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segunda-feira, 22 de agosto de 2011

À procura da felicidade


O filme À procura da felicidade, do diretor Gabrielle Muccino, foge da safra habitual hollywoodiana mostrando um vendedor que, numa situação de total insolvência financeira, é abandonado pela mulher, perde a casa, vira pai solteiro, e tem que apelar pra sobreviver. Podia acontecer com qualquer trabalhador nesses tempos de crise do capitalismo.
Will Smith passa pelo maior sufoco, trabalhando como estagiário, dormindo em albergues, estações de trem e banheiros. O final, é bem dentro da cultura judaico-cristã mas diferente da vida real, quando ele se recupera e volta a ter tudo o que perdeu, mostrando que é mesmo “o trabalho que dignifica o homem”! Pode ser implicância minha mas acho que os baianos conhecem o enredo do filme que já foi estrelado nos campos da Bahia.
                                       A mulher de Will foi catar xêpa em Agua de Meninos!

Foi  exatamente no ano da chamada revolução de 30, que destituiu o governo de Washington Luiz, é que o Baiano de Tênis e a Associação Athlética, os principais clubes da elite baiana, decidiram acabar com os seus departamentos de futebol. Pra não ficar na rua da amargura os desprezados se reuniram e, após uma série de reuniões e providências, fundaram um novo clube resolvendo adotar ao nome a as cores da bandeira da Bahia. Já tinha existido um time com esse nome, o SC Bahia, que inclusive se sagrou campeão uma vez, mas o pessoal mesmo assim insistiu.
Não é à toa que o clube até hoje usa a sigla “nasceu pra vencer”. Surgiu de forma afortunada quando, o fato de contar com jogadores de dois dos maiores clubes da época, lhe dava um handicap especial. Era uma família feliz tal como no filme. E no primeiro ano que disputou encontrou a felicidade.
                                                     O filho perdeu até o lap top!

Na sua primeira partida oficial já ganhava o São Cristóvão por três a um. Logo depois esmagava o temível Ypiranga por seis a dois! Depois empatou com o Botafogo (2 X 2) e ganhou do Fluminense (2 X 0), sendo que o Royal se retirou do certame.
No segundo turno a felicidade do tricolor continuou, caindo sucessivamente, o Botafogo (2 X 1),o Fluminense (5 X 0) e o São Cristóvão (5 X 1), somente resistindo ao seu rolo compressor o mais querido, que à custo conseguiu um empate em dois gols.  Mais isso não evitou que ficasse com o vice, a cinco pontos do esquadrão recém-fundado, campeão invicto na primeira vez em que disputou o campeonato baiano.
                                            Will queria sair sem pagar do Paes Mendonça!

No ano seguinte o clube já era uma referência, não só pra vendedores como Will Smith, como pra todo o mundinho da Bahia. Mas nesse ano dobraram os clubes participantes, o que quer dizer que dobrou a concorrência dos que disputavam o emprego, digo título de campeão baiano.  Que sacanagem com nosso Will Smith local!
Nessa situação a estreia do nosso herói foi um horror, perdendo de quatro a dois do auri negro, e sem conseguir vender nada.  O jeito foi afogar as mágoas na bebida (falo sério!) ao enfrentar o time da Antarctica, e vencer por cinco a dois.
                                                      Ficou liso, leso e louco!

O time colocou toda a esperança de pagar os jogadores no jogo contra o Democrata. Afinal de contas a democracia naquele tempo não estava com nada mesmo! Mas, teve o grande azar de perder por três a dois!(2 X 3). O antigo invicto time não estava acostumado com esses revezes da vida e as esposas de vários jogadores os abandonaram na véspera do “grande jogo” onde enfrentaria o Guarany, habitual lanterna dos certames. Aí Will pode se recuperar e mandar seus credores às favas vencendo por cinco a um!
E quase que elas voltam quando emendou as vitórias no próximo jogo onde venceu o Botafogo por três a um. Mas foi alarme falso, pois elas voltariam para a casa da mamãe quando o Bahia perdeu de novo, desta vez do Fluminense por três a um.(1 X 3). Perdido por um perdido por mil. E aí nosso Will Smith passou a trabalhar de qualquer coisa no comércio da Bahia pra sustentar o time tricolor. Bem que tentou apelar para o “amadorismo” que se vivia na época, mas os jogadores não estiveram nem aí. Também naquele tempo só Frienderich mesmo é que não jogava por dinheiro, o resto vivia com o CPF (comissão por fora).
                                                      Pensou até em armações!

Mas o esforço hercúleo do nosso herói acabou melhorando as coisas fazendo com que o esquadrão vencesse seguidamente o Vitória (3 X 0), o São Cristóvão (5 X 0) e o Energia Circular (2 X 1). Mas de nada adiantou isso pois o Ypiranga disparou na frente e acabou fazendo com que a liga cancelasse todos os demais jogos do Bahia sob a alegação de que não influíam na decisão do caneco.
Aí se instalou o caos na família tricolor. Ainda nem chegara o fim do ano e ficaram sem ter como se sustentar. Como as empresas não contratavam estagiários naquele tempo o jeito foi todo mundo engrossar os camelôs da Praça castro Alves. Ficavam ali vendendo tudo o que podiam pro pessoal que tomava os bondes. Foi duro pra nosso Will Smith baiano que chegou a morar no próprio abrigo escondido das autoridades. Até no entrado não lhe deixaram entrar pois não tinha dinheiro pra pagar ingresso.
                                            Nosso herói pegava  o que via pra comer!

Foi á custo que arranjou o dinheiro pra inscrever o Bahia no campeonato de 1933. Só conseguiu porque a liga baixou o valor em função de haver diminuído o número dos inscritos, só oito clubes. Mas conseguiu negociar com quem seria sua primeira partida, com os “índios” do Guarany, e o resultado deu a maior animação nos camelôs, digo, nos jogadores tricolores, que venceram de nove a zero!
Até aí podia ser azarão, mas ninguém teve dúvidas mesmo que o Bahia estava a procura da felicidade, quando enfiou seis na dois no Botafogo. Ai até algumas mulheres de jogadores telefonaram pedindo arrego. Mas esses esperaram tempo melhor, e esse veio nas vitórias contra o São Cristóvão (6 X 1) e no clássico contra o Vitória, vencido por três a dois. Will Smith estava voltando a ser uma realidade. Ganhara a vaga de vendedor de novo e circulava pela Bolsa de Nova York, digo do Comércio, vendendo ações. Antes de terminar o primeiro turno empataria com o mais querido (1 X 1) e venceria o Fluminense (5 X 1).
                                               Will apelava pra qualquer coisa!

No segundo turno, a disputa não deu nem pra “melar”. Will começou batendo o Energia Circular, o time da empresa de bondes, por três a dois, e emendou vencendo o Botafogo (1 X 0), o Ypiranga (4 X 1), o São Cristóvão (5 X 0) e Fluminense (4 X 1). Depois daí o “pau que deu em Chico acabou dando em Francisco” sendo canceladas as demais partidas pois Will Smith havia disparado na frente voltando a ganhar o certame invicto e com um “pé nas costas”.
Levaria muito tempo pra o nosso Will baiano entrar numa pior e “matar cachorro a tapa”, isso só foi acontecer quando a Fonte Nova estava pra acabar e aí o time foi parar na Terceirona e foi jogar até em Feira de Santana. Mas isso é motivo para outros filmes!

·          Agradeço aos sites RSSSF Brasil e Adoro Cinema.

terça-feira, 16 de agosto de 2011

Os caras de pau

    
Os caras de pau é um programa humorístico da Rede Globo que passa nas tardes de domingo e tem até sitena internet. Eu só o assisto quando não tem jogo mas sei que, desde que teve sessão especial em 2006, teve muita receptividade e acabou virando uma série a partir de abril do ano passado.
Agora Pedrão(Marcius Melhuem) e Jorginho(Leandro Hassum) e seus temas do cotidiano já estão em segunda temporada. Quem for ler nos almanaques vai verificar que dizem que a sua inspiração surgiu das duplas de humor e dos programas da TV norte-americana. Mas tudo isso é “conversa para boi dormir”. Já estou cansado de contar coisas neste blog que são copiadas da Bahia. É que em matéria de humor de duplas ninguém ganha dos baianos.
                                    Esse negócio de um atrás do outro não tem mais hoje!

O futebol brasileiro tem muitos “clássicos”, quero dizer partidas entre clubes que construíram uma história de rivalidade. Alguns, em função de nosso país ser uma federação de araque, são considerados melhores do que outros, como o FLA-FLU, o Derby paulista, o GRENAL, o Cruzeiro X Atlético, o ATLETIBA, entre outros, mesmo sem terem a tradição do BA-VI.
Mas um grande clássico na Bahia não podia deixar de ser diferente de qualquer lugar do mundo. É que aqui esta rivalidade só surgiu na Fonte Nova. Os clubes foram fundados em datas totalmente diferentes, o rubro negro em 1899 e o tricolor em 1931. Dizem que Adão não se vestia porque Spinelli não existia e esta verdade vale parcialmente para o futebol baiano. Enquanto o leão estava sozinho não ganhou quase nada e até nem participou do primeiro certame que o esquadrão concorreu.
                                                 O pessoal era muito recatado!

Só consultando os espíritos pra entender porque o BA-VI se tornou um grande clássico. O certame baiano começou em 1905 sem clássico e o Vitória teve que cria-lo. Aí, conta a lenda que durante um treino alguém chutou a bola na vala e dois dos fundadores do clube “bateram boca” sobre quem deveria ir busca-la.
É muita cara de pau, mas foi isso que deu motivo para o surgimento de um clássico pois Artemio valente e Cia saíram do clube e criaram o São Salvador. Esta picuinha fez lotar o Campo da Pólvora para ver esse “clássico” que se tornou o mais importante jogo do certame por uns cinco a seis anos quando o leão ganhou dois e o São salvador mais dois campeonatos, antes que o rubro negro arranjasse uma briga e abandonasse a liga só voltando nos anos vinte.
                                   Nem pensar em pedir carona na Graça daqueles tempos!

Já era “bi vice” quando isso ocorreu em 1913 e sua saída coincidiu com a do seu rival deixando o futebol baiano órfão de clássicos. O Campo da Pólvora e o Rio Vermelho viveram às moscas sem uma picuinha pra agitar o ambiente, a não ser, naturalmente, as brigas diárias dos dirigentes.
Mas aí surge o Ypiranga em 1914. No início os dirigentes elitistas não gostaram, afinal de contas relutavam a aceitar que um time do povo frequentasse o ambiente seleto das partidas de futebol. E que nos ouça dizem que foi um dos motivos para o Vitória e o São Salvador abandonarem a liga. Mas o auri negro não estava nem aí. No primeiro certame teve participação muito discreta mas no segundo só não levou o título porque o Guarany abandonou o campeonato nas últimas partidas tomando um WO do campeão Fluminense FC.O mais querido ficou tão “puto” que largou o certame.
                                          Com esse cabelo Geraldo nao jogaria na Graça!

Aí entrou outro representante das “classes baixas”. Que horror! E o pior é que vinha agora gente até do subúrbio pra assistir aos jogos olhando até para as madames que faziam o seu lazer nos domingos. Mas, graças a Deus, o alvi rubro sabia o “seu lugar” e ficou lá em baixo da tabela.
Mas desgraceira mesmo foi quando o Ypiranga voltou em 1917. Vixe nossa, cruz credo. Parecia até coisa do demo. Imaginem que arranjaram até uma revolução lá na Rússia pra subverter o “direito natural” dos ricos ficarem por cima e os pobres por baixo. No primeiro ano em que participaram os dois os seus jogos viraram clássico. No dia em que jogavam o Campo da Pólvora ficava cheio da turma que levava farofa nos jogos. Quanto aos granfinos nem passavam por lá.
                                       Foi na época do filme Encouraçado Potemkin!

E o pior é que o Ypiranga teve a cara de pau de ser campeão levando gatos e cachorros de roldão! Até então ainda não havia ocorrido na Bahia um clube acabar com sete pontos na frente do segundo colocado. Botafogo X Ypiranga foi o último jogo do turno e ocorreu a 12 de agosto terminando com três a um para o futuro mais querido.  No segundo turno vários clubes fugiram do confronto perdendo o transporte pro Rio Vermelho no dia do jogo contra o Ypiranga. O alvi rubro infelizmente foi um desses e porisso acabou perdendo o campeonato para o Fluminene FC.
No ano seguinte não teve ninguém que evitasse que os dois se tornassem os mais poderosos clubes de então. O Ypiranga repetiu a dose e o Botafogo ficou com o vice. Mas só houve um jogo, o do primeiro turno, quando o auri negro ganhou no sufoco por dois a um, pois no segundo turno o alvi rubro nem apareceu no Rio Vermelho.
                                          Não tinha nada da esculhambação dos nossos dias!

Devagarzinho o Bota foi se impondo e, depois da guerra, armou um time pra ser campeão deixando o mais querido pra traz. Foi um ano atípico que mostrou a divisão de classes do nosso futebol. Um clube da elite(Fluminense) e outro popular(Botafogo) acabaram disparando na frente e empatando em pontos no final do certame obrigando a um jogo extra. O Botafogo ganhou seus primeiros jogos pro Ypiranga, um a zero e dois a um. E a rivalidade nascente entre os dois fez com que o auri negro entregasse os pontos para o Fluminense empatando o certame.
Foi aí que nasceu o novo clássico que viria a substituir Vitória X São Salvador. Os torcedores ipiranguenses compareceram em massa às finais, houve o maior qui-pró-cói na liga. O primeiro jogo terminou com o empate em um gol levando um mês pra sair a segunda partida totalmente dominada pelo Fluminense mas vencida pelo Botafogo em um lance de azar.
                                     Nem pensar nesse cara jogando no Campo da Pólvora!

Os grã-finos não podiam aceitar esta situação. Além de aguentar o povo sem terno de tropical inglês, dizendo palavrões e fazendo barulho nas “arquibancadas” ainda tinham de vê-los levar a taça. Logo eles que eram os fundadores da liga. Era mesmo muita cara de pau! Aí resolveram tomar uma providencia reunindo-se no clube baiano de Tênis e comprando o terreno de uma roça na Graça onde construíram o Estádio da Graça.  
A atitude animou o campeonato. Até que tentaram expulsar a “gentalha” do certame mas o clima de unidade não permitiu. Nesse ano, ao invés de sair entraram mais fazendo com que pela primeira vez fosse disputado um certame com doze clubes. O campeonato ficou claramente dividido em duas classes, a dos que moravam na Vitória, na Graça, Garcia, Centro e adjacências, e dos que moravam nos demais bairros.
                                                         Charles Muller dava pra jogar!

O Vitória então voltou, e formou ao lado dos clubes da elite, juntamente com o Bahiano de Tênis, da Associação Athlética, o Internacional, os Yankee e o Sul América. A esta altura o Fluminense estava aceitando jogadores populares e acabou ficando pelo meio. Mas torcer pela dupla Ypiranga e Botafogo nem pensar pois havia até quem viesse de sandália e com a camisa desabotoada para os jogos. O Itapagipe pegava o pessoal que morava na Cidade Baixa, e Santa Cruz e Nacional só Deus sabe de onde vinham.
Nesse ano a divisão chegou ao auge com o jogo da elite: Baiano X Associação, e o jogo dos pobres: Ypiranga X Botafogo. E a disputa foi tão grande que acabou havendo um inédito supercampeonato em função do empate de Fluminense, Associação e Ypiranga em primeiro lugar com 19 pontos, mas o pessoal estranhou o escore do jogo Fluminense 9 X 0 Itapagipe!
                                                 Foi por isso que o Titanic afundou!

As finais foram realizadas em dezembro e colocaram logo os clubes da elite para que um saísse na frente mas o jogo entre Fluminense e Associação acabou empatado. Um gol anulado da Associação provocou o maior rebu entre os grãfinos. É que dois bicudos não se beijam e o Ypiranga esperou sentado pra ganhar dos dois e levar o caneco pra raiva geral da burguesia da cidade.
No ano seguinte foi “pau puro. De um lado os clubes da elite Bahiano e Associação(com o Vitória correndo por fora), e , de outro lado, a dupla Ypiranga e Botafogo. Mas todos divididos, era o clássico das elites e o clássico do povo. O público que iam em um jogo nem aparecia de bonde no jogo do outro.
                                                          Dá pra permitir essa ousadia?

Até a última rodada em 13 de dezembro estavam empatados Associação e Ypiranga em primeiro lugar com 20 pontos, ficando o Bahiano com 16 e o Botafogo com 15. Mas no último jogo o auri negro ganhou do Santa cruz por três a um levando mais uma vez o caneco. Mais problemas para a liga administrar.
1922 foi um ano decisivo onde acontece a Semana de Arte Moderna, a revolta do Forte de Copacabana, e a fundação do Partido Comunista. Já os baianos continuam imersos em sua disputa de classes através do futebol. Nesse ano só sete clubes participaram do campeonato. De um lado ficou a elite do Bahiano, do Vitória e da Associação, e do outro Botafogo e Ypiranga. Mas ninguém sabe o lado do São Bento e Santa Cruz que ficaram na lanterna.

                                                   Não tinha nem uma briguinha!

O certame foi muito duro e como sempre apontaram até o final um clube de cada lado, mas agora a vez era do Botafogo e Associação. Foi decidido nas últimas três semanas, sendo o jogo chave a vitória do alvi rubro sobre o Bahiano por dois a zero colocando quatro pontos na frente da azulina. Mas o estranho mesmo foram os enfrentamentos finais onde cada um jogou com seu cada qual. O Vitória perdeu pra Associação por três a um enquanto o Ypiranga tomava uma estranha goleada do Botafogo por sete a zero! É muita cara de pau, e fez com que o alvi rubro levasse o caneco desse estranho campeonato.
Em 1923 os mesmos clubes dispararam na frente tornando o campeonato emocionante para grã-finos e populares. Vitória, Bahiano e Ypiranga ficaram bem pra trás. Mas na última rodada aconteceram coisas que Deus duvida. Foi em dezembro de 1923 e as maracutais não respeitaram nem o Natal. É que enquanto o Botafogo suou em campo pra derrotar o São Bento por cinco a zero, o Auto Bahia não comparecia para o jogo com a Associação. E olhem que compareceu e ganhou os pontos do baiano!
                                            Dilma e Palocci nem poderiam torcer assim!

Nesse ano, porém, só houve um jogo final, e ocorreu na véspera do Natal. A Graça tinha gente até em cima do muro pra ver a decisão entre povo e elite, dizendo melhor, entre Botafogo e Associação Athlética (com "h"“mesmo!).  Não foi fácil arranjar o juiz, evitar a crise na liga, e conter os ânimos, mas os diabos rubros acabaram faturando de novo, um a zero.
Esta história poderia continuar indefinidamente acompanhando o tempo onde a divisão dos clubes de futebol mostrava de forma bem mais clara o que acontecia com as classes sociais. Mas preferímos acaba-la em 1923 quando a elite, depois de “lutar” vários anos, conseguiu retomar a taça. Nesse ano até um tal de Democrata começou a participar, talvez em função das críticas à chamada República Velha. Mas como era no Brasil o Democrata ficou mesmo em último lugar.
                                            Era assim um jogo no Campo da Graça!

O campeonato de 1924 só acabou no ano seguinte. Mais uma vez aconteceram coisas estranhas no final. Nas suas últimas partidas a Associação deu de sete do Fluminense (sic!) e WO do Auto Bahia. O resultado acabou levando a um quádruplo empate com 25 pontos obrigando ao maior supercampeonato da história do certame baiano até hoje, onde pra contento geral ficaram dois de cada lado, o povão com Botafogo e Ypiranga, e a elite com Bahiano e Associação..
Mas desta vez os clubes do povão estavam fracos. O Bahiano eliminou logo o Botafogo por quatro a um, e a Associação precisou de dois jogos pra bater o Ypiranga, empatando o primeiro em um gol e despachando os canários por cinco a um. Foi aí que a Graça encheu de grã-fino prá ver, enfim, a final de elite entre Bahiano e Associação Athlética. Haviam finalmente voltado os bons tempos do pincenez, do terno e de solicitar licença pra sentar nas arquibancadas de madeira. O tempo do cavalheirismo voltou na Graça. Não faltou quem pedisse a expulsão definitiva daquele povo do subúrbio, dos carregadores e camelôs.
                                                     Foi aí que a crise chegou!

Foi uma semana de glória para a elite, aquela de oito a quinze de março de 1925. E olhem que os jogos foram sensacionais. É verdade que os jogadores não pediam licença pra passar e bem que terminaram as partidas num desalinho de fazer dó. Mas, nem pensar em divulgar pelos jornais os seus xingamentos. A primeira partida dos clubes de elite não podia dar outra coisa que não um empate de três gols pra cada lado. Saiu até na coluna social.
Mas na segunda o negócio engrossou e nem a July da época apareceu. A coisa foi “pra pirão” com os dois clubes da elite querendo levar a taça de qualquer jeito, mas só podia ganhar um e esse foi a Associação, e por quatro a dois.
A farra das elites iria continuar até 1930 quando invocados com o profissionalismo crescente, o Bahiano e a Associação resolveram acabar com seus departamentos de futebol. E vejam quem apareceu deles, logo o EC Bahia que iria mudar de lado, transitando da elite para o povão. Mas isso é coisa da Bahia!

·          Agradeço ao site RSSSF Brasil.


quarta-feira, 10 de agosto de 2011

A crise chegou!


           
Gente, o negócio está “russo”.  Não é pra menos, a China e outros países querem garantia dos EUA pro dinheiro que emprestaram. Os yankees vão de mal a pior desde 2008 e, atualmente, estão “matando cachorro a tapa”. Faltou pouco pra darem o calote em todo mundo. Aliás, a solução que arranjaram só faz empurrar os problemas com a barriga. Cortaram o orçamento mas á custa de aumentarem o endividamento do país (sic!). Durma-se com um barulho desses!
Até o Guido Manteiga se tocou deixando de fazer o discurso o manjado discurso pra torcida de que o Brasil é “uma ilha de prosperidade”.  A Dilma chegou a pedir cautela pra que o povo “não gaste o que não tem”. Isso só pode ser pra maneirar no cartão de crédito, pois no meu tempo só gastava quem tinha. Fora disso só “empinando uma periquita” num banco.
                                                        Londres está pegando fogo!

A crise funciona mais ou menos assim. O grande repassa a crise pro médio que repassa pro pequeno. Dizendo melhor, a crise chega pra todo mundo, mas quem tem mais se defende melhor. De um lado a indústria sofre com o aumento de curtos e diminuição de mercado, (o que leva a menos lucros para o burguês), do outro, porém, ela aumenta o preço das mercadorias e demite e arrocha os trabalhadores, recuperando boa parte do que perdeu com a crise.
O mesmo governo que injeta dinheiro pesado nas empresas, “livrando a cara” dos capitalistas, procede de forma bem diferente com os trabalhadores. Corta gastos na saúde, educação e segurança, verbas de custeio e plano de cargos para o funcionalismo, um horror! Pra se ter uma ideia das políticas “anti-crise” basta ver o que ocorre na Inglaterra, Grécia, Espanha e Portugal. O negócio ali é
- Mateus, primeiro os teus!
                          Ah pobreza é o que mais se vê na Bahia!


Ou seja, em primeiro lugar vem sempre os agiotas e parasitas da burguesia. Não foi à toa que Cazuza disse que “a burguesia fede”. Ela se dá bem em tempos normais e também ganha com a crise. As classes médias só são consideradas em função do consumo pra tirar a burguesia do buraco.
Pros trabalhadores e pobres só se faz o suficiente pra evitar as revoltas que podem desestabilizar o sistema. Afinal, depois da crise “tudo tem que ficar como antes no Reino de Abrantes”. Ou seja, quem está em cima com quase tudo enquanto os que estão no meio vivem como podem. Dos de baixo nem é bom falar pois vivem uma crise permanente.
                             Nem Deborah Secco aguentou com a crise, tirou mais uma peça!

A crise de hoje pega o futebol baiano como sempre mal das pernas. O Bahia de Feira e o Vitória da Conquista não conseguem se firmar na Quarta Divisão. O Vitória vai aos trancos e barrancos no 12º lugar na Segundona e o Bahia em 13º na Primeira Divisão. Quando houve a grande crise de 1929 o tricolor ainda nem existia e o rubro negro chafurdava no amadorismo.
Naquele ano o certame baiano começou no dia consagrado a Tiradentes com o “grande jogo” Botafogo e Guarany realizado no campo da Graça, ganho pelo primeiro por três a zero. Todos os jornais já falavam da situação econômica mundial mas crise mesmo só ocorreu em três de maio quando o então campeão Ypiranga massacrou os “índios” do Guarany por inacreditáveis treze a um!
                            Bote fé que a crise passa?


Aí foi um Deus nos acuda. Todo mundo perguntava o que estava acontecendo. Como eram tempo de amadorismo nem se podia dizer que os jogadores alvi negros não tinham recebido o “jabá”. Aí começaram a desconfiar porque os Yankees tinham se retirado do campeonato e estavam entregando todas as suas partidas por WO.
No mês de junho o Bahiano perdeu da Associação Atlética (0 X 3), no clássico aristocrático, entregando a liderança para o Ypiranga que, dois dias depois submete o Vitória à verdadeira humilhação goleando-o por cinco a zero. O mundo começa a ferver e os baianos continuam em seu mundinho como se nada estivesse acontecendo.
                                            O pessoal nem tinha mais cabêlo pra arrancar!

O mundo ainda não havia acabado nos EUA mas, quem tivesse desconfiômetro e olhasse pro futebol baiano (que é um verdadeiro termômetro do planeta) veria claramente que as coisas não estavam indo bem. O dia 28 de julho jamais será esquecido. Mas não porque bancos faliram, acionistas perderam dinheiro e muitos se suicidaram. Mas porque o clássico dos líderes Bahiano X Ypiranga acabou com a vitória do segundo por cinco a um! O aurinegro continuava humilhando a tudo e a todos que passassem pelo seu caminho.
No dia sete de setembro os baianos decidem “homenagear” a independência do Brasil e, como não podia deixar de ser, programam um jogo chinfrim Vitória X Guarany. Todo mundo sabe que dia de independência na Bahia é dois de julho, foi por isso que os baianos fizeram essa maldade, e, ainda pior, o rubro negro conseguiu perder pros “índios” por dois a zero, sua única vitória em todo o certame!
                                                         Mas que esporte desgraçado!

Pouco depois foi interrompido o campeonato pros baianos acompanharem a crise. O negócio foi feio, principalmente a partir de 24 de outubro quando a coisa “pegou” na chamada quinta feira negra! O crack da Bolsa de valores de Nova Yorque levou o país de roldão. A produção industrial do país caiu vertiginosamente, o desemprego foi pras alturas e os investidores se concentraram nas portas dos bancos. Um horror! Mas no Brasil o pessoal só acompanhava pois essas coisas estavam acontecendo com o principal comprador do café brasileiro, diga-se paulista.
Ninguém nem deu bola pro exílio de Leon Trotsky e pro lançamento do filme O cão andaluz, que ocorreu no período, e olha que deram o que falar pois foi tudo surrealista, principalmente o segundo que teve direção de Luís Bunuel e roteiro de Salvador Dali.  
                                           Enquanto isso os baianos só nas baladas!

O campeonato baiano reiniciou mesmo com os norte-americanos se jogando das janelas dos prédios de Wall Street. Os baianos são mesmo insensíveis. O Ypiranga continuava a passear, mas agora a crise atingia até os seus defensores. Suas últimas partidas foram sufocantes, passando á custo pelo Fluminense (4 X 3 e 3 X 1), empatando com o Baiano de Tênis (3 X 3), a Associação (1 X 1) e o Botafogo (4 X 4).
No dia 23 de janeiro o auri negro, alheio a tudo o que havia no planeta, se sagrava bicampeão de forma invicta e comemorava com tudo ao que tinha direito. Formava então com José, Arlindo e Silvino; Francisco, Popó e Azevedo; Sandoval, Mila, Oscar, Lago e Pelagio.
                                                      Quem fala de crise melhor?

Mas não sabia ele que o mundo iria desabar no Brasil e este na Bahia. A exportação de café brasileiro iria ser pesadamente afetada pela crise, quando a extensão dos prejuízos tornou inviável a que Washington Luiz continuasse a política de “socialização das perdas” onde todos pagavam os prejuízos dos cafeicultores paulistas. Abre-se uma dissidência no partido do governo e o assassinato de João Pessoa precipita a quartelada militar que tomou o nome de “Revolução de Trinta”. A elite baiana, assim como tinha feito no movimento republicano, ficou do lado errado. O Ypiranga ficaria sem títulos, e a Bahia acabaria sob intervenção militar.

·           Agradeço ao Almanaque Esportivo da Bahia, ao site Wikipédia e ao blog História Mais.

domingo, 17 de julho de 2011

O caçador de vampiros


               
Pra quem quer ver gente híbrida, que não se sabe se é ser humano ou vampiro Blade é um prato feito. Vem tendo todos os ingredientes dos dramalhões, efeitos especiais e muita tecnologia desde que foi lançado em 1998. Desde então apareceram o Blade II (2002), o Blade: Trinity (2004), o Blade: A última geração (2006) e agora enche o saco na TV Blade: a série (2008).
Diferentemente dos heróis derrubados como o capitão América (que só tem um escudo) e Harry Potter (que só tem o diretor do filme para salvá-lo das encrencas em que se mete), Blade tem superpoderes, é imortal e ainda conta com seu mentor Abraham Wistler. A desculpa pra ter tudo isso é ter sido infectado na barriga da mãe que foi mordida por um vampiro.
                                                 Tinha era vampiro como Joseph Blatter!

Assim, Blade fez como Heloísa Helena e mudou-se de malas e bagagens para a oposição vampiresca. Mas diferente daquela é um rebelde sem causa só que só busca na vida vingar-se da morte de sua mãe. Como sempre na história existe um vilão, o tal do Deacon Frost que pretende organizar uma espécie de sindicato de vampiros pra acabar com a humanidade.   
Mas, quem pensa que Blade é original não está com nada. Aqui na Bahia existem vampiros há centenas de anos. Vocês não sabiam que os reis portugueses sugaram o sangue dos baianos e brasileiros por quase trezentos anos? Que, enquanto os baianos lutavam contra as tropas do general Madeira o português D. Pedro dava simplesmente um grito, dado ainda por cima num riacho de propriedade do Ypiranga pra enrolar os baianos? E que dizer de um monte de governadores da capitania, província e estado que enriqueceram ás custas do suor e sangue dos baianos?
                                                               Rolava era sangue!

Esse personagem criado pela Marvel Comics para uma história em quadrinhos foi clonado da Bahia. Seu pai foi o Bangu que fecundou duas mães, a Associação Athlética e o Baiano de Tênis, gerando o EC Bahia em 1930. Tudo começou quando o clube carioca excursionou por aqui nas férias de 1930.  Chegou aqui e foi logo esmagando a Associação (5 X 2) e o Fluminense (10 X 2), e foi á custo que foi parado pelo Botafogo por quatro a dois.
Mas o time da fábrica do Rio se vingaria na seleção baiana devolvendo o escore. O jeito foi pegar o forte Ypiranga pra tentar barrar a sua sede de sangue baiano e deu certo pois os baianos venceram de três a um. Mas aí alguém inventou uma revanche, só pra aumentar o passeio do vampiro, seis a quatro.
                                                     O pessoal só andava cheio de cruz!

Dizem que quando esteve aqui o vampiro transou com todas as baianas que encontrou pelo caminho. A decepção dos clubes de elite Associação e Baiano fez o resto terminando com seus departamentos de futebol e fazendo com que nascesse Blade após nove meses de gestação.  Há quem diga que o problema foi mesmo a revolução de trinta que assustou a elite que sequer disputou o campeonato daquele ano. Mas não sabem de nada pois nem viram a mordidinha na alcova que tomou a mãe de Blade.
Nosso Blade in Bahia venceu logo o primeiro campeonato que disputou levando na conversa todos os vampiros. Dois meses depois de fundado estreava vencendo o São Cristóvão por três a um. Depois foi mordendo um por um dos clubes tradicionais do estado. A coisa foi tão feia que o Vitória não quis participar do certame. Veio o Ypiranga e caiu vergonhosamente de seis a dois. O Botafogo ainda arranjou um empate em dois gols mas o Fluminense estrebuchou por dois a zero.
                                                     Isso era vampiro de antigamente!

No segundo turno continuou o passeio vampiresco, vencendo o Botafogo (2 X 1), o Fluminense (5 X 0), o São Cristóvão (5 X 1), salvando-se apenas o Ypiranga que conseguiu um heroico empate (2 X 2) mas só quando o campeonato já estava ganho. Foi assim que Blade, digo o EC Bahia, venceu o campeonato invicto e com cinco pontos na frente do segundo lugar.
A façanha de Blade que seria repetida por muitas vezes, cerca de 43 até hoje, foi cantada em prosa e verso e atraiu a atenção do vilão Deacon Frost. O miserável não ficou satisfeito com infectar sua mãe e ainda ameaçava o filho. A primeira vez que atacou foi em agosto do ano seguinte, disfarçado de um time que ninguém conhecia, o Guarda Velha (mas com um nome desses como é que ninguém desconfiou?).
                                            Pra que vampiro maior do que Jader Barbalho?

Blade caiu por seis a três, queimando todas as apostas no campo da Graça que davam de dez pra cima pro misto de vampiro com baiano. E olha que precisou apelar pro mentor que foi a todos os terreiros e igrejas de Salvador, e enfeitou o estádio de cruzes e estacas. Só assim é que pode vencer a revanche por quatro a dois!
Mas três meses depois o desgraçado vilão atacou de novo. Desta vez trouxe um monte de vampiros. O céu de Salvador ficou negro pra ver o rubro negro carioca visitar a Bahia em novembro. Foi um massacre onde caíram um a um os vampiros baianos. O leão apanhou de sete a dois, os diabos rubros de quatro a um e o mais querido de um a zero. 
                                    A Praça Castro Alves parecia carnaval de tanto vampiro!

O próprio Blade em pessoa (sic!) tentou barrar o sanguinário sem êxito caindo por três a dois. Veio a seleção baiana e apanhou de três a um. A salvação da lavoura foi unir todos os vampiros do Nordeste e chamar Deacon Frost para uma revanche contra o Ypiranga. Só assim que se conseguiu vencer por três a dois. Ufa! Como o povo sofria com os vampiros naqueles tempos.
Aí Deacon Frost sumiu e ficou cuidando de outras histórias em quadrinhos. De vez em quando tinha notícias da Bahia. Ficou sabendo, por exemplo, que Blade tinha vencido o Andaraí por três a zero quando este veio ao estado em janeiro de 1933, sendo humilhado pelos baianos quando todo mundo tirou uma lasquinha dos cariocas. Isso pegou muito mal em Bucareste, terra dos vampiros.
                        O negocio ficou tão ruim que Deus e o Diabo sentaram pra confabular!

Mas isso se resolveu sem que Deacon se deslocasse bastando enviar, seis meses depois, o vampiro disfarçado de São Cristóvão, para vingar o sindicato e atropelar os baianos. No entanto a dupla BA-VI deu uma de ousado, o decano venceu (2 X 1) e Blade conseguiu o empate em um gol. Ficou no entanto o dito pelo não dito.
Deacon terceirizou seus enfrentamentos com Blade também no último ano da guerra, em 1944. Percebendo que ia perder a batalha na Europa deu pra atazanar os baianos que viam o vampiro humano Blade sem alguns dentes e perdendo o certame três anos seguidos para a equipe da colônia espanhola.
Neste ano toda hora chegava um vampiro de fora e Blade não conseguiu ganhar sequer um amistoso, até dos vampiros baianos perdeu, 2 X 4 e 0 X 3 do Ypiranga e 3 X 5 do Vitória. Mas acabou se recuperando levando mais um campeonato.
                                      Era um saco aguentar esses vampiros na nossa porta!

O vilão voltaria na próxima guerra, a da Coréia, em 1953. Mas, se esta foi terceirizada pelos norte-americanos o chefe dos vampiros viria pessoalmente em março, e através de dois clubes. A nova Fonte Nova ficou coberto de sangue baiano, o que aliás já estava no vermelho das camisas de Flamengo e Internacional.
No dia 15 de março não teve Blade baiano que adiantasse. O Inter enfiaria sete no tricolor e o urubu oito no leão. E de quebra oi Vasco da Gama despacharia o Ypiranga com mais oito gols. Foi o pior dia do futebol baiano na história. A vingança do vampiro havia sido demais. E nem Blade conseguiria impedir que os dois clubes visitantes disputasse o torneio que acabou se decidindo em favor dos vampiros gaúchos pelo saldo de gols.
                                               Ói eles aí na Avenida Joana Angélica!

O jeito foi fazer uma reunião com todas as religiões da Bahia, quando veio gente “pra dar de pau”. Se fosse hoje seria impossível reunir tantas, mas naquele tempo bastavam os católicos, terreiros e evangélicos. Aí ficou acertado que ia se espalhar orixás, cruzes e estacas em todas as fronteiras da Bahia, na verdade só pra não deixar entrar os vampiros de fora e continuarem a existir os vampiros baianos.
E não é que deu certo? Blade continuou a ganhar campeonatos, ano sim, ano não, e chegou a final da I Taça Brasil contra o peixe trazendo o título para o estado por coincidência em abril de 1960 quando todos os vampiros, e o próprio Blade, se mudaram pra recém criada Brasília.

·        Agradeço aos sites RSSSF Brasil e Wikipédia, ao Almanaque do Futebol Brasileiro, e aos blogs 100grana.wordpress.com e melhorpapeldeparede.com.  

quarta-feira, 13 de julho de 2011

Capitão América, o primeiro vingador


                                                      E ele tem as cores da Bahia!

Pelos almanaques de história em quadrinhos o herói Capitão América nasceu em 1941 nos Estados Unidos, para coroar os esforços de guerra daquele país na Europa. Teria sido a Marvel Comics que o criou junto com uma onda de super heróis que surgiram naquele tempo.
Mas os almanaques não estão com nada. O capitão América foi criado no Rio de Janeiro e bem antes desta época, em 1904. Esse filme que estão lançando agora, Capitão América, o primeiro vingador diz bem do seu aparecimento nos campos baianos. Foi o primeiro clube do Rio de Janeiro a jogar em um estádio baiano, o campo da Graça, pois o Botafogo jogou no campinho do Rio Vermelho dois anos antes.
A desinformação dos norte-americanos é tanta que eles não sabem só qual é a capital do Brasil ou a quem pertence a Amazônia, desconhecem esta importante informação, de que o capitão América veio na Bahia em setembro de 1921 fazer a primeira excursão de um time visitante no estado.
                         Que diferença pros super heróis de hoje, ele só tinha um escudo!

Apareceu por aqui duas semanas depois do dia consagrado á independência do Brasil. O pessoal lotou o campo pra ver aquele cara musculoso, com um escudo estranho, formado pelas ligas dos metais Adamantium e Vibranium, e indestrutível. Na ocasião, enfrentou os seus futuros arqui-inimigos Caveira Vermelha e Força Nacional, que se disfarçaram de um combinado Baiano de Tênis-Botafogo, mas apanharam de quatro a dois.
Depois veio a H.I.D.R.A, que os baianos chamavam de Associação Athlética, mas perdeu também por quatro a três. O próximo foi o Doutor Faustus, fantasiado de Ypiranga, e tome-lhe bordoada, três a zero. Por último veio o próprio Império Secreto, que usou as camisas do EC Vitória, pra perder de dois a um.
Não restou aos inimigos dos EUA, disfarçados de baianos, trazer todos os vilões do mundo, convocados pela liga e em nome da seleção baiana, e á muito custo conseguiram empatar em um gol com o famoso capitão. A Bahia nunca tinha visto um negócio daqueles.
                                                           E só vinha em turma!

Depois mandariam uns falsos capitães América pra Bahia. Mas os baianos logo notaram que era tapeação. Veio um verde América dizendo ser de Minas, e até um de Pernambuco, mas isso foi no tempo onde a própria Marvel Comics admitiu que tivessem quatro capitães América (sic!). Mas os baianos nunca esqueceram o capitão América carioca.
Precisou dezoito anos para o verdadeiro Capitão América voltar de novo na Bahia. Ah como era bonito seu uniforme. Nesse dia tirou até a roupa e apareceu como o Steve Rogers mostrando quanto era franzino. Aí fez um discurso chamando os torcedores pra se alistar na guerra que já começava contra o Eixo. Mas ninguém entendeu nada, mesmo porque o presidente Getúlio Vargas “preferia puxar o saco” da Alemanha.
Não sei se foi por isso, por jogar sem uniforme, acabou perdendo para outro alvo rubro, o Botafogo, por dois a um. Ninguém se alistou e aí o famoso capitão vestiu seu uniforme de novo pra jogar contra o time da colônia espanhola, devolvendo o escore aos baianos. Mas aí já tinham chegado os seus poderosos inimigos que tinha pegado de surpresa ao aparecer na Bahia sem avisar.
                                                Nem essa turma aguentava com ele!

O primeiro foi Modok, que jogou com a camisa do Ypiranga, e ofereceu a maior resistência, fazendo com que o capitão só conseguisse um empate em dois gols. E, três dias depois, houve uma verdadeira concentração de vilões no bairro da Graça. Os baianos nunca viram tanta maldade. Tinha o Barão Zemo, os Ossos Cruzados, o I.M.A e o Esquadrão Serpente. Chegaram até a esconder o escudo do capitão. Aí não podia dar outra coisa, quatro a um para o Bahia, no dia histórico de 12 de março de 1939.
A guerra passou e esqueceram-se do Capitão América. Fizeram até um seriado estrelado por Dirk Purcell mas a TV só chegaria à Bahia em 1960. Mas os norte-americanos resolveram dar um premio de consolação aos baianos e trouxeram o famoso capitão nove anos depois ao estado.
Ele chegou a Salvador em pleno mês das noivas de 1948. No começo acharam estranha a oportunidade, mas quando ele entrou no campo da Graça viram que era o original. Trazia seus aliados, o Agente 13, o homem aranha e Wolverine. Mas eles ficaram no banco de reservas. A primeira partida foi bem disputada contra Mecanus, que havia se disfarçado dos granadeiros, e ofereceu resistência. No final, um verdadeiro escore de “baba”, seis a cinco pro Capitão América.
                                             Getúlio chegou a reclamar com Roosevelt!

O próximo foi o Ypiranga. Mas, nesse dias os baianos não torceram pelo mais querido, pois viram que por traz do uniforme auri negro havia nada menos do que o temível Doutor Faustus. Na época a burguesia brasileira estava atrás de uma graninha dos norte-americanos tentando aproveitar o dinheiro da “reconstrução” da Europa. Eu sei que o capitão ganhou de seis a dois, quanto ao dinheiro americano ninguém viu.
Mas, três dias depois, desembarcou uma renca de super vilões no cais do porto e prepararam uma armadilha pro capitão. Roubaram o seu famoso escudo e deixaram, no vestiário um parecido, pintado com as cores originais, mas feito de lata de cerveja. Era sacanagem e o tricolor acabou ganhando de novo por dois a um.
Eu acho que foi por isso que, quando o capitão apareceu de novo, dois anos depois, nem veio a Salvador, preferindo ficar lá pela região do cacau onde goleou a Seleção de Ilhéus (5 X 2) e a Seleção de Itabuna (5 X 1)!
                                    Teve gente que se mudou da Bahia por causa dos vilões!

Foi tal de convidar o capitão pra voltar que ninguém aguentava. E que os baianos tinham construído um estádio decente, a Fonte Nova, e queriam mostra-lo para inglês e americano verem. Veio pra Bahia gatos e cachorros, times do Brasil todo e até estrangeiros. Na época os governadores chegaram até a apelar pro Eisenhower. Não era possível tanta discriminação com a Bahia!
Mas o capitão norte-americano só voltaria á Bahia depois da morte de Getúlio Vargas, pois achavam que havia ameaça a seus interesses, ainda mais quando foi criada a PETROBRAS! Apareceria por aqui em agosto de 1956. Mas só pra fazer uma partida, a outra seria em Feira de Santana. Na ocasião, até os vilões deram uma trégua. Os baianos estavam zangados, e foi assim que o Fluminense empatou com o capitão em Feira (1 X 1), mas não adiantou nada pro tricolor que caiu por dois a um com novo estádio e tudo.
Nos anos 50 tudo quanto é seriado americano apareceu nas TVs brasileiras que estavam sendo criadas. Na época ventilou-se que o Capitão América iria ser revivido. Mas, antes que isso acontecesse em 1964, e nosso herói surgisse como líder dos Vingadores, ele veio testar a sua popularidade na Bahia.
                                       Foi aí que passou a ter super heróis "a dar de páu"!

Veio novamente em maio e em 1958 quando haveria eleições. Sabem como é a diplomacia americana né? Aí acabaram arranjando um empate com o Bahia (1 X 1) que seria bom pros dois lados. Logo depois, mesmo que o capitão não votasse por aqui, o pessoal saiu por aí o levando para visitar a cidade, enquanto o tricolor pedia revanche.
Rapaz, o que o Capitão América e seus amigos passaram nem queiram saber! Doutor Fausto em pessoa fez o programa das visitas. Ele podia ser herói lá pras bandas do inferno mas na Bahia não resistiu ao efó, ao caruru, ao vatapá, e ao acarajé, tudo com a maior pimenta possível. Imaginem que de tanta cachaça voltou ás quedas para o Hotel da Bahia. O resultado não se fez esperar cinco a dois pros baianos. Já não se fazia mais heróis como antigamente!
O capitão se sentiu traído pelos baianos. E o Departamento de Estado americano retaliou pesado a Bahia. Foi por isso que a série que seria criada não passou na TV Itapuã. Assim, os ianques que visitavam a Bahia não tiveram nada pra conversar durante dez anos. Só em 1968, quando manifestações por direitos civis estouravam por todo o mundo, é que mandaram o capitão de novo distrair os baianos.
                                     Começaram a procurar onde estava o Capitão América!

Ele chegou logo depois do São João, e os baianos estavam tão satisfeitos com sua presença que até organizaram um torneio. O capitão veio com novo discurso, o que interessava agora não eram a guerra nem os protestos dos “subversivos” mas a amizade entre as pessoas, como a que tinha com Peggy Carter, Bucky e Ricky Jones.  Naquele ano porém, pouca gente foi á Fonte Nova ver o capitão levar a taça.
A primeira rodada ocorreu a trinta de junho, quando o capitão derrotou o rubro negro (2 X 1) enquanto o tricolor ganhava do Flamengo (1 X 0). Mas o primeiro vingador passaria das medidas, vencendo o Bahia (2 X 0) e o torneio na data magna dos baianos, o Dois de julho!
Os filhos e amigos do capitão ainda voltariam na Bahia nos anos setenta, em 1971 e 1977, pra jogar e empatar com o Vitória. Mas vivíamos uma época nova, a do Campeonato Brasileiro. Nos primeiros anos ainda deu pro nosso capitão, pois enfrentava o Império Secreto e iniciava parceria com outros super heróis, como o Falcão Negro.
                                 "Rolou" até fitinha de Senhor do Bonfim pro capitão voltar!

Mas, os anos 80 coincidiram com as dificuldades do América em se manter no Brasileirão. Havia passado a época de gatos e cachorros disputarem a Primeira Divisão e nosso herói deixava a guerra mundial e os nazistas pra aparecer na guerra civil e em todo lugar de interesse dos norte-americanos. Passou a viver uma concorrência desgraçada, tanto no certame brasileiro como no cinema.
Foram tirar do baú tudo quanto é tipo de super herói, com todo tipo de poderes, do que só um escudo. Até tal de lanterna verde apareceu! O Capitão América caiu pra Segundona e pra Terceirona. Disseram até que em 2007 foi morto na guerra civil. Mas, dizem que estão querendo ressuscitá-lo de novo!

·          Agradeço ao site Wikipédia, ao Almanaque do Futebol Brasileiro e aos blogs Jeniss, fotocomida.com, ptwikipedia.org, praticus.limao.com.br, tvcinemaemusica.worpress.com e teatrodebonecos.blogspot.com.