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terça-feira, 19 de julho de 2011

Estranhos normais

     
             
O diretor Gabriele Salvatore lançou novo filme nas telinhas. É a comédia traduzida no Brasil com o nome de Estranhos normais embora em italiano tenha a denominação irônica de “família feliz”. No elenco estão Fabrizio Bentivoglio, Margherita Buy, Fabio de Luigi e Valéria Bilello. Quem acha que os nossos adolescentes perderam o juízo deve ver o filme pra ver que o pessoal da nossa geração é muito pior.
Mas na Bahia, a terra mais criativa do universo, tudo isso é plágio. Muita gente estranha já apareceu por aqui, a começar por Cabral que pensou que aqui era a Índia, e continuou pelo impoluto governador Mem de Sá que matou tantos “selvagens” que se colocasse um ao lado do outro cobria a estrada Salvador-Ilhéus. E o que dizer dos malvados que comeram, o bispo Sardinha. Deve ter sido coisa dos antepassados de Joel Santana.
                                            As orientações de Geninho não são estranhas?

Esquisitos foram ainda Caramuru, Dom João, O general Labatut e o Conde dos Arcos, mas isso não atrapalhou em nada que tivessem um lugar na história. É por isso que se são estranhos, estão dentro da normalidade do padrão da política. Quanto ao futebol baiano sempre teve gente estranha, que fez as maiores loucuras pra ficar em evidência, leia-se no poder, e ganhar a qualquer preço.  Nesse pequeno espaço do meu blog só posso dar mesmo alguns exemplos, e só da década de trinta. Nem vou perder tempo com as “raposas” e “lalaus” do nosso futebol.
O Andaraí foi realmente um visitante carioca estranho. Imaginem que já haviam passado pela Bahia Botafogo, São Cristóvão, Flamengo, Bangu, América e Vasco da Gama, e todos encheram os campos do Rio Vermelho e da Graça de gols. Não dava nem graça neste tempo jogar com os cariocas. Era surra de cipó de aroeira.
                            E a estranheza do Capitão América dando autógrafos no Iguatemi? 

Mas aí chegou o louco Andaraí. Mais parecia coisa de Gabriele Salvatore. É que foi mesmo salvador para os baianos. Chegou aqui em janeiro de 1933 e sua estreia foi contra o alvirrubro apanhando por dois a um. Depois prometeu recuperação contra o recém fundado Bahia, mas qual, perdeu também por três a zero.
Aí pediu pra jogar contra o poderoso Ypiranga. Era ou vai ou racha. E não é que conseguiu um empate em três gols? Os diretores do clube então foram aos jornais dizer que haviam estranhado o campo da Graça e que a partir de agora ia ser normal. Pediram então revanches contra Ypiranga e Botafogo, e atreveram-se até a enfrentar a seleção baiana. Mas passaram uma vergonha desgraçada, pois perderam todas, do auri negro (0 X 2), dos diabos rubros (3 X 4) e do selecionado (1 X 2).Carioca deste jeito os baianos nunca viram.
                                              E que é que vocês me dizem de Lady Gaga! 

Outro clube muito estranho foi o Bandeirantes (alguém já ouviu falar?). Olhem que antes dele os paulistas só chegavam aqui a passeio. O primeiro que chegou por aqui foi o Comercial em 1920 vencendo a seleção baiana. Depois dele veio o Santos, que massacrou a todos. O Bandeirantes chegou aqui em outubro de 1933 e gostou tanto que passou mais de um mês na Bahia.
Mas dava pra ver que não era por causa do futebol. Deve ter andado muito no Tabuão fazendo compras e nas “casas alegres” da cidade. Na Graça mesmo arranjou pouco. Estreou tomando de quatro a três do Ypiranga só conseguindo ganhar na segunda partida, para o Botafogo (4 X 1). Aí empatou com o Dois de Julho (sic!).
                                       Ah, naquele tempo não tinha nem o Lanterna Verde!

Como havia melhorado o rendimento os dirigentes marcaram partidas com o Bahia e a própria seleção baiana, a primeira perdida pelos paulistas pelo escore mínimo, e a segunda obtendo um heroico empate em cinco gols. Até aí era uma boa campanha mas o clube insistiu em continuar. Assim, perdeu pro Vitória (2 X 4) e venceu o combinado Fluminense-Guarany (4 X 3). Quando já tinha enfrentado todo mundo teimou em conceder revanches, empatando novamente com o Dois de Julho (0 X 0), e desabando de vez contra a Seleção baiana (1 X 6) e o Ypiranga (1 X 4).
Um estranho Vasco da Gama veio á Bahia em abril de 1936 quando Hitler se fingia de maluco. A partida de estreia foi contra o Vitória, que já não ganhava títulos fazia 27 anos e vivia de taças de torneio inícios e segundos quadros. Naquele dia não teve apostador que acertasse no escore, quatro a um para os baianos. Mas depois disso o time do almirante endoidou levando todo mundo que achou pelo caminho, o Botafogo (3 X 2), o Bahia (4 X 1) e o Galícia (2 x 0). Durma-se com um barulho desses!
                                               A gripe matava, e nem se chamava Palocci!

O estranho Corinthians chegou neste mesmo ano, em setembro, e não decepcionou os seus fãs. Venceu e perdeu na revanche contra o Ypiranga (2 X 1 e 0 X 2), mas arrasou o Botafogo (6 X 1) e estraçalhou o Bahia (8 X 1). O tricolor ainda tentou uma revanche mas caiu por dois a um. No entanto, quando os paulistas apareceram de novo em Salvador, apenas dois anos depois, mostraram que estavam longe de ser normais, só conseguindo vencer Ypiranga (1 X 0) e Galícia (3 X 2), e caindo feio para o Bahia (2 X 5) e Botafogo (0 X 2). E nem serve a desculpa de dizer que era perto do carnaval daquele ano!
Dois meses depois de o Corinthians ir embora chegou o estranho Flamengo. Parecia o mesmo furacão quando apareceu na Graça. Massacrou logo Botafogo (7 X 1) e Bahia (5 X 2), fazendo com que todos tivessem medo de enfrenta-lo. Só o Ypiranga se atreveu a “cortar este barato”. E não é que o temível rubro negro carioca caiu perante o mais querido por três a um? Sobrou para o Galícia, que quando viu o sucesso do auri negro quis tirar sua lasquinha no mengão, o resultado porém foi cair de quatro.
                                         Mas esquisito mesmo é Obama virar republicano!

A década terminou em matéria de estranheza com o poderoso Santos FC. Já falei dos massacres que havia promovido na Bahia de antes da revolução de 30. Mas, quando chegou aqui, na época do Estado Novo, as coisas foram completamente diferente. Em abril de 1938 a Bahia estava sob intervenção federal mas o peixe só conseguiu ganhar do Ypiranga (3 X 0) e do Bahia (3 X 1), caindo para o Galícia (1 X 2), e só conseguindo um empate do Botafogo (3 X 3). Na despedida ainda tentou vingar-se do time da colônia espanhola, mas qual, só arranjou a muito custo um empate em três gols. Foi desta vez um estranho normal.

·          Agradeço ao Almanaque do Futebol Brasileiro, ao blog encontro.net e aos sites wap.cinema.uol e adorocinema.

domingo, 17 de julho de 2011

O caçador de vampiros


               
Pra quem quer ver gente híbrida, que não se sabe se é ser humano ou vampiro Blade é um prato feito. Vem tendo todos os ingredientes dos dramalhões, efeitos especiais e muita tecnologia desde que foi lançado em 1998. Desde então apareceram o Blade II (2002), o Blade: Trinity (2004), o Blade: A última geração (2006) e agora enche o saco na TV Blade: a série (2008).
Diferentemente dos heróis derrubados como o capitão América (que só tem um escudo) e Harry Potter (que só tem o diretor do filme para salvá-lo das encrencas em que se mete), Blade tem superpoderes, é imortal e ainda conta com seu mentor Abraham Wistler. A desculpa pra ter tudo isso é ter sido infectado na barriga da mãe que foi mordida por um vampiro.
                                                 Tinha era vampiro como Joseph Blatter!

Assim, Blade fez como Heloísa Helena e mudou-se de malas e bagagens para a oposição vampiresca. Mas diferente daquela é um rebelde sem causa só que só busca na vida vingar-se da morte de sua mãe. Como sempre na história existe um vilão, o tal do Deacon Frost que pretende organizar uma espécie de sindicato de vampiros pra acabar com a humanidade.   
Mas, quem pensa que Blade é original não está com nada. Aqui na Bahia existem vampiros há centenas de anos. Vocês não sabiam que os reis portugueses sugaram o sangue dos baianos e brasileiros por quase trezentos anos? Que, enquanto os baianos lutavam contra as tropas do general Madeira o português D. Pedro dava simplesmente um grito, dado ainda por cima num riacho de propriedade do Ypiranga pra enrolar os baianos? E que dizer de um monte de governadores da capitania, província e estado que enriqueceram ás custas do suor e sangue dos baianos?
                                                               Rolava era sangue!

Esse personagem criado pela Marvel Comics para uma história em quadrinhos foi clonado da Bahia. Seu pai foi o Bangu que fecundou duas mães, a Associação Athlética e o Baiano de Tênis, gerando o EC Bahia em 1930. Tudo começou quando o clube carioca excursionou por aqui nas férias de 1930.  Chegou aqui e foi logo esmagando a Associação (5 X 2) e o Fluminense (10 X 2), e foi á custo que foi parado pelo Botafogo por quatro a dois.
Mas o time da fábrica do Rio se vingaria na seleção baiana devolvendo o escore. O jeito foi pegar o forte Ypiranga pra tentar barrar a sua sede de sangue baiano e deu certo pois os baianos venceram de três a um. Mas aí alguém inventou uma revanche, só pra aumentar o passeio do vampiro, seis a quatro.
                                                     O pessoal só andava cheio de cruz!

Dizem que quando esteve aqui o vampiro transou com todas as baianas que encontrou pelo caminho. A decepção dos clubes de elite Associação e Baiano fez o resto terminando com seus departamentos de futebol e fazendo com que nascesse Blade após nove meses de gestação.  Há quem diga que o problema foi mesmo a revolução de trinta que assustou a elite que sequer disputou o campeonato daquele ano. Mas não sabem de nada pois nem viram a mordidinha na alcova que tomou a mãe de Blade.
Nosso Blade in Bahia venceu logo o primeiro campeonato que disputou levando na conversa todos os vampiros. Dois meses depois de fundado estreava vencendo o São Cristóvão por três a um. Depois foi mordendo um por um dos clubes tradicionais do estado. A coisa foi tão feia que o Vitória não quis participar do certame. Veio o Ypiranga e caiu vergonhosamente de seis a dois. O Botafogo ainda arranjou um empate em dois gols mas o Fluminense estrebuchou por dois a zero.
                                                     Isso era vampiro de antigamente!

No segundo turno continuou o passeio vampiresco, vencendo o Botafogo (2 X 1), o Fluminense (5 X 0), o São Cristóvão (5 X 1), salvando-se apenas o Ypiranga que conseguiu um heroico empate (2 X 2) mas só quando o campeonato já estava ganho. Foi assim que Blade, digo o EC Bahia, venceu o campeonato invicto e com cinco pontos na frente do segundo lugar.
A façanha de Blade que seria repetida por muitas vezes, cerca de 43 até hoje, foi cantada em prosa e verso e atraiu a atenção do vilão Deacon Frost. O miserável não ficou satisfeito com infectar sua mãe e ainda ameaçava o filho. A primeira vez que atacou foi em agosto do ano seguinte, disfarçado de um time que ninguém conhecia, o Guarda Velha (mas com um nome desses como é que ninguém desconfiou?).
                                            Pra que vampiro maior do que Jader Barbalho?

Blade caiu por seis a três, queimando todas as apostas no campo da Graça que davam de dez pra cima pro misto de vampiro com baiano. E olha que precisou apelar pro mentor que foi a todos os terreiros e igrejas de Salvador, e enfeitou o estádio de cruzes e estacas. Só assim é que pode vencer a revanche por quatro a dois!
Mas três meses depois o desgraçado vilão atacou de novo. Desta vez trouxe um monte de vampiros. O céu de Salvador ficou negro pra ver o rubro negro carioca visitar a Bahia em novembro. Foi um massacre onde caíram um a um os vampiros baianos. O leão apanhou de sete a dois, os diabos rubros de quatro a um e o mais querido de um a zero. 
                                    A Praça Castro Alves parecia carnaval de tanto vampiro!

O próprio Blade em pessoa (sic!) tentou barrar o sanguinário sem êxito caindo por três a dois. Veio a seleção baiana e apanhou de três a um. A salvação da lavoura foi unir todos os vampiros do Nordeste e chamar Deacon Frost para uma revanche contra o Ypiranga. Só assim que se conseguiu vencer por três a dois. Ufa! Como o povo sofria com os vampiros naqueles tempos.
Aí Deacon Frost sumiu e ficou cuidando de outras histórias em quadrinhos. De vez em quando tinha notícias da Bahia. Ficou sabendo, por exemplo, que Blade tinha vencido o Andaraí por três a zero quando este veio ao estado em janeiro de 1933, sendo humilhado pelos baianos quando todo mundo tirou uma lasquinha dos cariocas. Isso pegou muito mal em Bucareste, terra dos vampiros.
                        O negocio ficou tão ruim que Deus e o Diabo sentaram pra confabular!

Mas isso se resolveu sem que Deacon se deslocasse bastando enviar, seis meses depois, o vampiro disfarçado de São Cristóvão, para vingar o sindicato e atropelar os baianos. No entanto a dupla BA-VI deu uma de ousado, o decano venceu (2 X 1) e Blade conseguiu o empate em um gol. Ficou no entanto o dito pelo não dito.
Deacon terceirizou seus enfrentamentos com Blade também no último ano da guerra, em 1944. Percebendo que ia perder a batalha na Europa deu pra atazanar os baianos que viam o vampiro humano Blade sem alguns dentes e perdendo o certame três anos seguidos para a equipe da colônia espanhola.
Neste ano toda hora chegava um vampiro de fora e Blade não conseguiu ganhar sequer um amistoso, até dos vampiros baianos perdeu, 2 X 4 e 0 X 3 do Ypiranga e 3 X 5 do Vitória. Mas acabou se recuperando levando mais um campeonato.
                                      Era um saco aguentar esses vampiros na nossa porta!

O vilão voltaria na próxima guerra, a da Coréia, em 1953. Mas, se esta foi terceirizada pelos norte-americanos o chefe dos vampiros viria pessoalmente em março, e através de dois clubes. A nova Fonte Nova ficou coberto de sangue baiano, o que aliás já estava no vermelho das camisas de Flamengo e Internacional.
No dia 15 de março não teve Blade baiano que adiantasse. O Inter enfiaria sete no tricolor e o urubu oito no leão. E de quebra oi Vasco da Gama despacharia o Ypiranga com mais oito gols. Foi o pior dia do futebol baiano na história. A vingança do vampiro havia sido demais. E nem Blade conseguiria impedir que os dois clubes visitantes disputasse o torneio que acabou se decidindo em favor dos vampiros gaúchos pelo saldo de gols.
                                               Ói eles aí na Avenida Joana Angélica!

O jeito foi fazer uma reunião com todas as religiões da Bahia, quando veio gente “pra dar de pau”. Se fosse hoje seria impossível reunir tantas, mas naquele tempo bastavam os católicos, terreiros e evangélicos. Aí ficou acertado que ia se espalhar orixás, cruzes e estacas em todas as fronteiras da Bahia, na verdade só pra não deixar entrar os vampiros de fora e continuarem a existir os vampiros baianos.
E não é que deu certo? Blade continuou a ganhar campeonatos, ano sim, ano não, e chegou a final da I Taça Brasil contra o peixe trazendo o título para o estado por coincidência em abril de 1960 quando todos os vampiros, e o próprio Blade, se mudaram pra recém criada Brasília.

·        Agradeço aos sites RSSSF Brasil e Wikipédia, ao Almanaque do Futebol Brasileiro, e aos blogs 100grana.wordpress.com e melhorpapeldeparede.com.  

sábado, 11 de junho de 2011

A época da inocência

     
    Antigamente o céu ficava colorido de balões
    como estrelas a brilhar.
    Eram mensageiros de perdidas ilusões
    que seguiam seus caminhos sem voltar (...).
    Tudo era tão lindo, era diferente,
    Nas noites de junho. 
                                                      Luiz Gonzaga

Em 1993, quando o Vitória foi vice-campeão brasileiro, o diretor Martin Scorsese lançou o filme À época da inocência. Trabalharam no mesmo artistas conhecidos como Winona Ryder, Michelle Pfeiffer e Daniel Day-Lewis. É um drama com o tradicional triangulo amoroso. Fulano gosta de beltrano, que por sua vez gosta de sicrano. Mas o interessante é a crítica da conservadora sociedade norte-americana que, na época (em meados do Século XIX) ainda levava relacionamentos afetivos aos tribunais.
Mas o que a critica cinematográfica não diz é que foi mais um filme inspirado na Bahia. Aqui houve uma época de inocência, particularmente no futebol. Foi um tempo em que os baianos eram conhecidos como “boa terra” e recebiam generosamente seus visitantes. Quem visitava a Bahia saia com a “cuia” cheia de gentilezas. Quando se perguntava um endereço o baiano ia levar lá. Convidava pra almoçar em casa. Parava o carro pro pessoal passar. Que diferença pros dias de hoje.
                                                Ah, nem tinha ainda Vanderley Cardoso!

No futebol também era assim. Vivíamos suspirando pra ver os paulistas e cariocas jogarem. E quando vinham os clubes baianos pensavam que os jogos eram mesmo “amistosos”, jogando muitas vezes completamente abertos com o visitante. Qualquer timeco do Sul fazia sua fama na Bahia, como o Andaraí, o Vila Isabel, o Bandeirantes, e outros bichos.

Do São Cristóvão nem é bom falar, pois veio aqui várias vezes pra submeter os baianos à vergonha. Houve tempo em que Madureira, Taubaté, Bangu saiu invicto de excursões por aqui e até os únicos títulos da história do Bonsucesso foram obtidos na Bahia. Quer dizer, durante as décadas de vinte a quarente quem jogava na Bahia fazia festa.
Hoje vamos falar da segunda excursão do Santos á Bahia em 1936. Já tinha vindo em 1929 e deu o maior passeio nos times baianos. É bem verdade que havia sido campeão paulista do ano anterior. Mas os baianos chamaram o peixe mesmo assim. A atração foi a existência de várias taças a serem disputadas.

                                                    Nem tinha lambreta na Bahia! 

O clube santista havia começado este ano de modo atribulado quando duas de suas partidas “amistosas”, contra o Palestra Itália (que viria posteriormente a ser o atual Palmeiras) e o Corinthians não terminaram em função da pancadaria. Mas, no mês de março ganharia a Taça Carlos de Barros ao derrotar o Combinado Portuguesa-Hespanha por quatro a um.                                  
                                   Cid Teixeira sabe!                             

E, no fim desse mês, aportou na Bahia para disputar seis taças. A delegação santista chegou de navio no dia 21 e, logo no outro dia, disputaria a primeira taça. O time base dirigido pelo técnico Bilu nesta excursão era constituído de Cyro, Neves e Agostinho, Dino, Ferreira e Jango; Sacy, Tupan, Raul, Araken e Junqueirinha e consagraria Raul como grande artilheiro. Na ocasião, ao derrotar o mais querido por seis a um, levaria o troféu dado pela Companhia Aliança da Bahia. 
Quatro dias depois enfrentaria o EC Vitória em jogo sob os hospícios da Companhia Sul América de Seguros da Bahia que bancou o troféu da partida. A porfia mostrou o desequilibro dos baianos em relação aos paulistas que venceram por cinco a um levando a segunda taça pra São Paulo.
Era o terceiro caneco conquistado pelo Santos neste ano, e o time passou a “se achar”, o que fez com que sofresse uma surpreendente derrota do Galícia, clube da colônia espanhola na Bahia, que ficou com o único troféu entre todos os que o peixe disputou em partidas isoladas com clubes naquele ano. Aí os santistas aperfeiçoaram sua máquina mortífera em um jogo-treino contra o Periperi, o qual goleou por quatro a zero.
                                                           Nem existia Lady Gaga!

Logo a seguir disputaria mais taça na Bahia, desta vez com o tricolor que seria campeão aquele ano. Desta vez foram dois troféus para a mesma partida, um oferecido pela Prefeitura de Salvador e outro pela Companhia Construtora Nacional. Os canecos estão até hoje na sala de troféus do Santos em função da nova vitória, agora por dois a um.
                                           Depois ainda dizem que só acontece na Bahia!

O quinto troféu foi mais difícil de ser ganho. O adversário era o forte Botafogo, que havia sido campeão no ano anterior. A partida foi uma das mais duras que os santistas enfrentaram na excursão, acabando num empate em um gol. Desta forma os paulistas tiveram que adiar o seu retorno para São Paulo concedendo uma revanche pra decidir quem levaria a taça.
                           Nem havia coisas como Palozzi!

O alvirrubro baiano, entretanto, confiado no resultado anterior, se “machucou”, jogando de forma franca e perdendo de seis a três num jogo inusitado, que teve três pênaltis, quatro gols do santista Raul e três do botafoguense Lindinho, num jogo que teve três pênaltis, um deles assinalado pelo ponteiro dos diabos rubros através de uma das primeiras “paradinhas” ocorridas no Brasil.
O peixe voltaria para a capital paulista a tempo de disputar o torneio inicio da liga, mas não passaria da segunda rodada, eliminado pelos escanteios concedidos. No primeiro turno ficaria em segundo lugar, só deixando á sua frente o Corinthians, no entanto acabaria o campeonato paulista mesmo em quarto lugar no ano em que veio a Bahia.

                                             Olhem a Fonte Nova lá atrás nos anos 40!

·       Agradeço ao Almanaque do Futebol Brasileiro, ao site Adoro Cinema e aos blogs do professor Guilherme, dublanet.com.br e americanas.com.br.

terça-feira, 7 de junho de 2011

O dia em que a Terra parou

     
                                       Essa noite eu tive um sonho
                                      de sonhador.
                                      Maluco que sou, eu sonhei
                                      com o dia em que a terra parou.
                                                                        Raul Seixas

Os anos sessenta foram a era dos certames nacionais. Antes praticamente só existia o Torneio Rio-São Paulo e o pessoal dos outros estados não tinha vez. Mas em 1959 a Confederação Sul Americana de Futebol decidiu criar a Taça Libertadora da América como recomendação da FIFA para a escolha de quem ia decidir um titulo mundial com o campeão da Europa. Foi assim que surgiu uma Taça Brasil ás presas e que só acabou em abril de 1960 com o título do EC Bahia.
O novo certame mostrou a CBF novas possibilidades, inclusive de arrecadação, pois seria a primeira vez que os demais estados teriam a possibilidade de ver jogos oficiais com a participação de seus clubes. É aí, quando ficou claro os limites da Taça Brasil (só participava um por estado) criaram o Torneio Gomes Pedrosa, como ampliação do Torneio Rio São Paulo, que desde 1955 tinha esse nome para homenagear o antigo goleiro do São Paulo e presidente da Federação Paulista de Futebol que havia morrido no ano anterior.
O povo logo apelidou o novo certame de “Robertão” pois contou em 1967 com a presença de clubes de Minas, Paraná e Rio Grande do Sul e que viria a substituir a Taça Brasil que funcionou apenas dez anos. Houve quatro desses torneios sendo três ganhos pelos paulistas (Palmeiras dois e Santos um) escapando apenas um título para o Fluminense carioca.
                                Só a terra parando mesmo Geninho, pra ver se o Vitória sobe!

Mas o que eu vou contar hoje ocorreu no ano emblemático de “68”. É que esse ano, além de ser marcado pelas revoltas estudantis, protestos contra a Guerra do Vietnam, as lutas anti-ditadura e o AI-5, foi também o da segunda edição do “Robertão” quando participaram 17 clubes de sete estados, sendo finalmente incluído Bahia (EC Bahia) e Pernambuco (Náutico).
O torneio foi disputado num clima de mobilização nacional contra a ditadura militar no Brasil que ocorre desde março, quando ocorre o assassinato do secundarista Edson Luís no restaurante Calabouço no Rio de Janeiro, até outubro/novembro, com as prisões do Congresso de Ibiúna e o processo no Congresso contra o deputado Márcio Moreira Alves.
Reinava muita expectativa no Nordeste quando começou o certame em 24 de agosto, dia em que se completava treze anos do suicídio de Getúlio Vargas, com a vitória da Portuguesa de Desportos sobre o São Paulo pelo escore mínimo. Bahia e Pernambuco desejavam incluir mais clubes e havia o interesse do Ceará e outros estados em participarem. O que se dizia é que essas coisas dependeriam do desempenho dos nordestinos.
                                                  Mas esses aí ficam parados todo dia!

Mas os baianos chiaram muito com a tabela que previa cinco dos seis primeiros jogos fora de casa. Lembro-me que o EC Bahia estreou uma semana depois do dia consagrado á independência, num sábado, apanhando do Atlético Mineiro em Belo Horizonte por um a zero. E, no sábado seguinte, teve que voltar á Minas pra perder de novo pelo mesmo placar, desta vez para o Cruzeiro.
Ficou por lá mesmo pois seu próximo itinerário era Porto Alegre onde jogaria na quarta feira com o Inter e no domingo com o Grêmio. Na época até que não se saiu mal, pois conseguiria empatar com o colorado por um gol embora perdesse para o tricolor gaúcho por dois a um. Voltava assim pra casa “invicto” sem ganhar uma, para a delícia dos torcedores rubro negros que se lamentavam de não terem sido incluídos no certame. Pô, a CBD havia preferido colocar um número impar só pra não botar o Vitória!
A primeira partida do tricolor baiano na Fonte Nova seria contra a Portuguesa de Desportos. Esta parecia ser do “tope” do Bahia e o clube pretendia calar a boca do seu despeitado arquirrival. No dia cinco de outubro não deu outra coisa com o esquadrão partindo pra cima da lusa desde o início da partida. Martelou, martelou, mas não adiantou, pois os paulistas acabaram faturando por um a zero.
                                                          Foi de nove meu amigo!

O antigo tricolor de aço já via a sua camisa virar lata, eram quatro derrotas em cinco jogos. Ah que tabela ingrata miserável! O próximo jogo seria na famosa Vila Belmiro o reduto do peixe Santos FC. Lembro-me como hoje deste dia. Foi 10 de outubro, véspera do dia das crianças, e o mercado funcionava a toda para a compra dos presentes. Mas quem ia dar o maior presente aos torcedores do leão seria mesmo o Bahia.
A TV Itapoá anunciou durante dias a transmissão do jogo e acho que naquela noite a Bahia parou para ver a partida de Pelé, Coutinho, Pepe e Cia contra os tricolores. Na ocasião, um jornalista chegou a recordar que no próximo ano seriam comemorados os dez anos da conquista da Taça Brasil me exatamente sobre o adversário do jogo á noite. Quem sabe se o tricolor, assim como naquela época, não surpreenderia começando uma reação no “Robertão”?
Lá em casa mesmo todo mundo parou pra assistir o jogo que foi ao ar depois da novela. Até minha mãe ficou dando umas olhadinhas pra ver se via a caveira o Bahia. A TV entrou no ar e os jornalistas estavam animados e, a animação aumentou quando Biriba abriu o placar pro tricolor aos quatro minutos.
                                                     Nem precisou de disco voador!

Foi uma decepção lá em casa. Ainda mais que ouvimos os gritos da casa vizinha. Será que era a recuperação tão ansiada pelos torcedores? Mas, o Santos nem deu bola continuando a jogar como se nada tivesse acontecido. O Bahia então recuou e deixou o campo aberto para o peixe tocar a bola. Não me lembro de quem empatou e desempatou para os paulistas.
O que me lembro é que o locutor da TV só fazia reclamar da “má sorte” do esquadrão, e a bola só ficava do meio do campo para frente santista, só se falando dos nomes de Dorval, do maestro Zito, das infernais tabelinhas entre Pelé e Coutinho, e das “bombas” de Pepe. Veio o terceiro, o quarto e quando entrou o quinto gol o juiz ficou com pena e encerrou o primeiro tempo.
No intervalo os vizinhos foram para a rua e não mais voltaram pra assistir a TV. Mas agente “tava colado” querendo mais. Éramos mesmo insaciáveis querendo ver a desgraça do Bahia. O telefone não parava. Rubro negros riam “às bandeiras despregadas”. Nunca vi o pessoal querer tanto que passasse rápido os comerciais para voltar a transmitir da vila famosa.
                                                       Êta turma de "miseravão"!

Veio o segundo tempo e o Santos não diminuiu o ritmo. Entrou o sexto, o sétimo, o oitavo e o nono e “painho” ainda pedia o décimo. Só Pelé fez uns três ou quatro. O ataque cardíaco tricolor conseguiria diminuir o massacre anotando o segundo gol.
Queríamos que o jogo não terminasse jamais. Nunca rimos tanto lá em casa. Dormi pensando no que ia gozar com a cara dos torcedores tricolores na vizinhança e no Colégio Hugo Baltazar da Silveira onde estudava contabilidade (um horror!).
Quanto ao Bahia continuou a sua sina. Depois dos vexame fora faria quatro partidas em casa. Perderia do Bangu (0 X 1) e Fluminense (1 X 3), empataria com o Atlético Paranaense (1 X 1) e venceria o pobre alvi negro de General Severiano (1 X 0). Sairia de novo para fazer o clássico dos desesperados contra o Náutico perdendo de novo (0 X 1) e, quando ninguém esperava mais nada do elenco, começou a ganhar.
                                   Não adiantou nem amarrar pois não pararam de fazer gols!

Derrotou o Flamengo (2 X 1), o São Paulo (23 X 1) e o Vasco da Gama (3 X 1). Nada disso conseguiu lhe livrar de ser o lanterna do Grupo B, enquanto o Náutico ficaria com a lanterna do Grupo A. Foi assim que a miséria nordestina se transplantou pro futebol.

·          Agradeço o site Bola na Área e aos blogs submarino.com.br, cameraonda.com.br e falasparadoislados.com.

domingo, 29 de maio de 2011

Os serial killers


Os assassinos em série são um típico produto da sociedade capitalista moderna quando se estabelece uma sociedade hiper individualista, onde tudo que antes era humano se transforma em mercadoria e a vida cede o lugar ao lucro. Trata-se de um psicopata, que comete crimes com certa frequência, e tem um modo de agir que lhe assegura identidade. Apesar de muitos deles parecerem plenamente integrados na sociedade desfrutando por vezes de respeitabilidade tem temperamento anti social.
Os serial killers não perdem tempo com classificações de sadomasoquismo, perversão, antropofagia, e outros preconceitos, em tempos de mídia integrada onde tudo vale por uma boa notícia, continuam deixando vítimas na nossa sociedade “civilizada” onde cabe perseguir e até eliminar adversários, porém tudo conforme a lei e as convenções. Só há uma diferença, enquanto a maioria dos assassinos em série são pegos em Hollywood os assassinos do dinheiro público continuam por aí até hoje.
Desde o mais famoso, Jack o estripador, espalharam-se as ocorrências em todo o mundo, merecendo destaque a Meca dos serial killers, os Estados Unidos. O Brasil, onde as classes dominantes imitam em tudo o American way off life, já vem fazendo muitos progressos nesta área onde promete virar também país de primeiro mundo. Basta lembrarmos-nos de casos como do bandido da luz vermelha, do maníaco da lanterna e de Wellington, o criminoso de Realengo.
                                                                  Um dos assassinos!

Desculpem-me, mas não posso deixar de destacar a nossa Bahia. Afinal, não foi aqui que Dom João de Portugal mandou esquartejar e espalhar pela cidade os pedaços de participantes da Conjuração baiana? E o que dizer dos crimes do famoso Delegado Quadros nos anos setenta e do aniquilamento da família Souto Maia no bairro da Graça? Há aqui até uma associação de serial killers que vai me processar se eu esquecer que Matheus, que metralhou os espectadores de um cinema de São Paulo, também era baiano.
Mas uma das maiores injustiças que se pode fazer é esquecer a contribuição da Bahia nesta matéria desde a introdução do futebol. Foi aqui que foram perpetrados os maiores assassinatos esportivos que se tem notícia. E os casos não tiveram solução até hoje, o que quer dizer que ficaram por isso mesmo.
Vamos dar apenas alguns exemplos. No início do ano de 1927, muito antes de Marcelino Souto Maia, começaram a ocorrer estranhos assassinatos no bairro da Graça com um intervalo de três a quatro dias entre um e outro. O primeiro ocorreu no dia 30 de janeiro sendo a vítima a equipe do Ypiranga degolada por dois a um. Três dias depois, não tiveram nem pena do decano dos esportes, o Vitória, que foi trucidado por quatro a um. Seguiram-se depois o retalhamento do Botafogo (1 X 3) e, por fim, o corte em fatias de um selecionado de Salvador (0 X 3).
                                                          Nossa, esse é o de Psicose!

Na época uma investigação apontou várias pistas. O criminoso se vestia de branco, era carioca, levava suas vítimas para o gramado do estádio da Graça, e ainda gostava de ser chamado de “São” Cristóvão. Mas como já existia um time com esse nome na Bahia que não ganhava de ninguém ficou o dito por não dito nada sendo apurado
Mas dois anos depois voltaram a ocorrer crimes em Salvador, e no mesmo bairro. Foi em maio de 1929 e tiveram o abandono de suas vitimas no campo de futebol. Desta vez as vítimas foram ilustres, os próprios clubes da elite baiana Baiano de Tênis e Associação Atlética, e o assassino preferiu a arma branca esfaqueando o primeiro quatro vezes e oito ao segundo. Depois vieram o Ypiranga e o combinado Fluminense-Guarany, que tomaram cinco facadas.
Assassinos!

Foi um horror, afinal bastava uma facada pra matar. Na Graça as pessoas ficaram até com medo de sair de casa. Houve até quem debitasse os crimes á Liga Bahiana de Desportos Terrestres por ter permitido que clubes populares como o Botafogo e Ypiranga participassem do campeonato. Quanto á Polícia só conseguiu saber que o assassino tinha sotaque do interior paulista e atendia pelo apelido de “peixe”.
                                             Sacanagem, esquartejaram até a estátua de Pelé!

Os serial killers pararam de matar. Quatro anos depois a matança voltou, agora na Vitória. Era o mês de agosto das tragédias e os assassinatos comeram solto. Desta vez cortou pescoços, da comunidade espanhola (atingindo o Galícia por oito a um), dos diabos rubros (5 X 0) e do mais querido (3 X 2). Não poupou sequer a data magna dos baianos, guilhotinando o Dois de Julho (2 X 3).
Só depois de muita investigação que se lembraram de que a Vitória fica perto da Graça onde tinham ocorrido os crimes anteriores. Mas desta vez chegaram bem perto do assassino descobrindo seu modus operandi pois duas quase vítimas conseguiram escapar pra contar a história. O Vitória (que ganhou de dois a um) e o Bahia (que empatou em um gol) disseram que o assassino era o mesmo de 1927, pois falava o idioma carioca, e agia em grupo, de preferencia com onze asseclas, e que tinha ainda massagista e dirigente.  Chegaram perto mas não deu pra pegar.
E acreditem que, dois anos depois, em maio de 1937, o maníaco carioca atacou mais uma vez aterrorizando desta vez a Barra Avenida. No dia 16 matou o Ypiranga na Oito de dezembro por seis a um, três dias depois foi a vez de o Galícia ser estripado em plena Euclides da Cunha por cinco a um. E, em seguida, assassinou covardemente a machadadas Bahia (2 X 0), Botafogo (4 X 3) e Vitória (7 X 2) na própria Rua da Graça.
                                                    Tava russo o negócio por aqui!

Era demais. “Estava na cara” que era o mesmo criminoso de 1927 e 1933 mas a Polícia não podia com ele. Chegou até a mandar investigadores para Nova York pra ver se aprendiam com os americanos.  Enquanto isso um verdadeiro terror tomou conta da elite que naquele tempo habitava naquele bairro.
Mas em abril de 1939 os assassinos atacaram de novo. Em poucos dias esfaquearam Bahia e Ypiranga três vezes. Os crimes aconteciam desta vez no Porto da Barra e deixavam as pessoas de cabelo em pé. Mas desta vez haviam escapado  Galícia(1 X 2 e 3 X 3) e Botafogo(3 X 3) e a Polícia confirmou o sotaque do interior paulista e as facadas e até descobriu o sobrenome do criminoso “Santos”.
Como a Polícia suspeitou que a coisa tivesse a ver com a localização da Barra, que ficava nas proximidades do estádio, chegaram a pensar em transferir este de lugar. Foi aí que alguém teve a ideia de construir um novo estádio. Já que não podiam com os serial killers que pelo menos eles fossem matar o povo de outros lugares tipo Nazaré, Brotas, Federação e Barris, onde mora gente de classes sociais mais baixas e seria localizada na próxima década a Fonte Nova.
                                         Esse negócio de tiro é pra serial killer americano!

Antes do fim da guerra, logo depois do carnaval de 1944 o assassino carioca voltou a cometer crimes, desta vez no Canela, outro bairro próximo do estádio da Graça. Mas desta vez só matou o Bahia por quatro a dois. Tentou, infrutiferamente degolar a Vitória e Galícia mas estes já estavam preparados usando um colete de ferro deste modo empataram em um gol com o tal criminoso que se fazia de santo. Sumiu tão misteriosamente como apareceu não dando nem tempo a Polícia para as habituais tapeações da população.
Os grandes criminosos levaram anos sumidos da Bahia quando voltaram as eleições. Ficamos entregues aos pequenos criminosos do dia a dia. Uma carteira batida aqui, uma bebedeira ali, uma corrupção acolá e assim ia se levando. Até que chegou o governo de Regis Pacheco quando aconteceria um dia de assassinatos em massa. Os baianos nunca vão esquecer esse dia quinze de março de 1953.
Foi uma verdadeira tragédia, o Ypiranga foi enterrado vivo pelo Vasco da Gama(oito a um), o Bahia tomaria sete tiros do Internacional(RS) e o Vitória seria afogado oito vezes pelo Flamengo na própria Baía de Todos os Santos. A coisa foi tão surpreendente fugindo do modus operandis dos santos criminosos de antigamente que a Polícia nada descobriu.
                     Basta ver Amor e revolução pra saber como os serial killers fizeram mescola!

O serial killer carioca ficou tão estimulado com o arrastão criminoso que resolveu voltar. E o diabo é que havia escolhido a Bahia pra matar. Chegou em outubro de 1954 e foi logo matando um espanhol, o Galícia por dois a um. Aí quis imitar o ano anterior e se machucou. Até então ninguém havia notado a sua presença o que só se deu quando ele começou a recrutar os pequenos assaltantes da praça pro maior evento criminoso da história. Escolheu o dia de finados pra isso onde haveria crimes de Brotas e Itapoá e da Fazenda Grande à Itapagipe.
Mas os ladrõezinhos baianos não estavam com nada. Não estavam acostumados a manejar uma guilhotina e sequer sabiam tirar um coração ou um fígado como um cirurgião. Foi um fracasso total não morrendo ninguém e o nosso assassino carioca ainda perdeu pro Bahia por dois a um. E, finalmente foi apanhado, 27 anos depois, no dia seis de novembro ao ser massacrado pelos tricolores e pelas famílias dos que ele matou por cinco a zero em pleno estádio da Fonte Nova.
A população baiana estava vingada fazendo justiça com as próprias mãos. O assassino carioca foi preso e identificado, chamava-se São Cristóvão da Silva e foi levado imediatamente pra Delegacia que ficava na Feira do Curtume na Cidade Baixa. Mas pegou só 14 anos. Estávamos numa época de justiça e o criminoso conhecido como “peixe” cairia dois anos depois. Foi no dia 25 de março de 1956, quando este chegou de São Paulo pra cometer um crime em Brotas e o Bahia que o pegou(3 X 1) e levou pra Polícia.
                                                        Jason junto deles era fichinha!

Parecia acabada a boa vida dos serial killers na Bahia mas haviam se esquecido da nossa impoluta “Justiça”. É que os dois pegaram trinta anos mas, como tinham “atenuantes”, podiam sair pra estudar e trabalhar. De modo que o peixeiro saiu por 48 horas no mês de agosto do ano seguinte e vingou-se esfaqueando por duas vezes o Bahia que quase morre. O absurdo mostrou que “peixe” estava longe de ter se recuperado e foi engaiolado mais uma vez passando a ter bom comportamento. E foi esse serial killer já trabalhado pelas assistentes sociais e psicólogos de plantão que perderia as finais da I Taça Brasil para o tricolor.
Em 1968 ao acabar a pena Cristóvão da Silva voltou para as ruas. Foi trabalhar como feirante em São Joaquim. Não se atreveu nem a passar na porta da Fonte Nova quando jogavam os grandes clubes da Bahia. Mas, um dia seu homônimo baiano foi guilhotinado por quatro a zero, e despertou suspeitas das autoridades. Ele foi detido para averiguações mas negou peremptoriamente que tivesse alguma coisa a ver com a derrota do simpático time alvi negro. Por vias das dúvidas foi preso novamente.
                                    E quem mandou retalhar Tiradentes não era serial killer?

O “seu” Santos, criminoso inveterado, sairia da prisão por bom comportamento nos anos setenta onde atazanaria a dupla BA-VI. A situação chegou ao ponto de assassinar vários clubes brasileiros que vieram á Bahia jogar o Torneio Cidade de Salvador em 1975 ficando com o título. Distribuiu tantas facadas que foi trancafiado novamente. Mas como tinha bons advogados saiu novamente. Quanto ao serial killer carioca que era feirante está preso até hoje.

·          Agradeço ao Almanaque do Futebol Brasileiro, ao site Wikipédia e aos blogs alltopmovies.com,spun.com e indiatalkies.com.