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sábado, 7 de janeiro de 2012

Nunca aos domingos


                                 Ah que saudades de Melina Mercouri! 

·         Uma homenagem a Sócrates

Na minha adolescência vibrei com a comédia romântica Nunca aos domingos. Não por ter sido indicada ao Oscar em várias categorias, arrebatando o troféu da melhor canção. Nem mesmo por contar com Melina Mercouri ou ter Jules Dassin como diretor e ator mas pela filosofia de vida que destilava. Vivíamos um tempo em que o cinema divertia sem menosprezar o espectador e ainda se fazia filmes exaltando as classes baixas, a coletividade, pondo ênfase numa atitude libertária e numa vida voltada para o melhor dos sonhos epicuristas do comer, beber e amar. Era assim que podíamos ver uma alegre prostituta que não cobrava de quem tivesse simpatia e um filosofo sonhador que buscava restaurar valores da antiga civilização grega.
Os anos 60 não mais voltariam e, vinte anos depois, os tempos que receberam a genialidade de Sócrates eram bem outros. O Brasil ressurgia num mundo onde apareciam os blocos econômicos e a realidade virtual tomava corpo. O país entrava na reta decisiva para superar a ditadura militar, embora os caminhos seguidos não fossem o que eu e ele almejássemos. Entrávamos na era da informática e do computador pessoal, do disco compacto a laser (CD).

                                          Voce foi mas ficou meu amigo!

Uma nova estética começava a aparecer no rock onde, através de sua aproximação com a MPB num cenário da dance music, despertavam novos talentos musicais. Mas nem eram flores, a liberdade sexual entrava na defensiva com o uso politico da descoberta da AIDS e a indústria cultural engoliria talentos como Elis Regina, Raul Seixas e Cazuza.

Lembrei-me de tudo isso no domingo que Sócrates morreu e mesmo atrasado registro a homenagem. Os grandes jogadores não deviam morrer nos domingos, pois são consagrados a grande festa do futebol. Não me lembro de se Garrincha, Domingos da Guia, Frienderich ou Heleno de Freitas morreram num domingo, nem sei se isto vai acontecer com Pelé e Zico. Mas o que aconteceu com Sócrates foi uma sacanagem do homem lá de cima. E olhem que não morreu num domingo qualquer mas o do encerramento do Brasileirão onde o time que o notabilizou para o futebol iria disputar o título.
                                                Pô não é esse não!

Sócrates foi doutor de futebol e de profissão. Foi um daqueles raros jogadores cujo toque genial se sintonizava com a arte do futebol. Foi responsável pela incorporação do calcanhar ao esporte, consagrando esta parte do corpo num gol antológico contra o Santos na própria Vila Belmiro. Formou aquela inesquecível seleção brasileira com Falcão e Zico que só foi derrotada pela Itália. Nunca me importei com aquele pênalti que ele desperdiçou em 1986 contra a França. A pessoas como Sócrates, que tinha brasileiro no nome, o Brasil deve muito mais, a alegria do futebol, a campanha Diretas Já e o movimento conhecido como Democracia Corintiana.
Tudo isto veio a minha cabeça ontem quando fiquei entregue as minhas recordações dos anos sessenta e oitenta. E o pior é que nem tem futebol pra se assistir e agente passa o tempo vendo pela telinha o pessoal do Sub-17 da Copa São Paulo ou com as resenhas esportivas que só fazem especular quem vai mudar de clube pra no outro dia desmentir.
                          Pelo menos os Sócrates famosos morreram na cama!

O jeito foi consolar minhas mágoas com Jules Dassin e Melina Mercouri. Esta gostava dos domingos, mas não era por causa do futebol mas pelo papo casamenteiro. Ainda estou meio “retrô” querendo ficar no passado com os filósofos Sócrates e Jules Dassin. Custava nada levar o homem pro céu na segunda feira? Dizem que Ele escreve certo por linhas tortas mas com o grande jogador dos meus anos 80 agiu muito torto mesmo!

sábado, 24 de dezembro de 2011

Os especialistas


Os especialistas é o novo filme de Gary McKendry com lançamento mundial há duas semanas. Quem conhece Robert de Niro sabe que ele não faz outra coisa do que filmes de ação. Nesta ele está nas mãos do inimigo Spike(Clive Owen) e cabe a sua salvação a Danny (Jason Statham), um ex-agente britânico que pensa desfrutar a sua aposentadoria.
No filme acontece de tudo e acho que muita coisa dele foi inspirada na Bahia. Todo mundo sabe que existe corrupção, suborno e malas de todo tipo no futebol, envolvendo jogadores, dirigentes e juízes. Mas quando acontece com os últimos é o que chama mais atenção. Juiz não é brincadeira nem na Bahia nem em lugar nenhum.
                                                  Tem juiz que não é brincadeira!

Só que tem uns macetes pra lidar com eles que só os macacos velhos e Gary McKendry sabem. Mas evitam a todo custo dar nome aos bois, pois poderão voltar a precisar deles. Nesta crônica vamos contar alguns casos envolvendo casos de árbitros que trabalharam na Bahia e que o filme não aproveitou.
Zago era um juiz pernambucano que pertencia ao quadro de árbitros da federação Bahiana de Futebol. Num jogo decisivo entre Vitória X Bahia circularam dois boatos, um de que havia se vendido ao rubro negro, e outro dizendo o contrário. Estabeleceu-se uma confusão só quando a coisa chegou à imprensa. Tanto foi assim que o TJD interveio, examinou o caso e eliminou o Zago.
                                                              Já acabou o jogo?

O outro caso foi o que envolveu o juiz Anivaldo Magalhães quando um torcedor do Galícia foi à sua residência oferecer-lhe quatro a cinco milhões para que ele desse o triunfo ao azulino. O árbitro, além de recusar, fez o maior escândalo, tentou agarrar o sujeito que teve que correr pra não apanhar. Mas só se soube por que ele fez a denúncia na FBF.
No livro Futebol, paixão & catimba, que traz as memórias do ex-presidente do EC Bahia Osório Vilas Boas, encontramos vários casos envolvendo os árbitros de futebol. Este, quando o clube disputou a Taça Brasil ameaçou vários deles de veto para todas as partidas em que atuasse no sentido de “coagi-los a serem honestos”.
                                Candidato estudando pra teste no quadro de árbitros da FBF!

Mas o próprio dirigente confessa que não era nenhum “santo” e fazia das suas. Conta que na excursão que o clube fez na Europa em 1957, ao chegar a Minsk na ÚRSS, procurou o juiz da partida através de uma intérprete, e lhe disse que “analisaria com muita calma e interesse a sua atuação, pois havia sido autorizado para contratar juízes estrangeiros para apitar prélios na América do Sul”. Nem precisa dizer que o juiz excedeu-se de simpatia com o time tricolor durante a partida...
No fim dos anos quarenta a Seleção baiana foi jogar em Recife pelo antigo Campeonato Brasileiro de Seleções. Durante muito tempo neste certame os pernambucanos haviam sido fregueses dos baianos. Mas, a partir de certo tempo, começaram a engrossar. Osório só assistia a partida. Ainda nem dirigia o clube nem tinha contato com os dirigentes esportivos baianos.
                                                   Sócrates sofreu na mão dos árbitros!

Mas mesmo assim conseguiu ficar no gramado junto à Polícia. O jogo foi muito conturbado. Houve um momento em que o atacante Siri, do EC Vitória, partir para agredir o juiz João Etzel, que no seu entender roubava escandalosamente para os pernambucanos. Aí a polícia do estado invadiu o campo e Osório foi no bolo, aproveitando a oportunidade pra xingar Etzel de cabo a rabo. Este porém, não se fez de rogado e afirmou:
- O segundo jogo não será lá em Salvador? Então, me aguente baiano!  
Aí o juiz mudou de lado e, segundo Osório, passou a roubar escandalosamente a favor dos baianos que foram campeões do Norte e Nordeste eliminando Pernambuco com o jogador Pequeno do Ypiranga fazendo o gol da vitória.
                                           Tem que ficar com o olho aberto Bial!

Osório conta ainda casos dos anos 60 e 70 quando o tricolor jogava fora de casa em certames nacionais. O primeiro foi em São Paulo contra o Corinthians e um juiz baiano, o Walter Gonçalves, dirigiu a partida. Mas pra Osório ele marcou um pênalti contra o clube tão absurdo que os próprios dirigentes esportivos daquele estado Mendonça Falcão, Wadih Helu e Paulo Machado de Carvalho ficaram horrorizados. Osório até hoje se pergunta por que ele agiu assim. Dinheiro? Acredita que ele se deixou pressionar pela torcida presente, que promovia uma gritaria infernal, e cedeu.
O segundo aconteceu em Porto Alegre com outro juiz baiano, o Nei Andrade. Esse viu que foi marcado contra o tricolor um gol feito com a mão mas não teve coragem de invalidar. Tanto assim que, quando acabou o jogo ele saiu correndo pra não ser linchado pelos jogadores baianos.  E à noite ainda escapuliu do hotel, com os cabides de roupa na mão, protegido pelo presidente da FBF Carlos Alberto de Andrade que lhe deu fuga.
                                                                   Virou até livro!

O terceiro foi no Ceará quando o Bahia disputava pra ver quem passava na Taça Brasil. Um locutor de rádio e também diretor do Fortaleza pressionou de cara dura o juiz baiano Alderico Conceição:
- Quantos filhos o senhor tem?
E, depois de ouvir a resposta, ameaçou:
- Marque direitinho, senão o senhor não vai mais vê-los...
Segundo Osório isso arrasou psicologicamente o juiz que prejudicou bastante o Bahia.
                                           Blatter e João Havelange juntos é demais!

Encerramos esta conversa com as máximas de Osório. Pra ele o Brasil está cheio de rivalidades regionais que se refletem nas arbitragens. Um juiz carioca, quando o jogo é entre baianos e paulistas, dificilmente deixará de ser simpático aos baianos. E, quando jogam baianos e cariocas com juiz pernambucano, a coisa fica feia para a chamada boa terra em face da rivalidade desta para com os pernambucanos.
No frigir dos ovos diz que, é o time que ganha o jogo, mas campeonato quem, ganha mesmo é a diretoria se souber “aplicar contra golpes” e olhem que não apenas em relação aos juízes. Só não conto o final do filme pra vocês verem.

·         Agradeço ao livro Futebol, paixão & catimba e ao blog Cine Pop.

terça-feira, 19 de julho de 2011

Estranhos normais

     
             
O diretor Gabriele Salvatore lançou novo filme nas telinhas. É a comédia traduzida no Brasil com o nome de Estranhos normais embora em italiano tenha a denominação irônica de “família feliz”. No elenco estão Fabrizio Bentivoglio, Margherita Buy, Fabio de Luigi e Valéria Bilello. Quem acha que os nossos adolescentes perderam o juízo deve ver o filme pra ver que o pessoal da nossa geração é muito pior.
Mas na Bahia, a terra mais criativa do universo, tudo isso é plágio. Muita gente estranha já apareceu por aqui, a começar por Cabral que pensou que aqui era a Índia, e continuou pelo impoluto governador Mem de Sá que matou tantos “selvagens” que se colocasse um ao lado do outro cobria a estrada Salvador-Ilhéus. E o que dizer dos malvados que comeram, o bispo Sardinha. Deve ter sido coisa dos antepassados de Joel Santana.
                                            As orientações de Geninho não são estranhas?

Esquisitos foram ainda Caramuru, Dom João, O general Labatut e o Conde dos Arcos, mas isso não atrapalhou em nada que tivessem um lugar na história. É por isso que se são estranhos, estão dentro da normalidade do padrão da política. Quanto ao futebol baiano sempre teve gente estranha, que fez as maiores loucuras pra ficar em evidência, leia-se no poder, e ganhar a qualquer preço.  Nesse pequeno espaço do meu blog só posso dar mesmo alguns exemplos, e só da década de trinta. Nem vou perder tempo com as “raposas” e “lalaus” do nosso futebol.
O Andaraí foi realmente um visitante carioca estranho. Imaginem que já haviam passado pela Bahia Botafogo, São Cristóvão, Flamengo, Bangu, América e Vasco da Gama, e todos encheram os campos do Rio Vermelho e da Graça de gols. Não dava nem graça neste tempo jogar com os cariocas. Era surra de cipó de aroeira.
                            E a estranheza do Capitão América dando autógrafos no Iguatemi? 

Mas aí chegou o louco Andaraí. Mais parecia coisa de Gabriele Salvatore. É que foi mesmo salvador para os baianos. Chegou aqui em janeiro de 1933 e sua estreia foi contra o alvirrubro apanhando por dois a um. Depois prometeu recuperação contra o recém fundado Bahia, mas qual, perdeu também por três a zero.
Aí pediu pra jogar contra o poderoso Ypiranga. Era ou vai ou racha. E não é que conseguiu um empate em três gols? Os diretores do clube então foram aos jornais dizer que haviam estranhado o campo da Graça e que a partir de agora ia ser normal. Pediram então revanches contra Ypiranga e Botafogo, e atreveram-se até a enfrentar a seleção baiana. Mas passaram uma vergonha desgraçada, pois perderam todas, do auri negro (0 X 2), dos diabos rubros (3 X 4) e do selecionado (1 X 2).Carioca deste jeito os baianos nunca viram.
                                              E que é que vocês me dizem de Lady Gaga! 

Outro clube muito estranho foi o Bandeirantes (alguém já ouviu falar?). Olhem que antes dele os paulistas só chegavam aqui a passeio. O primeiro que chegou por aqui foi o Comercial em 1920 vencendo a seleção baiana. Depois dele veio o Santos, que massacrou a todos. O Bandeirantes chegou aqui em outubro de 1933 e gostou tanto que passou mais de um mês na Bahia.
Mas dava pra ver que não era por causa do futebol. Deve ter andado muito no Tabuão fazendo compras e nas “casas alegres” da cidade. Na Graça mesmo arranjou pouco. Estreou tomando de quatro a três do Ypiranga só conseguindo ganhar na segunda partida, para o Botafogo (4 X 1). Aí empatou com o Dois de Julho (sic!).
                                       Ah, naquele tempo não tinha nem o Lanterna Verde!

Como havia melhorado o rendimento os dirigentes marcaram partidas com o Bahia e a própria seleção baiana, a primeira perdida pelos paulistas pelo escore mínimo, e a segunda obtendo um heroico empate em cinco gols. Até aí era uma boa campanha mas o clube insistiu em continuar. Assim, perdeu pro Vitória (2 X 4) e venceu o combinado Fluminense-Guarany (4 X 3). Quando já tinha enfrentado todo mundo teimou em conceder revanches, empatando novamente com o Dois de Julho (0 X 0), e desabando de vez contra a Seleção baiana (1 X 6) e o Ypiranga (1 X 4).
Um estranho Vasco da Gama veio á Bahia em abril de 1936 quando Hitler se fingia de maluco. A partida de estreia foi contra o Vitória, que já não ganhava títulos fazia 27 anos e vivia de taças de torneio inícios e segundos quadros. Naquele dia não teve apostador que acertasse no escore, quatro a um para os baianos. Mas depois disso o time do almirante endoidou levando todo mundo que achou pelo caminho, o Botafogo (3 X 2), o Bahia (4 X 1) e o Galícia (2 x 0). Durma-se com um barulho desses!
                                               A gripe matava, e nem se chamava Palocci!

O estranho Corinthians chegou neste mesmo ano, em setembro, e não decepcionou os seus fãs. Venceu e perdeu na revanche contra o Ypiranga (2 X 1 e 0 X 2), mas arrasou o Botafogo (6 X 1) e estraçalhou o Bahia (8 X 1). O tricolor ainda tentou uma revanche mas caiu por dois a um. No entanto, quando os paulistas apareceram de novo em Salvador, apenas dois anos depois, mostraram que estavam longe de ser normais, só conseguindo vencer Ypiranga (1 X 0) e Galícia (3 X 2), e caindo feio para o Bahia (2 X 5) e Botafogo (0 X 2). E nem serve a desculpa de dizer que era perto do carnaval daquele ano!
Dois meses depois de o Corinthians ir embora chegou o estranho Flamengo. Parecia o mesmo furacão quando apareceu na Graça. Massacrou logo Botafogo (7 X 1) e Bahia (5 X 2), fazendo com que todos tivessem medo de enfrenta-lo. Só o Ypiranga se atreveu a “cortar este barato”. E não é que o temível rubro negro carioca caiu perante o mais querido por três a um? Sobrou para o Galícia, que quando viu o sucesso do auri negro quis tirar sua lasquinha no mengão, o resultado porém foi cair de quatro.
                                         Mas esquisito mesmo é Obama virar republicano!

A década terminou em matéria de estranheza com o poderoso Santos FC. Já falei dos massacres que havia promovido na Bahia de antes da revolução de 30. Mas, quando chegou aqui, na época do Estado Novo, as coisas foram completamente diferente. Em abril de 1938 a Bahia estava sob intervenção federal mas o peixe só conseguiu ganhar do Ypiranga (3 X 0) e do Bahia (3 X 1), caindo para o Galícia (1 X 2), e só conseguindo um empate do Botafogo (3 X 3). Na despedida ainda tentou vingar-se do time da colônia espanhola, mas qual, só arranjou a muito custo um empate em três gols. Foi desta vez um estranho normal.

·          Agradeço ao Almanaque do Futebol Brasileiro, ao blog encontro.net e aos sites wap.cinema.uol e adorocinema.

quarta-feira, 6 de abril de 2011

O dia do lobisomem na Bahia

                                                         Esse é o meu barbeiro!     

Já falei neste blog sobre o Dia de São Valentim que serviu de base, para que os comerciantes brasileiros criassem, em junho, o Dia dos Namorados. Mas o que muita gente não sabe é que nem sempre este dia foi dedicado a São Valentim. ! Aliás, essas datas são adaptações da Igreja Católica de diferentes ritos e festivais pagãos.
Na antiga Grécia, esse dia era utilizado para a iniciação das crianças em rituais dos caçadores primitivos. As tribos tinham o seu “encantador de lobos” que era responsável pra fazer com que as bestas-feras não atacassem o rebanho. Se eles quisessem podiam também se transformar em lobos.
Na Roma antiga houve a Lupercália, dedicada ao deus Lupercus, onde os filhos eram batizados com sague de cabra e de cachorro (protetor dos rebanhos) quando os homens se comportavam como lobos. Apesar de esta celebração ter mudado de caráter ao longo do tempo há quem diga que a Igreja acabou se apropriando da data consagrando-a a São Valentim que, juram que nunca existiu!
                                                         Esse realmente é "taca"!

Bem, em briga de branco em não me meto. Só contei essas coisas porque tem gente que não sabe que tudo isto repercute no futebol. Na Bahia, desde que souberam desta polêmica, passaram a começar o campeonato entre abril e junho, pra não criar polêmica com os lobisomens. A coisa era seguida tão á risca que, quando construíram o Estádio da Graça, o campeonato chegou a terminar quatro dias antes, em 10 de fevereiro, cancelando-se ainda três jogos! O pessoal não queria conta com a besta!
Dois anos depois a Associação Atlética não permitiria que seu jogo contra o Ypiranga fosse programado neste dia pedindo a sua colocação para o dia seguinte. Foi por isso é que empatou e faturou o campeonato. Aliás, o mesmo fez o Baiano de Tênis em 1927, que antecipou o jogo e ganhou de quatro a dois do Fluminense levando a taça pro clube.
A tradição continuou por muitos anos. Tanto é que a literatura de terror não registra nenhum lobisomem na Bahia neste tempo, não é mesmo? Nos anos trinta o campeonato terminava antes do fatídico dia, chegando ao ponto de em 1937 deixarem de ser jogadas duas partidas. Nesse ano, porém, o tricolor resolvei desafiar a proibição programando amistoso contra o São Cristóvão. Mas não deu em nada, o Bahia ganhou de três a zero e o lobisomem deixou pra lá, pois não gostava de times da Igreja. No ano seguinte, quando foram jogados dois campeonatos, pularam o quatorze de fevereiro pra não terem ainda mais problemas.
                    
                                                Como é que o pessoal ainda insistia!

Nos anos quarenta aconteceram dois problemas. O Galícia conseguiu adiar por dois dias a excursão do Bonsucesso em 1941, conseguindo pelo menos em sua estreia empatar em dois gols com os cariocas. O mesmo fez o tricolor baiano ao antecipar uma partida já agendada do América de Recife em Salvador. Os pernambucanos tiveram que cancelar compromissos e acabaram perdendo por quatro a dois.
Em 1958 o próprio Corinthians seria prejudicado por aceitar que marcassem sua partida no dia da besta. Ainda bem que o pós de arroz não aceitou. A partida foi realizada dois dias antes e o alvinegro paulista levaria três a zero dos cariocas em terras baianas. Nem com a proximidade da ditadura militar quiseram mexer com isso, fazendo com que o pessoal suspendesse o certame no dia nove de fevereiro e só voltasse em 28 de março, exatamente quando já vinham outros lobisomens de farda pra assustar a população brasileira. Mas no ano seguinte o Guarany resolveu afrontar pela primeira vez o mito, pedindo pra jogar esse dia por falta de datas. O Fluminense de Feira, entretanto, não quis de jeito nenhum, conseguindo jogar na véspera. Resultado, os “índios” tomaram de quatro a zero e ainda foram lanternas do campeonato!
No grande ano de “68” o tricolor pensava que estava coberto pelas manifestações estudantis, mas se deu mal apanhando pro Cruzeiro (sem saber se era velho ou novo) por dois a zero. O lobisomem foi tão mal que nem aceitou que o esquadrão de aço arranjasse alguma coisa na revanche, a qual perdeu de novo, agora por três a dois.
                                                   Ora esse é apenas um cara peludo!

Levariam onze anos antes de desobedecer de novo a mitologia. Foi na época de Paulo Maracajá e, como o Bahia iria conquistar este ano o inédito heptacampeonato, a glória “subiu á cabeça”. Assim topou enfrentar o velho Leônico, e mesmo assim empatou em um gol. Três anos depois, no entanto, o tricolor ganharia do Misto (MT) fora de casa no campeonato brasileiro pelo escore mínimo. Nesse dia foram a casa do lobisomem e deram uma série de desculpas. O jogo foi marcado pela nova CBF (que nem conhecia essas coisas do além) e o misto era um alienígena, metade homem e metade bicho, portanto, um colega da fera. Aí ficou “o feito pelo não feito”.
Nos anos noventa, porém, houve problemas e o lobisomem teve que tomar providencias contra os baianos. O Bahia aceitaria jogar pela Copa Brasil em Volta Redonda no dia fatídico e “se lenhou” feio, empataria a partida e, mesmo eliminando o “Voltaço” nos pênaltis, daria o azar de pegar e cair pro Cruzeiro. Mas não aprenderia a lição. No ano seguinte nova escalação nesse certame entre Gama e Bahia. Na ocasião o esquadrão de aço até que ganharia fora (1 X 0), mas, de novo, não passaria pelo Curitiba.
Em 1997, com uma nova geração de dirigentes “profissionais” o problema foi relegado marcando-se toda uma rodada no dia 14 de fevereiro. Uma verdadeira provocação ao lobisomem. Na ocasião só o tricolor se recusaria a jogar na data. Dizem que a besta apareceu em todos os estádios onde houve partidas infernizando os torcedores que sequer assistiram aos jogos até o final. O Vitória só não perderia o título este ano porque estava “o bicho” ganhando todas as fases do certame, e, aliás, decidindo com o Poções.
                                                     Não adianta rezar meu amigo!

Dois anos depois a dupla BA-VI não protestou contra nova rodada marcada pro 14 de fevereiro. Só de última hora os medrosos conseguiram alterá-la colocando-a pro domingo seguinte. Naquele dia os torcedores ficariam sem futebol, mas o campeonato não terminaria este ano, tendo que ser decidido pelo tribunal que, de forma salomônica, dividiu a taça entre os dois clubes.
Em 2004 incorreriam na falta de respeito aos lobisomens agendando Catuense e Camaçari na data. O BA-VI foi no outro dia. Mas a laranja mecânica pagaria caro pela ousadia, conseguindo chegar as semifinais do certame quando seria arrasada por cinco a zero pelo rubro negro campeão. Em 2006 houve muita discussão se a rodada seria em 14 ou 15 de fevereiro. Na ocasião o Colo Colo resolveu escalar um time misto perdendo pro Atlético de Alagoínhas por um a zero. A rodada acabou sendo no dia quinze, mas não adiantou pro lobisomem, que decidiu castigar os clubes dando o título, de maneira inédita, ao Colo Colo.
A última vez que os dirigentes esportivos escalaram jogos no dia 14 de fevereiro foi exatamente em 2007. Na ocasião pensou que a situação não podia piorar afinal a dupla BA-VI estava na terceira divisão. O que podia ser pior do que isto? Marcaram, para a Fonte Nova, Bahia e Catuense pelo campeonato baiano e, no Barradão, Vitória e Baraúnas pela Copa Brasil. O tricolor daria de cinco a um no time da terra da laranja e o Vitória empataria em um gol no Rio Grande do Norte.
                                                   Só os cegos é que não acreditavam!

Mas a vingança do lobisomem seria cruel. A Catuense seria rebaixada esse ano pra Segunda Divisão, o Bahia não conseguiria subir pra Segunda do Campeonato Brasileiro, o Vitória só passaria por este esquisito time nos pênaltis tropeçando no Atlético Paranaense logo depois, e a própria Fonte Nova seria interditada após o desastre memorável de 25 de novembro onde caiu um trecho do estádio matando sete torcedores.


·          Agradeço as informações de dougspedotto, dos sites O esquema, Cansei de ser cowboy, Futipédia, RSSF Brasil e do Almanaque do Futebol Brasileiro. Sou grato ainda as imagens dos blogs regociodojapao.com.br,blog.tj.net,devilout.unbrode.com.br,miniweb.com.br e folclore-lobisomem.blogspot.com. 

sábado, 19 de março de 2011

Tempo de horror

               Isto aí é fichinha pra época!

Com a publicação de tantos livros sobre o golpe de 64 muita gente tomou conhecimento sobre os acontecimentos políticos de antes, durante e depois desse infausto acontecimento da nossa história. No entanto, pouca gente sabe dos fatos esportivos desses dias.
Jango assumiu no lugar de Jânio em setembro de 1961, após os dez dias que abalaram o Brasil, e com a “solução” parlamentarista. A sua política de sustentação e as contradições entre o presidente e o congresso abriram espaço para as forças populares que conquistaram várias posições, principalmente até o plebiscito que devolveu o presidencialismo.
Após ter, aparentemente, contornado a crise, o presidente enveredou por caminhos econômicos que o isolaram das forças populares abandonando o Plano Trienal. Começa a contagem regressiva de um golpe anunciado por Carlos Lacerda em setembro nos EUA.
                Quem é mais feio Lacerda ou Hulk?
Em janeiro de 1964 professores universitários, liderados por Sobral Pinto, lançam manifesto acusando o governo de complacência em relação à “comunização” do Brasil. Ademar de Barros pede aos cristãos e democratas união contra o perigo comunista num contexto onde o ministro da justiça Abelardo Jurema intensifica as articulações para a reforma constitucional onde prega a reeleição de Jango.
O governador Ildo Menegheti (RS) engrossa o coro da direita denunciando um movimento subversivo programado para ocorrer em janeiro, implicando Brizola, o prefeito de Porto Alegre e deputados da base de Jango. Enquanto isto o governo dá uma no cravo e outra na ferradura.
No dia 11 de janeiro o deputado João Calmon pondera se não é mais prudente que o presidente cumpra o seu mandato pra que não volte como mártir. Alguns dias depois anuncia que “os democratas devem combater os comunistas em qualquer terreno e com qualquer arma”. No outro dia Goulart assina a lei de remessa de lucros. Carlos Lacerda acusa o governo de apertar o cerco contra a Guanabara e o Cardeal Jayme Câmara acusa uma conspiração revolucionária do governo.

No fim de janeiro o presidente da UDN Bilac Pinto “denuncia” que estaria sendo distribuídas armas aos sindicatos de trabalhadores rurais no mês que é criado o Movimento do Rosário da Família pelo padre Peyton.
Fevereiro começa com o Corinthians ganhando do Botafogo num amistoso (vejam lá se havia clima pra amistosos!) por três a dois no dia sete. A quatorze Castelo Branco, na aula inaugural da Escola de Aperfeiçoamento de Oficiais, condena o comunismo e adverte os oficiais para seus deveres com o Exército e a pátria. No entanto, mais tarde o presidente é homenageado no 19º aniversário da tomada de Monte Castelo por tropas brasileiras na Itália.
Os gaúchos fazem uma série de promoções esportivas na ocasião. A Portuguesa de Desportos e o Corinthians visitam Porto Alegre. O Inter vence a equipe inspirada nos lusitanos pelo escore mínimo, enquanto o Grêmio empata sem gols.
            Esta tortura não dá nem pra melar!

Quatro dias depois, em 25 de fevereiro, Brizola é impedido de falar em Belo Horizonte no Congresso dos Trabalhadores da América Latina. Antes do mês se encerrar ainda dá tempo pro São Paulo ir á Campinas e derrotar a Ponte Preta, para o Atlético Paranaense visitar Porto Alegre (perdendo de três a zero), e ao Atlético Mineiro viajar pra Governador Valadares onde derrota o Democrata local por dois a um. Pra quem ainda não sabia do golpe este resultado mostrou que a democracia não estava com nada na ocasião!  
Março se inicia com a alta do dólar, quando o presidente autoriza O Banco do Brasil a intervir no Câmbio. O Cruzeiro empata sem gols um amistoso com o América (RJ). No dia sete Jango recebe presente de aniversário de oficiais em Brasília. Para, um dia depois, o Guarany de Campinas vencer os diabos rubros cariocas por dois a um.
Quatro dias depois ocorre o comício direitista no bairro de Bonsucesso, Guanabara, embora só reúna duas mil pessoas. Ao tempo em que em Belém, se trava o clássico local, onde o Paissandu ganha do Remo pela esquisita contagem de cinco a três.

No dia doze o Diário de Notícias-RJ publica uma declaração de diretor da Associação Comercial do estado quer afirma “armai-vos uns aos outros porque nós já estamos armados”. No outro dia o comício da Praça da República com duzentas mil pessoas é televisionado e o presidente se compromete com uma série de reformas populares que envia ao Congresso Nacional reagindo à direita com o pedido de seu impeachment.
Mas outras coisas importantes aconteceram neste dia. O Olaria, por exemplo, achou justamente esta ocasião pra começar uma temporada no Norte e Nordeste, estreando com um empate em dois gols com o Náutico. Dois dias depois jogaria em Campina Grande ganhando do Treze de campinas por dois a zero.
Dia 17 Costa e Silva adere ao golpe e passa a ser sua mais alta liderança militar, e é quando Carlos Lacerda envia carta circular aos governadores conclamando-os a formarem um bloco contra a “guerra revolucionária”. Dois dias depois a direita se assanha ainda mais promovendo uma marcha pela família, com Deus pela Liberdade em São Paulo, onde a farta utilização da máquina pública garante a presença estimada em quinhentas mil pessoas.
Ainda quer pegar o celular?

Dois dias depois é o nosso EC Bahia começa uma excursão a Recife com um empate sem gols contra o Sport. Lacerda passa a fazer abertamente articulações com governadores onde afirma que uma Assembleia Constituinte seria o prenúncio de uma ditadura.
No dia 22 o ministro Silvio Mota manda prender diretores da Associação dos Marinheiros e Fuzileiros navais que haviam comparecido a uma reunião sindical. Enquanto isto o Bahia vence o Náutico (2 X 1), o Olaria chega a Belém (onde empata em um gol contra o “papão do Curuzú”) e o Grêmio vai a Curitiba golear a equipe do mesmo nome por quatro a um. Mais um dia, é realizada em Santos uma marcha semelhante à de São Paulo com a presença de oitenta mil pessoas.
Os marinheiros e fuzileiros se concentram no Sindicato dos Metalúrgicos (RJ) sendo vãs as tentativas de desentocá-los. A crise só acaba no dia 27 com um acordo que passa pela liberdade dos dirigentes, que só saiu após novo clássico paraense onde Remo e Paissandu não tiram o zero do placar.
                      Como agente apanhava!

No dia 29 o Olaria se despede das canchas paraenses empatando em um gol contra o Remo. Em sua saída, porém, é substituído pelo Palmeiras que resolve sair em excursão. Os pernambucanos tem muito a se queixar desta época. Pois além do golpe tiveram que suportar a presença do alvi verde paulista. Imagine que o porco, dois dias antes do golpe, ganhou do Sport por quatro a um e, não contente com isto, enquanto as tropas do general estavam, na estrada, fulminou no Náutico por quatro a zero.
O calendário político ainda verificaria a homenagem de Jango no Automóvel Clube pela Associação dos Sargentos da PMERJ, no dia 30 de março, enquanto oficiais se reúnem no Clube Militar onde fazem dura crítica á CGT.
Na madrugada do outro dia as tropas do general Olympio Mourão Filho marcham de Minas Gerais para o Rio de Janeiro. Durante seu trajeto (não interrompido pelo governo) vão estimulando apoios militares em vários estados.

A CGT e a UNE convocam greve geral no dia primeiro de abril. Mas a greve não chegou ao interior do Paraná, senão o Londrina não perderia pro Jacarezinho de Mogi Guaçu por dois a um. Bem feito pra ele por furar a greve!
A partir daí são feitas prisões de lideranças políticas e sindicais em todos os cantos do país, enquanto Jango tenta conseguir apoio “por cima” pra permanecer no cargo e perambula do Rio para Brasília e para Porto Alegre.
Enquanto viaja, na calada da noite se trama a sua destituição com a declaração do cargo de presidente vago e o empossamento do deputado Ranieri Mazzili numa sessão realizada na madrugada. Ao tempo em que uma nova marcha pela família ocorre na Guanabara com a participação de cerca de um milhão de pessoas.
Voçê quer que tenha imagens da tortura?

Com exceção do Mato grosso, não achei ninguém que tenha se arriscado a jogar nesses dias. No dia quatro de abril (uma sexta feira) encerram-se as greves de resistência, sendo uma das últimas a dos petroleiros da Refinaria de Mataripe na Bahia. Nesse dia uma assembleia do Clube Militar (RJ) exige a cassação de todos os parlamentares que consideram comunistas.
No fim de semana os paraenses fominhas do Remo e Paissandu fizeram outro jogo, agora com o papão perdendo por dois a um. E o EC Bahia iria a Candeias jogar com a seleção do município, vencendo por quatro a zero.
O fim de semana foi um verdadeiro sufoco dadas as medidas que fecharam os bancos. Mais mesmo assim se arranja uma farsa, uma manifestação na porta da casa do general Castelo Branco propondo que assuma a presidência.

                                    Vão levar pra onde?
Consumado o golpe, seus dias posteriores foram uma espécie de “salve-se quem puder” para os militantes que sonhavam por reformas no Brasil. Na segunda feira é editado o Ato Institucional No 2 legalizando prisões e impondo punições a milhares de civis e militares.
E, na terça, sai à lista de cassações que engloba 39 parlamentares e 58 personalidades, ao tempo em que o Bahia arranja um amistoso com o Galícia na Fonte Nova onde os atacantes fizeram greve de gols. Na quarta ocorrem as “eleições” para presidente no Congresso para onde são conduzidos Castelo Branco e José Maria Alkimim.
As universidades são vasculhadas pelo novo AI, regulamentado em 27 de abril. Só no IPM da UNE são indiciadas setecentas pessoas, num tempo em que a ditadura, por não caber mais presos nas instalações militares, apelou para o recurso de trancafiar opositores em navios fundeados perto da costa.

O próximo mês começa com o tricolor jogando com Leônico (1 X 1) e Galícia (2 X 0) na Fonte Nova. Três dias depois, em 13 de maio, o Brasil rompe com Cuba. No dia primeiro de junho baixa a lei anti greve. E, em 22 de julho, o mandato de castelo Branco é prorrogado até 1967, quando se entendeu que o regime tinha vindo pra ficar.
No fim de julho seria organizado o primeiro torneio destes tempos sombrios com a participação de Bahia, Vitória, Galícia e Leônico. Enquanto isto as oposições já encetavam a resistência que iria durar pelo menos duas décadas.

·        Agradeço as contribuições do Almanaque do Futebol Brasileiro, e dos blogs rodolfostenki.blogspot.com,hiperbazar.net,noticias.r7.com,bocadoinferno.com,quadrinhos.wordpress.com e baixakijogos.com.br.  

sexta-feira, 11 de março de 2011

O Titanic na Bahia




Espero que meus visitantes do Japão(e quem não me visita também) tenham escapado desta. Tirei o dia de hoje pra consolá-los com um artigo que mostra que tragédias não ocorrem só por aí.  Pelo menos tragédias esportivas aconteceram "as pampas" na Bahia onde a prática de jogos amistosos é centenária. É que não se vive só de torneios e campeonatos oficiais. Há que se acertar o time, ganhar conjunto, entrosar novos jogadores. E, depois que inventaram o profissionalismo, ganhar dinheiro. No entanto, em muitos desses “amistosos” o clube promotor na verdade foi buscar a corda pra se enforcar. São tantos desastres nestas ocasiões que os selecionamos e organizamos mês a mês.
Janeiro é mês de muitos santos, mas é mês também de desastres formidáveis. No dia dedicado a São Telêmaco (1º), por exemplo, a Seleção baiana conseguiu a façanha de afundar perante o São Cristóvão carioca em 1926 por sete a um. E, no dia 30, dedicado a São Hipólito, o antigo Fluminense foi massacrado pelo Bangu por nada menos que dez a um!Não adiantou nem baixar os escaleres que não se salvou ninguém.
Fevereiro na Bahia é geralmente consagrado ao carnaval. Mas também é mês de naufrágios memoráveis. No dia 7, que é dedicado a Pio IX, a seleção baiana atreveu-se a trazer em 1919 um clube carioca pela primeira vez nestas paragens. A partida foi no velhíssimo campo do Rio Vermelho, mas entrtou agua nas máquinas, sete a um para o Botafogo FR. Já no dia dez de fevereiro de 1933, dedicado a São Jacinto, o recém-criado EC Bahia foi triturado por um clube que ninguém mais conhece, o Brasil (RJ), por oito a dois. E isso na véspera da data consagrada a Nossa Senhora de Lourdes, que nem deu uma forcinha pra levantar o casco do navio dos baianos.

        Baiano enfrentando as chuvas de todo ano em Salvador!

Em março temos várias tragédias, algumass de novo contra cariocas. Logo no dia primeiro desse mês em 1945, consagrado a Santo Herculano, o EC Vitória quer esquecer o albaroamento que sofreu do Fluminense por seis a dois.  Mas o dia 15 do mês em 1953 com certeza jamais será esquecido pelos torcedores baianos. É que neste dia aconteceram três incríveis naufrágios em plena Baía de Todos os Santos. O Ypiranga levou oito a um do Vasco da Gama. Enquanto isto na Fonte Nova era aberto o Torneio Régis Pacheco onde o Bahia perderia de sete a um do Internacional na preliminar. O fato serviu de gozação para os rubro negros, que no entanto na partida principal veriam o Vitória levar de oito a dois do Flamengo. E tudo isto logo no dia de São Zacarias!
Alérm disto Santa Eufrásia não ajudou nada a evitar que entrasse agua no navio do Botafogo local, no dia vinte de março de 1937, quando foi goleado pelo Flamengo por sete a um. E o que dizer de São Rômulo, que deixou que o navio do mesmo rubro negro carioca batesse de frente com o tricolor baiano enfiando-lhe sete a dois em 24 de março de 1946? Esses santos parecem mesmo que só ajudam a marinha do Sul!
                                                              Essa passou perto!


No dia consagrado a Tiradentes (que bem que merecia ser santo mas a Igreja Católica preferiu santo Anselmo) em 21 de abril de 1943 seria a vez do tricolor “lavar" o convés do navio goleando o mais querido Ipiranguinha por oito a um! E não adiantou o Botafogo apelar pra santa Teodora pois em 28 de abril de 1946 foi afundado pelo Vasco da Gama por incríveis oito a três. E o pior é que a celebração de N.Sra do Bom Conselho dois dias antes em nada aconselhou os diabos alvi rubros.
Maio é o mês das noivas, mas também de formidáveis naufrágios na Bahia. No dia cinco de maio deste mesmo ano a nave cruzmaltina bombardearia o esquadrão, não tão de aço, por seis a dois no dia consagrado a São Niceto. O São Cristóvão apareceria de novo na Bahia em 1935 e jogaria com o Ypiranga no dia dezesseis desse mês, dedicado a São João Nepomuceno, mas cadê santo pra proteger o navio dos aurinegros que apanharam de seis a um? Nem valeu treinar no dia de N. Sra. de Fátima três dias antes!

Junho é consagrado às festas juninas. Mas não teve festa que evitasse os naufrágios do EC Vitória, desta vez na Fonte Nova. No dia 28 desse mês em 1997 os leões da Barra fariam um “papelão” ao bater no casco do rubro negro carioca e afundar com cinco furos a zero no dia de São Irineu. E o navio do Ceará Sporting nem respeitaria o dia de São Pedro, fundador da Igreja Católica, passando ao largo da baía sem dó nem piedade vencendo o antigo leão da Barra por sete a dois em 29 de junho de 1972. Isso fez com que o clube ganhasse por anos o apelido de “seu sete”.
E o que dizer dos naufrágios de julho? O primeiro pelo menos ficou entre nós, quando o EC Vitória, num torneio, fez afundar o seu arquirival por formidáveis sete a um em plena data magna consagrada no estado à independência do Brasil. Foi o maior escore já verificado em um jogo nesta data em território baiano. Só que a Igreja Católica releva esses acontecimentos políticos e preferiu mesmo creditar o dia a São Vidal.
                                  Também esses santos só tomam partido dos clubes do Sul!

Mas o próximo não teve jeito pois foi contra a Portuguesa de Desportos num torneio. Era a primeira vez que um navio luso vinha a Fonte Nova e não fez por menos imprensando o Ipiranguinha por seis a um no dia onze desse mês no ano da inauguração do estádio em 1951. E olhe que Salvador possui um dos poucos mosteiros da América do Sul dedicado a São Bento e bem pertinho da Fonte Nova!
Bem, mas agosto é conhecido no Brasil como o mês das tragédias. Mas não é só de política que se sustenta esta lenda mas também do futebol. Coitado dos azulinos que vieram lá da Galícia pra comprovar isto quando foram martirizados por um verdadeiro tsunami do recuperado Ypiranga por nove a um! Isto foi em 27 de agosto de 1939 em pleno dia de Santa Mônica e dois dias antes do martírio de São João Batista.
                                                A Fonte Nova ficava cheia de buracos!

A chamada independência do Brasil se celebra em setembro ao invés de julho quando foi confirmada na luta da Bahia. E o mês não é só de tragédia para os portugueses. Os baianos nunca se esquecerão da fatídica excursão marítima do Corinthians nesse mês em 1936. Na ocasião os paulistas não respeitaram nem a Santa Madre Igreja. Imaginem que no dia de São Eustáquio albaroaram a grande equipe do Botafogo encaixando-lhe seis a um. A partida foi realizada apenas cinco dias depois da festa de N.Sra das Dores mas só doeu mesmo pro alvi rubro. E, apenas uma semana depois, enquanto se celebrava o dia de São Vicente de Paula, os alvinegros promoveram outra tragédia, assestando a maior goleada da história do tricolor baiano: oito a um! É por isso que muitos torcedores se assustam com ateus como esses do Parque São Jorge!
Outubro é um mês ameno de clima, pelo menos no Brasil. Não é á toa que é realizado nele o Dia das Crianças e as festas de N. Sra. do Rosário e N. Sra. de Aparecida padroeira do Brasil. Mas há clubes que não querem saber disto. Não estão nem aí para as tradições cristâs. O dia 24 desse mês é dedicado a Santo Antônio Maria Claret. Mas este santo não dá sorte aos baianos. É que em seu dia aconteceram duas tragédias memoráveis por aqui. Uma delas foi em 1935, durante a insurreição da Aliança Nacional Libertadora, quando o Botafogo FR aproveitou e fez afundar o nosso rubro negro por sete a dois. A outra desfeita foi do Internacional (RS) que no fim da Segunda Grande Guerra em 1945, faria naufragar o nosso mais querido Ipiranguinha por formidáveis dez a quatro!
                                                       Foi um verdadeiro massacre!

Novembro é consagrado em nosso país á chamada república. Não tem importância que nem o marechal Deodoro da Fonseca quisesse isto quando a proclamou, ou que os baianos a proclamassem duas vezes e desse uma confusão danada. Nele ocorre também o dia de todos os santos e de finados. Aqui os finados seriam Vitória e Botafogo que sofreriam novos desastres. O rubro negro, no dia seis desse mês, dedicado a São Severo, sofreria a severidade da esquadra do Flamengo, eternizando seu apelido ao apanhar por sete a dois. Já o alvi rubro, no dia 22, teria a desfaçatez de quebrar o casos no navio tricolor com escore de baba (sete a três) em pleno Dia de Santa Cecília a protetora da música.
Finalmente encerramos esses anos de desastres do futebol baiano com um dos maiores deles, ocorrido logo no dia da festa da Imaculada Conceição, oito de dezembro de 1938. Esse período merece ser mais bem investigado pelos pesquisadores do esporte em função de tantos acontecimentos estranhos. O Vitória abandonou o campeonato baiano no ano anterior e neste ano houve dois campeões.
Quando o rubro negro voltou, disputando os dois “campeonatos” seu navio estava em reparos. Mas a insistencia de "pegar no tombo" fez com que fosse lanterna dos dois certames tomando goleadas memoráveis, dignas do Titanic, destacando-se as sofridas contra o Bahia. Nos campeonatos baianos já tinha amargado escores exdrúxulos de 9 X 4 e 10 X 2. Mas, não contente com isto o clube aceitou fazer um amistoso contra o tricolor que resultaria na maior goleada da sua história, sendo estraçalhado por incríveis dez a um do seu futuro arquirrival.  Foi com dificuldade que o arsenal reparou o seu navio!

·    Agradeço as informações do Almanaque do Futebol Brasileiro, do Setor de Periódicos raros da BCE e do site cademeusanto. Sou grato ainda às imagens dos blogs madscience.com.br,cinedayvs.blogspot.com,pamonhablog.com.br,babygarrout.blog.uol.com.br,renilsonmirandasilva.blogspot.com e tudojoia.blogspot.com.