negros riram á tôa quando o tricolor empatou com esse clube do interior paulista em dois gols, ainda mais que empatamos com o poderoso time da Gávea pelo mesmo escore. mas a alegria se transformou em tristeza três dias depois quando perdemos para o tal do Taubaté por três a um! Pra piorar o nosso arquirrival ganhou do Flamengo por dois a zero. Graças a Deus o torneio foi suspenso quando estavamos a pique de perder outra vez. Acho que sumiram com a taça.
Mas não escaparíamos ilesos. É que duas semanas depois arranjaram um "caça níquel" entre a dupla BA-VI e meu pai nem me levou ao estádio, tendo que suportar Zé Athayde narrar a goleada que sofremos de quatro a um.

                                Ih, é só isso que é desventura?

O certame baiano começava com o Bahia na frente. Graças a Deus o Vitória só traria clubes de fora no mês seguinte, fazendo com que, pelo menos, eu comemorasse aniversário em paz.  Mas no dia dez de maio o sofrimento retornaria pois o Cruzeiro faria uma excursão ao estado e faria sua estreia logo contra o Vitória conseguindo o seu único sucesso na temporada, dois a um.
Os torcedores e dirigentes reclamaram muito. Mas porque colocavam sempre o Vitória "de gaiato"?Acho que a queixa funcionou pois quando o Atlético Mineiro chegou, logo depois, desta vez quem "entrou pelo cano" foi o tricolor perdendo por dois a uma, enquanto o rubro negro faria a façanha(acreditem!) de ganhar por um a zero! Lembro-me bem desta partida pois ocorreu dois dias depois do diabo levar pro inferno o secretário de estado norte-americano John Foster Dulles.
Choveram pedidos na sede do Vitória pra não programar mais jogos com times de fora encerrando com este sucesso o ano, mas qual! Só que neste ano uma reunião da confederação sul-americana criou a Taça Libertadores, e aí a CBD acabou criando também a Taça Brasil pra definir o representando do país que a disputaria. Foi muita sacanagem com o rubro negro. Porque não a criaram dois anos atrás quando ´fomos campeões?

                               Só matando mesmo Osório!

Bem, pra encurtar a história passamos o segundo semestre vendo o Bahia ganhar de seus adversários neste torneio e o Vitória ir mal das pernas no certame local. Rezávamos de pés juntos pra acabar logo aquele ano e o nosso sofrimento. Mas tinhamos um consolo, o que poderia nos acontecer de pior do que tinha ocorrido? Não sabíamos de nada..
Em julho foi duro o golpe da perda da maior cantora da história, minha amada Bille Hioliday, com apenas 44 anos e o time continuava mal no campeonato.E em agôsto, o mês das tragédias, o São Paulo resolvia excursionar na Bahia.  O jogo contra o rubro negro foi o segundo e notei meu pai preocupado no estádio, mas acabamos empatando ás duras penas por dois gols. E imagine, depois do sufoco, a diretoria teve a "cara de pau" de acertar uma revanche na semana seguinte para Aracaju, mas a partida terminou com um novo empate, desta feita por um gol. Foi nesse dia que jogaram em Salvador Bahia e CSA pela taça onde o tricolor ganhou por dois a zero eliminando os alagoanos.
O mês de setembro foi de desgosto, estávamos mal no certame baiano, a Argentina ganhou os jogos olímpicos e o Bahia eliminou o Ceará após dois empates. O jogo desempate foi no dia 29 tendo o tricolor vencido por dois a um. E o que dizer de outubro? No dia 14 morria o grande ator Errol Flynn, e quatro dias depois, inventavam um novo BA-VI. Nesse dia nem fomos ao estádio e confesso que liguei o rádio já no meio do jogo em virtude da preocupação.Mas deu pra empatar por um gol. Aliás nunca entendi porque chamam essas partidas entre a dupla de "amistosos"!

                   Perto da desgraça do Vitória essa é fichinha!

Mas continuaram as tragédias. No dia 23 morreria a cantora Dolores Duran(com apenas 29 anos) , uma semana depois, nosso rival faria a primeira partida contra o Sport ganhando por três a dois. Além da queda coice pois o tricolor ameaçava ir longe nesta tal de "Taça Brasil". Mas o consolo viria no último dia do mês quando o bahia foi arrasado na Ilha do retiro por seis a zero.
Confesso que, fora o meu aniversário, foi o único dia em que rimos lá em casa neste ano. Parecia que o ano não terminaria tão mal. Mas naquele tempo não havia saldo de gols, assim foi necessáriua uma terceira partida, e aí, empleno dia de finados, por mais incrível que possa parecer, o tricolor enterrou um Sport de "sapato alto e tudo" por dois a zero.
O Vitória havia parado de jogar amistosos, agora só perdia no campeonato local. De maneira que a nossa diversão era torcer contra o rival nesta tal de taça nas semifinais, onde tinham sobrado, além dele,  Santos, Grêmio e Vasco. As disputas começaram em 17 de novembro, mesmo dia em que morreeu Villa Lobos, o maior compositor de música erudita no Brasil, e Pelá e Cia despacharam os gaúchos por quatro a um. Depois tivemos que assistir pelo rádio o tricolor ganhar dos cruzmaltinos em pleno Rio de Janeiro pelo escore mínimo.

                         Cadê voce Pelé, porque se escondeu?
Mas, enquanto o peixe empataria em Porto Alegre, o esquadrão necessitaria de uma terceira partida para eliminar o Vasco pois perderia a segunda em plena Fonte Nova por dois a um. No dia 26 de novembro, enquanto os capitalistas viam com preocupação Che Guevara assumir a presidência do banco Nacional de Cuba o bahia passava pelo Vasco na Fonte Nova ganhando por um a zero.
Dezembro prometia fortes emoções. O Vitória continuava !ararstando lata" e o nosso inimigo juramentado iria decidir um título nacional. Até hoje acho que os paulistas desprezaram os baianos. Meu pai acompanhou com atenção naquele dia dez o jogo da Vila Belmiro. O Santos abriu o placar e levou uma "virada" tricolor. Aí foi "pra cima" e, despreocupando-se da defesa, conseguiu empatar mas tomou um gol de Alencar em cima da hora nos últimos minutos quando presssionava o Bahia.
A Fonte Nova estava superlotada na véspera do reveillon, quando acharam de colocar a segunda partida da decisão.É claro que eu e meu pai não fomos, azaramos o Bahia de casa mesmo. Mas perdemos uma exibição de gala de Pelá e Cia que fizeram pouco com os sonhos tricolores na fonte do futebol derrotando-o por dois a zero.

                          E  ainda tivemos de ler os jornais!


Parecia que o nosso sofrimento tinha terminado. O Vitória não arranjara nada naquele ano azíago, mas pelo menos o tricolor havia perdido as asas. Mas não perdíamos por esperar. O título não foi decidido na semana seguinte como mandava o regulamento. Pareceu coisa de liquidação de fim de ano quando se começa a pagar em abril.
Foi nesse mês que o ano de 1959 terminou para a Bahia. Depois de excursões do time peixeiro,das esperteza do dirigente Osório Vilas Boas, da contratação do técnico argentino  Carlos Volante, da seleçãoa baiana ser esmagada pelos paulistas no Pacaembu por sete a um, da contusão de Pelé e de outros jogadores santistas, o bahia ficou com á taça após vencer um peixe arrogante(3 X 1)no Maracanã que terminou a partida com sete jogadores.
Vade retro 1959, ninguém aguenta mais um, ano desses!

* Agradeço as informações do site Bola na Área, do Almanaque do Futebol Brasileiro e do Setor de Periódicos Raros da BCE.

terça-feira, 12 de abril de 2011

Chumbo grosso!

    
O ano de 1975 foi um ano atípico no futebol baiano. O Bahia começaria o ano com um amistoso caseiro com o mais querido obtendo empate em um gol. Os clubes aproveitaram pra jogar antes do carnaval. E aí o Botafogo sofreu fracasso financeiro ao trazer o XIII de Campinas (PB), empatando em três gols na Fonte Nova, e o Vitória resolver trazer nada menos que o Fluminense carioca pra “ganhar algum”.
Em matéria de dinheiro sairia “elas por elas” mas no futebol quem venceria seria o pós de arroz aplicando dois a zero no rubro negro. Os leões da Barra, porém, insistiriam, programando mais um amistoso, desta vez com o Ypiranga perdendo de “gude preso”. Chumbo grosso!
Três dias depois estrearia no campeonato baiano sendo mais feliz, ao ganhar do Itabuna por três a zero na Fonte Nova. Lembro-me que as derrotas tinham a “justificativas” que eram amistosos só pra entrosar o time. Fui nesta conversa e vibrei com a nossa estreia. Mas, no meio da semana a desgraça, perdemos de um a zero pro Botafogo. Depois veio um empate com o Leônico. Enquanto isto o tricolor já tinha cinco pontos, com duas vitórias e um empate.
                                                          O cara é brincadeira!
Até o fim de março, porém, o time se recuperaria, ganhando fora de casa do Jequié (1 X 0) e do Ypiranga (2 X 0), mas o tricolor ia também do mesmo jeito. Os dois só se “pegaram” uma semana antes do meu aniversário de 27 anos, 17 de abril, empatando sem gols. Depois daí o rubro negro conseguiria ganhar do Galícia (1 X 0) e do Fluminense de Feira de Santana (3 X 1), terminando o turno em segundo lugar, com dois pontos atrás do Bahia.
No quadrangular final, no entanto, foi um desastre, sem ganhar de ninguém. Fiquei “doente” pelo ponto que perdeu logo na primeira rodada, ao empatar com o Atlético de Alagoinhas (1 X 1), enquanto o Bahia saía na frente ganhando do Botafogo (1 X 0). Mas no meio da semana seria ainda pior, quando perdemos para os diabos rubros (1 X 2), embora o tricolor também empatasse com a equipe da terra da laranja.
Já chegamos sem chances no domingo, quando, pelo menos empatamos, de novo sem gols, contra o Bahia, mas, como o Atlético só empatava em um gol, desta feita com o Botafogo, a taça foi pra Boca do Rio (onde o esquadrão de aço tinha a sua sede).Chumbo grosso!
                                                              Até o Rambo!
O segundo turno começou com uma rodada dupla que fui assistir, num domingo, 21 de maio. Deixei Cybele sozinha pra assistir, debaixo do sol, aquela preliminar chinfrim, onde o Vitória jogava com o Jequié. Mas nem, o Todo poderoso faria o time ganhar naquele dia. Ah os gols que perdeu debaixo da trave! Acabaria empatando sem gols. E o pior é que teríamos de assistir o jogo principal ponde o Bahia começava o turno ganhando do Itabuna (2 X 1).
Fiquei com tanta raiva que não fui ao jogo seguinte, contra o Leônico. Foi um dos atos mais errados de minha vida. É que neste dia o time estava “com a macaca” e enfiou oito a um no mesmo moleque grená que havia empatado no primeiro turno. Só o ponteiro Osny fez quatro gols, completando André (3) e o lateral Cláudio Deodato. Renê fez o “gol de desonra” do Leônico e nem comemorou. Não era pra menos! O resultado deu a maior animada no clube, ainda mais que o Bahia havia novamente empatado em um gol com o Atlético.
Agora o rubro negro iria jogar em Feira de Santana, de onde trouxe mais uma vitória, dois a um contra o Fluminense. Mas o tricolor ganhou também, o “clássico do pote” contra o Botafogo (2 X 1). Continuamos pelo mês de junho ganhando de novo o Ypiranga por convincentes quatro a dois. Logo depois o aurinegro traria o Vasco da Gama na Fonte Nova, tentando reeditar seus tempos de glória, mas perderia pelo escore mínimo.
                                      Serão os imperialistas atrás do petróleo da Líbia?

A maré do Vitória acabaria em Itabuna no dia 15 de junho nos pés do atacante Da Silva, responsável pela nossa derrota por um a zero. Três dias depois eu acompanharia pelo rádio o tricolor ganhar do Flamengo por dois a um mostrando continuar em boa fase! Será que levaria o “tri”. Só em pensar nisto dava um arrepio na espinha! No entanto, o BA-VI, jogado quatro dias depois deu novo empate (1 X 1), marcando Osny para o rubro negro e Douglas para os tricolores, todos dois, por coincidência, vindo do Santos FC.
O Vitória aproveitaria uma data pra trazer novamente o Fluminense carioca. O jogo foi muito disputado e mostrou que o rubro negro já estava à altura dos grandes times, terminando em um empate de dois gols. Três dias depois, cederia jogadores para a celebração do Dois de julho com uma grande partida entre a Seleção baiana e a Seleção mineira.
A equipe baiana na ocasião foi quase um combinado BA-VI acabando por obter um empate em um gol contra os fortes mineiros. Acho que tudo isto inspirou o rubro negro para que, uma semana depois, fize4sse uma exibição contra a boa equipe do Botafogo vencendo por quatro a zero, dois gols de Jorge Costa e dois de Osny (sempre ele!).

As esperanças voltaram...até a próxima rodada quando não saímos do zero contra o Galícia. Mas, pelo menos, conseguimos depois furar a “retranca” do Atlético, vencendo-o na Fonte Nova por dois a um encerrando a fase classificatória do segundo turno. O Vitória ficava mais uma vez em segundo, a um ponto do Bahia, e os mesmos clubes se classificaram.
Fomos então para a fase final que começa com nova rodada dupla. Vitória e Botafogo e Bahia e Atlético. Como jogávamos na preliminar os jogadores tiveram de pegar muito sol. Bastava repetirmos o resultado anterior pra começar bem, mas qual, não teve jeito de marcar contra os alvi rubros que acabaram conseguindo um empate sem gols. Quanto ao Bahia havia cometido o erro de jogar na véspera contra o Botafogo do Rio de Janeiro, num amistoso que venceu por uma zero. O esforço repercutiu na partida que terminou empatada por um a um. Naquele dia faltou pouco para o time da laranja despachar o tricolor.
No meio da semana tive que chegar da Escola de Música mais cedo pra pegar a preliminar, onde conseguiríamos a façanha de ultrapassar a “retranca” do Atlético. O gol de Osny saiu “a muque”. Mas, na partida principal o Botafogo degringolou tomando de quatro do tricolor. Ficavam elas por elas, mas o pior é que o saldo do Bahia era inalcançável.  No domingo o Botafogo perdia de novo (1 X 2) pro Atlético. Só tinha vindo neste turno pra atrapalhar a vida do rubro negro. Quanto ao BA-VI terminou no quatro empate este ano. Douglas, mais uma vez, marcou pro tricolor, enquanto André assinalaria pro rubro negro.

                                                            Vejam que covardia!
Como o Bahia tinha ganhado dois pontos por cada turno que ganhou e o Vitória um ponto, teve uma partida extra entre os dois no dia sete de agosto. Naquele tempo os jogos entre eles eram muito equilibrados. Todo mundo apostava num empate. O Vitória até que tomou mais a iniciativa conseguindo ter certo domínio da partida mas depois o Bahia equilibrou as ações.
No fim do jogo fizemos as substituições de praxe pra tornar o time mais agressivo, mas uns quinze minutos antes do final eu e meu irmão “Toínho” corremos pra entrada das arquibancadas da torcida do Vitória.  Chumbo grosso!  Nas finais de quase toda a década de setenta era lá que ficávamos, saindo nos momentos finais do jogo e subindo rapidamente a Ladeira da Fonte pra não ver a comemoração tricolor de mais um título.
O campeonato brasileiro só começou duas semanas depois do final do certame baiano. Eram 42 clubes (vige Nossa Senhora!) divididos em quatro chaves, onde as A e B tinham dez e as C e D(exatamente as que os baianos participavam) tinha onze. Mas se classificavam cinco de cada chave. Não era possível que ficássemos de fora.
                                                                      É mole?
O Vitória pegou logo duas partidas fora de casa em apenas três dias. Mas começou bem, empatando com a Desportiva (ES) sem gols. No entanto, no sábado, foi arrasado pelo Internacional por cinco a zero. Foi o maior baixo astral lá em casa! Aí começamos a desconfiar que poderíamos não nos classificar.
O Bahia começou também empatando sem gols, só que contra o Flamengo na Fonte Nova no domingo. Mas no meio da semana cairia para a Portuguesa de Desportos por dois a um. Mas, na próxima rodada se recuperaria ganhando do Santos na Vila Belmiro (2 X 0) enquanto o Vitória empatava com o Vasco da Gama na fonte do futebol em dois gols.
Na sexta rodada vinha o clássico baiano, o qual, adivinhem o resultado...novo empate, deste vez por um a um. Era o sexto aquele ano! O Vitória continuava sem ganhar apanhando, na sétima rodada, para o São Paulo no Morumbi por três a zero. Tínhamos chegado à metade do certame e o rubro negro não tinha ganhado uma. Que fazer? Desse jeito estávamos arriscados de ficar com a lanterna. Mas o Bahia também deu pra empatar.

Iriamos fazer agora duas partidas fora de casa, o nosso desespero. Nelas fizemos a façanha de perder para o CEUB (o que é isto?) de um a zero, e, depois, para o Goiás, pelo mesmo escore. Faltavam só quatro rodadas e, nas duas seguintes, jogaríamos com clubes do Nordeste na Fonte Nova. Só então o clube resolveu dar o ar de sua graça. Venceu o Náutico, de forma convincente, por dois a zero, e, logo depois o CSA de Alagoas, por dois a um.
Depois sairia pra jogar duas partidas fora de casa, terminando a fase do certame. Na primeira conseguiu ganhar do Americano de Campos por um a zero, animando a torcida pois passou a disputar a classificação.
A coisa ficou assim no Grupo C. O Flamengo e o Grêmio já estavam classificados. Mais ainda tinham três vagas a ser disputadas por América (RN), Figueirense, Santa Cruz, Portuguesa de Desportos, e...Vitória. Bastava ganhar o Sport pra estarmos dentro. A Portuguesa empatou e o América perdeu, embora o Santa Cruz houvesse ganhado do CSA (1 X 0). Aí tivemos de torcer pro Bahia, que não aspirava mais nada, ganhar na Fonte Nova do Figueirense.
                                                                 Poxa, de serra não!

Imaginem o que aconteceu? A classificação foi pro brejo pois perdfemos pros pernambucanos (0 X 2) e os próprios torcedores tricolores pediram pra equipe entregar o jogo, sendo esta derrotada por um a zero. Mais um sonho de uma noite de verão que se ia. O ano tinha mesmo sido chumbo grosso pro rubro negro baiano! Vitória e Bahia ficaram em oitavo em seus grupos. Chumbo grosso!
Mas era ainda cinco de outubro e ainda tinha mais de dois meses pra encerrar o ano. O que faria a dupla até lá? Era prejuízo na certa, e ainda tinha que pagar o 13º aos jogadores e funcionários! Aí entrou a mão salvadora do Estado. O governador Roberto Santos inventou tal de Torneio Cidade de Salvador, investindo maciços recursos da Bahia para “salvar a cara” dos clubes. Já tinha passado o aniversário da cidade(que era em 29 de março) mas insistiram em comprar uma taça e colocar seu nome.
Foi o maior torneio da história da Fonte Nova. Até então a praxe era fazer um quadrangular convidando um, dois, ou até três clubes de fora.  Mas deste vez foram convidados Santos, Vasco da Gama, Atlético Mineiro, Remo, Figueirense e Curitiba. Foi um mini campeonato nacional. Era a oportunidade pra um dos dois, Bahia ou Vitória, terminarem o ano bem.

O torneio começou em 25 de novembro com uma rodada dupla reunindo o clássico Vasco e Santos e Bahia e Remo, com os jogos não passando de empates em um gol. Logo depois nova rodada, entre Vitória e Figueirense e Atlético Mineiro e Curitiba. Na preliminar os mineiros ganhariam de dois a zero dos paranaenses, mas, no jogo de fundo, tivermos que amargar nova a derrota do Vitória pelo escore mínimo. Assim ficava difícil!
No dia 30, porém, ganharíamos o primeiro clássico este ano, no sétimo BA-VI, por um a zero, no sufoco. O jogo seguinte seria contra o Atlético e, se ganhássemos, disputaríamos a liderança com o Santos. A torcida rubro negra acorreu. Viu na preliminar o Vasco derrotar o Remo por três a dois, mas, na principal, o Vitória esteve irreconhecível, caindo de quatro a um.
Na semana seguinte o tricolor conseguiria um bom empate com o peixe em um gol. E, na próxima o Vitória desandava, perdendo pros cruzmaltinos por três a um. No outro dia o tricolor empatava de novo, agora com o Curitiba sem gols. Mas, graças ao regulamento esdrúxulo o Vitória se classificou. Irias pegar o Vasco, se passasse, o Santos na final.
                                É ver se ganhamos uma!

Foi com muita felicidade que vimos, há duas semanas de terminar o ano o nosso rubro negro ganhar da equipe de São Januário por um a zero. Fez um gol e jogou a bola “pro mato” pra garantir o resultado. O Vasco já tinha ido, agora era pegar o peixe no outro dia.
Foi um dos maiores públicos do torneio. Mas a alegria dos torcedores rubro negros não demorou muito. Logo o time do Santos começou a tomar conta das ações e mostrar que era superior. A bola foi entrando uma, duas, três vezes, na meta do Vitória, quando o Santos parou. Não precisava mais, havia ganhado o título com o nome da cidade. Chumbo grosso!

·          Agradeço as informações dos sites RSSSF Brasil e Bola na Área, e do Almanaque do Futebol Brasileiro. Sou grato ainda as imagens dos blogs sobrenada.org,baziingaa.blogspot.com,remilton.zip.net,wagnermarques.blogspot.com e porraman.com.

quinta-feira, 7 de abril de 2011

A era do gelo no futebol

      
A “república” no Brasil afirmou que acabou com a monarquia. Mas isso não aconteceu no futebol que, desde que foi criado, os clubes do eixo Rio - São Paulo reivindicaram o “direito de nascença” na região. Assim, os clubes das demais regiões viveram por muito tempo uma verdadeira Era do gelo até que fossem aceitos no circulo fechado da elite do futebol brasileiro. A Bahia sofreu com isto mesmo que o futebol fosse aqui introduzido na mesma época em que surgiu no Rio-São Paulo.
Muitas coisa mostram isso com clareza. Durante certo tempo a seleção “brasileira” só jogou em São Paulo. Só com muita reclamação dos cariocas é que dividiram o bolo, indo jogar também no Rio de Janeiro.  Passariam décadas até que fosse convocado um jogador fora deste eixo, Mica do Botafogo baiano em 1923. Nosso estado contaria com a honra de ser o primeiro que a seleção visitou, em 1934, vinte anos depois de começar a existir.
Isto também pode ser observado no intercâmbio desigual entre os clubes das regiões. A primeira visita de equipes do Sul á Bahia só ocorreu após a Primeira Grande Guerra, quando o Botafogo carioca arrasou a seleção baiana no antigo campo do bairro do Rio Vermelho por sete a um!
                                                      Veja a desproporção com os baianos!
Nos anos vinte esses clubes só vieram “passear” em Salvador. O Comercial(SP) derrotaria a nossa seleção(2 X 1) e junho de 1920. Um ano depois seria a vez do América carioca e do Vila Isabel(!), que juntos jogaram nove partidas ganhando sete, empatando uma(Seleção baiana 1 X 1 América) e perdendo uma (Combinado Henrique Dias 4 X 1 Vila Isabel).
Em abril de 1923 o Fluminense seria o primeiro clube carioca a jogar no recém construído estádio da Graça. Mica foi convocado porque sua equipe, o Botafogo, conseguiria vencer o pó de arroz(assim como um combinado baiano em que ele jogou)por dois a um. Quanto ao resto foi tombando um a um, os famosos Associação Atlética(3 X 1) e Baiano de Tênis(2 X 0), e o próprio Botafogo(2 X 0), conseguindo o Vitória um  empate em um gol.
Quatro anos depois o São Cristóvão nos visitaria. Continuavamos na geladeira, vendo nossos melhores times serem batidos, Ypiranga(2 X 1), Vitória(4 X 1), Combinado de Salvador|(3 X 0), conseguindo á muito custo o Baiano de Tênis obter um empate em três gols.Antes de terminar a década, em maio de 1929 viria o Santos, para ganhar de “Deus e o mundo”. Daria goleadas humilhantes na Associação(8 X 1)  e Ypiranga(5 X 2) e venceria o Baiano(4 X 2).
Se daria ao luxo de escalar o time misto pra derrotar o combinado Fluminense-Guarany(5 X 3) e empatar com a seleção baiana em dois gols. Até esta época os baianos tinham jogado vinte e sete partidas contra as equipes do Sul, perdendo vinte, ganhando apenas três e obtido quatro empates.
                                                     A agua não estava pra peixe!

A Era do gelo durou por toda a década de trinta. Vieram aqui o Bangu(1930), o Vasco da Gama(1931), o Flamengo(1932), o Andaraí(!), São Cristóvão e o Bandeirantes(!)(1933), a seleção paulista e a seleção brasileira (1934),o Brasil(1935), de novo o São Cristóvão e Botafogo, e o Espanha(1935), voltaram por aqui o Santos e o Vasco(1936), o Corinthians(1936), Madureira, São Paulo Athlétic, Palestra Itália, e mais uma vez o São Cristóvão(1937), mais uma vez Corinthians e Flamengo(1938), e, por último outra vez América e Santos(1939).
A estatística da década é enganadora. Se olharmos os números frios perceberemos uma ampla vantagens dos sulistas, com os baianos sofrendo 59 derrotas, 35 vitórias e quatorze empates.  No entanto a coisa é bem pior se tirarmos os inexpressivos Andaraí, São Paulo Athlétic, Madureira, Bandeirantes e Hespanha, da conta, o que reduz as vitórias para apenas 18.
A Era do gelo invadiu os anos quarenta dando a impressão que duraria milhões de anos como sua congênere famosa fez com o planeta. A “sorte” dos baianos é que houve uma guerra que reduziria bastante o intercâmbio. Desta forma só apareceram por aqui Vasco e Bonsucesso(1941)(, Botafogo(1942), o sempre presente São Cristóvão(1944), e, logo que acabou a guerra Corinthians, Fluminense e Internacional(1945), Bangu(1948) e Olaria(1949).
                                                      Não dava nem pra se equilibrar!

Os clubes da Bahia só ganharam quatro partidas, perdendo dezenove e empatando dez. O último ano em que só o campo da Graça existia teve ainda por aqui o Atlético Paranaense, o Grêmio, e os cariocas Madureira e Flamengo possibilitando resultados melhores.
A primeira década do novo estádio da Fonte Nova coincidiria com a última da Era do gelo. Novamente o primeiro visitante seria o Fluminense, seguido pelos cariocas América, Bangu, Flamengo, Botafogo, Vasco, Olaria e Madureira, alguns mais de uma vez. Os paulistas do Palmeiras, Santos, Portuguesa, Corinthians, São Paulo e Taubaté. E ainda alguns mais na véspera da inauguração da Fonte Nova. São 37 derrotas, vinte vitórias e vinte empates.
                                                        O torcedor ficava gelado!

O seu finzinho foi o início de uma nova condição, possibilitada com o “degelo” que representaram as excursões da dupla BA-VI á Europa e a aderência definitiva ao profissionalismo. O frio do Sul nunca mais assustaria os baianos. Acabara definitivamente a época dos passeios na Fonte Nova, que havia levado quarenta anos, muito menos do que a verdadeira era do gelo.

·          Agradeço as informações do Almanaque do Futebol Brasileiro e do Setor de Periódicos Raros da BCE. Sou grato ainda as imagens dos blogs fica-dica.com,tipojosewilker.blogspot.com,downloads.openygroup.com e donodaverdade.com.br.