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sexta-feira, 18 de março de 2011

O mês do cachorro louco!

            
                                                                                Mês terrível funesto mês de agosto,
                                                                                Mês de desgostos, mês trágico e fatal.
                                                                                                                  (modinha Popular)
Dizem que agosto é o mês da desgraça e das infelicidades. Os argentinos até tem um ditado que não se deve lavar a cabeça nesse mês, pois atrai a morte. E o mais curioso é que os romanos deram este nome ao oitavo mês do ano para homenagear a seu imperador Octávio Augusto em função de suas conquistas. Mas depois passaram a não gostar do mês onde se dizia que passeavam dragões.
O folclorista Pereira da Costa afirma que é mês de desgosto, sendo de mau agouro para casamentos, mudança de casa e empreendimentos. Diz que no dia 24 de agosto, dedicado a São Bartolomeu, os diabos se soltam do inferno. Leonardo Mota chega a dizer que é o mês desmancha-prazeres da humanidade. João Alfredo de Freitas fala de um dia de agosto onde se soltam as almas. No Brasil há um ditado popular que diz que “casar em agosto traz desgosto”. Na crendice popular, as assombrações, almas penadas, costumam aparecer nesse mês. Mas a superstição em torno disto é internacional.
Gastaríamos horas falando das misérias que ocorreram em agosto. Lembramos apenas algumas. As duas maiores guerras da história do planeta começaram em agosto. Uma no dia primeiro de agosto de 1914. E a outra, em agosto de 1939. E foi também em agosto, nos dias 6 e 9, que soltaram bombas atômicas nas cidades de Hiroshima e Nagasaki em 1945. Foi no dia 24 de agosto de 1572 que Catarina de Médici ordenou o chamado massacre de São Bartolomeu matando milhares de pessoas. A Revolta dos poloneses contra os russos em Varsóvia ocorreu em 14 de agosto de 1831 com milhares de mortos.

Foi no dia 6 de agosto de 1890 que o primeiro condenado a morte foi executado em Nova Iorque na cadeira elétrica. Foi com a morte de Hindenburg em dois de agosto de 1932 que Hitler assumiu o governo da Alemanha. Foi no dia 13 de agosto de 1961 que se iniciou a construção do Muro da Vergonha em Berlim e em 21 de agosto de 1968 que o Exercito Vermelho invadiu a Tchecoslováquia para sufocar uma revolução popular. O Brasil entra nesta triste estatística com vários fatos, dos quais só vamos lembrar o suicídio de Getúlio em agosto de 1954 e a renúncia de Jânio Quadros em agosto de 1962.
O mês de agosto também aparece na história do futebol baiano com a ocorrência de coisas muito estranhas.  Pelas minhas pesquisas verifiquei que as coisas começaram em 1932 quando houve um mês estranhíssimo! As coisas começaram com amistosos do tricolor baiano. Parece que influenciado pela chamada Revolução Constitucionalista o Bahia resolveu agradar os militares aceitando jogar no dia 10 de agosto para um time chamado de Guarda Velha (vocês já ouviram falar?) para o qual perdeu por seis a três!  Mas três dias depois arranjaram uma revanche e o tricolor ganhou por quatro a dois.
Logo depois, agora pelo campeonato, foi à vez do Vitória jogar com o time da Companhia de Bebidas Antárctica que seria a única vez que participaria do campeonato. Apesar dos jogadores “tomarem uma” o rubro negro conseguiu ganhar por três a dois.  Quatro dias depois o Botafogo enfiaria sem dó nem piedade sete a um no Guarany que seria mais uma vez lanterna este ano.

No ano seguinte o São Cristóvão (RJ) seria convidado para mais uma excursão na Bahia, e aconteceria exatamente em agosto. Foi uma desgraceira no caminho da feira. Os visitantes só perderam pro Vitória aproveitando o cansaço de viagem (1 X 2). Daí por diante derrotou o 2 de julho (3 X 2), esmagou o Galícia (8 X1), e o Botafogo (5 X 0), ganhou do Ypiranga (3 X 2) e empatou na despedida com o Bahia (1 X 1).
O mês de agosto de 1934 seria outra tragédia, desta vez do Vitória no certame baiano. A equipe estava ganhando todas, mas quando chegou o aziago mês as coisas começaram a degringolar. Tudo começou quando o negro tomou de quatro a um do Galícia. Duas semanas depois seria a vez de o Ypiranga golear os leões por seis a dois. Por último, até o lanterna Fluminense tiraria uma “lasquinha” ao ganhar por um escore de “baba”, cinco a quatro. Nesse ano ficaria em terceiro lugar, a dois pontos de diferença do EC Bahia, e só perderia uma partida em outro mês. Mas o Vitória aprendeu a lição. Quando chegou a agosto do ano seguinte preparou-se e ganhou todas as partidas. O problema é que se esqueceu dos outros meses ficando em terceiro de novo quando o Botafogo abiscoitou o título.
Em 1938 o futebol baiano faria sua primeira decisão de campeonato em agosto. Nas partidas, porém, aconteceu uma coisa estranha. É que o Botafogo, que estava ganhando de todo mundo, não conseguiria vencer o Ypiranga nas finais empatando por duas vezes em três gols. A vingança das almas penadas foi tal que foi o único ano que houve dois campeonatos estaduais, arranjando-se logo outro ganho pelo Bahia, quando o alvi rubro só ganharia uma única partida! Nos próximos dois anos duas goleadas memoráveis em clássicos realizados em agosto. O Ypiranga arrasaria o poderoso Galícia por nove a um (1939) e o Botafogo tomaria do Bahia uma goleada memorável de sete a um (1940).
                                                                 Só se foi em agôsto!
Quatro anos depois o Bahia resolveu arriscar marcando o seu clássico com o Ypiranga pra 27 de agosto. E. não aconteceu nada vencendo por três a um os canários e sagrando-se este ano bicampeão baiano. Mas é que o tricolor estava vacinado contra almas penadas. E estas tiveram medo dos estranhos nomes dos jogadores Ioiô (goleiro), Prazeres (médio), e de Pipiu e Cacetão (atacantes).
Em 1948 os dirigentes esportivos trouxeram de novo um visitante pra jogar em agosto, o “famoso” Ypiranga de São Paulo. Mesmo assim foi um escândalo! O habitual cansaço fez os paulistas perderem na estreia contra o Vitória (1 X 3), mas logo depois se recuperaram contra o próprio rubro negro devolvendo o placar, e arrasaram Ypiranga (7 X 3) e Bahia (5 X 0).
Demoraria muitos anos pra marcarem novos jogos importantes em agosto. Times de fora nem pensar! Mas uma vez na Fonte Nova, dez anos depois, o Vitória resolveu fazer um amistoso contra o Bahia em finais de julho, vencendo por dois a um. O Bahia então pediu revanche. O rubro negro pensou, pensou e decidiu aceitar, mesmo porque a nova diretoria de José Catharino não simpatizava com essas crendices.
                                                 O negócio é entrar numa destas!
No dia três de agosto a dupla entrou novamente em campo, mas não aconteceu nenhuma tragédia, havendo empate em dois gols. Como o público estava agradando, o tricolor resolveu pedir nova revanche. Dois é bom, mas três é demais. Mas o Vitória parece que tinha esquecido este simples ditado popular. Resultado foi massacrado por cinco a um pelo tricolor, além de ficar sete anos longe do título estadual.
Em 1966 o rubro negro resolveu desprezar de novo o mês de agosto, aceitando que marcassem neste mês suas últimas partidas do turno. O Vitória ganharia a primeira etapa do certame no campo da Graça, empatando com o Ypiranga em um gol e vencendo o Botafogo pelo escore mínimo. Mas perderia o campeonato pro Leônico. Uma vingança dos demônios e almas penadas!
Nos anos setenta foi à vez do tricolor passar por cima das superstições. Como ganhava de Deus e o mundo, estando na melhor fase de sua vida, achou que poderia desafiar estas coisas. Mas, no entanto, mandou Lourinho, seu chefe de torcida, passar nos terreiros para que “fechassem o corpo” dos jogadores. Aí não deu pras almas. O tricolor jogou em 1975 e 1976 em agosto e se deu bem ganhando por duas vezes as decisões contra o seu arquirrival rubro negro em agosto. Já os leões da Barra esqueceram-se de fazer este trabalho e ficaram na pior!
                                           Cruz credo, o que os torcedores aguentam!

Logo depois nesse mês em 1975, porém, o tricolor não ganharia uma no certame brasileiro, empatando com o Flamengo sem gols, e perdendo pra Portuguesa de Desportos (1 X 2) e o Santos (0 X 2) fora de casa. E não foi nesta época que o rubro negro foi arrasado pelo Internacional por cinco a zero em plena Fonte Nova?
Nos anos 80 continuaram as tragédias de agosto. Em 1980 o Galícia ganhou o turno neste mês e, por conta disto, acabou por perder aquele que seria seu último campeonato depois de muitos anos. E, três anos depois, aconteceria o mesmo com a Catuense. Ambos em benefício do Bahia. Aí o Vitória resolveu tomar uma providência pedindo a federação pra começar o campeonato em agosto evitando qualquer jogo importante durante o mês. E não é que funcionou? Deu Vitória na cabeça voltando a ganhar o título depois de cinco anos.
Em 1989 o esquadrão de aço seria eliminado pelo Grêmio na primeira Copa Brasil ao perder dentro da Fonte Nova por dois a zero, completada por nova derrota em Porto Alegre, agora pelo escore mínimo. Mas o tricolor continuava sob a proteção dos orixás, enquanto Lourinho não foi morar no Piauí. E dois anos depois se arriscou a decidir o título em agosto contra a Catuense e ganhou as duas partidas, lá e cá. O Vitória teve que continuar fazendo expediente. E, em 1990, adiou em cima da hora a data do jogo decisivo contra o Bahia para primeiro de setembro, empatando em um gol e ganhando o título.
                                                      Mais um que se foi em agôsto!

O Bahia descontou quatro anos depois com o famoso gol de Raudnei no finzinho do jogo decisivo de agosto contra o Vitória naquele ano empatando o jogo e levando o campeonato perante 94 mil pessoas. Aliás, nas pesquisas de opinião, este é o jogo mais lembrado pelos tricolores.
Depois deste jogo o Vitória nunca mais permitiria jogos em agosto pelo campeonato. Aquele havia sido o último. No ano seguinte voltou a mudar a data do jogo final contra o Galícia vencendo por um a zero e ficando com o segundo turno e o campeonato em 30 de julho. No campeonato brasileiro a dupla BA-VI passaria apertos por duas vezes no mês de agosto.  Em 2002 aconteceu com o Bahia e em 2004 com o Vitória.
No primeiro o tricolor só ganharia do Gama perdendo pro Atlético Paranaense (0 X 4) e do Cruzeiro (1 X 2), e empatando com o Goiás (1 X 1) fora de casa, e, na Fonte Nova, sendo derrotado por Curitiba e Figueirense pelo escore de dois a um. Já o rubro negro em 2004 só conseguiu ganhar do Cruzeiro, perdendo de quatro do Paraná no Pinheirão, e do São Caetano em pleno Barradão (1 X 2). Recentemente, já com mais amizade com o pessoal do candomblé, ganharia do Vasco da Gama, em agosto de 2008, por cinco a zero!
                                                          Ói as almas penadas!
Nem a Fonte Nova nem seu amigo Barradão veriam certames com jogos no mês fatídico. Dizem que foi por causa das tabelas da CBF, porém, eu prefiro acreditar que foi por medo das almas.

·       Agradeço as informações de Luís da Câmara Cascudo, Pereira da Costa, Leonardo Mota e João Alfredo de Freitas e dos sites Jangada Brasil, RSSF Brasil e Wikipédia. Sou grato ainda as imagens dos blogs flickr.com,forgetthefew.blogspot.com,restreiodecozinha.blogspot.com,osinimigosdorei.blogspot.com,curiosidadesdaana.com.br,vilamulher.terra.com.br,portaldocrente.com,jornale.com.br e pagina20.uol.com.br.  

domingo, 19 de dezembro de 2010

A Fonte Nova na era da "virada de mesa"

                                        
Quarta feira próxima estarei indo com minha companheira Cybele para Buenos Aires passar as festas de fim de ano. Acho que temos direitos a umas feriazinhas não? Já fomos lá duas vezes e gostamos muito, ao contrário daqueles que falam mal dos hermanos. Mas o pessoal que já está viciado em acessar o meu blog não se preocupe. Preparei vários artigos pra ir colocando diariamente. Bem, mas vamos ao assunto de hoje, a “virada de mesa”.
Meus leitores de outros países certamente nunca ouviram falar nisto. Acho que fora do Brasil não deve ter estas coisas! Como já são mais de trezentos acessos do exterior tenho que explicar que no Brasil ocorre de tudo no futebol(e também na política!). São resultados estranhos, juízes encomendados, descumprimento dos regulamentos, maracutaias na tabela, jogos debaixo do sol ou na madrugada, entre outras cositas mas. Aqui, durante muitos anos, prevaleceu a prática de “virar a mesa” quando os resultados em campo não atenderam aos grandes clubes do Sul-Sudeste.
O artigo de hoje é da “última” virada de mesa (vamos bater na mesa!)do futebol brasileiro, em 2000, beneficiando o Fluminense, o EC Bahia e outros menos votados.  Na época vigorava um acordo para que os clubes só apelassem para a Justiça Desportiva sem recorrer a Justiça comum. Ou seja, no país um clube podia ser punido se recorresse a própria Justiça(sic!). Queiram desculpar o patriotismo, mas é mais uma contribuição inédita do nosso país para a civilização.
Mas voltemos ao “campeonato brasileiro” de 2000. Nos anos anteriores haviam sido rebaixados clubes como o Gama(BSB), o Bahia e o Fluminense. Este último chegou a cair para a terceira divisão mas havia conseguido no ano anterior subir para a Segunda. O clube de Brasília porém, decidiu quebrar o pacto informal entrando na Justiça. Aí foi a maior confusão pois sofreu toda sorte de punição, inclusive da FIFA que decidiu banir o clube do futebol(!). Mas o Gama não estava nem aí, inclusive pelo respaldo que tinha do conservador Partido da Frente Liberal-PFL. O processo durou meses e agitou os rebaixados nos últimos anos que se moviam nos bastidores esperando tirar proveito da situação.
                                                   Um dos muitos protestos na ocasião
A brecha veio pouco antes de começar o certame em julho daquele ano, quando a CBF(preocupada com a possibilidade da vitória do Gama e de que outros clubes seguirem o exemplo) transferiu o certame de malas e bagagens para o Clube “dos Treze”, outra criativa invenção brasileira. Esta “entidade”, finalmente de posse do nosso maior campeonato, promoveu todo tipo de bandalheira e politicagem visando se fortalecer politicamente. Nunca se viu tanto desplante em um campeonato! Pra vocês terem uma ideia, nem a ditadura do almirante Heleno Nunes na CBD  conseguiu empurrar tantos clubes num certame, 116.
O “Campeonato Brasileiro” de 2000 foi um escândalo, tendo o “regulamento” esportivo mais desmoralizante da história mundial. ´Como não se podia falar em divisões dividiram os clubes em “módulos”, azul, amarelo, verde e branco. E o mais absurdo é que se fez regras, número de clubes, e fases diferentes dentro do mesmo campeonato.
Imaginem que o módulo azul tinha 25 clubes, que disputavam uma só fase onde se jogava todos contra todos classificando doze diretamente para as finais. Já o módulo amarelo tinha 36 clubes subdivididos em dois grupos(!), jogando apenas dentro desses para classificar um número diferente, oito!
                                                   Será que "rolou grana"?Não acredito!
Vá conferindo os absurdos. Com os módulos verde e branco a situação era ainda mais esdrúxula. Havia 28 clubes em um e 27 em outro. No verde eram quatro grupos de sete e um de seis clubes, mas no branco eram três grupos de sete  e um de seis. O pessoal só jogava dentro do grupo mas, diferente do primeiro grupo, em turno e retorno. Está conseguindo acompanhar? Enquanto o grupo azul só tinha uma fase(!), esses grupos tinham quatro. Durma-se com um barulho desses!
Mas o mais inusitado ainda viria nas finais, quando se revelava a “armação” que mostrava que os módulos amarelo, verde e branco eram só pra constar. É que, enquanto se classificavam para aquelas doze do módulo azul, tinham o mesmo direito apenas três clubes do módulo amarelo. Sobrava uma vaga pra ser disputada pelos módulos verde e branco(sic!). Nesta fase mudava-se totalmente o critério, passando-se de pontos corridos para o “mata-mata”, nas oitavas, quartas, semi finais e final. Para “puxar o saco” de João Havelange, brasileiro que foi um histórico dirigente da FIFA, deram seu nome a esta esculhambação.
Os clubes baianos participaram de todas essas maracutaias e até se beneficiaram dela. A dupla BA-VI seria incluída do módulo azul(uma espécie de primeira divisão oficiosa). Foi o único ano que o Juazeiro participou de um campeonato brasileiro da Primeira Divisão.  O tricolor, que contava disputar a segunda divisão em 2000, acabou ficando junto com os melhores clubes do país e reforçando o seu caixa.
                                                         A mesa literalmente virada
A Fonte Nova sofreu com tanta falta de ética e predomínio de interesses menores que envergonharam o futebol brasileiro. Nesse ano foram realizadas ali treze partidas pelo “campeonato brasileiro”, ficando as restante para o “Barradão” e o estádio de Juazeiro. Por coincidência o Clube dos Treze colocou os beneficiados Bahia e Fluminense na rodada de abertura do certame. O Bahia começaria mal fora de casa, perdendo no Maracanâ para o tricolor carioca por dois a zero.
O resultado é que um publico de apenas seis mil pagantes compareceu no dia 2 de agosto a Fonte Nova para ver a estreia vitoriosa do Bahia contra o Atlético Paranaense. Na época jogavam no tricolor figuras como Emerson, Jorge Vagner, Jajá(lembram-se?) e Bebeto Campos e seu técnico era Evaristo de Macedo, que venceriam com gols de Luís Caros Capixaba e Dedé, contra o marcado pelo meia Perdigão.
Após conseguir um bom empate sem gols contra o Atlético Mineiro fora de casa o tricolor voltou a jogar em casa, agora contra o Grêmio Porto Alegrense, empatando em um gol.  Na ocasião o público já foi o dobro. O esquadrão de aço, que ainda não havia convencido a sua torcida, conseguiria uma boa vitória fora de casa contra o famoso Gama por um a zero com gol de Jajá. No mesmo embalo de viagem colheria outro bom resultado ao empatar com o tricolor paulista no Morumbi.
                                                          Oh entidade respeitável!
Desta maneira uma boa expectativa cercou suas duas próximas partidas, que seriam realizadas na Fonte Nova, contra Cruzeiro e Santa Cruz. À primeira acorreram dezesseis mil torcedores para ver um dia infeliz do esquadrão de aço. Dedé assinalaria o gol tricolor mas Jackson, Ricardinho e o baiano Oséas liquidariam a fatura para o time estrelado. Já o tricolor do Arruda vinha mal das pernas, ficando neste ano com a lanterna do módulo azul já antevendo a maior crise de sua história que lhe levaria para a Quarta Divisão. Mesmo assim o time de Renê Simões vendeu caro a derrota para o tricolor baiano, que acabou vindo por três a dois com gols de Dedé dois e Jorge Vagner contra dois de Robson.
Após outra boa apresentação fora de casa a torcida acorreu em massa a Fonte Nova onde seriam realizados dois clássicos seguidos, contra o Vasco da Gama e contra o Flamengo. Estes registrariam o melhor momento do tricolor no certame quando derrotaria os cariocas por 3 X 1 e 4 X 1. Felipe Alvim, Capixaba e Jajá marcariam contra Felipe do Vasco, e Jajá endoidaria, fazendo três gols e levando o tricolor a um resultado histórico, completado pelo zagueiro Jean. Para o Flamengo de Petkovic, Adriano e Edilson marcou Denilson.
A nova saída do tricolor, porém, seria um desastre, caindo para o Sport na Ilha do Retiro por três a zero. Isto levou apenas 64.000 pagantes para a Fonte Nova, mas que veriam a vitória tricolor por um a zero, graças ao gol de Iranildo. E olhe que o rubro negro na ocasião era dirigido pelo técnico Ricardo Gomes e contava com jogadores como Fernando(que jogou no campeonato deste ano), Sinval, Juninho Petrolina e Bebeto. 
Após nova saída e empate em Campinas o tricolor venceria o Corinthians no nosso histórico estádio por dois a um, com gols de Jean e Marcos Chaves contra o de João Carlos. O certame entrava em momentos decisivos e o Bahia lutava pela classificação. No entanto perde em casa para a Ponte Preta, dirigida por Nelsinho Batista, por dois a um, assinalando os gols da “macaca” Hernani e Claudinho contra o gol solitário tricolor de Jorge Vagner.


Mas logo após viria uma vitória sensacional no “alçapão” da Vila Belmiro contra o Santos pelo escore mínimo. Parecia então assegurada a classificação do Bahia, particularmente em função de apenas um dos cinco jogos restantes se realizar fora de casa. Mesmo assim o tricolor iria “ralar” pelo 12º lugar. O Botafogo cairia sem maiores dificuldades por dois a zero(gols de Jefferson e Jorge Vagner), mas o América Mineiro deu mais trabalho. Num jogo muito disputado, onde ocorreram três expulsões, o Bahia venceria por dois a um, marcando Wagner e Dedé contra Zé Afonso. Justifica-se, naquela época os mineiros eram dirigidos por Jair Pereira e tinham jogadores como Wellington Amorim, Sorato e Pintado.
A partida contra o Palmeiras deveria garantir a classificação para a fase final, por estar o “verdão” concorrendo com o tricolor pela vaga. Assim pensando, acorreram ao estádio mais de 45 mil torcedores. Mas o Bahia jogaria a chance fora perdendo por dois a um para a equipe de Marco Aurélio, pontuando de novo Jorge Vagner contra Juninho e Tuta. Este e o goleiro Sérgio vestiriam mais tarde a camisa do Vitória.
O resultado colocava novamente em discussão os dois últimos classificados do “módulo azul” entre Bahia, Palmeiras e Guarani. O Bahia precisava de pontos. Conseguiu um fora de casa contra o Juventude e todos esperavam o carimbo do passaporte no jogo contra o Goiais na Fonte Nova. Deve ter sido um dos maiores públicos do clube goiano em certames nacionais, 42.000 torcedores.

                                                            Nós merecemos mesmo!
O esquadrão de aço jogava de olho no jogo de São Paulo entre Palmeiras e Guarani onde, para o cúmulo da sorte, ambos precisavam do resultado, criando dificuldades para as conhecidas “malas” entrarem em campo. Mas os goianos não podiam ser desprezados, vinham com o técnico Hélio dos Anjos(aquele que acaba de participar da maior “lambança” do Internacional em Abu Dabi)e com um ataque onde pontificava Fernandão e o campeão brasileiro Evair. O “verdão” ganharia por dois a zero, ainda bem, pois o Bahia conseguiria perder para os goianos em plena Fonte Nova, com um gol de Araújo.  No final o Palmeiras ficaria com 37, o Bahia com 35 e o Guarani com 34. O Vitória ficando apenas com 31 pontos, o que lhe deixaria em decimo oitavo lugar.
Um “campeonato” desses só podia acabar mal. Não deu outra coisa nas finais quando jogaram Vasco da Gama e São Caetano. A primeira partida realizada em São Paulo tinha acabado em empate em um gol. Já a segunda partida foi estranhamente transferida do Maracanã para São Januário prejudicando o clube paulista. Na ocasião enfiaram gente além da capacidade do estádio e que se acotovelaram pra ver o jogo decisivo. O resultado é que com vinte minutos de jogo cedeu parte da grade das arquibancadas causando pânico e levando a invasão de campo e a centenas de feridos.
O regulamento era claro. O time que desse causa a tal tipo de situação teria que perder os pontos. Mas isso é aí no exterior onde vocês estão e não no Brasil! Aqui se reuniram dirigentes, federações, CBF, e o diabo e se resolveu com outro jogo, agora no Maracanâ, onde o São Caetano conseguiu  perder o título por três a um. O Vasco ganhava assim seu quatro título nacional e o terceiro torneio com o nome de João Havelange(sic!).
Quanto a Copa ou Torneio João Havelange se extinguiria. Nunca mais teríamos o desprazer de ver o malfadado Clube dos Treze organizar outro campeonato, embora Fábio Koff esteja aí até hoje. Como disseram dirigentes esportivos na época o torneio “nasceu condenado”. Quanto ao Gama voltaria para a Segunda Divisão, o mesmo não acontecendo com os também rebaixados Fluminense e Bahia que ficaram no certame do próximo ano.

·         Agradeço as informações da Folha on line, dos sites do Flamengo, Wikipédia e netvasco, e do blog futipédia.globo.com. Sou grato ainda as imagens dos blogs forumetelevisão, lanceactivo,pensamentosequivocados,wp.clicrbs.com.br,spsegunda.bmp e racazulavai.futblog.com.br.