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quinta-feira, 24 de março de 2011

O Cristo Redentor contra o Elevador Lacerda

                                                          Isto é coisa de baiano!

Já informei neste blog que foi com os clubes cariocas que os baianos mais tiveram intercâmbio esportivo. Que o primeiro clube de outro estado a jogar em Salvador foi o Botafogo FR que arrasou a Seleção baiana por inacreditáveis sete a um no campo do Rio Vermelho, logo depois da guerra em fevereiro de 1919.
A partir dos anos vinte esta relação se consolidaria, fazendo com que, definitivamente, o Cristo Redentor se estabelecesse na terra do Elevador Lacerda. Nesta década veio América, Fluminense, São Cristóvão, e até o extinto Vila Isabel, surgindo no finalzinho o primeiro paulista, o Santos FC. Nos anos trinta os cariocas “descobririam a Bahia”, diversificando ainda mais estas visitas, e batendo o recorde esportivo nesta relação, 61 jogos.
Trouxeram o Bangu, o Vasco da Gama (duas vezes), o Flamengo (duas vezes), o Andaraí, o Madureira, e de novo Botafogo, América e São Cristóvão, numa década em que os baianos chamam a atenção do Brasil ao vencer o Campeonato Brasileiro de Seleções (1934), que foi reservado durante toda a sua existência ao eixo Rio-São Paulo.
                                    O Elevador Lacerda brigou muito pra levar vantagem!

Os anos quarenta foram prejudicados pela Segunda Grande Guerra, mas, mesmo assim, neste difícil período aqui apareceram Bonsucesso, Vasco da Gama, Botafogo, São Cristóvão e Fluminense. E, após o conflito, Flamengo (três vezes), América, Bangu, Olaria, e novamente os alvi negros de General Severiano e São Januário (duas vezes), e o tricolor das Laranjeiras (duas vezes). O número de partidas, entretanto, se reduziria. Mas, ainda no ano em que se acelerava a construção da Fonte Nova (embora não conseguisse ser entregue nas eleições e na Copa do Mundo de 1950) ainda passariam por aqui Madureira e Flamengo.
A Fonte nova, mesmo aberta pra todos os clubes estaduais, se constituiu na “Meca” carioca. Na primeira década o intercâmbio esportivo “rebentaria a boca do balão” com 64 partidas. Andariam por aqui Fluminense (quatro vezes), Flamengo (cinco vezes), São Cristóvão (duas vezes), Vasco da Gama (três vezes), Botafogo (três vezes), Olaria (duas vezes), Madureira, Bangu (seis vezes), América (duas vezes), Bonsucesso e Canto do Rio.
A nova década começou com o EC Bahia sendo campeão da I Taça Brasil em abril, num, ano em que visitaram a Fonte Nova o Olaria, o Flamengo, o Madureira, Vasco da Gama (duas vezes) e Botafogo. Mas o curioso recorde estava reservado para 1961. Nesse ano ninguém mais aguentou de tanto se falar “carioquês” por aqui.  Tudo começou em janeiro quando aqui apareceram o Bangu e a Portuguesa, esta pela primeira vez. Mas as partidas contra o EC Bahia, então tetra campeão baiano, foram um desastre. Os mulatinhos rosados apanharam de cinco a três, e os novatos visitantes, de seis a dois.
                                                  Mas não é possível, mais cariocas!

Depois disto deram uma pequena folga aos baianos, trazendo pra jogar os cearenses do Ceará, ou mesmo fazendo amistosos com os clubes daqui mesmo. Mas o costume do cachimbo faz a boca ficar torta e, não passados três meses, o Galícia promoveu uma excursão do Bonsucesso. Este estrearia empatando em um gol com o próprio clube da colônia espanhola. Com a dose repetida, porém, os visitantes cairiam por dois a um. Ainda deu pra empatar de novo na despedida (1 X 1) com o Ypiranga. A temporada não trouxe muito benefício aos cofres do azulino.
Os amistosos na Fonte Nova foram suspensos em julho, mas no fim de agosto, era a vez do Flamengo. Vinha fazer apenas uma partida, contra o EC Bahia, e também seria derrotado por dois a um. Setembro foi a vez de um torneio, ainda bem que sem os cariocas, ponde o Bahia ficaria com a taça ao ganhar dos pernambucanos Náutico e Santa Cruz, por três a um e dois a zero. Na ocasião uma tragédia, quando o simpático mais querido apanharia de seis a dois do clube timbu.
Pensam que acabaram os cariocas? Vão contando! No mês seguinte organizaram novo torneio, onde foram convidados, além da dupla BA-VI, o Sport e o... Canto do Rio. A primeira rodada transcorreu sem maiores surpresas, com o tricolor ganhando dos cariocas por dois a um enquanto Vitória e Sport empatavam sem gols. E, na segunda, enquanto o esquadrão de aço ganhava de novo, desta vez dos pernambucanos pelo escore mínimo, o rubro negro baiano penava pra empatar com os cariocas em um gol. Mais um caneco pro Bahia. E lá se foi o Canto do Rio pra jogar em Recife e o Bahia pra Sergipe.
                                   Desse jeito vão querer até o marco da fundação da cidade!
Parecia encerrada a presença carioca este ano na Fonte Nova, mas não é que acontece a promoção do dia da chamada república?  Adivinhem quem convidaram? O Fluminense, que não deixa que o tricolor baiano termine o ano invicto nos amistosos da Fonte Nova, vencendo pelo escore mínimo.
Tudo bem, “fechou o caixão de 61”, qual nada! É que voltou de novo o Canto do Rio, mas não sei pra que, pois levou de três a zero do Galícia! Só não trouxeram mais cariocas no restinho do ano porque os comerciantes impediram. Afinal, de contas tinham que ganhar dinheiro no Natal. Assim, o ano acabou com seis clubes cariocas jogando em nosso histórico estádio uma média de uma partida por mês. Ufa!

·          Agradeço as informações do Almanaque do Futebol Brasileiro e do Setor de Periódicos Raros da BCE.  Sou grato também as imagens dos blogs skycrapercity.com,multiglob.wordpress.com e  revistadebate.blogspot.com.

segunda-feira, 21 de março de 2011

A invasão do mundo. As batalhas da Bahia.


                                       Disco voador na escadaria da Igreja de Santa Bárbara
A indústria cinematográfica de Hollywood descobriu outro filão. Depois dos filmes de sexo e de horror, o negócio é as batalhas interplanetárias. Desprezando a contratação de estrelas e com um elenco de oitava categoria é possível fazer um filme com orçamento baixo. Que o diga Invasão do mundo: a batalha de Los Angeles que só neste fim de semana de seu lançamento nos EUA arrecadou 36 milhões de dólares ficando em primeiro lugar.
O filme de Jonathan Liebesman (o mesmo de O massacre da serra elétrica) é adrenalina pura com tiroteios e efeitos especiais em ritmo alucinante.  É ideal pra quem não quer saber de diálogos, humor e bons roteiros só se preocupando com ação e guerra imitando os jogos eletrônicos. Chama a atenção no filme a horrível pontaria dos ETs.  
Os norte-americanos parecem que gostam que sejam destruídas as suas cidades. Nesse filme não fica pedra sobre pedra em Los Angeles, aliás, tal como Terremoto e Skyline - A invasão. Quanto a mim fico chateado com a discriminação. Afinal, porque só são escolhidas cidades com Nova Iorque, Los Angeles, Paris, Londres e Rio de Janeiro pra destruir nunca se lembrando da Bahia?
          Esse disco é antigo, do tempo em que agente chamava esses filmes de "ficção científica" 

Foi por isso que resolvi postar esse artigo, que é uma continuação de um que postei em dezembro sobre os “monstros” que vieram a Salvador disputar jogos oficiais. Trato agora somente dos amistosos com o que chamo de clubes “extraterrestres”.
Enquanto há pouco tempo fazem filmes sobre ataques alienígenas ao que chamam grandes cidades a Bahia já foi atacada há muito tempo. O primeiro ET que apareceu por aqui foi o Cotinguiba. Chegou aqui há mais de oitenta anos em novembro de 1920. Na época os baianos nem sabiam o que era a palavra alienígena.
Assim não deram muita bola, com os diabos rubros espantando a sua nave logo de saída por quatro a um. No outro dia ainda conseguiria empatar com o antigo Fluminense FC em um gol, mas só ficaria 24 horas, pois procurou um aeroporto e não achou! Aí desistiria da Bahia e montaria uma base lá pros lados de Sergipe onde conseguiu tomar um município.
                                                   Que maldade bombardear Brotas!

Na época logo veio outro, o Vila Isabel, em setembro de 1921, disfarçado em Escola de Samba do Rio de Janeiro. Este aterrissou no Recôncavo e começou a tomar bairro por bairro de Salvador. A batalha foi muito dura. Os morros de Brotas á Fazenda Grande não sobrou um pra contar a história, levando de roldão o Botafogo (3 X 1), o Baiano de Tênis (2 X 1) e a própria Seleção baiana (1 X 0). Mas foi aí que o pessoal do Subúrbio Ferroviário se armou e organizou um batalhão que foi buscar na história o nome do herói Henrique Dias conseguindo derrotar os ETs por quatro a um. Ufa! Foi assim que conseguiram salvar a Bahia e empurrar os alienígenas para o Rio de Janeiro onde saem até hoje com os passistas no carnaval.
A derrota se espalhou pelas galáxias e durante muito tempo ninguém incomodou a Bahia. Mas doze anos depois haveria nova jornada nas estrelas desembarcando aqui o Andaraí logo no início de 1933. A situação do país não estava pra peixe e os baianos logo desconfiaram do visitante do qual nunca tinham ouvido falar. Alguns chegaram a lembrar de que havia um bairro do Rio de Janeiro com este nome, mas podia já estar “tudo dominado” pelos alienígenas. Não deixaram nem a nave dos ETs aportar. O Botafogo foi dando logo de dois a um e, imediatamente o Bahia enfiou-lhe três a zero. Depois foi a vez do Ypiranga, rateando no início (3 X 3), mas ganhando a revanche por dois a zero. Por último A Seleção baiana (2 X1) e de novo os alvi rubros (4 X 3)expulsaram definitivamente esses seres de outro planeta da Bahia.
Mas a derrota não intimidou os visitantes extraterrestres, pois dez meses depois apareceu tal de Bandeirantes (!). Todo mundo logo desconfiou, pois eles não sabiam falar baianês. Mas, desta vez estavam mais fortes e foi uma confusão só da Ribeira a Paripe, já que eles chegaram pela Orla Suburbana como os holandeses há quatrocentos anos antes. Foram derrotados na primeira batalha pelo grito do Ypiranga (4 X 3), mas logo se recuperaram e enfiaram quatro a um no Botafogo tomando parte da Península Itapagipana.
                                              Alienígena atacando a ponte de Cachoeira

O pelotão Dois de julho que foi enviado pelo pessoal de santo Antônio para combatê-los não arranjou mais que um empate técnico (1 X 1). Então foi o próprio Bahia, dois anos após ser fundado, que conseguiu pelo menos retomar a Calçada, ganhando por um a zero. Os alienígenas, porém estavam mais bem preparados desta vez, nem a Seleção Baiana pode retomar o resto da península na batalha renhida que terminou em empate de cinco gols!
Tal como na guerra contra holandeses e portugueses os baianos necessitavam reforços e os tiveram de todos os estados do antigo Norte agora Nordeste. Eles desembarcaram por terra, mar e ar. Pela Baía de Todos os Santos, Avenida San Martin e Santo Amaro de Ipitanga chegaram soldados pra enfrentar os ETs. E deu certo!
Primeiro foi o glorioso batalhão do Vitória que fez recuar os indesejados visitantes (4 X 2), mas eles voltaram a se recuperar ganhando o combinado Fluminense-Guarany (nem os bravos índios conseguiram hein!) por quatro a três. O batalhão Dois de julho foi de novo acionado, mas não passou de um empate sem gols.
            Tinha gente que escapava pelo Dique do Tororó!
A peleja continuava dura, e foi aí que se lembraram do desprezado interior do estado. Veio gente de Camamu a Valença por Itaparica, e do vale do Jequiriça a Candeias pelas estradas de lama da época. E aí não deu mais pros extraterrestres. A Seleção baiana que se organizou para derrota-los não teve dó nem piedade enfiando-lhes seis a um. Depois veio o Ypiranga e não deixou sobreviventes (4 X 1). Tá pensando que baiano zangado é brincadeira! Não sobrou um ET pra contar o que aconteceu lá no planeta que nem ficamos sabendo qual foi.
Em novembro de 1935, alguns dias depois da insurreição da Aliança Nacional Libertadora, chegou o Hespanha por aqui. As elites ficaram em polvorosa. Alguém lembrou que podia ser uma nave de espanhóis, mas os azulinos despachados pra reconhecê-los não sentiu firmeza. Enquanto estavam nesta dúvida os ETs foram se espalhando. Desta vez começaram pela Vila Canária onde empataram com o Ypiranga em três gols e ganharam do Botafogo (3 X 2).
Aí os baianos sentiram que era hora de reagir. O tricolor foi convocado de novo a mostrar nossas garras ganhando por dois à zero. Os próprios espanhóis residentes na Bahia alistaram-se pra combater estas naves pra mostrar que não vinham em seu nome. O primeiro confronto foi duro (5 X %), mas logo após, com a ajuda dos leões da Barra (4 X 2) expulsaram definitivamente os visitantes de terras baianas goleando - lhes por quatro a um.
                                       Horríveis extraterrestres na Baía de Todos os Santos!

De lá para cá houve umas equipes muitas estranhas, algumas até falando nordestino. Apareceu em março de 1937 tal Moinho da Bahia e o Ferroviário, se dizendo do Ceará, esconjurados pelo tricolor por dois a um e seis a três. Mas, quando chegou o Piripiri no início de 1949 os baianos logo se alarmaram. O pessoal do bairro de Periperi não os conheciam então era evidente que eram alienígenas disfarçados. Não adiantou nem o sotaque piauiense. O batalhão da colônia espanhola foi de novo destacado para espantá-los e conseguiram seu intento mal eles desembarcaram pela Barra, imitando Tomé de Souza, por três a um.
Estávamos nas vésperas da inauguração da Fonte Nova e isto, com certeza, atraía os alienígenas, e estes surgiram de novo em abril de 1950 com o Metalusina. Usaram a “justificativa” que eram mineiros convidados para um torneio. Mas foram logo tomando intimidades e se instalando na Pituba que começava a construir condomínios residenciais planejados. Os ETs se aproveitaram disto conseguindo empatar com o batalhão do Bahia (1 X 1) acionado para detê-los, mas sucumbiram nos pés do exercito do Rio Vermelho para os gaúchos-baianos do Grêmio (4 X 2) que vieram nos ajudar.
Oito meses depois chegaram noivos disfarçados de mineiro. Como ninguém disse uai não passaram de Itinga e São Cristóvão. Mas não foi fácil derrota-los vez que empataram seguidamente com Bahia e Ypiranga por um gol. O governo, a prefeitura de Salvador e as forças armadas decidiu então impedir que chegassem ao centro da cidade, assim reforçaram o Bahia que, numa revanche, expulsou os ETs do território baiano vencendo-=os por cinco na um.
                                                       Vejam se isto é cara de gente!
De olho na Fonte Nova os alienígenas voltaram em março de 1951. Desconfiaram deles logo pelo nome, Lanammet. E ainda se diziam paulistas! Mas nos salvamos graças à estratégia da federação que os obrigou a jogar na Graça. Assim eles não conheceram o nosso histórico estádio e não ficaram de “olho grande” derrotando o tricolor baiano por dois a zero, mas indo se instalar em Muritiba. Outros alienígenas que ficaram com terras da Bahia foram os do Canto do Rio, que se dizendo cariocas assaltaram a Fonte Nova de cambulhão vencendo Galícia (4 X 1) e Bahia (2 X 1). O governo, porém, mais uma vez foi vivo, trocando a ocupação da Bahia por territórios.
Em março de 1959 foi à vez dos alienígenas do Taubaté chegarem a estas paragens. Disseram que estavam em excursão no Norte e Nordeste, mas os baianos não “comeram nada”. Foi uma estádia muito difícil. Eles chegaram por Itaparica, empatando com o tricolor (2 X 2) e derrotaram o rubro negro (3 X 1). O jeito foi o governo destinar-lhes uma colônia em Santo Antônio de Jesus onde estão até hoje. O mesmo aconteceu com o Democrata de Sete Lagoas. Era demais, fantasiados de democratas e de mineiros ao mesmo tempo, e o pior é que, ao derrotarem os espanhóis por dois a um na Fonte Nova o governo teve que lhes dar a praia de Vera Cruz. Na época o pessoal dizia que se continuar assim não ia sobrar nada da Bahia.
Aí os baianos resolveram endurecer. Os ETs que apareceram por aqui no início de 1961 falando carioquês e se dizendo da Portuguesa carioca foram exterminados pelo Bahia por seis a dois. O mesmo com os do Canto do Rio que voltaram em outubro deste ano atraídos por terras do estado. Foi um problema já que ficaram aqui durante um mês usando a nossa querida ilha como pista para suas naves. Desta vez, porém, se deram melhor sendo vencidos pelo Bahia por dois a um, mas empatando com o Vitória por duas vezes (1 X 1 e 0 X 0). Resultado levaram outro pedaço da nossa querida Itaparica incomodando a família de João Ubaldo Ribeiro.
                                                    Baianos correndo na Rua Chile!
Esta brincadeira estava indo longe demais. Não é que em agosto de 1965 chega o Piripiri outra vez? Desta vez, só não levaria outro pedaço da Bahia, pois, mesmo empatando com o Guarany sem gols, seria esmagado pelo tricolor por cinco a um.
E, ás vésperas da ampliação da Fonte Nova, com a construção de seu anel superior, em fevereiro de 1971 chegariam os extraterrestres do Itabaiana. Desta vez chegariam tratando todo mundo bem e dizendo que só queriam conhecer a Bahia. Mas os baianos não permitiriam que suas naves avançassem ficando estacionadas no aeroporto enquanto eram derrotados por três a zero pelo esquadrão de aço na Fonte Nova. Voltariam novamente em abril de 1973 tomando nova goleada, desta vez do Vitória por quatro a um. Sua insistência acabou fazendo com que ganhassem um pedaço de terra, mas no interior de Sergipe.
As últimas incursões dos ET desestimularam sua presença por duas décadas. Eles só voltaram a aparecer no fim dos anos noventa no Barradão em janeiro de 1999. Desta vez se disseram feirenses e confessaram seu verdadeiro nome, eram o Astro, e como todo mundo sabe quem veio dos astros só pode ser alienígena. O Vitória não deixou nem que suas naves passassem de Mata Escura enquanto os derrotava por três a zero. Depois só foi pegar malas e bagagens e desaparecer na estratosfera.
                                                Ainda bem que não é o Elevador Lacerda!
Doravante a Bahia estaria relativamente vacinada contra os extras terrestres. É que organizou um Comitê de defesa com todas as forças armadas, além de milícias espirituais com a participação do pessoal dos terreiros, espíritas, evangélicos e católicos, além de outras religiões. Desde então foram poucas as incursões de extraterrestres no estado.
Lembro-me da realizada em fevereiro de 2000 quando as naves do Universal circularam a Fonte Nova e foram mandadas embora pela vitória do Bahia (2 X 0) e baterias antiaéreas fazendo com que fossem tentar alguma coisa lá no Rio de Janeiro. E quando o Boca Juniors apareceu em dezembro de 2005 no Barradão. Era muita ingenuidade dos ETs, usar o nome de um dos maiores clubes do mundo e ainda se dizendo sergipanos.
Mas o sotaque embolado logo traiu os visitantes do espaço. O Vitória não teve piedade. Não deixou nem eles aterrissarem a aeronave em Canabrava tendo que descerem de paraquedas para sofrer uma humilhante derrota por sete a zero. Conta-se que depois foram pra Sergipe onde disseram que foram exilados da Galáxia X 13 e (sabem como os sergipanos são simpáticos!) acabaram arranjaram um cantinho pra viver.

·         Agradeço as informações de Darlane Didimo, dos sites Cinema com rapadura e Extra globo.com e do Almanaque do Futebol Brasileiro. Sou grato as imagens dos blogs wimana.com.br,labs.ideavalley.net,abnoxio.weblo.com.pt,mixhqpod.cast.blogspoty.com,meupapeldeparedegratis.net,tatianna.zip.net e senetozr.blogspot.com.

sexta-feira, 12 de novembro de 2010

O Canto do Rio na Fonte Nova


Vocês já ouviram falar do Canto do Rio? Não? Acho que isso é coisa pros desportistas mais antigos. Pois é um brioso clube de Niterói que vai ser centenário daqui a três anos. Atualmente está no ostracismo, mas já deu o que falar!
Seu hino foi composto por nada menos que Lamartine Babo, havendo um trecho onde este afirma que
No estádio formoso
de Caio Martins
há dias de gozo

De noite e de dia
a turma sorri,
enche de alegria
Icarahy

O clube tem sua sede em Icaraí, hoje sem “h”. Pra você ir pra lá ficou fácil com a ponte Rio-Niterói. Fica só a 17 km do centro. Tem estádio e ginásio, o Caio Martins, onde dizem que cabem doze mil pessoas. Se dedica hoje mais a outros esporte e divisões de base mas tem uma rica história. Esta registra várias glórias, a exemplo de uma excursão á Europa onde jogaria até com o Barcelona no estádio Nou Camp, naturalmente, perdendo de quatro a zero. O Canto do Rio obteria inúmeras vitórias contra os grandes clubes cariocas, embora eu só tenha visto saldo nos confrontos contra o Bonsucesso. Há outros fatos não tão honrosos, como a goleada de 14 X 1 que sofreu do Vasco da Gama logo após a chamada redemocratização, em 1947.
É um dos poucos clubes que atuou por dois estados, onde tem alguns títulos. Seus principais resultados são os torneios inícios cariocas, onde foi campeão em 1953(ganhando do Vasco da Gama por três a zero na final) e vice em 1962. No certame o seu melhor resultado é um sexto lugar em 1944. O clube revelaria jogadores para a seleção brasileira. Passaram por suas categorias de base Gerson e Ipojucan. E, por seu time profissional, o zagueiro Canalli (Copa de 1934), o “príncipe” Danilo Alvim (Copa de 50) e o goleiro Veludo (reserva de Castilho na Copa de 1954).
Surgiu no antigo estado do Rio de Janeiro. No entanto, ao se profissionalizar sob o Estado Novo getulista, o governador Amaral Peixoto foi o “pistolão” que assegurou a sua licença pra disputar o Campeonato Carioca (Distrito Federal) ao tempo em que continuava a jogar no campeonato fluminense.  No primeiro ano que disputou, em 1941, deu um presente de grego ao Flamengo, após o Natal, enfiandolhe três a zero.

               
Foi nesta época que visitaria a Fonte Nova numa excursão relâmpago.  Quando o Canto do Rio veio á Bahia Juscelino era presidente, Antônio Balbino governador e Salvador estava em ebulição cultural atraindo muita gente nas comunicações, artes plásticas, musica, teatro e cinema. Foi no ano que surgiu a bossa nova e João Gilberto lançaria Chega de saudade e Desafinado. Que o Brasil ganharia sua primeira Copa do Mundo e a carioca Adalgisa Colombo conquistaria o Miss Brasil pela TV Tupi.  O estádio da Fonte Nova ainda nem tinha ginásio ou Vila Olímpica, que entraria em funcionamento exatamente neste ano. Era ano de eleição e já se começava a cantar os jingles dos candidatos. Lembro-me de um pedaço do de Juracy Magalhães que ganhou:

Cacau, petróleo, Paulo Afonso,
as riquezas da Bahia,
tem nas mãos de Juracy
toda a sua serventia (...)

Para a Bahia governar
em Juracy vamos votar.

O clube de Niterói chegou aqui no início de janeiro de 1958. Acho que nem comemorou direito o ano novo pois teve que viajar logo no outro dia para Salvador. Estávamos em plena corrida espacial e, neste mês, os EUA lançariam atrasados em relação a URSS, seu primeiro satélite, o Explorer I. Tinha uma linha de halfs como Vitor, Dodoca e Floriano, e um ataque formado por Caboclo, Osmar, Mituca, Darci e Pinheiro. A primeira vez que pisou no campo da Fonte Nova foi em 2 de janeiro, onde arrasaria o Galícia por quatro a zero, com gols de Mituca (2), Vitor e Caboclo.
Agora acertaria as contas com a dupla BA-VI que prometiam vingar o nosso futebol. O EC Vitória seria campeão baiano do ano anterior dois meses depois, e tinha um timaço onde pontificavam Albertino, Nelinho, Pinguela, Boquinha, Matos e o artilheiro Teotônio. Era dia do aniversário do cientista Isac Newton, mas o rubro negro só descobriria a força gravitacional da bola caindo em suas redes. Diante do bom público, que proporcionou a renda de 103.200 cruzeiros naquele 4 de janeiro, O EC Vitória conseguiria até vencer o primeiro tempo, graças ao gol do ponta Enaldo. Porém, sofreria uma “virada” inapelável no segundo tempo, com gols de Osmar e Elmo.
A honra da Bahia estava então nas mãos do EC Bahia que enfrentaria o clube dois dias depois. A renda seria a maior da curta excursão, 182.000 cruzeiros. A expectativa era grande com o desempenho do tricolor que com Marito, Carlito, Vicente e Henrique no ano seguinte, dirigidos pelo técnico Geninho, seria campeão da I Taça Brasil. Era o dia da visita dos Reis Magos, consagrado pela tradição, mas não houve nenhum milagre para salvar o Bahia, pois o time de Niterói passaria literalmente, “por cima” de mais um clube baiano, repetindo o escore que aplicou em seu arquirrival.  Os gols do alvi celeste foram de Castelo, enquanto Nadinho, de pênalti, faria o gol de honra do esquadrão de aço.de pena.
No outro dia o choro da imprensa tricolor. O Diário de Notícias lamenta de outro pênalti, perdido pelo Bahia, e acusa o juiz José de Souza Gomes de ter deixado campear a violência em campo. No entanto, não deixa de reconhecer que o clube de Niterói teve um tento injustamente anulado. Quer dizer, era pra apanhar de mais!
                                                       Estádio e ginásio Caio Martins
Foi assim que o canto do Rio passou pela Bahia naquele janeiro de 1958. Parafraseando o romano Cesar, veio, viu e venceu, saindo daqui invicto!  Mas, antes ficasse por aqui disputando o campeonato baiano. É que, seis anos após a excursão a Bahia, veio o golpe de 64. E não é que a ditadura militar reprimiu até o Canto do Rio! A justificativa foi uma briga e invasão de campo no seu estádio em jogo contra o Fluminense. Foi assim, que o clube, que já era mal visto no estado do Rio de Janeiro, foi expulso do futebol carioca!
O Canto do Rio praticamente abandonaria o futebol por mais de uma década, até a fusão da Guanabara com o Rio de Janeiro em 1975 no governo do general-presidente Ernesto Geisel. Na próxima década alternaria licenças com a participação em divisões inferiores. Seu estádio iria entrar numa demanda com o Botafogo FR, que já detinha o estádio de Marechal Hermes, mas que o arrenda em 1981 e consegue uma lei estadual, a 4062/2003 para cessão gratuita por vinte anos!
Torcedores abnegados nunca deixaram de tentar recuperar o querido clube de Niterói que desde 2007 voltou ao futebol profissional, disputando a terceira divisão do campeonato carioca, na companhia de clubes com nomes muito estranhos como o Condor AC, o Futuro Bem Próximo AC (!) e o CE Yasmin!

·         Agradeço aos sites www.urvrau.com e o da Federação de Esportes do Rio de Janeiro, e aos blogs do Canto do Rio, História do Futebol,timesdobrasil.com.br e utipedia.globo.com. Sou grato também pelas informações do botafoguense Bernardo Santoro e da coleção do Diário de Notícias que se encontra no Setor de Periódicos raros da Biblioteca Central do Estado-BCE.