domingo, 9 de outubro de 2011

Aos trancos e barrancos

                          
             
No dia em que fomos embora de Liverpool os trens estavam cheios. Tivemos que fazer baldeação em Crewe e pegar outro daí pra Londres. A saída do trem já não obedeceu muito a pontualidade britânica, nove minutos atrasado. Pensei que deveria haver alguma coisa, e foi em Crewe que a coisa “pegou”.  
A “baldeação” atrasou uma hora, incompatível para os padrões ingleses e explicada por ter uma pessoa se jogado na linha. Disseram-nos que aquilo era muito comum, uma espécie de “esporte” em uma sociedade onde tudo anda tão rápido e formal que não há tempo para as pessoas.
Em situação de crise não foi nada fácil entrar em no vagão “D” (ói ele de novo!). É que não havia lugar para todo o grupo, de forma que conseguimos passar da entrada do trem, mas nos amontoamos no corredor com as malas. A moça que cuidava do bar insistia com Valdir para que voltássemos e ele acabou pensando em deixarmos pra pegar o próximo trem. Mas nem queríamos discutir tal ideia.

                              Foi assim que entramos na van!

A situação começou a apertar pois vieram outras pessoas do vagão “C” e aí embolou. Vocês já viram inglês zangado? Então precisa ver a mulher de um senhor de bengalas exigindo acomodação para a Terceira Idade. Pensei em exigir o mesmo mas a confusão já estava demais. Ainda bem que Valdir propôs que agente tentasse os outros vagões. Olhei pra traz e vi a passagem para o vagão “C” fechada. Tinha ainda o Keep out e nem sabia como abrir.
Arrastei as malas pra lá e apertei tudo o que vi em minha frente, e foi sua abertura que acabou com a confusão, quando o pessoal que estava espremido acabou se distribuindo por vários vagões.  Tinha alguns assentos vagos e não foi difícil nos comunicarmos para que nos dessem os lugares. Mais tarde, contando com a simpatia de um argentino, sentamos juntos eu e Cybele. Enfiamos as malas onde foi possível.
Pouco depois veio a ferro-moça (acho que se chama assim!) cobrar os bilhetes. Na ocasião me preocupei. Será que esses caras são tão formais de exigir bilhetes do vagão certo numa crise dessas? Mas demos um jeitinho brasileiro. É que apresentamos apenas os bilhetes Liverpool-Londres sem a letra do vagão que tínhamos guardado. E aí passou fácil.

                                                        Só anda com carteirinha!


Nesse dia passamos mais de quatro horas no sistema ferroviário inglês para chegar a Londres. Aí foi só atravessar a estação empurrando um monte de malas e arranjar um transfer para o hotel em Bayswater. Nesta hora mais uma vez me lembrei do Brasil. É que Valdir só conseguiu duas vans pequenas para treze pessoas com um monte de mala e sacolas e, como ficou difícil de caber, os caras botaram elas pra dentro na base da porrada.
Desta vez, porém, nos demos bem. O cara da recepção ainda era o mesmo, assim como o prédio que pegamos (o de número trinta) mas dessa vez ficamos no apartamento dois, maior, com quarto separado da cozinha, embora mais uma vez não tivesse ventilador. Isso porém foi rapidamente resolvido com Valdir.
                                               Lembranças dos trilhos das ferrovias inglesas!


De maneira que saímos rapidamente para o nosso almoço/jantar. Estávamos com tanta fome que entramos no primeiro que achamos,... o péssimo Bela Itália. Mas pelo menos tivemos o prazer de jantar com Portela, que foi junto com Vitor, esse negócio do Beatles Social Club na Companhia da Pizza.
No outro dia acordamos cedo, as oito da matina. Era um crime fazer isso num sábado, mas o pessoal iria embora à segunda feira. Como não havia mais passeios oficiais do grupo, aproveitamos os últimos dias da excursão para os nossos próprios programas aproveitando pra conhecer Londres. Nossos sobrinhos, Matheus e Karen, já tinham nos ensinado como chegar ao British Museum. Enrolamos-nos um pouco na estação Queensway pois a nossa carteirinha de passe acabou e não foi fácil entender a informação do segurança de como renová-la. Mas não somos tão burros como parecemos! Só um débil mental não consegue ler as placas das estações.
                                                 Na Inglaterra só mesmo comendo pizza!


De Queensway passamos a Holborn, e, daí, via Picadilly, chegamos a estação de Russel Square, onde fica o museu. Ali foi só perguntar ao guarda que nos explicou pausadamente como chegar lá. Poxa, não podia todo inglês falar assim? Até eu entendi tudo. Já estava craque em matéria de left e right. Algumas centenas de metros adiante tínhamos em nossa frente um dos maiores museus do mundo, cuja sala de leitura foi utilizada por inúmeros intelectuais para gaudio da economia, filosofia, sociologia, arte e outras menos votadas.
Depois das numerosas fotos na porta do prédio e nas escadas procuramos a Old Library. Era a complementação indispensável ao meu “roteiro Marx” em Londres, inclusive porque descobri que a Dean Street, que foi a primeira morada de Marx na cidade, não era muito longe dali. Meu herói da juventude então, enquanto morou perto, e começou a escrever O capital, vinha a pé de sua casa para a sala de leitura. Mas, para a minha decepção, consegui entender que ela estava fechada há dois anos.
                                                    Ah que saudade do Nordeste!


Não iria ver o recinto onde Marx trabalhara e eu especularia onde ele sentava. O jeito foi me “consolar” com o riquíssimo acervo da casa. Em pouco mais de três horas só deu pra visitar as seções da esquerda do primeiro e do segundo andar. Foi uma aula de arte oriental antiga, particularmente Assíria, e fiquei surpreso com o material que os ingleses surrupiaram do Parthenon. Se facilitar tem mais ali do que na Grécia. O setor de Alexandre também estava fechado nesse dia.
Depois chegou Cabus e com ele visitamos o segundo andar, particularmente os romanos na Grécia e as múmias egípcias, incluindo a de Cleópatra e membros da sua família. Como estávamos com fome Cabus nos acompanhou ao almoço num restaurante italiano das redondezas ficando de voltar. Mas a perspectiva de conhecer o “roteiro Marx” fez com que se esquecesse de voltar ao famoso museu.
                                              De tanto caminhar o tenis virou jacaré!


Assim, dali fomos: a) a casa da Dean Street 28, onde Marx viveu de fins de 1850 a 1856; b) ao antigo St Martins Hall (atual Queens Theather) onde foi fundada a I Internacional; c) ao antigo Pub red Lion, onde Marx lecionou, situado na Great Windmill Street 20 onde funciona outro pub, vamos dizer, bem mais alegre. Vou pular essa parte pois já contei em outra postagem.
Enquanto estávamos nesta diversão, nossos sobrinhos vieram nos encontrar no Rowney Scott Club onde pensava em voltar mas já estava lotado o show de uma banda norte-americana de acid jazz. Como a pizza prometida por Matheus iria demorar muito tivemos que jantar em mais um restaurante italiano no Soho. Mas vocês acreditem que passamos a noite falando da comida do Brasil. Depois do jantar voltamos pra casa em meio a um monte de gente bêbada, (segundo Matheus, o que mais se vê nos fins de semana) nós pra Bayswater e eles pra Wislleden Green. Deixamos porém tudo acertado para os próximos dias, pois com o fim da excursão, fecharíamos nossa conta e iríamos passar alguns dias em sua casa.

sexta-feira, 7 de outubro de 2011

No quarto com John Lennon

                 Oi lá, o primeiro à esquerda no segundo andar!

                                   
                                                                          Ele é um autêntico Homem de Lugar Nenhum
                                                                         sentado em sua terra de lugar nenhum
                                                                         fazendo todos os seus planos inexistentes
                                                                         para ninguém.
                                                                                                   Nowhere man (Lennon e McCartney)

Fazem duas semanas que cheguei da Inglaterra e que estou repartindo a viagem com voces. Este é a oitava postagem sobre essa interessante excursão e breve poderei voltar a vaca fria do nosso futebol. Hoje contarei como conheci a casa de meu herói da adolescência John Lennon.
De noite deu pra tirar um bom sono. A van só passou no hotel tarde e saímos às dez e meia. Mas foi pra fazer um dos melhores programas da nossa estadia em Liverpool. Fomos á casa de Julia Lennon, a duas das casas de Paul (das oito em que ele morou na cidade), e a casa onde George morou entre 1962 e 1965, aliás, a última residência de um beatle na cidade. Ainda sobrou para o Mosspits Lane Primary onde Paul estudou por um semestre em 1945, e a casa de Brian Epstein, que depois foi morar em Londres, onde morreu em 1967.
                                        Houve um tempo que as fãs dormiam na porta!

A primeira parada do dia foi o Aeroporto John Lennon. Puxa, tiramos foi fotos lá, especialmente nos dois monumentos que há lá: o submarino amarelo, que se encontra na porta, e a estátua de John, que está no primeiro andar. Alguém inventou um lanche e de repente lá estava eu comendo um horrível sanduíche inglês salvo pela coca cola.
O próximo lugar que visitamos foi o estádio do Liverpool FC, o famoso time da cidade, por três vezes campeão da Europa. O clássico da cidade é Liverpool X Everton. Fomos á loja onde adquiri um blusão com as cores do segundo uniforme, rubro negro como o Vitória. Pensei comigo mesmo que ia “abafar” no Barradão! Tiramos ainda fotos na porta do estádio. Na ocasião fomos comunicados que ganhamos o direito de visitar o museu. Aí subiu todo mundo para gozar do que não estava no programa. O museu não é lá muito grande e tem poucas salas, mas há muitos documentos, fotos, vídeos e troféus que contam a história do clube mais popular da cidade e que tem apreciadores em todo o mundo.
                                                Paul ia sempre lá compor musicas!

A próxima parada foi a casa onde Paul viveu dois anos e confesso que nem desci da van por achar que não era uma coisa marcante. Mas logo depois fomos parar no Casbah. Foi a primeira boite onde os Beatles tocaram e enquanto ainda Pete Best fazia a bateria do conjunto. Ficava embaixo da casa da mãe do baterista que montou o estabelecimento contra a vontade do marido e John, Paul e George trabalharam, pintando, colocando tijolos, o escambau pra ficar pronto.
É composto de quatro pequenas salas com portas que levam até o “palco”, um reduzido espaço, que mais tarde foi separado da sala por grades quando uma multidão de jovens começou a frequentar. Ao lado há ainda o bar, mesas, uma escada (onde acredito que o pessoal descia após fazer da casa de Best camarim). Sentamos na própria mesa onde Paul e John costumavam ficar.
O que foi decepcionante foi o “guia” local, que passou falando uns quarenta minutos em inglês sem ao menos se tocar que éramos brasileiros e vários não estavam entendendo nada suas explicações. Aliás, isso não aconteceu poucas vezes na excursão. Esses ingleses se acham mesmo e adotam uma postura imperialista como se quem quiser que procure falar o seu idioma.
                                           Nós entramos por esse portão ao lado!

Valdir e Vitor salvaram a manhã explicando o que havia sido tratado pelo cara. Pra não sair no prejuízo depois eu e Vitor (vocais), Cabus (bateria) e Antônio Carlos (teclado) demos um show á parte “cantando” no palco do Casbah. Deu pra ver inclusive uma inscrição que John havia gravado no teto do palco.
Desta vez ficaram com pena do nosso estomago e dali fomos diretamente almoçar no Bem Brasil. Foi uma festa. Encontramos um gerente (o Márcio) e alguns funcionários brasileiros, outros falavam português, e pudemos pela primeira vez ter um almoço decente com uma comida que era a cara do Brasil. Rolou churrasco, feijão carioca e mulatinho, “ensopado” (na verdade um strogonoff), com direito até a farofa e caipiroska. Comemos até nos fartar pois o gerente fez um preço camarada.
Fomos então de novo pra loja de Steve e fizemos uma visita ao hotel Hard Days Night. A visita porém foi rápida. É que ficamos tanto tempo na loja (onde gastamos mais libras) que não achamos mais o pessoal do grupo no hotel. Tivemos eu e Cybele que percorrer o hotel por nossa conta mas abordados por funcionários.
                                                      Pô, esses não são os Beatles!

Só deu pra conhecer o térreo, cheio de referências aos Beatles e cujo restaurante possui um grande painel onde se encontram dezenas de fotos de grandes personalidades que o conjunto admirava, entre as quais nada menos que Karl Marx. No entanto, fomos barrados no subsolo por uma garçonete na porta do pub. Tentei me fazer de desentendido mas ela deixava claro que era particular.
Mas as emoções estavam guardadas para sexta feira, último dia da nossa presença em Liverpool. Acordamos cedo e logo as nove já estávamos na van para ver as casas de John e Paul. Quando chegamos a casa do primeiro ainda não imaginava a emoção que se avizinhava. Afinal, era o imóvel onde meu herói de juventude havia morado entre os cinco e 23 anos de idade com seus tios Mimi e George, para quem sua mãe o deu para criar e seu pai não o queria.
Lennon só se mudou quando vieram dormir fãs na porta da casa. Mimi foi para o sul e houve duas famílias que habitaram a casa antes de Yoko compra-la e doá-la ao The National Trust, como chamam lá a entidade que administra o imóvel. Nossa guia era uma fã, selecionada pela empresa entre inúmeros fãs, para morar na casa e recepcionar as excursões.
                                                         Ora, não é esse o quarto!

O amigo que apresentou John a Paul morava atrás da casa. Foi-nos informado ainda que não existiam várias das casas e construções atuais possibilitando que John pudesse chegar a pé a vários locais da vizinhança, inclusive Strawberry Fields, um abrigo para menores que deu nome a famosa musica do álbum Yellow Submarine.
Depois de tirarmos as fotos regulamentares entramos pelo portão marrom que dava para um pátio. Dalí entramos na cozinha que preserva inúmeros apetrechos e produtos da época. Desembocamos então em um corredor que possuía um local para a guarda de acessórios dos visitantes, duas salas, e uma espécie de vestíbulo fechado que dava pra frente da casa. Uma escada dava pro primeiro andar.
Está tudo em minha mente e creio que nunca esquecerei. As duas salas eram á nossa direita, sendo uma de estar, onde o pessoal se alimentava, e a outra onde assistiam TV, conversavam e onde John foi alfabetizado. A primeira sala foi usada por John e Cintia, quando esta ficou grávida morando ali cerca de um ano. Na segunda sala o Quarry Men, conjunto de John, ensaiava aos domingos á tarde. O vestíbulo foi visitado por todos. Paul gostava de sua acústica (quando se fechava a porta) e foi ali que ele e John escreveram várias músicas.
                                                 Mick e Bob eram vidrados no John!

Dali subimos para o segundo andar. Confesso que subi aos poucos, contando os degraus, sorvendo o momento onde iria entrar no quarto de John. Por isso lembro que a escada tem 14 degraus e dava para um pequeno corredor que conta com dois sanitários (um apenas com a privada e o outro para banho) e três quartos. Um deles era alugado para estudantes quando começou a rarear os recursos de Mimi e George. O segundo era onde os seus tios dormiam. E o terceiro o do próprio John.
Senti como se houvesse uma energia no quarto. Até parecia que o espírito de John ainda andava por ali. Era muito simples e, poderia dizer, pobre. Era atapetado com motivos coloridos, tinha papel de parede e possuía uns 2 a 3 metros quadrados, e uma luminária onde havia apenas uma lâmpada. Havia uma cama pequena encostada na parede que dividia o espaço com um aquecedor, um armário de uma porta, e uma cômoda sobre a qual descansava um antigo rádio.
A janela também tinha cortinas simples com desenhos. Uma régua em T enfeitava o ambiente. O local onde ficava a escada ainda entrava pelo quarto diminuindo em cerca de um metro seu espaço e tinha ao lado um vitral que contava com uma balaustrada onde estavam vasos de flores. Disseram-me depois que os imóveis que estão ali são copias dos originais e que havia um pôster de Brigitte Bardot no teto mas que foi retirado.
                                                       Esse também não é o quarto!

Quando saímos da casa o sol surgia. Já havia outro grupo na porta esperando para entrar. Embarcamos na van que tocava a música Nowhere Man (homem de lugar nenhum) e tentava traduzir os versos que não se sabe se estão falando de Deus ou de nós mesmos:
Homem de Lugar Nenhum, por favor escute
você não sabe o que está perdendo!
Homem de Lugar Nenhum, o mundo está sob o seu comando.

Homem de Lugar Nenhum, não se preocupe,
pegue teu tempo, não tenhas pressa!
Deixa tudo até que alguém
Te dê uma ajuda.


                                          Foto inédita de Lennon no carnaval da Bahia!

Depois fomos andando até Strawberry Fields. Ah como relembrei minha juventude. Sempre preferi a fase final dos Beatles. Toquei tantas vezes o LP (como se dizia na época) Submarino amarelo que deve ter até furado as faixas. Entre outras que gostava estava Strawberry Fields. Quantas interpretações fizemos dela! Uma dizia que se tratava de uma crítica social á situação das crianças que viviam em asilos. O contexto da guerra do Vietnam fez com que se pensasse que a cor vermelha dos morangos (strawberry) se referiria a matança promovida pelo imperialismo na região. E, até a frase final Strawberry fiels forever (Campos de morangos sempre) significariam uma visão pessimista das guerras.
Hoje eu tenho muita dúvida do que John e Paul realmente quiseram dizer. Falei pro pessoal do grupo essas interpretações e eles se surpreenderam. Devem ter tido uma trajetória diferente da minha. Para o guia se tratava apenas de uma canção que remetia á adolescência de John e o impacto causado pelo asilo em sua sensibilidade.
                                    A única foto de Cyntia Lennon na Ladeira da Montanha!

Deixe-me te levar
porque eu estou indo aos Campos de morangos
nada é real
e não há nada com o que se preocupar
Campos de morangos para sempre

Viver é fácil com os olhos fechados
sem entender tudo o que você vê.
Está ficando difícil de ser alguém
Mas tudo funciona bem
E isso não importa pra mim.
Os baianos programaram então uma manifestação em Abbey Road!

Mas, a letra (que deve ter sido elaborada por John com musica de Paul) ao final contradita o refrão, quando afirma que

Sempre não, algumas vezes eu acho que sou eu
mas você sabe que eu sei quando é um sonho.
Às vezes eu penso que um não significa um sim
Mas está tudo errado
por isso eu discordo.
Fomos caminhando pelo passeio da rua e o guia lembrava que foi por ali que a mãe de John morreu atropelada por um policial bêbado justamente quando ela havia se reaproximado do filho. Mas eu estava sob o impacto da casa e do quarto e nem ouvia direito. O portão de entrada do asilo não é longe e fica numa estrada onde precisávamos ter cuidado com os carros.
                          A CIA tinha informação que John corria perigo de vida e ficou calada!

É claro que o portão não é mais o mesmo, inclusive que se diz que os fãs ficavam tirando pedaço para levar como relíquia. Mas nem quis saber. Para mim é como se fosse, e ainda era vermelho!  Abusamos de tirar fotos, individuais e em grupo. Não dava pra ver a casa direito do portão mas tinham colocado uma guitarra poucos metros adentro. Valdir chegou a pular pra tirar fotos lá dentro.
As emoções do último dia, porém, não haviam terminado, e fomos para a casa onde Paul viveu mais tempo em Liverpool. Foi o último lugar que estivemos em Liverpool além do hotel e da estação de trem. Paul mudou pra ela com a mãe enfermeira, o pai e o irmão em 1955 e viveu ali até 1963 escrevendo musicas como She Loves You, I soul her standing there, Love me do, entre outras.  A casa não era muito melhor do que a dos tios Mimi e George. Era custodiado pelo Sr. Colin Hall. Desta vez entramos pela frente e encontramos as habituais divisões, o vestíbulo, as salas e a escada que conduzia ao primeiro andar.
A sala era acolhedora, havendo um piano, sofás, lareira e TV. Nela nos foi apresentada pelo rádio uma gravação de Paul para receber os visitantes sob o pano de fundo de uma canção que não identifiquei. Mas apesar de dizer que guardava boas lembranças foi ali que perdeu sua de câncer e seu pai teve que virar pai e mãe para criar os filhos. Ali o pai tocava piano, Paul guitarra e Mike bateria. Mais tarde, quando quebrou o braço, este se dedicou a fotografia. Havia uma porta para a outra sala de jantar (muito pequena) onde os Beatles ensaiaram.
                                                Foi lá que John aprendeu a admirar Elvis!

A cozinha e o quintal eram também pequenos e atrás havia um canil da polícia. O guia nos mostrou um cano que Paul e seu irmão usavam para as suas saídas ou chegadas escondidos do pai e que dava pra janela do quarto de Mike. Aí passamos para o primeiro andar onde estavam localizados os quartos. Havia alguns deles mas só dois estavam abertos o maior, que Paul preferiu ceder a Mike pois havia um local em que este poderia usar como câmara escura pra revelar as fotos em troca no entanto de ambos se vestirem aí.
Achei o quarto de Paul ainda menor do que o de John e com o mesmo espaço roubado pela escada.  A cama era pequena e um tapete cobria uma parte do chão. Também havia um criado mudo mas o quarto não tinha armário. Havia pequenos espaços para a entrada de ar e uma janela coma dois tipos de cortina.
                       Yoko Ono na casa onde John foi criado!


Depois foi só pegar a van, passar no hotel pra pegar as malas e ir correndo pra estação sem dar tempo pra mais nada, sequer pra almoçar. Quando o trem foi saindo fiquei olhando bem para as paisagens e os prédios tentando gravar na memória recordações daquela bela cidade que frequentou os meus sonhos de adolescente e ainda vive, em sua boa parte, os nostálgicos anos 60.

quarta-feira, 5 de outubro de 2011

Alarma no museu

                                         
No outro dia acordamos cedo pra ir ao museu The Beatles Story. A van não estava na porta e logo chegou o pessoal dizendo que hoje seria na base da caminhada mesmo. Aí toca a andar, a atravessar o centro de Liverpool em direção ao seu maravilhoso cais. E é alí, nas Docas Albert, que se localiza o famoso museu.
Como nos disseram que as fotos no interior não seriam permitidas abusamos de fotos nas escadas e na entrada. Mas Valdir soube  que as fotos agora são liberadas o que tornou ainda mais inesquecível a visita. Quando ir em Liverpool não deixe de visitar esse formidável museu. É um programa obrigatório.
                                             Tinha até eles num estúdio gravando!

A começar por sua concepção moderna e plural que contempla um amplo espectro de interesses, tanto servindo para historiadores e sociólogos, como a crianças e fãs que só querem admirar os seus heróis. Além de pagar o ingresso você pode também alugar fones em várias línguas(tem em espanhol) bastando acompanhar a sequencia numerada dos vários setores em que se divide o museu.
A introdução no recinto é feita com informações sobre o clima sócio-político e urbano da Liverpool pós-guerra e de alguns estilos e influências que viriam a afetar o famoso conjunto. Com você pode ser diferente mas pra mim o que mais gostei, além disso, foi as seções de explosão do rock nos anos 50, do fenômeno Elvis Presley, da excursão aos EUA, do lançamento de alguns de seus maiores sucessos(particularmente Rubber soul e Submarino amarelo), dos momentos finais da carreira da banda, das carreiras individuais dos seus membros pós-Beatles, me comovendo profundamente com as seções que registram a morte de John e Ringo.
                                              Foi duro ver as recordações de George!

Por cinco vezes tive que parar. A primeira para sentar nas cadeiras do “avião” que levou o conjunto para a sua primeira excursão aos EUA acompanhada em detalhes por fim em fevereiro de 1964, ás vésperas de um momento de angústias para o Brasil. A segunda foi pra percorrer repetidamente a seção que trata do álbum Submarino Amarelo. A terceira pra me prostar literalmente no sofá, tanto na seção da morte de John, como na da morte de George.
Não deu pra segurar a emoção daquele momento rememorando o que senti na época. A quarta vez foi na última seção dantes da saída onde há uma estátua de John, o piano em que tocava com seus óculos em cima. Pra mim foi a imagem mais forte do museu que traduz a ausência daquele que é o maior nome do rock de todos os tempos. Curiosamente, a última vez em que parei foi no sanitário. Foi difícil sair de lá, só consegui quando Cybele bateu na porta antes de acabar Norwegian Wood. 
                                                   E as lutas que eles participaram?

A loja de souvenirs é um caso a parte. O pessoal continuava dizendo que tínhamos de esperar pra ver a loja do Steve mas não deu pra segurar. Ali tinha de tudo e o pessoal correu pra cima ficando com as mãos cheias de lembranças. Até Cybele entrou na dança. Acabamos comprando bolsa, imãs para geladeiras, canecas, chaveiros, entre outras. E foi quando estávamos na fila para gastar nossas libras e levar essas recordações foi quando disparou oi alarma de incêndio e fomos, sem nenhuma cerimônia, literalmente colocados pra fora pela bem preparada equipe do museu.
Depois de ficar um tempo ali, como muitos outros visitantes, frustrados na intenção de adquirir os souvenirs, nos consolamos de que iriamos encontra-los de novo na loja de Steve, o que foi uma verdade apenas parcial, e nos dirigimos para outro formidável museu, o de Liverpool. Ali bastou a meia hora que foi destinada pela excursão (só visitamos o andar onde estavam as referências aos Beatles) para ver o que os britânicos conseguiram fazer em matéria de museu. Acostumado com as constantes as queixas dos museólogos sobre a crise dos museus baianos e o seu esvaziamento pude ver um show em matéria de design e de público.
                                                         Pô, não é esse quarteto!

A nossa admiração já começa pelo prédio, com seu notável design. Aliás, durante o tempo em que estivemos no Reino Unido e Irlandas fiquei fã dos designers ingleses. O projeto das seções do Museu de Liverpool, onde se entra de graça, é digno de apreciação. Ali não tiveram pena de fazer um investimento pesado para resgatar a história da cidade, que alguém informou ser de 72 milhões de libras..
Mas nossa visita foi “de médico”.  Vimos a exposição de fotos do irmão de Paul McCartney, percorremos o setor dedicado aos Beatles (que, como não poderia deixar de ser, foi inferior ao The Beatles Story), e, ao final, assistimos a exibição de um curto filme sobre a história do conjunto. Não posso deixar de observar que a sala de cinema e a projeção foi outro show à parte. O filme foi projetado nas paredes e no teto. Numa criativa metáfora da vida era impossível acompanhar todos os momentos da vida do conjunto pois, ora passavam coisas diferentes nas paredes e no teto, ora convergiam para a mesma imagem nos momentos em que o diretor(ou quem sabe o operador?) achou necessário. 
                                                Até no sanitário tocavam as músicas!

O almoço foi a fraqueza de sempre, no restaurante Blue nas Docas. Mas, pelo menos, aprendi alguns macetes pra evitar maiores sofrimentos com a alimentação na Inglaterra, como pedir sanduíche com sopa antes do prato principal. Logo após nova caminhada para o centro voltando ao Cavern Club onde estava marcada uma filmagem para um documentário que Faustão preparava. Outros membros do grupo, porém, foram ensaiar para apresentações à noite naquela casa que não se confirmaram.
Assistimos na ocasião mais um show com um cover de John Lennon. Nunca cansávamos dessas apresentações! Depois foi a esperada visita á loja de Steve. O estabelecimento fica ao lado do Hotel Hard Days Night e atendeu muitas das nossas expectativas. É bem sortido, principalmente de roupas e brindes bastante variados. No entanto havia coisas que encontramos no museu que não achamos. Incentivo extra foi a concessão de um abatimento de 10% por Steve.
                                                                  Que saudade!

Enquanto comprávamos CD de John, imãs de geladeira, sacola, camisas, bottons, baralho e boné, ouvíamos musicas dos Beatles nos autofalantes da loja, o que era uma motivação extra para consumir mais. Resultado: lá se foram ali cem libras de presentes, e, se contarmos com a outra visita que fizemos, deixamos na loja cerca de cento e cinquenta libras, algo como 440,00.
Após as compras Cabus nos ensinou como chegar a um supermercado onde fizemos as compras para nossos breakfasts na cidade. Mais um cansativo dia em Liverpool estava encerrado, mas imaginem se nós estávamos cansados? Que nada, só pensávamos no outro dia, quando iríamos à casa de John.

segunda-feira, 3 de outubro de 2011

Eu estive em Penny Lane

                                                   
                                                                                                         Penny Lane está nos meus ouvidos
                                                                                                         e nos meus olhos
                                                                                                         lá embaixo do céu azul suburbano

Acordamos no dia cinco de setembro as sete da matina excitados pela viagem de trem para Liverpool. Mas na recepção do Hyde Park não havia ninguém, nem o responsável pela portaria nem ninguém do Beatles Social Club. Tínhamos que encerrar a conta do hotel nesse dia mas o jeito foi levar as malas para uma lanchonete, a Roma, e tomar café enquanto esperávamos o pessoal.
No retorno já havia algumas pessoas do grupo mas o recepcionista só chegou depois da nove e o restante do grupo mais de dez horas. Fomos então em um transfer até a estação ferroviária. Ali era uma confusão só onde todos arrastavam malas pra algum lugar. Havia um mar de plataformas, elevadores e lojas e, nessa ocasião, fizemos o que costumávamos, seguir atrás do líder Valdir.
A viagem foi tranquila, e ainda tivemos o prazer de ver de longe Strattford, a cidade onde nasceu Shakespeare. No entanto houve o que não chegou a ser um incidente. Quando eu e Cybele entramos uma senhora nos abordou dizendo que nós não éramos do vagão “D”. A insistência nos fez mostrar o bilhete ao seu marido só aí a convencendo do contrário. Aquilo me cheirou a discriminação de brasileiros.
                                          Eu vi a hora de encontrar algum deles na barbearia! 

Chegamos depois das duas da tarde na bela estação de Liverpool. Aí, encontramos com Steve, o responsável por nos guiar na cidade, e tiramos várias fotos. Ele era sócio de uma das principais lojas de lembranças dos Beatles da cidade e que se situa colada no hotel A Hard Days night.
Dirigimo-nos então para o lugar da nossa hospedagem tendo o desprazer de verificar que era mais um “hotel conceitual”. Na entrada, ao invés de alguém pra receber, tinha que passar uma “chave” num identificador. Quando a porta abriu vimos uma enorme escada, mas surgiu um cara que foi ajudando a carregar as malas pra cima.
O elevador tinha um código que tinha de colocar pra subir e quem o perdesse estava frito pois a porta das escadas ficava fechada. Aí tivemos uma reunião com o responsável em um dos quartos que não deu pra entender nada, pois só falou em inglês. Depois nos deu um papel com as regras. Valdir traduziu o essencial e entendemos que era um hotel semelhante ao de Londres com a diferença de que os quartos eram muito melhores.
                                                                 Ah esse bairro!

O pessoal ficou em quartos duplos, triplos e múltiplos, e quem ficou no primeiro como nós se deu bem. Na verdade era um apartamento com uma sala grande, quarto e banheiro. Lemos, aos trancos e barrancos, algumas das instruções e, futucando aqui e ali, conseguimos operar o fogão e a torradora. Uma vitória, da nossa burrice quadrada.
Já eram cinco horas e parecia que o pessoal não estava nem aí para o horário do almoço. Aliás isso iria se reproduzir durante todo o tempo em Liverpool quando a diferença de hábitos e geração entre os membros se refletiu durante toda a excursão. Só as 17 horas que fomos almoçar, depois de cruzar o centro onde haviam várias referências aos Beatles.
O almoço foi no belíssimo cais da cidade que outrora teve muita importância econômica e que foi resinificado como área de lazer e entretenimento. Ali encontramos inúmeras lojas e locais de alimentação, o Museu Beatles Story, um navios-bar, o Museu de Liverpool, dois belíssimos ancoradouros, além de desfrutar uma vista da baía (ou rio?). O restaurante era italiano e quase que só havíamos nós às cinco da tarde e a comida foi até generosa mas abaixo de mediana.
                                                               Até Marx estava lá!

Aliás a alimentação foi um problema durante toda a viagem ao Reino Unido e Irlandas, onde só dá pra comer sanduíche e batata frita (chips). O resto é procurar restaurantes de outros países e suportar quando são uma merda!
Pensávamos em aproveitar a “tarde” (que já havia findado há certo tempo) pra visitar alguns locais mas descobrimos com surpresa que o comércio em Liverpool fecha as seis, e às vezes até antes. De forma que o jeito foi passar em shoppings, que prolongam um pouco o atendimento, para comprar lembranças dos Beatles e CDs. Como nos disseram que tinha que esperar a loja de Steve me limitei a ir na seção de jazz e me embebedar com Billie Holiday, Charles Mingus, Ray Charles e Louis Armstrong.
Daí fomos direto para o Cavern Club que mereceria diversas visitas enquanto estivemos na cidade. Foi uma emoção só pisar no clube famoso que encerrou suas atividades nos anos 60, foi reaberto e reconstruído. A entrada não é mais a original, que fica mais ao lado, e bastou descer algumas escadas pra estar lá no clube famoso onde John, Paul, Ringo e George tocaram mais de duzentas vezes entre 1961 e 1963. Paul voltou ali para gravar um CD mais tarde.
                                        Tiramos foto de tudo que tivesse o nome do bairro!

Pra sorte nossa havia um cara tocando musicas dos Beatles e, embora não fosse o que eu esperava, isso aumentou nossa emoção. Sentamos às mesas, tomamos chopes, tiramos fotos, tudo o que tivemos direito. Cansei de olhar para o pequeno e baixo palco onde o cara estava se apresentando. Deu pra ver porém que o grosso do público presente era turista. Ao nos despedir o pessoal do quarto nove marcou uma festinha pra comemorar a nossa chegada.
A noite foi só pra verificar mensagens no lap top de Vitor que fez a gentileza de nos emprestar. Eram centenas e tive que selecionar. Valdir tinha ido ao nosso quarto acertar o pagamento das coisas. Mas, quando eu estava mexendo no computador, Renata veio informar que ele tinha recebido cem euros em vez de libras e não sabia de quem foi.  
Depois, voltei pro quarto a tempo ainda de ajudar Cybele com a tal da temperatura da agua, sempre problemática nessas excursões. Aí aproveitei pra olhar minha carteira e a bolsinha que levava escondida na cintura observando que ali havia euros e libras. Uma dúvida cruel me assaltou. Será que dei a Valdir as notas erradas? O jeito foi pedir a Cybele o dinheiro que levamos para contar. Mas não chegamos a lugar nenhum. No entanto, como as notas dadas eram de vinte euros e eu possuía várias notas de vinte euros na bolsinha acabei por me responsabilizar pela situação chamando Valdir e trocando as notas.
                                   Não adianta dar lingua Caetano, voce bem que gostava!

Acabamos não indo no congraçamento marcado pelo pessoal pois depois do banho time tremores em virtude do frio. Só acabaram quando me cobri com várias colchas. Acho que de noite a temperatura baixou feio. Cybele ficou preocupada.
No outro dia acordamos ás oito e meia da madrugada para a visita ao Beatles Social Club. Mas não conseguimos fazer o café no apto tendo que tomar café na esquina. Quando descemos mais uma vez não vimos ninguém. O pessoal do grupo ainda dormia, quanto aos funcionários do hotel, nenhum pé de pessoa!
Pegamos então a van que foi em direção á Catedral de Liverpool. No caminho passamos pelo cartório onde John foi registrado, o lugar onde casou pela primeira vez, paramos no belo orquidário da cidade, que teve uma doação de Paul (sic!), paramos em frente e tiramos fotos nas casas de George e de Ringo Starr. Não pudemos entrar na do primeiro mas fomos recebidos por uma senhora de 90 anos que foi vizinha do baterista e o conhecia desde menino.
                                                   Que lugar idílico(suspiros)!

Muito simpática, mostrou fotos e falou (em inglês naturalmente) sobre aspectos da vida do mesmo. Vimos o prédio que foi a capa do CD de Ringo e fomos à modesta casa onde passou a sua infância que está sendo ameaçada pela construção de um conjunto residencial. Há inclusive uma campanha mundial para salvar a casa.
As próximas paradas foram as escolas de Ringo, e de Paul/John. Fomos alertados, entretanto, de que não se podiam filmar as crianças. Em todos os momentos havia sempre uma saudável preocupação do guia Steve em não perturbar a intimidade das pessoas. A escola de Paul/John porém, era um prédio histórico e que se situava numa rua que dava pro cais e onde os emigrantes desciam para ir embora da cidade. Há inclusive um estranho monumento constituído de malas, violões, e outros apetrechos de viagens.
Apesar de John e Paul estudarem ali foram se conhecer mais tarde. Ali foi um importante momento de todos tirarem fotos. Depois foi caminhar para ali perto ver o pub que era o “escritório” de John nos intervalos ou quando “matava” mesmo. Mas Steve deixou escapar que era também lugar de pegança das meninas.
                                              Sái pra lá, Ricardo Teixeira aqui é sacanagem!

Depois disso fomos conhecer o lugar histórico onde John conheceu Paul quando era adolescente. Foi numa festa da paróquia onde o Quarry men, grupo onde John tocava, um dos centenas que havia em Liverpool, se apresentou num desfile nos fundos da igreja. No intervalo John foi ao salão onde se realizava a quermesse e foi apresentado a Paul. Este pegou a guitarra de John e mostrou os acordes certos de uma musica que John não fazia por ter aprendido banjo. Apesar do “fora” acabaram fazendo amizade e mais tarde entrou no conjunto de John.
Começou então uma discussão no grupo pois Valdir achava que este teria sido o maior encontro musical da história. Eu objetei lembrando da relação entre Mozart e Haydn e outras mas depois me convenci que foi UM dos mais importantes encontros e que produziu mais de duzentas musicas, dezenas delas inesquecíveis para a humanidade.
Atravessamos a rua andando para o cemitério que fica atrás da igreja. E, para nossa surpresa, fomos apresentados a nada menos do que a tumba de Eleanor Rigby. Esta senhora tem estátua na cidade e é cantada em prosa e em verso depois da musica de John e Paul mas o que eles dizem é que se tratava de uma pessoa solitária. Fiquei de investigar mais sobre o assunto pois não me convenci muito com as informações que recebemos na oportunidade. O guia Steve mostrou onde foi o desfile dos caminhões onde tocou a banda de John naquele dia que conheceu Paul numa área que hoje já foi absorvida pelo cemitério.
                                                    Saudades dos antigos telefones!

A van/ônibus que nos levava ia tocando musicas no caminho e ao entrarmos em uma estrada passou a tocar nada menos do que Penny Lane. Confesso que não deu pra segurar a emoção quando o guia nos disse que estávamos entrando no bairro de Penny Lane que ficou imortalizado na música de John e Paul.
Posamos ao lado da placa, tiramos fotos de suas ruas, e, a glória, entramos na própria barbearia da qual a musica fala. Pra completar o nosso prazer fizemos um lanche (sempre no lugar do almoço) no bairro famoso. Tudo isso ainda estava em nossa cabeça quando chegamos na enfermaria onde John nasceu e que hoje faz parte da residência universitária da cidade. Só então fomos liberados para jantar, com o casal Almira e Dorival, mas no Bela Itália, a mesma cadeia italiana de ruindade de comida que havíamos experimentado desde Londres.
Depois do jantar foi outra sequência de emoções no Cavern Club. Havia um bom músico se apresentando e cantando músicas dos Beatles. Mas o Beatles Social Club conseguiu que vários integrantes do grupo se apresentassem. Cantaram Valdir, Faustão, Vitor e Renata para os aplausos dos frequentadores. Confesso que até eu pensei em cantar mas sem ensaiar iria passar vergonha. A apresentação de Faustão cantando Blackbird me levou às lágrimas.
                                                        Chora Roberto Carlos!

Depois o pessoal foi pra gandaia curtindo a noite e nós fomos pro hotel. Era muita emoção para um dia só!
As árvores choram hoje
uma brisa à distância te chama seu nome
abra suas asas e espere(...)
os frágeis não podem suportar
o cansado e o estragado, um lugar tão impuro
a imobilidade deste mundo
pois uns pássaros voam tudo antes de verem seu dia.
                                      John Lennon e Paul McCartney