quinta-feira, 31 de março de 2011

Um vampiro na Fonte Nova

                         

A lenda dos vampiros é muito antiga, vindo desde a Mesopotâmia.  Com o tempo atingiu praticamente a todas as culturas a ideia de um ser que se alimenta do sangue humano, se transforma em morcego e só é morto quando se crava uma estaca no peito. Por influência da Igreja Católica se divulgou uma série de instrumentos para o seu combate, que incluem a cruz, a hóstia, o rosário, a agua benta e metais consagrados.
Hoje o vampirismo é quase que uma religião, se estendendo á literatura, ao cinema e ao vídeo game. Tolstoi, Rousseau, Alexandre Dumas e Karl Marx falaram de vampiros. Este último comparando-os aos capitalistas que sugam o sangue dos operários.  Os vampiros ajudam também a economia, aumentando o fluxo de turistas na região da Transilvânia na Romênia onde se diz que morou o mais famoso deles, o conde Drácula. 
Mas onde se esqueceram de mostrar os vampiros foi no futebol. No esporte está cheio de vampiros. Desde dirigentes de clubes que ficam ricos explorando a boa fé dos torcedores a empresários que sugam como podem as energias de jovens desde a mais tenra idade. Há Ricardo Teixeira que vai encher “as burras” de dinheiro com os contratos que fez para a Copa de 2014, assim como certos clubes que passam ano dando desgosto aos torcedores, que dão muito sangue para pagar os caros ingressos do nosso futebol.

O artigo de hoje é sobre um ano destes, o de 1966, e o vampiro é o EC Bahia que atravessava uma fase de meter medo. O tricolor havia sido pentacampeão em 1962, mas depois dali ficaria cinco anos sem arranjar nada! Pra piorar a história, no final de 1964 o futebol baiano iria viver grave crise, que durou quase dois anos, quando a imprensa aderiu ao boicote do esporte.
A equipe já tinha ficado de fora do supercampeonato do primeiro turno do ano anterior, que se reduziu a Ypiranga, Botafogo e Fluminense. O ano de 1966, portanto, começou muito mal para o antigo esquadrão de aço. Começou o segundo turno muito mal em 19 de janeiro, perdendo pro Fluminense pelo escore mínimo, gol de Neves. Mas até aí morreu Neves!
O time entendeu que tinha de ganhar conjunto, e aí marcou um amistoso na Fonte Nova contra o Sport. Não sei se estava mal com os rubros negros, o fato é que ocorreu nova derrota (0 X 1), saindo sangue por todos os lados embora nosso vampiro não tenha aproveitado.
                                               Oh, o Batman também é vampiro?
O time pareceu ganhar um sopro de vida ao ganhar do Guarany (3 X 0) e do Galícia (1 X 0) e mostrar o poder de sedução típico dos vampiros. Como a tabela previa que ficasse mais de vinte dias sem jogar, acabou por acertar amistosos pra não ficar parado. O primeiro foi dois dias depois contra o mesmo time da colônia espanhola. A partida acabaria por ajudar o vampiro a desaparecer numa névoa, após perder por dois a um do azulino.
Mais dois dias seria a vez de trazer os vampiros pernambucanos do Náutico, pra quem perderia pelo escore mínimo. A situação já estava feia, obrigando o vampiro tricolor a verdadeiras caçadas pela noite da Bahia pra conseguir um pouco de sangue. O jeito foi inventar. Aí a diretoria foi buscar o “grande time” amador do Periperi do Subúrbio Ferroviário, e promoveu um interessante amistoso na Fonte Nova pras moscas que infestaram o sangue dos suburbanos na vitória por sete a três (sic!).
Aí se animou o vampiro e trouxe o Fortaleza pra guardar um banco de sangue de reserva para disputar o resto do campeonato. Mas a partida resultaria em nova derrota dos chupa-sangues por três a um.  O Nosferatu baiano logo seria acometido por novos ataques com a cruz na mão que lhe tirariam “do sério” ao empatar com Ypiranga e Botafogo por um gol.
                                             Esse bigode é de um vampiro do Congresso!

Três dias antes do clássico, pra treinar mais a equipe, providenciaria novo amistoso, agora com o outro cearense, o Ceará Sporting. Na ocasião, nova derrota tricolor, agora por dois a um. O resultado prenunciava maus augúrios para a partida contra o rubro negro, e não deu outra, perdendo por uma hóstia a zero.
Conseguiria a façanha de ficar em quinto lugar no segundo turno entre os sete clubes que disputavam o certame, apreciando “de cadeira” as finais do turno entre o rubro negro e o azulino, e as do campeonato, entre Vitória e Botafogo, onde seu inimigo se sagraria bicampeão, e o veria disputar a Taça Brasil.
O vampiro tricolor ficaria parado por mais de três meses, quando se recusaria (junto com outros clubes) a disputar o novo campeonato cujos jogos seriam realizados no campo da Graça. Nesse tempo atacou os poucos bancos de sangue que haviam em Salvador. Não tendo mais onde buscar sangue deu pra atacar mulheres menstruadas. Nosso vampiro nunca havia chegado tão baixo.
                                                          Coitado, faltou sangue!

Por ocasião das festas de São João resolveu trazer alguns incautos na Fonte Nova. Não era possível que nem este o ajudasse, mas o primeiro “amistoso” (pois o vampiro passou o jogo todo tentando morder a garganta do Leônico) terminou sem gols. Graças a Deus (ou ao Diabo?), no segundo amistoso, o vampiro conseguiria algum sangue ao derrotar os azulinos por dois a um. Mas, logo depois, seria derrotado pelo Fluminense de Ferira de Santana pelo escore mínimo.  
Mas a crise do futebol ameaçou seriamente a sobrevivência do vampiro, quando o governo do estado resolveu interditar a Fonte Nova. Aí foi um “Deus nos acuda” que levou mais de três meses. Enquanto isto seu arquirrival ganhava o primeiro turno no campo da Graça. Ao final os clubes acabaram entrando em acordo pra terminar a crise. Pra arranjar sangue o vampiro tricolor arranjou duas incríveis partidas, contra uma “seleção de bancários” e a ADESG. Assim não vale, mas pro vampiro valeu!
Estava muito fraco e com uma cor de Leite Ninho, mas conseguiu ganhar esses dois grandes adversários por um a zero e dois a um. Três dias depois, entretanto, iria a Cruz das Almas jogar contra a seleção local, onde perdeu por um a zero. Também com alma penada era fogo! Antes de começar o campeonato arranjaria mais três amistosos, contra Botafogo, Galícia, e. a Federação Universitária(sic!).
                                                            O torcedor do vampiro!

Podem falar mal à vontade, mas sangue é sangue venha de onde vier. Assim ganhou do Botafogo (1 X 0), levando algumas bolsas para casa, empatou com o Galícia em dois gols, e pegou o pouquíssimo sangue dos universitários ao derrota-los por três a dois.
O campeonato se iniciaria na véspera do Natal, mas o Bahia só jogaria na véspera do réveillon. Penalizados com o vampiro a FBF programou uma partida dele com o Estrela de Março, outro chupa sangue de seus poucos torcedores, e que só tinha perdido para Deus e o mundo, registrando-se até um dez a zero do Vitória e um nove a zero do Fluminense.
                                                                Esse é o próprio!
Aí o vampiro “lavou a égua”. Foi sangue pra todo lado na vitória por cinco à zero. Levaria ainda tempo pra voltar a ganhar alguma coisa na Bahia, mas, pelo menos, guardou uma boas bolsas de sangue em sua casa.

·         Agradeço as informações aos sites do RSSSF Brasil e Wikipédia, e ao Almanaque do Futebol Brasileiro. Sou grato ainda as imagens dos blogs desciclo.pede.ws,malvada-online.com,maniadeler-mbk.blogspot.com,redevampyrica.com,escelofonarios.com,barracodasmoreira.zip.net e eosmedeiros.wordpress.com.

quarta-feira, 30 de março de 2011

O que é isso companheiro?



Compareci em fins de 1979 á primeira reunião do PT na Bahia, realizada no Centro de Estudos e Ação Social dos jesuítas com a presença de Lula. Na época ele fez uma exposição do partido e dos encaminhamentos que se estavam tomando em relação á sua legalização. Logo depois começariam a se organizar os núcleos do partido em Salvador, entre os quais o do Curso Beta, que funcionava no Cine Roma. A Comissão Provisória, no entanto, demorou algumas reuniões porá que fosse criada, em virtude das divergências.

O ano de 1980 se inicia com a prefixação da correção monetária para o câmbio e as ORTNs com o objetivo de reverter às expectativas inflacionárias. Morre Petrônio Portella, o articulador do regime no Congresso, e sofre atentado a quadra da Escola de Samba Acadêmicos do Salgueiro (RJ) onde se realizaria o lançamento do MDB. Nesse mês o Grêmio viria Salvador,. Empatando em um gol contra o EC Bahia.

Em fevereiro seria criado o Partido Popular, pontificado por Tancredo Neves, e se realizaria o ato de fundação do PT no mesmo Colégio Sion. Seria a vez do Internacional (RS) visitar a Fonte Nova, de onde sairia derrotado pelo tricolor baiano por três a um.



Compareci a aquele colégio, em São Paulo, pra participar do importante ato. Cheguei quase no fim da manhã encontrando o auditório cheio. A reunião, entretanto, só começaria ao meio dia, mostrando pra mim que os atrasos não ocorriam só na Bahia.

A mesa foi formada em grande parte por sindicalistas, e Jacó Bittar dirigiu a reunião que apresentou o manifesto de lançamento que seria debatido em comissões. O astral era alto, ficando isso evidente na aplaudida chamada dos primeiros assinantes da solicitação ao de reconhecimento do partido ao tribunal. Ao final, foram recolhidas as nossas assinaturas.

A campanha pela legalização do partido exigiu muito esforço, fazendo com que alguns desbravadores corressem quase todas as regiões do estado para que conseguíssemos esta façanha. Também em Salvador os primeiros militantes do PT iam de casa em casa praticamente pedindo aos moradores “uma força”. Naquele tempo os políticos e os partidos não tinham o desgaste atual, assim pudemos sair vitoriosos da empreitada chegando ás eleições de 1982 com 76 diretórios municipais organizados.

                                   Ufa, esse ano deu Vitória!

A campanha salarial dos metalúrgicos do ABC se iniciou em março e levaria á maior greve da história dessa categoria e uma inflexão no movimento sindical. O governo e os patrões estavam mais articulados e não seriam pegos de surpresa. Os operários entrariam em greve em abril.

Alguns dias depois o ministro Murilo Macedo declara a greve ilegal e promove uma repressão coordenada pela PM e Exército.  Na ocasião é estabelecida pelo II Exército uma verdadeira operação de guerra, que coloca o estado sob seu comando, ocupando as cidades afetadas (inclusive parte da capital) utilizando armas pesadas, veículos blindados, helicópteros, tropas de infantaria e de choque. Centenas de trabalhadores são presos, e o ministério intervém novamente nos sindicatos, destituindo e prendendo lideranças proibindo as empresas de negociarem diretamente.

Um movimento de solidariedade espalhou-se pelo país, quando foi aberto um fundo de greve, recebendo apoio material e politico de inúmeros segmentos sociais para a sustentação da greve. Inúmeros parlamentares e personalidades se manifestam em seu apoio.

                       Gabeira também já foi mais novo!

Aqui em Salvador a passeata de solidariedade foi no dia do meu aniversário de 32 anos. Foi organizada pelo Comitê de Solidariedade aos Metalúrgicos e “o pau comeu”, com a PM utilizando milhares de soldados espalhados pelo trajeto entre o campo Grande e a Praça Municipal. Cães foram jogados contra os manifestantes e houve por volta de quinze prisões.

A ordem era impedir qualquer aglomeração. Na ocasião o governador ACM (que deu ordem em acordo com o governo Figueiredo) tentou colocar a culpa na “intransigência” do deputado Elquisson Soares. A ironia era que pouco depois, o governador mandava demitir dezenas daqueles soldados que tomariam parte de uma tentativa de greve na corporação.

No início de maio, porém, os metalúrgicos do ABCD regressam ao trabalho depois de 41 dias de greve. Logo depois começava o Campeonato Baiano. O Vitória estreou numa rodada dupla que só deu empate, do rubro negro com o Botafogo (1 X 1), e do tricolor com o Itabuna (0 X 0). Na semana seguinte, um desastre, novo empate, pelo mesmo escore, contra o “saco de pancadas” chamado ABB.

                                       Não era fácil!

O mês de junho veria o meu clube ganhar fora de casa, contra o Fluminense de Feira de Santana, pelo escore mínimo. Mas, logo depois, um resultado incrível, a derrota para o Redenção de Brotas por dois a um. Era, realmente, o fim da picada, e deu vontade de abandonar o futebol e voltar pra militância!

E a desgraça continuaria, c om a equipe perdendo, de novo, para o Ypiranga (1 X 2) e empatando com o Jequié (1 X 1). Só no fim do mês é que obteria o primeiro triunfo do certame ao ganhar o fraquíssimo Humaitá (de Conquista) por três a um. A coisa melhoraria um pouco com o time empatando com o Galícia (1 X 1) enquanto saíamos na passeata do Dois de julho, e vencendo o Atlético de Alagoinhas (2 X 1). Logo depois, porém, seria derrotado pelo nosso arquirrival por dois a zero, em jogo que nem tive a coragem de assistir.

Foi neste mês que o papa João Paulo II visita o Brasil sendo incluído em sua agenda espaço para os operários. A presença do papa foi aproveitada por Figueiredo para defender a “união nacional”, num tempo aonde a Rede Tupi vai a leilão e os Jogos Olímpicos realizados em Moscou surpreendem o mundo.

                                Ele agora está mais gordo!

O papa visitou vários estados passando dois dias na Bahia. Mas sua agenda foi um verdadeiro sufoco. Teve aparições no Campo Grande, CAB, Igreja NS dos Alagados, Catedral e Centro de Treinamento de Lideres em Itapoá, em algumas delas meteoricamente. Seu discurso de João Paulo II ficou restrito a questões eclesiais e de evangelização. Os eventos que tomou parte foram massivos estimando-se em 500.000 pessoas os que compareceram ao maior deles no CAB.

Apenas após sua volta a Roma ofereceria colaboração para qualquer iniciativa que tivesse o objetivo de promover os valores humanos fundamentais. No entanto, sua presença mobilizou a comunidade católica, o que perdurou inclusive quando do atentado que sofreu, onde esta realiza atos visando o seu restabelecimento.

Mas, bastou o papa sair do país para se realizar um atentado a bala ao prédio onde funcionavam a sede do PT e a anistia em São Paulo. Logo depois Geraldo Siqueira e outros parlamentares são agredidos, é sequestrado o jurista Dalmo Dallari e assassinado o sindicalista Wilson de Souza Pinheiro. Duas bombas explodem no Rio de Janeiro, na sede da OAB (morte de Lyda Monteiro) e no gabinete do Vereador do PMDB Antônio Carlos. Cartas-bomba são enviadas a donos de bancas de revistas em Salvador em função da venda de jornais alternativos como o Em Tempo.



Mas não foi só o Brasil que continuaria mal, mas o Vitória também. Terminaria o primeiro turno em oitavo lugar (!) após empatar sem gols com Leônico e Itabuna. Só se classificaria para a segunda fase um ponto á frente do Humaitá!

Mas, foi no mês das tragédias, em agosto, que o clube começou a se recuperar. Após dois novos empates sem gols com Fluminense e Leônico, ganharia por dois a zero o Bahia, então heptacampeão, passando as finais em seu grupo.

Mas nas finais do turno esse jogo defensivo seria fatal, pois mesmo ganhando do Fluminense (3 X 1), os novos empates sem gols contra Itabuna e Galícia dariam o turno a este último. Mas naquele tempo o vice ficava com um pontinho, ainda bem!

                 Esta campanha ainda iria demorar quatro anos!

O segundo turno começou de forma desastrosa para o meu time, que perdeu de novo pro Ypiranga por uma zero. Logo depois empatou fora de casa com o sofrível Humaitá pelo escore habitual do treinador Carlos Froner. Depois, porém, deu uma embalada, dando de cinco na ABB. Voltou a empatar (1 X 1) com o Botafogo, mas ganhou seguidamente a Bahia (1 X 0), Jequié (2 X 0) e Redenção (1 X 0).

Eu já estava no Rio de Janeiro pra ver o último congresso da minha organização política, a AP. Mal entrara no grupo e ele acabava me deixando só como uma noiva abandonada no altar. Enquanto isto no Brasil, eram prorrogados os mandatos de prefeitos e vereadores evitando a ARENA a da disputa da eleição municipal que antecederia o retorno das eleições diretas para governador.

Foi quando voltei é que soube da derrota pro Atlético de Alagoinhas (2 X 3). Já era tempo de realização do 32o Congresso da UNE e teríamos que entrar em nova campanha, contra o indiciamento de “Lula” e do padre Vito Miracapillo na LSN, o primeiro por um discurso no Acre, e o segundo, por recusar-se a rezar missa em sete de setembro sob a argumentação de que no país ainda não havia uma efetiva independência.

                             Ôpa, tem estrelinhas saindo!

O Vitória voltaria a ganhar em outubro, derrotando a Itabuna (1 X 0) e Fluminense (3 X 1), para depois voltar a seus rotineiros empates sem gols contra Leônico e Galícia. O Bahia tinha se recuperado e terminara o turno em primeiro, quanto a nós tínhamos melhorado em relação ao primeiro turno, acabando em quarto lugar.

Na ocasião a imprensa faz um estardalhaço da reunião das oposições que teriam feito um pacto de união para as eleições de 1982, quando havia a expectativa de serem diretas para governador. Na verdade a reunião que o PT participou com o PP, PDT e PMDB, apenas criou uma comissão de consultas interpartidária.

O Vitória ficou nas semifinais no mesmo grupo do Bahia e terminaram, juntos, se classificando com sete pontos, após o rubro negro empatar com o tricolor (1 X 1) e ganhar Atlético (3 X 1) e Redenção (3 X 0).

                               Agente falava na marra!

Mas no quadrangular final a equipe saiu na frente ganhando do Leônico de um a zero, enquanto Bahia e Galícia empatavam em um gol. Bahia e Vitória ganharia de Leônico e Galícia por dois a um, e fariam a grande final do turno um dia depois da proclamação da tal república, pra não dar azar. Assisti na ocasião o rubro negro jogar um grande futebol, com Bigu e Cia garantido a vitória contra o nosso arquirrival pelo escore mínimo.

Mas ninguém estava morto ainda. O Vitória entrou nas finais com quatro pontos, enquanto o Galícia ficara com três e o Bahia com um. No primeiro jogo a equipe da colônia espanhola “matou” o tricolor empatando em um gol. Ora, este, mesmo ganhando o clássico (bato na madeira!) perderia o título em função do critério de desempate privilegiar quem ganhou algum turno.

Assim fomos para a finalíssima entre Vitória e Galícia. No dia vinte e três de novembro o rubro negro devolveria a minha alegria pra enfrentar a sofrida militância. Nesse dia havia quase cinquenta mil pessoas na Fonte Nova. Foi, como tudo na vida do Vitória, um jogo duríssimo. Tínhamos que ganhar de qualquer jeito pra não ter outra partida. Quando o juiz marcou o pênalti cheguei a virar de costas, mas acabei olhando pelo canto do olho o zagueiro Paulo Mauricio converter. Depois foi só ver Xáxa jogar a bola “pro mato”, Alberto “Leguelé” e Careca prender a bola e esperar o juiz apitar.

                           Poxa, cachorro é sacanagem!

Antes de terminar o ano seria restabelecida a eleição direta para governadores, no entanto só para 1982. No próximo ano seriam estabelecidos novos casuísmos como o “Pacote de novembro”. ocorre a vitória da oposição na FIESP, que tem como presidente Luís Eulálio Bueno Vidigal. Aprova-se também o fim dos senadores biônicos, porém respeitando o mandato dos existentes. O ano se encerra com o retorno do Partido Republicano ao poder nos EUA com a vitória do ex-ator Ronald Reagan.

A criação do PT em 1979 traz uma nova dinâmica partidária no Brasil. Independente da situação em que esteja hoje, contribuiu na época pra tratarmos em um espaço legal aquilo que só fazíamos na clandestinidade. Pudemos assim, articular os movimentos e fazer planos pra que os trabalhadores chegassem ao poder. Quanto ao Vitória, três dias depois da decisão, fazia a festa das faixas contra o Sport vencendo por dois a zero!   



·         Agradeço as informações do site RSSF Brasil e do Almanaque do Futebol Brasileiro. Sou grato ainda as imagens dos blogs educarparacrescer.abril.com.br,planetaeducacao.com.br,marcoscassiano.com,caocamargo.blogsdpot.com,midiaindependente.com e publicofalatocata.blogspot.com.












terça-feira, 29 de março de 2011

Elizabeth Taylor, o Palmeiras e meus quinze anos

  
Desde a semana passada fiquei incucado com a morte de Elizabeth Taylor, uma das atrizes que povoou os meus sonhos eróticos da adolescência. Aí me lembrei do que aconteceu no meu inesquecível aniversário de quinze anos em 1963! Nesse ano o Santos foi bicampeão mundial interclubes e o Brasil “bi” de basquete. E estreou seu filme Cleópatra (com a direção de Joseph Mankiewicz) onde ela trabalhou e contracenou com Richard Burton e Rex Harrison.
Foi uma época de grandes sucessos do cinema, havendo entre outros, América, América, de Elia Kazan, e Il Gattopardo, de Luchino Visconti, com Burt Lancaster, Alain Delon e Claudia Cardinale, e Irma La Dulce, de Billy Wilder, com Jack Lemmon e Shirley MacLaine.
Os Beatles estouraram com Please Please me e Love me do. Eram lançados álbuns antológicos como Joan Baez in concert, parte 2, Live at the Apollo (James Brown), e Ella Fitzgerald e Count Basie, assim como João Gilberto e Stan Getz iniciavam imorredouras parcerias.  Antônio Carlos Jobim lançava nos EUA O compositor de Desafinado.
                                                                Será que ela era tão feia?

Logo no início do ano o Brasil realizava um plebiscito que reconduziria o país ao presidencialismo. No entanto, quando o presidente Jango recuperou os poderes do cargo passou a tentar buscar aliados nos EUA e na direita brasileira, o que acabaria por lhe custar muito caro.
Em fevereiro o presidente John Kennedy aprovaria o embargo comercial com Cuba. No outro dia ocorre o primeiro voo do Boeing 727. E logo depois, em março, um golpe depõe o presidente do Equador.
O mês de abril começa com o pouso na Lua da sonda espacial soviética Luna IV. E é quando começa a nossa história esportiva. Dois dias depois o Bahia busca acertar seu time para a campanha onde iria buscar um inédito hexacampeonato. Na oportunidade faz um jogo-treino na Fonte Nova com o Grêmio de Alagoinhas (!) que termina, surpreendentemente, sem gols.
                                          Ah Jango, porque voçe não resolveu enfrentar?

Mas, para os dirigentes, a ocasião havia servidor pra acertar o time. Assim, se acha em condições de trazer equipes do Sul onde juntaria o útil ao agradável, entenda-se um bom dinheiro pros cofres do clube. Depois de contatar com várias equipes a escolha recai sobre a Sociedade Esportiva Palmeiras de São Paulo.
Esse clube tinha uma curta história no estado, onde apareceu pela primeira vez, com o nome de Palestra Itália, em setembro de 1937. Na oportunidade, apesar de encontrar facilidades com o Bahia (o qual derrotou por quatro a zero), empatou com Botafogo (3 X 3) e Ypiranga (2 X 2), e derrotou o Galícia “demolidor de campeões", por suados quatro a três. Cinco anos depois as circunstâncias da Segunda Grande Guerra que levaram á perseguição de italianos e japoneses fez com que mudasse de nome para SE Palmeiras.
Seis anos depois voltaria a nos visitar, quando perderia para o Ypiranga (2 X 3) e venceria novamente com facilidade o tricolor baiano por quatro a um e três a zero. Muitos clubes paulista frequentariam a Fonte Nova desde a sua inauguração em 1951, mas o Palmeiras só jogaria no estádio quinze anos depois da sua última apresentação. Já havia vencido a II Taça Brasil (1960) e contava com grandes jogadores como o goleiro Valdir, o defensor Waldemar Carabina, o formidável meia Ademir da Guia, o ponteiro Vavá, o meia Chinesinho e o centro avante Vavá.

Foi esse time, algo modificado, que aportou por aqui para comemorar a data da morte de Tiradentes. O jogo contra o tricolor baiano foi muito respeitoso. Com os dois times se estudante mutuamente. E o placar refletiu esses “estudos”, terminando com um gol de cada lado.
No entanto, como o Bahia estava acertando o time acabou propondo ao Palmeiras uma revanche. Já que já estava aqui mesmo, o tricolor não pagaria as passagens, só tendo gastos mesmo com hotel e alimentação. Assim, a cota do Palmeiras pode ficar bem mais em conta. Não posso deixar de me lembrar desse jogo, que ocorreu três dias depois do jogo comemorativo e exatamente no dia do meu aniversário de quinze anos.
Era uma idade importante que eu comemorava e pude verificar isto á noite, quando meu pai me comunicou, solenemente, que eu já poderia chegar em casa ás nove da noite. É claro que passei a esquecer o relógio em casa e fazer outros expediente pra que pudesse ganhar, pelo menos, mais uma hora. Mas pude perceber que já tinha mais responsabilidades, pois estava me tornando um “homem”.
                                                                  Que saudade!
Mas, nem o bolo nem a festa, nem mesmo os parabéns, fizeram com que eu desligasse o rádio onde jogavam de novo o nosso arquirrival com o porco paulista. Posso dizer que foi um aniversário com “cabelo e barba”, pois, entre os presentes que recebi um deles veio da Fonte Nova. É que nesse dia Zé Athayde cansou de gritar os gols do Palmeiras, que só parou quando estava em cinco à zero.
Como havia pedido a minha família que me desse dinheiro meu prazer (mostrando que ainda tinha muito tempo pela frente pra amadurecer) foi comprar todas as revistas que gostava na banca da esquina. Lembro-me que o proprietário até se assustou quando eu pedi tanta coisa pra levar. Mas quando cheguei em casa minha mãe Helena não gostou da extravagância. Só quando fiquei triste é que ela deixou de me “zuar” aceitando a demonstração de felicidade!

·         Agradeço as informações do Almanaque do Futebol Brasileiro e do site Wikipédia. Sou grato também as imagens dos blogs coletivoinstalacao.blogspot.com e instante.com.

domingo, 27 de março de 2011

Os visitantes noturnos

                 
                                          Nesses noventa minutos
                                          de amor e alegria
                                          esqueço a casa e o trabalho
                                          a vida fica lá fora

                          Milton Nascimento e Fernando Brandt


Há um filme chamado O visitante noturno que conta a história de um interno de um hospicio que tem a ideia fixa de escapar  para se vingar das pessoas que considera responsáveis por sua situação. O filme, dirigido por Laslo Benedict, tem um elenco de primeira grandeza com Max Von Sydow, Liv Ullmann e Trevor Howard, e cai bem no que passei em 1967.

Neste ano dividi minha atenção entre a musica e o futebol. Ouvia ás noites o álbum dos Beatles, Sargent Peppers Lonely Hearts Club Band, que, para mim, parecia ser o máximo em matéria musical. O campeonato baiano do ano anterior havia se iniciado na véspera do Natal e se prolongado até o mês de março. O Leônico conquistaria o título no mês seguinte em três partidas contra os leões da Barra.

Mesmo com o calendário apertado não deixou de haver jogos amistosos, tanto de times locais como com visitantes. Eles tinham uma curiosidade, eram realizados nas noites da Fonte Nova. Na época o tricolor baiano estava com uma equipe tão ruim na época que conseguiu perder todas as partidas. Seja as que fez contra times do Sul, Bangu e Comercial (SP) (0 X 1 e 1 X 2), seja as jogadas contra times locais, Leônico e Ypiranga (2 X 3 e 3 X 5).

                             Esse era fogo!

Logo após as decisões recomeçaram os amistosos, trazendo o XIII de Campinas. Os paraibanos jogaram contra Vitória e Galícia, perdendo as duas, por quatro a zero e dois a um. Antes de começar o novo campeonato seriam organizados dois torneios na Fonte Nova. O primeiro seria no fim de abril, com a participação da dupla BA-VI, do campeão Leônico, e do Clube do Remo do Pará, o primeiro visitante noturno. Um dia destes daremos mais detalhes da vitória paraense.

O segundo veio a seguir, em maio. Os baianos foram os mesmos, mas o convidado foi o Náutico de Recife, outro visitante noturno. Alguns dias antes do certame rubro negros e tricolores acham de fazer um jogo amistoso, que terminou empatado em dois gols. E, no dia sete de maio de 1967 jogam na preliminar Náutico e Leônico e, no jogo de fundo, mais um BA-VI. A rodada, entretanto, deixou tudo no mesmo. O clube timbu ainda empatou em um gol, mas o clássico terminou sem gols.

 Três dias depois foi realizada uma nova rodada. O Bahia fez a preliminar vencendo o campeão, os moleques travessos, por dois a um. Mas, na principal, o Vitória caiu perante os pernambucanos pelo mesmo placar. A decisão ficaria para a última rodada, quando, inclusive, podia dar uma zebra total, um empate de todos os clubes com três pontos.

                 Tsunami em Salvador não vale!

Foi em função desta perspectiva que fui á Fonte Nova. Mas, na preliminar, o Leônico, mais uma vez, acabou com nossas ilusões, vencendo o rubro negro por dois a um, o mesmo escore da trágica decisão de 26 dias antes.

 Quase não fico pro jogo de fundo entre Bahia e Náutico. Tudo parecia conspirar para que o tricolor ganhasse seu primeiro torneio neste ano. Mas o jogo surpreendeu os torcedores do Vitória. Os timbus jogaram ainda mais do que tinham feito antes, enfrentando o Bahia “pau a pau” fazendo com que o jogo tivesse alternâncias no placar. No final, não deu outra, comemoramos os três a dois para os pernambucanos.

Pouco depois começava o campeonato daquele ano. Um dos maiores de toda a história com a participação de quatorze clubes. Foi a primeira vez que o interior suplantou a capital, participando oito equipes.

Esse visitante morreu num estranho desastre neste ano

Foi durante o seu desenrolar que eu assisti as noites pela televisão ao Festival Internacional da Canção – FIC. Na ocasião a música Travessia, de Milton Nascimento e Fernando Brandt, ficaria apenas em segundo lugar, perdendo para Gutemberg Guarabira. Chico Buarque obteria um modesto terceiro lugar com Carolina, consagrando a postura de ficar na janela vendo o tempo passar.

Mas a sensação em matéria de musica seriam os festivais da Record que desbancariam o da TV Excelsior passando a ser o principal palco de disputa dos artistas. Eles preencheram as minhas noites de 1967. Foi á noite que chorei durante a interpretação de Roda viva pelo autor Chico Buarque e o MPB-4, música que deveria ter ganhado o festival, e também de noite que vi a vaia que “armaram” pra apresentação de Roberto Carlos.

Chegavamos em casa, jantávamos e ligavamos a TV pra ver Gilberto Gil fazer sua melhor apresentação nos festivais apresentando com o conjunto Os Mutantes sua música Domingo no parque. Mas a noite da sensação foi a do gesto de Sérgio Ricardo que atirou o violão no público durante as vaias da apresentação de sua musica Beto bom de bola. Gostei ainda da noite de Cantador, de Dori Caimmy e Nelson Motta, interpretada por Elis Regina, apesar de não lograr classificação.


 Foi neste tempo que as coisas começaram a se polarizar na chamada musica popular brasileira que lutava com dificuldade para ter seu espaço contra a chamada “música jovem”. E é durante esta disputa que surge o tropicalismo.

Confesso que tive simpatia pelo movimento pela presença de baianos. No entanto, logo pude notar o talento dos arranjadores, compositores e interpretes do grupo. Este apareceu para mim como uma síntese entre os dois gêneros com os quais me debatia ao fim dos anos 60: o rock das guitarras e as harmonias elaboradas da Bossa Nova. Repercussão especial me causaram músicas como Lunik 9, Onde Andarás Lindonéia e Baby, não por coincidência, todas relacionando letra e harmonia elaboradas em ricas e românticas melodias. 

Na busca do novo público que então ascendia ao consumo cultural, os tropicalistas traziam uma versão mais elaborada de música jovem, incorporando a realidade ao seu discurso musical, seja a que se expressava na vanguarda do rock internacional, seja a da participação política da juventude brasileira, exprimida, em boa parte dos casos, pelo tratamento inovador dado por arranjadores e compositores como Rogério Duprat, Júlio Medaglia e Damiano Cozzela.

                      Também teve isto em 67

E foi numa noite que Caetano aproveitou as vaias pra mostrar a intolerância reinante, aproveitando a ocasião para propagandear um discurso estético e político que serviu de referência do movimento que participava. Seu gesto de virar as costas para o público e o deste, ao proceder da mesma forma, se tornou antológico. Também na música não havia mais espaço para o intermediário. Era “calça de veludo ou bunda de fora”. Assim, a revolução cultural proposta por Caetano de derrubar as prateleiras, as estantes, as estátuas, as vidraças, louças e livros não encontraram eco.

O Galícia levaria o primeiro turno. Mas durante este daria tempo pra novo torneio,onde havia, além da dupla BA-VI, Galícia e Flamengo. Eram mais visitantes noturnos, mas só que, desta vez, o Vitória faturaria a taça. Ufa!



·          Agradeço as informações do Almanaque do Futebol Brasileiro e do site do RSSSF Brasil. Sou grato ainda as imagens do site cineplayers.com e dos blogs virtual.epm.br, hypercontraste.blogspot.com,epensenti.blogspot.com,forum.paodemuseu.com.br e metalclube.com.

sábado, 26 de março de 2011

Deu raposa na Fonte Nova

O timaço da raposa com Valderlei, Fontoura, Pedro Paulo, Wilson Piazza, Mário Tito e Raul(em pé), e o massagista "Nocaute Jack", Natal, Zé Carlos, Tostão, Dirceu Lopes e Rodrigues(agachados).      


No início dos anos 70, quando estavam em vigor os anos sombrios do ainda maior endurecimento da ditadura militar, prosperou a “pornochanchada”, quando assistíamos à ex-miss Vera Fischer, a Jardel Filho, Nuno Leal Maia, Milton Morais e muitos outros que tiravam a roupa para a glória da indústria cinematográfica nacional. Na época, morre a inesquecível cantora Dalva de Oliveira, e o poeta tropicalista Torquato Neto põe fim à sua inquietação criadora.

O carnaval de Salvador era patrocinado pelas cervejarias CIBEB e Carlsberg que financiavam os trios elétricos, e já se podia brincar o carnaval na sede do EC Vitória, que era situada em Amaralina. Nas ruas, se via o bloco carnavalesco Os internacionais e ainda dava para levar a família para a Avenida Sete.

Íamos pela manhã levando nossas cadeiras e as amarrávamos nas que lá havia. Quando chegávamos à noitinha para o desfile ainda estavam lá. Acreditem se quiserem, ninguém roubava! Começavam a chegar a público as atrocidades cometidas pela quadrilha do policial Manoel Quadros, versão baiana do esquadrão da morte e, a toda hora, apareciam mais corpos.

     Esse simpático pessoal ia pra rua por qualquer coisa!


Nessa época, a firma EMBACIL, de meu pai Franklin e meu tio “Zeca” estavam trabalhando na iluminação da construção do anel superior da Fonte Nova, e o campeonato de 1970 seria disputado no campo da Graça, dando uma final capital (Bahia) X interior (Itabuna) que o tricolor ganhou de balaiada.

Lembro-me que nesse ano, ao fim do governo de Luiz Viana Filho, lidei com a minha primeira greve, só que do lado patronal. Era fim de semana (quando os operários costumavam receber), e o Banco de Crédito Real, que funcionava no Relógio da Piedade, estava muito cheio. Assim, meu tio acabou passando do horário do pagamento do pessoal.

Foi um sufoco para meu pai. Eu e meu irmão tivemos de ir á Fonte Nova ajudar. Entramos no gramado e nos dirigimos ao escritório da firma que funcionava lá mesmo, improvisado nos vestiários. Os operários foram para o escritório e fizeram um escarcéu exigindo o pagamento. Ajudei a colocar um balcão para separar a administração do pessoal em fúria.



Tentamos contemporizar e pedimos para aguardar. Naquele tempo não tinha celular, então não podíamos saber quanto tempo ia demorar meu tio no banco. Quando o dinheiro chegou, foi um alívio. Nunca mais a EMBACIL foi buscar o dinheiro na hora. Meu tio passou a ser um dos primeiros a chegar ao banco.

As obras ficaram prontas no início de 1971. Depois foi só o acabamento pra reinauguração de quatro de março de 1971. Não foi contar de novo aqui o que ocorreu neste dia, pois consta de três artigos deste blog.

A empresa de meu pai e meu tio levou meses pra receber, pois, como é comum no Brasil, o novo governo, quando assume, demora em pagar a obra autorizada do governo anterior. A empresa teve que fazer um acordo com o governador ACM, sendo obrigada a dar grande desconto. Ele não gosta de falar nisso, mas desconfio que os seus colegas empreiteiros, como Norberto Odebrecht e Nilton Simas, sofreram a mesma chantagem.

                               Liz Taylor ainda tinha 39 anos!

Mas enquanto a EMBACIL passava esta situação, descapitalizando-se para futuras obras, um novo torneio seria jogado na Fonte Nova, o primeiro da nova gestão de ACM. Começou exatamente um mês após do primeiro, o da inauguração do estádio. Desta vez com a presença de Bahia, Galícia, Santos e Cruzeiro de Minas Gerais.

Confesso que não assisti a nenhuma partida, pois fiquei chateado com o fato do Vitória não ter sido convidado. Naquele tempo meu time ainda não havia sido incluído no Campeonato Brasileiro o que só ia ocorrer no próximo ano. Assim, somente me restou o recurso de acompanhar as partidas pelo rádio.

O tricolor baiano entrava fortalecido, pois havia se sagrado vencedor do torneio da inauguração com um empate contra o Grêmio, quando Oto Glória lhe ofereceu a taça. Ás vésperas do torneio a dupla BA-Vi faz amistosos, quando o rubro negro perde pro Atlético Paranaense por um a zero e o tricolor para o Botafogo (RJ) por quatro a dois, este último comemorando o golpe de 64(argh!). Bem feito!



A primeira rodada ocorreu em quatro de abril de 1971, com Galícia X Cruzeiro na preliminar, e Bahia X Santos no jogo de fundo. Na oportunidade o azulino bem que tentou, e até jogou bem, mas não conseguiu sobrepujar a maior categoria do time da raposa mineira que venceu por três a um.

A partida principal era aguardada com grande expectativa. Era a primeira vez que a equipe do Santos jogava na nova Fonte Nova, e não havia faltado quem propusesse o seu convite para os jogos inaugurais, uma vez que o clube havia decidido por três vezes com o EC Bahia a Taça Brasil. Foi um jogo excepcional, cheio de alternâncias no placar, mas ao final o tricolor acabou vencendo o peixe por três a dois.

A segunda rodada ocorreu três dias depois. Na oportunidade iriam se enfrentar na preliminar os derrotados da véspera, e no jogo de fundo os vencedores pra ver quem ia levar a taça. O Galícia, mais uma vez, jogou bem. Ameaçou até chegar a um melhor resultado, mas o Santos se impôs, reabilitando-se, vencendo os granadeiros por dois a zero.


E fomos para a partida principal entre Bahia X Cruzeiro, um dos jogos mais importantes que até hoje disputaram. O jogo foi equilibradíssimo. Começou com o tradicional estudo, mas depois os ataques se alternaram de ambos os lados. O Cruzeiro conseguiu fazer um gol e segurou sua vantagem até o final, mostrando que não tinha apenas um grande ataque, mas, principalmente, uma boa defesa.

Ainda viria muita gente boa a Fonte Nova este ano, apesar de faltar menos de oito meses para o réveillon. Além dos jogos do primeiro campeonato brasileiro, presenciamos ali o Atlético Mineiro e o Flamengo em maio (duas derrotas do Bahia, 0 X 1 e 1 X 3) e amistosos entre clubes locais em agosto e setembro.

O Vitória fez seu segundo amistoso na nova Fonte Nova em setembro, ganhando a duras penas do Fortaleza pelo escore mínimo. Logo depois traria o Bangu, com o qual jogaria duas partidas, empatando sem gols e perdendo por três a um.

                            Naquele tempo sumia gente!

Antes do fim do ano ainda viriam mais convidados. O XIII de Campinas empataria (1 X 1) com o misto do Bahia. O Vitória ganharia do Atlético Mineiro (1 X 0) e empataria com o América (RJ) sem gols. Já o Bahia venceria a Portuguesa de Desportos pelo escore mínimo.

Em dezembro a Fonte Nova veria seu último torneio do ano, com as duplas BA-VI e FLA-FLU, mas deu pó de arroz, num certame onde ocorreu carência absoluta de gols. A vontade de jogar no novo estádio passou todas as medidas, pois ainda viria o CRB, o Cruzeiro, o Náutico, e a dupla BA-VI passaria as festas natalinas jogando entre si.

O primeiro campeonato brasileiro levaria a grande desmoralização da CBD. Os esquemas que de há muito era notados ganharam dimensão nacional. O campeonato foi organizado em duas chaves utilizando um duplo critério de classificação para a fase final: o nível técnico e a renda. O processo, porém, estimulou muitas maracutaias com os clubes comprando renda pra subir na classificação. Mas “o fim da picada” mesmo foi o jogo entre Vasco da Gama e Palmeiras no Maracanã, cujos presentes estiveram muito longe de corresponder à renda divulgada.

   Se podiam nada faziam a não ser ganhar dinheiro com o Brasil! 

O povo baiano respondeu positivamente ao primeiro campeonato levando grande público á Fonte Nova e fazendo com que nosso rival, E.C.Bahia, ficasse entre os cinco melhores colocados no critério imoral. As baixas rendas de clubes do Sul, o novo estádio, o interesse da realização de uma mini copa e o ano eleitoral de 1972 fizeram o resto garantindo a entrada de dois clubes da Bahia. No entanto, a entrada do Vitória veio acompanhada de outros com menos tradição no futebol brasileiro. 



·         Agradeço as informações do Almanaque do Futebol Brasileiro e a foto do Museu dos Esportes. Sou grato também as imagens dos blogs felippeneri.blogspot.com,guiame.com.br,flickr.com,tempodebola.blogspot.com e sertaopauliustano.blogspot.com.