quinta-feira, 14 de outubro de 2010

O último campeonato do Redenção FC



O Redenção foi um time tradicional da Bahia. Pelo menos nas décadas de 70 e 80. Quem gosta de futebol e tem mais de quarenta anos não pode deixar de ter visto o Redenção jogar na Fonte Nova.  O clube foi fundado em 1945 e era do bairro de Brotas, sendo que sua sede ficava ali na Praça Cruz da Redenção perto do fim de linha. Outro dia passei lá e verifiquei que ainda existe. Soube até que o clube está querendo voltar a disputar a segunda divisão do campeonato de onde está afastado desde 1996.
O “esquadrão alvi negro”, como era conhecido por seus torcedores, atuou por muito tempo somente no amadorismo. Só nos anos 60 passaria ao futebol profissional começando na segunda divisão do campeonato baiano. Aí, apesar de ter apenas seis participações, seria um dos clubes que mais ganhou títulos, junto com o Energia Circular e o Bahia de Feira de Santana.
  Mesmo após obter o acesso em 1965 não disputaria o agitado campeonato do ano posterior que teve o seu primeiro turno jogado no Estádio da Graça. Neste e no próximo ano nem subiria nem ficaria onde estava inclusive por não ser jogado o torneio de acesso.
Para disputar o certame teria que ganhar de novo o título do acesso, o que fez em 1968 embora sem conseguir disputar o campeonato de 1969. Parecia que a FBF estava adivinhando o que estava por vir. Desta forma só incluiu o clube, junto com mais quinze, no campeonato de 1970. Até aí o Redenção FC se cobriu de glórias. No entanto, ao entrar na divisão especial do campeonato baiano foi um verdadeiro desastre. O clube viveria de derrota em derrota que o fizeram ser novamente rebaixado.
O Redenção, entretanto, havia gostado da experiência.  E insistiu. Após mais alguns anos sem que a segunda divisão ocorresse ganhou de novo o acesso em 1975, desta vez pra ficar por dez anos consecutivos.  
No retorno em 1976 continuou sendo “saco de pancadas”. Em todo o campeonato só obteve uma única vitória, aliás, bastante comemorada pela meia dúzia de torcedores do bairro de Brotas que ali comparecia vestidos com camisas alvi negras.  Em sua primeira partida tomou logo de 6 X 0 do EC Bahia que, aliás, nunca teve “consideração” para com o clube. É que, o Redenção teve o azar de pegar um tempo onde o tricolor conseguiu ser campeão por oito vezes. Na campanha do heptacampeonato o tricolor sapecou-lhe ainda 4 X 0 neste ano, 4 X 1 e 6 X 0 em 1977, 6 X 0 por duas vezes em 1978, encerrando em 1979 com 3 X 0 e 1 X 0, o melhor resultado alcançado pelo Redenção em todos os confrontos de sua história contra o esquadrão de aço.
Na época eu, de maneira seletiva, só assistia praticamente jogos do EC Vitória. Ia com meu irmão “Toínho” a Fonte Nova e presenciei várias partidas contra o Redenção. Lembro que em 1978 passamos a maior vergonha. No primeiro turno havíamos ganhado por magros 2 X 0(gols de Zé Júlio e Valder) e esperamos a “desforra” no segundo turno. O jogo foi apenas onze dias após o Bahia ter dado de seis no time de Brotas. Lembro-me como hoje. Era o dia 29 de outubro e estávamos no segundo turno, e Vitória conseguiria a “façanha” de empatar de 1 X 1 com aquele time.  Reparem que o Redenção nesse campeonato não ganhou de ninguém e só fez cinco gols, um deles, o de Tabatinga (!), feito exatamente em cima do meu clube do coração!
Nos anos 80 o Redenção continuaria sua via crucis, mas muitas vezes endureceria contra o Vitória. Já o Bahia não tinha contemplação com o esquadrão alvi negro. Em 1981, por exemplo, enfiaria no clube de Brotas duas goleadas homéricas, 9 X 0 e 7 X 1.  Em 1983 o Redenção caiu em nosso grupo, o “B”. No primeiro turno continuou com seu habitual vexame perdendo pra todo mundo.
No segundo turno, porém, surpreendeu a todos começando a ganhar. Se não me engano fez aí a melhor campanha da sua história. Começou ganhando do Leonico (2 X 1), do Atlético (1 X 0) e do Botafogo (4 X 2), se atrapalhando a partir daí contra o Itabuna (1 X 2), Fluminense (0 X 0) e Bahia (0 X 1). Neste turno ficou em terceiro lugar inclusive à frente do Vitória. Pode? Acabou se classificando para as quartas de final onde perdeu para a Catuense que foi campeã do turno e decidiria o campeonato que o Bahia foi tetra campeão.
Seis anos após o vergonhoso empate citado atrás eu e meu irmão veríamos na Fonte Nova uma tragédia, nossa derrota de 2 X 1 para o time de Brotas. Era agosto, o mês das bruxas, e Amauri marcaria para o Vitória, enquanto o velho Rubens faria os dois gols do Redenção.  Foi o fim dos fins da picada! Fomos gozados por vários dias por todos os torcedores dos outros clubes. Mas, se isto se inscreveu no currículo do Redenção, neste ano não lhe adiantou nada, pois, não obstante a campanha do segundo turno acabaria ficando em nono lugar.
                                                           O atacante nigeriano Ricky                                                      
Em 1984, vivíamos a Era Ricky, um centro avante nigeriano que fez época no Vitória e que seria artilheiro aquele ano com 22 gols.  Formava uma dupla de área eficiente com Lula. Na ocasião conseguimos ganhar do time de Brotas com mais folga, obtendo 3 X 1(três gols de Lula) no primeiro turno, e 6 X 0 (até que enfim!) no segundo, com o negão marcando dois gols na goleada. Mas nem adiantou falar em “desforra”, pois neste ano o Redenção perdeu todas as dezoito partidas que disputou fazendo apenas três gols durante todo o campeonato.
No ano de 1985 um “passe de mágica” manteria o Redenção no certame. É que, do dia para a noite, os clubes de Salvador passassem á condição de minoria no campeonato. A ABB, que havia sido campeã do acesso em 1984, passou a mandar os jogos no município de Lauro de Freitas. O tradicional Botafogo foi para Dias Davila. Por último, o Leônico jogou o campeonato em Ilhéus. Assim, neste ano tivemos apenas quatro clubes da capital (Bahia, Vitória, Ypiranga e. Redenção), antecipando o que iria ocorrer mais tarde com o fim da maioria dos clubes da capital. A manobra, entretanto, não salvaria a vida do Redenção. 
Não ficaram por aí as mudanças. Agora o primeiro turno seria a Taça Cidade de Salvador, e o segundo turno a Taça Estado da Bahia e em cada turno haveria duas fases. O regulamento era uma verdadeira complicação, incapaz de ser entendido pelo torcedor comum. O que nos parecia era que a FBF queria só ganhar dinheiro, tentando animar um campeonato onde o EC Bahia perseguia o quinto título seguido. Desta vez o Redenção não cairia na nossa chave. Cumpriria uma melancólica campanha no primeiro turno obtendo apenas quatro empates e uma vitória, contra o Botafogo por 1 X 0. Conseguiria, porém, fazer oito gols (contra 22)! Contra o tetra campeão apanharia de cinco por duas vezes. Enquanto isto o Vitória decide o turno saindo vitorioso contra a Catuense (lembram-se?) do município de Alagoinhas.
No segundo turno trocariam as bolas. Os clubes de um grupo enfrentariam os do outro.  O Redenção ganharia mais uma (2 X 1 contra a ABB, o novo integrante do campeonato) sendo o resto alguns empates e várias derrotas. No ano em que voltamos a ser campeões baianos enfrentaríamos o clube de Brotas por duas vezes. Na primeira fase daria pra fazer 3 X 0, no entanto, o jogo de volta foi duríssimo. O mesmo Rubens acabou acertando duas bolas no gol do Vitória. Fiquei “puto da vida”! Afinal, como é que um clube podia ser campeão dando só de 3 X 2 no Redenção? 
Não sabia, porém, que era a última vez que veria o simpático alvi negro. Seria a penúltima partida que o clube faria na Fonte Nova, mas a última com público, pois, no empate de 0 X 0 que se seguiu com o Leonico não havia praticamente ninguém pra ver a despedida do time de Brotas. Depois só iria pra Itabuna cumprir tabela, encerrando sua carreira na divisão especial do futebol baiano com uma derrota de 2 X 1. O Bahia ganharia o segundo turno, porém, mesmo vencendo o Vitória por duas vezes, perderia o campeonato no quadrangular final por ter sido derrotado pelo Serrano duas vezes e empatado com a Catuense.  
·          Agradeço as informações de Alexandre Lima e Michel Silva. 

Um comentário:

  1. O Redenção já revelou bons jogadores para o nosso futebol, Emo que brilhou no Bahia, Rubem centro avante rompedor com passagem pelo Bahia, Valmor e Reina.

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