Mostrando postagens com marcador Flamengo. Mostrar todas as postagens
Mostrando postagens com marcador Flamengo. Mostrar todas as postagens

domingo, 28 de agosto de 2011

Vejo você no próximo verão!


Até que enfim o ator Phillip Seymour Hoffman estreou como diretor de cinema. Ele que é um dos principais atores de Hollywood e tinha obtido inclusive um Oscar por sua interpretação no filme Capote, desta vez estrela um romance sobre a solidão nas grandes cidades. Trata-se do filme Vejo você no próximo verão onde faz o papel de Ralf, motorista de uma limusine que tenta mudar de vida sem conseguir.
Mal sabe, porém que há outros solitários e tão desajeitados como ele em matéria de natação e gastronomia, é o caso de Connie (Amy Ryan), e como não poderia deixar de ser na Meca do cinema, surge uma relação entre os dois. Mas vou escrever para Hoffman pra exigir os direitos autorais da Bahia. É que, mais uma vez, copiam cuspido e escarrado o que acontece no futebol da Bahia. Só que vocês sabem como esse pessoal da Academia enfeita o final pra tudo terminar bem, mas na vida real não tem nada disso!
                               Ralf e Connie ficavam passeando no Parque São Bartolomeu! 

Como na Bahia tudo é diferente o verão acontece aqui entre novembro e março. E, foi no ano de 1932, no idílico mês de novembro, que Ralf, quero dizer o Flamengo, veio pela primeira vez na Bahia. Tinha até um motorista na delegação mas o restante eram jogadores, técnico, massagista, alguns cartolas, e um juiz para apitar os jogos como era comum na época onde os baianos só faziam perder!
A estreia de Hoffmann foi a desgraça do Vitória, quando sem dó nem piedade arrasou o seu irmão de cor por sete a dois! Quatro dias depois enfiou quatro a um no Botafogo. Aí o pessoal não entendeu nada. Mas Ralf não era um fracassado? Não só dava errado tudo o que fazia? Aí o jeito foi se fechar na defesa pra não fazer a alegria dos cariocas. Mas nem assim a coisa resolveu, com o time da Gávea vencendo o Ypiranga (1 X 0), o Bahia (3 X 2) e a própria Seleção baiana (3 X 1).
                                            Só perdia mesmo pro desgraçado do Ypiranga!

Era uma vergonha para o futebol baiano e o jeito foi apresentar Ralf a Connie. Aí o negócio mudou totalmente no campo da Graça. No jogo de despedida ela o levou o dia todo pra passearem na Barra e, quando chegou na hora da revanche contra o mais aurinegro este venceu o poderoso Flamengo por três a dois!
Ralf ficou emputecido com o fato. Pensou até em não ver mais Connie. Mas era muito solitário e acabou admitindo voltar no próximo verão. Ela esperou sentada. Passou o tempo e nada de Ralf voltar. No próximo verão apareceu o Andaraí carioca, e Connie foi até a Graça perguntar por Ralf mas ele não sabia onde estava o motorista. Aliás esse clube não sabia de nada mesmo porque não ganhou uma por aqui!
O jeito foi esperar 1934 e....nada também. Meu Deus cadê Ralf, vá ser solitário assim no inferno! Só em janeiro de 1935 é que apareceu outra delegação carioca, o Brasil (sic!) e a pobre da Connie lá na Graça de novo. Como todo mundo já havia “sacado” esse tal do Ypiranga desta vez venceram de três a um, assim como o alvirrubro (5 X 1) mas caíram para o time granadeiro (1 X 2). Foi embora o Brasil e nem sinal de Ralf.
                                               Connie apelou pra tudo pra ver Ralf!

No fim do ano, enquanto o país pegava fogo na insurreição da Aliança Nacional Libertadora, chegou o Botafogo do Rio mas este nada contou de Ralf mesmo porque era um inimigo histórico do rubro negro carioca. E, no ano seguinte, foi a vez do Vasco da Gama, outro adversário de seu Ralf querido cuja delegação nem deu bola pra Connie.
Olhem, hoje eu não quero “encher o saco” de vocês. Mas esse Ralf foi sacana mesmo com a Connie! Quando falaram que uma delegação carioca viria em 1937 ela se enfeitou toda pra ir ao bairro da Graça, mas era o São Cristóvão. Ralf só veio em pessoa em março de 1938, seis anos depois, quando o verão já estava quase acabando.  Mas, pelo manos, passou duas semanas.
A nova estreia de Ralf foi tão demolidora quanto a anterior, dando de sete a um no pobre do Botafogo. Os baianos perderam o eixo e levaram uma semana pra arranjar um novo adversário para o urubu. Só quem topou jogar foi o Bahia que acabou levando de cinco a dois. Era demais e aí mais uma vez foi Connie que “pagou o pato”.
                                            Nem Benazzi deu um jeito na solidão de Ralf!

Arranjaram um carro para Ralf e ela passearem o dia todo, encheram o motorista de acarajé, e foram buscar (adivinhem quem?) nada menos do que o Ypiranga pra enfrentar o Flamengo. A escrita se manteve contra o pobre do Ralf com novas vitória do mais querido, agora por três a um. Tá certo que Ralf depois disso até venceu o time da colônia espanhola (4 X 2) mas saiu de novo da Bahia fissurado. Fez a mesma promessa pra Connie de “voltar no próximo verão” só que desta vez todo mundo desconfiou. Pensaram até em expulsar os ipiranguenses do campeonato só pra juntar Ralf e Connie, mas nada!
Passaram-se os anos e novamente nada de Ralf. No verão de 1939 veio o América carioca e fez feio perdendo pros diabos rubros e tricolores, e aí é claro que não informaram nada sobre a vida de Ralf. Dois anos depois até o suburbano Bonsucesso esteve aqui mas, além de perder do Bahia, não sabia era de nada do motorista! O mesmo fez o inimigo almirante, que se vingou por Ralf derrotando o aurinegro por cinco a zero.
                                                 E o pior é que ainda ficou com a bola!

Mesmo com a guerra os cariocas não deixaram de vir à Bahia, só o sacana do Ralf. O Botafogo apareceu em 1942, dando paulada a torto e à direito, o São Cristóvão voltou em 1944, saindo invicto, e o Fluminense no último ano da guerra, massacrando inclusive o rubro negro baiano por seis a dois.
Ralf só voltou a Bahia no verão de 1946. Já estava com uns cabelos brancos mas chegou “tirando onda”. Connie pediu, implorou, e conseguiu que não jogasse com o Ypiranga. Aí só deu o motorista que passou o facão em todo o mundo, vencendo o Vitória (4 X 1), o Botafogo (2 X 1) e, na despedida de Connie, ainda arrasou o Bahia por sete a dois.
A passagem do Flamengo invicta deu esperanças a Connie e todos os seus amigos, desta vez Ralf voltaria. E foi verdade. No próximo ano Ralf voltou de novo, embora fosse no São João, passou todo mundo no fio, vencendo o Vitória (5 X 2), o Guarany (2 X 1) e o Bahia (2 X 1). Mas desta feita não encontrou Connie pois ela havia saído de férias. O problema foi que Ralf, feliz por não ver o Ypiranga no seu caminho, até “furou” o roteiro do filme aparecendo fora do verão.
                                                   Connie ficou sozinha com a bola!

Os anos se passaram e até que Ralf voltou à Bahia, mas não achava Connie que só estava em Salvador no verão. Quando veio nesta época já havia a Fonte Nova em março de 1953. Foi a gloria do motorista da Gávea, esmagou o Vitória por oito a dois e venceu o Bahia (2 X 1) ficando pra decidir o título do Torneio Régis Pacheco com o Internacional (RS). Aí os gaúchos sabendo do “caso” foram buscar Connie para entreter os cariocas. E não é que saíram com o caneco com o empate em dois gols?
Ralf só voltaria a aparecer num verão quando foi inaugurado o anel superior da Fonte Nova em 1971. Já tinha toma a cabeça grisalha e Connie também. O amor deles não era mais o mesmo. Continuavam sem colocar o Ypiranga na programação mas, desta vez, bastou o Bahia pra derrota-lo pelo escore mínimo. Voltou dois verões depois pra reatar suas relações com Connie e ganhar de alguém, mas só fez empatar com o tricolor em um gol, ocorrendo o mesmo em 1976.
                                              Não adiantava Connie se enfeitar toda!

Os verões dos jogos amistosos na Bahia haviam acabado. Doravante Ralf só viria a Bahia em outras épocas do ano, quando se disputada o Brasileirão e a Copa do Brasil. Nunca mais veria Connie. Dizem que ele continua solteirão, lá pros lados do Irajá. Já Connie, que é quem vocês acham? Não podia ficar esperando Ralf a vida toda. Acabou casando com um diretor do Ypiranga e pode ser encontrada na Vila Canária nos treinos desse time glorioso que está na Segundona baiana.

·          Agradeço ao Almanaque do Futebol Brasileiro.

domingo, 17 de julho de 2011

O caçador de vampiros


               
Pra quem quer ver gente híbrida, que não se sabe se é ser humano ou vampiro Blade é um prato feito. Vem tendo todos os ingredientes dos dramalhões, efeitos especiais e muita tecnologia desde que foi lançado em 1998. Desde então apareceram o Blade II (2002), o Blade: Trinity (2004), o Blade: A última geração (2006) e agora enche o saco na TV Blade: a série (2008).
Diferentemente dos heróis derrubados como o capitão América (que só tem um escudo) e Harry Potter (que só tem o diretor do filme para salvá-lo das encrencas em que se mete), Blade tem superpoderes, é imortal e ainda conta com seu mentor Abraham Wistler. A desculpa pra ter tudo isso é ter sido infectado na barriga da mãe que foi mordida por um vampiro.
                                                 Tinha era vampiro como Joseph Blatter!

Assim, Blade fez como Heloísa Helena e mudou-se de malas e bagagens para a oposição vampiresca. Mas diferente daquela é um rebelde sem causa só que só busca na vida vingar-se da morte de sua mãe. Como sempre na história existe um vilão, o tal do Deacon Frost que pretende organizar uma espécie de sindicato de vampiros pra acabar com a humanidade.   
Mas, quem pensa que Blade é original não está com nada. Aqui na Bahia existem vampiros há centenas de anos. Vocês não sabiam que os reis portugueses sugaram o sangue dos baianos e brasileiros por quase trezentos anos? Que, enquanto os baianos lutavam contra as tropas do general Madeira o português D. Pedro dava simplesmente um grito, dado ainda por cima num riacho de propriedade do Ypiranga pra enrolar os baianos? E que dizer de um monte de governadores da capitania, província e estado que enriqueceram ás custas do suor e sangue dos baianos?
                                                               Rolava era sangue!

Esse personagem criado pela Marvel Comics para uma história em quadrinhos foi clonado da Bahia. Seu pai foi o Bangu que fecundou duas mães, a Associação Athlética e o Baiano de Tênis, gerando o EC Bahia em 1930. Tudo começou quando o clube carioca excursionou por aqui nas férias de 1930.  Chegou aqui e foi logo esmagando a Associação (5 X 2) e o Fluminense (10 X 2), e foi á custo que foi parado pelo Botafogo por quatro a dois.
Mas o time da fábrica do Rio se vingaria na seleção baiana devolvendo o escore. O jeito foi pegar o forte Ypiranga pra tentar barrar a sua sede de sangue baiano e deu certo pois os baianos venceram de três a um. Mas aí alguém inventou uma revanche, só pra aumentar o passeio do vampiro, seis a quatro.
                                                     O pessoal só andava cheio de cruz!

Dizem que quando esteve aqui o vampiro transou com todas as baianas que encontrou pelo caminho. A decepção dos clubes de elite Associação e Baiano fez o resto terminando com seus departamentos de futebol e fazendo com que nascesse Blade após nove meses de gestação.  Há quem diga que o problema foi mesmo a revolução de trinta que assustou a elite que sequer disputou o campeonato daquele ano. Mas não sabem de nada pois nem viram a mordidinha na alcova que tomou a mãe de Blade.
Nosso Blade in Bahia venceu logo o primeiro campeonato que disputou levando na conversa todos os vampiros. Dois meses depois de fundado estreava vencendo o São Cristóvão por três a um. Depois foi mordendo um por um dos clubes tradicionais do estado. A coisa foi tão feia que o Vitória não quis participar do certame. Veio o Ypiranga e caiu vergonhosamente de seis a dois. O Botafogo ainda arranjou um empate em dois gols mas o Fluminense estrebuchou por dois a zero.
                                                     Isso era vampiro de antigamente!

No segundo turno continuou o passeio vampiresco, vencendo o Botafogo (2 X 1), o Fluminense (5 X 0), o São Cristóvão (5 X 1), salvando-se apenas o Ypiranga que conseguiu um heroico empate (2 X 2) mas só quando o campeonato já estava ganho. Foi assim que Blade, digo o EC Bahia, venceu o campeonato invicto e com cinco pontos na frente do segundo lugar.
A façanha de Blade que seria repetida por muitas vezes, cerca de 43 até hoje, foi cantada em prosa e verso e atraiu a atenção do vilão Deacon Frost. O miserável não ficou satisfeito com infectar sua mãe e ainda ameaçava o filho. A primeira vez que atacou foi em agosto do ano seguinte, disfarçado de um time que ninguém conhecia, o Guarda Velha (mas com um nome desses como é que ninguém desconfiou?).
                                            Pra que vampiro maior do que Jader Barbalho?

Blade caiu por seis a três, queimando todas as apostas no campo da Graça que davam de dez pra cima pro misto de vampiro com baiano. E olha que precisou apelar pro mentor que foi a todos os terreiros e igrejas de Salvador, e enfeitou o estádio de cruzes e estacas. Só assim é que pode vencer a revanche por quatro a dois!
Mas três meses depois o desgraçado vilão atacou de novo. Desta vez trouxe um monte de vampiros. O céu de Salvador ficou negro pra ver o rubro negro carioca visitar a Bahia em novembro. Foi um massacre onde caíram um a um os vampiros baianos. O leão apanhou de sete a dois, os diabos rubros de quatro a um e o mais querido de um a zero. 
                                    A Praça Castro Alves parecia carnaval de tanto vampiro!

O próprio Blade em pessoa (sic!) tentou barrar o sanguinário sem êxito caindo por três a dois. Veio a seleção baiana e apanhou de três a um. A salvação da lavoura foi unir todos os vampiros do Nordeste e chamar Deacon Frost para uma revanche contra o Ypiranga. Só assim que se conseguiu vencer por três a dois. Ufa! Como o povo sofria com os vampiros naqueles tempos.
Aí Deacon Frost sumiu e ficou cuidando de outras histórias em quadrinhos. De vez em quando tinha notícias da Bahia. Ficou sabendo, por exemplo, que Blade tinha vencido o Andaraí por três a zero quando este veio ao estado em janeiro de 1933, sendo humilhado pelos baianos quando todo mundo tirou uma lasquinha dos cariocas. Isso pegou muito mal em Bucareste, terra dos vampiros.
                        O negocio ficou tão ruim que Deus e o Diabo sentaram pra confabular!

Mas isso se resolveu sem que Deacon se deslocasse bastando enviar, seis meses depois, o vampiro disfarçado de São Cristóvão, para vingar o sindicato e atropelar os baianos. No entanto a dupla BA-VI deu uma de ousado, o decano venceu (2 X 1) e Blade conseguiu o empate em um gol. Ficou no entanto o dito pelo não dito.
Deacon terceirizou seus enfrentamentos com Blade também no último ano da guerra, em 1944. Percebendo que ia perder a batalha na Europa deu pra atazanar os baianos que viam o vampiro humano Blade sem alguns dentes e perdendo o certame três anos seguidos para a equipe da colônia espanhola.
Neste ano toda hora chegava um vampiro de fora e Blade não conseguiu ganhar sequer um amistoso, até dos vampiros baianos perdeu, 2 X 4 e 0 X 3 do Ypiranga e 3 X 5 do Vitória. Mas acabou se recuperando levando mais um campeonato.
                                      Era um saco aguentar esses vampiros na nossa porta!

O vilão voltaria na próxima guerra, a da Coréia, em 1953. Mas, se esta foi terceirizada pelos norte-americanos o chefe dos vampiros viria pessoalmente em março, e através de dois clubes. A nova Fonte Nova ficou coberto de sangue baiano, o que aliás já estava no vermelho das camisas de Flamengo e Internacional.
No dia 15 de março não teve Blade baiano que adiantasse. O Inter enfiaria sete no tricolor e o urubu oito no leão. E de quebra oi Vasco da Gama despacharia o Ypiranga com mais oito gols. Foi o pior dia do futebol baiano na história. A vingança do vampiro havia sido demais. E nem Blade conseguiria impedir que os dois clubes visitantes disputasse o torneio que acabou se decidindo em favor dos vampiros gaúchos pelo saldo de gols.
                                               Ói eles aí na Avenida Joana Angélica!

O jeito foi fazer uma reunião com todas as religiões da Bahia, quando veio gente “pra dar de pau”. Se fosse hoje seria impossível reunir tantas, mas naquele tempo bastavam os católicos, terreiros e evangélicos. Aí ficou acertado que ia se espalhar orixás, cruzes e estacas em todas as fronteiras da Bahia, na verdade só pra não deixar entrar os vampiros de fora e continuarem a existir os vampiros baianos.
E não é que deu certo? Blade continuou a ganhar campeonatos, ano sim, ano não, e chegou a final da I Taça Brasil contra o peixe trazendo o título para o estado por coincidência em abril de 1960 quando todos os vampiros, e o próprio Blade, se mudaram pra recém criada Brasília.

·        Agradeço aos sites RSSSF Brasil e Wikipédia, ao Almanaque do Futebol Brasileiro, e aos blogs 100grana.wordpress.com e melhorpapeldeparede.com.  

sexta-feira, 15 de julho de 2011

As relíquias da morte


Tem uma mulher chamada J.K.Rowling (isso é nome de gente) que é louca por livros em série.   Inventou um herói e uns vilões que se movem num cenário frenético de acontecimentos e sob a luz de efeitos especiais. Aí a escritora caiu na mão da produtora Warner que a utilizou para ganhar “os tubos”.
Essa brincadeira faz dez anos, entra ano e sai ano e tome-lhe Harry Potter contra alguma coisa. Filmaram todos os livros da tal da rola, digo Rowling. Chegaram a dividir em dois o seu último livro, Harry Potter e as relíquias da morte. Pra variar a produtora utilizou vários diretores, sendo os últimos quatro filmes dirigidos por David Yates que acentuou os conflitos psicológicos do herói do seriado.
Mas o que muita gente não sabe é que a escritora plagiou o último livro. Vá lá que escreva a pedra filosofal falando dos bruxos, pois nem vou falar quanto existe de bruxaria na Bahia. Posso aceitar que trate da câmara secreta, mesmo sabendo que nenhuma cidade tem tanto túnel e passagens por baixo da terra como Salvador. Não é à toa que não conseguem concluir o metrô depois de 26 anos.
                                         Isso é do tempo em que se andava de bonde!

Só mesmo O prisioneiro de Askaban que nada fala da Bahia pois O cálice de fogo lembra os festejos de São João em Cruz das Almas e A ordem de Fênix e O enigma do príncipe parecem acusações a Ricardo Teixeira. Mas quanto ao novo filme Harry Potter e as relíquias da morte tenha santa paciência. Há gente que jura de pés juntos que a tal da Rowling esteve na Bahia pesquisando a história do nosso futebol. Não sei como a FBF não entrou na justiça pedindo direitos autorais do filme que é, cuspido e escarrado, uma metáfora dos primeiros anos do futebol baiano.
                                                                 Tá vendo aí?

Todo mundo já sabe que foi Charles Muller e Zuza Ferreira que trouxeram a bola, respectivamente, para o Brasil e para a Bahia. Se eles conhecessem as torcidas organizadas, a falta de manutenção nos estádios, os árbitros corruptos, e a desgraça que é descer de divisão certamente não teriam nos brindado com esta preciosa relíquia inglesa. É que se contam ás dezenas de milhares os que morreram por causa desta maldita pelota. Até guerra por futebol já houve entre Honduras e Guatemala.
A história oficial diz que Charles apareceu no Brasil em 1885 e Zuza só veio na Bahia em 1901. Fala ainda que o primeiro jogo do país teria sido entre os funcionários da companhia de gás e os da São Paulo Railway no ano anterior quando o segundo venceu por quatro a dois. Mas os cariocas mandaram o pobre Charles pra “cucuia” afirmando que o futebol já era praticado por marinheiros europeus desde 1864 no Rio de Janeiro.

                                               É uma concorrência danada desses heróis!


Pra quem não quer considerar estes, ainda haveria os “babas” dos jesuítas (1872/3), da praia da Glória (1874), dos tripulantes de navios ingleses (1878), dos colégios de Petrópolis (1882) e Nova Friburgo (1886) e da fábrica Bangu, entre outros menos votados. Já os paulistas reagem com Paranapiacaba, Jundiaí, e outras cidades ditas pioneiras.
Com a pesquisa de esporte moderna a discussão saiu do Sudeste e foi pro Rio Grande do Sul e o Pará. Os dois estados reivindicam o direito de posar de introdutores do futebol no Brasil. Os gaúchos apresentam a cidade de Santana do Livramento como autora da façanha nos anos 1880. Já os paraenses dizem que o futebol foi jogado em Belém desde 1890 passando a ser frequente seis anos depois.
O que é interessante é que ninguém apresenta as provas cabais disso, enquanto isto continua Charles Muller dando as cartas. Um dia destes vamos apresentar a candidatura da Bahia nesta confusão. Imaginem que desde o Século XIX já havia clubes esportivos por aqui. O EC Vitória foi fundado em 1899, ainda que como clube de críquete.  
                      Hoje todo mundo tem lap top!

Nossos maiores argumentos são os seguintes. Se o futebol surgiu no Rio em 1864 porque lá só foi existir campeonato 42 anos depois? Quanto ao campeonato paulista sim, realmente começou em 1902, mas, consta no respeitado site esportivo Campeões do Futebol que as primeiras partidas amistosas do Brasil foram em outubro do ano anterior entre as seleções carioca e paulista, que terminaram empatadas em 2 X 2 e 0 X 0.
Ora, como aceitar isso se no próprio Almanaque do Futebol Brasileiro consta que a primeira partida do país foi cinco meses antes entre Vitória 3 X 2 Combinado de marinheiros de navios ingleses ancorados em Salvador? O site Campeões do Futebol está por fora. Até 1914 não registra nenhum jogo fora do eixo Rio-São Paulo, quem sabe se é só pra reivindicar a primazia para a ida do Flamengo impor aos paranaenses goleadas astronômicas?
                                                    Não sobrou nada pra Charles Muller!


O campeonato baiano começou em 1905, um ano antes do que o carioca, e ainda houve vários jogos em Salvador, a exemplo dos de 1903, quando combinados baianos enfrentaram tripulantes de navios ingleses e norte-americanos e o Vitória jogou contra o São Paulo, que era formado por paulistas que residiam na Bahia. Além disto ainda houve amistosos no ano seguinte, do Vitória contra Santos Dumont, Internacional e São Paulo.
Só no ano seguinte é que aquele site vai falar de amistosos ocorridos no Rio de Janeiro, envolvendo Bangu, Fluminense, Rio Cricket, América, Botafogo, Internacional, Football & Athlétic, Marinha mercante inglesa, e um jogo em Recife entre Sport e English Eleven. Das duas uma, ou o conhecido site está redondamente enganado ou foi na Bahia que se praticou o futebol em primeiro lugar. E olhem que não estamos nem contando os índios...
                                                      Imaginem como era a bola!
 

Foi por isso que os baianos reconheceram imediatamente onde estava a tal da relíquia perdida que estavam procurando. Aliás nem precisava procurar pois ela estava em Pituaçu, no Barradão, e em um monde de lojas esportivas. Uma procura inútil de Harry Potter que trouxe muitas mortes desnecessárias.
                                                             Atacante do Vitória! 


Uma perda de tempo pro trio de amigos Harry, Hermione e Rony suar as bicas pra nada! E a série fica pior a cada dia. Se a parte I é lenta e meio chata a parte II tem um ritmo frenético. Mata-se á torto e á direito, a tudo e a todos. Daniel Radcliffe, Rupert Grint e Emma Watson continuam em busca dos tal dos Horcruzes e procurando a bola que Voldemort escondeu na sua vá tentativa de ser imortal. Nem precisava todo esse trabalho, era só ir a algum dos terreiros da Bahia!
Os pobres dos Horcruxes vão sendo encontrados, decifrados e destruídos, numa guerra incessante desde o quarto filme da série. Esses americanos só pensam em morte, que saco! Vão desvendando mistérios que não existem para os baianos. Centenas de bruxos se atracam, mas o mais interessante é que o tal confronto “final” só vale pra esse filme pois todos sabem que vem aí outro filme.

                             Ô reliquiazinha desgraçada!

·    Agradeço ao Almanaque do Futebol Brasileiro, ao Jornal A Tarde, aos sites Campeões do Futebol e Wikipédia, a Luiz Baena Cunha, Laércio Becker, Gabriel Froes e Paulo Ferreira. Sou grato ainda ao blog revistaaudioevideo.blogspot.com.  

quarta-feira, 13 de julho de 2011

Capitão América, o primeiro vingador


                                                      E ele tem as cores da Bahia!

Pelos almanaques de história em quadrinhos o herói Capitão América nasceu em 1941 nos Estados Unidos, para coroar os esforços de guerra daquele país na Europa. Teria sido a Marvel Comics que o criou junto com uma onda de super heróis que surgiram naquele tempo.
Mas os almanaques não estão com nada. O capitão América foi criado no Rio de Janeiro e bem antes desta época, em 1904. Esse filme que estão lançando agora, Capitão América, o primeiro vingador diz bem do seu aparecimento nos campos baianos. Foi o primeiro clube do Rio de Janeiro a jogar em um estádio baiano, o campo da Graça, pois o Botafogo jogou no campinho do Rio Vermelho dois anos antes.
A desinformação dos norte-americanos é tanta que eles não sabem só qual é a capital do Brasil ou a quem pertence a Amazônia, desconhecem esta importante informação, de que o capitão América veio na Bahia em setembro de 1921 fazer a primeira excursão de um time visitante no estado.
                         Que diferença pros super heróis de hoje, ele só tinha um escudo!

Apareceu por aqui duas semanas depois do dia consagrado á independência do Brasil. O pessoal lotou o campo pra ver aquele cara musculoso, com um escudo estranho, formado pelas ligas dos metais Adamantium e Vibranium, e indestrutível. Na ocasião, enfrentou os seus futuros arqui-inimigos Caveira Vermelha e Força Nacional, que se disfarçaram de um combinado Baiano de Tênis-Botafogo, mas apanharam de quatro a dois.
Depois veio a H.I.D.R.A, que os baianos chamavam de Associação Athlética, mas perdeu também por quatro a três. O próximo foi o Doutor Faustus, fantasiado de Ypiranga, e tome-lhe bordoada, três a zero. Por último veio o próprio Império Secreto, que usou as camisas do EC Vitória, pra perder de dois a um.
Não restou aos inimigos dos EUA, disfarçados de baianos, trazer todos os vilões do mundo, convocados pela liga e em nome da seleção baiana, e á muito custo conseguiram empatar em um gol com o famoso capitão. A Bahia nunca tinha visto um negócio daqueles.
                                                           E só vinha em turma!

Depois mandariam uns falsos capitães América pra Bahia. Mas os baianos logo notaram que era tapeação. Veio um verde América dizendo ser de Minas, e até um de Pernambuco, mas isso foi no tempo onde a própria Marvel Comics admitiu que tivessem quatro capitães América (sic!). Mas os baianos nunca esqueceram o capitão América carioca.
Precisou dezoito anos para o verdadeiro Capitão América voltar de novo na Bahia. Ah como era bonito seu uniforme. Nesse dia tirou até a roupa e apareceu como o Steve Rogers mostrando quanto era franzino. Aí fez um discurso chamando os torcedores pra se alistar na guerra que já começava contra o Eixo. Mas ninguém entendeu nada, mesmo porque o presidente Getúlio Vargas “preferia puxar o saco” da Alemanha.
Não sei se foi por isso, por jogar sem uniforme, acabou perdendo para outro alvo rubro, o Botafogo, por dois a um. Ninguém se alistou e aí o famoso capitão vestiu seu uniforme de novo pra jogar contra o time da colônia espanhola, devolvendo o escore aos baianos. Mas aí já tinham chegado os seus poderosos inimigos que tinha pegado de surpresa ao aparecer na Bahia sem avisar.
                                                Nem essa turma aguentava com ele!

O primeiro foi Modok, que jogou com a camisa do Ypiranga, e ofereceu a maior resistência, fazendo com que o capitão só conseguisse um empate em dois gols. E, três dias depois, houve uma verdadeira concentração de vilões no bairro da Graça. Os baianos nunca viram tanta maldade. Tinha o Barão Zemo, os Ossos Cruzados, o I.M.A e o Esquadrão Serpente. Chegaram até a esconder o escudo do capitão. Aí não podia dar outra coisa, quatro a um para o Bahia, no dia histórico de 12 de março de 1939.
A guerra passou e esqueceram-se do Capitão América. Fizeram até um seriado estrelado por Dirk Purcell mas a TV só chegaria à Bahia em 1960. Mas os norte-americanos resolveram dar um premio de consolação aos baianos e trouxeram o famoso capitão nove anos depois ao estado.
Ele chegou a Salvador em pleno mês das noivas de 1948. No começo acharam estranha a oportunidade, mas quando ele entrou no campo da Graça viram que era o original. Trazia seus aliados, o Agente 13, o homem aranha e Wolverine. Mas eles ficaram no banco de reservas. A primeira partida foi bem disputada contra Mecanus, que havia se disfarçado dos granadeiros, e ofereceu resistência. No final, um verdadeiro escore de “baba”, seis a cinco pro Capitão América.
                                             Getúlio chegou a reclamar com Roosevelt!

O próximo foi o Ypiranga. Mas, nesse dias os baianos não torceram pelo mais querido, pois viram que por traz do uniforme auri negro havia nada menos do que o temível Doutor Faustus. Na época a burguesia brasileira estava atrás de uma graninha dos norte-americanos tentando aproveitar o dinheiro da “reconstrução” da Europa. Eu sei que o capitão ganhou de seis a dois, quanto ao dinheiro americano ninguém viu.
Mas, três dias depois, desembarcou uma renca de super vilões no cais do porto e prepararam uma armadilha pro capitão. Roubaram o seu famoso escudo e deixaram, no vestiário um parecido, pintado com as cores originais, mas feito de lata de cerveja. Era sacanagem e o tricolor acabou ganhando de novo por dois a um.
Eu acho que foi por isso que, quando o capitão apareceu de novo, dois anos depois, nem veio a Salvador, preferindo ficar lá pela região do cacau onde goleou a Seleção de Ilhéus (5 X 2) e a Seleção de Itabuna (5 X 1)!
                                    Teve gente que se mudou da Bahia por causa dos vilões!

Foi tal de convidar o capitão pra voltar que ninguém aguentava. E que os baianos tinham construído um estádio decente, a Fonte Nova, e queriam mostra-lo para inglês e americano verem. Veio pra Bahia gatos e cachorros, times do Brasil todo e até estrangeiros. Na época os governadores chegaram até a apelar pro Eisenhower. Não era possível tanta discriminação com a Bahia!
Mas o capitão norte-americano só voltaria á Bahia depois da morte de Getúlio Vargas, pois achavam que havia ameaça a seus interesses, ainda mais quando foi criada a PETROBRAS! Apareceria por aqui em agosto de 1956. Mas só pra fazer uma partida, a outra seria em Feira de Santana. Na ocasião, até os vilões deram uma trégua. Os baianos estavam zangados, e foi assim que o Fluminense empatou com o capitão em Feira (1 X 1), mas não adiantou nada pro tricolor que caiu por dois a um com novo estádio e tudo.
Nos anos 50 tudo quanto é seriado americano apareceu nas TVs brasileiras que estavam sendo criadas. Na época ventilou-se que o Capitão América iria ser revivido. Mas, antes que isso acontecesse em 1964, e nosso herói surgisse como líder dos Vingadores, ele veio testar a sua popularidade na Bahia.
                                       Foi aí que passou a ter super heróis "a dar de páu"!

Veio novamente em maio e em 1958 quando haveria eleições. Sabem como é a diplomacia americana né? Aí acabaram arranjando um empate com o Bahia (1 X 1) que seria bom pros dois lados. Logo depois, mesmo que o capitão não votasse por aqui, o pessoal saiu por aí o levando para visitar a cidade, enquanto o tricolor pedia revanche.
Rapaz, o que o Capitão América e seus amigos passaram nem queiram saber! Doutor Fausto em pessoa fez o programa das visitas. Ele podia ser herói lá pras bandas do inferno mas na Bahia não resistiu ao efó, ao caruru, ao vatapá, e ao acarajé, tudo com a maior pimenta possível. Imaginem que de tanta cachaça voltou ás quedas para o Hotel da Bahia. O resultado não se fez esperar cinco a dois pros baianos. Já não se fazia mais heróis como antigamente!
O capitão se sentiu traído pelos baianos. E o Departamento de Estado americano retaliou pesado a Bahia. Foi por isso que a série que seria criada não passou na TV Itapuã. Assim, os ianques que visitavam a Bahia não tiveram nada pra conversar durante dez anos. Só em 1968, quando manifestações por direitos civis estouravam por todo o mundo, é que mandaram o capitão de novo distrair os baianos.
                                     Começaram a procurar onde estava o Capitão América!

Ele chegou logo depois do São João, e os baianos estavam tão satisfeitos com sua presença que até organizaram um torneio. O capitão veio com novo discurso, o que interessava agora não eram a guerra nem os protestos dos “subversivos” mas a amizade entre as pessoas, como a que tinha com Peggy Carter, Bucky e Ricky Jones.  Naquele ano porém, pouca gente foi á Fonte Nova ver o capitão levar a taça.
A primeira rodada ocorreu a trinta de junho, quando o capitão derrotou o rubro negro (2 X 1) enquanto o tricolor ganhava do Flamengo (1 X 0). Mas o primeiro vingador passaria das medidas, vencendo o Bahia (2 X 0) e o torneio na data magna dos baianos, o Dois de julho!
Os filhos e amigos do capitão ainda voltariam na Bahia nos anos setenta, em 1971 e 1977, pra jogar e empatar com o Vitória. Mas vivíamos uma época nova, a do Campeonato Brasileiro. Nos primeiros anos ainda deu pro nosso capitão, pois enfrentava o Império Secreto e iniciava parceria com outros super heróis, como o Falcão Negro.
                                 "Rolou" até fitinha de Senhor do Bonfim pro capitão voltar!

Mas, os anos 80 coincidiram com as dificuldades do América em se manter no Brasileirão. Havia passado a época de gatos e cachorros disputarem a Primeira Divisão e nosso herói deixava a guerra mundial e os nazistas pra aparecer na guerra civil e em todo lugar de interesse dos norte-americanos. Passou a viver uma concorrência desgraçada, tanto no certame brasileiro como no cinema.
Foram tirar do baú tudo quanto é tipo de super herói, com todo tipo de poderes, do que só um escudo. Até tal de lanterna verde apareceu! O Capitão América caiu pra Segundona e pra Terceirona. Disseram até que em 2007 foi morto na guerra civil. Mas, dizem que estão querendo ressuscitá-lo de novo!

·          Agradeço ao site Wikipédia, ao Almanaque do Futebol Brasileiro e aos blogs Jeniss, fotocomida.com, ptwikipedia.org, praticus.limao.com.br, tvcinemaemusica.worpress.com e teatrodebonecos.blogspot.com.  

segunda-feira, 27 de junho de 2011

O Rio de Janeiro


O Rio de Janeiro continua lindo. E agora com o sucesso do filme Rio está com a “corda toda”. Olha que já haviam feito muitos filmes onde aparecia a cidade, de 007 a Walt Disney´, e tudo quanto é série norte-americana. A diferença é que agora Carlos Saldanha, o mesmo que ganhou dinheiro com a Era do gelo (lembram-se?), transformou a cidade maravilhosa em protagonista.
Em apenas três semanas o filme bateu todos os concorrentes arrecadando 448 milhões. A receita é simples: pega-se uma cidade inserida no roteiro mundial, faz-se com que a ação se desenrole em torno de seus pontos turísticos, e usam-se todos os clichês possíveis. No caso do Brasil, geralmente confundido com a selva amazônica, não faltam as araras, tucanos e todo tipo de pássaros. Mas, pelo menos é melhor do que a baixaria de O turista e tem gente que acha que isso divulga a cidade.
Mas o que não se fala no filme é em Salvador. Mas como é que se pode falar do Brasil sem falar da Bahia? Quando é que vai ter fim essa disputa entre as duas cidades? Se isto é alguma honraria os portugueses invadiram o Brasil pela Bahia e não pelo Rio de Janeiro. Durante três séculos tivemos o maior porto e só quando a corte portuguesa se mudou pra lá é que os cariocas levaram vantagem. Mas Dom João veio primeiro pra Bahia e foi aqui que abriu os portos as nações amigas, leia-se a Inglaterra.
                              Gisele já veio também na Bahia!


Foi uma época boa pros baianos que, inclusive, tinham mais deputados que qualquer estado. Mas, como todo mundo sabe que esses parlamentares só defendem os próprios interesses, isso não adiantou nada, pois a Bahia e o Nordeste foram ficando pra traz e o Brasil mudou para o Sudeste. Quando a tal da república chegou já era coisa da paulistéia, de carioca e mineiro, só conseguindo neste clube do bolinha os gaúchos, mesmo assim através de revoluções.
Foi só assim que o Rio destronou a Bahia. Mas disputa com o estado até hoje os turistas. Todo hora saem matérias pagas nos grandes veículos de comunicação exculhambando as coisas da Bahia. Do nosso futebol eles só falam pra botar defeito. Quando o Vitória deu de cinco a zero no Flamengo por uma dessas copas brasís da vida, a manchete foi
-Flamengo goleado na Bahia

                 Petkovic e Dom João vieram, primeiro pra Bahia!

Quem lê a matéria não sabe nem pra quem o clube da Gávea perdeu. Põe-se a culpa no juiz, na má vontade dos jogadores, nos erros do técnico, o “escambau”, o que nunca se diz é que os times baianos mereceram ganham pois foram superiores aos times cariocas. Mas isso acontece porque foram mal acostumados.
Houve um tempo em que os clubes cariocas só vinham passear na Bahia. Logo na primeira partida em que enfrentaram os baianos, antes do carnaval de 1919, o primeiro depois da Primeira Grande Guerra, o Botafogo massacrou um escrete baiano por sete a um no campo do Rio Vermelho.
                                                           Aqui também já teve pirata!


Depois foi a vez de o América aportar por aqui em setembro de 1921. Ganhou de um combinado Baiano de Tênis-Botafogo (4 X 2), da Associação Atlética (4 X 3), do Ypiranga (3 X 0), e do Vitória (2 X 1). Só a seleção baiana conseguiu, á muito custo, empatar em um gol. Dois meses depois, chegou o Vila Isabel, que era o time da escola de samba carioca. Mas não é que venceu o Botafogo (3 X 1) e o Baiano (2 X 1)? Tiveram que organizar um combinado com o nome do herói Henrique Dias pra vencer os diabos rubros cariocas por quatro a um, embora o ameriquinha, cinco dias depois, derrotasse a seleção baiana pelo escore mínimo.
O Fluminense inauguraria o estádio da Graça num primeiro de abril de 1923, mas não foi dia da mentira. É tanto que venceu a poderosa Associação Athlética por três a um. Acho que os baianos ficaram mais orgulhosos por ter, enfim, um estádio apresentável, e, apesar de Baiano e Botafogo serem derrotados por dois a zero, o Vitória conseguiu um belo empate (1 X 1) e Botafogo (2 X 1 e Combinado Baiano (5 X 4) também venceram o pó de arroz). Foi assim que o zagueiro alvi rubro Mica foi convocado para a seleção brasileira.
                                           Na Bahia teve Canudos que o Rio não tem!


Quatro anos depois, oi os cariocas de novo! Desta vez foi o São Cristóvão que passou os baianos “a limpo”. Começou vencendo o Ypiranga (2 X 1), e depois traçou o Vitória (4 X 1), Botafogo (3 X 1) e um combinado de Salvador (3 X 0). Só quem lhe fez frente foi o Baiano de Tênis ao empatar em três gols.
Os anos trinta foram abertos na Bahia pelo Bangu que “passou o rolo” nos clubes baianos. Estreou contra a Associação Athlética ganhando por cinco a dois. Logo a seguir aplicou o esdrúxulo placar de dez a um no Fluminense FC. A coisa estava tão fácil que perdeu de convencido para o Botafogo (2 X 4) e o Ypiranga (1 X 3), embora vencesse a revanche contra esse último por seis a quatro
                                                     Quem é que quer Ronaldinho!


A primeira vez que o Vasco da Gama jogou na Bahia foi em junho de 1931, perdendo de seis a cinco da Seleção baiana. Com o Flamengo ocorreu em novembro do ano seguinte, ganhando sucessivamente do Vitória (7 X 2), Botafogo (4 X 1), Ypiranga (1 X 0), Bahia (3 X 2) e Seleção baiana (3 X 1), embora tropeçasse na revanche contra o mais querido por três a dois.
Ao longo da década voltaria o São Cristóvão (agosto de 1933 e maio de 1935) e viria o Andaraí (novembro de 1933). O Botafogo só reapareceria em outubro de 1935 e o Vasco em abril de 1936. Em meados de 1937 chegaria o Madureira que ficaria mais de um mês na Bahia.   O Flamengo voltaria em março de 1938 e o América depois do carnaval de 1939.
                                   Na Assembléia Legislativa daqui também tem fantasmas!


O Bonsucesso foi o primeiro a chegar nos anos quarenta antes do carnaval de 1941. Empatou na estreia contra o Galícia (2 X 2) e ganhou do Ypiranga (4 X 2), mas perdeu para o Bahia (2 X 1). O Vasco voltou no mês seguinte, e o Botafogo, em janeiro de 1942. Durante a guerra ainda voltou o São Cristóvão, após o carnaval de 1944, e o Fluminense, no mesmo período do ano seguinte. O pó de arroz voltaria em 1946, 1947 e 1949, sempre acompanhado do Flamengo. O Vasco da Gama viria em 1946, América, Vasco e Bangu em 1948, e o Olaria em 1949.
Em 1950 chegariam na Bahia o Madureira e o Flamengo e, o Fluminense seria o primeiro clube carioca a jogar no novo estádio da Fonte Nova atuando no dia consagrado á independência do Brasil na Bahia, o dois de julho, ganhando o tricolor baiano por dois a zero. Os cariocas só voltariam ao estádio dois anos depois, em março de 1953, quando o Flamengo venceu a dupla BA-VI, respectivamente, por dois a um e oito a dois.  Mas, a partir de então, os confrontos passariam a ser mais equilibrados. O Botafogo compareceria á terrinha em dezembro, mas pra ser goleado pela Seleção baiana por quatro a um.
                                   Os cariocas não sabem o que é sofrer com Kleber Pereira!


Em 1954 viriam Vasco, Botafogo, São Cristóvão e Olaria, e em 1955, Flamengo e Olaria. 1956 foi a vez de Fluminense, Bangu e Botafogo atuarem em Salvador, ficando para o ano posterior o Flamengo, Bangu e Vasco da Gama. E os dois últimos anos da década viram Fluminense (três vezes), Botafogo, Bangu e Flamengo (duas vezes).
A década de 60 inaugurou os grandes certames nacionais, começando pela Taça Brasil e pelo torneio “Robertão”, uma ampliação do antigo Rio-São Paulo. A Bahia viu o Flamengo e Vasco (seis vezes), Bangu (quatro vezes), Fluminense (duas vezes), Botafogo, Olaria, América, São Cristóvão, Bonsucesso, Portuguesa e Canto do Rio.
Qual é, o Rio não tem nem acarajé!


Os anos setenta puseram fim, quase que definitivamente, os amistosos entre baianos e cariocas. Doravante se enfrentariam pelos novos certames criados, o Campeonato Brasileiro, a Copa do Brasil, por torneios locais ou de consolação para os eliminados do primeiro certame. Se retirarmos o ano da inauguração da Fonte Nova são poucas as exceções:

30.1.1972 – Vitória 1 X 0 Fluminense             3.9.1972 – Bahia 0 X 0 Olaria
21.2.1973 – Bahia 1 X 1 Flamengo                  6.6.1973 – Vitória 0 X 0 Flamengo
14.7.1973 – Vitória 0 X 3 Vasco da Gama      17.6.1974 –Bahia 2 X 0 Flamengo
19.2.1975 – Vitória 0 X 2 Fluminense            18.6.1975 – Bahia 2 X 1 Flamengo
29.6.1975 –Vitória 2 X 2 Fluminense             17.6.1976 – Bahia 1 X 1 Flamengo
28.11.1976 – Ypiranga 1 X 1 Volta Redonda 5.12.1976 – Vitória 3 X 1 Volta Redonda
29.1.1977 – Vitória 1 X 1 América                   27.2. 1977 – Bahia 1 X 3 Olaria
                               O Elevador Lacerda é muito mais antigo que o Cristo redentor!
   

4.5.1977 – Vitória 1 X 1 Flamengo                   5.7.1977 – Bahia 0 X 0 Flamengo
26.9.1978 – Bahia 2 X 1 Flamengo                   31.1.1979 –Bahia 1 X 1 Flamengo
9.5.1979 –Vitória 1 X 1 Flamengo                     16.12-1979 – Leônico 0 X 1 Fluminense
1.10.1981 – Bahia 3 X 2 Botafogo                     28.3.1982 – Fluminense de Feira 0 X 1 Botafogo
30.3.1982 – Vitória 1 X 1 Botafogo                30.1.1986 – Bahia 1 X 0 Fluminense
8.6.1986 – Bahia 1 X 0 Flamengo                       10.6.1986 – Bahia 2 X 1 Vasco
15.8.1987 – Vitória 2 X 1 Fluminense                28.6.1997 – Vitória 0 X 5 Flamengo (Barradão)
31.5 1998 – Bahia 0 X 2 Flamengo                      

·    Agradeço o Almanaque do Futebol Brasileiro, a Sandro Miranda, ao site gostodeler, e aos blogs poder-jovem.blogspot.com, rpsomlivr.com.br e viagemaquiabril.com.br.